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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Alô, capixabas! Melão está chegando por aí...


Queridos, essa semana vou participar de um evento muito bacana em Vitória, que vai abrir o FECIM- Festival de Cinema Independente de Muqui. Fui convidado para ser mediador de uma mesa muito especial sobre telenovela, que contará com os experts Mauro Alencar e Lucia Abreu.
E é claro que vou levar alguns exemplares do melão para uma mini tarde de autógrafos. Terei muito prazer em autografar livros e trocar um dedinho de prosa com quem estiver por lá!
Segue abaixo a programação do evento! Imperdível!



PROGRAMAÇÃO:

18 de Julho de 2013
Cine-metrópolis – Universidade Federal do Espírito Santo

GENTE EM CENA apresenta: “Teledramaturgia Brasileira – Balanços, perspectivas e a relação com as histórias do povo”.

Às 15h00 – Exibição do filme “A Arte de interpretar – A saga da novela Roque Santeiro” – Documentário de Lúcia Abreu. Duração: 85 minutos.

Às 16h30 - Participação de: Mesa de bate-papo “Teledramaturgia brasileira – balanços, perspectivas e a relação com as histórias do povo”. Mauro Alencar (TV Globo), Lúcia Abreu e mediação de Vitor de Oliveira.

Obs: O FECIM oferecerá certificados de participação para todos os estudantes cadastrados. Participação gratuita, sujeito a lotação.

APRESENTAÇÃO OFICIAL DO FESTIVAL DE MUQUI:

Às 18h00 – Mesa de bate-papo inaugural do Festival de Cinema de Muqui 2013: “Imagem, sensibilidade, produção e interiorização do cinema no Espírito Santo”. Participação de: Erly Vieira Jr., Sáskia Sá, Diego Scarparo e mediação de Léo Alves.

19h00 – Apresentação do clipe oficial da 2ª edição do FECIM e apresentação da temática, por Jussan Silva e Silva.

Abertura para entrevistas e trocas de conhecimento.
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GENTE EM CENA - Como e por que a novela está cada vez mais próxima da realidade?


Este projeto tem como principal objetivo a análise do processo de produção do gênero “telenovela” para verificação de como essa construção retrata os recortes de atividades e acontecimentos cotidianos por meio da narrativa ficcional.

MESA TELENOVELA:
            No intuito de proporcionar maior abrangência do tema da telenovela no Brasil o FECIM propõe a mesa de bate-papo “Telenovela – Representações do povo, balanços e perspectivas” em parceria com o projeto “Gente em cena”. O foco da mesa é a discussão em torno da representatividade do povo na tela/identificação, bem como abordagem e reflexão em torno dos grandes sucessos que já despontaram na área, envolvendo o público de forma efetiva, com desdobramentos na vida das pessoas e no cotidiano.



PARTICIPANTES:
Convidados:

Lúcia Abreu
Lúcia Abreu é jornalista, produtora, roteirista e diretora. Trabalhou na Europa e no Brasil, onde atuou na TV Globo, passando por programas como Fantástico, Jornal Nacional, Globo Repórter, TV Pirata dentre outros programas e novelas.  Seu último trabalho é o documentário “A Arte de Interpretar – A saga da novela Roque Santeiro”.

Mauro Alencar
Mauro Alencar é mestre e doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana pela USP, autor dos livros “A Hollywood Brasileira – Panorama  da Telenovela no  Brasil” e das adaptações para romances das novelas Selva de Pedra, O Bem- Amado, Pecado Capital, Roque Santeiro e Vale Tudo. É considerado por jornais, rádios e revistas como um dos maiores especialistas sobre telenovelas no mundo.
Mediador convidado:

Vitor de Oliveira
Vitor de Oliveira é professor, escritor, roteirista e dramaturgo, formado em Letras pela UFRJ. Criador do blog “Eu prefiro melão”, um dos pioneiros a publicar textos de conteúdo próprio voltado para o universo da teledramaturgia, que deu origem ao seu primeiro livro “Eu prefiro melão – melhores momentos de um blog televisivo”. Foi colaborador da nova versão da novela “O astro” (2011) da TV Globo, premiada com o “Emmy Internacional”. 


LANÇAMENTO OFICIAL DO FESTIVAL DE MUQUI (ES):
Como forma de apresentação do Festival de Muqui na capital do Espírito Santo, os coordenadores propõem a discussão do cinema no interior do Estado, refletindo sobre o potencial criativo e imagético presente na tradição e nas expressões do povo capixaba na mesa "Imagem, sensibilidade e interiorização do cinema no Espírito Santo".

PARTICIPANTES:



Sáskia Sá
Sáskia Sá é mestre em Educação pela UFES, Cine Educadora com prática em educação de nível superior e oficinas de realização em roteiro, direção e produção, além de formação cineclubista.

Erly Vieira Jr.
Erly Vieira Jr é cineasta e escritor. Doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ, é professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes. Escreveu e dirigiu nove curtas-metragens. Produz e apresenta o programa Outra Escuta, na Universitária FM.

Diego Scarparo
Diego Scarparo é graduado em Artes Visuais - UFES e atua na área de marketing e produção cultural desde 2004. Já participou de produções nacionais como Rio De Jano - HyBrazil Filmes e Viagem Capixaba - TV Cultura. Assina direção d filmes como "Sangue & Rosa" - Petrobras Cultural, O Que Bererico Vai Pensar? - SECULT, O Canarinho Mudo - SECULT.
Mediador convidado:

Léo Alves
Léo Alves é graduando em Jornalismo pela UFOP (MG), escritor, roteirista, cineasta e coordenador de projetos culturais no Espírito Santo. É autor de livros, documentários e filmes de ficção. Atualmente coordena o FECIM, Festival de TV e Cinema de Muqui (ES).

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Esperamos vocês! Até mais...

sábado, 8 de setembro de 2012

Blogueiro convidado: Robério Silva discute o preconceito contra a telenovela



Duas ou mais coisas sobre telenovelas

por Robério Oliveira Silva

(Este texto é dedicado a Vitor de Oliveira)



Nasci em 1972, ano de “Selva de Pedra”, a tal novela dos cem por cento de audiência no capítulo-clímax. Segundo minha mãe, fui para a escola já semi-alfabetizado porque assistia à “Vila Sésamo”, aquele “programinha” infantil com Armando Bógus, Aracy Balabanian e Sônia Braga – a mulher primordial da minha infância. Faço parte da segunda, senão primeira (devido ao fato de ser nordestino, podem me corrigir caso eu caia em preconceito com minha própria origem geohistórica), geração de pessoas criadas pela televisão no Brasil. Como boa parte desse grupo, foi com as telenovelas que tive meu primeiro contato com a narrativa de ficção, muito embora tenha sido alfabetizado bem cedo, tornando-me, desde então, um ávido leitor mirim. Imaginem como foi gostoso, em tenra infância, ter meus olhos e ouvidos invadidos por obras como “Estúpido Cúpido”, “Gabriela” (talvez a mais remota lembrança, devido aos serões na casa dos meus avós paternos em Salvador, onde a novela, por motivos mais do que óbvios, bombava), “Escrava Isaura”, “Saramandaia” (uma delícia para uma criança, imaginem, mesmo com medo do lobisomem de Ary Fontoura e da música-tema, que eu não ouvia sozinho), “A Sucessora” (achava linda, e ela era, a Suzana Vieira), entre outras obras marcantes do período. Nada disso me impediu de ler Monteiro Lobato,  Lygia Bojunga Nunes, Maria José Dupré, ainda antes dos 10 anos. Aos 11, eu descobriria Agatha Christie; aos 14, José de Alencar (“O Tronco do Ipê”); e antes dos 18 já estava às voltas com Graciliano, García Marquez e Lygia Fagundes Telles (sim, Clarice e Machado viriam mais tarde, rs). Também antes dos 18, acho que eu já era um cinéfilo, igualmente “criado” pela televisão, já que, morando no interior, e nem sempre podendo ver filmes adultos no cinema, depois que me mudei para Vitória, acompanhava as saborosas sessões de cinema, ainda que dublado, que compunham a programação noturna das emissoras. Estavam ali nas madrugadas das minhas férias e dos finais de semana Hitchcock, David Lean, Samuel Fuller entre outros grandes. Mas esta é outra conversa.

Acostumado no convívio com as narrativas televisivas, reforçadas ainda com o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, os casos especiais, a Série Aplauso (“Vestido de Noiva” [!!!] com Suzana Vieira como Alaíde, Joana Fomm como Lúcia, e Tônia Carrero como Madame Clessi – que trio!!!), as séries e as minisséries surgidas nos anos 80, nunca entendi direito a implicância de determinados setores da classe teatral-artística e da recusa dos segmentos acadêmicos, sobretudo no campo das ciências sociais de viés esquerdista, em reconhecer o valor e a importância de nosso melhor produto cultural tipo exportação. Com a óbvia figuração questionadora de nossa sociedade de novelas como “Roque Santeiro”, “Que Rei Sou Eu?” e “Vale Tudo”, além do sucesso retumbante de nossas telenovelas ao redor do planeta, tais discursos entraram em declínio, e os intelectuais, acadêmicos e artistas tiveram que rever suas posições (como se, por exemplo, a inatacável, e já séria e positivamente reputada à época, Fernanda Montenegro não tivesse estreado em novelas no hoje distante ano de 1966...) e se render ao encanto e qualidade das ficções televisivas tupiniquins. Também ao redor do planeta, a televisão deixara de ser algo intocável pelos estudiosos e acadêmicos da arte e da cultura, e passara a ser objeto de pesquisa de teóricos importantes – fiquemos simplesmente com Umberto Eco, para não parecermos pedantes. E já nas nossas melhoes universidades (USP, Unisinos, entre outras) são consolidados os núcleos de estudos de telenovela.

Sintomaticamente, porém, no contexto latino-americano e doméstico, parece que retornamos, ou nunca saímos, a essa difícil aceitação de que fazemos boas telenovelas, com muitas demonstrando irrefutável valor artístico, seja pela pertinência, relevância e/ou engenhosidade de seus enredos, pelos recorrentes belos trabalhos dos atores, por trilhas sonoras que se tornaram históricas e (sobretudo nos anos 70) constituem verdadeiros álbuns da melhor MPB, ou ainda por alguns triunfos de direção. É certo que talvez 75% das telenovelas sejam obra de evasão e cumpram, consciente e voluntariamente ou não, uma função alienante e alienatória. E daí? Também o foram e fizeram o cinema hollywoodiano, boa parte da literatura do século XIX, alguma ópera romântica e o melodrama burguês, o que não impediu que grandes obras viessem a existir e alcançar êxito no bojo mesmo desses gêneros, continuando até hoje na história ou no cânon das artes.

É sempre difícil propor que a telenovela seja uma obra de arte, dados os seus compromissos mercadológicos, institucionais e ideológicos para que possa existir, e que interferem na estrutura mesmo da narrativa, da escolha dos atores, e da direção. Mas devemos aceitar que é, sem sombra de dúvida, um produto cultural que utiliza elementos artísticos, ainda que possamos localizar uma certa crise de criatividade no gênero, ali depois da segunda metade da década de 90 e virada do século-milênio (talvez a pior fase em termos de inventividade) sobretudo no que diz respeito à dramaturgia, recentemente inovada a partir do advento de “A Favorita”.

De todo modo, o que me fez escrever este texto foi o fato de sentir em momentos do cotidiano e nos debates das redes sociais a permanência do preconceito contra as telenovelas, seja como narrativas ficcionais, seja como algo representante de nossa cultura. Lembro com certo humor da expressão dos amigos argentinos quando me viam acompanhando a novela das 9 da noite através do youtube, quando estive em Córdoba, em 2010. O ar de incredulidade diante de um doutor em literatura que se dispunha a ficar uma hora diária acompanhando uma telenovela era flagrante – e olha que era uma novela que eu nem gostava tanto, mas cuja assistência me fazia matar um pouco as saudades de casa.

Outro fato mais recente foi uma brincadeira, ou bronca – até hoje estou em dúvida – que levei de um amigo alemão que veio aqui em casa e me pegou acompanhando “Gabriela”, ali logo pela primeira ou segunda semana. Como homem inteligente que é, e irônico, escreveu de uma forma que até agora não sei se era um chiste irônico ou um puxão de orelhas de fato, novamente diante do professor doutor em literatura comparada (bla-bla-blá) que se prestava à pachorra de ver ficção televisiva. No fundinho, brazuquinha que sou, tenho até meio vergonha, hihihihihihh, de perguntar ao nativo da terra dos grandes filósofos modernos o que ele estava de fato querendo me dizer.

Pelo Facebook, poucas semanas atrás, houve um vislumbre de polêmica entre os que assistem novelas brasileiras e os que se entopem de séries americanas nos canais a cabo (é Fox, é Sony, é Warner, é A&E, é Universal, é HBO, é Multishow, é TnT, FX, AXN, eita!!!). Mas a galera não quis aprofundar, e eu não quis dar uma de chato de plantão – porque eu sou, e muito. E aí, amigos? Que me dizem?

Semana passada, foi uma amiga amada, do fundo de dentro do coração, artista, linda, sensível, brilhante, mas que me proibiu de ver novela na casa dela... kkkkkk. Dá pra rir agora, mas na hora fiquei fulo. Como era aniversário da dita cuja... E olha que era Carminha. Mas não rolou. Te amo, Criola, mas tu vês série norte-americana. É tudo televisão, é teleficção ao fim e ao cabo, ora pois.

Penso que já ultrapassamos há pelo menos uns vinte anos as dúvidas que tínhamos a respeito da relevância e qualidade das telenovelas brasileiras, e do arraigamento (ok, recente) do hábito de assisti-las entre nós. Muitos criticaram o Harry Potter e as Spice Girls na abertura da recente Olimpíada de Londres. Eu achei ótimo. Os ingleses mostraram o que é ter noção do que o país exporta para o mundo, vendendo e perpetuando uma tradição cultural quase milenar. Se J. K Rowling não é Bram Stoker, e as garotas apimentadas não chegam aos suvacos dos rapazes de Liverpool é uma outra discussão. Mas era o que a Grã-Bretanha tinha para aquele “hoje”. 

Está na hora de deixarmos de ser este bando de tabaréus e caipiras e passarmos a assumir que gostamos de novela, sim senhores, porque é uma das coisas que melhor sabemos fazer. E talvez até – por que não? – com um certo orgulho.

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ROBÉRIO SILVA é professor universitário, Doutor em Literatura Comparada, astrólogo (dos bons), tarólogo (dos melhores), cinéfilo (dos mais entendidos) e noveleiro (dos mais inveterados), além de um grande amigo (dos mais fiéis). Este melão se orgulha muito em publicar seu texto e agradece, ruborescido como uma melancia, a carinhosa dedicatória.




LEIA TAMBÉM:

Blogueiro convidado: Robério Silva revela os signos em “ValeTudo”





quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Blogueiro convidado: Aladim Miguel fala sobre encontro de divas no CCBB

                                                                                                           
Queridos, o melão está tão chique que já ganhou até um repórter! Como não pude comparecer ao maravilhoso evento no CCBB sobre a história das telenovelas, convoquei o querido amigo Aladim Miguel, criador do incrível “Arquivo Lucélia Santos” , site caprichadíssimo em fotos e informações, totalmente dedicado à carreira da atriz. Além de “luceólogo”, Aladim é noveleiro de carteirinha, fã e entendedor profundo de teledramaturgia. Portanto, não poderia estar melhor representado. Aladim foi de uma gentileza imensa em relatar tudo o que presenciou no encontro. É com você, amigo!
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“A História das Telenovelas” no CCBB

por Aladim Miguel



A noite do dia 31 de Agosto de 2010 foi especial para os amantes da boa telenovela brasileira, o encontro de duas divas da nossa teledramaturgia – Nathália Timberg e Sonia Braga - foi um prato cheio para quem gosta de conhecer mais da história de uma época de ouro da nossa televisão brasileira. O evento “A História da Telenovela”, idealizado pelo Profº Hermes Frederico, lotou o Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), com um bate papo leve e divertido e com direito a várias imagens clássicas das participações das convidadas em momentos antológicos da telenovela brasileira no telão.


Nathália Timberg, O Direito de Nascer e a Força das Telenovelas:



O evento começou ás 18: 30 com a entrada da atriz Nathália Timberg - uma de nossas maiores Damas do Teatro – que se surpreendeu ao se deparar com a platéia lotada e comentou “Vocês gostam mesmo de novelas hein!”. A atriz começou a contar suas curiosidades sobre as novelas a partir de sua estréia no gênero em “O Desconhecido” (1964) - novela produzida pela TV Rio e exibida em São Paulo pela TV Record - nesta novela ela criou um grande vinculo de amizade com Nelson Rodrigues que era responsável pela autoria da novela. Depois ela comentou o seu maior sucesso na TV: a irmã Maria Helena do clássico “O Direito de Nascer”, da TV Tupi em 1964, que segundo palavras dela “quase me canonizou” disse rindo e levando a platéia às gargalhadas, lembrou que parava multidões só com um simples aceno e do fenômeno que compareceu à festa de encerramento aqui no Ginásio do Maracanãzinho em 1965. Depois da apresentação de um vídeo histórico sobre este evento, Nathália lembrou sua estreia na TV Globo em 1967 com “A Rainha Louca”, em que fez a protagonista, ao lado de Rubens de Falco, de quem lembrou vários bons momentos de parceria nesta trama. Em um momento bastante delicado do bate papo Nathália criticou os jovens atores e a linguagem das telenovelas atuais: “Precisam cuidar um pouco mais da linguagem das telenovelas brasileiras atuais. A nossa língua é muito maltratada. Cada vez mais o povo fala muito mal o português e os autores, com essa história de retratar a realidade da vida, estão esquecendo-se de fazer bons textos também”. Sobre seu contato com a grande Ivani Ribeiro, relembrou dois trabalhos marcantes na TV Excelsior: “O Terceiro Pecado” (1968) e “Dez Vidas” (1969/70), essa última com direito a exibição de uma cena pequena da novela. Também lembrou de uma época em que os atores de teatro tinham grande preconceito em atuar em telenovelas e relutavam muito em aceitar os convites, lembrou com carinho de duas produções que foram encabeçadas por ídolos do teatro: as primeiras versões de “A Muralha” ( TV Excelsior - 1968/69), de Ivani Ribeiro – com quem havia feito grande sucesso em “O Terceiro Pecado” (TV Excelsior -1968), trama mais conhecida por nós através do seu remake na TV Globo com o nome de “O Sexo dos Anjos” (1989/90) – e “Sangue do meu Sangue” de Vicente Sesso (TV Excelsior em 1969/70). Marcada por grandes vilãs, Nathália teve sua porção romântica exibida no telão com uma cena de “Escalada” (de Lauro César Muniz – TV Globo - 1975), onde representou uma professora que se apaixona por um rapaz mais jovem interpretado por Ney Latorraca. Para finalizar o bate papo foi debatida a parceira da atriz com o autor Gilberto Braga em “O Dono do Mundo” (TV Globo – 1990/92), onde ela arrasou na pele da soberba Constância Eugênia, e em “Força de Um Desejo” (1999/2000 - esta em co-autoria de Gilberto com Alcides Nogueira), onde voltou a dar um show de interpretação como a pérfida Idalina e comentou sobre sua volta ás obras do autor em “Insensato Coração”, título provisório de sua próxima novela das 8 para a TV Globo em parceria com Ricardo Linhares, em que ela fará uma personagem rica e do bem como a Celina de “Vale Tudo” (1988/89). Sob aplausos, agradeceu ao público e deu passagem a outra diva: Sonia Braga, que foi sua filha na novela “Força de um Desejo”.


Sonia Braga relembra 35 anos de “Gabriela’



A entrada esfuziante da não menos esfuziante Sonia Braga foi marcada por sua já famosa dança do véu que faz a alegria dos fotógrafos. Sonia, linda e em forma, no alto de seus 60 anos, já conquistou a plateia na entrada com muitos aplausos. Ela começou seu bate-papo lembrando sua sofrida trajetória de vida, desde a morte de seu pai quando ela tinha 9 anos, quando sua família perdeu tudo até sua primeira oportunidade na TV no programa infantil “Jardim Encantado” a convite do novelista Vicente Sesso. Depois de ser recepcionista e de ter sido secretária em um Buffet, ela ainda tentou ser modelo, muito influenciada por seu irmão Hélio, presente na plateia. Sonia não passou nos testes, mas ganhou uma forcinha do cantor Ronnie Von, que a contratou para seu programa de TV. Sobre teatro ela comentou que não gosta de fazer e que a única experiência que teve foi no clássico musical “Hair”, em que aparecia nua. A atriz parabenizou os atores que gostam e que conseguem fazer TV, cinema e teatro ao mesmo tempo, pois ela não tem esta disposição toda. Foi exibida no telão uma cena da estreia de Sonia na TV Globo em “Irmãos Coragem” (1970/71), de Janete Clair, onde ela comentou que já fez sua estreia usando uma peruca e sendo a rival da índia Potira, da grande Lúcia Alves. Sonia lembrou sua parceira com Janete em mais duas novelas: “Selva de Pedra” (1972/73) e “Fogo Sobre Terra” (1974/75), onde ressaltou a alegria do elenco nas gravações e de sua grande satisfação ao contracenar com a falecida atriz Dina Sfat. Um dos momentos mais curiosos foi a de sua contratação para ser a Gabriela (TV Globo – 1975), novela que a tornaria musa nacional e internacional, principalmente em Portugal, onde era recebida em carro aberto com o comércio fechado, ela comentou que se sentia uma rainha e que isso jamais se repetiu ao longo de sua carreira. Sonia conta que o diretor Daniel Filho tinha visto seu desempenho no Caso Especial “Caminhos do Coração”, de Domingos de Oliveira (TV Globo – 1974), em que ela aparecia super bronzeada - segundo ela, fruto de um tórrido romance que viveu na vida real em Paraty - no episódio “Sonia, a hippie” e a indicou para o temido diretor Walter Avancini que, segundo ela, era um doce de pessoa e só exigia o mínimo dos atores: pontualidade e seu texto decorado na ponta da língua. Foi uma surpresa quando o diretor a chamou para uma conversa e a revelou que ela seria “A” Gabriela na novela homônima de Walter George Durst (TV Globo – 1975), mas que tudo deveria ficar em segredo até uma coletiva com a imprensa onde ela seria apresentada ao escritor responsável pela obra, o baiano Jorge Amado, que arrancou risos dos jornalistas ao responder a pergunta: Porque o senhor escolheu a Sonia Braga para ser a Gabriela? E ele respondeu “Ora, porque somos amantes!”. Depois de narrar este episódio engraçado o telão exibiu outro clássico da teledramaturgia “Dancin’ Days” (TV Globo – 1978/79), onde ela lançou moda e arrasou nas pistas de dança ao lado de Paulete, que foi seu coreógrafo. Sonia contou que não se sentia preparada para viver uma personagem com uma carga dramática tão grande e com uma idade acima da sua na época. Ela conta que fez o teste com as atrizes Lídia Brondi e Glória Pires, que acabou ficando com o papel de sua filha Marisa. Sobre a sua saída das telenovelas em “Chega Mais” (TV Globo – 1980), Sonia comenta, rindo, que a mídia colocou a culpa pelo fracasso da novela no seu corte de cabelo. Falou que é muito desagradável quando um trabalho é rejeitado pelo público e que os atores ficam em uma situação muito constrangedora, mas que também lembra com carinho da forte ligação dela com os atores Renata Sorrah e Tony Ramos durante a exibição. No final do bate papo, Sonia falou: “Eu estou muito emocionada em rever tudo o que fiz na televisão e olhar várias pessoas queridas que já se foram e eu ainda aqui, viva, contando essa história”. A diva ainda deu um selinho no professor Hermes Frederico e saiu bastante aplaudida por todos os presentes, que ainda tiveram a chance de tirar muitas fotos e pegar autógrafos com a simpaticíssima atriz. Detalhe: para os que estão com saudades de Sonia Braga, ela estará de volta à TV Globo na série “As Cariocas”, ao lado de Antônio Fagundes e Regina Duarte, com direção de Daniel Filho, prevista para estrear em outubro deste ano. Na série, seus personagens terão os nomes de Júlia, Cacá e Malu em uma homenagem a seus clássicos personagens em “Dancin’ Days” e “Malu Mulher” no caso de Regina.

Fotos: Agência News.
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Obrigadíssimo, Aladim querido. Aposto que os leitores do melão estão se sentindo presentes no evento como eu estou sentindo. O melão agradece a luxuosa colaboração!


A diva Sonia Braga e o querido Aladim: amigos de infância...rs!
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Melão entrevista o criador do Melão: Vitor!


Por Wesley Vieira


Vitor e Melão. Ou Melão e Vitor? Tanto faz a ordem, afinal ambos se tornaram únicos e especiais. Na verdade, acredito que eles se confundem. E tudo começou há exatamente um ano, no dia 16 de julho de 2009, quando entrava no ciberespaço o “Eu Prefiro Melão”, mais um blog sobre televisão. Ops... mais um blog não! Trata-se de “O” blog, que em menos de um ano já coleciona vários admiradores, fãs, seguidores e muito, mas muito prestígio. Além da escrita primorosa, os leitores do Melão sentem o amor pela teledramaturgia que Vitor passa em seus textos. Em tudo há dedicação e muita cumplicidade. A razão disso tudo é simples: Vitor ama o que faz e só por isso tudo, podemos dizer que o Melão “bomba” por conta do talento desse incrível amigo. Quem conhece Vitor sabe o que estou falando. Muito trabalho, correria e perseverança, afinal quem acredita sempre alcança e ele alcançou! (Mistério!) “É muita luta, meu amô” – brinca ele fazendo alusão à Lígia (Betty Faria) na novela Água Viva (1980). Outro fator importante foi a credibilidade que o blog conseguiu desde a entrevista do nosso querido padrinho Alcides Nogueira, o Tide. Depois disso, o “ibope” foi às alturas e todos agora preferem Melão: Renatinha, Vivian, Duca, Thelma, Aguinaldo e mais alguns que vêm por aí... Pensando em homenagear o aniversário do blog, eu, Wesley, juntei alguns amigos QUERIDÕES (Daniel Pepe, Duh, Dog, Thiago, Walter Cerqueira e seu xará Azevedo, Eddy, Alladin, Ivan, Carlos e a participação especial de Tide) e elaboramos uma entrevista com o intuito de conhecer a alma do criador do Melão. Como colaborador do blog, tomei a liberdade de fazer essa homenagem e convido todos a viajarem por esse universo maravilhoso que é o Melão. Ou seria o universo do Vitor? Ah, tanto faz, afinal ambos se confundem... Divirtam-se!


Como começou o seu sonho de ser autor de novelas? (Ivan)
Ivan, meu amigo, acho que você é um dos que acompanham mais de perto esse sonho, mas ele vem de looonge. Acho que esse sonho existe desde que me conheço por gente. Sou telespectador precoce e as novelas sempre me fascinaram. Minha criação foi diante da TV e desde que aprendi a ler e escrever, criava histórias. Minhas primas sempre dizem que eu acabava com todos os cadernos da casa. Sempre escrevi o que chamava de novelas retratando o universo familiar, escolar, do bairro em que morava. Todos viravam personagens de minhas histórias. Dava nomes artísticos para eles com seus respectivos personagens. Loucura total! Depois todos liam e até encenavam às vezes... rs! Tenho vários desses cadernos guardados. Morro de vergonha, mas também tenho um carinho muito grande por eles, pois são verdadeiros diários, documentos de acontecimentos da minha vida. Muito tempo mais tarde, quando comecei a ler a respeito e a fazer cursos, percebi que o que eu escrevia e chamava de novelas com mais de 100 capítulos era muito parecido com o que chamamos de escaleta, que é a descrição das cenas sem os diálogos. Logicamente que procurei somar técnica a essa minha vocação natural com os diversos cursos que fiz.

Vítor, o que efetivamente te levou a criar o blog "Eu prefiro Melão", e, claro, o porque desse excêntrico e irreverente nome? (Walter Cerqueira e Duh)
Sou blogueiro de longa data. Tinha com o Carlos um blog de conteúdo geral chamado “Aqueles dois” e tenho até hoje um blog de cinema chamado “Cinema, etc – O Vitor viu...” Daí percebi que não tinha um veículo para falar sobre meu assunto favorito e sentia necessidade de falar para um número maior de pessoas do que há nas listas de discussões e comunidades das quais fazemos parte. Daí a ideia do blog. O nome é uma homenagem ao Cassiano Gabus Mendes. Faço uma alusão à famosa fala de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte) em “Meu bem meu mal”, que após sofrer um derrame e ficar meses sem falar, ao ser perguntado pela enfermeira se preferia mamão ou melão dá essa resposta para surpresa dela e do público. Acho que muita gente que viu essa cena já imitou o Dom Lázaro com boca torta e tudo dizendo “eu prefiro melão”... rs!

De que forma pessoas como você, que tem nato a arte de escrever e escreve desde pequeno, pode se preparar para entrar nesse almejado, mas tão difícil, mundo de roteirista? (Carlos)
Principalmente definir um foco, um objetivo e segui-lo até o fim, pois a arte de escrever é um conceito muito amplo. Alguns têm aptidão para escrever romances, contos, crônicas, mas não tem o interesse, nem o talento para serem roteiristas. Outros dominam como ninguém o texto acadêmico e almejam enveredar por essa área. Outros possuem todas essas aptidões e mais algumas... rs! Como ingressei na carreira acadêmica e tenho um mestrado para concluir, felizmente consegui juntar o útil ao agradável: minha paixão por novelas e minha carreira acadêmica. Além de roteirista, também sou professor e gosto muito dessa profissão. Com o título de mestre em Linguistica Aplicada com projeto sobre teledramaturgia, acredito que estarei habilitado também a ministrar cursos na área de roteiro, algo que também me interessa bastante. Para a carreira de roteirista especificamente falando, acho que a preparação é estar sempre ligado em tudo: ler, assistir a muitas novelas, filmes, séries, sempre se reciclar, estar de olho nas oportunidades e, principalmente, tentar criar um “network”, pois contatos com pessoas nessa área são fundamentais. Até do “Video Game” da Angélica eu já participei... kkkkk!

Você foi um dos primeiros a participar – com louvor, diga-se de passagem – do Vídeo Game, nesse novo formato com anônimos. Qual as suas impressões do jogo? E como você, fã de dramaturgia, avalia o baixo nível entre os últimos concorrentes, visto que a coisa anda meio nivelada por baixo, nas últimas jogadas? (Eddy Fernandes) Obrigado, Eddy! Eu adorei ter participado e como o nosso dia de gravação foi o primeiro tudo era ainda meio desconhecido. Sou muito tímido e pensei que fosse ficar nervoso na hora, mas que nada! Apesar de super rápido, foi uma experiência deliciosa. Sempre quis participar de um programa de perguntas e respostas, ainda mais num programa sobre televisão. Enfim, amei tudo: amei ter vencido, amei ser elogiado pela Angélica e pela equipe, amei os prêmios, os quais faço bom uso até hoje, diga-se de passagem e amei ter feito parte de uma atração da TV Globo. Com tanta coisa boa, até sublimei os micos...rs! Uma coisa muito legal também é que fiz muitos amigos. Os ex-participantes criaram uma comunidade no Orkut e já promoveram vários encontros, todos muito animados. Nós nos auto-denominamos Ex-VGB’s (Video Gamers Brasil...kkkk). Quanto à baixa qualidade dos atuais participantes, é normal, pois como são seis participantes por semana, fica cada vez mais difícil encontrar novos telemaníacos, mas conheço alguns queridões que ainda não participaram e que, com certeza, iriam arrasar, inclusive você!

No decorrer deste último ano, o “Melão” se tornou referência para os interessados em dramaturgia e um link entre grandes autores e seu público. Em algum momento, você imaginou que o “Melão” tomaria essa proporção? (Duh)
Sinceramente, não esperava mesmo. Achava que ele fosse ficar restrito ao nosso círculo de amigos e acho que até agora não caiu a ficha. Quando se tem um blog, a gente mede muito a repercussão pelo número de comentários, mas eles não reproduzem a verdade dos fatos. Muito mais gente entra sem comentar. Só quando instalei um contador de visitas tive essa noção. O melão é acessado diariamente de todos os continentes (!!!). Fora isso, ele ganhou um prestígio muito grande pra quem gosta do assunto. Já cheguei a ser reconhecido em Sâo Paulo durante um evento por várias pessoas. No lançamento do livro da Gloria Pires também vieram falar comigo. Sou praticamente uma sub-celebridade... kkkkkk! Mas sério: sei que devo muito a vocês, meus grandes amigos, companheiros de listas e comunidades e leitores fieis, pela participação, pela divulgação e principalmente por tanta força e por tanto carinho que me deram durante esse 1 ano de existência do melão.

Como o sucesso do Melão pode influenciar e incentivar a formação de novos autores? Como você se sente em relação a esse papel? (Walter de Azevedo)
Nunca pensei sobre isso e nem sei se o Melão tem esse papel. Acho que não só o meu blog, como o de muita gente, é a prova de que se tivermos algo bom a dizer, vamos encontrar público para isso. Nesse sentido, o ciberespaço é bastante democrático e permite que qualquer pessoa possa ter um canal de comunicação sem depender de nenhum contexto institucional. Se meu humilde blog porventura possa servir de inspiração para alguém, fico felicíssimo.

Equilíbrio no mundo das telenovelas é tudo. Uma história com boas dosagens de humor, drama, ação e bons diálogos é tida como muito boa. Mas, recentemente, tivemos um belo exemplo de desequilíbrio: às sete tivemos "Caras e Bocas", de Walcyr Carrasco, que nos brindou com muita agilidade mas pecou pelo texto precário e insistência no humor pastelão. E às oito, tivemos "Viver a Vida", trama de Manoel Carlos com uma excelente premissa alcançada (superação), ótimos diálogos mas que se arrastou pela falta de folhetim declarada. Na falta de um consenso entre os elementos que funcionam na telenovela, o que você prefere? Uma trama cheia de acontecimentos, ágil, mas sem texto, ou uma novela com diálogos muito bem trabalhados, mas sem tanto "conflito'? Responda como roteirista e como telespectador! (Thiago Henrique)
Acho que tanto como roteirista ou como espectador a resposta é a mesma. Gosto de novelas em que os personagens conduzem a trama e não o contrário. Gosto de personagens ricos, densos, humanizados. Sempre me incomoda quando um personagem muda de comportamento para atender aos interesses da trama. Por isso, tenho uma queda por bons diálogos.

Vitor quais os autores que você mais se identifica? (Ivan) Acho que Gilberto Braga é o mestre de todos nós. Me identifico totalmente com seu texto ágil, com a humanidade de seus personagens, com a temática do alpinismo social, com os barracos deliciosos, com o novelão chique, enfim, pra mim o pior de Gilberto ainda vai ser melhor do que o melhor de muita gente...rs! Mas amo o texto do Maneco, a comédia do Sílvio, o requinte do Alcides, gosto do Aguinaldo que escreve pensando nos atores. Entre os falecidos, gostaria muito de ter assistido a uma novela de Janete Clair, que é o Machado de Assis da teledramaturgia. Até hoje ela é modelar pra muita gente em atividade. Felizmente pude conferir obras deliciosas de Ivani, Dias e Cassiano.

Qual tema ainda não explorado em novelas você acharia interessante que fosse abordado? (Daniel Pepe)
Difícil dizer com precisão, afinal nossas novelas têm falado sobre quase tudo, mas confesso que como espectador sinto falta de ver na tela algum personagem gay que fugisse do estereótipo afeminado ou que não ficasse aprisionado no rótulo “melhor amigo gente boa”. Gostaria que fosse mostrada uma relação gay como qualquer outra,com qualidades, defeitos, traições, todo o tipo de atitudes e sentimentos inerentes a qualquer ser humano. Nem clown, nem santo, nem vilão. Um que gostei muito foi o Beni, de “Queridos amigos”, vivido magistralmente por Guilherme Weber. Apesar de exalar cinismo, o personagem mostrou uma humanidade muito grande.

Quando você escreve seus personagens você vai imaginando os atores em cena? Ou simplesmente escreve? Ou só depois de já escrito você imagina alguém? (Rodrigo Dog)
Normalmente eu escrevo pensando em pessoas reais que conheço, mas já aconteceu de eu escrever algumas vezes pensando em algum ator ou atriz. Como a Betty Faria é minha atriz favorita, sempre que escrevo alguma coisa tento criar uma personagem especialmente pra ela. Quem sabe um dia esse sonho não se transforma em realidade? Rs...


Nos últimos tempos, a televisão brasileira vem se imbecilizando, devido à guerra de audiência e as absurdas normas do MP. Você sempre se mostrou inconformado com esta situação. Acha que os profissionais da nossa televisão andam preguiçosos, distante dos gênios dos anos 70 que burlavam a ditadura e ainda ironizavam com ela, ou o público é que se tornou menos exigente com o passar do tempo? (Duh)
Acho que é um conjunto das duas coisas. Falei um pouco sobre isso em um artigo que escrevi para o site da Associação dos Roteiristas. Falta ousadia. As emissoras não estão dispostas a comprar a briga e mesmo os novos autores que surgem são obrigados a seguirem uma espécie de receitinha do “politicamente correto”. Isso é muito nocivo à criação. Também há o fato de que o público ficou muito menos exigente. Tudo que exige uma dose de reflexão um pouco maior afugenta o espectador médio. Não tenho dados para declarar isso, mas tenho a impressão de que grande parte do público reflexivo migrou para os canais por assinatura. Acho que é preciso uma nova quebra de paradigmas, algo que sacuda a ordem estabelecida.

Vitor Querido. O que você acha desses remakes que as emissoras insistem em produzir? Será que apostar em velhas histórias não é um retrocesso na teledramaturgia e impede que se mostre ao público novos autores e novas idéias? (Aladin)
Aladim, querido, acho que remake não é exclusividade das emissoras de TV. Volta e meia algum filme ganha uma refilmagem ou alguma peça ganha remontagem. Acho que isso vem da vontade de reviver algo bem sucedido e que traz boas lembranças. De fato, acho alguns remakes bastante desnecessários e redundantes. Mas há outros importantíssimos como os de Ivani, que deu a oportunidade a um público jovem assistir a grandes novelas a que ele nunca teria acesso. Gostei muito do remake que Maria Adelaide Amaral fez de “Anjo Mau” e boto muita fé em “Ti-Ti-Ti”, pois a autora se mantém fiel ao estilo de Cassiano, mas consegue atualizar muito bem as tramas. Não fica parecendo um Copy+Paste. Como tudo na vida, há os bons e os maus.


Televisão é apenas um veículo onde se pode trabalhar a dramaturgia. Você pensa em teatro, cinema, etc? E por que? (Carlos) Teledramaturgia é minha grande paixão, mas também adoro cinema e teatro. Sim, tive uma pequena incursão no cinema com o curta “Corra biba Corra”, que partiu de uma ideia totalmente despretensiosa, uma simples brincadeira entre amigos, que rendeu participações em alguns festivais e relativo sucesso na internet. Tenho alguns curtas escritos e registrados e gostaria muito de poder filmá-los um dia. Teatro também me interessa bastante. Há dois anos criei um esquete em parceria com Carlos Carvalho e Fellipe Carauta chamada “O que terá acontecido a Nayara Glória?” que foi selecionado para um festival de humor aqui no Rio e foi muito gratificante toda a experiência, inclusive os ensaios e o contato com as atrizes, já que também dirigimos amadoristicamente o esquete. Tenho uma peça escrita chamada “Mãe” e, assim que a correria do Mestrado permitir, vou tentar uma leitura dramatizada. Acho fundamentais essas leituras para autores inexperientes como eu antes da montagem. É muito importante ouvir opiniões de quem está há mais tempo no ramo e mais familiarizado com o veículo.

Se fosse pra escolher uma obra literária qual você adaptaria? (Rodrigo Dog) Não tenho muito essa vontade de adaptar obras literárias, mas o universo clariciano me fascina bastante. Adaptaria alguns contos dela como “Felicidade clandestina” ou “O primeiro beijo”, que são puro lirismo.

Como é seu método de trabalho? Você tem o hábito de fazer as escaletas ou tudo vem por conta de sua inspiração e sem tanto planejamento? Ou então, uma mistura de todos? (Daniel Pepe)
Engraçado responder a essa pergunta e também perigoso, pois não quero parecer nem pretensioso, nem arrogante, uma vez que ainda não sou um autor consagrado com vasta experiência e inúmeras novelas no currículo.Estou há léguas disso ainda....rs! Mas claro que até os principiantes possuem um método de trabalho, nem que seja para seus próprios exercícios. Normalmente até quando escrevo sozinho gosto de fazer escaleta porque me ajuda a ter uma visão geral do capítulo. Já tive a oportunidade de escrever o início de uma novela em conjunto e nesse caso então a escaleta é fundamental, já que é ela quem vai guiar e apontar como os diálogos devem ser escritos. Mas antes mesmo da escaleta, gosto de fazer uma espécie de trilha, que seria a trajetória dos personagens durante um determinado número de capítulos. Se for uma série, é preciso essa trilha para definir o arco da temporada, ou seja, de que forma os personagens começam e de que forma eles irão terminar. Isso me auxilia a ter uma visão global da história.

Tive acesso a alguns trabalhos teus. Adorei "Balada da Indelicadeza" e "Corra, Biba, Corra". Você se sente mais à vontade no drama ou no humor? (Thiago Henrique)
Uau. Gostou mesmo, Thiago? Que honra... rs! “Balada da indelicadeza” é um conto que escrevi na faculdade altamente auto-biográfico que depois em parceria com Patricia Mess virou um roteiro de curta chamado “Hoje eu quero sair só” e é super dramático. Já “Corra Biba Corra” considero uma grande bobagem coletiva, cuja autoria não pode ser creditada somente a mim. Sinto-me à vontade nos dois gêneros, mas acho que tenho uma quedinha pelo drama.

De tudo o que você já acompanhou na televisão brasileira, o que lhe desperta saudades e o que você adoraria ver esquecido nos arquivos para todo sempre? (Duh)
Saudades do humor do Cassiano, que unia ótimo texto com situações engraçadas. Saudades da anarquia politicamente incorreta de programas como TV Pirata e Armação Ilimitada. Gostaria que todos os programas de auditório sensacionalistas e apelativos fossem esquecidos e banidos para todo o sempre.

A Melhor Peça de Teatro. A Melhor Novela. O Melhor Filme. Não sua opinião. (Rodrigo Dog)
Nossa, dificílimo isso... rs! Tem algumas peças de teatro que me emocionaram: “Eu sou minha própria mulher”, com o Edwin Luisi, “Ópera do Malandro”, “Gota d´água”, “Toda nudez será castigada”, "Shirley Valentine" com Betty Faria me comoveu muitíssimo... Lógico que estou esquecendo muitas... rs! Agora, há um texto teatral que li, que me arrebatou e me emocionou muitíssimo que foi “Lua de Cetim”, do Alcides Nogueira. Espero um dia poder assistir a alguma montagem dessa peça. Não sei se é a melhor novela, mas “Tieta”, de Aguinaldo Silva, foi a que mais gostei até hoje. Ainda na linha afetiva, também gosto muito de “Bambolê”, do Daniel Más, pois além de me remeter a uma época feliz da minha vida, tenho um fascínio especial pelos anos 50. Mas “Roque Santeiro” e “Vale Tudo” não podem ficar de fora de qualquer lista que se preze. Com relação a filmes, a coisa se complica ainda mais, pois amo milhares, desde os Almodovars e Allens da vida até Grease, por exemplo. Mas pra ficar com um, escolho “O baile” (Le bal) de Ettore Scola. Assisto a esse filme desde pequeno e não perco o encantamento por ele. A ação se passa completamente num salão de baile de Paris e são retratados vários bailes durante várias décadas contando a história recente da França do século XX. E o mais genial: o filme não possui uma fala sequer. Fico sempre fascinado. E o filme foi inspirado numa peça, que teve uma linda montagem no Brasil contando nossa história. Simplesmente genial.

Qual a matéria que você sentiu mais prazer em fazer pro Melão nesse um ano de existência? (Thiago Henrique)
Todas me deram muita satisfação, mas acho que a entrevista com o Alcides Nogueira é o meu xodó por inúmeros motivos. Primeiro, por ter sido a primeira entrevista que fiz na vida. Acho que ela proporcionou ao melão uma espécie de selo de qualidade, tenho a impressão que a partir dela o blog começou a ser encarado como maior seriedade e comprometimento com o universo televisivo. Além disso, acho que a qualidade da entrevista se deve muito à enorme generosidade e carinho do Tide, que respondeu lindamente a todas as perguntas. Se eu já era fã do autor, fiquei mais fã ainda do ser humano. Acho que, além das histórias deliciosas e da apaixonante trajetória de vida do entrevistado, ficou claro pra todo mundo que em cada passagem continha um afeto, uma cumplicidade e principalmente uma confiança muito grande entre nós. Tide deu muito mais do que eu pedi e o resultado ficou fantástico e me enche de orgulho. A entrevista também foi uma maneira que encontrei para agradecer a ele por todo o carinho que ele sempre manifesta. Tide é raro! Um verdadeiro rei. Quando crescer quero ser que nem ele! E graças a essa entrevista, foi possível realizar tantas outras ótimas entrevistas como a da Vivian, do Aguinaldo, da Renatinha, da Duca e da Thelma e espero que outros autores depositem no melão a confiança que estes depositaram. Mais um motivo: ainda é recorde absoluto de visitas e comentários. Minha gratidão eterna a Alcides Nogueira.

Que cena gostaria de ter escrito? (Rodrigo Dog)
A chegada de Tieta a Santana do Agreste, of course...


Teria coragem de fazer uma nova versão de Tieta? Que outros remakes gostaria de fazer? (Rodrigo Dog) Não teria coragem, nem vontade. Como considero Tieta uma novela perfeita, dificilmente saberia fazer algo diferente. Pra praticamente repetir o que já está feito é melhor não fazer nada. Impossível pra mim, conceber Tieta, Perpétua e Carmô que não fossem Betty Faria, Joana Fomm e Arlete Salles.


Como telespectador privilegiado (afinal, você conhece muitíssimo bem a história e os mecanismos das novelas, tem uma memória prodigiosa, e ESCREVE!!!) quais são, na sua opinião, os novos caminhos da teledramaturgia? O velho e bom folhetim continuará sendo a base sólida das boas tramas? (Alcides Nogueira) Tide, querido, não sei se sou merecedor de tantos predicados, mas vamos lá. Penso que sim. Mesmo que o telespectador de hoje não seja o mesmo espectador ingênuo dos tempos de Janete Clair e Ivani Ribeiro, e por mais que a sociedade se transforme, se modifique e anseie por novas temáticas, o bom e velho folhetim vai continuar reinando em nossas novelas, porque ele é a base de tudo. Note que até as séries americanas, que antes construíam histórias independentes a cada episódio, também estão adotando a estrutura folhetinesca, como “Desperate Housewives”, “Grey’s anatomy” e “Brothers and sisters”, que são verdadeiros novelões e sempre deixam ganchos para o episódio seguinte. Às vezes os ganchos sobrevivem até para as próximas temporadas. Por isso, acho que essa estrutura folhetinesca é a forma mais eficiente de prender o espectador, sobretudo nos dias de hoje em que tudo é tão variado e disperso. Assim como Sherezade sobrevivia ao sultão deixando sempre pra contar uma parte da história depois, a novela vai sempre usar desse expediente para sobreviver à audiência cada vez mais competitiva. Quanto aos novos caminhos da teledramaturgia, acho que pra continuar reinando absoluta na preferência popular, deve buscar uma linguagem mais ágil, fugir de clichês e fórmulas surradas e abordar assuntos do cotidiano das pessoas. As palavras-chave são ousadia e inovação. Um maior exemplo disso é “A favorita”, que foi a novela mais inovadora dos últimos tempos e a que mais mobilizou o espectador. Mas repare que ela inovou na narrativa ao não revelar de cara quem era a mocinha e quem era a vilã e manteve o suspense até certo ponto, mas não inovou na estrutura, que continuou folhetinesca, com ganchos eletrizantes, cenas pra lá de catárticas e abusando da emoção. Não sei se respondi bem, mas sinto esse fenômeno contraditório: a novela precisa inovar, mas ao mesmo tempo manter-se folhetinesca pra sobreviver.


Falar de si mesmo é algo complicado e chato, mas como é o Vitor pelo Vitor? (Wesley) Difícil mesmo...rs! Acho que sou uma pessoa comum cheia de qualidades e defeitos, mas que procura aprender sempre com as falhas. Sou impaciente, meio estúpido e infantil ás vezes, mas sei que sou uma pessoa amiga, que sempre veste a camisa e que ainda acredita na transformação. Como bom capricorniano, procuro ser focado, objetivo e determinado. Se tenho uma meta, não sossego até alcançá-la. Procuro sempre ser leal, ético e respeitar as diferenças, o que tão difícil às vezes...rs! Enfim, sou um alguém que acredita muito no sonho. São eles que nos movem para frente.

Querido Vitor, parabéns pelo aniversário do blog. Que ele seja cada vez mais acessado, interagindo com tanta gente maravilhosa. O Melão já é uma referência para os internautas que amam a teledramaturgia (e, ainda bem, é muita gente). Você pensa em continuar escrevendo um blog ou vai partir para um site, depois desse sucesso todo? (Alcides Nogueira)
Tide, querido, obrigado. Você foi um dos responsáveis por isso, já que foi depois de sua entrevista que o melão “turbinou” pra valer...rs! Por enquanto, penso em continuar com o blog, que serve aos meus propósitos, mas novas ideias são sempre bem-vindas. Confesso que sou “analfabyte” de carteirinha e caso fizesse um site precisaria de toda ajuda possível. Desde o início conto com a luxuosa e indispensável colaboração de pessoas queridas para essas questões técnicas. Aproveito pra agradecer ao Rafael Pinto (o diretor de “Corra biba corra”...rs!) por ter criado o primeiro layout do melão, à minha querida “noiva” Juliana Santos, por ter me dado de presente um banner intermediário e, finalmente, ao Felipe Ribeiro, responsável pelo layout recente e por todos os banners que são trocados quase que mensalmente. Como nunca ganhei 1 centavo pelo blog, tudo é feito na base do 0800. Também tem isso. O blog tem esse espírito mambembe que dá um certo charme, penso eu. Se fosse partir para o site, precisaria de mais parceiros, tanto para mais criação de conteúdo, afinal teria mais colunas e colaboradores fixos e também do ponto de vista comercial também para tornar a coisa profissional. E claro, alguém para construir o site, já que esse talento não passa nem perto de mim...rs!Quem sabe um dia isso não acontece... por enquanto sigo “meloniando” dentro das atuais capacidades do blog.

Quais as futuras pretensões do Melão que em 1 ano já realizou várias entrevistas, posts memoráveis e se tornou referência no mundo televisivo? (Wesley)
Obrigado, Wesley. Grande parte dessas conquistas não posso deixar de dividir com você, que é o colaborador mais constante, sempre generoso e cheio de talento. Bem, pretendo continuar oferecendo conteúdo próprio, de qualidade, bolar sempre coisas novas e contar cada vez mais com a ajuda de colaboradores. Quero que ele seja cada vez mais um espaço respeitado, de referência e um grande fórum onde todos que têm algo a dizer possam contribuir. O melão é nosso!!! rs...

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