Mostrando postagens com marcador Robério Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Robério Silva. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de setembro de 2012

Blogueiro convidado: Robério Silva discute o preconceito contra a telenovela



Duas ou mais coisas sobre telenovelas

por Robério Oliveira Silva

(Este texto é dedicado a Vitor de Oliveira)



Nasci em 1972, ano de “Selva de Pedra”, a tal novela dos cem por cento de audiência no capítulo-clímax. Segundo minha mãe, fui para a escola já semi-alfabetizado porque assistia à “Vila Sésamo”, aquele “programinha” infantil com Armando Bógus, Aracy Balabanian e Sônia Braga – a mulher primordial da minha infância. Faço parte da segunda, senão primeira (devido ao fato de ser nordestino, podem me corrigir caso eu caia em preconceito com minha própria origem geohistórica), geração de pessoas criadas pela televisão no Brasil. Como boa parte desse grupo, foi com as telenovelas que tive meu primeiro contato com a narrativa de ficção, muito embora tenha sido alfabetizado bem cedo, tornando-me, desde então, um ávido leitor mirim. Imaginem como foi gostoso, em tenra infância, ter meus olhos e ouvidos invadidos por obras como “Estúpido Cúpido”, “Gabriela” (talvez a mais remota lembrança, devido aos serões na casa dos meus avós paternos em Salvador, onde a novela, por motivos mais do que óbvios, bombava), “Escrava Isaura”, “Saramandaia” (uma delícia para uma criança, imaginem, mesmo com medo do lobisomem de Ary Fontoura e da música-tema, que eu não ouvia sozinho), “A Sucessora” (achava linda, e ela era, a Suzana Vieira), entre outras obras marcantes do período. Nada disso me impediu de ler Monteiro Lobato,  Lygia Bojunga Nunes, Maria José Dupré, ainda antes dos 10 anos. Aos 11, eu descobriria Agatha Christie; aos 14, José de Alencar (“O Tronco do Ipê”); e antes dos 18 já estava às voltas com Graciliano, García Marquez e Lygia Fagundes Telles (sim, Clarice e Machado viriam mais tarde, rs). Também antes dos 18, acho que eu já era um cinéfilo, igualmente “criado” pela televisão, já que, morando no interior, e nem sempre podendo ver filmes adultos no cinema, depois que me mudei para Vitória, acompanhava as saborosas sessões de cinema, ainda que dublado, que compunham a programação noturna das emissoras. Estavam ali nas madrugadas das minhas férias e dos finais de semana Hitchcock, David Lean, Samuel Fuller entre outros grandes. Mas esta é outra conversa.

Acostumado no convívio com as narrativas televisivas, reforçadas ainda com o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, os casos especiais, a Série Aplauso (“Vestido de Noiva” [!!!] com Suzana Vieira como Alaíde, Joana Fomm como Lúcia, e Tônia Carrero como Madame Clessi – que trio!!!), as séries e as minisséries surgidas nos anos 80, nunca entendi direito a implicância de determinados setores da classe teatral-artística e da recusa dos segmentos acadêmicos, sobretudo no campo das ciências sociais de viés esquerdista, em reconhecer o valor e a importância de nosso melhor produto cultural tipo exportação. Com a óbvia figuração questionadora de nossa sociedade de novelas como “Roque Santeiro”, “Que Rei Sou Eu?” e “Vale Tudo”, além do sucesso retumbante de nossas telenovelas ao redor do planeta, tais discursos entraram em declínio, e os intelectuais, acadêmicos e artistas tiveram que rever suas posições (como se, por exemplo, a inatacável, e já séria e positivamente reputada à época, Fernanda Montenegro não tivesse estreado em novelas no hoje distante ano de 1966...) e se render ao encanto e qualidade das ficções televisivas tupiniquins. Também ao redor do planeta, a televisão deixara de ser algo intocável pelos estudiosos e acadêmicos da arte e da cultura, e passara a ser objeto de pesquisa de teóricos importantes – fiquemos simplesmente com Umberto Eco, para não parecermos pedantes. E já nas nossas melhoes universidades (USP, Unisinos, entre outras) são consolidados os núcleos de estudos de telenovela.

Sintomaticamente, porém, no contexto latino-americano e doméstico, parece que retornamos, ou nunca saímos, a essa difícil aceitação de que fazemos boas telenovelas, com muitas demonstrando irrefutável valor artístico, seja pela pertinência, relevância e/ou engenhosidade de seus enredos, pelos recorrentes belos trabalhos dos atores, por trilhas sonoras que se tornaram históricas e (sobretudo nos anos 70) constituem verdadeiros álbuns da melhor MPB, ou ainda por alguns triunfos de direção. É certo que talvez 75% das telenovelas sejam obra de evasão e cumpram, consciente e voluntariamente ou não, uma função alienante e alienatória. E daí? Também o foram e fizeram o cinema hollywoodiano, boa parte da literatura do século XIX, alguma ópera romântica e o melodrama burguês, o que não impediu que grandes obras viessem a existir e alcançar êxito no bojo mesmo desses gêneros, continuando até hoje na história ou no cânon das artes.

É sempre difícil propor que a telenovela seja uma obra de arte, dados os seus compromissos mercadológicos, institucionais e ideológicos para que possa existir, e que interferem na estrutura mesmo da narrativa, da escolha dos atores, e da direção. Mas devemos aceitar que é, sem sombra de dúvida, um produto cultural que utiliza elementos artísticos, ainda que possamos localizar uma certa crise de criatividade no gênero, ali depois da segunda metade da década de 90 e virada do século-milênio (talvez a pior fase em termos de inventividade) sobretudo no que diz respeito à dramaturgia, recentemente inovada a partir do advento de “A Favorita”.

De todo modo, o que me fez escrever este texto foi o fato de sentir em momentos do cotidiano e nos debates das redes sociais a permanência do preconceito contra as telenovelas, seja como narrativas ficcionais, seja como algo representante de nossa cultura. Lembro com certo humor da expressão dos amigos argentinos quando me viam acompanhando a novela das 9 da noite através do youtube, quando estive em Córdoba, em 2010. O ar de incredulidade diante de um doutor em literatura que se dispunha a ficar uma hora diária acompanhando uma telenovela era flagrante – e olha que era uma novela que eu nem gostava tanto, mas cuja assistência me fazia matar um pouco as saudades de casa.

Outro fato mais recente foi uma brincadeira, ou bronca – até hoje estou em dúvida – que levei de um amigo alemão que veio aqui em casa e me pegou acompanhando “Gabriela”, ali logo pela primeira ou segunda semana. Como homem inteligente que é, e irônico, escreveu de uma forma que até agora não sei se era um chiste irônico ou um puxão de orelhas de fato, novamente diante do professor doutor em literatura comparada (bla-bla-blá) que se prestava à pachorra de ver ficção televisiva. No fundinho, brazuquinha que sou, tenho até meio vergonha, hihihihihihh, de perguntar ao nativo da terra dos grandes filósofos modernos o que ele estava de fato querendo me dizer.

Pelo Facebook, poucas semanas atrás, houve um vislumbre de polêmica entre os que assistem novelas brasileiras e os que se entopem de séries americanas nos canais a cabo (é Fox, é Sony, é Warner, é A&E, é Universal, é HBO, é Multishow, é TnT, FX, AXN, eita!!!). Mas a galera não quis aprofundar, e eu não quis dar uma de chato de plantão – porque eu sou, e muito. E aí, amigos? Que me dizem?

Semana passada, foi uma amiga amada, do fundo de dentro do coração, artista, linda, sensível, brilhante, mas que me proibiu de ver novela na casa dela... kkkkkk. Dá pra rir agora, mas na hora fiquei fulo. Como era aniversário da dita cuja... E olha que era Carminha. Mas não rolou. Te amo, Criola, mas tu vês série norte-americana. É tudo televisão, é teleficção ao fim e ao cabo, ora pois.

Penso que já ultrapassamos há pelo menos uns vinte anos as dúvidas que tínhamos a respeito da relevância e qualidade das telenovelas brasileiras, e do arraigamento (ok, recente) do hábito de assisti-las entre nós. Muitos criticaram o Harry Potter e as Spice Girls na abertura da recente Olimpíada de Londres. Eu achei ótimo. Os ingleses mostraram o que é ter noção do que o país exporta para o mundo, vendendo e perpetuando uma tradição cultural quase milenar. Se J. K Rowling não é Bram Stoker, e as garotas apimentadas não chegam aos suvacos dos rapazes de Liverpool é uma outra discussão. Mas era o que a Grã-Bretanha tinha para aquele “hoje”. 

Está na hora de deixarmos de ser este bando de tabaréus e caipiras e passarmos a assumir que gostamos de novela, sim senhores, porque é uma das coisas que melhor sabemos fazer. E talvez até – por que não? – com um certo orgulho.

________________________


ROBÉRIO SILVA é professor universitário, Doutor em Literatura Comparada, astrólogo (dos bons), tarólogo (dos melhores), cinéfilo (dos mais entendidos) e noveleiro (dos mais inveterados), além de um grande amigo (dos mais fiéis). Este melão se orgulha muito em publicar seu texto e agradece, ruborescido como uma melancia, a carinhosa dedicatória.




LEIA TAMBÉM:

Blogueiro convidado: Robério Silva revela os signos em “ValeTudo”





quinta-feira, 26 de maio de 2011

Blogueiro convidado: Robério Silva revela os signos em “ValeTudo”


 Enquanto “O astro” Herculano Quintanilha não chega, recorri a um de meus mais inteligentes e cultos amigos para uma divertida brincadeira com os personagens de “ValeTudo”. Robério Silva é professor universitário, Doutor em Literatura pela UFF e amante de todo tipo de arte, inclusive as ocultas...(risos). Além de seu invejável currículo acadêmico, Robério é cinéfilo e noveleiro de carteirinha, fã de Gal e ainda por cima, astrólogo e tarólogo (dos bons!). Com tantos afazeres, ele ainda arrumou tempo para ser o mais novo blogueiro convidado deste humilde melão e aceitou entrar na minha brincadeira de identificar os prováveis signos dos principais personagens dessa novela que, mesmo depois de mais de 20 anos, continua mexendo com o imaginário do público. É que certa vez, Robério fez o mesmo com as “Mulheres Apaixonadas” (ainda tem o texto, honey? Que tal publicá-lo no melão?). Não poderia deixar a oportunidade passar e ter um de meus amigos mais antigos, próximos e queridos por aqui também. O melão agradece demais a Robério e espera que todos vocês se divirtam com nossa aventura novelístico-astrológica.

O astral de “Vale Tudo”
Por Robério Silva


Olá, amigos, é com muita honra e prazer que recebi o convite do querido Vítor de Oliveira para escrever essas pequenas impressões astrológicas sobre as personagens de “Vale Tudo”. Faço-o com muito prazer, pois a obra ainda é minha novela favorita: trama saborosa e de eficaz crítica social, personagens carismáticas e muito bem interpretadas num trabalho de direção inspirada e atores em momento de graça. A ênfase do texto, obviamente, recai sobre as fulgurantes figuras humanas construídas pelo texto de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres e pela atuação dos intérpretes. Foi até difícil separá-las pelos doze signos do zodíaco, mas afinal, com ajuda do próprio Vítor, conseguimos um panorama astrológico muito interessante. Vamos a ele.

 MARIA DE FÁTIMA - o que dizer de nossa protagonista arrivista, antiheroica, mas, sobretudo, de uma humanidade e genuinidade poucas vezes vista na ficção televisiva? Bem, primeiro vamos pensar em alguém que tem um forte objetivo, capacidade de foco, coragem de arriscar, falta de escrúpulos (afinal, ela só não mata, mas o resto...), falsidade e muito veneno – só destilado na companhia do amante. Estamos diante de uma nativa de ESCORPIÃO, senhoras e senhores (pensaram que era Capricórnio? Não, capricórnio ia estudar e trabalhar, não ia trair a própria mãe etc.), claro, trabalhada no lado negativo do signo. Percebam como ela é discreta e alheia quando os problemas não lhe dizem respeito nem atrapalham suas ambições. Claro que tudo isso está disfarçado por um simpático ASCENDENTE EM TOURO, que faz de Fátima uma moça suficientemente bonita, agradável, aparentemente cordata e gentil, o que é muito positivo para seus interesses escusos em busca do casamento rico – que afinal consegue, devido também à tenacidade dos dois signos. No entanto, Fátima não gosta de barraco nem de grosseria, embora seja capaz de gestos dramáticos e artisticamente elaborados, como se jogar nas escadarias do Municipal a fim de interromper a inoportuna gravidez. Apesar de ligeiramente cafona (culpa do ascendente), gosta de vida social, de eventos e festas de gente fina. Temos aqui uma LUA EM LIBRA: além das características acima, Fátima ainda apanha e não revida na hora (trama vinganças escorpiônicas), quando alguém grita ou a encara, ela mete o galho dentro e fica quieta, já que não é boa de briga – só nos bastidores.


ODETE ROITMAN – fala a verdade, é um ícone! Odete é carismática, inesquecível, posa de séria diante da família, mas é meio vagaba – sem perder a classe – longe dos olhos dos parentes e curte mesmo é uma boa baixaria, nos dizeres de sua filha Helena. Antes de tudo, porém, Odete é mãe, é a chefe do clã, faz tudo – sobretudo, tudo de errado – pelos seus; reclama do Brasil, mas não consegue se desvencilhar, amando-o pelo avesso através das críticas contínuas e cotidianas. Além de mãe, é uma grande empresária, tem pulso forte nos negócios, sabendo ser uma raposa predatória como executiva . Ao mesmo tempo, domina a família com mão de ferro, e sabe exercer sua tirania sobre os filhos problemáticos e a irmã passiva. Estamos diante de alguém do signo de CÂNCER. No entanto, por ter ASCENDENTE EM CAPRICÓRNIO, posa de madame fina e chique (lembrem-se de que ela também usou o casamento como ascensão social), sabendo o valor real das boas coisas, e não faz o papel de figura doméstica; gosta de circular nas altas rodas, detesta cafonice piegas e zela por sua figura pública. Sua determinação e gosto por luxo, conforto e boa vida são reforçadas pela LUA EM TOURO, que reforça tanto seus traços maternais quanto a devoção aos negócios e o gosto pelos prazeres sensuais e eróticos, literalmente comprados através de sua fortuna.


RAQUEL ACCIOLY – afinal, a verdadeira heroína da novela resulta em não ser glamourosa como suas antagonistas (o que é uma regra do melodrama, não é mesmo?). Batalhadora, humilde, simples, trabalhadora honesta, com tino e mão para os negócios, Raquel é um dos estereótipos da filha de TOURO. Apaixonada e romântica, também se sacrificará pela filha e pelo homem amado ao mesmo tempo. O ASCENDENTE EM SAGITÁRIO lhe dá a mania de ficar soprando verdades o tempo inteiro, e passando lição de moral, mas ao mesmo tempo é o responsável por seu grande otimismo e gargalhada sonora. Atirada e com iniciativa e capacidade liderança, além de um certo nervosismo e certa chatice, traz ainda a marca da LUA EM ÁRIES que caracteriza um mulher-líder, empresária, aventureira (afinal ela vem atrás da filha no Rio de Janeiro), mas também chegada num barraco e numa certa falta de glamour (se comparada com as outras mulheres da história).


IVAN – aqui temos o típico sujeito quase que exclusivamente preocupado com sua carreira, com os negócios, e com a própria ambição. De ética ambivalente (lembremos que seu casamento com Heleninha é meio na base do interesse...), Ivan, apesar de maduro e realista deixa-se seduzir pelo poder dos Roitman e a possibilidade de ascensão social tanto na TCA quanto através das relações sociais e matrimoniais. Posa de bom moço, mas na verdade, apesar de seu envolvimento romântico com Raquel, trai um grande egoísmo. Temos aqui um CAPRICÓRNIO de alta envergadura, persistente, tenaz, discreto. O egoísmo, no entanto, se acentua, junto com o fato de ser disputado por várias mulheres na trama, devido a um ASCENDENTE EM LEÃO. Ivan sabe aparecer quando é necessário, tem capacidade como executivo e não se furta a grandes entradas em cena. Tem vaidade de sua suposta honestidade e valor como profissional. Empurra a vida familiar com a barriga, embora não se livre de vez da ex-mulher, filho e demais parentes.


MARCO AURÉLIO – chegamos ao porco chauvinista, machista, preconceituoso, grosso, autoritário e tirano, mas que se submete à verdadeira dona do pedaço, Odete. Sexualizado, mas misógino, é outra personagem astrologicamente arquetípica: o macho de ÁRIES! Grita com os subalternos e com as esposas, inferniza a vida do filho, cobrando-lhe uma atitude mais “masculina” (em seu próprio entender) do rapaz, conta com um capacho para ajudá-lo nas falcatruas ousadas – inclusive, roubando da própria Odete (!!!) o que trai a famosa temeridade ariana, brinca com fogo. Como possui uma LUA EM CAPRICÓRNIO, exerce a força física ariana numa presença antipática no ambiente de trabalho, e é na carreira que enfrenta as provas e obstáculos a que os arianos são tão afeitos. Sério e mal humorado, quer vencer os colegas e acionistas da empresa.

CÉSAR – ah, o michê bom-vivant, agradável, garotão, esportivo, sabe um pouco de tudo, línguas estrangeiras aqui, conhecimentos de informática ali, bissexual, leva a vida na flauta, cínico e com sabedoria de rua... estamos diante do tipo não estudioso de SAGITÁRIO. Beneficia-se de mulheres mais velhas, gosta de viver ao ar livre, pouca roupa e viagens, também tem noção do que é medíocre e tenta se afastar. A LUA EM ESCORPIÃO lhe dá o sex-appeal necessário para o meio de vida que escolheu, um ar misterioso e discreto, certa intuição para se safar de situações indesejáveis (nem sempre) e o tino para detectar o lado obscuro das outras personagens -  o que será muito útil a Maria de Fátima. Assim, como sua amante, também se apresenta como uma figura simpática, agradável, é bonitão, denotando outro ASCENDENTE EM TOURO.


SOLANGE DUPRAT – inteligente, moderna, independente, amiga dos amigos, desafia a autoridade de Odete, não aceita o machismo de Afonso, e, quando se descobre traída por Fátima, não hesita em lhe dar uma boa bofetada, mas com toda a classe possível, prometendo-lhe abertamente a vingança: Solange é o protótipo da mulher evoluída de AQUÁRIO – qual outra resolveria ter uma gravidez independente e arcar com todo o processo? Sofisticada e ao mesmo tempo mordaz, incisiva e respondona, parece trazer ASCENDENTE GÊMEOS, o que lhe confere o ar jovem e descolado, sem perder a sofisticação dos signos de ar.


HELENINHA – ah, Heleninha, frágil e suave artista plástica, alcoólatra e pobre menina rica... Pobre menina rica? Só quando está bêbada ou na depressão pós-bebedeira, né? De cara limpa é um saco, chata de dar dó, e, como diz a própria mãe, “Não há marido que agüente”! E é esnobe e elitista como uma boa Roitman. No entanto, cheia de culpa, descarrega tudo na bebida e protagoniza porres homéricos e históricos. Estamos diante de uma descontrolada nativa de PEIXES. De qualquer modo, é uma artista de valor, e apesar da chatice e arrogância, tem bons sentimentos, o que deve vir de um coração de ascendente em LEÃO, o que ainda favorece as grandes cenas na hora da manguaça. E se estiver de mau humor sabe muito bem como quebrar um bar, à la LUA EM AQUÁRIO.


CELINA – fala a verdade, quem não gosta de tia Celina? Educada, do bem, fina, sofisticada, interessada em arte, adora os papos de cinéfilo de seu fiel escudeiro Eugênio. Mas sem pulso diante da poderosa irmã, gosta de esconder os problemas da família sob panos quentes, mas pouco eficazes, passa o tempo todo diluindo ou negociando os conflitos, e trocando o estofado do sofá: uma LIBRA autêntica. Discreta e mãezona dos sobrinhos e protegidos, mostra uma influência de LUA EM CÂNCER, esquecendo-se um pouco de viver a própria vida em prol de acompanhar as relações familiares.



RENATO – jornalista sofisticado, profissional, vive em movimento e não batalha muito o amor das mulheres por quem chega a se interessar. Mostra um padrão típico dos nativos de GÊMEOS. Apesar de simpático, ajudar a amiga Celina, e ser ombro amigo de Heleninha, não se envolve mais profundamente nas loucuras do Roitman, apesar da amizade fiel demonstrada: ASCENDENTE EM LIBRA.





AFONSO – o riquinho rico que todos protegem; é todo machinho, vaidoso, cai na lábia de qualquer piriguete arrivista social, e dispensa a namorada gente boa, mas que trabalha demais... qual o signo? LEÃO, é claro; até porque, pelo lado positivo, soube dar umas porradas no César e esculachar a esposa adúltera. Mas é meio infantil, deixa as bombas maiores serem resolvidas pela mãe, que o sufoca. Bebê do zodíaco? ASCENDENTE EM ÁRIES!


POLLYANNA – bom amigo, pobrezinho, trabalhador, diligente, humilde, humilde, humilde, daqueles que gostam de ser pobre: VIRGEM, ASCENDENTE EM PEIXES, pra ter aquele arzinho desprotegido de Pluft ou Gasparzinho. Mas é amigo fiel e pau pra toda obra. Ai, aquela humildade toda deve ter LUA EM VIRGEM também, rsrsrsr.

Menções rápidas: LEILA – outra escorpiana, porém desastrada; ALDEÍDE – leonina do tipo divertida, alegria do núcleo pobre.

Abraços astrais!

Robério e eu há milênios atrás...


Prefira também: