Quando Tony me tirou o Sono

Não é novidade para ninguém que Tony Ramos figura entre os maiores da dramaturgia brasileira. Mas, para mim, depois de começar a assistir Caminho das Índias, ele passou a figurar entre os maiores de todos os tempos. E tudo ia “muito bem, obrigado” até eu resolver, num arroubo aquariano, entender racionalmente essa aceitação tácita do meu coração. A partir desse momento, Tony passou a me tirar o sono! Com o intuito de me “livrar” dele e recuperar a paz, eu aventava possibilidades:
Seria o profissionalismo religioso e responsável? Também, mas não só.
Seria o estudo meticuloso de cada papel? Também, mas não só.
Seria a perfeita composição do personagem? Também, mas não só.
Nada era conclusivo para aplacar minha inquietação até assistir à cena em que Opash descobre que é filho de Shankar. Tudo ficou claro como num legítimo “Fiat lux” e eu me senti um imbecil! Como não fui capaz de perceber que Tony carrega em seus olhos todas as emoções da sua alma e por isso consegue tocar tão fundo nossos corações e nos fazer rir e chorar como um Deus? Lamentável! Mas ao menos desvendei o mistério: Tony pertence à rara “casta” daqueles que conseguem ter os olhos de Deus.
Seria o estudo meticuloso de cada papel? Também, mas não só.
Seria a perfeita composição do personagem? Também, mas não só.
Nada era conclusivo para aplacar minha inquietação até assistir à cena em que Opash descobre que é filho de Shankar. Tudo ficou claro como num legítimo “Fiat lux” e eu me senti um imbecil! Como não fui capaz de perceber que Tony carrega em seus olhos todas as emoções da sua alma e por isso consegue tocar tão fundo nossos corações e nos fazer rir e chorar como um Deus? Lamentável! Mas ao menos desvendei o mistério: Tony pertence à rara “casta” daqueles que conseguem ter os olhos de Deus.
Obrigado, Tony, por toda a beleza do seu trabalho!
Fellipe Carauta
