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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Série Memória Afetiva: 10 Trilhas Sonoras Nacionais de Novelas


Estava devendo esse post há muito tempo. Quando Wesley Vieira me propôs, logo disse que já tinha falado a respeito, mas na verdade falei de meus temas preferidos e não de trilhas sonoras inteiras. Como sei que o rapaz é aficionado por trilhas internacionais, deixei a tarefa pra ele e fiquei com as nacionais, que sempre foram minhas preferidas.
Mais do que um apanhado de hits do momento, minha seleção se baseou em trilhas que ajudam a contar a história e que mais se adequam ao estilo da trama. Lógico que também levei em conta meu gosto pelas canções. Desde os oito anos, quando adquiri meu primeiro LP, acompanho os lançamentos com frequência, mas já ouvia antes disso, através dos discos de minhas primas. Foi muito difícil escolher dez e já estou esperando pelas eventuais reclamações. Mas como sempre digo, listas são subjetivas, pessoais e intransferíveis. Cada um tem a sua e cada um sabe o que toca mais em seu coração. Vamos à minha:

10) TOP MODEL (1989)

Uma trilha sonora jovem bastante marcante, cheia de hits muito executados na época e que, principalmente, combinavam com a atmosfera leve e solar da novela, que misturava moda e surf. A princípio, todos se lembram de “Oceano” (Djavan), tema de Duda e Lucas (Malu Mader e Taumaturgo Ferreira); “À Francesa” (Marina Lima), delicioso tema de Duda nas passarelas; e “Hey Jude”, versão de Kiko Zambianchi do clássico dos Beatles, tema do surfista Gaspar (Nuno Leal Maia) e seus filhos, as três canções mais tocadas do álbum. Mas também há outros hits do momento que hoje em dia não são tão lembrados, como “Fica Comigo” (Placa Luminosa) e “Vida” (Fábio Jr.), tema da hilária doméstica Cida, interpretada pela genial Drica Moraes. Mas há canções mais obscuras que também gostava muito, como “Independência e Vida” (Rita Lee), “Babilônia Maravilhosa” (Evandro Mesquita), talvez a que mais combine com a novela; e “Bobagem”, com Léo Jaime”. Também tinha a pérola “Nega Bom Bom” (Os cascavelletes), tema do típico adolescente Ringo Starr (Henrique Farias) e seu curioso verso “punhetinha de verão”, que todo mundo adorava repetir na vitrola (risos). Mas talvez a canção que tenha envelhecido melhor e minha preferida até hoje é “Essa noite, não”, de Lobão, que vira e mexe, ouço em meu setlist. Em tempo: a trilha internacional também é incrível, mas isso já é assunto para nosso amigo Wesley.

9) CORDEL ENCANTADO (2011)
Descobri essa trilha tardiamente. Começou a me chamar a atenção na medida em que ia assistindo à novela e constatando uma incrível identificação entre as tramas e as canções. Além de canções nordestinas tradicionalíssimas e simbólicas como “Xamego”, com Luiz Gonzaga, também há o melhor da nova safra de músicos e compositores como Silvério Pessoa, Otto (com a emblemática “Carcará”) e Karina Buhr (com a deliciosa “Tum Tum”). Destaque também para a já cultuada “Maracatu Atômico”, com Chico Science e Nação Zumbi. Sem esquecer de ícones nordestinos da MPB como Caetano, Lenine, Gil (em dueto com a ótima Roberta Sá, cantando o tema de abertura), Alceu Valença (com a intensa “Na primeira manhã”), Maria Bethânia (“Estrela Miúda”, antigo sucesso do repertório de Marlene), Zé Ramalho (“Chão de Giz”) e a simplesmente arrebatadora “Melodia Sentimental”,  de Villa Lobos, com interpretação soberba de Djavan, o ponto alto da trilha. Todas casando perfeitamente com a trama. Há outras deliciosas canções interpretadas pela nova geração da MPB: “Coração”, com Monique Kessous; “Saga”, lindo arranjo e voz impressionante de Filipe Catto, “Quando assim” (Nuria Mallena) e “Beija-Flor”, com a incensada Maria Gadu, tema do par romântico central. Um acerto do começo ao fim.


8) FERA FERIDA (1993)

Lembro que minha primeira aquisição dessa trilha foi em fita k-7. Colocava à noite em meu moderno micro-system e ouvia até dormir. Tirando esse atestado de idade avançada que acabei de passar, fala muito em minha memória afetiva.  A começar pela canção-título interpretada com belíssimo arranjo e interpretada com vigor por Maria Bethânia. Um dos temas de abertura que mais combinou com a novela. Gosto de “Rio de Janeiro”, com João Bosco e “Sangue Latino”, com Renata Arruda, mas são as canções mais lentas e doces que me tocam mais nessa trilha como a magistral “Rosa”, de Pixinguinha, na voz de Marisa Monte; a arrebatadora “Corpo e Luz”, com Itamara Koorax, tema da sofrida Margarida Weber; a doce “Noites com sol”, com Flavio Venturini, tema de Áureo e Frida (Claudio Fontana e Deborah Evelyn) e a belíssima “Flor de Ir embora”, com Fátima Guedes, tema de Clara dos Anjos (Érica Rosa), canção que merecia uma personagem melhor. Mas o ponto alto da trilha é um clássico das canções de amor: “Al di la”, com Emilio Pericolli, tema do filme “Candelabro Italiano”, que aqui na novela foi belissimamente aproveitado como tema da romântica e atrapalhada Ilka Tibiriçá, em mais uma interpretação inesquecível de Cássia Kiss. A novela ainda teve um bom segundo volume de trilha nacional, mas o primeiro foi imbatível.


7) BAILA COMIGO (1981)



Curiosamente, uma das mais antigas da lista, mas que só me cativou recentemente. Na verdade, sempre fui apaixonado pela trilha internacional dessa novela que pertencia à minhas primas. Passei a infância ouvindo aquelas canções e morrendo de curiosidade pela novela. Recentemente, pude assistir e comprovar o feliz casamento das canções, todas solares, com a trama, a cara do verão da zona sul carioca do início dos anos 80.  A canção que abre o álbum, “O lado quente do ser”, com Maria Bethânia, é o tema da médica Lúcia (Natália do Vale), mas sempre achei que combinava mais com a professora de dança Joana (Betty Faria), que também tinha seu tema, “Deixa Chover”, sucesso de Guilherme Arantes e “Lua e estrela”, com Caetano Veloso, tema de Mira (Lídia Brondi). Nessa linha verão e alto astral, Marina comparecia com “Corações a mil”. Mas minhas favoritas são as mais dramáticas como “Viajante”, em visceral interpretação de Ney Matogrosso, tema do sofrido João Victor (Tony Ramos). A trilha incidental também ilustrava o drama da anti-heroína Helena, vivida pela inesquecível Lilian Lemmertz. Uma das mais curiosas é “Vida”, interpretada por Beth Goulart, uma das atrizes da novela. E também tinha a simpática “Vira Virou”, com Kleiton e Kledir, que tocava nas cenas gravadas em Lisboa, no início da novela. E pra coroar meu amor pela trilha, a capa com Betty Faria é a cereja desse delicioso bolo.


6) MANDALA (1987)

 Uma das mais comentadas e mais ouvidas em minha antiga vitrolinha. Claro que a referência maior é “O amor e o poder”, clássica, cult e tudo o mais na voz de Rosana, tema da “deusa” Jocasta (Vera Fisher). Essa, juntamente com “A paz”, com Zizi Possi, foram as faixas que arranharam de tanto que eu ouvia. Nessa linha “hit”, também há a bela e sofrida “Um dia, um adeus”, tema de Vera (Imara Reis), uma das minhas favoritas de Guilherme Arantes. Outros destaques são: a soturna “Mitos”, tema de abertura com César Camargo Mariano, talvez a que carregue maior identidade com a novela; “Bobo da Corte”, com Alceu Valença, tema do Vovô Pepê (Paulo Gracindo), que a TV Pirata pegou emprestada para ser tema do lendário Barbosa (Ney Latorraca), de “Fogo no Rabo”. Aliás, várias músicas dessa trilha também tocavam em “Fogo no Rabo”. Antes de “Celebridade” (2003), “Tema de Don Don” aparecia aqui na voz de Zeca Pagodinho. Outras faixas bastante lembradas são “Eu já tirei a tua roupa”, que só podia ser interpretada por Wando; e “Personagem”, mais uma daquelas baladas oitentistas de Fafá de Belém. Mas uma de minhas faixas favoritas é “Preconceito”, com Via Negromonte, que continua atualíssima e é uma ode contra todos os hipócritas e moralistas de plantão. Uma curiosidade totalmente pessoal e afetiva é que, na época, usava várias dessas músicas, como temas dos personagens das novelinhas que já criava naquela época. Não tem como não amar e como não lembrar.

5) LAÇOS DE FAMÍLIA (2000)


Tudo nessa trilha remetia à novela: desde as ensolaradas bossas-novas, passando pelos hits ensolarados até as baladas mais românticas. Tudo tinha cara de sol, mar e Leblon. E particularmente, também uma de minhas favoritas porque coincidiu com a época em que vim morar no Rio. Portanto, todas as músicas também ecoavam em minha fase de descoberta e encantamento pela Cidade Maravilhosa. O tema da protagonista Helena, “Como vai você”, antiga balada de Antonio Marcos, ganhou um belíssimo arranjo e uma interpretação tocante de Daniela Mercury e é uma de minhas favoritas. Impossível ouvir a canção sem se lembrar dos beijos de Vera Fischer e Reynaldo Gianecchini e o posterior sofrimento de Helena, ao abrir mão de Edu em favor da filha. Como já disse, a trilha exalava bossa-nova, desde a tradicional “Corcovado”, tema de abertura, aqui em uma versão híbrida de português e inglês na voz de João e Astrud Gilberto, com participação de Tom Jobim e Stan Getz; a adorável “Samba de Verão”, que ficou linda  e romântica na voz doce de Caetano Veloso; e “Baby”, na cultuada versão em inglês dos Mutantes, tema de Camila (Carolina Dieckmann). Outra canção que também ficou “bossanovada” foi o hit oitentista de Léo Jaime, “Mensagem de amor”, aqui na voz de Lucas Santana, num arranjo lindo demais, que foi tema da garota de programa Capitu, personagem que alçou Giovanna Antonelli ao primeiro time de atrizes globais. Fora do estilo bossa nova, tínhamos Deborah Blando, com “Próprias Mentiras”, que caiu como uma luva para a endiabrada Íris (Deborah Secco); “Solamente uma vez”, bolerão clássico na voz de Nana Caymmi, tema de Alma (Marieta Severo); “Perdendo dentes”, com Pato Fu, que também combinou perfeitamente com a personalidade de Cissa (Julia Feldens); a bonitinha “Balada do amor inabalável”, do Skank; e o pagode “O pai da alegria”, com Martinho da Vila, tema do casal popular Ivete e Viriato (Soraya Ravenle e Zé Victor Castiel). A trilha ainda trazia alguns temas internacionais como “Man, I feel like a woman”, delicioso country de Shania Twain, tema de Cíntia (Helena Ranaldi) e o clássico dos clássicos “My way”, pouquíssimo aproveitado na novela. Enfim, uma trilha pra se ouvir do início ao fim.


4) ESTÚPIDO CUPIDO (1976)


O que dizer dessa maravilha? Cresci ouvindo e até hoje morro de curiosidade pela novela, a qual só assisti aos dois primeiros capítulos, em relação às músicas. Bateu todos os recordes em seu lançamento, vendendo mais de 1 milhão de cópias e trouxe de volta todas aquelas canções memoráveis, relançando a carreira de Celly Campello, que emplacou dois de seus maiores sucessos: a canção-título e a deliciosa “Banho de Lua”, que abre o disco. Impossível ouvir e não sair dançando. Lembro que embalou várias festinhas de aniversário em minha casa. Embora o LP seja de minhas primas, acho que ouvi muito mais do que elas e talvez tenha sido o grande responsável pela minha paixão pelos anos 50 e 60. Tem opções para todos os gostos, desde as lendárias divas Maysa (“Meu mundo caiu”) e Sylvinha Telles (“Tetê”), passando pelas divertidas “Neurastênico” (Betinho e seu conjunto) e “Boogie do bebê” (Tony Campello) até os clássicos rocks da época como “Broto Legal” (Sérgio Murilo). Mas minha favorita é “Ritmo da Chuva”. A canção é tão ingênua, tão doce e, talvez por isso, sempre permaneceu em minha memória afetiva. Adoro cantarolar até hoje. Enfim, um álbum pra se ouvir sempre.


3) VALE TUDO (1988)

Outro do tipo em que as canções remetem absolutamente à trama. O tema de abertura, talvez o mais emblemático de todos os tempos, “Brasil”, na voz de Gal Costa, resume toda a novela e nos remete à clássica cena da banana de Marco Aurélio (Reginaldo Faria) para nosso país. Mas os sambas “Isto aqui o que é”, com Caetano veloso e “É”, com Gonzaguinha, também possuem uma fortíssima identidade com a novela. Outro destaque é a deliciosa “Pense e dance”, com Barão Vermelho, que nos faz recordar imediatamente às armações de Maria de Fátima (Gloria Pires), assim como “Terra dourada”, mais conhecida como “Cenário de cor”, com João Bosco, nos transporta imediatamente à Búzios, um dos cenários da novela. As baladas são um capítulo á parte: “Besame”, com Jane Duboc, que embalava o amor bandido de Fátima e César (Gloria Pires e Carlos A. Ricelli); “Todo o sentimento”, com Verônica Sabino, que inevitavelmente nos faz lembrar do sofrimento de Heleninha (Renata Sorrah); “Tá combinado”, na voz de Bethânia, tema do par romântico Raquel e Ivan (Regina Duarte e Antonio Fagundes); e a inesquecível “Faz parte do meu show”, tema de Solange e Afonso (Lidia Brondi e Cassio Gabus Mendes), a mais emocionante das canções de Cazuza. Uma trilha representativa, não só da novela, quanto da época em que foi lançada.


2) ROQUE SANTEIRO – VOLS 1 E 2 (1985/86)

Considerada por muitos a trilha sonora mais perfeita de todos os tempos. E nesse caso, elegi os dois volumes nacionais. Não consegui dissociar um do outro, tamanha a unidade entre eles. Além disso, bate forte em minha memória afetiva por ser os primeiros discos realmente meus (os anteriores a essa data eram das minhas primas ou da minha mãe), por isso, claro, ouvia sem parar na vitrolinha...(risos). E também coincidiu quando eu comecei a escrever minhas novelinhas aos oito anos de idade. Criava tramas usando minha família e meuas amigos como personagens e me apropriei dessa trilha pra ser a canção-tema deles. São tantas canções memoráveis que fica até difícil falar de todas. O volume 1 é absolutamente irrepreensível, com as mais do que clássicas “Dona” , com Roupa Nova (tem como ouvir essa música e não se lembrar da Viúva Porcina?) e “De volta pro aconchego” (Elba Ramalho), que dispensam quaisquer comentários. “Roque Santeiro” (Sá & Guarabira) e “Santa Fé” (Moraes Moreira) são completamente indissociáveis da novela. Só essas canções já bastariam para que a trilha fosse perfeita, mas também tem “Sem pecado e sem juízo” (Baby Consuelo), “Chora Coração” (Wando), “Coração Aprendiz” (Fafá de Belém) e “A outra” (Simone), que também tocavam sem parar. “Isso aqui tá bom demais”, com Dominguinhos e Chico Buarque, também é daquelas em que não imaginamos fora da novela. Como se não bastasse, o segundo volume também é sensacional e também foi um campeão de vendas à reboque de “Vitoriosa”, com Ivan Lins. Mas há outras ótimas canções super adequadas à trama como “Mil e uma noites de amor” (Pepeu Gomes), “Fruta Mulher” (Nana Caymmi) e “Entra e sai de amor” (Altay Velloso), que também foi executada maciçamente nas rádios e era o tema de amor do polêmico casal Tânia e Padre Albano (Lídia Brondi e Cláudio Cavalcanti). “Verdades e Mentiras” seguia a mesma linha da canção de Sá & Guarabira do primeiro volume, mas agora já dialogava com o segredo em torno do mito de Roque (José Wilker). Mas a minha favorita nem é das mais lembradas. Trata-se de “A hora e a vez”, com Claudio Nucci e Zé Renato que, pra ser sincero, me remete mais às lembranças de minha vida na época do que à própria novela. Até hoje quando ouço me emociono e passa um filme em minha cabeça. Inesquecível e obrigatória na coleção de qualquer noveleiro.



1) TIETA (1989)

É uma das grandes razões dessa seção ser intitulada “Memória Afetiva”. Não é necessariamente a favorita geral, mas é a minha favorita. Acho que tem grande contribuição no fato de eu ter eleito “Tieta” minha novela favorita. Todas as canções exalam nostalgia e ecoam boas lembranças em minha mente, tanto da novela, quanto de minha vida pessoal. Vou começar de cara com minha favorita, que não podia ser outra: “Coração do Agreste”, com Fafá de Belém, tema da protagonista e, ao meu ver, o mais perfeito que já existiu, pois além de contar a história da novela com perfeição, consegue descrever com maestria o sentimento de Tieta (Betty faria) com relação ao seu retorno à terra natal.  A cena da volta de Tieta à Santana do Agreste é absolutamente antológica por vários motivos, mas não teria o mesmo impacto se a canção não fosse perfeita. Além disso, a trilha também embalou a despedida da cabrita e todas as suas visitas a Mangue Seco. Impossível não ouvir essa canção e não visualizar as dunas de Mangue Seco em nossa mente. A trilha é toda perfeita, desde o tema instrumental “Segredos da Noite (Ary Sperling), que anunciava que a assustadora Mulher de Branco estava por perto, até os divertidos forrós “Paixão de beata” (Pinto do Acordeom), tema do divertidíssimo trio de beatas Perpétua, Amorzinho e Cinira (Joana Fomm, Lilia Cabral e Rosane Gofman) e “Cadê o meu amor?” (Quinteto Violado), tema da sonhadora e solteirona Carmosina (Arlette Salles). “Meia Lua Inteira” (Caetano Veloso) e “Tieta” (Luiz Caldas)   são a materialização da própria trama. E as canções românticas são um arraso: “Paixão Antiga” (Tim Maia), tema de Helena (Françoise Fourton); “Eu e você” (José Augusto), tema de Elisa e Timóteo (Tássia Camargo e Paulo Betti), “Paixão Escondida” (Fagner), tema de Carol (Luisa Tomé) e duas de minhas favoritas: “Tenha calma”, (Maria Bethânia em interpretação visceral), que embalava o romance proibido de Tieta (Betty Faria) com seu sobrinho seminarista Ricardo (Cassio Gabus Mendes) e “Tudo o que se quer”, lindo dueto de Emilio Santiago e Verônica Sabino, que embalava o romance dos pombinhos Ascânio e Leonora (Reginaldo Faria e Lídia Brondi). A trilha contou com um ótimo segundo volume, mas esse primeiro é imbatível.  Minha trilha favorita para todo o sempre. Amém!



E vocês? O melão sempre quer saber? Quais são suas trilhas nacionais favoritas?

domingo, 13 de junho de 2010

Série Memória Afetiva: minhas cidades fictícias favoritas



Cidade cenográfica de "Ribeirão do Tempo"

Sempre gostei de novelas com cidades fictícias. Elas são sempre motivo pra se mostrar algo diferente, especial. Ultimamente, elas não têm aparecido nas novelas com muita freqüência, mas uma atual novela, “Ribeirão do tempo”, de Marcílio Moraes, está reeditando esse costume. A novela ainda está muito no comecinho, mas sua cidade já nos desperta uma certa nostalgia. Ribeirão do tempo é cheia de tipos pitorescos, situações inusitadas e um quê de ironia e deboche. Mesmo não sabendo ainda quais surpresas a novela nos reserva, mas já entrando no clima, vou falar um pouco de MINHAS cidades fictícias favoritas:


10) Já deixo esse espaço reservado para as lembranças de vocês das cidades que, porventura, esqueci de mencionar. Com quem fui terrivelmente injusto? Aqui vão algumas sugestões: Resplendor (PEDRA SOBRE PEDRA), Remanso (DESPEDIDA DE SOLTEIRO), Porto dos Milagres (PORTO DOS MILAGRES), Guará (CIDADÃO BRASILEIRO), TABACÓPOLIS (O fim do mundo), VENTURA (Chocolate com Pimenta), TANGARÁ (O salvador da pátria), ROSEIRAL (Alma gêmea), RIO NOVO (Fera Radical), DEUS ME LIVRE (Pé na Jaca), PONTAL D'AREIA (Mulheres de Areia), ESPLENDOR (Esplendor), SANTANA DE BOCAIÚVAS (Agora é que são elas), SÃO TOMÁS DE TRÁS (Meu bem querer).

9) Passaperto (DESEJO PROIBIDO - 2007)

Confesso que a trama central dessa novela de Walther Negrão não me interessava muito. Mas acompanhar as paripécias dos coadjuvantes moradores da deliciosa cidadezinha do interior de Minas era tão saboroso e singelo quanto um pãozinho de queijo saído do forno: a fofoqueira Guará (Jandira Martini), a sonhadora Florinha (Grazy Massafera), o verborrágco Viriato (Lima Duarte) e sua impaciente esposa Magnólia (Nívea Maria), que sempre “ataiava” seus discursos, o irreverente soldado Brasil (Nando Cunha) são apenas alguns dos tipos que faziam de Passaperto um lugar curioso e diferente.

8) Greenvile (A INDOMADA- 1997)


Uma cidade nordestina colonizada por ingleses em que todos os moradores misturavam os idiomas português e inglês só podia mesmo ter saído de uma mente inventiva como a de Aguinaldo Silva. Dessa mistura surgiram bordões impagáveis como “Oxente my god”. Não há como esquecer a diabólica Altiva (Eva Wilma), a sensual Scarlett (Luíza Thomé), os românticos Emanuel e Grampola (Selton Mello e Karla Muga), as “camélias” de Zenilda (Renata Sorrah ou os rigores da lei da Juíza Mirandinha (Betty Faria). O realismo fantástico também bateu ponto por lá quando o Delegado Motinha (José de Abreu) caiu no buraco feito na praça pelo prefeito Ipiranga Patiguari (Paulo Betti) e foi parar no Japão. Enfim, humor, ironia, deboche e crítica política, marcas registradas de Aguinaldo com sabor de um bom Five o’clock tea.

7) Saramandaia (SARAMANDAIA- 1976)

Essa não faz parte propriamente de minha memória afetiva, já que nem era nascido na época da novela, mas não há como não deixar de citar essa fantástica cidade criada por Dias Gomes em que uma mulher explode de tanto comer, um homem ganha asas e voa e outros acontecimentos inusitados. Só me resta dizer que gostaria muito de ter nascido alguns aninhos antes para ter acompanhado essa novela, que ainda povoa o imaginário de muita gente.

6) Sucupira (O BEM AMADO- 1973)


Confesso que minhas remotas lembranças são mais do seriado dos anos 80 do que da primeira novela em cores da TV brasileira. Mas seria quase impossível encontrar um brasileiro com mais de 25 anos que nunca tenha ouvido falar do prefeito Odorico Paraguaçu, vivido pelo inesquecível Paulo Gracindo; do matador Zeca Diabo, genial criação de Lima Duarte; do atrapalhado Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) e das maravilhosas Irmãs Cajazeira (Ida Gomes, Dirce Migliaccio e Dorinha Duval). Personagens carismáticos e uma deliciosa sátira política: combinação de sucesso.

5) Albuquerque (Estúpido Cupido - 1976)


Ainda que exista de fato uma cidade com esse nome, a que ambientava a trama de Mário Prata deu o que falar. O irresistível clima do início dos anos 60 com todas aquelas canções inesquecíveis, aquele clima de namorinho no portão, amassos e picardias em geral com gostinho de coisa proibida, já que a sociedade daquela época era ainda mais conservadora. Mocinhas sapecas, velhinhas fofoqueiras e rebeldes sem causa fizeram Albuquerque cair nas graças do público.

4) Armação dos Anjos (VAMP - 1991)

Armação dos Anjos seria mais uma pacata e bucólica cidade litorânea se não fosse o fato de ter sido enfestada de vampiros que fizeram a alegria de muita gente e transformou a trama de Antonio Calmon em mania nacional. Tipos inesquecíveis como a sensual vampira Natasha (Claudia Ohana), o terrível e debochado Vlad (Ney Latorraca), a engraçadíssima família Matoso, liderada por Mary e Matoso (Patricia Travassos e Otávio Augusto), sem contar que tinha um falso padre garotão, um circo e dois adoráveis protagonistas, vividos por Reginaldo Faria e Joana Fomm, que juntaram suas já extensas famílias, aludindo a clássicos como “A noviça rebelde” e “Família Do-ré-mi”. O resultado desse “terrir” com comédia e romance foi uma das novelas mais bem sucedidas do horário das sete.


3) Tubiacanga (FERA FERIDA - 1993)

É uma de minhas cidades fictícias favoritas, pois desta vez Aguinaldo Silva acrescentou o lirismo e poesia da obra de Lima Barreto à sátira política e humor sempre presente nas cidades de suas novelas. Só em Tubiacanga, por exemplo, as lágrimas de uma sofrida mulher como Margarida Weber (Arlete Salles) inundavam a casa ou uma jovem como Camila (Claudia Ohana) dormia por meses a fio. E mais: transformação de ossos humanos em ouro em pó, casal (Demóstenes de José Wilker e Rubra Rosa de Susana Vieira), cuja transa era tão quente que pegava fogo no quarto, enfim... maravilhosas loucuras pra uma só novela.

2) Santana do Agreste (TIETA – 1989)


Além das belíssima paisagens de Mangue Seco, o público também se deleitava com os moradores pra lá de carismáticos de uma cidade nordestina parada no tempo, mas às portas do progresso trazido por uma de suas cabritas desgarradas. Impossível se esquecer das adoráveis beatas Cinira a Amorzinho (Rosane Goffman e Lília Cabral) fiéis escudeiras da terrível e engraçadíssima Perpétua (Joana Fomm), da sonhadora Carmosina (Arlete Salles) e sua esperta mãe Dona Milú (Miriam Pires), da hipocondríaca Dona Juraci (Ana Lúcia Torre), do lascivo Modesto Pires (Armando Bógus) e sua teúda e manteúda Carol (Luíza Thomé), só pra citar alguns. A galeria de tipos é extensa e marcante. Poucas cidades fictícias divertiram tanto quanto esta.


1) Asa Branca (ROQUE SANTEIRO – 1985)


Essa ganha de lavada. A trama de Dias Gomes escrita por Aguinaldo Silva, com colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis fez com que o Brasil voltasse suas atenções diariamente para a divertida e polêmica Asa Branca, que funcionava como uma espécie de metáfora e metonímia de nosso país. O Brasil parou por alguns meses para assistir a si mesmo através dessa antológica novela. Todas as nossas características estavam retratadas em Asa Branca: gaiatice, deboche, corrupção, sensualidade, hipocrisia, fanatismo, ambição.... mais humana e mais brasileira, impossível. Como esquecer da beata Pombinha (Eloísa Mafalda) às turras com as meninas da Boate Sexus? Da viúva que foi sem nunca ter sido, Porcina (Regina Duarte), a mais politicamente incorreta heroína de nossas novelas? Do poderoso Sinhozinho Malta (Lima Duarte), que mandava e desmandava, mas se transformava num dócil cãozinho diante de sua amada? Enfim, nunca uma cidade representou tão bem nosso povo como Asa Branca.
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E vocês? Concordam com minha lista? Quais as suas cidades fictícias inesquecíveis?

domingo, 18 de outubro de 2009

Série Memória Afetiva: CINCO NOVELAS QUE GOSTARIA DE TER ASSISTIDO.

Nesse caso, a memória afetiva está mais presente nas cenas, histórias e canções do que nas novelas propriamente ditas. De alguma forma ou de outra, meu interesse foi despertado, mas minha idade não permitiu que eu assistisse a elas:



1. ESTÚPIDO CUPIDO (1976/77)

Passei a infância inteira ouvindo e curtindo (muito) os LP’s dessa novela que minhas primas tinham. Ouvia "Ritmo da Chuva", "Banho de lua", "Broto Legal", entre outras, e tentando decifrar as fotos da capa do disco e imaginava como seriam as tramas. Talvez daí tenha surgido minha paixão pelos anos 50/60. Fico imaginando o concurso de miss, amores impossíveis, bailes, danças, costumes de uma cidade pequena em plenos anos dourados. E as histórias que contam de que a novela foi uma verdadeira coqueluche na época aguçam ainda mais a minha curiosidade. Consegui até assistir a dois capítulos da novela e deu gostinho de quero mais.

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2. LOUCO AMOR (1983)

Nem é uma das favoritas do autor Gilberto Braga. O próprio autor já declarou que não gosta da novela.
Mas tenho uma memória remota dessa trama. Sua vilã, Renata Dumont (Teresa Rachel) foi a primeira que me impressionou. Na época, ainda sem discernimento, acreditava que a atriz Teresa Rachel era má de verdade e tinha medo dela....rs! Quando assisti no Youtube ao primeiro capítulo da novela, achei a trama deliciosamente envolvente e me deu até comichões para assistir ao restante. Gilberto soube prender o espectador logo de cara no primeiro capítulo com o amor proibido entre Luiz Carlos e Patrícia (Fabio Jr. e Bruna Lombardi). Depois consegui assistir ao último capítulo e à maravilhosa cena em que Renata é desmascarada e todos descobrem que ela, na verdade, se chamava Agetilde. Folhetim clássico, mas com o charme que só as tramas de Giba possuem. Deliciosamente irônica. Queria muito ter assistido ao miolo dessa novela.

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3. PAI HERÓI (1979)

Minha impressão sempre foi de que essa novela era muito triste. Depressiva até a julgar pela abertura pra lá de emocionante. A maga Janete Clair em mais uma de suas deliciosas sagas. Tive acesso ao especial “Festival 15 anos” que a Globo exibiu e, ao ver a compilação dessa novela, pude notar que era deliciosa e fiquei com muita vontade de conhecer melhor os capítulos. Tony Ramos e Elizabeth Savalla formaram um lindo par e Glória Menezes num papel bem diferente do que estava acostumada.

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4. VÉU DE NOIVA (1969)

Essa nem em mesa branca eu verei algum dia. Totalmente destruída por um incêndio. A vontade, nesse caso, é de conferir do trabalho de duas das maiores divas da TV, Regina Duarte e Betty Faria, ainda em início de carreira, belas e rivais na luta pelo amor de Cláudio Marzo. Tirando a minissérie “Incidente em Antares”, em que elas mal contracenaram, não tenho lembrança de um outro encontro das duas atrizes em novelas. Seria muito interessante vê-las, de características opostas, novamente juntas em outra produção. Tomara que esse encontro volte a acontecer algum dia.

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5. O BOFE (1972)

Tá certo que dizem que a novela não foi nenhum estouro. Até porque sua trama ousada e debochada não era mesmo para agradar a gregos e troianos. A descrição dos personagens caricatos e o elenco que os representava são um convite irresistível para viajar no deboche de Bráulio Pedroso. Só Ziembinski no papel de Dona Stanislava já valia a olhadela. Outra na linha do “quem viu, viu. Quem não viu, não verá mais”!
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“Eu prefiro melão” pergunta: que novelas vocês não viram, mas gostariam de ter assistido?

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