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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Blogueiro convidado: Marcelo Rissato relembra “Locomotivas”, marco da independência feminina nas telenovelas.



 Mais um convidado pra lá de especial, que nos brinda com um texto INCRÍVEL sobre uma novela, que representa um marco da emancipação feminina: “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes. Marcelo Rissato, jornalista, roteirista, fã nº 1 de Norma Blum e enciclopédia viva da teledramaturgia brasileira, não se limita a falar apenas da novela e nos brinda com todo um panorama da história das conquistas da mulher até culminar no ano de 1977, ano em que a novela estreou e não por coincidência, mesmo ano em que a Lei do Divórcio no Brasil foi aprovada. Vale lembrar que, no ano anterior, Janete Clair já tinha escrito uma novela chamada “Duas Vidas”, na qual a protagonista Leda (Betty Faria), já era separada e criava o filho sozinha. Mas a partir da trama de Cassiano Gabus Mendes é que a mulher deixou definitivamente a posição de mocinha que precisava ser salva e foi, definitivamente, à luta através da empreendedora Kiki Blanche, estreia de Eva Todor na tevê em grande estilo como a dona de um salão de beleza que era o principal cenário da novela. Marcelo, querido, obrigadíssimo pelo seu incrível texto, que não é apenas uma deliciosa viagem pelo universo da novela. É, praticamente, um tratado sobre o panorama da mulher em nossas telenovelas. Parabéns! Sem mais delongas, vamos ao texto:


MULHER, A LOCOMOTIVA MODERNA
Por Marcelo Rissato



Quando ainda estava no ar a novela “Estupido Cupido”, uma linda e divertida trama de Mário Prata em preto e branco, que teve apenas o penúltimo e último capitulo em cores, “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes, era anunciada como a nova novela das sete, “totalmente em cores”.

Assim era o primeiro anuncio da novela no dia 11 de fevereiro de 1977: Estúpido Cupido, últimos capítulos e vem ai: Loco-Motivas. Com: Aracy Balabanian, Walmor Chagas e a participação especial de Lucélia Santos. Loco-Motivas, a nova novela das sete da noite. A CORES.


 Uma trama envolvente e deliciosa que conquistava os telespectadores da época. A história girava em torno dos salões de beleza e os núcleos se encontravam nesse universo. Não era uma novela com grandes acontecimentos, porém colocava as mulheres, não só como as protagonistas da história, mas também na posição de independência e empreendedorismo, através do salão de beleza de Kiki Blanche (Eva Todor). Além disso, a novela apresentava um novo visual e uma nova forma de se expressar. Uma nova era estava começando para a televisão e para o país.

Talvez esse contexto envolvendo a mulher não tenha sido adotado em vão pelo autor Cassiano Gabus Mendes. Era uma época de mudança e a mulher estava em evidencia. Se destacava em vários segmentos da sociedade e o ano de 1977 era o protagonista para elas.

Mulher – A História

Sabe-se que o mundo sempre pertenceu aos homens e que a mulher de acordo com a história ficou limitada aos afazeres do lar, ficando habitualmente excluída de papéis relevantes para a sociedade. Também é conhecido o fato de homens estarem acostumados a justificar seu predomínio não somente ressaltando que a sua posição dominadora é a natural, como também que a sua dominação resulta da inferioridade da mulher. Contudo, sabe-se hoje que o rótulo de inferioridade teve como causa o contexto histórico, a falta de acesso à cultura e, como consequência, o confinamento no lar.
Acredita-se que desde os primórdios dos tempos, a discriminação feminina acabou exercendo sobre a sociedade uma conscientização e, a partir daí, surgiram reflexões sobre o que o assunto pode ajudar na luta em prol da igualdade social, política e liberdade de expressão das mulheres. No entanto, foi a partir do inicio do século passado que a situação começou a mudar.

Dia Internacional da Mulher

Talvez o episódio na Fábrica de Tecidos Cotton nos Estados Unidos em 8 de Março de 1857, tenha sido o ponto de partida para que em 8 de março de 1910, na Dinamarca, fosse finalmente instituída essa data como o “Dia Internacional da Mulher”, devido às mortes que ocorreram em virtude da greve que resultou no desaparecimento de aproximadamente 130 tecelãs que foram carbonizadas propositalmente pelo proprietário da fábrica e pela policia.


Com a eclosão do movimento feminista e os estudos de gênero, se constituíram nos fatos que forçosamente provocaram na sociedade uma mudança de atitude, diante das reivindicações que se fazia. A luta dos grupos de mulheres contra o preconceito parecia, assim, tomar forma. Apesar de importantes conquistas, a condição da mulher, ainda na sua maioria, era de submissão e explorada pelo próprio sistema. Há que se considerar, também, que na espécie feminina e dentro de cada mulher, ainda restam as sobras da teimosa crença de que todas as mulheres são inferiores a qualquer homem; e em cada homem, seja ele liberal ou libertino, uma antiga voz interior ainda concorda com essa inferioridade.

O Divórcio e a Locomotiva

Constatou-se que a época decisiva para que a mulher pudesse conquistar um lugar merecido na sociedade, se desse nos primórdios do século XX. Muitas foram as batalhas enfrentadas, contudo a conquista se deu com o que pode-se chamar de “Lei Áurea Feminina”, ou seja, uma metáfora de sua libertação que ocorreu em 1977. A mulher casava para se livrar do cativeiro do pai e se tornava cativa do marido. Com a Lei 6515 de 26 de dezembro de 1977, a Lei do Divórcio, ela adquiria finalmente sua independência, iniciando assim uma nova fase no seu comportamento, no qual transformou a figura feminina na “locomotiva moderna”, desempenhando o papel de comandante.  Apesar de tantas dificuldades, as mulheres conquistaram um espaço de respeito dentro da sociedade, mesmo que as relações entre o gênero feminino e o masculino ainda não sejam de total igualdade e harmonia. 

Entretanto, evoluindo o homem através dos múltiplos fatores que impulsionaram o gigantesco progresso da ciência, da arte, da filosofia e da moral, a subordinação feminina foi-se tornando quase inexistente. Assim, vê-se hoje a mulher, senão ao lado do homem no desempenho de todas as atividades que a este diz respeito, pelo menos desfrutando de uma liberdade maior, quer como companheira no lar ou no mercado de trabalho, com direitos e garantias que lhe foram negados no passado.

Assim, na luta pela legitimação dos seus direitos, muitas barreiras ainda precisam ser quebradas, muitos direitos precisam ser conquistados e muitas medidas preventivas e punitivas precisam ser levadas a cabo, mas enquanto ainda não acontece, a admiração e o respeito pelas mulheres devem prevalecer.
  
Anos “70” - A Mulher Locomotiva


 Para a mulher, os anos 70 representaram um marco na sua independência perante a posição masculina no âmbito social. Isso se refletiu na literatura e automaticamente na televisão. Em 1977 o saudoso Cassiano Gabus Mendes trazia para a TV uma novela que retratava exatamente esse universo feminino. Era o tempo das Locomotivas. Ao som da música “Maria Fumaça”, interpretada pelo grupo “Black Rio” na abertura, embalada ainda na trilha pela música de mesmo nome da novela, Locomotivas, por Rita Lee, a novela encantava homens e mulheres com a saga da ex-vedete Kiki Blanche (Eva Todor), que tinha apenas uma filha legitima e um filho e as outras eram adotadas. Com muito charme, uma novela deliciosa e sofisticada que trazia as cores para o horário das sete. Era o inicio de uma nova era para a televisão e para as mulheres.

A ex-vedete Kiki Blanche / Maria Josefina Cabral (Eva Todor) possuía no Rio de Janeiro um salão de beleza onde muitas das personagens se encontravam. Sua filha legitima Milena (Aracy Balabanian) e os adotivos Paulo (João Carlos Barroso), Renata (Thais de Andrade), Fernanda (Lucélia Santos) e a caçula Regininha (Gisela Rocha) conduziam os encontros e desencontros dessa deliciosa história. O grande conflito ficou em torno de Fernanda, que se apaixonou por Fábio (Walmor Chagas), que amava Milena. Essa por sua vez, abria mão do amor em prol da irmã adotiva, uma vez que sabia que Fernanda, na verdade, era sua filha legitima. A revelação só veio no último capitulo, quando Fernanda desistiu de vez de Fábio ao descobrir que sua irmã era a sua verdadeira mãe.

Triângulo amoroso central da novela

 Em outro núcleo, Netinho (Denis Carvalho) vivia cercado pelo amor possessivo de sua mãe (Miriam Pires), ao som da música “Filho Único”, interpretada por Erasmo Carlos, o jovem se apaixonou por Patrícia (Elisângela) e não teve seu amor abençoado pela mãe, sem perceber que o seu grande amor morava ao lado: era a sua vizinha Celeste (Ilka Soares). Quando Dona Margarida descobriu, o casal sofreu, lutou por esse amor e ficou junto no final.

Ainda tinha o português Machadinho (Tony Corrêa) que namorava com Gracinha (Maria Cristina Nunes) e sofria com as intrigas de sua falsa amiga Lurdinha (Teresa Sodré), porém o rapaz acabou se rendendo aos encantos da antagonista da trama, Fernanda (Lucélia Santos). 

Lucélia Santos e Tony Correa em cena
Cassiano Gabus Mendes foi um mestre na teledramaturgia brasileira e responsável por grandes sucessos da televisão com obras memoráveis, como “Anjo Mau, Elas por Elas, Tititi, Brega & Chique, Que Rei Sou Eu?” e muitas outras. “Locomotivas” não foi uma novela em vão, muito menos teve um texto banalizado. Ela marcou sua época trazendo a mulher como comandante de um trem que podemos chamar de “Trem da vida”, esse que até então tinha como maquinista os homens e com a novela, Kiki mostrava que as mulheres eram capazes de assumir esse comando com maestria. Na época, talvez muitas pessoas não entendessem a razão da novela levar o nome ligado a um trem e o logotipo ser uma mulher com a parte inferior de um biquíni a mostra, que soava ousado para aqueles tempos. Mas, Cassiano já tinha os olhos voltados ao futuro, pois com a Lei do Divórcio (6515/77) do mesmo ano da novela, a mulher adquiria sua liberdade podendo tomar as rédeas de sua vida, casando-se, separando-se, tendo filhos com pai ou sem e ainda trabalhando livremente, saindo de um cativeiro em que vivia e sendo a cabeça desse trem, ou seja, sendo a Locomotiva. 

Elenco feminino da novela
As Mulheres na Televisão 

Não só em Locomotivas que a mulher estava sendo representada naquela época. A TV Globo trazia a mulher em muitas de suas obras. Às 18 horas Dona Xepa, que era escrita por Gilberto Braga e adaptada da obra de Pedro Bloch, mostrava a mulher feirante e sem o marido que trabalhava para manter a casa e sendo a comandante do seu lar. Várias outras novelas da época principalmente do horário das 18 horas trazia a mulher como a protagonista, muitas eram adaptações de obras literárias como Nina, Sinhazinha Flô, Maria-Maria, Gina, A Sucessora, Cabocla e várias outras. Era o inicio de uma mudança que não só na dramaturgia estava presente, mas numa sociedade que durante muito tempo deixou a mulher numa camada neutra e que naqueles tempos, marcava uma nova era.

Nas séries a mulher também estava presente. Ciranda Cirandinha mostrava uma juventude em busca de sonhos e liberdade e em 1979 era a vez de Malu Mulher que representou muito bem a mulher separada, uma vez que já no episódio piloto era abordado o processo de separação de Malu (Regina Duarte) e Pedro Henrique (Dennis Carvalho), intitulado “Acabou-se o que Era Doce”.

Após os anos 80, a mulher vinha sendo representada com mais ênfase, podendo trabalhar, casar, separar e ir em busca de seus sonhos como qualquer ser humano na televisão e na sociedade. Mas isso já é outra história...

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ALGUMAS CURIOSIDADES:


  • “LocoMotivas” foi a primeira novela das sete totalmente em cores;
  • Nos créditos, Eva Todor assinava ainda como Eva Tudor, porém seu nome verdadeiro é EVA FODOR, que foi alterado logo que chegou ao Brasil devido à conotação errônea que poderia acontecer.
  • Nos créditos todas as escritas vinham em letra maiúsculas.
  • Era a segunda novela de Lucélia Santos
  • Eva Todor estreava.
  • A televisão exibia as cenas dos próximos capítulos e não do próximo capitulo como nas novelas dos anos 80.
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MARCELO RISSATO é escritor, jornalista, fotógrafo e colunista da Revista “Super Novelas”.

Marcelo Rissato, o melão e eu.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Melão Express: rapidinhas, mas saborosas – Ed. 18



Ø  “QUE REI SOU EU?” E A TRILOGIA DA CRÍTICA SOCIAL



Mesmo que tenha sido mera coincidência, o Canal Viva acabou promovendo uma trilogia com o mesmo tema em seu horário noturno  de novelas. Seja pelo viés realista como “Vale Tudo” ou pelo viés satírico como “Roque Santeiro”, o debate em torno de corrupção e ética em nosso país tem sido um tema recorrente que, agora com a estreia de “Que Rei Sou Eu?” permanece com força total.
Em “Vale Tudo”, o trio de autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres promoveu uma verdadeira comoção com o retorno da novela e, de maneira séria, trouxeram de volta a pergunta feita nos anos 80 e que continua mais atual do que nunca: vale a pena ser honesto no Brasil?
Já em “Roque Santeiro”, Dias Gomes e Aguinaldo Silva fizeram da célebre Asa Branca um microcosmo de nosso país com todos os seus tipos, crenças e costumes ali representados e discutiram temas como coronelismo e religiosidade através do mito de um falso santo.
Agora em “Que Rei Sou Eu?”, obra-prima de Cassiano Gabus Mendes, podemos revisitar o maravilhoso reino de Avilan, verdadeiro retrato político e social de nosso país e também assustadoramente atual.
Além da inspiradíssima trama e do texto impecável, também estamos podendo matar saudades de grandes atores em excelentes atuações, com destaque para a operística Rainha Valentine (Teresa Rachel em seu melhor momento na tv) e para o diabólico bruxo Ravengar (Antonio Abujamra em estado de graça). Os conselheiros do reino, interpretados por Jorge Doria, Daniel Filho, Oswaldo Loureiro e os saudosos Laerte Morrone, Carlos Augusto Strazzer e John Herbert também são um show á parte. E os destaques do elenco não param por aí: temos Natalia do Vale, Mila Moreira e Isis de Oliveira no auge da beleza; Claudia Abreu e Giulia Gam, em início de carreira, mas com atuações de veteranas e outros tantos atores maravilhosos como Zilka Salaberry, Ítala Nandi, Marieta Severo, Edney Giovenazzi, Vera Holtz estreando em novelas e Aracy Balabanian, entre outros. Edson Celulari vivendo o herói e Tato Gabus seu antagonista também brilharam.
Algumas referências à política da época podem soar um pouco datadas, mas no geral, poderemos comprovar que, infelizmente sob muitos aspectos, continuamos a viver no Reino de Avilan.

  
Ø  “GLOBO DE OURO”: OS 80’S VOLTARAM!

A cantora Rosana: uma das presenças mais constantes
Hoje em dia, se você não for um frequentador inveterado de micaretas ou adepto do “gênero” sertanejo universitário, vai ter grandes dificuldades em encontrar algum programa musical que não privilegie apenas esses estilos. Mas nem sempre foi assim. Em meados dos anos 70 até o início da década de 90, havia o “Globo de Ouro”, um programa que abarcava todos os gêneros e estilos. Em uma mesma edição, podíamos assistir de tudo: de Gal Costa a Kátia, de Cazuza a Luiz Caldas, de Titãs a Trem da Alegria. E para a felicidade dos saudosistas de plantão, o Canal Viva (sempre ele!) está reprisando edições do programa, mais precisamente exibidas entre 1988 e 1990. E não deu outra. Em pouquíssimo tempo, o “Globo de Ouro” virou a nova febre do Twitter, colocando a hashtag “#CamaroteDollyGlobodeOuro” e os nomes dos artistas que participam do programa entre os mais comentados da rede social. Fora a diversão com os cabelos, figurinos e estilos da época, hoje praticamente carnavalescos, tem sido uma delícia recordar tantos sucessos nesse verdadeiro caldeirão de estilos. E também é uma ótima oportunidade para os noveleiros recordarem os temas de novelas mais executados na época: Patricia (pré-Marx e pós-Trem da Alegria) cantando “Festa do Amor” da novela “Bambolê”, por exemplo. Outros temas de novelas também podem ser relembrados. De “Fera Radical”, Jane Duboc (“Sonhos”) e Lulu Santos (“A cura”); de “Vale Tudo”, Gonzaguinha (“É”), Jane Duboc (“Besame”) e Barão Vermelho (“Pense e dance”); de “Bebê a Bordo”, Gal Costa (“Viver e reviver”), Joanna (“Amor Bandido”), Paralamas do Sucesso (“O beco”), Wanderleia (“Me ame ou me deixe”) e José Augusto (“De igual pra igual”). Mas a recordista de hits era a novela “Mandala”, com Wando (“Eu já tirei a tua roupa”), Djavan (“Dou não dou”), Egotrip (“Viagem ao fundo do Ego”), Zizi Possi (“A paz”), Guilherme Arantes (“Um dia, um adeus” e a recordista absoluta e grande hitmaker da época, Rosana e seu clássico “O amor e o poder”. Portanto, não marque nada para as noites de segunda a sexta, às 23:15. Assistir ao “Globo de Ouro” acompanhando os comentários pelo Twitter é diversão garantida.

Ø  TELEDRAMATURGIA INVADE A GAZETA

Ótima notícia para os noveleiros. Nosso querido Nilson Xavier, especialista em teledramaturgia,  autor do “Almanaque da Telenovela Brasileira” e criador do site “Teledramaturgia”, de longe o melhor e mais completo site de consultas sobre novelas brasileiras, é o mais novo contratado da TV Gazeta, onde terá um quadro sobre teledramaturgia: "estarei toda quinta-feira no programa Mulheres da TV Gazeta, entre as 14h30 e 15h, conversando com a Cátia Fonseca sobre novelas, as atuais e as antigas. A ideia é, toda semana, relembrarmos alguma novela de sucesso do passado”, complementa o especialista.
Ao Nilson, que gentilmente escreveu o texto da orelha do livro do melão, desejamos sucesso em mais essa empreitada. O moço vai longe! 



Ø  LINKS LEGAIS

Pra quem ainda não leu, recomendo uma entrevista super legal e completa que meu querido Alcides Nogueira concedeu ao blog “Super TV e Mais”, de Leandro Brasil. A entrevista foi tão completa que foi publicada em duas parte. Seguem os links:



Também concedi uma entrevista para o roteirista André Luis Cia, que foi publicada no blog de Tati di Mello. Ficou bem bacana. Espero que gostem!


Ø  OLHA O MELÃO! VAI LEVAR, FREGUESA? TÁ FRESQUINHO!


Vivem me perguntando como se faz pra obter o livro do blog. Por enquanto só está sendo vendido em livrarias virtuais, como a Singular e a Livraria da Travessa. Há um link permanente para comprar aqui mesmo no blog, no canto superior esquerdo da página. Mas para os distraídos que ainda não perceberam, disponibilizo o link abaixo. Vamos lá! Quero todos consumindo melão! É mais nutritivo!

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Reprises, remakes e relançamentos: o passado reinventado.




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Quando o vilão são as circunstâncias


Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manuela (Marjorie Estiano) dividindo opiniões em "A vida da Gente"

Independente de números de audiência sempre ingratos para o horário das seis, principalmente em época de horário de verão, “A vida da gente” vem tendo uma enorme repercussão desde seu início, causando verdadeiro frisson nas redes sociais durante sua exibição e promovendo um constante fórum de discussão digno de novela de horário nobre. Muito dessa repercussão se deve ao seu mote fortíssimo, no qual os papéis dramáticos aos quais estamos tão acostumados, não estão claramente delineados. Como bem já apontaram Patricia Kogut  e Nilson Xavier em seus respectivos artigos, “A vida da gente” é uma novela sem vilões. Não se trata do eterno (e muitas vezes cansativo) embate entre o bem e o mal. Mas como uma novela consegue manter a ação constante e os conflitos sem que tenha um grande agente provocador?

O fato de não existir esse personagem capaz de alterar os rumos da trama não significa que essa trama não seja alterada. O grande vilão de “A vida da gente” são as circunstâncias que fizeram com que a protagonista Ana (Fernanda Vasconcellos) ficasse em coma por quatro anos e quando despertasse, percebesse que o grande amor de sua vida, Rodrigo (Rafael Cardoso), está casado com sua irmã Manuela (Marjorie Estiano), criando com ela a sua filha Julia (Jesuela Moro). Para Ana, é como se ela tivesse dormido em um dia e acordado no outro, mas nesse longo período, o amor entre Manuela e Rodrigo foi aflorando e se construindo aos poucos, sem que se dessem conta. Ou seja, os três são as vítimas do destino e do “tempo, tempo, tempo, tempo” e sua ação transformadora. E antes que alguém argumente que a mãe das moças, a problemática Eva (Ana Beatriz Nogueira) ou a obsessiva treinadora Vitória (Gisele Fróes) possuem a má índole necessária para serem consideradas vilãs, discordo em considerá-las como tal. Além de serem personagens pra lá de complexas, com qualidades e (muitos) defeitos, não se mede um vilão pelo grau de maldade do personagem, mas por sua atuação negativa e efetiva na vida do protagonista. E ambas as personagens não possuem força suficiente para tal.

Camila (Carolina Dieckmann) em cena marcante de "Laços de Família"

Hoje em dia o público está muito acostumado com essa dualidade bem X mal, mas a história da telenovela já provou que é possível sim criar tramas impactantes e envolventes sem que haja esse embate entre bons e maus. Manoel Carlos é mestre em provocar emoções e gerar discussões que vão além desse simplismo. Em “Laços de Família” (2000), por exemplo, a grande vilã era a leucemia que acometeu a jovem Camila (Carolina Dieckmann) e desencadeou vários conflitos passados e presentes, obrigou a mãe Helena (Vera Fischer) a revelar quem era seu verdadeiro pai, Pedro (José Mayer) a obrigando a se envolver novamente com ele para engravidar e tentar salvar a filha. Lógico que essa reaproximação gerou a maioria dos conflitos  da novela. Em “Viver a Vida”, também de Maneco, o vilão foi o acidente sofrido por Luciana (Alinne Moraes) que a tornou tetraplégica e transformou a vida de todos a sua volta.

Lucinha (Betty Faria) e Carlão (Francisco Cuoco) em "Pecado capital"

Um exemplo das antigas é a clássica “Pecado capital” (1975), de Janete Clair, mestra desde sempre a criar mocinhos que fogem ao modelo de perfeição, ao contrário do que muitos acreditam como, por exemplo, Cristiano Vilhena de “Selva de Pedra” ou Herculano Quintanilha de “O astro”. Em “Pecado Capital” temos um bom exemplo dessa ausência de maniqueísmo. Na saga de Carlão (Francisco Cuoco) que acha uma mala cheia de dinheiro em seu táxi, não há nenhum personagem com mais força para desestabilizar seu mundo do que sua própria ambição, que o fez perder seu grande amor Lucinha (Betty Faria) para o empresário Salviano (Lima Duarte) e ainda lhe custou a própria vida.

Costuireiros rivais de "Ti Ti Ti"
Na primeira versão de “Ti Ti Ti” (1985), também não havia vilão. A trama era focada na rivalidade entre os costureiros Jacques L’eclair (Reginaldo Faria) e Victor Valentim (Luiz Gustavo).  Embora a trama de Cassiano Gabus Mendes nos criasse a tendência a torcer mais pelo elo mais fraco dessa batalha, no caso, Valentim, seu oponente não era necessariamente um vilão. Ao contrário, dois anti-heróis maravilhosamente construídos em que o grande mote não era o bem vencer o mal, mas até onde iria essa batalha com ares cômicos e épicos.

Ana (Cassia Kiss) e Clara (Claudia Abreu)

Em “Barriga de Aluguel” (1990), reprisada atualmente pelo Canal Viva, também não há um antagonista criando mil planos diabólicos para derrotar os mocinhos. Aqui a autora Gloria Perez introduziu um mote tão polêmico quanto rico ao questionar sobre a verdadeira maternidade de uma criança: quem doou o óvulo ou quem a gerou? Os argumentos foram apresentados no decorrer da novela e o público refletia sobre quem tinha direito à criança. Não houve uma resposta pronta e nem uma solução fácil, como a própria vida.

Portanto, mesmo que não seja uma novidade a ausência de vilania em “A vida da gente”, ela é extremamente bem vinda nesse atual momento de nossa teledramaturgia em que o telespectador, muitas vezes, não é levado a pensar, nem provocado com temas realmente relevantes. Não há uma resposta sobre quem tem razão, Ana ou Manuela. Ambas têm suas motivações, ambas foram vítimas das circunstâncias e é justamente isso que vem causando tamanha comoção por parte do público, bem como torcidas acaloradas para as duas. A autora Lícia Manzo e sua equipe estão sabendo desenrolar com maestria, a cada capítulo, novos fios de um novelo que está longe de ser facilmente desembaraçado. Nesse emaranhado, nada é simples ou raso e tudo pode mudar de acordo com o ponto de vista. Assim como a vida da gente.

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Melão Express: Rapidinhas, mas saborosas – ed. 17






quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Blogueiro convidado: Edu Vieira relembra “Marron-Glacé”


Mais uma vez, este melão recorreu à memória de Edu Vieira e seu talento para relatar essas memórias. A escolhida da vez é “Marron-Glacê”, de 1979, um dos primeiros sucessos de Cassiano Gabus Mendes para o horário das sete da Rede Globo que sempre desperta saudades e quem viu e também a curiosidade de quem não assistiu, já que não há tantas informações disponíveis sobre a novela. Edu nos brinda com um texto que relembra os principais acontecimentos da novela e também revela algumas curiosidades em torno dela. Confiram!

  
Champagne no gelo...

Ary Fontoura e Sura Berditchevsky em cena de "Marron Glacê"

Lembro-me que toda vez que ouvia esse inicio do tema da novela Marrom Glacê, já estava postado à tv, cantando junto. Mais uma novela do autor Cassiano Gabus Mendes, meu autor favorito na época, que nunca me deixava na mão, sempre com várias histórias pra contar, com aquela que era sua marca registrada: temas adultos e folhetinescos embutidos numa narrativa leve e sofisticada.

Não conhecia a tal sobremesa do título- o tal marrom glacê, até a Cica lançar na época- vejam o que uma novela não faz - um produto similar à iguaria finíssima... que fez um enorme sucesso, sendo o próprio  que anunciava a novela. Cassiano, dessa vez, mostrava-nos o cotidiano da vida das pessoas que serviam uma classe abastada, os garçons, que moravam no mesmo prédio. Eles eram vividos por Lima Duarte, Armando Bogus, João Carlos Barroso e Ricardo Blat, cada um com um drama a ser contado ao longo da novela.

A trama se inicia com um elemento bem novelesco, um homem, Otávio (Paulo Figueiredo, que havia sido galã na Tupi) deseja vingar a morte da mãe (Eloísa Mafalda, em participação no primeiro capítulo), que havia morrido na miséria por culpa de uma família que, segundo ela, enganara seu pai.
O jovem não só conhece a tal família como vai trabalhar no Buffet da esposa do suposto responsável, Clotilde, conhecida como D. Clô (Yara Cortes), uma mulher muito justa, mas enérgica com seus empregados e também com suas duas filhas: Vanessa e Vânia, que não têm muito juízo e acabam aprontando sempre com a mãe, principalmente a mais nova, a apaixonante Vânia (Louise Cardoso) que logo se enamora por Otávio, tendo uma relação às escondidas. A grande ironia é que o rapaz apaixona-se de verdade, contra todas as suas expectativas de vingança, por sua irmã, Vanessa (Sura Berditchevsky), já noiva. Esta demonstra uma repugnância gratuita pelo rapaz, mas nós telespectadores já sabíamos do que se tratava...

A trama dos garçons alternava drama e comédia. Quando estavam juntos havia sempre cenas bem engraçadas, com eles zombando do exigente máitre, vivido por Laerte Morrone, que sempre desejava  colocar ordem no estabelecimento e também  do afetado e mal  humorado  cozinheiro, Nestor de Montemar. O mais velho deles, Oscar, vivido por Lima Duarte morava com duas senhoras um tanto gagás que fazia perucas para ele e este para não magoá-las fingia usá-las... essas cenas com as maravilhosas Ema D’ávila e Dirce Migliaccio, em um trabalho de composição, garantiam boas risadas. O personagem também tem um filho, Luis César (João Carlos Barroso) que trabalha com ele, porém mal fala com o pai por alguma razão do passado.

Nessa novela ainda há a estreia de uma atriz, na época modelo, começando muito bem, Mila Moreira, chamada apenas de Mila. Ela fazia Érika, secretária e braço direito de Clô. Era uma mulher sofisticada e um tanto esnobe que ganha espaço cada vez maior na trama quando o personagem de Armando Bogus, Nestor, cai de amores por ela... ela acha isso divertido e dessa situação  sai uma das muitas cenas memoráveis da novela. Querendo brincar com o garçom, aposta com as amigas fúteis que iria dar um beijo em qualquer garçom e contrata-o. Ele finge aceitar e no ato, revida um tapa no rosto da secretária, que a partir desse momento, passa a enxergá-lo. Um gancho e tanto, não? Outra cena também que ficou na história das novelas, mesmo tornando-se um clichê do gênero, é a cena em que Vanessa deixa o noivo no altar para ficar com Otávio, resultando num grande rebuliço com a mãe e principalmente a irmã, personagem que cativou o público. Muitos, na época, torciam para que Otávio se apaixonasse por Vânia, pois a mocinha, feita por Sura, era um tanto carrancuda.

Ainda, no prédio, viviam o casal feito pelos atores Ricardo Blat e Myriam Rios.  Esta fazia Shirley, uma mulher bonita que andava sempre de shorts, saias curtas, o que provocava sempre a ira do marido, o ciumento Juliano. Muitas mulheres, na época achavam mesmo o comportamento da mulher imoral, só para constar que se podia fazer uma crônica da vida real numa novela das 7. Porém o personagem vira o jogo, alegrando o público, meio machista, quando arruma uma pretendente feita por Heloísa Millet, em uma participação do meio pro final da história. Aí o feitiço vira contra a feiticeira...

No final da história, o (anti) herói acaba por descobrir que seu pai havia sido um contador que subtraíra boa parte do dinheiro do marido de Clotilde e pede perdão à ex-patroa, desejando ficar com sua filha. Vânia, no final, ganha um prêmio de consolação, está de olho em outro garçom, Mário Gomes em uma participação no último capítulo, último capítulo, aliás, que serviu de ponte para o primeiro da próxima novela Chega Mais em que a família da noiva contrata os serviços do Buffet Marrom Glacê. Mas, parafraseando o Charles Gavin, essa já é outra história...

Eduardo Vieira

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 Leia também outros textos de Eduardo Vieira para o melão:

Blogueiro convidado: Eduardo Vieira relembra “O pulo do gato”



domingo, 7 de novembro de 2010

Enfermeira, Eu prefiro melão!

                                                                                                                                                       
O MELÃO NOVAMENTE RESPONDE A PERGUNTA QUE INSISTE EM NÃO CALAR!

Apesar da célebre frase proferida por Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte) para sua enfermeira Elza (Zilda Cardoso) em “Meu bem meu mal” (1990/91) ter feito história na TV, muita gente ainda pergunta de onde eu tirei o título desse blog. Houve outros melões famosos em novelas como os de Tancinha (Claudia Raia) em “Sassaricando”, mas o de Dom Lázaro é imbatível.

Mesmo já tendo respondido essa pergunta, posto o vídeo abaixo da matéria do Video Show lembrando os 20 anos da novela. Para conhecer ou relembrar! E também minha eterna gratidão e homenagem ao grande Cassiano Gabus Mendes. Agora já posso dizer que o melão é nosso!!!



terça-feira, 13 de abril de 2010

Melão Express - Rapidinhas, mas saborosas – Ed 6:


MÊS DE ESTREIAS:

  • Sim, o ano “global” começa em abril. Dentre as inúmeras estréias e reestréias da TV Globo, destaco as séries “Separação” e “A vida alheia”. Esta última trouxe um autor Miguel Falabella diferente de suas demais obras televisivas. Longe da estética kitsch e do humor escrachado, a série aborda o cotidiano de uma revista de celebridades e tudo é abordado de maneira irônica, crítica, sarcástica. Há humor, mas não aquele humor fácil tão presente na programação atual. Claudia Jimenez chegou prometendo um grande papel, mas todo o elenco esteve muito bem. Ótima atração, que preza pelo espectador com mais de dois neurônios.

Thiago Prado Neri / TV Globo / Divulgação



  • Já “Separação” apresenta um tipo de humor bem parecido com "Os normais" (comparação inevitável com o mega-sucesso da dupla Young/Machado), mas os personagens parecem ter mais consistência. Enquanto "Os normais", embora fosse ótimo, ficava só no terreno do humor e na busca por piadas (inteligentes ou físicas), "Separação" parece que vai mais fundo. Enquanto em “Os normais”, os protagonistas funcionavam como uma metonímia de vários casais e, por isso mesmo, com características muito comuns a todos, “Separação” parece lançar um olhar mais apurado e particular àquele universo do casal em crise. Tem um pezinho no drama e as piadas fazem mais sentido dentro da história. Debora Bloch está super à vontade, Brichta, muito bem, tem a chance de mostrar o ótimo ator qeue é, sem aquele ar abestalhado de trabalhos anteriores. Além de ótimos coadjuvantes. Sucesso!


TV Globo / Divulgação



  • Também estreou “Escrito nas estrelas”, de Elisabeth Jhin, nova novela das seis. Produção muitíssimo bem cuidada, com ótimas sequências de ação, equilibrando as cenas e apresentando muito bem os personagens, fugindo ao máximo do inevitável didatismo. A novela parece vir com força e com tudo pra conquistar o espectador médio e frustrar os mais exigentes. Texto simples, personagens idem. Trama folhetinesca, mas totalmente adequada a atualidade, mesclando o romance tradicional com temas modernos e atuais. Já de cara destaco o trabalho de Natália Dill (foto), ótima em cena, super diferente de seus dois papéis anteriores e se consolidando com uma das melhores promessas da nova geração. Sua heroína Viviane dominou a cena e a atriz soube equilibrar vigor e graça na medida certa. Jayme Matarazzo também deu verdade ao personagem, sobretudo com o olhar. De cara, já deu vontade de torcer pelo casal. Os coadjuvantes que apareceram também estiveram muito bem. Enfim, uma receita de bolo que parece que vai funcionar.


  • Ainda no quesito “estreias”, parabenizo a Leda Nagle e toda a equipe do "Sem Censura", da TV Brasil, pela estréia da nova temporada. Na verdade, a atração parece ter dado um “up” em sua qualidade técnica e tem um novo e bonito cenário. O formato do programa continua o mesmo. Graças a Deus! Se “interatividade” parece ser a ordem permanente do dia, o “Sem Censura” já faz isso há quase duas décadas com a mesma competência. Só é uma pena que o programa tenha perdido meia hora de sua duração diária, mas o importante é que ele permanece com fôlego para muitos e muitos anos.

 ENQUANTO ISSO, NA TV DA MINHA CASA

Faz o maior sucesso a reprise de “Ti Ti Ti”, que ganhei de meu grande amigo Ronaly. Estou revendo a novela que me conquistou em 1985 quando tinha apenas 8 anos, e comprovando a impressão que tive na época. Excelente. Há uma teoria de que elegemos como favoritas as novelas vistas na infância por ainda não possuirmos muito senso crítico, o que torna tudo mais romântico e idealizado. Mas, sinceramente, “Ti Ti Ti”, a exemplo de “Tieta”, está me provando o contrário. O embate entre os eternos inimigos Ari/Victor Valentin e André/ Jacques Leclair continua delicioso. Atmosfera chique, texto primoroso de Cassiano Gabus Mendes (quantas tiradas ótimas sem o menor resquício de apelação), ótimos atores em cena e personagens que vão além do arquétipo. Saudades do tempo em que os personagens cômicos de novela não pareciam imbecis. E que elenco: Reginaldo Faria, Luiz Gustavo (em estado de graça), Marieta Severo, Malu Mader, Cassio Gabus Mendes, Aracy Balabanian, enfim... fantáticos. Saudades de Paulo Castelli e Miriam Rios, sempre com uma ótima química. Tania Alves, maravilhosa e, sobretudo, muitas saudades de Sandra Brea. Belíssima e talentosa! Assisto a um capítulo e não consigo me conter. Quero logo assistir ao seguinte. Como faz falta um bom gancho em novelas.. 

Enfim, estou esquentando os tamborins para o aguardadíssimo remake de Maria Adelaide Amaral sem nenhuma ilusão de que será uma cópia fiel do original. E seria um erro se assim o fosse. Maria Adelaide já provou em “Anjo mau” que entende como poucos o universo de Cassiano e sabe atualizar uma trama sem que ela perca sua essência. Promete!

Também ganhei de meu amigo Ivan Gomes ótimos compactos de “O sexo dos anjos” e “Final feliz”, da maravilhosa Ivani Ribeiro. Também me deliciando, mas deixo pra falar sobre elas em outra edição.
  

 DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS 


  • Que a programação da TV aberta aos domingos é um horror, isso todo mundo já sabe. Uma enxurrada de programas de auditório apelativos, com atrações de baixíssimo nível e qualidade mais do que duvidosa. Tudo é nivelado por baixo. Tenho pena de quem não tem TV por assinatura ou algo melhor para se fazer na rua. Enfim, mas o que me surpreendeu foi que, dia desses, durante uma infeliz zapeada, me surpreendi com mulheres sensualíssimas ensinando e praticando “pole dance” no inicio da tarde no programa de Ana Hickmann. Até aí, nada demais. Mas há dois anos atrás, não foi exatamente a tal dança que causou a maior polêmica com a personagem de Flávia Alessandra em “Duas Caras” chegando, inclusive, a ser proibida na novela? Sou radicalmente contra a qualquer tipo de proibição, mas gostaria de entender essa lógica. Em plena tarde de domingo com programas de classificação livre pode e numa novela das nove não pode? Como assim? Se não for perseguição às novelas, não sei o que pode ser...

NOVO GUIA DE NOVELAS:


Por fim, fica uma dica para quem gosta do gênero. O livro “Guia Ilustrado TV Globo – Novelas e minisséries”, lançado pela Zahar, que faz parte do projeto Memória Globo em comemoração pelos 45 anos da emissora. Para noveleiros inveterados, nenhuma novidade. A bíblia da teledramaturgia e guia de consulta obrigatório continua sendo o site do Nilson Xavier (http://www.teledramaturgia.com.br/). Mas o livro não deixa de ser uma boa pedida para se ter em casa e sempre à mão, pois traz o resumo de TODAS as novelas e minisséries produzidas pela emissora até hoje, bem como mais de 600 fotos. Precisamos de mais e mais livros sobre o gênero que mais faz sucesso no país há quase 50 anos e faz parte da nossa cultura assim como Hollywood faz parte da cultura do povo norte-americano. Enfim, a novela parece começar a ser valorizada. Que venham outras publicações.

Abração a todos e até mais!!!

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