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sábado, 15 de outubro de 2011

Série Memória Afetiva: as melhores amigas da ficção




Dedico “prazamiga”

Estava eu um dia em casa com meus grandes amigos Ivan Gomes, Walter de Azevedo e Wesley Vieira, quando surgiu a ideia. Nem lembro quem comentou primeiro, mas começamos a fazer um brainstorm procurando lembrar daquelas personagens que estão sempre ali pro que der e vier: as melhores amigas das telenovelas. Elas são geralmente chamadas de "personagens-orelha" no jargão técnico. Mas algumas delas são muito mais que isso. A lista é infindável, pois elas estão praticamente em todas as novelas e séries. Por isso, mais uma vez, meu critério vai ser subjetivo. Elas não representam as melhores ou mais inesquecíveis, mas sim aquelas que falam mais alto em minha memória afetiva.



Claro que, quando pensei nesse post, não consegui tirar de minha cabeça duas autênticas representantes desse tipo de personagem, ambas de “O astro”: a funkeira Tânia (vivida brilhantemente por Carolina Chalita), a batalhadora e esfuziante melhor amiga de Lili (Alinne Moraes); e a sensual executiva Beatriz (a linda Guilhermina Guinle), a melhor amiga de Amanda (Carolina Ferraz). Claro que ambas possuem trama própria na novela: Tânia acabou se enrabichando pelo tímido Olavo (Rafael Losso) formando um dos casais mais fofos da novela, enquanto Beatriz, depois de se envolver com Samir (Marco Ricca) e arrastar a asinha pra cima de Herculano (Rodrigo Lombardi), acabou engatando um romance pra lá de caliente com seu “namorado bandido”, Neco. A partir das duas, pra quem também dedico meu post, comecei a me lembrar de outras melhores amigas favoritas. São elas:


10) Jandira (Cristina Galvão em “Insensato Coração - 2011)


Cristina Galvão já tinha vivido uma grande amiga em “Tieta” (1989), quando ajudava Imaculada (Luciana Braga) a se livrar das garras do Coronel Artur da Tapitanga (Ary Fontoura). Anos depois em “Paraíso Tropical”, viveu uma enfermeira camarada que ajudou Paula (Alessandra Negrini) a se livrar das armações de Taís. Mas foi com a companheira de cela de Norma (Gloria Pires) que ela conquistou definitivamente o Brasil e entrou para o rol das amigas mais queridas da ficção, afinal ela esteve com Norma até o fim em suas armações, se mostrando não só uma amiga fiel, mas como a mais confiável das cúmplices. Ótima dobradinha das atrizes e mérito da atriz, sempre doce e carismática. Quando cometer um crime, quero uma Jandira só pra mim.

9) Lenir (Guida Vianna em “Duas Caras” – 2008)


Guida Vianna é outra atriz que está cada vez mais se especializando em ser a melhor amiga, como Isolina, sua atual personagem em “Fina Estampa”, em que é uma das melhores amigas de Griselda (Lilia Cabral) e Wilma (Arlette Salles). Junto com Celeste (Dira Paes), parecem uma versão, digamos, diferenciada de “Sex and the City”. Minha primeira lembrança de Guida Vianna vem do cinema e já nesse papel de melhor amiga: era uma das empregadas amigas de Fausta (Betty Faria) em “Romance da Empregada”, de Bruno Barreto. Tanto que Aguinaldo batizou sua personagem com o mesmo nome da personagem de Betty no filme em “Senhora do Destino”, em que fazia a empregada de Nazaré (Renata Sorrah). Mas a “melhor amiga” mais divertida de sua carreira é a Lenir de “Duas Caras”, que não saía da casa da perua Gioconda (Marília Pêra). De nada adiantava colocar vassoura atrás da porta. Lenir tomava café da manhã, almoçava e jantava na casa da amiga, para o desespero do dono da casa Barreto (Stenio Garcia). Apesar de usar e abusar da hospitalidade da amiga e de não ter o menor semancol, Lenir era uma companhia divertidíssima, sempre com ótimas tiradas e dona dos comentários mais inconvenientes nas piores horas, o que garantiu uns dos melhores momentos da novela. 


8) Eliete (Isabela Garcia em “Celebridade” – 2003)


Era o tipo da amiga que dizia sempre o que pensava, doa a quem doer. Inspirada na camareira ranzinza de Margo Channing (Bette Davis em “A malvada”), Eliete era o anjo da guarda de Maria Clara Diniz (Malu Mader). Mesmo de classes sociais diferentes, as duas tinham muita cumplicidade. Eliete era sacoleira e fazia questão de não aproveitar as vantagens financeiras que poderia ter em ser amiga de Maria Clara. A exemplo do filme, foi a única a perceber que o jeito doce de Laura (Claudia Abreu) escondia uma terrível vilã capaz de tudo para prejudicar Maria Clara. Mas Laura era tão sonsa e dissimulada que conseguiu fazer com que todos pensassem que Eliete estava com ciúmes da amiga. A grande (e impagável) vingança da sacoleira foi quando foi visitar Laura no hospital após esta levar uma surra de Maria Clara. Eliete debochou do fato de Laura ter perdido um dente após a surra e tripudiou o quanto pôde na vilá. Claro que a plateia vibrou e se sentiu vingada também. Curiosidade: Malu Mader e Isabela Garcia também são grandes amigas na vida real.


7) Leopoldina (Beth Goulart em “O primo Basílio” – 1988)

Essa é uma melhor amiga clássica, não só na teledramaturgia, como também na literatura. A “pão e queijo”, como era conhecida por toda a Lisboa, Leopoldina era uma mulher de péssima reputação por trair o marido constantemente com todo tipo de homem. Por isso, a amizade dela com Luisa (Giulia Gam) não era vista com bons olhos pelo marido desta Jorge (Tony Ramos). Mesmo assim, Leopoldina era a mais fiel das amigas e foi cúmplice da traição de Luisa com Basilio (Marcos Paulo) e fez de tudo para tentar livrar a amiga da chantagem de Juliana (Marilia Pera). Mesmo quando Luísa jogou em sua cara a má fama que ela tinha e mesmo rejeitada pela amiga no final de sua vida, Leopoldina foi companheira até o fim. Uma grande personagem de Eça, transposta brilhantemente para a telinha por Gilberto Braga e muitíssimo bem interpretada por Beth Goulart. Uma de minhas personagens favoritas do livro / minissérie.


6) Rosinha (Betty Faria em “Incidente em Antares” – 1994)


Foi uma pequena participação de minha diva, mas um dos melhores momentos da minissérie. Betty brilhou na pele da singela e sofrida prostituta Rosinha, melhor amiga da também prostituta e recém-falecida Erotildes (Marília Pêra) e única a não sentir medo da amiga após sua morte. Betty fez pouquíssimas cenas na minissérie, mas uma bastante tocante foi quando ela maquiou a amiga depois de morta para que ela se juntasse aos outros defuntos que não foram enterrados devido a greve dos coveiros. Em uma cena quase felliniana, Rosinha, após lamentar por todo o seu sofrimento de uma noite em que foi violentada por vários rapazes, faz um pedido final à amiga ao se despedir: “Pede a Deus que me dê uma boa morte, já que ele não me deu uma boa vida”. Um momento breve, mas extremamente sensível e emocionante que contou com uma interpretação visceral de Betty Faria, que soube empregar singeleza, melancolia e intensidade na dose certa. Confesso: uma de minhas cenas favoritas de toda a carreira da atriz.

5) Guiomar (Louise Cardoso em “Força de um desejo” – 1999)


Cortesãs costumam ter amigas fiéis. E no caso da esplendorosa Ester Delamare (Malu Mader), ela tinha mais que uma amiga: um verdadeiro cão de guarda. Com seu jeito irreverente e despachado, Guiomar comprava todas as brigas da amiga, não só na capital, mas também quando se mudaram para o interior. Esperta, gaiata e descolada, Guiomar sempre tinha uma carta na manga para salvar Ester dos apuros e sem papas na língua, sempre dizia os desaforos que o espectador queria ouvir. Vivia às turras com Bartolomeu, mas no fundo era amor recolhido. Protagonizou momentos hilariantes da luxuosa trama de Gilberto Braga e Alcides Nogueira ao dar aulas de boas maneiras para a aspirante a baronesa Bárbara Ventura, brilhantemente interpretada por Denise del Vecchio. Além do grande alívio cômico da trama, Guiomar cumpriu com louvor sua missão de melhor amiga até o fim.

4) Marta (Bia Nunnes em “História de amor” – 1995)

Todas as Helenas de Maneco sempre puderam contar com grandes amigas, mas Marta é minha favorita de todas. Mais que amiga: comadre, cúmplice e grande ombro de Helena (Regina Duarte). Marta gostava tanto da amiga que acabou revelando à mimada Joyce (Carla Marins) que Helena não era sua mãe biológica, pois não suportava mais os maus tratos da filha ingrata. Marta perdeu a amizade de Helena, mas pelo mais nobre dos motivos. Fora isso, também foi um dos grandes destaques da novela ao superar um câncer de mama. A trama foi contada com muita delicadeza e Bia Nunnes conseguiu uma interpretação sensível e marcante. Confira a cena em que Marta, após revelar a Joyce que Helena é, na verdade sua tia, a esbofeteia e lhe diz muitas verdades para defender a amiga Helena. Catarse total!



3) Solineuza (Dira Paes em “A diarista”- 2003/2009)


A “poia”, como era “carinhosamente” chamada pela amiga diarista Marinete (Claudia Rodrigues) foi, aos poucos, crescendo até se tornar o destaque absoluto da série. Burra de dar dó, mas com um grande coração, Solineuza sempre tinha a melhor das intenções e, ao tentar ajudar a amiga, sempre a colocava em grandes enrascadas. Dira Paes deitou e rolou no papel e suas tiradas proporcionavam as maiores risadas da história. Com um jeito atrapalhado e ingênuo, Solineuza nos despertava compaixão, graças à interpretação genial de Dira Paes, que conseguiu um precioso equilíbrio entre o humano e o caricatural. Mesmo aprontando as mais inacreditáveis loucuras, Dira nos fazia acreditar que a personagem estava levando sempre tudo muito a sério. Sem sombra de dúvidas, a singela Soli era o grande motivo de se assistir “A diarista”.


2) Carmosina (Arlette Salles em “Tieta” – 1989)


A sonhadora funcionária dos correios foi um dos melhores papéis da Arlete Salles e entrou para a galeria dos personagens inesquecíveis da novela. Carmosina abria as cartas no bico da chaleira (costume herdado de sua mãe Dona Milu, vivida pela inesquecível Miriam Pires) e, desta forma, conhecia todos os segredos dos moradores da cidade, algo impensável de se colocar em uma novela nos dias de hoje por conta da onda politicamente correta que assola nossa tevê. Solteirona, ou “no caritó”, como se dizia na novela, Carmosina foi a única a oferecer ajuda para Tieta (Claudia Ohana / Betty Faria) quando esta foi expulsa de Santana do Agreste. Quando a cabrita volta à terra natal, as duas retomam a amizade e Carmô se torna sua grande confidente, inclusive sabia dos planos de vingança da amiga e do romance dela com seu sobrinho Ricardo (Cassio Gabus Mendes) e também seu grande segredo: Tieta não era viúva de um comendador, mas sim dona de um famoso bordel. A amizade das duas chegou a ficar abalada quando ela descobriu que Tieta pagou Gladstone para “inaugurá-la”. Mas o amor  e amizade prevaleceram e a ex-invicta terminou feliz ao lado de seu amor e fez as pazes com a grande amiga. Carmosina é uma das personagens que mais me comove. Me fez rir e me fez chorar com cenas magníficas. Essa bate fundo na memória afetiva.

1) Ronalda Cristina (Catarina Abdalla em “Armação Ilimitada” – 1985/88)

Essa é uma das mais autênticas representantes do gênero. Com um apetite voraz, tanto para sanduíches, quanto para homens, Ronalda Cristina era a grande amiga e confidente de Zelda Scott (Andréa Beltrão) e segurava todas as barras e dores de cotovelo da amiga, sempre as voltas com seus amores Juba e Lula (Kadu Moliterno e André di Biase). Ronalda era tão amiga que até batizou com o nome da amiga a filha que teve com um extraterrestre (!): Zeldinha Cristina, um bebê com poderes sobrenaturais. Dentro da proposta deliciosa e revolucionária que era a série, Ronalda funcionava como a cereja do bolo, sempre irreverente e sempre levantando o astral da amiga. Uma gostosura inesquecível. Confesso: formou meu caráter.


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Menção honrosa: ZÉ MARIA (Guilherme Piva em "Xica Da Silva" - 1996)
Tá, não foi propriamente uma "melhor amiga", mas teve essa função na deliciosa trama de Adamo Angel, pseudônimo de Walcyr Carrasco na extinta TV Manchete. Zé Maria aguentava todos os desaforos de sua amiga sinhá e foi responsável pelos momentos mais engraçados da novela. 
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Agora é a sua vez! O melão quer saber: quais suas amigas favoritas da ficção?


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Série Memória Afetiva – 10 vilãs memoráveis - PARTE II – ANOS 90



Sim, já estou preparado para as pedradas. Por isso, nunca é demais esclarecer que este blog nunca teve a pretensão de, com suas listas, enumerar as maiores e melhores de acordo com o senso comum e sim, MINHAS MEMÓRIAS AFETIVAS. Portanto, sem essa de “falta essa” ou “falta aquela”, já que se trata de uma lista estritamente subjetiva e pessoal.

Dito isso, outra dificuldade: os anos 90 estão REPLETOS de grandes vilãs, portanto, ao enumerar apenas 10, inevitavelmente vou ser injusto com tantas outras, mas fazer o quê? Escolhas requerem sacrifício.

Portanto, não levem tão a sério. Vamos começar o desfile das malévolas que infernizaram meio mundo nos anos 90 (melhor grifar, porque teve gente que não leu direito o post das vilãs dos anos 80 e me cobraram a ausência de vilãs de outras épocas):

10) MARY MATOSO (Patricia Travassos), de “Vamp” (1991)

Vilãs cômicas, quando bem construídas, são o máximo. Aqui temos um dos exemplos mais bem-sucedidos da categoria. O texto inspiradíssimo de Calmon casou perfeitamente com uma Patrícia Travassos simplesmente infernal, deliciosa, na pele da terrível e engraçadíssima perua vampira. Aliás, todo o grupo de vilões dessa novela foi um show à parte e Mary, sensualíssima, torturando nossos ouvidos ao cantar “O amor e o poder” é simplesmente impagável. Diva total! Risadas inesquecíveis com essa personagem.


9) ISABELA FERRETO (Claudia Ohana), de “A próxima vítima” (1995)

 Sonsa, lasciva, ordinária e extremamente cruel, a terrível vilã fez escola com as tias megeras, Francesca (Teresa Rachel) e Filomena (Aracy Balabanian), (aqui mencionadas honrosamente, porque arrasaram também) e passou a perna nas duas. Uma das mais dissimuladas vilãs de todos os tempos, ela usava sua falsa candura para enganar as mulheres e sua sensualidade à flor da pele para seduzir os homens. Tá certo que ela sofreu: levou uma surra do noivo às portas do casamento, teve o rosto retalhado pelo amante e terminou vendo o sol nascer quadrado. Mas essa devoradora de homens aprontou bastante, inclusive cometendo assassinatos e, por isso, conquista essa honrosa oitava posição.



8) MARIA ALTIVA (Eva Wilma), de “A Indomada” (1997)


“Oxente, my god!”. Quem não se lembra desses e de outros bordões anglo-nordestinos proferidos pela diabólica beata que infernizava a vida dos moradores de Greenville? Uma personagem extremamente caricata que só podia dar certo se fosse vivida por uma grande atriz. E Eva Wilma deitou e rolou com o inspiradíssimo texto de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e equipe. Se atirou de cabeça na maravilhosa brincadeira e foi over, over, over, sem medo de ser feliz. E ao melhor estilo do realismo fantástico, mesmo depois de morrer queimada, ainda aparece no céu gargalhando e ameaçando a população com um antológico “I’ll be back!!!”. Pois aqui no melão, Altiva pode voltar o quanto quiser.


7) IDALINA (Nathalia Thimberg), de “Força de um desejo” (1999)

 Que atriz fantástica é Nathalia Thimberg. Consegue tanto despertar nosso afeto e simpatia com a doce e frágil Celina de “Vale Tudo”, quando nosso ódio eterno como a terrível Idalina ou Constância Eugênia, que figura na lista de menções honrosas. No folhetim de Gilberto Braga e Alcides Nogueira, Idalina não dava descanso à cortesã Ester (Malu Mader) e armava as piores vilanias para se dar bem. Interesseira, mesquinha, moralista, Idalina era capaz de tudo por um punhado de vinténs, mesmo que isso significasse a infelicidade dos próprios netos. E o olhar de La Thimberg assustava pra valer. Um dos grandes destaques dessa deliciosa novela.


6) ISADORA VENTURINI (Silvia Pfeiffer), de “Meu bem meu mal” (1990)


Isadora é daquelas vilãs clássicas: bonita, charmosa, rica, elegante e implacável com seus oponentes. Talvez a inexperiência de Silvia Pfeiffer tenha sido um fator positivo, já que grande parte da graça de Isadora era a deliciosa canastrice de sua intérprete, que talvez não casaria tão bem com uma atriz que oferecesse uma construção mais realista da personagem da trama de Cassiano Gabus Mendes. O figurino de Isadora era um espetáculo à parte. Isadora era fria e calculista, mas sempre na maior elegância. Usou e abusou de Dom Lázaro (Lima Duarte) antes dele se recuperar do derrame e preferir melão, chegando ao ponto de tentar mata-lo asfixiado com um travesseiro. Só sucumbiu por causa do amor que sentia por Ricardo (José Mayer), que foi absolvido pelo autor no final da trama. À Isadora restou a presidência da Ventutini Designers e uma solidão de rasgar o coração em um dos melhores finais de novela de todos os tempos.

5) TEODORA (Debora Bloch), de “Salsa e Merengue” (1996)

 Um verdadeiro show! O que dizer? As maldades dessa vilã mais arrancavam gargalhadas do que ira por parte do público. Teodora era deliciosa, uma festa, com tiradas fantásticas que partiam das geniais mentes de Maria Carmem Barbosa e Miguel Falabella e incorporadas com perfeição por Debora Bloch. Politicamente incorretíssima, Teodora tinha uma empregada a quem chamava de Sexta-feira, humilhava os pobres e chamava sua rival Madalena, vivida por Patricia França, de aborígene, por esta ser de origem humilde. O fato é que o sucesso de Teodora junto ao público foi tanto que no final, acabou vencendo a mocinha e arrematando o mocinho Eugênio (Marcelo Antony), com quem viveu feliz para sempre, junto de seus gêmeos afrodescendentes, já que a inseminação artificial com a intenção de conceber crianças loiras que se parecessem com Eugênio não saiu como o planejado. O fato é que, cada capítulo de “Salsa e Merengue” era aguardado, em grande parte, por causa do ótimo texto e das ótimas tiradas de Teodora. Debora Bloch faturou o Troféu Imprensa de melhor atriz daquele ano e a novela, infelizmente, nunca teve uma reprise. Torçamos para que o Viva repare essa falha, pois o público merece rever Teodora.


4) RAQUEL (Glória Pires), de “Mulheres de Areia” (1993)


Gloria Pires já tinha feito misérias como Maria de Fátima em “Vale Tudo” e já não precisava provar pra ninguém sua enorme potencialidade. Mas na trama de Ivani Ribeiro, ela se superou, pois conseguiu a proeza de criar quatro tipos diferentes: Ruth, Raquel, Ruth fingindo ser Raquel e Raquel fingindo ser Ruth. E sem o menor sinal de caricatura, o público percebia perfeitamente quem era quem, graças a um magnífico trabalho cheio de sutilezas e nuances. Que atire a primeira pedra quem nunca se divertiu quando a malvada Raquel destruía as esculturas de areia de Tonho da Lua (Marcos Frota). Mais um golaço de Gloria e um trabalho digno de figurar na galeria dos maiores de todos os tempos.


3) BRANCA LETÍCIA DE BARROS MOTTA (Susana Vieira), de “Por amor” (1997) 

 Branca podia ser falsa, maldosa, cruel, traiçoeira, preconceituosa, mas uma coisa ninguém nega: era uma delícia estar na companhia dela. Talvez a mais sarcástica de todas as vilãs, Branca tinha uma tirada inteligente para cada situação e, muitas vezes, era dolorosamente sincera ao confessar a falta de sentimento pelo marido Arnaldo (Carlos Eduardo Dolabella) e pelo filho Leonardo (Murilo Benício). O fato é que Branca protagonizou grandes e memoráveis barracos, seja com a filha Milena (Carolina Ferraz), seja com a rival Isabel (Cassia Kiss), este com direito a tapas, empurrões, tesouradas e quedas em escadaria. Um grande trabalho de Susana Vieira para se rever e aplaudir sempre.

2) VIOLANTE (Drica Moraes), de “Xica da Silva” (1996)


Que Drica Moraes era uma fera do humor, ninguém duvidava. Mas na pele de Violante em “Xica da Silva” provou que é uma das maiores e mais versáteis atrizes de sua geração. Em uma novela de tom quase operístico, de personagens grandiloquentes e caricatos, a começar pela protagonista, Drica, sem alterar o tom da voz, mostrou toda sua intensidade dramática com a ressentida e cruel Violante, um trabalho magnífico, muitas vezes tendo o olhar como ponto alto. O olhar fulminante de Violante e sua voz sussurrante causavam arrepios por todo o Arraial do Tijuco. Sua aparente fleuma ocultava uma crueldade sem limites e uma vontade ferrenha de destruir Xica (Taís Araújo) para ficar com o contratador João Fernandes (Victor Wagner), sua grande paixão. Os embates entre Xica e Violante eram memoráveis e Violante não poupava Xica de apelidos jocosos como Sinhá Macaca. A novela da extinta Manchete foi antológica, em grande parte, por conter uma grande vilã e uma atriz talentosíssima dando vida a ela.

1) LAURINHA FIGUEROA (Glória Menezes), de “Rainha da Sucata” (1990)

 No início era apenas uma quatrocentona falida, que não perdia a pose e explorava a empregada. Mas a partir da convivência com a perua emergente Maria do Carmo (Regina Duarte), por quem tinha verdadeira repulsa, Laurinha foi se tornando cada vez mais cruel. Tomada de ciúmes do enteado Edu (Tony Ramos), com quem Maria do Carmo se casou e por quem nutria uma paixonite, Laurinha chegou ao cúmulo de matar lenta e dolorosamente o diabético marido Betinho (Paulo Gracindo), dono do antológico bordão “Coisas de Laurinha”, com doses diárias de glicose no lugar de insulina. Num ato de desespero, para incriminar a sucateira ordinária Maria do Carmo, como ela mesma chamava, se atirou do alto de um prédio em plena Avenida Paulista, numa das sequências de morte mais famosas de toda a teledramaturgia. Os duelos de Laurinha com a sucateira são inesquecíveis e a personagem é, de longe, minha preferida de Glória Menezes, que a compôs com classe, elegância e também com uma intensidade incrível. Glória se jogou na personagem e quem ganhou foi o público.



MENÇÕES HONROSAS:

ü  CONSTÂNCIA EUGÊNIA (Nathália Thimberg) e Karen (Maria Padilha), de “O dono do mundo” (1991)
ü  ADRIANA (Cristiana Oliveira), TIA RUTH (Laura Cardoso) e GILDA (Ariclê Perez) em “Salsa e Merengue” (1996)
ü  ÂNGELA VIDAL (Claudia Raia) e SANDRINHA (Adriana Esteves), de “Torre de Babel” (1998)
ü  PAULA (Alessandra Negrini), de “Anjo Mau” (1997)
ü  MARIA REGINA (Letícia Spiller), de “Suave Veneno” (1999)
ü  LEONOR (Betty Faria), de “Labirinto” (1998)
ü  SALUSTIANA (Joana Fomm), de “Fera Ferida” (1993)
ü  ÚRSULA (Nicette Bruno), de “O amor está no ar” (1997)
ü  BRUNA (Andrea Beltrão), de “Era uma vez” (1998)
ü  ELVIRA (Marieta Severo), de “Deus nos acuda” (1992)
ü  CUSTÓDIA (Marilia Pera), de “Meu bem querer” (1998)
ü  DEBORA (Viviane Pasmanter), de “Felicidade” (1991)


Esqueci de alguém? E as favoritas de vocês? O melão quer saber!!!

Quer lembrar da lista das vilãs do anos 80? Acesse o link http://euprefiromelao.blogspot.com/2011/01/serie-memoria-afetiva-10-vilas.html

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tide, só tinha de ser com você!!! - Entrevista especial com ALCIDES NOGUEIRA!!!


Sim, meus queridos, é isso mesmo! Tide, ou melhor, Alcides Nogueira, também prefere melão!!! Hoje é o dia que eu deixo toda a modéstia e a humildade de lado pra dizer que temos um post sensacional! Tinha mesmo que inaugurar essa nova fase com chave de ouro. Pensei numa big entrevista. E logo me veio à cabeça esse entrevistado tão especial. Na verdade, TINHA que ser com ele! Não só pelo grande escritor que é, mas por ser um ser humano ímpar, de uma delicadeza rara, de uma gentileza cativante e de uma simpatia poucas vezes vistas para alguém tão importante. Agora, mais do que nunca, é o MUSO OFICIAL desde humilde melão!!! (rs...) Tide costuma chamar de “príncipes” as pessoas que gosta. Por isso, me sinto muito à vontade pra dizer que ele é um rei e eu, um súdito declarado. Este melão vai ser sempre devedor a essa pessoa pela belíssima entrevista. Quem ler até o fim vai conhecer Alcides Nogueira em sua essência: pândego, delicado, generoso, mas também muito franco e honesto. De sua infância em Botucatu, passando por seus êxitos em teatro e Tv, pincelando por sua vida pessoal e dando uma prévia de seu próximo trabalho, eis Alcides Nogueira de cabo a rabo. O melão e seus leitores agradecem emocionados! Sem mais delongas, respeitável público, eis Alcides Nogueira falando COM EXCLUSIVIDADE para todos nós!

EU PREFIRO MELÃO - Em sua biografia escrita por Tuna Dwek, “Alma de Cetim”, lançada pela Imprensa Oficial, você narra de forma comovente e marcante suas memórias e experiências da infância, bem como as raízes de sua cidade natal, Botucatu. De que forma essas vivências contribuíram para a formação do escritor que você é hoje? Já transpôs alguma experiência vivida nessa época para alguma de suas obras?

 ALCIDES - Eu sempre digo que a Tuna Dwek foi extremamente sensível quando transpôs nossas conversas para o papel. Eu vivi e ela escreveu. Botucatu tem um papel muito importante em minha vida. Minha família está naquela cidade desde que ela era uma vila (parte de uma fazenda de jesuítas – traduzindo: final do século XVII). E, se for calcular, eu já morei mais tempo fora do que lá. Estou com 60 anos e saí de Botucatu para estudar Direito em São Paulo (com 18 anos). Mas o que foi vivido por meus ancestrais, a minha infância, a minha adolescência... tudo ficou registrado de forma indelével em meu coração. Não acho que ela seja a melhor cidade do mundo, e dificilmente voltaria a morar lá. Mas aquela serra demarca meu primeiro espaço físico no mundo. Isso não é pouco. Sem dúvida, muito do que vivi lá foi transposto para a minha obra – tanto teatral quanto televisiva. Mesmo em novelas de outros autores (onde eu fui co-autor), como no caso das cinco em que estive com Sílvio de Abreu, há referências marcantes. Dona Armênia (de “Rainha da Sucata” e “Deus nos Acuda”, vivia se referindo a “Baitatatu”, e à goibada-cascão da dona Calica (que realmente existe, é uma grande doceira, e foi vizinha de minha família). Em “O Amor está no Ar” coloquei muito das cidades do interior de São Paulo (diferentes das de todo o Brasil). E em “Ciranda de Pedra” eu citei amigos e pessoas de lá. O mais importante foi o legado que recebi de minha família, e isso poderia ter acontecido em qualquer outra cidade. Tive a sorte de nascer em uma casa onde sempre foi privilegiada a cultura.

EU PREFIRO MELÃO - O que diferencia o Alcides dramaturgo do Alcides autor de televisão? E o que um acrescenta ao outro?

ALCIDES- As diferenças são imensas. No teatro, eu solto meus bichos sem pudor algum. A cena suporta isso. Mergulho fundo nas minhas dúvidas e esmiúço a minha visão de mundo. Tanto que meu teatro é bastante visceral, cheio de referências, fruto da pós-pós-pós modernidade, carnavalizado e enraizado na intertextualidade. Na televisão, sou um autor mais realista, ou totalmente realista, próximo ao naturalismo, buscando retratar o dia-a-dia, sem grandes vôos poéticos (de vez em quando eles acontecem, mas são, basicamente, marca registrada de meu teatro). Gosto muito dos dois veículos, mas tive que aprender a conviver com as diferenças entre eles. Antigamente eu dizia que gostava mais de teatro. Bobagem. A televisão também tem sua magia. Resta descobrir qual é e como usá-la.

EU PREFIRO MELÃO - De suas três novelas-solo (“De quina pra lua”, “O amor está no ar” e “Ciranda de Pedra”) qual a sua favorita e que aprendizado você adquiriu com cada uma delas?

              Pela ordem: "De quina pra lua" (1985), "O amor está no ar" (1997) e "Ciranda de Pedra" (2008)

ALCIDES - A melhor é, sem dúvida, “Ciranda de Pedra”. É uma obra madura. Apesar de ter sido, muitas vezes apedrejado (principalmente nos blogs da internet), fui MUITO fiel ao livro da Lygia. A prova foi o apoio que ela me deu o tempo todo. O problema de remakes e adaptações é, sempre, a memória afetiva que o telespectador guarda da primeira obra. Muitas vezes ele nem sabe do que e porque gostou tanto da versão anterior, e já rejeita a nova. No caso de “Ciranda”, embora eu não tenha visto a adaptação do Teixeira Filho, de 1981, mas somente lido os capítulos (ainda estava morando na Suíça, e cheguei ao Brasil no final desse ano, para lançar no teatro “Lua de Cetim”), eu nem chamo de remake. Foram adaptações completamente diversas uma da outra. O Teixeira, com todo o talento dele, optou por uma visão mais horizontal, focando nas diferenças sociais entre os universos expostos – Vila Mariana e Jardim Europa; eu fiquei com a estrutura lygeana, vertical, psicológica, contando a história a partir do desagregamento familiar provocado pelo casamento infeliz de Laura e Natércio, o amor quase impossível de Daniel e Laura, e as vidinhas das três meninas: Otávia, Bruna e Virgínia. Fui muito atacado por Ana Paula Arósio fazer o papel de Laura. Disseram que ela era muito jovem etc... Isso é bobagem. Estrela não tem idade! A própria Ana Paula já tinha feito, em “Um Só Coração” (minissérie assinada por Maria Adelaide Amaral e por mim), a Yolanda Penteado, desde a saída da adolescência até quase 60 anos. E ninguém reclamou!!!!! Choveram elogios. A mesma coisa aconteceu com Lucélia Santos, que fez Virgínia na adaptação do Teixeira. Lucélia é das maiores atrizes deste país e, sem medo de exageros... do mundo! Digo isso com convicção, pois ela está fazendo uma peça minha – “As Traças da Paixão”. Lucélia é o máximo! Tem talento que não acaba mais, fora o carisma. Mas ninguém venha me dizer que ela tinha a idade de Virgínia, de uma adolescente de 13/14 anos, em 1981. Mais: ao mesmo tempo em que ela fazia essa menina na telinha, na telona encarnava Luz Del Fuego, com a MESMA verdade! Volto a repetir: isso não tem a menor importância!!!! Estrelas de verdade fazem qualquer papel, como Ana Paula e como Lucélia. Acontece que os fãs de Lucélia são xiitas. Eu já disse isso a ela, e também ao Aladim Miguel, presidente do fã-clube da nossa querida atriz... Na época, recebi muitas muitas cartas para que escalasse Lucélia de novo, ou como Virgínia (!!!!!!) ou como Laura. Tenho certeza de que nem a própria Lucélia gostaria disso. Voltando à novela em si: o livro de Lygia Fagundes Telles é denso, duro, trata de muitos assuntos polêmicos, como doença mental, eutanásia, suicídio, impotência sexual masculina, lesbianismo... Como colocar tudo isso às 18 horas, ainda mais com a classificação etária? O Teixeira deixou tudo de lado, a não ser a doença de Laura e a impotência de Conrado (que, na adaptação dele, tinha outro nome). Eu também enfoquei a doença de Laura e transformei a impotência sexual de Conrado (que hoje já não é mais um problema insolúvel) em impotência afetiva, emocional, que poderia dar muito mais estofo ao personagem. E, com cuidado, na base da sutileza, usando metáforas, acabei colocando a eutanásia praticada por Daniel, o suicídio dele, o lesbianismo de Letícia etc... Sei que muita gente não entendeu muito bem o final da novela... mas o jornal O Estado de São Paulo publicou que tinha sido o último capítulo mais ousado de uma novela das 18 horas. Adorei!!!!! Não posso deixar de mencionar os autores maravilhosos que estavam comigo (Mario Teixeira, Lúcio Manfredi e Cristiane Dantas) e a direção-geral de Carlos Araújo, um cúmplice, um artista superlativo, um grande companheiro de trabalho. E, em momento algum (que isso fique bem claro) fui pressionado pela Rede Globo. Mesmo com a novela não atingindo a audiência esperada. A qualidade do produto pesou mais. “De Quina pra Lua” serviu para mostrar que o apressado come cru. Eu não tinha bagagem suficiente para segurar aquela novela, ainda mais porque a sinopse do Benedito Ruy Barbosa era mínima, sem aprofundar nada... e não pintou a tão necessária dobradinha com a direção (a não ser com Mario Marcio Bandarra, amigão e um diretor maravilhoso). O elenco eu adorava. Só que eu escrevia a novela sozinho. Isso mesmo, sozinho! Sem computador (não havia na época), sem colaborador, sem pesquisador, sem nada... Era a época da Casa de Criação Janete Clair. Eu tinha um leitor, que acompanhava os capítulos e com quem trocava figurinhas. Para minha sorte, esse leitor era o Sergio Marques que, depois, veio a se tornar um ótimo autor. O Sergio foi meu porto seguro durante esse trabalho complicadíssimo. Fora o estresse provocado pelo Benedito, que tendo entregado a sinopse a mim, continuava me telefonando todo dia, para reclamar disso e daquilo. Quando cheguei ao capítulo 60, não tive dúvida: fui para o Rio, procurei o Dias Gomes e disse que estava entregando a novela. Houve uma reunião difícil, complicada... Eu estava rastejando, a ponto de nunca mais sair do buraco. Aí, o grande amigo Walter Negrão entrou na jogada. Não para escrever, mas para ficar comigo, com toda a sua experiência. E o Benedito parou de me perturbar. Em tempo: tenho enorme respeito pelo Benê, mas ele estava atravessando uma péssima fase, e não deveria ter feito isso comigo. Acho que ele nem se lembra mais dessa história, e é bom... MAS EU ME LEMBRAREI ATÉ O FINAL DOS MEUS DIAS!!!! O Benedito é um autor tão importante, que não precisa disso em seu currículo. Linda foi a postura do elenco, que ficou o tempo todo comigo. Adoro todos eles!!!!! “O Amor está no Ar” poderia ter sido uma grande novela. A trama era bacana, o Silvio de Abreu era o meu supervisor... Mas houve um miscasting horrendo! Ao lado de atores e atrizes que “vestiam” com perfeição os personagens, como Rodrigo Santoro, Natália Lage, Betty Lago, Isabela Garcia, Caco Ciocler, Luiz Mello, Thierry Figueira, Tuca Andrada, Natália do Vale, Georgiana Goes e tantos outros e outras... havia nomes que não tinham nada a ver... e que foram impostos (impostos mesmo) sem que eu ou o Silvio pudéssemos fazer nada. Fora isso, houve um desentendimento sério entre Wolf Maya (diretor do núcleo) e Ignácio Coqueiro (diretor-geral), e a coisa respingou na novela. Eu adoro os dois, mas fiquei no meio do tiroteio!!!! O Ignácio acabou mostrando todo o seu talento em “Poder Paralelo”... e o Wolf não precisa provar nada. Mas, naquele momento, eu tinha de ser preservado! A minha sorte foi estar com Bosco Brasil e Filipe Miguez, grandes e talentosos amigos e companheiros... Aliás, até hoje não entendo porque o Filipe não fez uma novela. Ele é o máximo!!!! De tudo isso, aprendi que não se pode dar o passo maior que a perna, e que todo autor deveria fazer o curso do Itamaraty para administrar tantos problemas. Mas não me arrependo de nada!

EU PREFIRO MELÃO - Você costuma dizer que aprendeu o “be-a-bá” da teledramaturgia com o Walther Negrão e se “pós-graduou” com o Sílvio de Abreu, mas também colaborou com outros autores como Lauro César Muniz e Gilberto Braga. Qual é o grande desafio do trabalho de colaboração? O que você aprendeu com eles no que diz respeito à rotina e divisão do trabalho que aplica no trato com seus próprios colaboradores?

Trabalhos de Alcides como colaborador / co-autor: "Livre para voar", de Walther Negrão, sua estreia em 1984; "O salvador da pátria" (1988), de Lauro César Muniz; e "A próxima vítima" (1995), de Sílvio de Abreu

ALCIDES - Como contei, já escrevi uma novela sozinho. Loucura total!!!! Não desejo isso a ninguém. Os colaboradores e co-autores são fundamentais. Eles alimentam a novela, sugerindo tramas, descobrindo caminhos, criando características fortes para os personagens. Sem dúvida, o rumo da história não pode sair do controle do autor-titular. Mas o sucesso da obra está nas mãos dessa equipe toda. Há autor que nem cita quem está criando com ele. É um absurdo, uma mentira! Fico muito bravo com quem “esconde” os nomes de co-autores e colaboradores. Para que um ego tão inchado? Felizmente trabalhei com autores do bem... pessoas generosas, que me ensinaram muito, como Negrão, Silvio, Gilberto e Lauro... São todos grandes autores e sempre colocaram o know-kow à diposição dos que estavam na equipe. Claro que aproveitei para aprender tudo o que era possível. O processo de trabalho em equipe é muito complexo. Há quem prefira equipes pequenas e enxutas, como Silvio, Negrão e Lauro... (eu me incluo nessa categoria), e outros que preferem equipes maiores (como Gilberto e Linhares). Eu brinco com eles dizendo que se trata de uma administração de condomínio. O grande desafio que cabe ao autor-titular é manter a sua marca e, ao mesmo tempo, absorver a colaboração dos outros membros do grupo. Nem sempre é fácil. Há também a questão da administração da própria novela, que cabe ao titular. É muito desgastante, porque isso “rouba” o tempo da criação: é preciso falar com a empresa, com a direção, com mídia (geralmente perversa e fofoqueira), com atores, com a produção (e suas diversas equipes)... A única forma de sobrevivência é delegar funções. De todos os autores com quem trabalhei, Silvio e Gilberto são os mais organizados. O Lauro possui uma maneira muito própria de criar, e é necessário um tempo para se acostumar com ela... mas ele é MUITO generoso. Com Negrão, é pura alegria! No computador ou fora dele, o Negrão é aquela pessoa que está sempre de bem com a vida. Foi bom você tocar nesse assunto. Digo, por experiência própria, que alguém só se torna um bom autor passando por todas essas fases. Novela, hoje, é um produto MUITO complexo, no qual foi investido muito dinheiro, e o retorno, em termos de audiência, é uma necessidade. Mas o titular que não enxergar a novela como resultado do esforço de toda uma equipe está equivocado... profundamente equivocado.

EU PREFIRO MELÃO - “Força de um desejo” (cuja sinopse é de sua autoria), que escreveu em parceria com Gilberto Braga, foi uma novela primorosa e, considerada por muitos apreciadores do gênero como uma das melhores novelas do horário das seis de todos os tempos. Como foi criar uma novela tão boa mantendo o estilo de dois autores tão especiais como você e Gilberto?

ALCIDES - Não vou dar uma de falso modesto: adoro “Força de um Desejo” e concordo que foi uma novela primorosa. Tenho certeza de que poderia ter sido exibida (naquela época, 1999/2000) no horário das 20 horas. A história da sinopse já é uma novela em si. Eu a escrevi, tomando como plot um livro muito pouco conhecido do Visconde de Taunay – “A Mocidade de Trajano” – e adaptei da maneira mais livre possível. Entreguei a sinopse ao Paulo Ubiratan. Ele morreu (infelizmente, pois faz um falta imensa) e a sinopse sumiu. Tempos depois, o Marcos Paulo achou a própria e mandou para a Marluce Dias da Silva (que comandava a emissora na época). Eu estava com o Silvio e o Bosco Brasil em “Torre de Babel”. Para resumir a ópera, a sinopse foi parar nas mãos do Gilberto, que gostou bastante dela (apesar de achar que, de Taunay, não tinha nada kkkkkk) e propôs um segundo tratamento, a quatro mãos. Foi assim que nasceu a novela, e não se pode deixar de lado a importância de Sergio Marques, que ajudou muito na nova versão da história. Enquanto eu terminava “Torre de Babel”, a minha querida Leonor Bassères (uma das minhas amigas mais queridas lá na Globo), assumiu meu posto na escrita. Deixou sua marca indelével, junto com Ângela Carneiro, Lilian Garcia, Eliane Garcia, Márcia Prates e Sergio Marques. Uma equipe dos sonhos. Sem dúvida isso colaborou muito para que a novela tenha sido tão bonita. Além de estar no núcleo de Marcos Paulo, com direção-geral de Mauro Mendonça Filho. A direção de arte foi um primor, assim como cenários, figurinos, iluminação, tudo... E a sintonia que sempre houve entre Gilberto e eu desta vez foi total. Como somos dois vampiros, trocávamos figurinhas às quatro horas da manhã (rsrsrsrs). Usando o meu bordão, Gilberto é um príncipe! E um mestre! Apesar de imensa (foi uma das novelas mais longas da Globo), a equipe toda criou sempre num clima bom, sem pressão, sem brigas... E com aquele elenco – um dream team – só podia dar certo! Tenho muito orgulho da “Força”, principalmente por ter estado com todas essas pessoas tão especiais!


EU PREFIRO MELÃO - Momento “Caras” (risos): como é seu dia-a-dia quando não está escrevendo? Sei que você é um grande apreciador de cinema, por exemplo, e que ama viajar. O que o “Tide” faz nos momentos de lazer?

ALCIDES - Já fui muito baladeiro. Ia pra rua de segunda a segunda. Vejam só: acabei caseiro. Saio pouco, muito pouco. Gosto de ir tomar café de madrugada, com amigos (a Tuna Dwek é minha parceira constante – sorvete e café), vou ao cinema e ao teatro... Vou a livrarias, galerias de arte e lojas de discos (ADORO música e tenho uma coleção bem bacana)... Leio, leio, leio... Vejo muito DVD... Às vezes, dois filmes por noite... até o sol raiar. E gosto de viajar. Tenho minhas cidades preferidas, como Paris (principalmente), Londres, Madrid, Lisboa... e procuro sempre conhecer um lugar novo (no ano passado fui parar na Cracóvia e em Auschwitz!!! Em São Paulo, curto um jantarzinho (afinal, a culinária maravilhosa desta cidade é uma tentação)... E passeio pela cidade: centro velho, Jardins, Higienópolis... Sou consumista: adoro comprar desde roupa até bobagens que nunca irei usar, mas que são bonitas... Mas o que me dá maior prazer, fora as viagens, é andar de carro pela cidade, de madrugada, sem destino, ouvindo música. Principalmente rock e electro... Gosto imensamente de São Paulo! Apesar de todos os defeitos e problemas de uma megalópolis desvairada, eu me sinto acolhido por esta cidade.

EU PREFIRO MELÃO - Você já pensou em adaptar alguma obra teatral sua para a TV?

ALCIDES - Não. Como disse lá no comecinho, teatro é teatro e tv é tv. Eu mutilaria uma obra teatral e não faria um bom programa para a telinha. A única pessoa que conheci que fazia isso brilhantemente foi o Walter Durst. Mas, claro, sempre acabo usando um personagem ou uma situação de minhas peças em novelas. Comecei a escrever primeiro para o teatro e depois para a televisão. Aconteceu algo muito bom: a linguagem de um veículo ajudou a do outro. Hoje sei que meu teatro ganhou agilidade por causa da televisão e esta ganhou maior estofo na criação de personagens e cenas por causa do teatro.

EU PREFIRO MELÃO - Suas minisséries em parceria com Maria Adelaide Amaral (“Um só coração” e “JK”) primam pela reconstituição de época perfeita e rico panorama histórico de nosso país. Como é a responsabilidade de contar histórias de personagens reais? Já pensou em escrever alguma minissérie que fuja a essas características em que os personagens sejam totalmente fictícios?

ALCIDES - Sempre digo e nunca vou me cansar de repetir: trabalhar com Maria Adelaide é um sonho! E não é tão difícil entender isso: temos uma amizade que começa lá atrás, na Editora Abril, uma história teatral, muitoooooooooooooos amigos em comum... e, quase sempre, gostamos dos mesmos filmes, das mesmas peças, dos mesmos livros.... Freqüentamos o mesmo universo aqui em São Paulo. É muita afinidade! Além de sermos (os dois) crias do Silvio de Abreu. Com ele escrevemos “Próxima Vítima “ e “Deus nos Acuda”, e ele foi supervisor da Maria Adelaide e meu. O Trio Parada Dura! Voltando às minisséries históricas: Maria Adelaide é uma super historiadora. Além do que conhece, ela pesquisa a fundo. Isso dá gosto, puxa a gente, motiva... Nas duas minisséries, os temas eram complexos: em “Um Só Coração”, a história de São Paulo, contada pelo ponto de vista cultural, da Semana de Arte Moderna (1922) até o IV Centenário da cidade (1954), tudo focado no casal Yolanda Penteado e Ciccilo Matarazzo ... e, em “JK”, a trajetória do presidente, de seu nascimento em Diamantina (1902) até a sua morte, em um acidente de carro na Dutra (1976), em plena Ditadura Militar. É MUITO complicado contar a vida de pessoas reais, mesmo quando deixamos claro que, ainda que baseada em fatos reais, a obra é ficcional. Estamos tratando de pessoas que existiram (muitas foram ícones)... e isso exige uma responsabilidade ética, um rigor histórico muito grande. Mas toda história é uma boa história. E foi assim que em “Um Só Coração”, com Lúcio Manfredi e Rodrigo Arantes do Amaral... e em “JK”, com Geraldo Carneiro, Letícia Mey e Rodrigo Arantes do Amaral, conseguimos retratar dois momentos tão importantes da vida brasileira. Mais uma vez contamos com preciosos pesquisadores e equipes de primeira linha para direção de arte, figurinos, cenários... Não tenho dúvida de que esses trabalhos estão entre os melhores já produzidos e exibidos pela rede Globo. Quanto a uma minissérie com personagens totalmente fictícios, ainda não pensei nisso. É uma bela idéia que você está me dando. Many thanks!

EU PREFIRO MELÃO - Você pode adiantar detalhes de seu novo projeto para a Rede Globo? O que podemos esperar dessa vez?

ALCIDES - Entreguei uma sinopse para uma novela das 18 horas. É assinada por mim e por Mario Teixeira. Afinal, nós construímos uma ótima dobradinha em “Ciranda de Pedra”. Queremos contar uma bela história de amor, folhetinesca mas moderna, ambientada no novo universo rural – principalmente o do estado de São Paulo – onde corre muiiiiiiito dinheiro, e as pessoas têm um nível de vida muito elevado. E problemas também, claro. Há muitas armações, muitas maracutaias e muito humor. Deve entrar na grade de 2011, pois as próximas produções já estão fechadas. Isso é bom. Temos mais tempo para trabalhar nas tramas. Eu e Mario fomos retirando nossas histórias dos baús e acho que chegamos a uma boa trama! A vilã é maravilhosa kkkkkk.

EU PREFIRO MELÃO - Você é noveleiro? Que novelas (não valem as suas...rs!) você mais gostou como telespectador?

ALCIDES - Antes de começar a escrever para a telinha, eu via pouquíssima coisa na televisão. Novelas, as das 22 e, de vez em quando, alguma coisa das 20 horas. Não tinha muito interesse. Mas não perdi “Escalada”, do Lauro, que considero a melhor telenovela brasileira. E “O Rebu”, muitas outras... Depois, a coisa mudou e comecei a ver tudo: as das 18, das 19, das 20, das 22, seriados etc... Hoje, não. Até porque, lendo o belo artigo do Lauro César Muniz que o blog publicou, concordo com ele: a televisão perdeu a ousadia. Por que não há mais programas como “O Casarão”, “Roque Santeiro”, “Nina”, “Malu Mulher”, “Ciranda, Cirandinha”, “Armação Ilimitada” (eu era apaixonado pela Zelda!!!!)???? Claro que há histórias que me prendem. Adorei “A Favorita”, acho que “Passione” e “Ti-Ti-Ti” vêm com tudo, gostei muito de “Paraíso Tropical”, com Bebel e Olavo arrasarando!!... CACHORRA!... Curtia bastante “Desejo Proibido” e achei ruim terem encurtado... Mas fico mais com as minisséries (“Desejo”, “Hoje é dia de Maria” – o primeiro, o segundo foi insuportável - , “Labirinto”, “Dalva e Herivelto” me comoveram) e com os seriados (“Cinquentinha” foi um achado). Juro que não sou saudosista, mas a televisão ficou careta!

EU PREFIRO MELÃO - Você considera o gênero “telenovela” como algo menor se comparado ao cinema ou teatro? Qual o papel da telenovela na vida do brasileiro?

ALCIDES - De maneira alguma!!! (CARA DE INDIGNADO!). Sem essa de ser menor... A telenovela, hoje, é o grande entretenimento do brasileiro, que não pode comprar livro ou disco, ir ao cinema ou teatro, porque NÃO TEM dinheiro... mesmo o país tendo melhorado bastante. Fora a questão do entretenimento, a televisão avançou na discussão de muitos temas: homossexualidade, a questão racial, a questão da mulher, prostituição, drogas, exclusão social, a questão dos portadores de deficiências... a discussão das maracutaias políticas... Por ter um feedback muito rápido, a novela consegue se ajustar ao que o telespectador busca. Isso não é uma posição passiva, não! Trata-se de assumir, de vez por todas, que a novela é SIM uma obra aberta.

EU PREFIRO MELÃO - Pra terminar, que conselho daria a um jovem roteirista que aspira a trabalhar na TV?

ALCIDES - Muitos só enxergam o glamour da profissão. Garanto que é o que menos existe. Conta é o trabalho exaustivo. A vida para quando se está escrevendo uma novela. Mas, para quem quer ir adiante, aconselho a nunca deixar de perseguir o sonho, por mais distante que ele possa parecer. E vá acumulando experiências: veja novelas, filmes, seriados, minisséries... e leia leia leia leia! Não há bagagem mais preciosa! Leia de bula de remédio a Proust... mas leia!

EU PREFIRO MELÃO - Que pergunta que não fiz que você gostaria de responder?

ALCIDES - Nenhuma. Você é inteligente, respeitoso e muito elegante. Eu é que pergunto: qual resposta você acha que eu não deveria ter dado?????????


Imagina! TODAS as respostas foram essenciais. Sem mais, termino confessando: “Alcides, quando crescer quero ser igual a você”.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Força de um desejo: chamada de estreia.


Para matar as saudades de uma trama absolutamente primorosa. A chamada da novela já anunciava que vinha coisa fina por aí.
"Força de um desejo", dos geniais Gilberto Braga e Alcides Nogueira. Direção geral de Marcos Paulo e Mauro Mendonça Filho. Elenco estelar encabeçado por Malu Mader, Reginaldo Faria, Fábio Assunção, Selton Mello, Cláudia Abreu, Paulo Betti e Nathália Thimberg. Lavínia Vlasak e Denise del Vecchio são outros dois destaques positivos.
Uma pérola de delicadeza em pleno horário das seis da Rede Globo exibida entre maio de 99 e janeiro de 2000. Apreciem!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Série “Memória Afetiva”

5 novelas das seis que amo!

Antes de tudo, é preciso que se deixe claro que não se trata de um TOP 5, muito menos de ser uma lista das cinco melhores novelas das seis de todos os tempos. Este blog não tem e nunca terá a pretensão de ser generalizante ou ditar regras e opiniões definitivas. Trata-se apenas de comentar um pouco sobre cinco novelas que me deram muito prazer em assistir e que, de uma forma ou de outra, marcaram minha memória e minha emoção. São elas:

ANJO MAU (1997)

Não assisti à primeira versão de Cassiano Gabus Mendes, por isso nem posso comparar. Mas concordo com a autora do remake, Maria Adelaide Amaral, que não fazia mais sentido vinte anos depois repetir a mesma situação. Nem por isso a trama da babá Nice (Glória Pires) e sua saga em busca do amor do patrão Rodrigo (Kadu Moliterno) perdeu o charme. De vilã dos anos 70, Nice passou a heroína. Mais um belo trabalho de Glória Pires. Mas os destaques foram para Leonardo Brício, perfeito como o bon vivant Ricardo e Paula (Alessandra Negrini), o verdadeiro anjo mau dessa versão.

FERA RADICAL (1988)


Não sei ao certo se pode ser chamada de um remake de “Cavalo de aço”, escrita pelo mesmo autor Walther Negrão. Certamente, a novela de 73 serviu mais como inspiração para essa trama rural moderna e envolvente, na qual a bela e intrépida Cláudia (a sempre linda Malu Mader) retorna à cidade onde viveu na infância para vingar-se da morte dos pais. No entanto, o tiro sai pela culatra e ela acaba se envolvendo com o filho de seus inimigos (o sempre garanhão José Mayer). Mesmo sendo um folhetim clássico, o charme da trama estava nessa mistura do moderno com o tradicional: Malu Mader com roupa de couro em cima de uma moto e com habilidade em trabalhar com computadores versus José Mayer como o cowboy bronco e viril. A dupla deu certo, mas o show absoluto foi da maravilhosa Yara Amaral, que infernizou a mocinha até o fim na pele da vilã Joana Flores. Inesquecível!


FORÇA DE UM DESEJO (1999)


Junte uma sinopse maravilhosa de Alcides Nogueira e a habilidade para o “bas-fond” e o charme do texto de Gilberto Braga e teremos, talvez, a mais requintada novela das seis da história da teledramaturgia. Tudo na novela era um deslumbre: desde o primoroso texto dos autores, passando pelo capricho e beleza da produção até o afiado e talentoso elenco. “Força de um desejo” é daquelas novelas raras, bem realizadas e envolventes, com um quê de qualidade de cinema. Gilberto Braga transpôs para uma trama de época elementos de suas novelas contemporâneas: alpinismo social, conflitos familiares e o tradicional “quem matou”. Malu Mader, bela e radiante como a cortesã Esther, disputada por pai e filho, polarizou as atenções. Muitos foram os destaques do elenco: Reginaldo Faria, Selton Mello, Lavínia Vlasak, Denise Del Vecchio e, principalmente, Nathália Thimberg (com uma vilã à altura de seu talento) e Claudia Abreu, como uma espécie de Isaura com neurônios, entre outros. Uma pérola de delicadeza!

A GATA COMEU (1985)


Ivani Ribeiro é a rainha absoluta até hoje de histórias simples e envolventes. Ela sempre consegue uma simplicidade rara em suas tramas, que são inocentes sem jamais menosprezar o telespectador. “A gata comeu” é um belo exemplo de trama que caiu no gosto absoluto do público e se sagrou como um dos maiores sucessos do horário. Remake de “A barba azul”, que a autora escreveu na Tupi, as desventuras da megera indomada Jô Penteado (Christiane Torloni) e do certinho Professor Fábio Nuno Leal Maia na contramão de seus tipos habituais) divertiram o público pra valer. Mas naquela romântica Urca dos anos 80 uma galeria de personagens inesquecíveis ainda povoam a memória de muita gente como o falso conde Vitório (Laerte Morrone); o falso cego Braguinha (Élcio Romar) apaixonado pelo pitelzinho Babi (Mayara Magri), filha dos hilários Tetê e Gugu (Marilu Bueno e Claudio Correa e castro), que divertiram o público com sua gravidez tardia; o malandro Oscar (Luiz carlos Arutin) que usava e abusava da bondosa Ceição (Dirce Migliaccio); a doce Zazá (Aracy Cardoso) e sua singela solteirice; a mimada Paula (Fátima Freire) e sua mãe, a megera Ofélia (Diana Morel); as irmãs de Jô: a invejosa Gláucia (Bia Seidl) e a gente boa Lenita (Deborah Evelyn), enfim... a lista de ótimos personagens é interminável. Mas o que marcou mesmo minha infância foi o Clube dos Curumins, formado pelas crianças da novela, entre elas Danton Mello e Juliana Martins. Cheguei até a fundar um clube com o mesmo nome no bairro onde morava...rs! Doces lembranças de uma época e de uma novela inesquecível.


BAMBOLÊ (1987)

Mesmo esquecidinha do público, é minha novela-xodó! De autoria do saudoso Daniel Más. Lírica, romântica, bonitinha. Como apaixonado pelos 50’s que sou, essa é a novela que gostaria de ter escrito. Tudo na novela me encantava: as três irmãs vividas por Miriam Rios, Thaís de Campos e Carla Marins; Maurício Mattar, como o rebelde Murilo, no melhor estilo James Dean; o charme das veteranas Sandra Bréa e Mila Moreira; Joana Fomm, arrasando com mais uma vilã; e uma irresistível trilha sonora, com destaque para “An affair to remember” de Nat King Cole, “Moon River”, “You are my destiny” e “Festa do amor” da Patrícia, sensação nas festinhas da época. No entanto, minha favorita é “Eu sei que vou te amar” em interpretação sensível e surpreendente de Carla Daniel, que na novela, fazia uma espécie de Nara Leão. Ainda tinha a deliciosa trama da divorciada Marta (Suzana Vieira) às voltas com o conquistador barato vivido por Claudio Marzo. O tema de abertura cantado por Léo Jaime é delicioso. Enfim, foi uma novela simpática, romântica, e pra mim, muito inspiradora. Pode-se dizer que, graças a “Bambolê”, tomei gosto pela escrita teledramatúrgica. Guardo a novela com carinho em um lugar muito especial no rol de minhas recordações mais preciosas.


E vocês? O que acham dessas novelas? Quais suas novelas das seis favoritas? Participem!

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