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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

OS MELHORES PRIMEIROS CAPÍTULOS – Ponto de partida para uma boa novela.



Por Wesley Vieira – Blogueiro convidado


O primeiro capítulo de uma novela, obviamente, é o chamariz para toda a história que irá se desenrolar ao longo dos próximos meses. Quando bem amarrado, fisga o telespectador de imediato. Alguns clichês são necessários para chamar a atenção, como as cenas de ação e os amores à primeira vista. Também é essencial um melhor acabamento estético para impressionar o público. Não necessariamente um bom primeiro capítulo é sinal de novela boa, assim como um primeiro capítulo ruim não é sinal de novela ruim. Aqui no Melão, listei 10 melhores primeiros capítulos na minha humilde opinião. Claro que muitos excelentes ficaram de fora, mas citarei apenas aqueles que eu vi e gostei. 


Celebridade – Primeiro capítulo exibido no dia 13/10/2003




Fama, inveja e vingança eram os temas centrais dessa moderníssima trama de Gilberto Braga. Nesse excelente primeiro capítulo, como sempre, a agilidade na apresentação das tramas e personagens - marca registrada do autor: Considero esse primeiro capítulo como uma espécie de prólogo para mostrar, logo de imediato, o que seria a espinha dorsal da novela: as armações de Laura (Claudia Abreu) para pegar o lugar de Maria Clara (Malu Mader) em um misto de inveja e vingança. Um curioso recurso foi utilizado para “familiarizar” os personagens: na medida em que eles iam aparecendo, a imagem congelava e seus nomes eram grafados na tela. O capítulo, resumidamente, mostra as artimanhas de Laura para conseguir um emprego de secretária na produtora de Maria Clara Diniz, famosa empresária do mundo da música. Humilde, a jovem disputa uma vaga, mas não obtém êxito. Ela, então, parte para o plano B: Marcos (Marcio Garcia) seqüestra Maria Clara e Laura surge para defendê-la. O seqüestro, aliás, vira um acontecimento televisivo, algo tipicamente hollywoodiano, afinal Maria Clara é uma celebridade. Tiros, explosões, muitos flashes... E a promoter consegue escapar do bandido. Em forma de agradecimento, Laura ganha o cargo de secretária. Um brinde! Mas nesse primeiro capítulo, personagens como Darlene (Débora Secco) e o bombeiro Vladimir (Marcelo Farias) também eram apresentados. Ela queria ser famosa. Ele, o namorado, não. Por ironia do destino, é Vladimir quem salva Maria Clara de uma explosão e por esse ato, ele será reconhecido. Outro importante personagem é o arrogante jornalista Renato Mendes (Fábio Assunção) disputando o seu alto ego com Maria Clara. O capítulo fecha com o prenúncio do que viria pelos próximos capítulos: Laura e Maria Clara brindam pela felicidade: “Você vai ter tudo o que sempre mereceu”, dispara a falsa boazinha. Capítulo perfeito!


Tieta – Primeiro capítulo exibido no dia 14/08/1989




Inesquecível novela baseada no livro de Jorge Amado, “Tieta” arrebatou o público ao mostrar as deliciosas histórias criadas pelo grande autor baiano. De forma simples, mas interessante, os autores centralizaram o capítulo em Ascânio (Reginaldo Faria) e seu retorno a Santana do Agreste. Após muitos anos vivendo no Rio, ele está de volta e reencontra todos os amigos que deixara para trás. Seria óbvio iniciar a novela justamente com a protagonista-título, porém o reencontro de Ascânio com os amigos serviu para que eles contassem o que aconteceu com aquela “cabritinha apetitosa”. Entra o flashback mostrando os assanhamentos de Tieta envolta com os homens da cidade. Assim, o público já reconhece que sua irmã, Perpétua, é a grande invejosa da história. É ela a responsável pelo flagrante que o velho Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos) dá em Tieta, no momento de prazer com Lucas (Herson Capri). Quem não se lembra do “ypsilone duplo”? Diante dos moradores da cidade, Zé Esteves dá uma surra na filha e a expulsa da cidade. Ela jura que voltará para se vingar. A ação volta aos dias atuais e com a morte do pai, Ascânio decide ficar de vez na cidade. Ele volta para o Rio e se casa com Helena (Françoise Fourton), que opõe radicalmente à mudança. O capítulo termina em Helena desesperada com a nova vida que Santana do Agreste lhe reservará dali em diante. 


Fera Ferida – Primeiro capítulo exibido no dia 15/11/1993



Vingança, tema recorrente em muitas histórias, também era o pilar principal desta trama baseada em histórias de Lima Barreto e escrita pelo trio Aguinaldo Silva, Ana Maria Morethzon e Ricardo Linhares. Este primeiro capítulo, forte e conciso, iniciava com Raimundo Flamel (Edson Celulari) a caminho de Tubiacanga, sua cidade natal, de onde teve que fugir quando ainda era criança. Gusmão (Ewerton de Castro), seu fiel escudeiro, ouve a sua triste história e entra flashback, revelando a saga do rapaz. Seu pai, Feliciano Mota da Costa (Tarcisio Meira), o prefeito, acredita que a cidade possui minas de ouro e tendo o apoio dos companheiros poderosos, entre eles o Major Emiliano Bentes (Lima Duarte), revela uma grande pepita de ouro para a população que fica alvoroçada com o achado. Logo, ele convence o povo a entregar suas economias para a construção de uma mineradora em Tubiacanga. No entanto, a cidade é invadida por garimpeiros que souberam da notícia e quando Feliciano volta da capital com o dinheiro do povo convertido em dólares, todos descobrem que a pepita era falsa. Clímax. Feliciano é perseguido pelo povo e para piorar, o dinheiro some misteriosamente. Além de mentiroso, todos o chamam de ladrão. Encurralado, ele foge com a esposa e o filho numa canoa, mas é atingido por um pistoleiro. Sua esposa também morre e Feliciano Júnior enterra os pais. Ele jura se vingar de todos. Quase ao final do capítulo, a ação volta para a atualidade e Raimundo Flamel faz mistério de seu retorno à cidade para curiosidade dos poderosos que foram responsáveis pela derrocada de sua família.  


Corpo a Corpo – Primeiro capítulo exibido no dia 26/11/1984

A novela que contava a história da mulher ambiciosa que faz pacto com o diabo para ascender profissionalmente, teve um primeiro capítulo excelente e muito bem amarrado. Em um tom bastante ágil, conhecemos os personagens principais, entre eles, Eloá (Débora Duarte) que trabalha na Fraga Dantas como engenheira e tem aspirações maiores que o marido Osmar (Antonio Fagundes). Por não ter sido escolhida para ir ao Japão, inconscientemente, ela deseja a morte de todos da família e no mesmo dia, descobre que a esposa de Alfredo Fraga Dantas (Hugo Carvana) morreu. Uma sequência de tirar o fôlego é a enchente em Santa Catarina, fato que levará Rafael (Lauro Corona), sua mãe e sua noiva ao Rio. A discreta aparição de Tereza (Glória Menezes) revela que há algum mistério ao redor daquela mulher, que, de forma suspeita, aborda Bia (Malu Mader) após o término da missa de sétimo dia de sua mãe. Quando Cláudio (Marcos Paulo) sofre um espancamento, é Tereza a escolhida para cuidar dele. O capítulo termina com Eloá em uma festa conhecendo o suposto diabo – entrecho que vai permear toda novela.


Vereda Tropical – Primeiro capítulo exibido no dia 23/07/1984


Sem dúvida, a minha novela das sete preferida tinha que entrar nessa lista. Anárquico e movimentado, o capítulo de estreia da primeira novela de Carlos Lombardi com supervisão de Silvio de Abreu, teve todos os bons ingredientes para torná-lo memorável. Cenas rápidas e divertidas deram o tom que seria característica principal do folhetim. A novela começa no ano de 1976, em Belém do Pará, onde mora Silvana (Lucélia Santos), uma simples operária que se apaixona por Vitor (Lauro Corona), rapaz rebelde, filho do poderoso Oliva (Walmor Chagas). Como Vitor gosta de se sentir livre, ele foge enquanto Silvana dá à luz na beira do cais. Nesse momento, uma bonita sonoplastia de Ave Maria sobrepõe aos berros da mocinha (esse recurso foi utilizado porque os censores não gostaram de ouvir os gritos de Silvana. Os autores, então, prometeram inserir a música para que a cena não fosse cortada). Desde então, Silvana vive fugindo do sogro e em 1984 ela está em João Pessoa onde mora com a avó e o filho, Zeca (Jonas Torres). Conhecemos o atrapalhado Oliva e suas três filhas, entre elas, a ambiciosa Catarina (Marieta Severo) e Verônica (Maria Zilda), femme fatale, que está na Espanha aproveitando a vida e, de quebra, seduzindo os homens. Uma das melhores cenas é quando ela provoca uma briga no cassino e consegue se livrar, linda e poderosa, do local. Claro, o capítulo, também, apresenta Luca (Mario Gomes), o jogador de futebol correndo atrás da sorte e se metendo em muitas confusões, principalmente com a feiosa Clô (Regina Casé), filha do diretor do time, que descobre o romance e coloca os capangas para pegá-lo. Ligando todos os núcleos, está a Vila dos Prazeres onde a fábrica de perfumes CPP, de propriedade de Oliva, e a cantina italiana La Tavola de Michele, comandada por Bina (Georgia Gomide), a mãe de Luca, estão instaladas. Oliva consegue raptar o neto e o leva para São Paulo. Em ritmo de muita ação, o capítulo fecha com Luca se livrando dos capangas.


Vale Tudo – Primeiro capítulo exibido no dia 16/05/1988


Gilberto Braga é mestre em excelentes primeiros capítulos. Ele sabe, como ninguém, mexer com todos os recursos folhetinescos para fisgar o telespectador já no início de suas narrativas.  Nessa célebre novela, o capítulo número um não seria diferente. Poucos personagens foram apresentados nesse início. Basicamente, o capítulo mostra Raquel (Regina Duarte) começando uma nova vida ao lado da filha em Foz do Iguaçu, após uma separação traumática. Anos depois, Maria de Fátima (Glória Pires), sua filha, é uma jovem ambiciosa, cansada da vida modesta e com vergonha da mãe que trabalha como guia turística. Sonhando com o Rio de Janeiro, ela conhece o modelo César Ribeiro (Carlos Alberto Ricceli) e vê nele a chance para sair daquela vida. Na base das artimanhas, Maria de Fátima consegue fazer figuração para uma sessão de foto e descobre que César precisa de alguém que arrume um jeito para passar uns produtos pela alfândega. É assim, que entra em pauta um importante debate sobre corrupção que dará o tom à novela inteira. Salvador (Sebastião Vasconcelos) morre e deixa a casa como herança para a neta. Nos minutos finais, Raquel descobre que a filha vendeu o imóvel e levou todo o dinheiro. Um capítulo simples, mas deliciosamente bem amarrado. 


A Gata Comeu – Primeiro capítulo exibido no dia 15/04/1985




Simplesmente Ivani Ribeiro. E isso já diz muito. Ivani, uma das maiores novelistas da televisão brasileira, prezava pela simplicidade e por isso mesmo arrasava. E A Gata Comeu é um clássico do horário das 18 horas. O capítulo começava enquadrando o Pão de Açúcar, localizado na Urca, bairro que centraliza a ação da novela. O professor Fábio (Nuno Leal Maia), em sala de aula, cita o nome de todos os alunos que irão participar de uma excursão com a lancha emprestada pelo importante empresário, Horácio Penteado (Mauro Mendonça). É quando entra em cena, a linda Jô Penteado (Cristiane Torloni) – ao som de “Só Pra o Vento”, música do Ritchie - moça mimada que, por ironia do destino, sugere ao noivo um passeio na mesma lancha no próximo feriado. Nesse ínterim, o impagável casal Gugu (Claudio Correia e Castro) e Tetê (Marilu Bueno) aparece e já arrancam risadas dos telespectadores. Tipos adoráveis que viviam às turras, eles são convidados a participarem da mesma excursão e soltam um “Topo, Gugu!” que adotei pra minha vida. Depois, descobrimos que Paula (Fátima Freire), a noiva de Fábio, trabalha na agência de turismo que pertence a Horácio. Está amarrada a teia. Após uma discussão com Jô, ela é demitida, mas tem a chance de participar da excursão como convidada do noivo. Jô, que se tornou a sua arquiinimiga, a barra na entrada do cais causando tremenda confusão. É nesse momento que Fábio e Jô se conhecem e a antipatia é recíproca. O capítulo termina com o motor da lancha explodindo em alto mar, gancho para os próximos capítulos, quando essa turma ficaria perdida durante muitos capítulos em uma ilha deserta. 

Louco Amor – Primeiro capítulo exibido no dia 11/04/1983

Em uma narrativa bastante ousada para a época (e incrivelmente inovadora, até, para os dias de hoje), Gilberto Braga utilizou o recurso do “flashback dentro do flashback”, fazendo deste, um dos melhores primeiros capítulos já exibidos (em minha opinião, claro). Já em tom de flashback, a trama começa durante a festa de 17 anos de Patrícia (Bruna Lombardi). Ali está o mocinho, Luiz Carlos (Fábio Junior), apaixonado pela aniversariante, mas obrigado pela madrasta da moça a servir os convidados. A partir daí, ele relembra os primeiros momentos de sua chegada à mansão de Edgar Dumont (José Lewgoy), quando ainda era criança, passando para a descoberta do amor até chegar ao primeiro clímax quando a malvada Renata (Teresa Rachel), totalmente contra o relacionamento, pega o casal em flagrante. A ação volta para festa. Luiz Carlos, humilhado, solta os cachorros em Renata e nos convidados. Esta é, em minha opinião, uma das melhores cenas da teledramaturgia brasileira. Impressionante. É esse fato que o separará de Patrícia. Fim do epílogo. Nos “dias atuais”, o mocinho trabalha numa sapataria, vive longe da mãe e está prestes a se formar em jornalismo. Também conhecemos Claudia (Glória Pires), colega de classe de Luiz Carlos. Ela tem uma difícil relação com o Alfredo (Fernando Torres), seu pai, que sensibilizado com a situação de Luiz, o convida para dividir um quarto. Após seis anos longe do Brasil, Patrícia retorna ao Brasil e Luiz Carlos invade a mansão, descobrindo que ela teve um filho.


O Astro – primeiro capítulo exibido no dia 12/07/2011




A ganhadora do Emmy de melhor telenovela em 2012 também teve um capítulo de estréia exemplar. Nessa versão baseada no antigo texto de Janete Clair (Ave Janete!), e escrita por nosso amigo Alcides Nogueira, o Tide, e Geraldo Carneiro, muitas cenas de ação e a apresentação corretíssima de todos os personagens, sobretudo do protagonista Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi). As primeiras cenas, em flashback, o mostram em apuros na pequena cidade de Bom Jesus. Após dar um golpe nos fieis da igreja, Herculano descobre que fora enganado pelo seu companheiro, Neco (Humberto Martins). Sozinho, ele é perseguido por todos. Impressiona a ferocidade dos populares. Muitos takes espetaculares dessa fuga e de repente, a única solução é entrar na delegacia e pedir ajuda. Na cadeia, ele conhece Ferragus (Francisco Cuoco), um homem misterioso, misto de mágico e bruxo, que se torna o seu mentor. Aos poucos Herculano aprende todas as técnicas com ele e após uma passagem de tempo, está livre. Agora ele se tornou o Professor Astro e faz sucesso com shows de ilusionismo na casa de espetáculos Kosmos. É lá que Amanda (Carolina Ferraz), procurando se distrair, o conhece e apesar de negar, fica impressionada com seu desempenho. Conhecemos Marcio Hayalla (Thiago Fragoso) tocando seu flugelhorn pelo metrô e encantado pela beleza de Lili (Aline Moraes). É no universo dessa mocinha que encontramos Neco, o mesmo mau caráter que enganou Herculano no passado e agora está casado com a sua irmã. O empresário Salomão Hayalla (Daniel Filho) está inaugurando um novo supermercado ao lado de sua família, incluindo a esposa Clô (Regina Duarte) e seus irmãos ambiciosos. É quando Márcio surge liderando uma multidão de pessoas pobres que adentram o supermercado numa fúria avassaladora. Salomão fica irado e desconta a sua raiva na esposa. Porém, o maior clímax desse irresistível capítulo acontece no final, quando Marcio fica nu diante de todos os convidados na festa preparada por sua mãe na mansão dos Hayalla. Escândalo!  


Belíssima - Primeiro capítulo exibido no dia 07/11/2005



A primeira cena dessa novela já me chamou a atenção: uma linda modelo no topo de um prédio segurando a bandeira de São Paulo. Tudo não passava de uma ousada e polêmica campanha de marketing pelos principais pontos da grande Sampa para comemorar o jubileu da Belíssima. A ação chamou a atenção da mídia e de grupos de protesto contrários com as “performances indecentes” das modelos praticamente desnudas. O mais interessante foi apresentar os personagens conforme uma sequencia da campanha rolava em locações diferentes. E para dar um charme, um jornalista em off explicava o que estava acontecendo. Conhecemos a protagonista Julia Assunção (Glória Pires) contrária à campanha idealizada por sua avó, Bia Falcão (Fernanda Montenegro). O noticiário na televisão, explicando a confusão pelas ruas de São Paulo, serviu para apresentar os personagens mais a fundo, inclusive com a apresentação do núcleo de Katina (Irene Ravache). Capítulo seguindo e vimos o misterioso André (Marcelo Antony) cruzar o caminho de Cemil (Leopoldo Pacheco). E algumas cenas depois, a trama vai para a Grécia onde Vitória (Claudia Abreu) e Pedro (Henri Castelli) vivem felizes com a filha, longe dos despautérios de Bia, a tirana que fora contra o relacionamento. Eles estão de casamento marcado e temem pela aproximação da vilã. Julia descobre que a avó tem planos para destruir a cerimônia e vai para a Grécia antes. O capítulo termina com Bia Falcão chegando e ficando frente a frente com a neta disposta a tudo para impedir qualquer plano que ela tenha em mente para acabar com a felicidade dos noivos. Um capítulo forte, criativo e com tramas muito bem desenvolvidas.


O Salvador da Pátria – Primeiro capítulo exibido no dia 09/01/1989

Uma das minhas novelas preferidas também teve um primeiro capítulo excelente. Lauro César Muniz e Alcides Nogueira souberam amarrar os núcleos e desenvolvê-los com cuidado de nos apresentar todos os personagens e tramas principais. Primeiro take de um sol nascendo sobre a plantação de laranja e surge o icônico Sassá Mutema (Lima Duarte) acordando e indo para o trabalho com Off do locutor Juca Pirama (Luiz Gustavo) dando bom dia para os trabalhadores do campo em seu programa “Meninos eu vi!”. Em seguida, a linda Clotilde (Maitê Proença) está perdida pelas estradas a caminho de Tangará e encontra o engenheiro Paulo (saudoso Marcos Paulo) que decide ajudá-la. Ele é o elo para o núcleo da empresária Marina Cintra (Betty Faria) e suas filhas. Enquanto isso, em sua rádio, Juca Pirama brada sobre as mazelas políticas da cidade e os outros núcleos são apresentados. Na escola, Clotilde se apresenta aos alunos e é nesse momento que nós, telespectadores, somos brindados com a apresentação de Sassá, esse lindo personagem que conta toda a sua trajetória de vida. Ele é convocado para arrumar o jardim da casa do patrão, o deputado Severo Blanco (Francisco Cuoco), que descobrimos ser a principal vítima dos comentários de Juca. Ele é casado, mas mantém um caso amoroso com a ninfetinha, Marlene (Tássia Camargo). O radialista explora o caso e sob as ameaças do pai da moça, Severo é instruído pela própria esposa a encontrar um marido para a amante. Depois de uma tentativa frustrada, Gilda (Suzana Vieira) tem a mirabolante ideia de mandar justamente o ingênuo Sassá para a fazenda.


Cordel Encantado – primeiro capítulo exibido no dia 11/04/2011


Cinema perde! Assim defino o primeiro capítulo desse grande sucesso escrito pela dupla Thelma Guedes e Duca Rachid. Junção perfeita dos elementos do cangaço e dos contos de fada, “Cordel Encantado” começou, literalmente, já trazendo fogo para a telinha. Um cometa corta o céu e cai no sertão nordestino na visão do profeta Miguezin (Matheus Nachtergaele). Do chão, brota a flor de açucena, “a certeza de um novo tempo que o rei vai trazer”. Imediatamente somos remetidos para o distante reino de Seráfia do Norte, onde o Rei Augusto (Carmo Dalla Vechia) relata sobre essa mesma visão que tivera na noite anterior. Amadeus (Zé Celso Martinez) revela que ele fará uma viagem ao Brasil. Logo, o rei é informado que o exército de Seráfia do Sul está invadindo o palácio sob o comando do Rei Teobaldo (Thiago Lacerda). Em seguida, takes espetaculares de uma guerra entre os dois reinos. Definitivamente, uma sequência fantástica que não deixa nada a dever para o cinema americano. Nesse mesmo momento, a Rainha Cristina (Aline Morais) dá a luz a uma menina que recebe o nome de Princesa Aurora. Seráfia do Norte vence a batalha e Teobaldo morre após assinar um acordo que prevê o casamento entre seu filho Felipe e a princesa para a união dos dois reinos. A Duquesa Ursula (Débora Bloch), a grande vilã também é apresentada demonstrando muita inveja de Cristina. Após descobrirem que há um tesouro perdido no nordeste brasileiro, eles decidem embarcar e são alertados para os perigos do sertão, sobretudo pelo ataque dos cangaceiros.  Esse é o mote para ligar ao drama do Capitão Herculano (Domingos Montaigner), o cangaceiro, rei do sertão que deixa o filho Jesuíno aos cuidados do Coronel Januário (Reginaldo Faria). A comitiva de Seráfia chega a Brogodó e é atacada pelos cangaceiros. A Rainha Cristina sofre um atentado em armadilha engendrada pela Duquesa Úrsula e deixa a filha aos cuidados do casal de sertanejos, Virtuosa (Ana Cecília Costa) e Euzébio (Enrique Diaz). O tempo passa e Açucena (Bianca Bin) é uma linda jovem apaixonada por Jesuíno (Cauã Raymond). Augusto sofre pelo desaparecimento da filha, enquanto a duquesa comemora o fato de sua filha estar de casamento marcado com o Príncipe Felipe (Jaime Matarazzo). No Brasil, Zenóbio (Guilherme Fontes) encontra uma medalha de Santa Eudóxia e acredita que a princesa está viva. Ele interrompe o casamento para dar a grande notícia para o rei. O capítulo termina com o profeta Miguezin discursando como um louco que o rei chegará. Perfeito!

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Wesley Vieira é um dos blogueiros convidados mais frequentes do melão. Não por acaso, é considerado o Editor-Chefe da Sucursal Minas deste blog.
Jornalista, roteirista, noveleiro, blogueiro, dramaturgo, escritor... esse moço vai longe!




Chegou a sua vez! Melão quer saber: quais seus primeiros capítulos de novela inesquecíveis?

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CORAÇÃO DE ESTUDANTE – Minas para o Brasil






quinta-feira, 14 de abril de 2011

Série Memória Afetiva – 10 vilãs memoráveis - PARTE III – ANOS 2000


Depois das maravilhosas malévolas das décadas de 80 e 90, encerro essa “série memória afetiva” com as minhas vilãs favoritas da última década, que foi pródiga no assunto. Por isso mesmo, já prevejo polêmicas, já que é inevitável que as favoritas de muitos fiquem de fora. Outro item que vai dar o que falar é a posição no ranking, já que há praticamente um empate técnico entre as quatro primeiras. Qualquer uma dessas quatro poderia ser a primeira, já que fizeram um sucesso retumbante. Antes de mais nada, um agradecimento especial ao querido amigo Duh Secco, do blog “Agora é que são eles”, pela luxuosa colaboração. Vamos a elas:


10) NORMA (Carolina Ferraz em “Beleza Pura)


 Na época da exibição de “Beleza Pura”, só se falava em Rakelly (Isis Valverde). A maluquete roubou a cena da novela, deixando em segundo plano a trama central, na qual Norma era encarregada das mais terríveis vilanias. Mas bem depois da novela, Norma virou febre com o surgimento do vídeo “Eu sou rica”, no qual nossa belíssima vilã deixa bem claro para o mocinho Guilherme (Edson Celulari) o motivo pelo qual não iria presa. “Eu sou rica” ganhou as pistas de dança, virou hit na internet e colocou Norma na galeria das grandes vilãs.



9) VILMA (Lucinha Lins em “Chamas da Vida”)


Uma mãe dominadora, uma empresária ambiciosa e uma incendiária insana. Assim era Vilma Oliveira Santos, que não hesitava em botar fogo, literalmente, na vida de seus inimigos. Brilhante desempenho de Lucinha Lins, Vilma dominou a ação em Chamas da Vida, desde o início, quando todos sabiam que ela era a responsável por inúmeros incêndios envolvendo seus inimigos, até o fim, quando passou a ser perseguida por um segundo incendiário e se viu completamente louca com a hipótese de ser eliminada da mesma forma que eliminava seus rivais. (Por Duh Secco)


8) SÍLVIA (Alinne Moraes em “Duas Caras”)

 Ela foi chegando de mansinho na novela, mostrando-se dócil e amável no início, para logo depois revelar uma personalidade obsessiva e crimonosa. Sílvia usava de seu charme para conseguir o que queria com Ferraço (Dalton Vigh) e não hesitava em querer eliminar seus inimigos. Dois momentos da vilã são muito marcantes pra mim: o primeiro, no qual ela deixa seu enteado Renato se afogando em um lago com a desculpa de que não pode molhar o cabelo (como amo ironia!!!); e o segundo, seu embate com a governanta Bárbara (Betty Faria), braço-direito de Ferraço, que detectou de cara a boa bisca que ela era. Vibro com aquela cena em que Sílvia tenta dar um tapa em Bárbara e leva uma chave de braço da governanta, que arremata com a melhor definição possível para a vilã: “diabinha”.
  

7) MAÍSA (Daniela Escobar em “O clone”)

 Maísa não é daquelas vilãs clássicas que trama coisas mirabolantes em meio a gargalhadas malévolas. É uma vilã, a la Gloria Perez, que foge desses estereótipos: amargurada, rancorosa, ressentida e humana. Mãe dominadora, faz de tudo para impedir o namoro da filha com seu segurança. Sem o amor do marido Lucas (Murilo Benício) e humilhada pela paixão deste por Jade (Giovana Antonelli), Maísa compensa sua frustração torrando o patrimônio do maridos com joias e vestidos caros e age silenciosamente, seduzindo Said (Dalton Vigh), marido de Jade, para se vingar da Odalisca. Uma cobra, que espera pacientemente pelo bote e um trabalho intenso e bem realizado de Daniela Escobar.


6) MARTA (Lília Cabral em “Páginas da Vida”)


 Outra vilã que foge do modelo clássico. Aliás, há quem nem a considere uma vilã, tamanha a humanidade que a genial Lilia Cabral emprestou à personagem. Frustrada pelas expectativas que depositou no marido e nos filhos, Marta era uma mulher comum e foi até compreendida por grande parte da audiência, que a via como uma batalhadora que carregava a família nas costas. Mas o fato dela rejeitar a neta portadora de Síndrome de Down, revelando todo o seu preconceito foi inaceitável. E com isso, nossa “querida” Marta foi contemplada com um passaporte para ingressar no rol das grandes vilãs da década.


5) ADMA (Cássia Kiss em “Porto dos Milagres”)



Mais uma vilã “aguinaldeana”. Adma era fria, calculista, minimalista. Transpirava crueldade pelos poros e era capaz de tudo para proteger seu amado Félix (Antonio Fagundes) dos inimigos. A arma? Uma boa dose de veneno que carregava em seu anel. O público vibrou com mais essa atuação espetacular de Cássia Kiss e esperava apreensivo para saber quem seria a nova vítima da terrível Adma.


4) BIA FALCÃO (Fernanda Montenegro em “Belíssima”)

“Pobreza pega”. Sim, queridos, agora começa o desfile das maiores vilãs. O quarto lugar pode até soar injusto para Bia, mas acreditem, até o primeiro lugar foi quase um empate técnico. Espécie de Odete Roitman do terceiro milênio, Bia tinha todas as características da histórica vilã “valetudista” (desprezo pelo Brasil, corrupção, instintos assassinos e sede por garotões). E com um agravante: o total desprezo pela filha legítima Vitória (Claudia Abreu). Bia fez e aconteceu: simulou a própria morte, prejudicou a neta Júlia (Gloria Pires) o quanto pôde e ainda protagonizou uma cena digna de tragédia grega ao rejeitar solenemente a filha pela segunda vez. Terminou feliz em Paris nos braços de um garotão aos brados de “bando de idiotas”. Mais um excelente trabalho para a já extensa galeria de personagens inesquecíveis de Fernanda Montenegro.


3) LAURA (Claudia Abreu em “Celebridade”)


Essa adorável “cachorra” causou frisson na época da novela e até hoje é lembrada como um dos melhores desempenhos de Claudia Abreu. Sonsa, dissimulada, com uma ironia e sarcasmo únicos, Laura movimentou a novela até ser assassinada no último capítulo. Totalmente inspirada em Eve Harrington, clássica personagem que infernizava Bette Davis em “A malvada”, Laura tinha objetivo destruir a vida de Maria Clara Diniz (Malu Mader) e, para isso, contava com a ajuda de um bom michê, Marcos (Marcio Garcia), como toda vilã gilbertiana que se preza. A surra que Laura levou de Maria Clara (inspirada em uma antiga cena de “Água Viva”) foi memorável, mas a melhor lembrança que tenho de Laura é dela arrasando, linda, na pista de dança, comemorando seu triunfo sobre a inimiga.


2) FLORA (Patricia Pillar em “A Favorita”)



Essa é cult! Flora deu a sua intérprete Patrícia Pillar inúmeras possibilidades de interpretação. E a atriz não desperdiçou: deu um banho como psicopata vingativa da genial trama de João Emanuel Carneiro, obstinada em destruir a vida de Donatela (Claudia Raia), por quem tinha um misto de ódio e admiração. Flora não poupava ninguém, nem a própria filha Lara (Mariana Ximenez), por quem tinha um profundo desprezo, e não teve escrúpulos em usá-la para colocá-la contra Donatela. Flora foi um show: irônica, sempre com ótimas tiradas, divertiu o público pra valer e também foi responsável por cenas eletrizantes em que o limiar entre a vida e a morte estava sempre em jogo. A intérprete de “Beijinho Doce” arrebanhou uma legião de fãs e até hoje deixa saudade.

1)           NAZARÉ TEDESCO (Renata Sorrah em “Senhora do Destino”)


O que dizer dessa linda raposa felpuda? Dona de uma invejável autoestima, Nazaré Tedesco foi a responsável pelo sofrimento de décadas da “anta nordestina”, como gostava de chamar Maria do Carmo (Susana Vieira), pelo sequestro de sua filha Lindalva (Carolina Dieckmann), a quem criou cercada de amor, como se fosse sua própria filha. E para proteger esse segredo, Nazaré foi capaz de tudo, inclusive matar o próprio marido José Carlos (Tarcisio Meira) e sua antiga colega dos tempos de prostituta, Djnenane (Elisângela), ambos rolando escada abaixo. Além disso, infernizava a vida de enteada Claudia (Leandra Leal). Nazaré era deliciosamente lasciva, debochada, insana, engraçada, divertida, enfim, um show à parte de Renata Sorrah, que soube aproveitar o genial texto de Aguinaldo Silva como ninguém. Pra o melão, é a campeã pelo seguinte motivo: apesar de extremamente caricata, Nazaré era, antes de tudo, humana, e movida pelo amor incondicional que tinha pela filha, a ponto de abrir mão de sua própria vida por causa dela. Portanto, se você cruzar em uma esquina com uma bela loira com uma tesoura na mão, fuja! Mesmo depois de morta, Nazaré pode ser capaz de tudo! Palmas para Nazaré, a incontestável campeã da década.




MENÇÕES HONROSAS:

Ø  FRAU HERTA (Ana Beatriz Nogueira) em “Ciranda de Pedra"
Ø  CRISTINA (Flávia Alessandra) e DEBORA (Ana Lucia Torre) em “Alma Gêmea”
Ø  JEZEBEL (Elizabeth Savalla) em “Chocolate com Pimenta”
Ø  LAILA (Christiane Torloni) em “Um anjo caiu do céu”
Ø  YVONNE (Leticia Sabatella) em “Caminho das Índias”
Ø  DJANIRA PIMENTA (Betty Faria) em “América”
Ø  LEONA (Carolina Dieckmann) e  MILU (Marília Pera) em “Cobras e Lagartos”
Ø  SOFIA (Zezé Polessa) e BEATRIZ (Debora Falabella) em “Escrito nas estrelas”
Ø  MARCELA (Drica Moraes) em “O cravo e a rosa”
Ø  BÁRBARA (Giovana Antonelli) em “Da cor do pecado”
Ø  ESTER (Zezé Polessa) em “A lua me disse”
Ø  AUGUSTA EUGÊNIA (Arlette  Salles) em “Porto dos Milagres”
Ø  ZILDA (Cassia Kiss) em “Eterna Magia”
Ø  TAÍS (Alessandra Negrini) em “Paraíso Tropical”
Ø  JUDITH (Debora Evelyn) em “Caras e Bocas”
Ø  CLARA (Mariana Ximenes) em “Passione”


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Série Memória Afetiva – 10 (ou mais) vilãs memoráveis - anos 80



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