domingo, 18 de novembro de 2012

TOP 10 – MARCOS PAULO





Nessa última semana, a televisão brasileira se despediu de um de seus profissionais mais completos. Filho adotivo do grande autor Vicente Sesso, Marcos Paulo é cria da TV e um capítulo indelével na história de nossa teledramaturgia. Como diretor, esteve à frente de grandes sucessos como “Dancin’Days”, “Roque Santeiro” e de pérolas como “Força de um desejo”, “Brilhante” e “Fera Ferida”. Vamos relembrar aqui sua carreira como ator. Impossível eleger um TOP 10 definitivo, já que o ator possui uma galeria de personagens expressivos nos anos 70 em novelas como “Pigmalião 70”, “O grito”, “Gabriela” e “O casarão”, entre outras. Sendo assim, melão homenageia esse grande profissional e elege seus 10 personagens mais marcantes, não necessariamente os melhores, mas os que permanecem em minha memória afetiva. São eles:


10) LUÍS PAULO, de  “Brega & Chique” (1987)
Um rapaz comum, um sujeito pobre apaixonado por uma garota rica e mimada. O diferencial era o charme meio cafajeste e irresistível de Marcos Paulo, que passou a novela dividido entre a fútil Ana Claudia (Patricia Pillar) e a batalhadora Silvana (Cassia Kiss). As cenas com os pais, vividos por Percy Ayres e Neusa Amaral também eram ótimas.

9) SÉRGIO SANTARÉM, de “Despedida de solteiro” (1992)
Aqui Marcos Paulo nos oferece uma atuação memorável na pele do frio e tirânico Sérgio Santarém, empresário que envolve a mocinha Lenita (Tássia Camargo) e a faz acreditar que seu noivo João Marcos (Felipe Camargo) fora o responsável pelo assassinato de uma moça em plena despedida de solteiro. Manipulador, Sérgio envolve a todos, mas acaba assassinado pela secretária Gloria (Cinira Camargo), que lhe dá uma maçã envenenada no último capítulo da novela. 

8) ANDRÉ, de “Meu bem, meu mal” (1990)
Um tipo incomum na galeria de personagens sedutores do ator e, por isso, mesmo, um momento curioso e interessante de sua carreira. Aqui ele vivia o executivo André, eternamente apaixonado por Isadora (Silvia Pfeiffer), que tinha uma relação de amor e ódio com Ricardo (José Mayer). Quando enfim se livra desse amor, André passa a namorar Fernanda (Lidia Brondi), mas esta, na verdade, é apaixonada por Doca (Cassio Gabus Mendes). Um personagem que poderia ficar apagado se não fosse interpretado por um ator marcante, que fez com que o público torcesse por ele.

7) DIOGO, de “Páginas da Vida” (2006)
Esta foi a última novela em que o ator viveu um personagem fixo, resgatando o par romântico que viveu com Regina Duarte na década de setenta. Em um trabalho quase documental, deu vida ao idealista médico Diogo. Na época, o diretor Jayme Monjardim gravou com imagens reais de crianças pobres e doentes na África, onde o personagem de Marcos Paulo trabalhava. Uma experiência riquíssima para o ator e emocionante para o público. 



6) GUSTAVO, de “Quatro por quatro” (1994)
O grande antagonista da trama. Atuou em vários núcleos. Tinha uma relação destrutiva com a esposa Abigail (Betty Lago), fez com que Auxiliadora (Elizabeth Savalla) se apaixonasse por ele, frustrando o plano de vingança da esposa, caiu de amores por Babalu (Letícia Spiller) e nutria uma inveja pelo herói Bruno (Humberto Martins). Seria um vilão terrível e maniqueísta, não fosse o amor sincero que sentia pela filha adotiva Angela (Tatiane Goulart). Um personagem muito rico que o ator soube dar a exata dimensão humana que ele precisava.

5) CLAUDIO FRAGA DANTAS, de “Corpo a Corpo” (1984)
Um momento bastante emblemático em nossa teledramaturgia. Nessa novela de Gilberto Braga, a questão racial foi abordada como poucas vezes fora abordada antes. Aqui, o personagem de Marcos Paulo vive um romance com Sonia, personagem vivida por Zezé Motta e, para nosso espanto, o casal sofreu certa rejeição por parte do público. Lembro dos embates de Claudio com o pai, o preconceituoso Alfredo Fraga Dantas, papel de Hugo Carvana. Os argumentos do pai chegam a ser revoltantes e a discussão sem sentido, mas foi importante para mostrar as feridas ainda abertas de um tema muitas vezes colocado para debaixo do tapete.



4) ARTURZINHO, de “Tieta” (1989)


O personagem entra quase no final da novela, mas acabou se tornando um dos grandes vilões da trama. Rancoroso, inescrupuloso, dominador, sombrio, Arturzinho se faz passar pelo empresário Mirko Stephano e retorna ao Agreste mais vingativo do que a própria Tieta (Betty Faria), disposto a acabar com a cidade, instalando sua empresa poluidora no local. Arturzinho guardava uma mágoa imensa do pai, magistralmente vivido por Ary Fontoura, a quem julgava responsável pela morte da mãe, e tinha um quê de perturbado, nuance que o ator soube dar muito bem ao personagem. Arturzinho também nutria uma paixão por Tonha (Yoná Magalhães) desde a infância e voltou disposto a conquista-la, mas o que fica do personagem em minha memória é mesmo a crueldade: ele foi o responsável por encomendar o dossiê que revelava a verdadeira profissão de Tieta. Uma cena que me marcou muito na época foi uma em que ele queimava com cigarro a personagem Helena, sua aliada nas maldades, vivida por Françoise Forton.


3) RODOLFO, de “Sinhá Moça” (1986)
Este tinha tudo pra ser mais um mocinho chato de novela, se Marcos Paulo não tivesse emprestado ao personagem aquele ar leve, até certo ponto mais descontraído e menos pomposo, o que sempre torna seus tipos mais humanos. Era um herói abolicionista e idealista, mas também com bom humor. Tinha ares de heroísmo, pois atacava de mascarado misterioso na calada da noite, libertando escravos das senzalas. Teve ótima química com Lucélia Santos em uma das novelas de maior sucesso do horário das seis.



2) EDUARDO, de “Carinhoso” (1973)
Sei que a regras que eu mesmo instituí foi a de evocar a memória afetiva e eu nem era nascido na época dessa novela de Lauro César Muniz, mas há certas obras (como é o caso desta) que transcendem ao tempo e ao espaço. Além disso, foi o papel que alçou Marcos Paulo ao posto de galã. Como não citá-lo? É uma das novelas que nunca vi, mas que tenho imensa vontade de ver, primeiro porque adoro o filme “Sabrina”, com Audrey Hepburn, que a exemplo da novela também foi inspirado na peça “Sabrina Fair – a woman in the world”. Além disso, o que dizer de um triângulo amoroso formado por Marcos Paulo, Regina Duarte e Claudio Marzo? Irresistível.  



1) BASÍLIO, de “O Primo Basílio” (1988)
Um verdadeiro clássico dos adoráveis cafajestes e o charme de Marcos Paulo caiu como uma luva para o personagem que seduziu a prima Luísa, viveu com ela um romance pra lá de tórrido, causando um verdadeiro estrago na vida da moça e depois a abandonou com todos os problemas. A minissérie é uma das melhores já produzidas e talvez a que tenha reproduzido com mais fidelidade uma obra literária. Impossível assistí-la e depois ler o livro e não imaginar o rosto dos atores nos personagens. E o rosto de Basílio simplesmente virou o rosto de Marcos Paulo.


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MELÃO PERGUNTA: QUAIS SÃO SEUS PERSONAGENS FAVORITOS DO ATOR?

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Melão Express: Rapidinhas, mas saborosas – ed. 19



Ø  EXCLUSIVO: NAYARA GLÓRIA ABALA OS PALCOS PAULISTANOS

As tresloucadas Luli Fuentes e Nayara Glória, vividas pelas excelentes Gisa Gonçalves e Maria Rocha. Foto: Marcelo Rissato

Meus queridos, o melão se ausentou por uns dias para se dedicar ao teatro. Mas, mesmo nos palcos, não deixou a televisão de lado, já que a protagonista de minha peça é a famosíssima Nayara Glória, atriz de imensos sucessos em nossas telenovelas! Quem nunca ouviu falar dela?

Ainda estou anestesiado com o grande sucesso de meu espetáculo “O que terá acontecido a Nayara Glória?”, escrito em coautoria com Carlos Fernando Barros e Fellipe Carauta e estrelado pelas talentosíssimas e brilhantes Gisa Gonçalves, no papel da modelo e apresentadora Luli Fuentes; e Maria Rocha, na pele do papel-título, Nayara Glória, atriz de antigas novelas e pornochanchadas que vê na participação do programa da estrela ascendente Luli uma oportunidade para voltar ao mundo dos holofotes.

Equipe quase completa

Sob a direção do queridão Rodrigo Ferraz (Dog para os íntimos e não-íntimos), o espetáculo, exibido nessa edição das Satyrianas, em São Paulo,  conseguiu arrancar risadas da plateia presente. Teatro completamente lotado, fila na porta e gente querendo ingressos. Depois desse sucesso, só me resta agradecer a todos os profissionais envolvidos e torcer para que a peça ganhe uma temporada em palcos paulistanos e cariocas e, quem sabe até, em minha cidade natal, Petrópolis.

Nayara Glória ressurgiu como um meteoro, mas avisa: “I’ll be back”!




Ø  LADO A LADO: AUTÊNTICO NOVELÃO



Com os finais de “Cheias de Charme”, “Avenida Brasil” e “Gabriela”, estamos passando por um período de ressaca nas novelas atuais, que vêm tendo uma audiência abaixo do esperado. Há vários fatores para isso (horário político, horário de verão, calor, etc), mas falta de qualidade, definitivamente, não é o caso de "Lado a Lado”, novela das seis dos estreantes João Ximenes Braga e Claudia Lage sob a supervisão de Gilberto Braga. A novela não tem o ritmo frenético de “Avenida Brasil”, nem a irreverência de “Cheias de Charme”, mas tem todos os ingredientes do autêntico folhetim como troca de bebês, intrigas que separam casais e personagens clássicos: heroína sofredora que dá uma grande virada, herói acima de qualquer suspeita que luta contra as injustiças sociais e uma vilã terrível, mas com traços de humanidade. Tudo isso com um delicioso pano de fundo: o Rio de Janeiro do início do século XX, um período pouquíssimo explorado em nossa teledramaturgia, mas com acontecimentos muito ricos, como o advento do futebol e do samba, a influência francesa na construção da Avenida Rio Branco, o fim dos cortiços, o processo de favelização e as Revoltas da Vacina e da Chibata. A novela está cada vez melhor e mais emocionante e merece uma audiência mais significativa. Vamos acompanhar.

Ø  NANDA COSTA: GRATA SURPRESA EM “SALVE JORGE”



Salve Jorge” já avança em suas primeiras semanas e já podemos identificar na novela vários traços das obras de Gloria Perez: caldeirão multicultural, cultura de um país exótico, gafieira, muitos personagens e uma mocinha com pegada bem popular. Desde a porta-bandeira Jussara (Betty Faria) de “Partido Alto” (1984), a autora tem criado mocinhas longe do ideal romântico de perfeição. E sua Morena, vivida por Nanda Costa, não foge à regra. Alguns temiam que a inexperiência da moça fosse prejudicar o desenvolvimento da personagem, mas isso, definitivamente, não está acontecendo. A primeira vez que reparei de verdade em Nanda foi no especial “Por toda a minha vida” em que ela viveu a lendária cantora Dolores Duran com ótima atuação. Em “Salve Jorge”, Nanda está muito bem como a jovem moradora de comunidade, que foi mãe precoce, se veste de maneira sensual, não dispensa um baile funk, não leva desaforo pra casa, mas que, inconformada com seu destino, tem sonhos e ambições. Típica mocinha das novelas de Gloria, como Clara de “Barriga de Aluguel” (1990) ou Sol (Deborah Secco)  de “América” (2005). Nanda está muito segura em cena e demonstrou ótima química com o herói Theo (Rodrigo Lombardi). Ao contrário de Sol e Clara, tem tudo pra emplacar um final feliz com o mocinho original.

Ø  SESSÃO DE TERAPIA: O PODER DA PALAVRA



O atual biscoito finíssimo da atual programação teledramatúrgica atende pelo nome de “Sessão de Terapia”, versão brasileira da baladada “In treatment”, série exibida se segunda a sexta, às 22:30 pelo GNT, com direção de Selton Mello e redação final de Jaqueline Vargas. A série tem uma estrutura bem simples: uma sala, um psicólogo e seus pacientes. Por isso mesmo, depende em muito da atuação dos atores, de uma direção afiada e de um texto preciso. O poder da palavra consegue prender nossa atenção para os dramas dos pacientes e dos psicólogos. Com atuações irrepreensíveis de ZéCarlos Machado, Maria Fernanda Cândido, Sergio Guizé, Bianca Muller, Mariana Lima, André Frateschi, Selma Egrei e Maria Luisa Mendonça, a série proporciona surpresas e revelações que vão se desvelando a cada episódio, aumentando cada vez mais a carga dramática da trama. Imperdível! Se você perder algum episódio durante a semana, tem reprises aos sábados e domingos.


Ø  O ASTRO NO EMMY INTERNACIONAL

E não é que, mais de um ano depois do final de “O astro”, a pedra ametista continua a brilhar? Sim, fomos indicados ao Emmy internacional! Claro que a felicidade foi geral e não posso deixar de cumprimentar todo o elenco, equipe, direção genial sob o comando de  Mauro Mendonça Filho, meus queridos mestres Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro (que estarão chiquérrimos no red carpet), meu querido companheiro de escrita Tarcisio Lara Puiati e o grande idealizador disso tudo: Roberto Talma. Que Santa Janete Clair, a verdadeira dona da história e padroeira das telenovelas, nos abençoe. A cerimônia de entrega acontece no próximo dia 19 de novembro em Nova Iorque. Vamos todos torcer!  

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domingo, 28 de outubro de 2012

TEMAS E TRILHAS - ZÉLIA DUNCAN




A nova edição de “Temas e Trilhas” é dedicada a aniversariante do dia, Zélia Duncan, que já foi responsável por inúmeros sucessos que figuraram em nossa teledramaturgia. Para a difícil tarefa de elencar apenas 10 canções, melão recrutou um dos maiores fãs da cantora: o queridíssimo Thiago Henrick que, além de noveleiro de primeira, é uma das pessoas que mais entende de música que conheço. Thiago é dono do já cultuado “EnTHulho Musical”, que mesmo em recesso, continua sendo um dos melhores blogs de MPB existentes. Zélia dispensa quaiquer apresentações, mas Thiago a descreveu de forma tão brilhante que já passo a bola pra ele ainda na introdução. Vamos às nossas favoritas:


- AS PREFERIDAS DO THIAGO:

“Hermética popular” – Marília Gabriela certa vez utilizou essa expressão para definir Zélia Duncan e o fez muitíssimo bem. “Às vezes, você canta coisas tão intimistas, que muitos podem sequer entender, entretanto estão lá, cantando em coro e vibrando com seu show”.
Isso é verdade. Por mais que involuntariamente ostente essa postura de “cult”, Zélia faz um enorme sucesso popular, sobretudo quando suas músicas tocam nas novelas. E a própria adora isso! Como já relatou em entrevistas, “A Próxima Vítima” foi vital para que esse sucesso aparecesse, pois “Catedral”, sua versão para o sucesso da cantora britânica Tanita Tikaram, foi tema de um dos casais importantes da novela, vividos por Viviane Pasmanter e Marcos Frota, e lhe projetou de vez. “Confidenciei isso à Viviane um dia, quando a encontrei num aeroporto: que torcia para que a Irene e o Diego ficassem logo juntos para que tocassem a minha música”.
Sou muito suspeito para elogiar a Zélia. Segura, charmosa, talentosa, inteligente, dedicada, sem abertura a estrelismos, uma voz contida e linda e já conta um repertório de trabalhos apresentados muito acima da média. Escolher cinco momentos seus nas novelas foi um trabalho duro, mas procurei eleger cinco bastante representativas de sua trajetória nas trilhas.
Espero que gostem!


5- JURA SECRETA – DA COR DO PECADO (2004)



A composição de Sueli Costa/Abel Silva já havia sido tema de abertura de novela da Globo na voz de Simone – no caso, “Memórias do Amor”, de Wilson Aguiar Filho (1979). Zélia regravou a canção e ela foi tema de Paco (Reynaldo Gianecchini) e Preta (Taís Araújo), casal principal da novela “Da Cor do Pecado”, estreia solo de João Emanuel Carneiro, na faixa das 19h (2004). Na minha humilde opinião, Zélia retirou os excessos de Simone e suavizou a forte letra, conseguindo uma melodia deliciosa e conquistando meu quinto lugar no ranking daqui do Melão.

4- DIZ NOS MEUS OLHOS (INCLEMÊNCIA) – ALMA GÊMEA (2005/2006)
“Diz nos Meus Olhos” é do álbum “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band (2005)”. Zélia musicou um poema de Guerra Peixe, compositor de Petrópolis (RJ) e o resultado final caiu como uma luva pro clima de época da novela “Alma Gêmea”, que sublinhava as maldades da vilã Cristina (Flávia Alessandra). Sabe quando a sonoplastia casa harmonicamente com a obra? É o caso...

3- BREVE CANÇÃO DE UM SONHO – CHEIAS DE CHARME (2012)



Exclusivamente para “Cheias de Charme”, novela de estreia dos autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, Zélia pôs voz em “Breve Canção de Um Sonho”, belíssima música de Dimitri Rebello com letra da compositora. Não pertence a nenhum disco específico – o que lembra muito a prática antiga e atualmente pouco constante de se criar músicas exclusivamente para os folhetins televisivos – até Cheias de Charme - que quebrou esse tabu e teve uma das mais belas trilhas sonoras dos últimos tempos! Na trama, pontuou muito bem o romance entre a empreguete Rosário (Leandra Leal) e Inácio (Ricardo Tozzi).

2- CARNE E OSSO – SE7E PECADOS (2007)



Carne e Osso”, parceria de Zélia com Paulinho Moska, foi tema de abertura de “Se7e Pecados”. Em entrevista em 2011 ao “Sem Censura”, Zélia contou que a canção chegou à novela com uma ajudinha da própria. Jorge Fernando havia lhe encomendado uma música para integrar um dos núcleos-pecados capitais da trama, e ela respondeu. “Tá, mas por enquanto ouve essa aí”, Ele ouviu e achou que tinha tudo a ver com a proposta da trama, ganhando, assim, a abertura. Hoje vejo que foi praticamente a única coisa que funcionou na novela...

1- ENQUANTO DURMO – SALSA & MERENGUE (1996/1997)

 O primeiro lugar vai mais para a personagem do que para a trama em si. A excepcional Teodora (Débora Bloch), esposa possessiva de Eugênio (Marcello Anthony) era divertidíssima, tinha a língua afiada e roubou todas as cenas que apareceu. Aliada a um texto afiado, tinha “Enquanto Durmo” ao fundo de suas cenas, dando mais charme ainda à antagonista. A música consta no álbum “Intimidade” (1996), abrindo o disco com um barulho de trovão seguido do violãozinho bem dedilhado que é bem característico dessa fase “folk” de Zélia. “Se a chuva é boa, deixa cair”.


- AS PREFERIDAS DO VITOR:














5- VERBOS SUJEITOS – LABIRINTO (1998)
Oficialmente era o tema da hilária Yoyô (Isabela Garcia). Mas o tema tocava sempre que alguém começava a transar. De uma forma ou de outra, combinava perfeitamente com a atmosfera sensual e sexual da minissérie de Gilberto Braga, que tinha aquele ar “decadence avec elegance” irresistível de suas obras. Mesmo tendo conhecido a canção antes da minissérie, agora sempre que a ouço lembro de “Labirinto”.

4- NÃO VÁ AINDA – QUEM É VOCÊ (1996)
Uma das minhas canções favoritas da cantora, que abre o álbum de 1995 que a consagrou. Confesso que pouco assisti à novela, mas a ouvi algumas embalando os encontros e desencontros de Afonso e Maria Luiza (Alexandre Borges e Elizabeth Savalla). As lembranças que tenho são muito mais do final de minha adolescência em Petrópolis em que ouvia esse CD sem parar, mas sempre repetia essa música que, além de linda melodicamente, tem uma letra arrasadora. “Por favor não vá ainda, espera anoitecer. A noite é linda, me espera adormecer” (quem nunca? rs...)

3- DREAM A LITTLE DREAM OF ME – SENHORA DO DESTINO (2004)



Canção do maravilhoso álbum “Eu me transformo em outras”, que caiu como uma luva para o adorável casal, o barão Pedro e a baronesa Laura, vividos magistralmente por Raul Cortez e Gloria Menezes, casal de aristocratas falidos que não abrem mão do charme, da classe e da elegância. O casal era absolutamente adorável e a interpretação charmosa de Zélia só fez com que torcêssemos ainda mais por eles.  

2- NOS LENÇÓIS DESSE REGGAE – CONFISSÕES DE ADOLESCENTE (1994)



Uma das canções mais conhecidas de Zélia, mas pouquíssimo lembrada em uma trilha sonora. Foi tema do cultuado seriado “Confissões de Adolescente”, exibido na TV Cultura e depois na Band. Lembro especificamente de um episódio em que a canção tocou o tempo todo embalando o romance da ainda pré-adolescente Deborah Secco, que vivia Carol, a caçula das irmãs. Carol acaba de ganhar um novo colega de classe, vivido por Victor Hugo e acaba tendo seu primeiro beijo com ele. Uma verdadeira pérola, que também contou com as participações de Leandra Leal e Dudu Azevedo ainda bem novinhos. E a cena final do episódio é ótima com o casalzinho namorando na praia. Uma relíquia que vi e revi várias vezes.


1- CATEDRAL – A PRÓXIMA VÍTIMA (1995)
Mesmo já citada pelo Thiago na introdução, essa canção não poderia ficar de fora do ranking. Mais do que isso: merece o alto do pódio, pois foi a que projetou Zélia nacionalmente e, como o Thiago já disse, foi tema do romance de Irene (Viviane Pasmanter) e Diogo (Marcos Frota) em “A próxima vítima”, blockbuster de Sílvio de Abreu. Curiosamente também tocou em "Confissões de Adolescente". Lembro de um episódio em que Natalia (Daniele Valente) vai acampar e acaba ficando com o personagem de Rodrigo Penna ao som dessa canção. Mesmo tendo ouvido a música na novela e na série, confesso que minha memória afetiva em relação a ela vai bem além disso. Me lembra uma época de muitas descobertas em minha vida quando ainda morava em Petrópolis (impossível não lembrar sempre que passo pela catedral da cidade). Uma de minha canções favoritas, não só do repertório de Zélia, como de todas as canções que conheço. É daquelas que, mesmo tocando incessantemente, eu nunca enjoei e jamais deixei de ouvir.


BONUS TRACK: SUPER HOMEM: A CANÇÃO – DELEGACIA DE MULHERES (1990)
Não resisti e cito aqui essa pérola pouco conhecida, do tempo que a cantora ainda assinava sob a alcunha de Zélia Cristina, chegando a lançar um disco com esse nome. A canção fez parte da trilha da série “Delegacia de Mulheres” e embalava a complicada relação da policial Marineide (Lucia Veríssimo) com o detetive Zé Paulo (Marcos Paulo). Essa é do baú e só pra iniciados (risos).


Melão agradece a luxuosa contribuição de Thiago, deseja feliz aniversário à nossa querida Zélia e que suas canções continuem a embalar muitas trilhas de novela.

E vocês? Quais seus temas favoritos na voz da cantora?

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Avenida Brasil: fábrica de catarses





Costumo dizer que todo brasileiro é um pouco técnico de futebol e autor de novela, duas paixões que, definitivamente, já fazem parte de nosso patrimônio cultural e por isso mesmo nos sentimos um pouco donos e queremos “zelar” pela qualidade de ambos, exaltando quando tudo vai bem e também reclamando com a mesma paixão quando não estamos satisfeitos com o desempenho de uma novela ou de um time de futebol. No caso das novelas, sobretudo as do horário nobre, os ânimos se exaltam, para o bem ou para o mal. Mas há muito tempo uma novela não causa tanta comoção e mobilização popular quanto “Avenida Brasil”, que poderia perfeitamente se equivaler à final de uma Copa do Mundo. E hoje, no dia de exibição do último capítulo, além do buxixo de telespectadores por toda a parte, chovem análises de especialistas tentando explicar o fenômeno causado pela novela.

O fato é que ninguém sabe ao certo o porquê de uma novela fazer sucesso. Se existisse uma fórmula, não haveria mais fracassos e tudo seria muito mais sem graça. Perderíamos a apreensão, o frio na barriga, a surpresa e tudo seria automático e chato. Podemos, sim, apontar aspectos que podem ter levado a esse sucesso. Os números de audiência não foram dos mais expressivos e se equivalem às suas antecessoras, o que nos faz crer que audiência não é repercussão. É algo mais efêmero e interessa mais do ponto de vista comercial, mas, necessariamente, não torna uma novela memorável.

Dizem que o sucesso se deve ao fato de a novela ser pioneira na abordagem do universo da classe média em detrimento da classe hegemônica, mas “Rainha da Sucata” já mostrava, há mais de 20 anos atrás e com muito sucesso, a ascensão da classe média frente à falência da aristocracia paulistana. Claro que em “Avenida Brasil” essa abordagem se ampliou e esteve presente na maioria absoluta dos núcleos da novela e gerou um forte sentimento de identificação junto ao público. Mas acredito que a composição dos personagens foi tão boa que ultrapassou essas barreiras sociais, gerando uma identificação geral, não só em relação aos moradores do Divino, como também no núcleo de Cadinho (Alexandre Borges) e suas mulheres. Aliás, os novos e diversos modelos de família mostrados pela novela também são apontados como fator de sucesso, mas isso não é novidade: é tendência.

E há os que dizem que a novela não tenha inovado em nada e foi apenas uma boa novela, mas como negar a estética cinematográfica, a câmera nervosa, a direção inspirada e a agilidade da trama? Se, na essência, “Avenida Brasil” foi um autêntico folhetim, com direito a trama de vingança já contada e recontada em tantos clássicos, por outro lado, subverteu e brincou com muitos símbolos da dicotomia bem X mal, como por exemplo, a mocinha ter características sombrias e usar roupas sempre escuras, enquanto a vilã era feliz, alto astral e usava roupas claras o tempo todo. Outra subversão de linguagem foi o fato dos atores falarem alto e ao mesmo tempo, algo que aprendemos que não se deve fazer em nossas primeiras lições de dramaturgia. Aqui, sob a batuta de Amora Mautner e José Luiz Villamarin, esse “ruído” soava como música aos nossos ouvidos, afinal que família reunida não fala alto e ao mesmo tempo? Elenco brilhante e texto inspirado, de olho nas tendências e neologismos, sobretudo os nascidos na internet, são outros aspectos que podem ser somados às inúmeras qualidades da novela.

Como nem tudo são flores, também houve quem apontasse muitas falhas na novela (afinal somos 190 milhões de autores), como, por exemplo, o já tão falado fato de Nina (Débora Falabella) não ter salvado em formato digital as fotos que serviriam pra desmascarar sua inimiga e todos os desdobramentos pouco críveis que sucederam a esse fato e fizeram com que Max e Carminha (Marcelo Novaes e Adriana Esteves) recuperassem todas as cópias das fotos. O fato de Nina não estar presente durante a desmoralização de Carminha perante Tufão (Murilo Benício) e sua família também gerou frustração em muita gente, uma vez que toda a trama de vingança fora planejada por ela e era o mote central da novela. Falando na vingança, também foi quase imperdoável toda a hesitação de Nina em mostrar as tais fotos para Tufão. Ora, se o desejo de vingança da moça foi maior até do que o amor que ela sentia por Jorginho (Cauã Reymond) não poderia ser menor do que a compaixão por Tufão. Mas o público (que não é bobo) entende que tudo isso faz parte do jogo e era essencial para o desenrolar da trama e continuou a percorrer essa avenida até o fim.

O fato é que “Avenida Brasil” foi uma verdadeira fábrica de catarses. Em praticamente todos os capítulos, havia uma discussão em tom maior, mantendo a tensão e prendendo o espectador durante toda a novela, fazendo com que todos os capítulos fossem imperdíveis, já que sempre tinha alguma coisa acontecendo. A novela não deu folga para o espectador, que ficou sem fôlego durante todos esses meses e não vê a hora de conferir o seu desfecho.

“Avenida Brasil” se junta a “Selva de Pedra”, “Roque Santeiro”, “Vale Tudo” e algumas outras na galeria das grandes telenovelas. Cada uma dessas novelas se destacou por um aspecto específico. A trama de João Emanuel Carneiro será lembrada principalmente pelo tom catártico que permeou toda a estória. Como já apontei na primeira semana da novela, a história nada mais é do que um conto de fadas, uma recriação da fábula da Branca de Neve que, no original, perdia tudo para a madrasta e se resignava. Mas a Branca de Neve pós-moderna não quer só justiça. Quer revanche. E tudo isso com muita tensão e agilidade. A catarse, que sempre foi guardada para os momentos-chave de uma novela, em “Avenida Brasil” foi permanente e não nos deixou respirar. Durante todos esses meses fez o Brasil parar. “Agora que 'O Astro' acabou vamos cuidar da vida, que o Brasil está lá fora esperando”. Essa frase de Drummond em relação à trama de Janete Clair em 1978 pode ser perfeitamente reproduzida em 2012 para “Avenida Brasil”.

Vitor de Oliveira

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A catarse





terça-feira, 9 de outubro de 2012

#OiOiOi Quer ganhar ingressos para “NOVELA BRASIL”? O melão te leva ao teatro!


RESULTADO DA PROMOÇÃO:

VENCEDORES:
- ALESSANDRO DE OLIVEIRA DA SILVEIRA (1 par de ingressos para terça 16/10 às 21 horas)
- CRISTIANE OLIVEIRA DE SOUZA (1 par de ingressos para quarta 17/10 às 22 horas)

Os ganhadores devem enviar um e-mail confirmando presença para conteudo@brainstorming.art.br informando nome completo e RG.

PARABÉNS AOS VENCEDORES E OBRIGADO A TODOS OS PARTICIPANTES!

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Quer assistir ao vivo a um capítulo de “Avenida Brasil”? Bom, isso nem o melão pode fazer por você (sorry...rs). Mas se você quiser conferir o sensacional espetáculo “NOVELA BRASIL”, em cartaz no Theatro Net Rio até o dia 31/10, terças e quartas, às 21 horas, basta responder à seguinte pergunta:

Por quem você torce em “Avenida Brasil”? Nina ou Carminha? Por quê?

Os autores das duas melhores respostas ganharão um par de ingressos para assistir ao espetáculo nos dias 16 e 17/10. Não esqueça de deixar seu nome completo ao responder.


NOVELA BRASIL é uma deliciosa paródia do sucesso de João Emanuel Carneiro idealizada pelos talentosos Rodrigo Fagundes e Wendell Bendelack, que dão vida à Calminha e MiNina, respectivamente. Além de vários personagens de “Avenida Brasil”, outros tipos inesquecíveis como Perpétua, Maria de Fátima, Nazaré Tedesco, Vlad e muitos outros também estão nesse espetáculo que homenageia de forma hilariante nossa teledramaturgia.

O que você está esperando? O final da novela? Nada disso? Deixe sua resposta agora mesmo e concorra. Te espero no teatro! 

Resultado da promoção: domingo, dia 14/10 a partir das 20 horas. 



Theatro Net Rio
Rua Siqueira campos, 143 2º piso
Copacabana - Rio de Janeiro - RJ

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