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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

AS EMPREGADAS QUE CONQUISTARAM O BRASIL


Blogueiro convidado: André Luis Cia vai além das empreguetes e relembra outras empregadas.

Não é de hoje que as empregadas domésticas são destaque em nossa teledramaturgia. Há quase 50 anos atrás, Rosamaria Murtinho já protagonizou uma novela da TV Excelsior de 1964 chamada “A moça que veio de longe”, no papel de uma empregada. Também merece destaque as empregadas protagonistas de “Sem lenço sem documento”, novela que Mário Prata escreveu em 1977. No entanto, é inegável que elas nunca ganharam tanto destaque quanto estão ganhando agora. Esse assunto já foi tema do melão em um post em parceria com Eddy Fernandes. Mas para celebrar o sucesso das empreguetes de “Cheias de Charme” e também para relembrar outras célebres domésticas, o melão convocou o roteirista e noveleiro André Luis Cia, que recorre à sua memória afetiva, citando suas favoritas. Vamos a elas. 


AS EMPREGADAS QUE CONQUISTARAM O BRASIL

Por André Luís Cia



Coube à dupla Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, estreantes como autores titulares em novelas, a ousadia e o desafio de alçarem ao posto de protagonistas três empregadas domésticas no horário nobre. O tiro que podia ter saído pela culatra foi um grande acerto e a trama de “Cheias de Charme”, que entra em seus últimos dias de exibição foi um dos maiores sucessos da TV Globo na faixa das 19h. A audiência, muitas vezes, chegou a números surpreendentes, próximos ao do folhetim das 21h.

Muito desse sucesso deve-se ao carisma das três atrizes: Taís Araujo (Penha), Leandra Leal (Rosário) e Isabella Drummond (Cida). Todas as três com Maria no primeiro nome, mas conhecidas mesmo pelo segundo. Mulheres brasileiras acima de tudo: no nome e também na personalidade porque apesar das adversidades que passaram nunca perderam o desejo de lutar e de vencer. Talvez por isso tenham conquistado o Brasil e também a crítica televisiva. Na mesma novela, Titina Medeiros, que vive a empregada Socorro também convenceu e ganhou espaço, inclusive, muitas das cenas inesquecíveis de “Cheias de Charme” teve a participação direta ou indireta da atriz.

Depois de muitos anos, o horário das 19h recuperou o prestígio que tinha no passado. Ansioso para que o remake de “Guerra dos Sexos”, que está sendo reescrita também pelo seu titular Silvio de Abreu repita os mesmos números de Cheias de Charme. Não tenho dúvida que conseguirá tal proeza, pois a trama marcou toda uma geração nos anos 80, inclusive a minha.

Mas retornando à Cheias de Charme, tenho que parabenizar o brilhante texto dos autores. Lançar-se no mercado num trabalho solo ainda mais num horário tão competitivo e cobrado não é tarefa para qualquer um. Filipe e Izabel, apesar da experiência de colaboradores em outras novelas, podiam ter decretado suas próprias aposentadorias com esse texto. Ainda bem que o resultado superou qualquer perspectiva e já foi anunciado que a dupla poderá ocupar o posto deixado por Carlos Lombardi em 2013 (que foi para a TV Record), ou seja, garantia de um novo trabalho à vista.

Fico feliz em saber que a TV está abrindo espaço para novos talentos na dramaturgia. Essa abertura de mercado é fundamental para o fortalecimento e renovação do produto telenovela. Como tudo nessa vida, a dramaturgia também pede coisas novas e sangue diferente sempre faz muito bem. Palmas para quem valoriza o novo e se espelha no velho. Essa é a fórmula da vida: unir experiência com juventude porque são os ciclos que movem o mundo e a roda giratória humana.

Antes de Cheias de Charme, outras novelas também tiveram empregadas que se destacaram muito mais do que a sinopse previa. Vale ressaltar aqui que isso aconteceu por  mérito total de suas intérpretes aliado ao olho clínico do autor que percebeu o diamante bruto que tinha em mãos e que só precisava ser lapidado.

 Em “Fina Estampa”, por exemplo, de Aguinaldo Silva, uma dupla de empregados literalmente roubou a cena: o mordomo Crô Valério  e Marilda (Kátia Moraes), brilhantemente interpretado pelos dois conquistaram o público com seus bordões e bom humor. Os momentos mais divertidos da novela foram do núcleo deles. Fizeram tanto sucesso que  Crô e Marilda serão transportados também pelas mãos de Aguinaldo Silva para a telona dos cinemas. Garantia de muita diversão para todos os fãs que ficaram saudosos dessa dobradinha que deu certo.

Há de se destacar ainda que Kátia, ao contrário das protagonistas de Cheias de Charme, estreava na TV. Por esse motivo, todos os méritos devem ser atribuídos à atriz que estreou com os dois pés muito bem fincados na nossa telinha. Tiradas como “anã de jardim”, “pigméia”, “meia porção”, “chaveirinho” e o momento da desforra com Tereza Cristina (a vilã charmosa de Cristiane Torloni) marcaram definitivamente a personagem.


Atualmente, outra empregada rouba a cena em “Avenida Brasil”. Na novela de João Emanuel Carneiro que enfoca a guerra psicológica e a dubiedade entre as protagonistas Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella), toda história é centrada praticamente no núcleo do subúrbio, que acontece no fictício bairro do Divino. Até mesmo as personagens da zona sul estão mudando-se para o local. Mas é na mansão de Tufão (Murílio Benício), que uma empregada ganhou voz e vez: a Zezé (de Cacau Protásio). Apesar de ter feito outras novelas foi somente com sua hilária Zezé, que a atriz teve visibilidade, e assim como a Marilda de Fina Estampa, conquistou mais destaque.

Janaina (Claudia Missura) e Zezé (Cacau Protássio) sucesso ás 21 horas

Bem antes delas, não podemos nos esquecer de outras empregadas cativantes: a Mirna, da atriz Ilva Niño, em “Roque Santeiro”. Sua parceria com Regina Duarte era hilária e marcou época. As duas protagonizaram grandes cenas na fictícia Asa Branca.

Também não podemos deixar de lado as empregadas sensuais da nossa telinha que fizeram subir a temperatura e mexeram com os hormônios masculinos. No momento, Juliana Paes esbanja sensualidade com sua “Gabriela”- título homônimo da novela reescrita por Walcyr Carrasco, baseada na obra de Jorge Amado. Na versão original, Sonia Braga já tinha imortalizado a personagem. A mesma Juliana fez muito sucesso na sua estreia na TV, na novela “Laços de Família”, interpretando  Ritinha, a empregada que enlouquecia o patrão Danilo, vivido pelo galã Alexandre Borges.

Cris Viana também enlouqueceu o patrãozinho interpretado por Dudu Azevedo em “Duas Caras”. O seu Barretinho, papel de Dudu, passou grandes percalços até conquistá-la definitivamente e provar que não queria apenas uma noite de prazer. Abro aqui um parênteses para destacar a discussão do racismo muito bem inserida neste contexto. A química entre ambos funcionou muito bem e, em Fina Estampa, em personagens totalmente opostos, o casal também terminou junto.

Em “Mulheres Apaixonadas”, Roberta Rodrigues viveu a sensual Zilda, sonho de consumo do jovem Daniel Zettel, que interpretava o simpático Carlinhos, irmão da vilãzinha Dóris, de Regiane Alves. Ambos protagonizaram cenas muito quentes depois da explosão da relação, pois Zilda só provocava o garoto até render-se a ele.
Nesta homenagem às profissionais do lar, um tipo que não pode faltar neste texto são as empregadas com características tipicamente cômicas, ou seja, que foram escritas propositalmente com o intuito de provocar risos. A minha preferida neste grupo é a Solineuza, vivida por Dira Paes em “A Diarista”. Ao lado da amiga Marinete (Claudia Rodrigues), ambas viveram momentos inesquecíveis numa série que deixou  saudades. Outra memorável foi a Edileusa, de Claudia Jimenez, em “Sai de Baixo”. No mesmo humorístico, Sirene (também da Claudia Rodrigues) e Neide Aparecida (Marcia Cabrita) provocaram muitas gargalhadas. Tem também a hilária Araci, empregada de Perpétua, na novela “Tieta”. Sua choradeira em cena era motivo de alegria para mim em casa, pois me divertia horrores com a interpretação da atriz Andréa Paola.

Por fim, poderia enumerar aqui outras categorias de empregadas: as prestativas, as confidentes, as inimigas, as dissimuladas, as submissas, as tresloucadas, as vilãs,as escravas, as tímidas... São tantas que um artigo só ficaria pequeno para homenageá-las. Mas o que mais quero dizer é que as empregadas, seja na ficção ou fora delas, são muito importantes dentro da sociedade. Elas conquistaram com muita luta o espaço que sempre mereceram ter.

Em muitos casos, são consideradas como integrantes da própria família tamanha a importância que têm para aquelas pessoas. Só por isso merecem o nosso respeito e admiração. Particularmente, sempre gostei da inserção delas nas novelas e acho que as empregadas devem ser cada vez mais valorizadas pelos autores porque podem ter um papel decisivo numa trama e por quê não fora delas? Com a voz, nossas empreguetes do Brasil!!!     

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Titina Medeiros: a “brabuleta-revelação” de Cheias de Charme






quarta-feira, 26 de setembro de 2012

10 motivos que fizeram de “Cheias de Charme” uma novela inesquecível:




Que notícia triste, amadinhos! “Cheias de Charme” chega ao fim essa semana deixando uma legião de curicos órfãos dessa deliciosa novela que agradou do inicio ao fim, trazendo frescor e diversão para o horário das sete. Já entrou seguramente para a galeria das grandes novelas. Que venha Sílvio de Abreu e sua nova “Guerra dos Sexos”, mas antes vamos fazer um balanço da novela e enumerar alguns dos motivos pelos quais ela se tornou antológica. 


10) NOVELÃO MUSICAL:



A novela apostou em um gênero pouquíssimo explorado em nossa teledramaturgia: o musical. E o resultado não podia ter sido melhor. Os hits das Empreguetes, de Chayene e de Fabian, em pouco tempo, já foram parar na boca do povão. Quem nunca cantarolou “Voa voa brabuleta” ou “Vida de empreguete” que atire o primeiro CD. Além disso, os números musicais foram muitíssimo bem produzidos e toda a trama ambientada no universo do showbizz bastante verossímil.

9) NARRATIVA TRANSMÍDIA:
Pela primeira vez em nossa teledramaturgia, a internet foi utilizada de forma efetiva, complementando a trama televisiva. O hit “Vida de empreguete”, que na novela acabou vazando na rede, foi exibido primeiro na internet e teve milhões de acessos em pouquíssimos dias, alavancando ainda mais a audiência da novela. Além disso, a internet teve papel fundamental em vários desdobramentos da trama. Os autores mostram que não pararam no tempo e estão ligados na tecnologia dos dias atuais.




8) DIREÇÃO AFIADA:
De nada adiantaria uma boa trama e um elenco de peso se a direção não acompanhasse a qualidade da novela. Sob o núcleo de Denise Saraceni e direção geral de Carlos Araújo, os diretores deram agilidade à trama e embarcaram pra valer no estilo kitsch e divertido da saga das empreguetes. E os números musicais sempre foram valorizados ao máximo.

7) IDENTIDADE VISUAL:
Poucas novelas tiveram uma identidade visual tão forte quanto “Cheias de Charme”, o que a tornou inconfundível. Tudo isso graças ao incrível trabalho de figurino, cenografia, produção, direção de arte, tudo na mais absoluta sintonia com a trama, um conto de fadas moderno cheio de charme e com muito glitter.

6) DRAMA NA MEDIDA CERTA:



Se “Cheias de Charme” foi uma novela que mergulhou no humor com tudo sem o menor pudor, também não deixou a desejar no drama, dando a dimensão humana necessária para que os personagens cômicos não se tornassem meros tipos de programas humorísticos.
Além disso, os elementos indispensáveis do velho e bom melodrama não faltaram, como a trama que envolvia Cida (Isabelle Drummond) com a família Sarmento, passando de empregada à dona da casa, o que rendeu ótimas atuações, não só de Isabelle, mas também de toda a família com destaque para Tato Gabus e Alexandra Richter, que provou que pode ir muito além de uma atriz cômica, protagonizando cenas dramáticas com a mesma competência com que faz comédia. 

A questão do duplo, sempre muitíssimo bem explorada nas tramas de Janete Clair, aqui também ganhou uma divertida versão com os sósias Fabian e Inácio, ótimo trabalho de Ricardo Tozzi, sobretudo nessa reta final em que teve que interpretar um personagem fingindo ser outro.



Outro grande destaque dramático ficou por conta de Malu Galli, a “patroete” do bem, Lígia, que teve peso de uma protagonista durante a novela inteira e também emocionou o público com seus dramas amorosos e familiares. Como não amar Lígia e torcer por sua felicidade? Além do drama na medida certa, o talento e o carisma da atriz contribuiu bastante para o sucesso da personagem.

5) ELENCO DE PRIMEIRA:

Além dos destaques já citados no elenco, a novela contou com um time de peso: ótimos veteranos e um elenco jovem dos melhores. Muitos foram os destaques e raríssimas foram as exceções. Nomes consagrados como Aracy Balabanian, Edney Giovenazzi, Ilva Niño (adorável), Maria Pompeu, Marcos Palmeira (surpreendente), Leopoldo Pacheco, Dhu Moraes e Daniel Dantas dividiram a cena com um ótimo time jovem, com destaque para Chandelly Braz (como não amar Brunessa?), Humberto Carrão, Simone Gutierrez, Gisele Batista, Tainá Muller, Fabio Nepo e muitos outros, todos ótimos em seus personagens. O trabalho de Kika Kalache também merece destaque como Ivone, a empreguete evangélica amiga de Penha, longe de estereótipos e também adorável. Enfim, o elenco foi um dos maiores acertos da novela e estou até sendo injusto não citando os demais atores. Mais uma vez, ponto para os autores que, generosos, souberam dar a cada um o momento e a oportunidade certa para brilharem.


4) BRABULETA-REVELAÇÃO:



Ela já foi mencionada no texto anterior sobre a novela escrito por Marcio Adson, mas nunca é demais rendermos todos os elogios à “quarta empreguete” Socorro, em genial interpretação de Titina Medeiros, de longe a maior revelação do ano. Contracenando com nomes de peso, a atriz não deixou a peteca cair e foi a responsável por muitos dos mais hilariantes momentos da trama. A cena em que ela emerge do rio a la Isadora Ribeiro na abertura do “Fantástico” já entrou para a galeria das mais engraçadas da televisão. E nessa reta final, também esteve impagável como Lady Praga. Vida longa para sua carreira televisiva.

3) CLAUDIA ABREU:



O que a guerrilheira Heloísa, a cachorra Laura e a esfuziante Chayene têm em comum? Quase nada, salvo o fato de serem interpretadas pela mesma atriz, a camaleônica e multitalentosa, Claudia Abreu, que fez de sua Chayene um verdadeiro furacão. Mesmo cometendo as piores vilanias, não tem como não amar a irresistível “brabuleta”, que sempre tinha uma ótima tirada na ponta da língua e sempre se dava mal em suas armações, lembrando os clássicos vilões de desenho animado. Mais um trabalho impecável de Claudia Abreu, que deu um novo giro de 180 graus em sua carreira, provando ser capaz de fazer absolutamente TUDO em cena. Chayzinha, sem dúvidas, vai deixar muitas saudades. Os versos “ela se acha toda toda toda toda, faz o que der na veneta e o resto que se exploda” não vão sair tão cedo de nossa memória e são a melhor tradução da personagem. A “brabuleta-rainha” vai voar, mas certamente não vai sair nunca mais do coração do público.

2) AS EMPREGUETES, É CLARO!

Em tempos em que somente as vilãs dominam a cena e as mocinhas, quase sempre, ficam em segundo plano, elas conseguiram uma proeza: foram as que mais brilharam do início ao fim e, de cara, já atraíram a paixão por parte do público. Diferentes entre si, mas genialmente complementares, essas Marias foram o centro das atenções, dividiram opiniões quando separadas e ganharam a torcida para ficarem juntas até o fim. Mérito absoluto das atrizes, que fizeram bonito com os ótimos personagens que ganharam. Cida, a mais romântica, espécie de Cinderela pós-moderna, mas que também soube ir à luta, ganhou doçura e força na medida certa na interpretação de Isabelle Drummond;  Penha, a que mais representa o imaginário da mulher brasileira, guerreira, amiga, emocionante e emocionada, com seu jeito todo peculiar de falar, explodiu em popularidade na brilhante atuação de Taís Araújo; e Rosário, a grande heroína da trama, símbolo da determinação e da garra na busca de seus ideais, teve em Leandra Leal a intérprete perfeita. Mesmo ganhando a antipatia por parte do público por colocar a carreira em primeiro lugar, é inegável: Rosário é a alma da novela. E Leandra Leal, mostrou mais uma vez, que é uma das melhores atrizes de sua geração. O trio foi absolutamente perfeito e a química das três atrizes funcionou desde o início. Por isso, mais do que entrechos amorosos e a busca pelo sucesso, “Cheias de Charme” é, acima de tudo, uma ode à amizade.



1) TEXTO IMPECÁVEL:

Claro que sou suspeitíssimo por colocar o texto em primeiro lugar, mas seria impossível não valorizar o trabalho impecável dos estreantes Filipe Miguez, Izabel de Oliveira e seu time de colaboradores: Daisy Chaves, Izabel Muniz, João Brandão, Laís Mendes Pimentel, Paula Amaral e o grande Sérgio Marques, além, é claro, da supervisão de Ricardo Linhares, que soube respeitar completamente o estilo da trama. Um fator fundamental para que a novela fosse um grande acerto é o fato de sua história compacta e seu enredo ter sido muitíssimo bem construído. Nenhum fio da trama era solto e uma situação parecia sempre levar à outra, consequência de uma estória que parece ter sido pensada e planejada há muito tempo, além, é claro, dos diálogos inspiradíssimos. Mesmo depois que a trama caiu um pouco por conta da separação das Empreguetes, era notório o esforço da equipe em criar novos entrechos e situações até a retomada da trama central. Enfim, uma combinação perfeita dos elementos tradicionais do folhetim com o ritmo, agilidade e criatividade dos tempos de hoje.

“Cheias de Charme” vai deixar saudades e uma difícil missão para sua sucessora: segurar o enorme sucesso que conquistou.

Até eu congelei no glitter...

E vocês, sentirão saudades da novela? Quais foram os maiores destaques?

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Cheias de Charme transcende ao sucesso e vira fenômeno.



As "empreguetes" Cida (Isabelle Drummond), Rosário (Leandra Leal) e Penha (Taís Araújo) conquistaram  o público

Dia desses entrei em uma dessas lanchonetes fast food aqui perto de casa. Estava na hora da exibição de “Cheias de Charme” bem no momento de um show das Empreguetes. Fiquei surpreso com o que aconteceu ali: as máquinas simplesmente pararam! Hamburgeres deixaram de serem grelhados por um momento, atendentes paralisaram seus serviços no caixa e clientes simplesmente ignoraram o cardápio. Todos, inclusive eu, ficaram parados diante da tevê até o número musical chegar ao fim. E isso, claro, acompanhado de comentários de todos, que procuravam eleger sua empreguete favorita. Não tive dúvidas: estava diante de um fenômeno, não só de audiência, mas de popularidade e repercussão (embora pareça a mesma coisa, nem sempre esses três elementos caminham juntos). Mas a que se deve esse fenômeno?

A verdade é que ninguém sabe ao certo o que faz de uma novela um sucesso. Se tivesse uma fórmula pronta, tudo seria mais fácil (e também mais monótono). Embora não haja uma resposta exata para essa questão, podemos enumerar alguns fatores que contribuem pra isso. O primeiro deles é que “Cheias de Charme” não é uma novela acomodada, no sentido de utilizar clichês e soluções fáceis. É uma novela que parece ter sido pensada há muito tempo pelos autores, por isso todas as tramas caminham bem, dialogam entre si e progridem juntas. Podemos citar também o texto inspiradíssimo, cheio de referências pop e linguagem afiada e antenada com as gírias e jargões da atualidade. Os autores não economizam trama e já promoveram vários momentos catárticos para delírio do espectador, como o primeiro show das Empreguetes, a saída de Cida (Isabelle Drummond) da casa dos Sarmentos e, essa semana, o triunfo de Elano (Humberto Carrão) sobre Conrado (Jonatas Faro). Há também uma identidade visual que a torna única, uma direção ágil e um elenco afiadíssimo, que parece se divertir tanto quanto os espectadores.
Na primeira semana da novela, publiquei um texto que dizia que “Cheias de Charme” trazia o frescor da novidade e não estava errado. Claro que as três empreguetes e Chayene (Claudia Abreu) são os grandes destaques. Mas a novela tem dado a oportunidade de muita gente brilhar, como a estreante Titina Medeiros, que tem feito o Brasil gargalhar com a hilária e sem noção Socorro; e Lygia (Malu Galli), a “patroete” do bem, que enfrenta uma crise familiar, profissional e de saúde. Assim como uma orquestra afinada, a novela dá a oportunidade de todos os instrumentos musicais, no caso os personagens, se sobressaírem e terem seu momento durante o concerto. Isso faz com que a peteca não caia nunca e faça o espectador ficar sempre empolgado com alguma trama em evidência, enquanto outras tramas “descansam”.

Apesar desse “frescor”, é inegável que a novela também nos remete às grandes e memoráveis comédias dos anos oitenta, sobretudo as de Sílvio de Abreu e Cassiano Gabus Mendes. Há tempos venho refletindo sobre isso e é sempre temeroso fazer comparações, mas depois do capítulo de ontem, no qual Elano desmascarou o esquema dos Sarmentos, arrisco a dizer que “Cheias de Charme” é minha novela das sete favorita desde “Cambalacho” (1986), de Sílvio de Abreu. E mais ainda: as duas novelas são da mesma família.

 Tina Pepper (Regina Casé) e Chayene (Claudia Abreu): fenômenos de popularidade

“Cambalacho” também teve uma personagem popularíssima ligada ao meio musical, cujo hit transcendeu aos capítulos da novela. Quem viveu os anos 80 não esquece os versos de “Você me incendeia”, megahit da espalhafatosa Tina Pepper (Regina Casé) que, a exemplo de Chayene, não valia nada, mas caiu nas graças do público e chegou a participar do “Cassino do Chacrinha”, o programa de auditório mais popular daquela época. E a exemplo de “Cambalacho”, cuja temática central era, através do humor, discutir honestidade, ética e o tal “jeitinho brasileiro” para vencer na vida, “Cheias de Charme” também se aproximou dessa temática e marcou mais um golaço. Num tempo em que as vilãs são cheias de frases de efeito, se tornando mais populares que as mocinhas, a discussão do capítulo de hoje em torno do assunto foi sensacional, sem ser chata, didática ou careta. No melhor estilo a la "Vale Tudo",  fomos brindados com atuações irrepreensíveis de Humberto Carrão, Leopoldo Pacheco, Taís Araújo, Tato Gabus e Alexandra Richter. 

Cena do sensacional embate entre Elano (Humberto Carrão) e Conrado (Jonatas Faro): ética e honestidade em jogo
A novela já era o máximo na comédia. Hoje, os autores mostraram que também são feras em dar aos personagens a dimensão humana necessária para arrasarem nas cenas dramáticas. E a sequência final do tão esperado beijo de Cida e Elano fechou o capítulo com chave de ouro, dando aquele gostinho de “quero mais”. Por essas e outras, essa novela é um pacote completo. Mais do que um sucesso que apenas garante bons índices de audiência e faturamento para a emissora, "Cheias de Charme" tem tudo para entrar pra galeria das grandes novelas e se tornar memorável! Vida longa para Filipe Miguez, Izabel de Oliveira e toda a equipe de roteiristas, que injetaram um fôlego invejável no horário das sete, sabendo reunir o melhor do passado, com inspiradas referências do presente e vislumbrando um promissor futuro para nossa teledramaturgia.

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sábado, 10 de dezembro de 2011

Série Memória Afetiva: AS EMPREGADAS FAVORITAS DA FICÇÃO.





Para marcar a estreia do novo banner do melão, decidimos homenagear essas lindas. Elas não podem faltar em qualquer novela. Podem tanto ser a razão de ser produções em “Sem lenço sem documento” (1977), de Mario Prata e em breve em “Marias do Lar”, próxima novela das sete, quanto entrarem mudas e saírem caladas. As mais falantes e participativas, sem dúvida, são as das novelas de Manoel Carlos. Podem ser cômicas, trágicas, bandidas, amigas, sérias, boazudas... o fato é que são indispensáveis. E como são muitas (lógico que muitas injustiças serão cometidas nesse post), resolvi dividir a autoria da lista com meu amigo Eddy Fernandes, parceiro antigo do melão, já que a ideia foi dele. Pedi para que ele escolhesse 5 de suas favoritas e depois complementei com as minhas 5. Vamos a elas?


AS PREFERIDAS DO EDDY



CONCEIÇÃO (MARIA ALVES) em Baila Comigo (1981): 



Impossível deixar de mencionar a primeira das adoráveis domésticas de Manoel Carlos. Como todas as suas sucessoras, Conceição estava sempre disposta a ajudar. Era confidente, conciliadora, amiga. O verdadeiro anjo da guarda da sofrida protagonista Helena (Lílian Lemmertz). A verdade é que muito do mérito da personagem se deve à sensível interpretação da saudosa Maria Alves, que impôs à Conceição um jeito meigo e divertido. Daquela pessoa que está na família há tantos anos que já se tornou parte de casa.


TELEVINA (KLEBER MACEDO) em A Gata Comeu (1985):


A musa de nós, noveleiros! Sem dúvida alguma, Televina formou o caráter da maioria! Lembro que quando assisti a reprise da novela em 2001, me senti absolutamente encantado com a presença de uma personagem viciada em novelas. Tinha pouco mais de nove anos de idade e aquilo era algo absolutamente novo para mim. Só pude ter a exata dimensão da personagem no início do ano, vendo a novela numa espécie de “Vale a Pena Ver de Novo” particular... rs! Televina não era mera ilustração. Tinha importância capital na vida dos patrões, os atores Rafael (Eduardo Tornaghi) e Tony (Roberto Pirillo). Era uma espécie de “mãe” para os dois rapazes. Além de, é claro, prestar uma homenagem ao folhetim eletrônico a cada capítulo com suas referências saborosas. Grande sacada da mestra Ivani Ribeiro, flertando com a metalinguagem.


GERMANA (ARACY BALABANIAN) em Da Cor do Pecado (2004): 


A fiel funcionária dos Lambertini era um “cão de guarda” sempre disposto a defender o patriarca Afonso (Lima Duarte) das armações da perigosa Bárbara (Giovana Antonelli). Apaixonada secretamente pelo patrão, Germana criou Paco (Reynaldo Gianechinni) como filho e foi cúmplice de Afonso na trama que separou o problemático herdeiro de seu irmão gêmeo, o irreverente Apolo, e de sua mãe biológica, a Mamuska Edilásia. Apesar das atitudes questionáveis do passado, Germana era uma figura doce e sensata. Sua afetividade é premiada antes do término da trama, quando finalmente realiza sua paixão por Afonso, casando-se com ele. A felicidade, no entanto, dura pouco, pois o empresário é assassinado pelo terrível vilão Tony (Guilherme Weber). A governanta, mesmo destroçada, não se abala, por ter a noção que é o grande estertor emocional daquela família. Grande personagem escrito por João Emanuel Carneiro, brilhantemente defendido pela nossa eterna dona Armênia.

SHEILA (PRISCILA MARINHO) em Caminho das Índias (2009): 

A espevitada personagem era a maior fã da patroa, a surtada socialite Melissa Cadore (Christiane Torloni) e sua maior cúmplice nos delírios e ataques de consumismo. Sheila esteve também muito presente durante o processo de avanço da esquizofrenia de Tarso (Bruno Gagliasso), o filho “perfeito” de Melissa. Apesar da tinta cômica, a autora Glória Perez soube manejar a doméstica inteligentemente, usando-a como “orelha” da fútil matriarca, que expunha finalmente um lado mais humano e menos plastificado. Ótima estréia de Priscila Marinho.




CLEONICE (VERA MANCINI) em Morde & Assopra (2011): 


A boquirrota serviçal passou grande parte dos capítulos sendo humilhada pela esnobe patroa Salomé (Jandira Martini) e sua filha, a vilãzinha Celeste (Vanessa Giácomo). Cleonice era uma verdadeira escrava. Lavava, cozinhava e ainda agüentava desaforos. É certo que, bastante linguaruda, sempre metia o nariz onde não era chamada. E mantinha uma relação de implicância velada com a avarenta Salomé. Mas uma jogada perspicaz do autor Walcyr Carrasco, levou Cleonice à forra. Ainda no meio da trama, Salomé, para não ter que decretar falência, se viu obrigada a transferir seus bens para a doméstica, acreditando que ela, ingênua, não lhe oferecia risco. Ledo engano. Influenciada por Élcio/Elaine (Otaviano Costa), Cleonice tomou um banho de loja e proporcionando a catarse dos espectadores, transformou sua algoz em empregada, fazendo-a sofrer as mesmas humilhações que lhe impunha. Não preciso nem dizer o quanto foi divertido acompanhar isso... rs! Vera e Jandira deitaram e rolaram em cenas hilárias.

AS PREFERIDAS DO VITOR



ZILDA (THALMA DE FREITAS) E LÍDIA (THALITA CARAUTA), de Laços de Família (2000) e Páginas da Vida (2006):

Empate técnico. Duas adoráveis representantes da nobre linhagem de empregadas de Manoel Carlos. Lídia e seu indefectível “Ô Donelena”, vivida pela talentosa Thalma de Freitas era adorável: companheira, conselheira e fidelíssima à patroa, segurava todas as ondas da casa, apagava os incêndios e mediava os conflitos entre Helena (Vera Fischer) e a filha Camila (Carolina Dieckmann) e desta última com a endiabrada Íris (Debora Secco). Tudo com muito dengo, doçura e um irresistível sotaque baiano.


Já Lídia (Thalita Carauta, muito anterior à babuína Janete do “Zorra Total”), conquistou o público pela desenvoltura e pelo carinho com o qual cuidava de Clarinha (Joana Mocarzel), filha da patroa Helena (Regina Duarte), portadora de Síndrome de Down. Em sua primeira novela, Thalita já demonstrava uma naturalidade impressionante e grande capacidade de improvisação, já que as cenas com Joana, muitas vezes, eram imprevisíveis. Atriz cômica de mão cheia, a personagem Lídia é uma prova da versatilidade de Thalita.



OLÍVIA (MARILU BUENO) em Guerra dos Sexos (1983)

Essa, literalmente, ficava no meio do fogo cruzado dos primos Charlô (Fernanda Montenegro) e Otávio (Paulo Autran). Claro que sobrou torta na cara pra coitada também. De personalidade reprimida, tinha momentos de lascívia ao pensar em Nando (Mario Gomes) e até chegou a trocar beijos com o galã. Muitos méritos para Marilu Bueno, que soube aproveitar a oportunidade e também se destacar em um núcleo repleto de grandes nomes. Impossível se lembrar da lendária novela sem incluir a atrapalhada Olívia.


LUCIMAR (MARIA GLADYS) em Vale Tudo (1988)

Outra que soube se destacar em meio a atuações titânicas. Como diarista, transitava em vários cenários e levava e trazia a fofoca entre eles. Seus comentários cheios de humor e ironia arrancavam gargalhadas do público. Sempre que cruzava com Fátima (Gloria Pires), a filha ingrata da patroa Raquel (Regina Duarte), lhe dizia poucas e boas. A coitada chegou a ficar entre a vida e a morte por causa de uma maionese envenenada, mas teve um final digno de estrela, ao se tornar milionária ganhando no jogo do bicho e se transformando numa espécie de Odete Roitman (Beatriz Segall) da classe C. Maria Gladys viveu outras empregadas e diversos tipos impagáveis, mas sua Lucimar se tornou emblemática na carreira da atriz.


MINA (ILVA NIÑO) em Roque Santeiro (1985)


Até hoje o grito tribal de Porcina (Regina Duarte), “Minaaaaaaaaa”, chamando pela serviçal, ecoa no imaginário do público. E como não amar essa criatura tão fiel, carinhosa e dedicada, apesar dos pontapés que levava da patroa? E se essa figura é vivida pela extraordinária Ilva Niño, o amor é elevado ao cubo. Mina talvez tenha sido a mais fiel e devotada das empregadas. Conhecia todos os segredos da patroa e a ajudava a se livrar das mais diversas enrascadas. E em determinados momentos, era a única a dizer verdades para Porcina de maneira hilária e sutil. Mina é um clássico que não pode faltar em qualquer lista.


NICE (GLORIA PIRES E SUSANA VIEIRA) em Anjo Mau (1976/1997)



A babá mais famosa do Brasil. Como vi pouquíssimas cenas da novela original de Cassiano Gabus Mendes de 1976, vou falar de mais uma atuação espetacular de Gloria Pires na nova versão da novela de 97. Insatisfeita com sua condição social e disposta a tudo para vencer na vida, Nice realizou várias armações para conquistar o coração do patrão Rodrigo (Kadu Moliterno), mas acaba se apaixonando de verdade por ele. Se na primeira versão, Nice não foi perdoada pelas suas artimanhas e foi punida pelo autor com a morte, na nova versão foi perdoada por Maria Adelaide Amaral, afinal não é crime algum uma pessoa querer um objetivo e lutar por ele. Na verdade, essa Nice começou a novela ambiciosa, mas foi se transformando, até se tornar boa e ética. Com isso, o posto de verdadeiro “anjo mau” da novela foi parar nas mãos da maquiavélica Paula (Alessandra Negrini em show de atuação). E a redenção de Nice vem acompanhada do amor de Rodrigo e do nascimento da filha do casal, Vitória. Susana Vieira fez uma participação afetiva no último capítulo como a babá substituta. Os tempos, de fato eram outros e a autora, sabiamente, soube acompanhar essa mudança.

MENÇÃO HONROSA: BÁRBARA (BETTY FARIA) em Duas Caras (2007/2008)

Mais do que uma empregada, Bárbara conhecia todos os segredos do patrão Marconi Ferraço (Dalton Vigh) e era a pessoa em que ele mais confiava na vida, sendo inclusive a responsável pela iniciação sexual do rapaz. Anos depois, permanecia cuidando de Ferraço como a mais fiel das gueixas e, quando foi ameaçada por Sílvia (Alinne Moraes), colocou a vilazinha em seu devido lugar, provando que antiguidade é posto. A cena em que Bárbara dá uma chave de braço em Sílvia, chamando-a de “diabinha” é uma das minhas favoritas da novela. Grande atuação de Betty em um papel aquém de seu talento. Vamos rever a cena?




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Sei que faltaram muitas e inesquecíveis representantes da classe. Por isso, o melão dá a palavra a vocês? Quais são suas domésticas favoritas da ficção?
  

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