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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

OS MELHORES PRIMEIROS CAPÍTULOS – Ponto de partida para uma boa novela.



Por Wesley Vieira – Blogueiro convidado


O primeiro capítulo de uma novela, obviamente, é o chamariz para toda a história que irá se desenrolar ao longo dos próximos meses. Quando bem amarrado, fisga o telespectador de imediato. Alguns clichês são necessários para chamar a atenção, como as cenas de ação e os amores à primeira vista. Também é essencial um melhor acabamento estético para impressionar o público. Não necessariamente um bom primeiro capítulo é sinal de novela boa, assim como um primeiro capítulo ruim não é sinal de novela ruim. Aqui no Melão, listei 10 melhores primeiros capítulos na minha humilde opinião. Claro que muitos excelentes ficaram de fora, mas citarei apenas aqueles que eu vi e gostei. 


Celebridade – Primeiro capítulo exibido no dia 13/10/2003




Fama, inveja e vingança eram os temas centrais dessa moderníssima trama de Gilberto Braga. Nesse excelente primeiro capítulo, como sempre, a agilidade na apresentação das tramas e personagens - marca registrada do autor: Considero esse primeiro capítulo como uma espécie de prólogo para mostrar, logo de imediato, o que seria a espinha dorsal da novela: as armações de Laura (Claudia Abreu) para pegar o lugar de Maria Clara (Malu Mader) em um misto de inveja e vingança. Um curioso recurso foi utilizado para “familiarizar” os personagens: na medida em que eles iam aparecendo, a imagem congelava e seus nomes eram grafados na tela. O capítulo, resumidamente, mostra as artimanhas de Laura para conseguir um emprego de secretária na produtora de Maria Clara Diniz, famosa empresária do mundo da música. Humilde, a jovem disputa uma vaga, mas não obtém êxito. Ela, então, parte para o plano B: Marcos (Marcio Garcia) seqüestra Maria Clara e Laura surge para defendê-la. O seqüestro, aliás, vira um acontecimento televisivo, algo tipicamente hollywoodiano, afinal Maria Clara é uma celebridade. Tiros, explosões, muitos flashes... E a promoter consegue escapar do bandido. Em forma de agradecimento, Laura ganha o cargo de secretária. Um brinde! Mas nesse primeiro capítulo, personagens como Darlene (Débora Secco) e o bombeiro Vladimir (Marcelo Farias) também eram apresentados. Ela queria ser famosa. Ele, o namorado, não. Por ironia do destino, é Vladimir quem salva Maria Clara de uma explosão e por esse ato, ele será reconhecido. Outro importante personagem é o arrogante jornalista Renato Mendes (Fábio Assunção) disputando o seu alto ego com Maria Clara. O capítulo fecha com o prenúncio do que viria pelos próximos capítulos: Laura e Maria Clara brindam pela felicidade: “Você vai ter tudo o que sempre mereceu”, dispara a falsa boazinha. Capítulo perfeito!


Tieta – Primeiro capítulo exibido no dia 14/08/1989




Inesquecível novela baseada no livro de Jorge Amado, “Tieta” arrebatou o público ao mostrar as deliciosas histórias criadas pelo grande autor baiano. De forma simples, mas interessante, os autores centralizaram o capítulo em Ascânio (Reginaldo Faria) e seu retorno a Santana do Agreste. Após muitos anos vivendo no Rio, ele está de volta e reencontra todos os amigos que deixara para trás. Seria óbvio iniciar a novela justamente com a protagonista-título, porém o reencontro de Ascânio com os amigos serviu para que eles contassem o que aconteceu com aquela “cabritinha apetitosa”. Entra o flashback mostrando os assanhamentos de Tieta envolta com os homens da cidade. Assim, o público já reconhece que sua irmã, Perpétua, é a grande invejosa da história. É ela a responsável pelo flagrante que o velho Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos) dá em Tieta, no momento de prazer com Lucas (Herson Capri). Quem não se lembra do “ypsilone duplo”? Diante dos moradores da cidade, Zé Esteves dá uma surra na filha e a expulsa da cidade. Ela jura que voltará para se vingar. A ação volta aos dias atuais e com a morte do pai, Ascânio decide ficar de vez na cidade. Ele volta para o Rio e se casa com Helena (Françoise Fourton), que opõe radicalmente à mudança. O capítulo termina em Helena desesperada com a nova vida que Santana do Agreste lhe reservará dali em diante. 


Fera Ferida – Primeiro capítulo exibido no dia 15/11/1993



Vingança, tema recorrente em muitas histórias, também era o pilar principal desta trama baseada em histórias de Lima Barreto e escrita pelo trio Aguinaldo Silva, Ana Maria Morethzon e Ricardo Linhares. Este primeiro capítulo, forte e conciso, iniciava com Raimundo Flamel (Edson Celulari) a caminho de Tubiacanga, sua cidade natal, de onde teve que fugir quando ainda era criança. Gusmão (Ewerton de Castro), seu fiel escudeiro, ouve a sua triste história e entra flashback, revelando a saga do rapaz. Seu pai, Feliciano Mota da Costa (Tarcisio Meira), o prefeito, acredita que a cidade possui minas de ouro e tendo o apoio dos companheiros poderosos, entre eles o Major Emiliano Bentes (Lima Duarte), revela uma grande pepita de ouro para a população que fica alvoroçada com o achado. Logo, ele convence o povo a entregar suas economias para a construção de uma mineradora em Tubiacanga. No entanto, a cidade é invadida por garimpeiros que souberam da notícia e quando Feliciano volta da capital com o dinheiro do povo convertido em dólares, todos descobrem que a pepita era falsa. Clímax. Feliciano é perseguido pelo povo e para piorar, o dinheiro some misteriosamente. Além de mentiroso, todos o chamam de ladrão. Encurralado, ele foge com a esposa e o filho numa canoa, mas é atingido por um pistoleiro. Sua esposa também morre e Feliciano Júnior enterra os pais. Ele jura se vingar de todos. Quase ao final do capítulo, a ação volta para a atualidade e Raimundo Flamel faz mistério de seu retorno à cidade para curiosidade dos poderosos que foram responsáveis pela derrocada de sua família.  


Corpo a Corpo – Primeiro capítulo exibido no dia 26/11/1984

A novela que contava a história da mulher ambiciosa que faz pacto com o diabo para ascender profissionalmente, teve um primeiro capítulo excelente e muito bem amarrado. Em um tom bastante ágil, conhecemos os personagens principais, entre eles, Eloá (Débora Duarte) que trabalha na Fraga Dantas como engenheira e tem aspirações maiores que o marido Osmar (Antonio Fagundes). Por não ter sido escolhida para ir ao Japão, inconscientemente, ela deseja a morte de todos da família e no mesmo dia, descobre que a esposa de Alfredo Fraga Dantas (Hugo Carvana) morreu. Uma sequência de tirar o fôlego é a enchente em Santa Catarina, fato que levará Rafael (Lauro Corona), sua mãe e sua noiva ao Rio. A discreta aparição de Tereza (Glória Menezes) revela que há algum mistério ao redor daquela mulher, que, de forma suspeita, aborda Bia (Malu Mader) após o término da missa de sétimo dia de sua mãe. Quando Cláudio (Marcos Paulo) sofre um espancamento, é Tereza a escolhida para cuidar dele. O capítulo termina com Eloá em uma festa conhecendo o suposto diabo – entrecho que vai permear toda novela.


Vereda Tropical – Primeiro capítulo exibido no dia 23/07/1984


Sem dúvida, a minha novela das sete preferida tinha que entrar nessa lista. Anárquico e movimentado, o capítulo de estreia da primeira novela de Carlos Lombardi com supervisão de Silvio de Abreu, teve todos os bons ingredientes para torná-lo memorável. Cenas rápidas e divertidas deram o tom que seria característica principal do folhetim. A novela começa no ano de 1976, em Belém do Pará, onde mora Silvana (Lucélia Santos), uma simples operária que se apaixona por Vitor (Lauro Corona), rapaz rebelde, filho do poderoso Oliva (Walmor Chagas). Como Vitor gosta de se sentir livre, ele foge enquanto Silvana dá à luz na beira do cais. Nesse momento, uma bonita sonoplastia de Ave Maria sobrepõe aos berros da mocinha (esse recurso foi utilizado porque os censores não gostaram de ouvir os gritos de Silvana. Os autores, então, prometeram inserir a música para que a cena não fosse cortada). Desde então, Silvana vive fugindo do sogro e em 1984 ela está em João Pessoa onde mora com a avó e o filho, Zeca (Jonas Torres). Conhecemos o atrapalhado Oliva e suas três filhas, entre elas, a ambiciosa Catarina (Marieta Severo) e Verônica (Maria Zilda), femme fatale, que está na Espanha aproveitando a vida e, de quebra, seduzindo os homens. Uma das melhores cenas é quando ela provoca uma briga no cassino e consegue se livrar, linda e poderosa, do local. Claro, o capítulo, também, apresenta Luca (Mario Gomes), o jogador de futebol correndo atrás da sorte e se metendo em muitas confusões, principalmente com a feiosa Clô (Regina Casé), filha do diretor do time, que descobre o romance e coloca os capangas para pegá-lo. Ligando todos os núcleos, está a Vila dos Prazeres onde a fábrica de perfumes CPP, de propriedade de Oliva, e a cantina italiana La Tavola de Michele, comandada por Bina (Georgia Gomide), a mãe de Luca, estão instaladas. Oliva consegue raptar o neto e o leva para São Paulo. Em ritmo de muita ação, o capítulo fecha com Luca se livrando dos capangas.


Vale Tudo – Primeiro capítulo exibido no dia 16/05/1988


Gilberto Braga é mestre em excelentes primeiros capítulos. Ele sabe, como ninguém, mexer com todos os recursos folhetinescos para fisgar o telespectador já no início de suas narrativas.  Nessa célebre novela, o capítulo número um não seria diferente. Poucos personagens foram apresentados nesse início. Basicamente, o capítulo mostra Raquel (Regina Duarte) começando uma nova vida ao lado da filha em Foz do Iguaçu, após uma separação traumática. Anos depois, Maria de Fátima (Glória Pires), sua filha, é uma jovem ambiciosa, cansada da vida modesta e com vergonha da mãe que trabalha como guia turística. Sonhando com o Rio de Janeiro, ela conhece o modelo César Ribeiro (Carlos Alberto Ricceli) e vê nele a chance para sair daquela vida. Na base das artimanhas, Maria de Fátima consegue fazer figuração para uma sessão de foto e descobre que César precisa de alguém que arrume um jeito para passar uns produtos pela alfândega. É assim, que entra em pauta um importante debate sobre corrupção que dará o tom à novela inteira. Salvador (Sebastião Vasconcelos) morre e deixa a casa como herança para a neta. Nos minutos finais, Raquel descobre que a filha vendeu o imóvel e levou todo o dinheiro. Um capítulo simples, mas deliciosamente bem amarrado. 


A Gata Comeu – Primeiro capítulo exibido no dia 15/04/1985




Simplesmente Ivani Ribeiro. E isso já diz muito. Ivani, uma das maiores novelistas da televisão brasileira, prezava pela simplicidade e por isso mesmo arrasava. E A Gata Comeu é um clássico do horário das 18 horas. O capítulo começava enquadrando o Pão de Açúcar, localizado na Urca, bairro que centraliza a ação da novela. O professor Fábio (Nuno Leal Maia), em sala de aula, cita o nome de todos os alunos que irão participar de uma excursão com a lancha emprestada pelo importante empresário, Horácio Penteado (Mauro Mendonça). É quando entra em cena, a linda Jô Penteado (Cristiane Torloni) – ao som de “Só Pra o Vento”, música do Ritchie - moça mimada que, por ironia do destino, sugere ao noivo um passeio na mesma lancha no próximo feriado. Nesse ínterim, o impagável casal Gugu (Claudio Correia e Castro) e Tetê (Marilu Bueno) aparece e já arrancam risadas dos telespectadores. Tipos adoráveis que viviam às turras, eles são convidados a participarem da mesma excursão e soltam um “Topo, Gugu!” que adotei pra minha vida. Depois, descobrimos que Paula (Fátima Freire), a noiva de Fábio, trabalha na agência de turismo que pertence a Horácio. Está amarrada a teia. Após uma discussão com Jô, ela é demitida, mas tem a chance de participar da excursão como convidada do noivo. Jô, que se tornou a sua arquiinimiga, a barra na entrada do cais causando tremenda confusão. É nesse momento que Fábio e Jô se conhecem e a antipatia é recíproca. O capítulo termina com o motor da lancha explodindo em alto mar, gancho para os próximos capítulos, quando essa turma ficaria perdida durante muitos capítulos em uma ilha deserta. 

Louco Amor – Primeiro capítulo exibido no dia 11/04/1983

Em uma narrativa bastante ousada para a época (e incrivelmente inovadora, até, para os dias de hoje), Gilberto Braga utilizou o recurso do “flashback dentro do flashback”, fazendo deste, um dos melhores primeiros capítulos já exibidos (em minha opinião, claro). Já em tom de flashback, a trama começa durante a festa de 17 anos de Patrícia (Bruna Lombardi). Ali está o mocinho, Luiz Carlos (Fábio Junior), apaixonado pela aniversariante, mas obrigado pela madrasta da moça a servir os convidados. A partir daí, ele relembra os primeiros momentos de sua chegada à mansão de Edgar Dumont (José Lewgoy), quando ainda era criança, passando para a descoberta do amor até chegar ao primeiro clímax quando a malvada Renata (Teresa Rachel), totalmente contra o relacionamento, pega o casal em flagrante. A ação volta para festa. Luiz Carlos, humilhado, solta os cachorros em Renata e nos convidados. Esta é, em minha opinião, uma das melhores cenas da teledramaturgia brasileira. Impressionante. É esse fato que o separará de Patrícia. Fim do epílogo. Nos “dias atuais”, o mocinho trabalha numa sapataria, vive longe da mãe e está prestes a se formar em jornalismo. Também conhecemos Claudia (Glória Pires), colega de classe de Luiz Carlos. Ela tem uma difícil relação com o Alfredo (Fernando Torres), seu pai, que sensibilizado com a situação de Luiz, o convida para dividir um quarto. Após seis anos longe do Brasil, Patrícia retorna ao Brasil e Luiz Carlos invade a mansão, descobrindo que ela teve um filho.


O Astro – primeiro capítulo exibido no dia 12/07/2011




A ganhadora do Emmy de melhor telenovela em 2012 também teve um capítulo de estréia exemplar. Nessa versão baseada no antigo texto de Janete Clair (Ave Janete!), e escrita por nosso amigo Alcides Nogueira, o Tide, e Geraldo Carneiro, muitas cenas de ação e a apresentação corretíssima de todos os personagens, sobretudo do protagonista Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi). As primeiras cenas, em flashback, o mostram em apuros na pequena cidade de Bom Jesus. Após dar um golpe nos fieis da igreja, Herculano descobre que fora enganado pelo seu companheiro, Neco (Humberto Martins). Sozinho, ele é perseguido por todos. Impressiona a ferocidade dos populares. Muitos takes espetaculares dessa fuga e de repente, a única solução é entrar na delegacia e pedir ajuda. Na cadeia, ele conhece Ferragus (Francisco Cuoco), um homem misterioso, misto de mágico e bruxo, que se torna o seu mentor. Aos poucos Herculano aprende todas as técnicas com ele e após uma passagem de tempo, está livre. Agora ele se tornou o Professor Astro e faz sucesso com shows de ilusionismo na casa de espetáculos Kosmos. É lá que Amanda (Carolina Ferraz), procurando se distrair, o conhece e apesar de negar, fica impressionada com seu desempenho. Conhecemos Marcio Hayalla (Thiago Fragoso) tocando seu flugelhorn pelo metrô e encantado pela beleza de Lili (Aline Moraes). É no universo dessa mocinha que encontramos Neco, o mesmo mau caráter que enganou Herculano no passado e agora está casado com a sua irmã. O empresário Salomão Hayalla (Daniel Filho) está inaugurando um novo supermercado ao lado de sua família, incluindo a esposa Clô (Regina Duarte) e seus irmãos ambiciosos. É quando Márcio surge liderando uma multidão de pessoas pobres que adentram o supermercado numa fúria avassaladora. Salomão fica irado e desconta a sua raiva na esposa. Porém, o maior clímax desse irresistível capítulo acontece no final, quando Marcio fica nu diante de todos os convidados na festa preparada por sua mãe na mansão dos Hayalla. Escândalo!  


Belíssima - Primeiro capítulo exibido no dia 07/11/2005



A primeira cena dessa novela já me chamou a atenção: uma linda modelo no topo de um prédio segurando a bandeira de São Paulo. Tudo não passava de uma ousada e polêmica campanha de marketing pelos principais pontos da grande Sampa para comemorar o jubileu da Belíssima. A ação chamou a atenção da mídia e de grupos de protesto contrários com as “performances indecentes” das modelos praticamente desnudas. O mais interessante foi apresentar os personagens conforme uma sequencia da campanha rolava em locações diferentes. E para dar um charme, um jornalista em off explicava o que estava acontecendo. Conhecemos a protagonista Julia Assunção (Glória Pires) contrária à campanha idealizada por sua avó, Bia Falcão (Fernanda Montenegro). O noticiário na televisão, explicando a confusão pelas ruas de São Paulo, serviu para apresentar os personagens mais a fundo, inclusive com a apresentação do núcleo de Katina (Irene Ravache). Capítulo seguindo e vimos o misterioso André (Marcelo Antony) cruzar o caminho de Cemil (Leopoldo Pacheco). E algumas cenas depois, a trama vai para a Grécia onde Vitória (Claudia Abreu) e Pedro (Henri Castelli) vivem felizes com a filha, longe dos despautérios de Bia, a tirana que fora contra o relacionamento. Eles estão de casamento marcado e temem pela aproximação da vilã. Julia descobre que a avó tem planos para destruir a cerimônia e vai para a Grécia antes. O capítulo termina com Bia Falcão chegando e ficando frente a frente com a neta disposta a tudo para impedir qualquer plano que ela tenha em mente para acabar com a felicidade dos noivos. Um capítulo forte, criativo e com tramas muito bem desenvolvidas.


O Salvador da Pátria – Primeiro capítulo exibido no dia 09/01/1989

Uma das minhas novelas preferidas também teve um primeiro capítulo excelente. Lauro César Muniz e Alcides Nogueira souberam amarrar os núcleos e desenvolvê-los com cuidado de nos apresentar todos os personagens e tramas principais. Primeiro take de um sol nascendo sobre a plantação de laranja e surge o icônico Sassá Mutema (Lima Duarte) acordando e indo para o trabalho com Off do locutor Juca Pirama (Luiz Gustavo) dando bom dia para os trabalhadores do campo em seu programa “Meninos eu vi!”. Em seguida, a linda Clotilde (Maitê Proença) está perdida pelas estradas a caminho de Tangará e encontra o engenheiro Paulo (saudoso Marcos Paulo) que decide ajudá-la. Ele é o elo para o núcleo da empresária Marina Cintra (Betty Faria) e suas filhas. Enquanto isso, em sua rádio, Juca Pirama brada sobre as mazelas políticas da cidade e os outros núcleos são apresentados. Na escola, Clotilde se apresenta aos alunos e é nesse momento que nós, telespectadores, somos brindados com a apresentação de Sassá, esse lindo personagem que conta toda a sua trajetória de vida. Ele é convocado para arrumar o jardim da casa do patrão, o deputado Severo Blanco (Francisco Cuoco), que descobrimos ser a principal vítima dos comentários de Juca. Ele é casado, mas mantém um caso amoroso com a ninfetinha, Marlene (Tássia Camargo). O radialista explora o caso e sob as ameaças do pai da moça, Severo é instruído pela própria esposa a encontrar um marido para a amante. Depois de uma tentativa frustrada, Gilda (Suzana Vieira) tem a mirabolante ideia de mandar justamente o ingênuo Sassá para a fazenda.


Cordel Encantado – primeiro capítulo exibido no dia 11/04/2011


Cinema perde! Assim defino o primeiro capítulo desse grande sucesso escrito pela dupla Thelma Guedes e Duca Rachid. Junção perfeita dos elementos do cangaço e dos contos de fada, “Cordel Encantado” começou, literalmente, já trazendo fogo para a telinha. Um cometa corta o céu e cai no sertão nordestino na visão do profeta Miguezin (Matheus Nachtergaele). Do chão, brota a flor de açucena, “a certeza de um novo tempo que o rei vai trazer”. Imediatamente somos remetidos para o distante reino de Seráfia do Norte, onde o Rei Augusto (Carmo Dalla Vechia) relata sobre essa mesma visão que tivera na noite anterior. Amadeus (Zé Celso Martinez) revela que ele fará uma viagem ao Brasil. Logo, o rei é informado que o exército de Seráfia do Sul está invadindo o palácio sob o comando do Rei Teobaldo (Thiago Lacerda). Em seguida, takes espetaculares de uma guerra entre os dois reinos. Definitivamente, uma sequência fantástica que não deixa nada a dever para o cinema americano. Nesse mesmo momento, a Rainha Cristina (Aline Morais) dá a luz a uma menina que recebe o nome de Princesa Aurora. Seráfia do Norte vence a batalha e Teobaldo morre após assinar um acordo que prevê o casamento entre seu filho Felipe e a princesa para a união dos dois reinos. A Duquesa Ursula (Débora Bloch), a grande vilã também é apresentada demonstrando muita inveja de Cristina. Após descobrirem que há um tesouro perdido no nordeste brasileiro, eles decidem embarcar e são alertados para os perigos do sertão, sobretudo pelo ataque dos cangaceiros.  Esse é o mote para ligar ao drama do Capitão Herculano (Domingos Montaigner), o cangaceiro, rei do sertão que deixa o filho Jesuíno aos cuidados do Coronel Januário (Reginaldo Faria). A comitiva de Seráfia chega a Brogodó e é atacada pelos cangaceiros. A Rainha Cristina sofre um atentado em armadilha engendrada pela Duquesa Úrsula e deixa a filha aos cuidados do casal de sertanejos, Virtuosa (Ana Cecília Costa) e Euzébio (Enrique Diaz). O tempo passa e Açucena (Bianca Bin) é uma linda jovem apaixonada por Jesuíno (Cauã Raymond). Augusto sofre pelo desaparecimento da filha, enquanto a duquesa comemora o fato de sua filha estar de casamento marcado com o Príncipe Felipe (Jaime Matarazzo). No Brasil, Zenóbio (Guilherme Fontes) encontra uma medalha de Santa Eudóxia e acredita que a princesa está viva. Ele interrompe o casamento para dar a grande notícia para o rei. O capítulo termina com o profeta Miguezin discursando como um louco que o rei chegará. Perfeito!

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Wesley Vieira é um dos blogueiros convidados mais frequentes do melão. Não por acaso, é considerado o Editor-Chefe da Sucursal Minas deste blog.
Jornalista, roteirista, noveleiro, blogueiro, dramaturgo, escritor... esse moço vai longe!




Chegou a sua vez! Melão quer saber: quais seus primeiros capítulos de novela inesquecíveis?

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domingo, 27 de maio de 2012

Top 10 - LIMA DUARTE




São tantos e tão maravilhosos os personagens de Ariclenes Venâncio Martins, nosso querido Lima Duarte, que mais merecia um TOP 100, afinal sua história se confunde com a própria história da televisão e seu talento gigante e seus múltiplos recursos foram capazes de dezenas de criações geniais e inesquecíveis.. Por isso o desafio de escolher apenas 10 se tornou tão difícil. Lembrando que os critérios são sempre baseados em minha MEMÓRIA AFETIVA, portanto SUBJETIVOS. Claro que muitos grandes personagens ficarão de fora, mas a brincadeira é essa mesmo. Uma lista pessoal e intransferível. Com vocês, os meus Limas Duartes favoritos:


10) Nikos Karabastos, de “Uga Uga” (2000)


Um personagem tanto engraçado quanto surpreendente e diferente dos personagens habituais do ator. Aqui, ele se mostrou super à vontade com o texto anárquico e irônico de Carlos Lombardi, na pele do milionário grego cercado de parentes serpentes por todos os lados e que vivia infeliz à procura do neto desaparecido até encontra-lo em uma tribo indígena. A improvável dupla com Claudio Henrich, no papel do neto, rendeu momentos hilariantes, bem como as cenas com a cunhada ambiciosa vivida por Vera Holtz.

9) Major Bentes, de “Fera Ferida” (1993)

Mais um de seus impagáveis “coronéis”. Este com uma particularidade: “suava na calva” toda vez que ficava nervoso. Criação genial de Aguinaldo Silva, esse major mandava e desmandava em Tubiacanga e tinha um fiel capataz a quem chamava “carinhosamente” de Animal (Augusto Júnior), que não conseguia dizer uma palavra. Abaixo segue uma cena em que ele contracena com José Wilker, que vivia o prefeito Demóstenes, e surpreende o austero major em uma situação, digamos, vulnerável. Fica a dica para o Canal Viva: uma reprise de “Fera Ferida” seria bem vinda, não acham?



8) Afonso Lambertini, de “Da Cor do Pecado” (2003)


Quem diria que o sisudo, austero e preconceituoso Afonso, que se opôs fortemente ao romance do filho Paco (Reynaldo Gianecchini) com Preta (Taís Araújo) fosse conquistar o Brasil? Só mesmo um ator do quilate de Lima Duarte para dar dimensão humana ao velho amargo e solitário que, após perder o filho, cai de amores pelo neto vivido por Sergio Malheiros. Um personagem cheio de nuances e contradições criado por João Emanuel Carneiro, que teve de enfrentar protestos do público quando foi decretada a morte de Afonso. Além de brilhar intensamente nas cenas com o neto e com a nora, o romance tardio de Afonso com a fiel governanta Germana, vivida por Aracy Balabanian, encantou e emocionou o público, que torceu para que Afonso não morresse e tivesse um final feliz. O autor foi irredutível e Afonso acabou morrendo na trama, mas entrou para o rol de personagens inesquecíveis de Lima Duarte.


7) Shankar, de “Caminho das Índias” (2009)


Diferente dos personagens de temperamento forte que costuma interpretar, aqui Lima era um sábio, um grande mentor espiritual. Mestre em emocionar, Lima protagonizou uma das cenas mais emocionantes das novelas nos últimos tempos quando seu antigo amor Laksmi (Laura Cardoso) revelou que seu arqui-inimigo Opash (Tony Ramos) eram na verdade, seu verdadeiro filho. O melodrama criado por Gloria Perez atingiu o seu ápice no último capítulo de “Caminho das Índias” quando pai e filho, finalmente, se abraçavam e se perdoavam sob o olhar emocionado da mãe. Os três atores deram um verdadeiro show e especialmente Lima Duarte mostrou, mais uma vez, que é capaz de interpretar qualquer personagem.


6) Murilo Pontes, de “Pedra sobre Pedra” (1992)


Murilo Pontes era um típico machão: tratava a mulher Hilda (Eva Wilma) como uma santa e despejava toda sua virilidade na amante, a prostituta Lola (Tania Alves). E tinha essas duas mulheres em suas mãos. O poderoso político de Resplendor só se rendia mesmo à sua grande inimiga política Pillar Batista (Renata Sorrah), que fora seu grande amor do passado. Eis mais um personagem de sentimentos e atitudes contraditórias que só um grande ator poderia interpretar. E Lima brilhou mais uma vez com um grande personagem de Aguinaldo Silva.


5) Salviano Lisboa, de “Pecado Capital” (1975)


Poderoso industrial temido pelos funcionários. Viúvo triste e solitário que sofre com a ausência dos filhos. Homem de meia idade que se encanta por uma jovem, tornando-a uma grande modelo. Não se trata de três personagens diferentes, mas do riquíssimo Salviano Lisboa, criado pela poderosa imaginagrande mestra Janete Clair. Lima, mais uma vez, ganhou a simpatia do público e foi recompensado pelo amor de Lucinha (Betty Faria) com quem se casou no final da novela. E nós vivemos felizes para sempre.


4) Zeca Diabo, de “O bem amado” (1973)


Outro personagem célebre da riquíssima galeria de personagens de Lima Duarte. Aqui em um embate inesquecível com o grande Paulo Gracindo e seu antológico Odorico Paraguaçu. Um verdadeiro duelo de gigantes. Coube ao matador Zeca Diabo selar o destino do verborrágico prefeito de Sucupira. Fiel devoto de Padre Cícero, Zeca Diabo representa esse quase paradoxo do matador profissional cheio de ética e religiosidade. Mais um personagem complexo e humano da riquíssima galeria do grande Dias Gomes que só um ator do porte de Lima seria capaz de interpretar e deixar sua marca sempre indelével.

3) Sassá Mutema, de “O salvador da pátria” (1989)


Não só um dos personagens mais populares de Lima Duarte, mas um dos mais populares da história da teledramaturgia brasileira. Não há quem não se comova com a história do simplório boia-fria, que é usado como massa de manobra pelos políticos de Tangará, trilhando uma trajetória de suposto assassino a prefeito da cidade. E não faltou sensibilidade, tanto por parte do texto de Lauro Cesar Muniz, quanto pela brilhante interpretação de Lima na abordagem do amor quase platônico de Sassá por sua bela professora Clotilde, vivida por Maitê Proença. De matuto analfabeto a astuto prefeito, o ator foi genial em todas as fases do personagem. Impossível ouvir “Lua e Flor” de Oswaldo Montenegro e não se lembrar imediatamente do amor puro de Sassá por sua querida professorinha.


2) Dom Lázaro Venturini, de “Meu bem meu mal” (1990)


Se tem alguém que tem o direito de amar esse personagem e considerá-lo uma das criações mais geniais de Lima Duarte, esse alguém sou eu, por motivos óbvios (risos). Dom Lázaro é um trabalho digno de um verdadeiro gênio. De poderoso patriarca que comandava a família com pulso firme a um frágil e vulnerável senhor que não podia mais falar, tampouco se locomover. Lima fez um trabalho primoroso, sobretudo após Dom Lázaro sofrer o derrame, pois até ele proferir seu célebre “eu prefiro melão”, precisou passar todos os sentimentos possíveis apenas com o olhar, sobretudo o olhar de ódio pela nora Isadora (Silvia Pfeiffer), que garantiram momentos de puro deleite para o espectador.


1) Sinhozinho Malta, de “Roque Santeiro” (1985)


Sinhozinho Malta era um autoritário coronel (aliás, quem o chamasse de coronel assinava sua sentença de morte) que mandava e desmandava em Asa Branca, mandou assassinar três pessoas e tentou matar outras tantas, inclusive supeitíssimo da morte da própria esposa. Além disso, era racista, machista, corrupto, ou seja, características dignas dos vilões mais odiados. Mas definitivamente, não foi isso o que aconteceu, pois Sinhozinho era um adorável cafajeste, com tiradas ótimas, bordões inesquecíveis, uma gargalhada indefectível e capaz de atitudes, muitas vezes, magnânimas. Dias Gomes construiu um dos personagens mais ricos e fascinantes de nossa teledramaturgia que só poderia ser feito por um ator de talento tão fascinante quanto. Mesmo quem não acompanhou à primeira exibição de "Roque Santeiro” conhece Sinhozinho Malta que, ao lado de Regina Duarte, também em estado de graça na pele da viúva Porcina, protagonizou algumas das cenas mais marcantes de nossa teledramaturgia. Como não amar Sinhozinho escolhendo uma peruca de sua vasta coleção? Como não amar sua risada deliciosa? Como não amar sua devoção à Porcina, lambendo sua mão e imitando cachorrinho? Sem dúvida, de toda a galeria de tipos inesquecíveis de Lima Duarte, Sinhozinho Malta é o mais marcante. Tô certo ou tô errado?


Agora o melão quer saber: quais são seus personagens favoritos de Lima Duarte? A palavra é de vocês!
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terça-feira, 8 de maio de 2012

TOP 10 – BETTY FARIA





Aproveitando o aniversário de sua musa-mor nessa terça, dia 8, melão estreia nova sessão, “Top 10”, que vai eleger sempre seus 10 personagens favoritos de um grande ator ou atriz de nossa tevê. Claro que a estreia tinha que ser com ela. Sua carreira no cinema é um caso à parte. Bailarina de formação, Betty é uma das poucas atrizes brasileiras que canta, dança e representa, ou seja, uma estrela completa. Mas como esse espaço é um blog televisivo, vamos nos ater aos personagens da telinha. Intérprete de grandes mulheres de personalidade forte, nossa super BETTY FARIA tem uma verdadeira coleção de personagens antológicos. Como grande fã que sou, foi muito difícil chegar a apenas 10 notáveis mulheres. Em breve vamos matar as saudades de Betty em um dos episódios de "As Brasileiras", mas enquanto ele não vem, vamos relembrar alguns de seus grandes personagens: 

10) ANTÔNIA, de “De Corpo e Alma” (1992)



Logo de cara, uma personagem diferente dos habituais tipos expansivos e extrovertidos que Betty costuma interpretar. Logo depois do furacão Tieta, veio esse grande desafio de viver Antonia, uma mulher introspectiva, tradicional e devotada ao marido Diogo, vivido por Tarcísio Meira na trama de Gloria Perez. Inconformada com o término do casamento, Antonia faz de tudo para impedir que o marido a abandone para iniciar uma nova vida ao lado de Paloma. E dá-lhe cenas de choro, sofrimento e de Antonia escorregando pela parede ao som de “Atrás da Porta”, que exigiu de Betty todo seu talento dramático, que ela desempenhou muitíssimo bem.


9) CARLOTA VALDEZ, de “Suave Veneno” (1999)


Aparentemente, uma pacata dona de casa de meia idade que leva uma vida sem grandes sobressaltos. Mas quando a noite cai, ela sai misteriosamente exalando seu perfume por todo o bairro das Laranjeiras, despertando a curiosidade da vizinhança. O que ninguém sabia é que, na verdade, Carlota era uma dominatriz que deixava os homens loucos com seus acessórios e uma prática sexual chamada “o inominável”, que até hoje ficamos sem saber do que se trata. Na segunda metade da novela, para tentar alavancar a audiência, a personagem entrou na disputa com Lavínia (Gloria Pires) pelo amor de Waldomiro e assim Carlota pôde mostrar sua faceta mais humana. Betty também recebeu uma homenagem do autor Aguinaldo Silva através de uma participação especial da filha Alexandra Marzo, que viveu a bandida Lili Fusilli, em alusão á célebre Lili Carabina, interpretada por Betty nos anos 80.


8) VALKIRIA, de “A idade da Loba” (1995)

Outro trabalho de extrema sensibilidade da atriz. Afastada das novelas globais, Betty brilhou na pele da mulher batalhadora do interior que, após perder o marido, se muda para o Rio em busca de uma vida melhor. Betty protagonizou grandes cenas com Ângela Vieira. A sequência final da novela, com as duas amigas fazendo as pazes diante do Cristo Redentor, é uma das cenas finais de novela mais bonitas que já assisti. É uma pena que este trabalho não seja tão lembrado. Sem dúvida, merecia um destaque maior.



7) JUÍZA MIRANDINHA, de “A indomada”, (1997)



Implacável com os inimigos, severa com o cumprimento do dever, ela não se fazia de rogada e “enquadrava nos rigores da lei” quem quer que fosse, inclusive o prefeito Ipiranga, seu principal adversário. A paladina da justiça de Greenville, mais uma louca cidade criada por Aguinaldo Silva, escondia sua sensualidade por trás de uma figura séria e austera, até cair nos braços do fiel secretário Egídio (Licurgo Spinola), com quem teve um belo romance que causou polêmica na conservadora cidade. Mais uma personagem da galeria de  mulheres fortes interpretadas por Betty.


6) LÍGIA, de “Água Viva” (1980)



“É luta, meu amor, é luta!”. Essa frase dita por Lígia logo no início da novela define bem a personagem: uma típica alpinista social gilbertiana, lutadora, determinada, que não hesita em alcançar seus objetivos. Disposta a tudo por um lugar na sociedade, Lígia acaba se envolvendo com os irmãos Fragonard, vividos por Reginaldo Faria e Raul Cortez. Antes disso, porém, enfrenta uma crise em seu casamento com Heitor (Carlos Eduardo Dolabella), que acaba se envolvendo com Selma (Tamara Taxman), amiga da onça que se hospeda em sua casa. As duas atrizes protagonizaram uma das cenas de briga mais famosas da história das novelas, em que Lígia flagra o ex-marido a e amiga em um show de Maria Bethânia no Canecão e ali mesmo, acerta as contas com Selma, dando-lhe uma tremenda surra jo banheiro da casa de shows. Gilberto Braga repetiu a mesma cena anos depois em “Celebridade”, quando Laura (Claudia Abreu) apanha de Maria Clara (Malu Mader). Além do brilho da personagem, Betty estava lindíssima, no auge da maturidade.




5) LEONOR, de “Labirinto” (1998)



Betty acha que não foi um de seus melhores trabalhos. Ela acha que Leonor deveria ter sido vivida por uma atriz mais jovem. Definitivamente, essa não é a opinião de seus fãs, incluindo este que vos fala que, simplesmente, a-do-ram essa adorável bandida. Leonor, a suspeitíssima viúva, que estava no centro dos mistérios que rondavam o assassinado de seu marido, o milionário Otacílio Martins Fraga (Paulo José), era o charme em pessoa. Inteligente, sarcástica,Betty, na pele de Leonor, teve ótimas e sensuais cenas com Ricardo (Antonio Fagundes) por quem era apaixonada e posteriormente com o investigador vivido por Daniel Dantas, que a via como uma verdadeira femme fatale, com direito a sensual cruzada de pernas a la Sharon Stone em “Instinto Selvagem”. Seus embates cheios de subtextos com Paula (Malu Mader) também eram deliciosos, bem como as engraçadíssimas cenas com Nietinha (Alice Borges) e Yoyô (Isabela Garcia). Pode acreditar, Betty, você brilhou como Leonor!


4) GLORIA, de “Anos Dourados” (1986)



Uma das personagens mais apaixonantes da carreira de Betty, que brilhou na pele da batalhadora mãe do protagonista Marcos (Felipe Camargo), que sofria com preconceito da conservadora sociedade tijucana dos anos 50 pelo fato de ser desquitada. Gloria era avessa a qualquer tipo de preconceito e pouco se importava com convenções sociais. Ganhava a vida como caixa de uma boate de Copacabana, mas acabou se envolvendo com um homem casado, vivido por José de Abreu. A cena em que Gloria acerta as contas com Dona Celeste (Yara Amaral) foi memorável. Betty e Yara deram um verdadeiro show. A relação de Gloria com o filho era muito bonita, o texto de Gilberto Braga era simplesmente genial e o papel foi defendido com muita dignidade por Betty.


3) MARINA SINTRA, de “O salvador da Pátria” (1989)



Outro grande momento de Betty na tevê. O curioso é que, logo após essa novela, Betty emendou a novela seguinte onde faria a mais célebre personagem de sua carreira, Tieta, de personalidade diametralmente oposta à Marina Sintra, que não lembra em nada a esfuziante personagem de Jorge Amado. Líder política da cidade de Tangará e principal oponente do poderoso Severo Blanco (Francisco Cuoco), Marina era séria, centrada e ética. Mal tinha tempo para vida pessoal, mas despertou novamente para o amor nos braços de João (José Wilker). Como todo personagem de Lauro César Muniz, era riquíssima, e contraditória. Marina discutia sobre sexo abertamente com as filhas, mas mal conseguia lidar com sua própria vida sexual. Um prato cheio pra uma atriz de mão cheia.


2) LUCINHA, de “Pecado Capital” (1975)



A Cinderela do subúrbio criada pela mestra Janete Clair é inesquecível até pra quem nunca assistiu à novela. A humilde operária que se transforma em modelo pelas mãos de um homem rico tendo que dominar os ciúmes do namorado machista caiu como uma luva para a brasilidade de Betty. A atriz formou com Francisco Cuoco e Lima Duarte um dos mais célebres triângulos amorosos de todos os tempos.


1) TIETA, de “Tieta” (1989)


O que falta dizer sobre “Tieta” que ainda não foi dito? Uma ode à liberdade, uma força da natureza, um protótipo de feminilidade? Sim, Tieta era poderosa, intensa, fazia as dunas de Mangue Seco se moverem e mexia com a cabeça de todos os homens. Poucas vezes uma personagem foi defendida com tanta gana, intensidade e paixão. Impossível pensar na personagem de Jorge Amado sem pensar em Betty Faria, que fez com que Tieta ficasse marcada em nossos corações e mentes de forma indelével. Viva Tieta! Viva Betty!




MENÇÕES HONROSAS:

Joana Lobato em "Baila Comigo" (1981)

Ø  JOANA LOBATO, de “Baila Comigo” (1981)
Ø  AMÁLIA PETRONI, de “Uma rosa com amor” (2010)
Ø  ROSINHA, de “Incidente em Antares” (1994)
Ø  DJANIRA PIMENTA, de “América” (2005)
Ø  LAURA, de “Pé na Jaca” (2006)
Ø  BÁRBARA, de “Duas Caras” (2007)
Ø  MARIA MARAVILHA, de “Brasil Pandeiro” (1978)

Maria Maravilha: super-heroína tipicamente brasileira

PERSONAGENS CÉLEBRES QUE GOSTARIA DE TER ACOMPANHADO:

Com Tarcísio Meira em "Cavalo de Aço"

Ø  JOANA, de “Cavalo de Aço” (1973)
Ø  LAZINHA CHAVE DE CADEIA, de “O espigão” (1974)
Ø  LILI CARABINA, de “A história de Lili Carabina – Plantão de polícia” (1979)
Ø  JUSSARA, de “Partido Alto” (1984)
Ø  MARLUCE, de “Bandidos da Falange” (1983)
Ø  LEDA MARIA, de “Duas Vidas” (1976)
Ø  IRENE, de “Véu de Noiva” (1969)
Ø  GUIOMAR, de “O bofe” (1972)



Betty, estrela maior de minha constelação pessoal, parabéns e espero que goste de mais essa homenagem. Feliz aniversário! Beijos e Boa Sorte Sempre!

Eu e Betty no niver dela do ano passado.
E vocês, quais são seus personagens favoritos de Betty Faria?


Agradecimento pela colaboração na escolha das imagens: Naira Freitas
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