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quinta-feira, 26 de julho de 2012

A revanche – “Avenida Brasil” arrebata o país com o calvário de Carminha





Finalmente aconteceu o momento que todos esperavam em “Avenida Brasil”: a desforra da “branca de neve” Nina (Debora Falabella) contra a “madrasta má” Carminha (Adriana Esteves), que no passado a abandonou em um lixão e agora é submetida a serviços domésticos, com direito a toda sorte de humilhações. João Emanuel Carneiro está sabendo desenvolver com maestria essa virada na trama, provocando uma verdadeira catarse coletiva no horário de exibição da novela, deixando o twitter em polvorosa. Frases de efeito, caras e bocas, texto primoroso, direção precisa e um verdadeiro show de interpretação das duas atrizes são os fatores que contribuem para esse sucesso.

Já foi o tempo em que o público ficava satisfeito com a punição do vilão somente no final da novela. O espectador já se cansou de ver mocinhas sofredoras, que não reagem a todos os golpes de maldade sofridos, tanto é que Jorginho (Cauã Reymond), o “mocinho” de Nina, causa alguma irritação por sua fraqueza e passividade. Mas voltando ao assunto principal, o autor está colhendo os frutos de sua competência em construir de forma tão bem engendrada um momento de catarse absolutamente perfeito. E não foi à toa que Nina sugeriu a Tufão (Murilo Benício) a leitura de “O primo Basílio”, clássico dos clássicos de Eça de Queirós, no qual a empregada Juliana, após descobrir cartas de amor comprometedoras da patroa Luisa para seu primo Basílio, começa a chantageá-la invertendo os papéis de patroa e empregada.

A obra literária já ganhou uma adaptação televisiva pelas mãos de Gilberto Braga em 1988, só que em “Avenida Brasil” tem uma diferença fundamental: se em “O primo Basílio”, ficamos compadecidos com o sofrimento de Luísa, em “Avenida Brasil” o público vibra com o calvário de Carminha, exatamente pela engenhosidade de João Emanuel Carneiro, que apresentou Nina como uma criança indefesa (em ótima interpretação de Mel Maia), vítima da maldade e da ambição de sua madrasta má. Com isso, o público comprou a vingança desde o início e agora se deleita com a vitória parcial de Nina.
Mas de uma forma ou de outra, Gilberto Braga, volta e meia, já nos brindou com esses momentos de virada em suas tramas. Seguem os meus favoritos:

Ø  O PRIMO BASÍLIO (1988)



Tá certo que Luisa (Giulia Gam) nem era vilã, coitada, e por isso, mesmo a gente ficou morrendo de pena dela, mas como não amar a brilhante interpretação de Marilia Pêra como a sádica empregada Juliana, que usou e abusou da ironia, do cinismo e da maldade para se vingar de toda uma vida de servidão e humilhação? Na verdade, nem era nada pessoal contra a pobre Luisa, mas Juliana viu ali a oportunidade de ter uma velhice tranquila. E, claro, aproveitou pra ter seus dias de “patroete”, obrigando Luisa a realizar todas as tarefas domésticas e ainda lhe presentear com pratos especiais, roupas e joias. Adaptações literárias são sempre complicadas, mas aqui, Gilberto Braga soube dar o tom exato do livro e fomos transportados diretamente para o universo de Eça de Queirós. Uma maravilha!


Ø  VALE TUDO (1988)


Após ser flagrada pelo marido Afonso (Cassio Gabus Mendes) nos braços do amante César (Carlos Alberto Ricelli), a ambiciosa Maria de Fátima (Gloria Pires) teve seus dias de inferno astral. Ela não virou propriamente uma “empreguete”, mas perdeu todas as regalias a que gozava na mansão dos Roitmann. Quem aproveitou pra ir à forra de todas as humilhações sofridas foi o mordomo Eugênio (Sérgio Mamberti) com a total conivência da patroa Celina (Nathalia Timberg). Eugênio sempre tinha um comentário ácido para Fátima e a obrigou a limpar o chão do quarto quando ela derrubou a bandeja. Mesmo Fátima sendo vilã, ficamos com um pouco de pena dela, graças à humanidade que a personagem ganhou sob a pena do genial Gilberto Braga.

Ø  CELEBRIDADE (2003)


Depois de levar uma surra daquelas da arqui-inimiga Maria Clara (Malu Mader) a malvada Laura (Claudia Abreu) ainda teve muito sofrimento pela frente. Querendo dar o golpe do casamento no também vilão Renato Mendes (Fabio Assunção), a vida não foi fácil para nossa adorável cachorra. Crente que iria desfrutar de uma vida conjugal repleta de amor e sexo, Laura foi surpreendida pela ira do marido, que a obrigava a dormir no chão e a proibia de sair. O público, claro, vibrou.


Ø  INSENSATO CORAÇÃO (2010)



Na primeira metade da trama, a ingênua Norma (Gloria Pires) levava uma vida pacata e sem sobressaltos. Até cair nas garras do perigoso Léo (Gabriel Braga Nunes), que a seduziu, roubou o dinheiro do patrão dela e ainda a fez levar a culpa. E não foi só isso. Quando Norma foi tirar satisfações, o vilão tripudiou ainda mais, dizendo que nunca se apaixonaria por uma pessoa tão sem graça como ela. Resultado: Norma foi presa e ficou acalentando durante anos esse desejo de vingança, que foi realmente maligna. Rica, além de transformar Léo em seu empregado, com direito a toda sorte de humilhações, ele ainda virou seu escravo sexual. Dona Norma, como ordenou que fosse chamada por ele, quase fraquejou e acabou pagando com a própria vida, já que foi assassinada por Wanda (Natália do Vale) a mãe do rapaz. Mas os dias em que Leo foi constantemente humilhado e abusado foram um verdadeiro deleite para o espectador.

O melão agora quer saber: quais são seus momentos de virada favoritos?


LEIA TAMBÉM:

A catarse





sábado, 15 de outubro de 2011

Série Memória Afetiva: as melhores amigas da ficção




Dedico “prazamiga”

Estava eu um dia em casa com meus grandes amigos Ivan Gomes, Walter de Azevedo e Wesley Vieira, quando surgiu a ideia. Nem lembro quem comentou primeiro, mas começamos a fazer um brainstorm procurando lembrar daquelas personagens que estão sempre ali pro que der e vier: as melhores amigas das telenovelas. Elas são geralmente chamadas de "personagens-orelha" no jargão técnico. Mas algumas delas são muito mais que isso. A lista é infindável, pois elas estão praticamente em todas as novelas e séries. Por isso, mais uma vez, meu critério vai ser subjetivo. Elas não representam as melhores ou mais inesquecíveis, mas sim aquelas que falam mais alto em minha memória afetiva.



Claro que, quando pensei nesse post, não consegui tirar de minha cabeça duas autênticas representantes desse tipo de personagem, ambas de “O astro”: a funkeira Tânia (vivida brilhantemente por Carolina Chalita), a batalhadora e esfuziante melhor amiga de Lili (Alinne Moraes); e a sensual executiva Beatriz (a linda Guilhermina Guinle), a melhor amiga de Amanda (Carolina Ferraz). Claro que ambas possuem trama própria na novela: Tânia acabou se enrabichando pelo tímido Olavo (Rafael Losso) formando um dos casais mais fofos da novela, enquanto Beatriz, depois de se envolver com Samir (Marco Ricca) e arrastar a asinha pra cima de Herculano (Rodrigo Lombardi), acabou engatando um romance pra lá de caliente com seu “namorado bandido”, Neco. A partir das duas, pra quem também dedico meu post, comecei a me lembrar de outras melhores amigas favoritas. São elas:


10) Jandira (Cristina Galvão em “Insensato Coração - 2011)


Cristina Galvão já tinha vivido uma grande amiga em “Tieta” (1989), quando ajudava Imaculada (Luciana Braga) a se livrar das garras do Coronel Artur da Tapitanga (Ary Fontoura). Anos depois em “Paraíso Tropical”, viveu uma enfermeira camarada que ajudou Paula (Alessandra Negrini) a se livrar das armações de Taís. Mas foi com a companheira de cela de Norma (Gloria Pires) que ela conquistou definitivamente o Brasil e entrou para o rol das amigas mais queridas da ficção, afinal ela esteve com Norma até o fim em suas armações, se mostrando não só uma amiga fiel, mas como a mais confiável das cúmplices. Ótima dobradinha das atrizes e mérito da atriz, sempre doce e carismática. Quando cometer um crime, quero uma Jandira só pra mim.

9) Lenir (Guida Vianna em “Duas Caras” – 2008)


Guida Vianna é outra atriz que está cada vez mais se especializando em ser a melhor amiga, como Isolina, sua atual personagem em “Fina Estampa”, em que é uma das melhores amigas de Griselda (Lilia Cabral) e Wilma (Arlette Salles). Junto com Celeste (Dira Paes), parecem uma versão, digamos, diferenciada de “Sex and the City”. Minha primeira lembrança de Guida Vianna vem do cinema e já nesse papel de melhor amiga: era uma das empregadas amigas de Fausta (Betty Faria) em “Romance da Empregada”, de Bruno Barreto. Tanto que Aguinaldo batizou sua personagem com o mesmo nome da personagem de Betty no filme em “Senhora do Destino”, em que fazia a empregada de Nazaré (Renata Sorrah). Mas a “melhor amiga” mais divertida de sua carreira é a Lenir de “Duas Caras”, que não saía da casa da perua Gioconda (Marília Pêra). De nada adiantava colocar vassoura atrás da porta. Lenir tomava café da manhã, almoçava e jantava na casa da amiga, para o desespero do dono da casa Barreto (Stenio Garcia). Apesar de usar e abusar da hospitalidade da amiga e de não ter o menor semancol, Lenir era uma companhia divertidíssima, sempre com ótimas tiradas e dona dos comentários mais inconvenientes nas piores horas, o que garantiu uns dos melhores momentos da novela. 


8) Eliete (Isabela Garcia em “Celebridade” – 2003)


Era o tipo da amiga que dizia sempre o que pensava, doa a quem doer. Inspirada na camareira ranzinza de Margo Channing (Bette Davis em “A malvada”), Eliete era o anjo da guarda de Maria Clara Diniz (Malu Mader). Mesmo de classes sociais diferentes, as duas tinham muita cumplicidade. Eliete era sacoleira e fazia questão de não aproveitar as vantagens financeiras que poderia ter em ser amiga de Maria Clara. A exemplo do filme, foi a única a perceber que o jeito doce de Laura (Claudia Abreu) escondia uma terrível vilã capaz de tudo para prejudicar Maria Clara. Mas Laura era tão sonsa e dissimulada que conseguiu fazer com que todos pensassem que Eliete estava com ciúmes da amiga. A grande (e impagável) vingança da sacoleira foi quando foi visitar Laura no hospital após esta levar uma surra de Maria Clara. Eliete debochou do fato de Laura ter perdido um dente após a surra e tripudiou o quanto pôde na vilá. Claro que a plateia vibrou e se sentiu vingada também. Curiosidade: Malu Mader e Isabela Garcia também são grandes amigas na vida real.


7) Leopoldina (Beth Goulart em “O primo Basílio” – 1988)

Essa é uma melhor amiga clássica, não só na teledramaturgia, como também na literatura. A “pão e queijo”, como era conhecida por toda a Lisboa, Leopoldina era uma mulher de péssima reputação por trair o marido constantemente com todo tipo de homem. Por isso, a amizade dela com Luisa (Giulia Gam) não era vista com bons olhos pelo marido desta Jorge (Tony Ramos). Mesmo assim, Leopoldina era a mais fiel das amigas e foi cúmplice da traição de Luisa com Basilio (Marcos Paulo) e fez de tudo para tentar livrar a amiga da chantagem de Juliana (Marilia Pera). Mesmo quando Luísa jogou em sua cara a má fama que ela tinha e mesmo rejeitada pela amiga no final de sua vida, Leopoldina foi companheira até o fim. Uma grande personagem de Eça, transposta brilhantemente para a telinha por Gilberto Braga e muitíssimo bem interpretada por Beth Goulart. Uma de minhas personagens favoritas do livro / minissérie.


6) Rosinha (Betty Faria em “Incidente em Antares” – 1994)


Foi uma pequena participação de minha diva, mas um dos melhores momentos da minissérie. Betty brilhou na pele da singela e sofrida prostituta Rosinha, melhor amiga da também prostituta e recém-falecida Erotildes (Marília Pêra) e única a não sentir medo da amiga após sua morte. Betty fez pouquíssimas cenas na minissérie, mas uma bastante tocante foi quando ela maquiou a amiga depois de morta para que ela se juntasse aos outros defuntos que não foram enterrados devido a greve dos coveiros. Em uma cena quase felliniana, Rosinha, após lamentar por todo o seu sofrimento de uma noite em que foi violentada por vários rapazes, faz um pedido final à amiga ao se despedir: “Pede a Deus que me dê uma boa morte, já que ele não me deu uma boa vida”. Um momento breve, mas extremamente sensível e emocionante que contou com uma interpretação visceral de Betty Faria, que soube empregar singeleza, melancolia e intensidade na dose certa. Confesso: uma de minhas cenas favoritas de toda a carreira da atriz.

5) Guiomar (Louise Cardoso em “Força de um desejo” – 1999)


Cortesãs costumam ter amigas fiéis. E no caso da esplendorosa Ester Delamare (Malu Mader), ela tinha mais que uma amiga: um verdadeiro cão de guarda. Com seu jeito irreverente e despachado, Guiomar comprava todas as brigas da amiga, não só na capital, mas também quando se mudaram para o interior. Esperta, gaiata e descolada, Guiomar sempre tinha uma carta na manga para salvar Ester dos apuros e sem papas na língua, sempre dizia os desaforos que o espectador queria ouvir. Vivia às turras com Bartolomeu, mas no fundo era amor recolhido. Protagonizou momentos hilariantes da luxuosa trama de Gilberto Braga e Alcides Nogueira ao dar aulas de boas maneiras para a aspirante a baronesa Bárbara Ventura, brilhantemente interpretada por Denise del Vecchio. Além do grande alívio cômico da trama, Guiomar cumpriu com louvor sua missão de melhor amiga até o fim.

4) Marta (Bia Nunnes em “História de amor” – 1995)

Todas as Helenas de Maneco sempre puderam contar com grandes amigas, mas Marta é minha favorita de todas. Mais que amiga: comadre, cúmplice e grande ombro de Helena (Regina Duarte). Marta gostava tanto da amiga que acabou revelando à mimada Joyce (Carla Marins) que Helena não era sua mãe biológica, pois não suportava mais os maus tratos da filha ingrata. Marta perdeu a amizade de Helena, mas pelo mais nobre dos motivos. Fora isso, também foi um dos grandes destaques da novela ao superar um câncer de mama. A trama foi contada com muita delicadeza e Bia Nunnes conseguiu uma interpretação sensível e marcante. Confira a cena em que Marta, após revelar a Joyce que Helena é, na verdade sua tia, a esbofeteia e lhe diz muitas verdades para defender a amiga Helena. Catarse total!



3) Solineuza (Dira Paes em “A diarista”- 2003/2009)


A “poia”, como era “carinhosamente” chamada pela amiga diarista Marinete (Claudia Rodrigues) foi, aos poucos, crescendo até se tornar o destaque absoluto da série. Burra de dar dó, mas com um grande coração, Solineuza sempre tinha a melhor das intenções e, ao tentar ajudar a amiga, sempre a colocava em grandes enrascadas. Dira Paes deitou e rolou no papel e suas tiradas proporcionavam as maiores risadas da história. Com um jeito atrapalhado e ingênuo, Solineuza nos despertava compaixão, graças à interpretação genial de Dira Paes, que conseguiu um precioso equilíbrio entre o humano e o caricatural. Mesmo aprontando as mais inacreditáveis loucuras, Dira nos fazia acreditar que a personagem estava levando sempre tudo muito a sério. Sem sombra de dúvidas, a singela Soli era o grande motivo de se assistir “A diarista”.


2) Carmosina (Arlette Salles em “Tieta” – 1989)


A sonhadora funcionária dos correios foi um dos melhores papéis da Arlete Salles e entrou para a galeria dos personagens inesquecíveis da novela. Carmosina abria as cartas no bico da chaleira (costume herdado de sua mãe Dona Milu, vivida pela inesquecível Miriam Pires) e, desta forma, conhecia todos os segredos dos moradores da cidade, algo impensável de se colocar em uma novela nos dias de hoje por conta da onda politicamente correta que assola nossa tevê. Solteirona, ou “no caritó”, como se dizia na novela, Carmosina foi a única a oferecer ajuda para Tieta (Claudia Ohana / Betty Faria) quando esta foi expulsa de Santana do Agreste. Quando a cabrita volta à terra natal, as duas retomam a amizade e Carmô se torna sua grande confidente, inclusive sabia dos planos de vingança da amiga e do romance dela com seu sobrinho Ricardo (Cassio Gabus Mendes) e também seu grande segredo: Tieta não era viúva de um comendador, mas sim dona de um famoso bordel. A amizade das duas chegou a ficar abalada quando ela descobriu que Tieta pagou Gladstone para “inaugurá-la”. Mas o amor  e amizade prevaleceram e a ex-invicta terminou feliz ao lado de seu amor e fez as pazes com a grande amiga. Carmosina é uma das personagens que mais me comove. Me fez rir e me fez chorar com cenas magníficas. Essa bate fundo na memória afetiva.

1) Ronalda Cristina (Catarina Abdalla em “Armação Ilimitada” – 1985/88)

Essa é uma das mais autênticas representantes do gênero. Com um apetite voraz, tanto para sanduíches, quanto para homens, Ronalda Cristina era a grande amiga e confidente de Zelda Scott (Andréa Beltrão) e segurava todas as barras e dores de cotovelo da amiga, sempre as voltas com seus amores Juba e Lula (Kadu Moliterno e André di Biase). Ronalda era tão amiga que até batizou com o nome da amiga a filha que teve com um extraterrestre (!): Zeldinha Cristina, um bebê com poderes sobrenaturais. Dentro da proposta deliciosa e revolucionária que era a série, Ronalda funcionava como a cereja do bolo, sempre irreverente e sempre levantando o astral da amiga. Uma gostosura inesquecível. Confesso: formou meu caráter.


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Menção honrosa: ZÉ MARIA (Guilherme Piva em "Xica Da Silva" - 1996)
Tá, não foi propriamente uma "melhor amiga", mas teve essa função na deliciosa trama de Adamo Angel, pseudônimo de Walcyr Carrasco na extinta TV Manchete. Zé Maria aguentava todos os desaforos de sua amiga sinhá e foi responsável pelos momentos mais engraçados da novela. 
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Agora é a sua vez! O melão quer saber: quais suas amigas favoritas da ficção?


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Série Memória Afetiva – 10 (ou mais) vilãs memoráveis - anos 80


O primeiro post afetivo do ano do melão só poderia mesmo ser dedicado a elas. Caricatas ou realistas, cômicas ou dramáticas, elas fazem a graça de qualquer novela e muitas vezes são a razão de ser das mesmas. Sempre interpretadas por atrizes superlativas, elas exercem fascínio incomum no público e quase sempre ficam em nossa memória afetiva. São tantas e tão marcantes que o post teve que ser dividido por décadas. Como a memória afetiva deste melão que vos fala se inicia na década de 80, vamos começar nosso desfile com as malévolas oitentistas. Vamos a elas:

PARTE 1 – ANOS 80

10) FEDORA ABDALLA (Cristina Pereira), de “Sassaricando” (1987)


Impossível ouvir “Fata Morgana” sem se lembrar da pérfida e sensual Fedora Abdalla, genial composição da ótima Cristina Pereira, que bem que merece voltar aos grandes papéis dos anos 80. Fedora era engraçadíssima: uma perua apaixonada pelo bandido trapalhão Leozinho (Diogo Vilela) e que infernizou o quanto pode a vida do pai, interpretado por Paulo Autran. Fedora fazia e desfazia e não hesitava em expulsar as pessoas de sua casa com o famoso bordão carregado nos “erres”: rá, ré, ri, ró, rua. Mesmo com tanta vilania, Fefê mereceu um final feliz nas areias do deserto ao lado de seu amado Leozinho. Sem dúvida, uma personagem deliciosa.

9) FERNANDA (Christiane Torloni), de “Selva de Pedra” (1986)


La Torloni não tinha uma missão fácil pela frente: dar vida a uma vilã que fora eternizada pela excelente Dina Sfat nos anos 70. Mas a atriz não só deu conta do recado como é considerada por muitos como o principal destaque do remake da célebre novela de Janete Clair. Dois momentos marcantes foram quando ela se casou vestida de preto, chocando a todos e nas sequências em que sequestrou a mocinha Simone (Fernanda Torres) e fez misérias com ela no cativeiro. Fernanda é daquelas vilãs bem malvadas, com aquele quê de loucura, mas extremamente charmosas, bem ao estilo de Torloni. Um momento off-villania, mas também bastante lembrado é o seu sensual banho de piscina com a personagem de Beth Goulart ao som de “Perigo”, de Zizi Possi: uma leve insinuação gay que não foi pra frente na novela, mas que ficou na memória geral.

8) RENATA DUMONT (Tereza Rachel), de “Louco Amor” (1983)


Em minhas remotas lembranças dessa novela, confesso que morria de medo de Renata. Sempre ouvia comentários na sala de casa sobre o quanto ela era má e naquela época ainda não distinguia atriz de personagem. Resultado: cresci com medinho da Tereza Rachel. Recentemente, pude conferir alguns capítulos e comprovar que a impressão que tinha era inteiramente verdadeira. Já no primeiro capítulo, a chique embaixatriz fez de tudo para separar a enteada Patricia (Bruna Lombardi) do filho da empregada Luis Carlos (Fabio Jr). A sequência em que ela é desmascarada por Isolda (Nicete Bruno) em plena festa é memorável: Renata, na verdade, chamava-se Agetilde e fora a responsável pela morte do patriarca da família Dumont. E ironicamente era a verdadeira mãe de Luis Carlos, a quem tanto humilhou durante a novela. Um trabalho magistral de Tereza Rachel, uma das atrizes que mais brilhantemente interpreta vilãs.


 7) ANDRÉA (Natália do Vale), de “Cambalacho” (1986)


Perigosa! Até hoje o refrão da música do grupo “Syndicatto” remete a essa bela assassina. Muitos consideram o melhor papel de Natalia do Vale. De fato, a atriz esbanjou beleza, charme, talento e maldade pura, na pele da alpinista social que dá o golpe no milionário Antero (Mario Lago), tramando sua morte e se tornando rica. Apaixonada pelo cunhado Rogério (Claudio Marzo), marido de sua irmã Amanda (Susana Vieira), Andréa fez de tudo para separar o casal, além de infernizar a vida da protagonista Naná (Fernanda Montenegro), adorável cambalacheira, filha do empresário assassinado. Andréa não escapou de pagar pelo seus crimes na prisão, mas garantiu lugar no rol das preferidas do melão.

6) JULIANA (Marília Pêra), de “O primo Basílio” (1988)

 A personagem criada por Eça de Queiros já era meio caminho andado. A adaptação brilhante de Gilberto Braga completava o percurso de sucesso. Mas de nada adiantaria se não fosse interpretada por uma atriz menos do que genial. Marilia Pera agarrou a oportunidade e fez misérias na pele de ressentida e ambiciosa empregada de Luisa (Giulia Gam), que descobria a traição da patroa e fazia de sua vida um inferno. As cenas em que Juliana obriga Luisa a realizar os serviços domésticos em seu lugar foram o ponto alto da minissérie, assim como o momento da revelação de que ela era detentora das cartas que provavam a romance de Luisa, com o primo Basilio (Marcos Paulo). Juliana era detestável, mas também patética, digna de pena. Impossível não ler o romance e imaginar outro rosto, que não o de Marília, para a desafortunada personagem. Um deleite para ler, ver e rever sempre.

5) JOANA FLORES (Yara Amaral) de “Fera Radical” (1988)

Dois anos antes, Yara Amaral já tinha brilhado intensamente como a hipócrita Dona Celeste, da minissérie “Anos Dourados”, cabendo aqui uma menção honrosa à personagem. Apesar de ter feito da vida da filha Lurdinha (Malu Mader) um inferno, ao final, Dona Celeste se revelou mais uma vítima dos acontecimentos e dos códigos de conduta da sociedade da época do que uma vilã propriamente dita.
Em “Fera Radical”, ela também fez da vida de Malu Mader um inferno, sendo a grande responsável pelo assassinato dos pais da heroína Claudia, que voltava anos depois jurando vingança. Pouco tempo depois, Yara morreria em pleno réveillon na tragédia do Bateau Mouche, portanto, Joana Flores ficou como a lembrança mais forte que tive dela: uma atriz fantástica, cuja interpretação era cheia de nuances, perfeita nos pequenos gestos e nas pequenas expressões, mas também fantástica e explosiva nos momentos de fúria. O acerto de contas da “fera radical” com a megera é memorável e Yara nunca esteve menos que perfeita nessa novela. Saudades imensas!

4) CAROLINA (Lucélia Santos), de “Guerra dos Sexos” (1983)


Carolina era a candura em pessoa: uma flor de criatura. Doce, gentil, humilde, bonitinha, mas muito, muito ordinária. Uma verdadeira loba em pele de cordeiro, a vilã enganou os personagens da novela durante muito tempo e seduziu grande parte do elenco masculino, inclusive o adorável cafajeste Filipe, em ótima interpretação cômica de Tarcísio Meira. O mote da novela era a batalha entre os sexos, mas Carolina só era a favor dela mesma e aprontou poucas e boas com Charlô (Fernanda Montenegro), Roberta (Gloria Menezes) e grande parte do elenco feminino. Um desafio à altura de uma atriz cheia de recursos como Lucélia Santos.

3) RAINHA VALENTINE (Tereza Rachel), de “Que rei sou eu?” (1989)

 Antes de mais nada, uma das gargalhadas mais gostosas de toda a história da teledramaturgia. Mais um tipo terrível interpretado por Tereza Rachel. Valentine era superlativa, operística, insanamente cruel e engraçada. Com ares de Maria Antonieta, mas muito esperta, sempre levava vantagem em tudo. Seu ponto fraco era a paixonite pelo bobo da corte Corcoran (Stenio Garcia) e as cenas de romance entre os dois eram hilárias. Tereza Rachel, nessa memorável novela de Cassiano Gabus Mendes, foi da comédia ao drama, da leveza à intensidade com a mesma maestria. Seu melencólico e solitário final ao som de “How can I go on”, nas vozes de Freddie Mercury e Montserrah Caballé, é de arrepiar. A melancolia e a derrota da rainha destronada era latente apenas no olhar da atriz que aqui não foi menos que genial.


2) PERPÉTUA (Joana Fomm), de “Tieta” (1989)

Adorável urubu. Bem no íntimo, a eterna viúva do Major Cupertino é minha favorita. O que dizer dessa divertidíssima criação de Aguinaldo Silva em que sua intérprete Joana Fomm fez o que quis? Outra especialista em vilãs (aqui vai uma menção honrosa para Yolanda Pratini, de “Dancing Days”, que mesmo sendo dos 70’s vale a lembrança), Joana Fomm começou carregando mais para o lado do drama, do rancor, do ressentimento que sentia pela sua irmã Tieta (Betty Faria). Mas aos poucos, Perpétua foi ganhando ares mais divertidos, até virar uma vilã das mais caricatas e adoráveis de todos os tempos. A avarenta e maldosa Perpétua dava um show a cada aparição, seja se fingindo de boazinha para a irmã, seja humilhando as fiéis escudeiras Cinira e Amorzinho (Rosane Goffman e Lilia Cabral). Poucas vilãs foram tão longe quanto Perpétua, chegando ao ponto de empurrar o filho para os braços da própria irmã por dinheiro. Além disso, ela se fingia de santa e virtuosa, mas na verdade, a tribufú era libidinosa e bizarra ao guardar o órgão sexual do próprio marido em uma misteriosa caixa branca. Perto disso, o segredo do Gerson (Marcelo Antony) de “Passione” é brincadeira de criança, né? Por essas e outras, Perpétua até hoje é lembrada como uma das maiores vilãs de todos os tempos e com muita justiça. Inesquecível!

1) MARIA DE FÁTIMA (Glória Pires) e ODETE ROITMAN (Beatriz Segall), de “Vale Tudo” (1988)

 Empate técnico. Não deu pra decidir entre as duas que, afinal se revelaram durante a trama mais parecidas do que nunca. Odete (Beatriz Segall) até hoje é o símbolo de uma burguesia corrupta e inescrupulosa, que demonstra desprezo pelo Brasil, mas que construiu sua riqueza às custas da exploração do país. As verdades ditas por Odete são inquietantes e é impossível não se identificar com elas, pelo menos um pouquinho. Odete foi uma criação genial de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres, sobretudo, porque foi uma personagem extremamente humana. Todas as suas vilanias estavam longe de serem gratuitas e eram justificadas pela preocupação que tinha com os filhos. O calcanhar de Aquiles era o fraco que ela tinha por garotões. O resultado é uma personagem poderosa, implacável, mas extremamente deliciosa de se assistir. Seu assassinato, até hoje, foi o que mais mobilizou o país e, mais de 20 anos depois, volta a fazer sucesso na reprise do Viva. Mesmo que Beatriz Segall tenha feito outros ótimos personagens, Odete sempre será seu carro-chefe. Definitiva!

Enquanto isso, Maria de Fátima é o símbolo da determinação. Disposta a vencer na vida e se tornar rica, a moça não media consequências para realizar seus objetivos, como por exemplo, colocar a própria mãe na rua, destruir o romance dela, trair a amiga Solange e até vender o próprio filho. Tudo isso parece terrível, mas mesmo assim Fátima era extremamente humana. Suas vilanias nunca foram motivadas por vingança ou questões pessoais, mas puramente para alcançar seus objetivos. Em sua moral (ou falta dela), Fátima se preocupava com a mãe, sofria cada vez que cometia uma maldade contra ela e achava que poderia consertar depois. E o trabalho de Glória Pires foi magistral. Sem qualquer ranço de caricatura ou exagero, ela sabia compôr duas Fátimas diferentes: a boazinha diante de todos e a pragmática e ambiciosa em suas cenas com o amante César (Carlos Alberto Ricceli). Vai ser difícil surgir uma alpinista social mais interessante e tão perfeitamente construída como esta. Antológica.


MENÇÕES HONROSAS:

ü  Santinha Rivoredo (Eva Todor), de “Sétimo Sentido” (1982)
ü  Tia Fausta (Joana Fomm), de Bambolê (1987)
ü  Donana (Geórgia Gomide), de Hipertensão (1986)
ü  Gláucia (Bia Seidl), de “A gata comeu” (1985)
ü  Lúcia Gouveia (Joana Fomm), de “Corpo a Corpo” (1985)
ü  Chica Newman (Fernanda Montenegro), de “Brilhante” (1981)
ü  Paula (Cissa Guimarães) de “Direito de amar” (1987)
ü  Frau Herta (Norma Blum), de “Ciranda de Pedra” (1981)
ü  Catarina (Marieta Severo), de “Vereda Tropical” (1984)

Esqueci de alguma? Quem foi terrivelmente injustiçada pelo melão? E das citadas, quais suas favoritas? Agora é com vocês!


sábado, 28 de agosto de 2010

Série Memória Afetiva: Minhas minisséries favoritas

                                                                                                                                                                 
Nunca é demais esclarecer que minhas listas não têm a pretensão de representar a opinião do senso comum. Muito pelo contrário: são sempre muito particulares. E no caso das minisséries, dizer quais foram as melhores seria uma tarefa hercúlea, pra não dizer impossível, visto que a qualidade da maioria delas é algo indiscutível. Portanto, trata-se, não das melhores, mas das que mais me marcaram como telespectador ou que me comoveram de alguma forma, seja pela inegável qualidade, seja por aludir a boas lembranças. Com o coração apertado, sinto muito ter que excluir produções que amei como “Tenda dos Milagres”, “JK”, “Os Maias”, “Desejo”, “A muralha”, “Engraçadinha”, “Lampião e Maria Bonita”, “Memórias de um gigolô” que, desde já, representam menções honrosas, além de tantas outras com as quais já estou sendo injusto logo de cara. Meu critério foi puramente emocional e afetivo como sugere o título. Vamos a elas:



10) RIACHO DOCE (1990)

Impossível não ouvir os primeiros versos de “O que é o amor?” cantado por Selma Reis e não lembrar das belíssimas e ensolaradas paisagens de Fernando de Noronha. Inspirada na obra de José Lins do Rego, a minissérie trazia uma Vera Fischer luminosa, bela, cativante, que enfrentava a tirania de Vó Manuela (Fernanda Montenegro sempre impecável) na luta por seu amor por Nô (Carlos Alberto Ricceli), sedutor neto da curandeira vivida por Fernanda, cujo corpo era fechado. Todas as mulheres que se envolviam com ele tinham um destino trágico traçado por Vó Manuela. Lembro que, aos 13 anos, fiquei impressionadíssimo com o triste destino de Terezinha (Denise Milfont), que se atirou de um rochedo e passou toda a minissérie coberta por um pano que escondia seus terríveis ferimentos que nunca eram mostrados, mas que chocavam a todos que viam. E aquilo que a gente não vê talvez impressione mais, já que a imaginação constrói as mais terríveis visões. Denise Milfont em belíssimo trabalho, tendo como recurso apenas o olhar, mas mesmo assim garantindo uma ótima e intensa interpretação. Uma minissérie bonita, romântica, que enche os olhos e prende a atenção.



9) LABIRINTO (1998)

 O irresistível estilo de Gilberto Braga ao narrar a elegante decadência da sociedade carioca agora transposto para uma minissérie eletrizante cheia de mistério, agilidade, sensualidade e ótimas interpretações. Fabio Assunção esteve muito bem como o jovem André que, acusado de assassinar o empresário Otacílio Martins Fraga (Paulo José) em plena noite de réveillon (ótimo isso!), precisa, ao mesmo tempo, provar sua inocência e descobrir o verdadeiro assassino. Antonio Fagundes emprestou o charme de sempre ao vilão Ricardo. Mas quem brilhou pra valer foi o elenco feminino: Malu Mader excelente como a descolada e sedutora garota de programa Paula Lee; Luana Piovani, como a sonsa patricinha Virgínia; Betty Faria, como a sensual e perigosa Leonor, viúva de Otacílio e amante de Ricardo; Isabela Garcia, impagável alívio cômico na pele de Yoyô, perua fútil e engraçadíssima, alheia a tudo, cujo único objetivo era figurar entre as dez mais elegantes; e principalmente, Alice Borges, que arrasou como a devoradora de homens Nietinha, desprovida de beleza física, mas com uma autoestima de dar inveja a muita gente. No final descobre-se que Otacílio fora assassinado pelo próprio filho, Júnior (Marcelo Serrado). Uma minissérie deliciosa, com um quê de noir, mas, sobretudo, cheia de humor inteligente e sarcástico. Uma pena que ainda não esteja disponível em DVD.


8) RABO DE SAIA (1984)

 “O chamego dá prazer, o chamego faz sofrer, o chamego ás vezes dói”... Esse delicioso forró era o tema de abertura e convidava o espectador a embarcar nas aventuras do caixeiro viajante Quequé (Ney Latorraca, excelente), que tinha três esposas, cada uma em um estado diferente do nordeste: a religiosa Santinha (Lucinha Lins, belíssima), a fogosa Nicinha (Tássia Camargo, um pitelzinho) e Eleuzina (Dina Sfat, ah Dina Sfat, que dispensa qualquer apresentação!). Quequé, mesmo cafajeste, conquistou o público, pois além do carisma do ator, o personagem era delicioso e demonstrava amar de verdade suas três mulheres. Uma minissérie que deixou muita saudade, principalmente pela presença sempre magnética de Dina Sfat, aqui no auge de sua maturidade, esbanjava o talento de sempre, emprestando uma vitalidade e uma sensualidade genuína à sua Eleuzina. Mais suspiros por Dina, com uma imensa saudade que parece nunca cessar...


7) O TEMPO E O VENTO (1985)

 As lembranças dessa minissérie parecem datar da origem de minhas memórias televisivas, embora com 8 anos, já tinha assistido a muita coisa, mas me lembro dessa obra como uma das primeiras coisas que realmente me arrebataram. A música linda e marcante de Tom Jobim, os personagens grandiosos da obra de Érico Veríssimo, o grandioso elenco, enfim... lembro de assistir com a minha tia e ela, encantada com a saga de Ana Terra (Glória Pires, mostrando-se grande), a minha fase favorita da história. Aliás, não entendi o porquê de suprimirem, tanto nas reprises, quanto no DVD a fase “A Teniaguá”, com Carla Camuratti e Lilian Lemmertz. Outro arrebatamento que tive foi com a interpretação de Lélia Abramo, como Bibiana no final da vida. Mesmo não entendo muito os porquês, ali já fiquei fascinado e certo de que se tratava de uma grande atriz. Um momento vergonha própria: meu bairro de infância era muito arborizado e confesso que brincava de Capitão Rodrigo (Tarcisio Meira) a galope do meu cavalinho de pau... (risos de vexame)! E meu encantamento resistiu ao tempo, já que assisto ao DVD com o mesmo prazer da primeira vez.


6) GRANDE SERTÃO: VEREDAS (1985)


Naquele ano de 1985, considerado por muitos como o ano de ouro das produções globais (Roque Santeiro, Ti Ti Ti, A gata comeu...), essa pérola me escapou. Ao contrário de “O tempo e o vento”, que consegui assimilar e me envolver, acho que a obra de Guimarães Rosa é por demais complexa para uma criança de 8 anos. Mas revendo a minissérie em DVD recentemente, me redimi dessa falta e pude constatar e corroborar o que muitos consideram primoroso. Tony Ramos dando o eventual show como o protagonista Riobaldo/Tatarana. Mas as surpresas ficam por conta de atuação de alguns atores que, nem sempre, têm grandes oportunidades de mostrar sua versatilidade na TV como Yoná Magalhães em participação especial e intensa como Maria Mutema e Tarcísio Meira, como o grande vilão, Hermógenes. Mas o grande destaque foi Bruna Lombardi em uma impressionante composição de Reinaldo/Diadorim. Um trabalho irretocável que não deixa dúvidas da grande atriz que ela é. Durst e Avancini nos presentearam com esse primor e conseguiram traduzir a grandiosidade da obra de Guimarães Rosa, que vai muito além da temática regionalista. A minissérie soube transpor a universalidade e complexidade de sentimentos: o sertão dentro de cada um de nós, particular e infinito. Obra-prima!


5) HILDA FURACÃO (1998)

 Essa minissérie tem muitos ingredientes que me agradam: os irresistíveis anos 50, o saboroso sotaque mineiro, o universo do baixo meretrício, grandes atores, ótimo texto, trilha sonora irresistível com destaque para “Resposta ao tempo”, lindo sucesso de Nana Caymmi, e a beleza estonteante de Ana Paula Arósio, estreando com o pé direito nas produções globais. O tema da menina de sociedade que vira prostituta às portas do casamento, causando furor na conservadora Belo Horizonte e ainda encantando o jovem seminarista considerado santo é um convite irrecusável para se assistir à minissérie. Soma-se a isso grandes interpretações como a de Matheus Nachtergaele, impagável como o travesti Cintura Fina; Rosi Campos como a bruta de imenso coração, Maria Tomba-Homem; Paloma Duarte exalando singeleza como a doce prostituta Leonor, Walderez de Barros, Stenio Garcia, Zezé Polessa, Debora Duarte, Claudia Alencar, Eva Todor, Rogério Cardoso, todos em grandes momentos e... Paulo Autran, um luxo para qualquer história!!! Thiago Lacerda também debutava como o galã que sonhava com Hollywood, Aramel Belo; e Danton Mello, excelente como o próprio autor Roberto Drummond, era o fio condutor da trama. Uma história de amor bonita e incomum, que se sintetiza na frase dita pela cartomante vivida pela ótima Arlete Salles: “o que Deus risca, ninguém rabisca”.


4) O PRIMO BASÍLIO (1988)

 Excelente versão televisiva do mais famoso livro do célebre escritor português Eça de Queirós. Gilberto Braga e Daniel Filho conseguiram transpor com muita fidelidade o universo queirosiano, retratando com perfeição a conservadora e hipócrita Lisboa do século XIX, aqui representada pela classe média através do casal Luísa e Jorge (Giulia Gam e Tony Ramos). A protagonista Luísa, uma personagem romântica deslocada em uma saga realista, que vê sua tranquila e ordinária vida ruir após o romance com o sedutor e mau-caráter primo Basílio, foi vivida com muita verdade e intensidade por Giulia Gam. O time de atores coadjuvantes também é excelente, com destaque para Beth Goulart, como a mal falada amiga e fiel escudeira Leopoldina, que pagava um alto preço por sua liberação sexual. Marília Pera, impressionante e inesquecível como a grande antagonista da trama, a amargurada e cínica criada Juliana, entrou para a galeria das grandes vilãs da teledramaturgia, mesmo se tratando de uma minissérie. Sua interpretação foi magnífica e nos fez, ao mesmo tempo, sentir ódio e fazer rir com o sarcasmo e cinismo que emprestou à criada que chantageava e maltratava a patroa. A triste condição da natureza humana estava ali representava. Eça em sua essência.


3) UM SÓ CORAÇÃO (2004)

 Uma superprodução com todos os ingredientes para atrair o público: paixão, heroísmo, guerras, batalhas, requinte e conflitos familiares. Esses ingredientes por si já seriam suficientes para se ter uma grande história. Quando essa história é a própria história da São Paulo da primeira metade do século XX então, fica irresistível, pra não dizer, obrigatório. Revoluções, Semana de Arte Moderna, imigração, coronelismo, golpes políticos, ou seja, um universo muito rico que tem como fio condutor a vida de Yolanda Penteado, grande e fascinante mulher que representa por si só todo esse espírito paulista de aventura, requinte e modernidade. Talvez Yolanda seja a grande interpretação de Ana Paula Arósio na TV, perfeita em todas as fases da trama. Além de lindíssima e do porte de grande estrela, Ana Paula aqui nos oferece uma interpretação, ao mesmo tempo grandiloquente nas cenas mais densas e sutil nos pequenos gestos, nas pequenas reações. É isso o que faz a diferença entre um bom ator e um ator espetacular. Revendo a minissérie, não pude deixar de me emocionar com a sequência da morte da menina Érica (Tamara Ribeiro), morta com um tiro durante a Revolta Paulista de 24. Grande momento de Ana Paula Arósio e Lu Grimaldi, que vivia a mãe da menina. Alguns equívocos de escalação não apagaram o brilho de um grandioso e excelente elenco, do qual seria até injusto citar alguém. Direção exemplar, reconstituição de época acurada e perfeita, texto inspiradíssimo e personalíssimo de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira que deixa transparecer todo o amor e gratidão pela Paulicéia Desvairada da qual fazem parte. Um belíssimo presente à cidade de São Paulo e a todo o público.


2) ANOS REBELDES (1992)

 Recentemente, com a publicação do roteiro completo da minissérie, pude rever e me deliciar mais uma vez com essa obra-prima de Gilberto Braga. Reproduzo aqui o texto que eu mesmo publiquei na ocasião sobre a produção: “Quase 20 anos depois de sua exibição, a minissérie continua atual, ágil, cheia de frescor, enfim, uma obra que nunca envelhece. Desde às desventuras amorosas dos jovens Maria Lucia e João Alfredo (Malu Mader e Cássio Gabus Mendes) aos dilemas da bela e rica Heloísa (Claudia Abreu), a vida de todos é afetada pelas significativas mudanças de costumes da época e pelo repressivo regime político imposto pelo golpe militar de 64. Personagens inesquecíveis e atuações preciosas (como é bom ver Betty Lago linda, luminosa em sua estreia na TV fazendo drama). (...) todo o elenco está sensacional. E fica clara a sintonia do autor com Dennis Carvalho, perfeito na direção. Repleto de cenas bem feitas e emocionantes”. Acrescento a esse fragmento de texto, a meticulosa reconstituição, não só da época, como também dos fatos que marcaram aquele período e a perfeita costura desses fatos com o acontecimento da trama. Malu Mader perfeita e Claudia Abreu inesquecível. De fato, um momento ímpar, não só na teledramaturgia, mas para a cultura de nosso país como um todo.


1) ANOS DOURADOS (1986)



 Se tivesse que eleger aquela história que eu gostaria de ter escrito, respondo sem pestanejar: Anos Dourados, minha favorita sempre! Mais do que uma delícia de minissérie, uma grande inspiração com grande influência no fascínio que tenho por histórias da década de 50. E em “Anos Dourados” tudo está ali: o romantismo, as canções, a beleza, a hipocrisia, o charme, o conservadorismo e, sobretudo, uma encantadora inocência. A história de amor batida, mas irresistível de Marcos e Lurdinha (Felipe Camargo e Malu Mader) e toda a sua progressão no decorrer da trama nos faz suspirar até hoje. Além disso, temos uma ótima e elogiada Betty Faria como a desquitada Glória, mãe do protagonista, que sofria o preconceito da sociedade da época. A relação franca e cheia de afeto entre mãe e filho é um dos pontos altos da trama. Taumaturgo Ferreira e Isabela Garcia, como um picante casal, fizeram perfeito contraponto com os protagonistas. Por fim, mais um show de interpretação da grande e saudosa Yara Amaral. O texto delicioso de Gilberto Braga na boca de uma atriz de mão cheia como Yara, na pele da hipócrita Dona Celeste, é pra ser apreciado de joelhos. Não canso de assistir a “Anos Dourados” e me encanto sempre com o vocabulário, os modos e costumes, a elegância e o deslumbramento dessa época que e inesquecível na vida de muita gente.


E vocês? Quais suas minisséries favoritas? Compartilhem suas lembranças!

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