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domingo, 13 de setembro de 2009

Blogueiro convidado: Fellipe Carauta

"Queridos, desta vez este blog tem a honra de publicar um texto do talentosíssimo e grande amigo Fellipe Carauta, que registrou suas impressões sobre Tony Ramos ao conferir seu desempenho como Opash em "Caminho das Índias". Obrigado, Fellipe, por enriquecer esse espaço".

Quando Tony me tirou o Sono



Não é novidade para ninguém que Tony Ramos figura entre os maiores da dramaturgia brasileira. Mas, para mim, depois de começar a assistir Caminho das Índias, ele passou a figurar entre os maiores de todos os tempos. E tudo ia “muito bem, obrigado” até eu resolver, num arroubo aquariano, entender racionalmente essa aceitação tácita do meu coração. A partir desse momento, Tony passou a me tirar o sono! Com o intuito de me “livrar” dele e recuperar a paz, eu aventava possibilidades:

Seria o profissionalismo religioso e responsável? Também, mas não só.
Seria o estudo meticuloso de cada papel? Também, mas não só.
Seria a perfeita composição do personagem? Também, mas não só.
Nada era conclusivo para aplacar minha inquietação até assistir à cena em que Opash descobre que é filho de Shankar. Tudo ficou claro como num legítimo “Fiat lux” e eu me senti um imbecil! Como não fui capaz de perceber que Tony carrega em seus olhos todas as emoções da sua alma e por isso consegue tocar tão fundo nossos corações e nos fazer rir e chorar como um Deus? Lamentável! Mas ao menos desvendei o mistério: Tony pertence à rara “casta” daqueles que conseguem ter os olhos de Deus.


Obrigado, Tony, por toda a beleza do seu trabalho!

Fellipe Carauta

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