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quinta-feira, 8 de abril de 2010

A catarse


Do grego "kátharsis", significa purificação, purgação. Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama. Em qualquer texto dramático, a catarse é essencial para promover a torcida e a identificação do público com os personagens.

Bruno (Thiago Lacerda) e Helena (Taís Araújo): personagens de "Viver a Vida"


Pensando nisso e me colocando no ponto de vista de espectador que assiste a novelas desde que me entendo por gente, tentei compreender e fazer alguma relação com o que falta em “Viver a Vida”, atual novela das oito global. Canso de ouvir comentários de que a novela não tem história, não tem trama alguma. Discordo. A novela tem tramas, sim. E são ótimas, cheias de ingredientes para um novelão: gêmeos que disputam mocinha, que fica tetraplégica; pai e filho que, sem saber, amam a mesma mulher... sem contar que tem personagens clássicos: mãe dominadora, mãe leoa, garota rica que vai viver na favela em nome do amor, mulherengos, esposas tradicionais tentadas a trair, enfim... em termos de sinopse, seria uma novela perfeita. E os personagens, ao contrário de muitas novelas atuais, não são meros arquétipos. Eles são riquíssimos e possuem uma psicologia muitíssimo bem definida. Esse, ao meu ver, é o ponto forte da obra de Manoel Carlos: os personagens têm vida, são de carne e osso, parecidos com qualquer um de nós. São eles que, geralmente, movem a trama, e não o contrário. Ou seja, idéias e bons personagens estão ali, mas a questão é que as expectativas são criadas e acabam sendo frustradas depois. Todo mundo é muito cool, muito civilizado. Tirando aquelas brigas chatas dos gêmeos vividos por Mateus Solano e as alfinetadas da Izabel (Adriana Birolli), aquela irmã mala que fala a verdade doa a quem doer, não há os chamados bas-fonds...e é disso que o público gosta. O BBB 10 foi o sucesso que foi porque tinha barracos diariamente.

Por exemplo, o caso da Renata (Bárbara Paz). Onde já se viu uma mulher que sofre de anorexia alcóolica com sérios problemas psicológicos aceitar numa boa que o namorado por quem é dependente afetivamente e completamente apaixonada, a abandone para ficar com uma tetraplégica? Por que ela não invadiu a casa de Luciana (Aline Moraes) para fazer o maior escândalo? Ao contrário: aceitou numa boa e até foi cumprimentar a “amiga” no dia do aniversário, contrariando a todas as expectativas criadas nos capítulos anteriores através de cenas que davam indícios de que essa revolta aconteceria a qualquer momento. Ou seja, pulou-se a parte do drama, não houve catarse, a personagem não se “purgou”. Nem Madre Teresa seria capaz de tamanha abnegação. Renata, quem diria, é um exemplo de maturidade e equilíbrio.

Outro exemplo: o encontro de Bruno (Thiago Lacerda) com o pai, Marcos (José Mayer). Era pra ser algo cheio de emoção, ressentimento, lágrimas e o que vimos foi um encontro frio, até meio constrangedor. E o que dizer dos envolvimentos amorosos de Betina e Carlos (Letícia Spiller e Carlos Casagrande) e Malu e Gustavo (Camila Morgado e Marcelo Airoldi)? Fazer um suspense e atrasar a ação faz parte do show. Mas não realizar nunca essa ação é tão frustrante quanto um coito interrompido.

Ou seja, as boas tramas existem. O que falta é realizá-las a contento. Em nenhum momento ouvi nas ruas alguém dizer: "hoje eu não posso perder a novela porque vai acontecer tal coisa". É isso que faz uma novela andar. Cadê a catarse que faz o Brasil parar? Enfim, Manoel Carlos não precisa provar nada pra ninguém. É um gênio e ainda tem estrada pra percorrer. Espero, sinceramente, que nessa reta final, Maneco empreste a “Viver a Vida” ao menos um pouquinho da emoção e de todas as viradas catárticas que conseguiu dar à fantástica “Por amor”, só pra citar uma de suas maravilhosas novelas.

Aprofundando o tema, continuei a pensar em algumas novelas antológicas e todas elas tinham esse momento de catarse, em que o público entra em comunhão com o personagem e se delicia com sua grande virada, com a expurgação de todos os seus dramas: o chamado acerto de contas. Elegi meus “momentos-catarse” favoritos:


- Vale Tudo (1988), de Gilberto Braga – Raquel (Regina Duarte), depois de tanto sofrer nas mãos da filha Maria de Fátima (Glória Pires), que vende sua casa, o que a obrigou a começar do zero vendendo sanduiche na praia e ainda por cima fingia que não a conhecia e armou para que ela se separasse do homem que amava, Ivan (Antonio Fagundes), teve seu grande momento, invadindo o atelier onde a filha experimentava seu vestido de noiva e, aos gritos de “odeio você” rasgou toda a roupa da megera. A cena é forte e causa impacto até hoje. Mas foi o momento que todos esperavam, em que a heroína deixou de ser boazinha e expurgou seu sofrimento.

- Ti Ti Ti (1985), de Cassiano Gabus Mendes – Ariclenes (Luiz Gustavo), um verdadeiro perdedor na vida, após sofrer com o triunfo do arqui-inimigo André (Reginaldo Faria), que se tornou o famoso costureiro Jacques L’eclair, dá a volta por cima e retorna em grande estilo como Victor Valentim, costureiro espanhol que rouba todo o sucesso do rival.

- Água Viva (1980) e Celebridade (2003), ambas de Gilberto Braga – Após sofrerem traições por parte das vilãs que se faziam de amigas, Lígia e Maria Clara (Betty Faria e Malu Mader, respectivamente) dão uma merecida surra em suas rivais, Selma e Laura (Tamara Taxman e Claudia Abreu). Gilberto, curiosamente, usou o mesmo cenário para os dois embates: o banheiro de uma casa de shows.

- A próxima vítima (1995), de Sílvio de Abreu. Essa era uma catarse por capítulo, mas pra citar uma, a cena em que Marcelo (José wilker) descobre a infidelidade de Isabela (Claudia Ohana) e faz um corte em seu rosto com uma faca.

- O astro (1977), de Janete Clair. Cansado do preconceito e da ambição do pai rico Salomão Ayala (Dionísio Azevedo), Marcio (Tony Ramos) sai de casa sem nem mesmo levar a roupa do corpo, completamente nu.

Isso só pra citar alguns. E vocês, o que acham? Qual seu “momento-catarse” favorito?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Melão Express – rapidinhas, mas saborosas – Ed. 5

- HEBE É O PODER!!!
 Quem ainda tinha dúvidas do tamanho do prestígio de Hebe Camargo junto ao meio artístico não tem mais do que duvidar. A reestréia de seu programa, no último dia 8, coincidindo com seu aniversário de 81 anos, foi um acontecimento que, certamente, entrou para a história da TV. Que outro artista seria capaz de reunir em uma só noite todo o cast de sua emissora e ainda grandes representantes da emissora líder de audiência no país como Xuxa, Marília Gabriela e Ana Maria Braga? E no mesmo palco Ney Matogrosso, Ivete Sangalo, Maria Rita e Leonardo! E ainda teve presidente da Coca-Cola, presidente da Nestlé... te mete!!! rs... E a emoção e alegria estampada no rosto de todos na platéia era evidente. Mas, sem dúvida o auge do programa foi a emocionante entrevista com Roberto Carlos, carregada de emoção e afeto genuínos. Realmente foi de chorar! E Hebe mostrou ótima forma ao rebater, com a perspicácia de sempre, a apimentada pergunta de Ratinho e fez questão de manter o alto astral durante todo o programa. Por essas e outras, Hebe mostra porque é a rainha absoluta da nossa TV e ainda tem fôlego de sobra pra reinar por muitos anos. Viva ela! Muita saúde e sucesso para nossa loiruda. Só faltou ela beber uma cerveja gelada no final pra matar saudade dos velhos tempos....rs!

- A HISTÓRIA DE VIVIAN
 Também tenho que dar meus parabéns para minha ex-professora de roteiro e amiga querida, Vivian de Oliveira, pela estreia de sua minissérie “A história de Ester”. Da competência da Vivian, nunca duvidei. Mas o cuidado e a grandiosidade da produção da série impressionou a todos (apesar de algumas barbas postiças...rs!). Grande épico, produção caprichada e história muitíssimo bem contada. Parabéns a toda a equipe e um parabéns especial para a Vivian. Depois de mostrar competência na colaboração, a jovem autora estréia com pé direito em seu primeiro vôo como titular de uma equipe. Fiquei orgulhoso de você por essa conquista. Sucesso!
Os Oliveira, Vitor e Vivian de Oliveira: "não somos parentes...rs". 

-SOBRE “UMA ROSA COM AMOR”:
Essa declaração é do colega Silvestre Mendes para uma lista de discussão da qual fazemos parte. “Fico feliz quando leio opiniões positivas sobre a novela. Acredito que o bom de Uma Rosa Com Amor é relembrar as histórias simples e bem contadas. Hoje em dia a novela ganhou ares de MEGA PRODUÇÃO. (Não que não tenha que ter, não sou contra aos belos capítulos em lugares belíssimos, mas se existe uma história para ser contada... Não importa o lugar onde se passa, vamos assistir do mesmo modo). Existe um clima de NOVELA, que fazia tempo não ver no ar. Tem comédia, mas que não beira ao pastelão... No final, é uma sensibilidade que não tem palavras...”
Silvestre, querido, disse tudo! Onde eu assino?

- CASAL INCOMUM EM “VIVER A VIDA”
Saiu na coluna de Tv do Extra essa semana que vai surgir um romance entre a liberada Alice (Maria Luísa Mendonça, até agora não muito bem aproveitada) e Osmar (Marcelo Valle). Ele vai revelar que é bissexual e ela adora. Achei o máximo a ideia de abordar essa diferente configuração de relacionamento que foge à regra do senso comum. Fico na torcida para que a trama se desenvolva e ganhe espaço na trama.

- VALE A PENA É NO “MEMÓRIA”...
Para os telemaníacos uma ótima notícia. O blog “Memória da TV”, grande sucesso do querido amigo Guilherme Stauch, agora está exibindo capítulos inteiros de novelas antigas. E não é preciso instalar programa algum. Basta entrar no blog no momento das exibições. Já passaram por lá capítulos de “A gata comeu”, “Tieta”, entre outras. Portanto, fiquem atentos a acessem o blog sempre no fim de noite que poderão encontrar muitas surpresas. O endereço do blog é conhecidíssimo, mas não custa repetir: http://memoriadatv.blogspot.com/ 

- COM A PALAVRA, MESTRE LAURO!
 Pra terminar, um trecho da entrevista do grande Lauro César Muniz para o ótimo livro “A seguir cenas do próximo capítulo”, de André Bernardo e Cíntia Lopes, que contém entrevistas dos 10 maiores autores de Tv da atualidade. Leitura obrigatória e mais que recomendada para os amantes do gênero. Para dar água na boca, reproduzo aqui um trecho da entrevista do Lauro sobre as novelas atuais que concordo plenamente e até já falei sobre em meu artigo para a AR publicado também por aqui. Deixo vocês com o Mestre Lauro, que nos dá uma verdadeira aula. Boa semana!
 Nos últimos anos, as novelas não estão mais correndo riscos. Ninguém mais arrisca nada, ninguém mais ousa nada (...) Está acontecendo uma coisa que, para mim, é profundamente triste: uma decadência imposta ao texto da telenovela. As emissoras de TV costumam dizer que a telenovela tem de atender ao mercado, e tão somente ao mercado. E o pior que poderia acontecer ao gênero é o mercado determinar o produto. Essa mentalidade está destruindo a qualidade dos textos das telenovelas. Os autores estão á mercê de uma estrutura narrativa fácil, maniqueísta, Bem contra o Mal, nada além disso. O herói é sempre óbvio, e o vilão, eloqüente demais. E as histórias estão se entregando com docilidade ao gosto mais superficial do público. Isso é o que mais me entristece. Ao Boni é atribuída uma frase que eu acho perfeita: “A televisão tem de estar sempre a um passo à frente do telespectador”. A julgar pelas últimas novelas, nós estamos um passo atrás. Estamos fazendo telenovela para servir ao gosto mais superficial e menos exigente do telespectador. Estamos a reboque do gosto do público. E por que isso? Porque estão fazendo novela como se faz publicidade. E isso é um desastre.
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E em abril, o melão cheio de surpresas. Aguardem...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Melão Express – Ed 4 – Rapidinhas, mas saborosas!

O PRIMEIRO DO ANO!


 * 2010 já começou bem com duas atrações de primeiríssima: “`Programa Piloto” e “Dalva e Herivelto”. O primeiro foi um muito bem humorado especial sobre os bastidores da TV. A metalinguagem é um tema sempre interessante, ainda mais com o ótimo roteiro de Cláudio Paiva e a direção esperta de Maurício Farias. Fernanda Torres e Andréa Beltrão pareciam se divertir tanto quanto o público. O episódio, digamos, piloto, privilegiou mais a personagem da Beltrão, mas acredito que se realmente emplacar uma temporada, as cenas serão divididas igualmente. E como toda atração um pouco mais elaborada, não bombou no IBOPE, mas, please... a Tv brasileira precisa de programas como esse. Oremos...


* Já “Dalva e Herivelto – uma canção de amor” sofre comparações inevitáveis com “Maysa”, exibida ano passado. Particularmente, estou preferindo o texto menos didático de Maria Adelaide Amaral, embora alguns personagens careçam de uma melhor apresentação (aposto que a maioria não conseguiu identificar as Irmãs Batista). Pelo fato do insuportável BBB estar prestes a ir ao ar, infelizmente a minissérie só tem 5 capítulos, o que faz com que alguns acontecimentos sejam mostrados de uma maneira mais corrida e os (maravilhosos) números musicais dirigidos pela dupla Moeller-Botelho não sejam apresentados na íntegra. Mas mesmo assim, é um deslumbre total! Grandes atuações, reconstituição de época perfeita, minha querida Petrópolis bombando nas cenas de show. Adriana Esteves plena quando dubla as canções no palco. Sua “interpretação” de “Ave Maria no Morro” foi tocante. Que maravilha que os mais jovens conheçam um período tão rico de nossa história, musicalmente falando. Só tenho que parabenizar a iniciativa e torcer para que muitas outras do tipo surjam. Só nos orgulha!



*Vem cá! Não sou Kogut, mas tenho que dar nota zero para as vinhetas de carnaval da Globo esse ano. A dicção da maioria dos intérpretes (saudades de Jamelão!!!) já não é das melhores. E apresentado ao vivo então, a letra dos sambas fica incompreensível. E o tempo para cada vinheta é ínfimo! E os cortes são grosseiros. Desculpem, mas se é pra fazer mal feito, melhor que não façam. Prontofalei!


* Não que seja a favor que enlatados americanos invadam a programação, mas não consigo entender alguns desperdícios de boas atrações. Já tinha falado aqui que o SBT exibe boas e inéditas séries sempre a altas horas da madrugada. E dia desses me surpreendi com a Globo exibindo a premiada, recente e excelente “Damages”, com Glenn Close às quatro da madrugada. Por que? Pra que? Alguém vê?


* Finalmente, acabou a festa de réveillon de “Viver a Vida”. Cheguei a pensar que Manoel Carlos estava querendo bater o recorde da festa de “O rebu”...rs! Agora falando sério, parabéns a Maneco e equipe pela sensibilidade e habilidade ao abordar a relação de Miguel e Luciana (Mateus Solano e Aline Moraes, também de parabéns!). O clima entre os dois está cada vez mais romântico e o que parecia difícil de se abordar está acontecendo. O amor de Miguel por Luciana está super verossímil. A cena dos dois na praia foi linda! Problemas à parte, mas “Viver a Vida” possui dois ingredientes que me atraem numa novela: personagens muitíssimo bem delineados e a maioria longe de estereótipos e um excelente texto.

Abraços mil a todos e até a próxima!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Resultado de enquete: "Viver a Vida" é a novela mais assistida pelos leitores do Melão!

Pelo menos entre os melãomaníacos, o drama de Manoel Carlos ainda tem maior audiência.
Veja o resultado da enquete "Que novelas você acompanha atualmente"?

1) Viver a vida 25 (58%)
2) Cama de Gato 24 (55%)
3) Caras e Bocas 21 (48%)
4) Alma gêmea 8 (18%)
5) Bela, a feia 3 (6%)
6) Vende-se um véu de noiva 2 (4%)
7) Poder paralelo 2 (4%)

Total de votos: 85

E quem ainda não votou, não deixem de votar na nova enquete!!!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Balanço final do Ciclo de Palestras EscreVENDO para TV:

TIAGO SANTIAGO: Inspiração e ousadia.


Com o tema de sua palestra intitulado “O fascínio da ficção”, Tiago Santiago, além dos seres fantásticos ( e controversos) que criou em sua trilogia “Os mutantes”, falou de muitos outros assuntos, como sua trajetória como colaborador até se tornar autor-titular, sua experiência nem sempre agradável como consultor de teledramaturgia da Record e a empolgação pela nova empreitada que tem pela frente no SBT.


Extremamente simpático e acessível, o autor respondeu a todas as perguntas relativas à contrução de um roteiro, dentre as quais a questão da verossimilhança e a importância de se atingir a todas as classes, inclusive as C, D e E que, muitas vezes, têm na novela sua única opção de lazer. “ É difícil fazer novela sem ter um conteúdo moral. O público vai aceitar e rejeitar uma série de comportamentos”, declara. Para os que desejam seguir a carreira de escrever para Tv, recomendou a leitura em seu site do texto “Carta aos autores”.


Sobre seu próximo projeto, a novela “Uma rosa com amor”, no SBT, Tiago afirma ser sua primeira novela sem violência. Ele promete uma novela envolvente, romântica e engraçada e ressalta o grande prazer que está tendo em escrever personagens para atores que nunca tinha escrito antes, dentre os quais, Betty Faria, a quem o autor afirma ser fã desde sempre, lembrando a célebre Lucinha de “Pecado Capital” (1975).


Ainda sobre “Uma rosa com amor”, ele disse que haverá muita comédia na novela e que para escrever comédia deve-se amá-la e lembra que é preciso aprender com grandes mestres do gênero, tais como Antonio Calmon, Carlos Lombardi e Aguinaldo Silva.


Quando perguntado sobre o futuro interativo da TV, ele foi enfático: “pode até ter interatividade e inovação, mas sem mocinho não há audiência”. Segundo Santiago, os protagonistas devem ter anseios que sejam considerados legítimos pela audiência e o anseio do amor sempre será o principal deles.


Por fim, ao refletir sobre a longevidade do sucesso da telenovela declarou: “todos nós temos uma tela interior no terreno do imaginário, do simbólico. A ficção é o espelho para que as pessoas pensem em seus próprios problemas e projetem seus próprios sonhos nas histórias dos outros”.



 MARIA CARMEM BARBOSA: a piada pronta.



Não estranhem se, na próxima história de Maria Carmem Barbosa, algum personagem limpar os óculos com desodorante íntimo. Pois é com pequenas pérolas do cotidiano, suas e dos outros, que a autora se alimenta para criar suas tramas. Quem compareceu em sua palestra, saiu enriquecido de (bom) humor, seja em lições teóricas, seja em deliciosos casos, como o contado acima ou seja na própria Maria Carmem, cujo sorriso e irreverência são a própria personificação do humor.


Com muitas outras histórias engraçadíssimas, a autora, além de arrancar risos da platéia o tempo todo, nos deu a real noção de onde surgem suas deliciosas loucuras que cria só ou ao lado de seu parceiro mais constante, Miguel Falabella. Aliás, como ela mesma conta, a chegada de Miguel em sua vida foi mesmo na gargalhada. Porém, mesmo declarando que seja facílimo trabalhar com ele, “às vezes raspa na parede, mas depois sopra e fica tudo bem. Nós temos um bem maior para cuidar”, confessa.


O segredo para as hilariantes histórias que conta é simples: “direcionar o olhar sempre para o humor. O que interessa é o patético, o absurdo. Gente normal não tem graça”, ensina Maria Carmem.

Ela, por si só, já é um acontecimento, uma presença carismática e envolvente. No entanto, ouvir comentários a respeito de obras maravilhosas como “Toma lá dá cá”, “A lua me disse” e “Salsa e Merengue” e “Sai de baixo” da boca da própria autora é um verdadeiro privilégio. Sobre a polêmica que envolveu as personagens Latoya e Whitney (Zezeh Barbosa e Mary Sheila, respectivamente), que eram negras e racistas, a autora polemiza ao dizer que as vezes sente que algumas entidades negras perecem não querer sair do gueto e preservar uma raiz que não existe mais.


Maria Carmem ainda falou de um antigo projeto que tem muito orgulho de ter escrito: a série “Delegacia de Mulheres” e foi enigmática ao declarar que, quem sabe ela não possa estar de volta. A torcida é grande para que, não apenas este, mas muitos outros projetos da autora ganhem vida na telinha. O público agradece e aplaude.



ANA MARIA MORETSOHN: trabalho e prazer.



Mulher de coragem, que não tem medo de ir em busca de novas conquistas, nem que pra isso tenha que abandonar terra firme e se lançar ao mar rumo ao desconhecido. Foi essa a impressão que nos deixou a simpática autora Ana Maria Moretsohn em sua palestra intitulada “A excelência da colaboração”.


A autora começou na Globo escrevendo um Caso Verdade. De aluna da Casa de Criação Janete Clair, colaboradora de novelas como “Bambolê” e “Direito de amar” até se tornar co-autora de seu mestre Aguinaldo Silva, com quem assinou sucessos como “Tieta”, “Pedra sobre Pedra” e “Fera Ferida” foi um pulo. Mas ela ressalta que sempre procurou aprender com grandes mestres como Cassiano Gabus Mendes.


Disposta a se tornar autora titular e sem vislumbrar essa possibilidade na Rede Globo, Ana deixou a emissora e foi escrever na Band, onde diz que foi muito feliz e teve muito prazer em assinar três novelas, “Perdidos de amor”, “Serras Azuis” e uma nova adaptação de “Meu pé de laranja lima”, apesar das dificuldades de infra-estrutura. Depois disso, conseguiu retornar à Rede Globo obtendo o status que desejava e assinou a autoria principal de mais três novelas: “Esplendor”, “Estrela Guia” e “Sabor da paixão”.


Entre outras histórias, contou que escreveu a maior parte das cenas românticas de “Tieta”, que no início de “Malhação”, pode-se tocar em temas polêmicos como masturbação, sexo, drogas, entre outros, mas que após a nova Lei de Classificação Indicativa, pouco se pode fazer.


Quando foi solicitada a dar alguma palavra de estimulo a aspirantes que desejam ingressar na profissão, ela deu as seguintes dicas: humildade para aprender, ler muito, ficar ligado nos assuntos atuais e escrever sempre que possível. “Novela é cachaça total. Você começa e não quer deixar de fazer”, confessa.



MANOEL CARLOS: o fascínio pelas mulheres.



 Simpático e bonachão sem nunca perder o requinte, Manoel Carlos deliciou a audiência do Teatro Café Pequeno com seu bom humor, suas inúmeras histórias e sua grande disposição em contá-las.


Lógico que as perguntas mais recorrentes foram sobre sua atual novela “Viver a Vida”. O autor não concorda com uma pesquisa que apontou uma maior identificação do público feminino com a personagem Dora (Giovanna Antonelli), em vez da protagonista Helena (Taís Araújo), mas admite que houve um estranhamento inicial do público. Além disso, elogiou o carisma e o talento de Giovanna e o fato da personagem ser extremamente solar. Afirmou, ainda, com muito bom humor, que as pessoas se sentem mais donas das Helenas do que ele e vivem dando palpites. Quanto ao fato de Luciana (Alinne Moraes) voltar a andar, ele manteve o mistério, mas contou que os próprios cadeirantes não querem que isso aconteça, para não dar uma falsa ilusão e, que embora haja exceções, eles acham que não se deve priorizá-las.


Maneco também falou sobre a advertência que recebeu do Ministério Público quando este soube de sua intenção de fazer da menina Rafaela (Klara Castanho) uma vilã, uma vez que as crianças possuem uma série de leis que as protegem com relação ao seu trabalho. No entanto, ele deixa bem claro que em suas novelas não há vilãs assassinas e extremamente cruéis como tem sido a regra e que a crueldade de Rafaela será uma crueldade natural às crianças: “ela vai começar a fazer umas maldades. Vamos ver o que vai acontecer”, declarou enigmático. Entre os absurdos e implicâncias que sofreu, o autor destaca o fato de muitas pessoas reprovarem uma cena de “Laços de Família” em que Capitu (Giovanna Antonelli) propõe a colocar uma camisinha no parceiro, sem se darem conta de que era uma cena extremamente educativa.


O autor contou muitos outros casos, como a incrível sorte de ter descoberto Mel Lisboa por acaso num comercial que estava gravado por cima dos testes de elenco de “Presença de Anita”. Citando outros exemplos de pessoas que estrearam em suas novelas como Reynaldo Gianecchini, Juliana Paes, Christine Fernandes, Larissa Maciel e Matheus Solano, Maneco afirmou que não tem medo de dar papéis importantes a novatos. Contou também que atualmente tem oito colaboradoras e confessou sua predileção em trabalhar com mulheres. Aliás, mostrou-se totalmente fascinado por elas, seja na ficção, seja na vida real.


Por fim, deixou duas frases que gosta de repetir sobre fazer ficção: uma de um autor americano que afirma que “o problema da ficção é que ela tem que fazer sentido. A realidade, não”. E também uma de Eça de Queiroz sobre o que é o romance: “sob a nudez crua da realidade o manto da fantasia”.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Blogueiros convidados: Júnior de Souza e Fernando Shimada!

Imaginem se invertessem as bolas e cada autor das novelas atuais passasse a escrever outra novela

Bem, nosso amigo Júnior de Souza, autor teatral e roteirista, cujo talento já desponta em nossas telas e palcos, imaginou isso e pôs sua brilhante ideia no papel. Achei irresistível e pedi a ele para publicar aqui no blog. Gentilíssimo, ele nos cedeu seu texto. Para ilustrar o troca-troca, convoquei meu talentoso amigo Fernando Shimada que, diretamente do Japão, me atendeu prontamente e criou logotipos imaginários divertidíssimos. O resultado está aí abaixo. Obrigado, amigos! Feliz deste blogueiro que pode contar com tanta gente boa e talentosa.

COMO FICARIAM AS NOVELAS SE HOUVESSE UM TROCA-TROCA DE AUTORES???
Por Júnior de Souza

CAMA DE GATO Escrita por Manoel Carlos

Verônica discute com Ernestina por causa da salada mal temperada do almoço. Pai da Verônica comenta com Davi que precisa consultar urgente seu urologista pois tem sentido pontadas nos rins. Gustavo leva Rose para andar de barquinho na Lagoa e eles têm uma linda tarde juntos. Glória não quer comer nada e Taís suspeita de que ela está ficando anoréxica. Tarcísio diz que vai contar tudo pra mãe. Alcino faz uma série de exames e doutor Moretti diz a ele que o tratamento será longo. Mari diz que está junto pro que der e vier. Verônica diz ao pai que devem se mudar para o Leblon. Rose e Gustavo voltam para a vila, mas pegam um engarrafamento e ela reclama do trânsito do Rio de Janeiro. Verônica confere o apartamento novo e liga para o pai dizendo que a vista é muito linda.


CARAS & BOCAS Escrita por Duca Rachid, Telma Guedes com superv. de João Emanoel Carneiro




Depois de perder a memória, Dafne vaga pelas ruas de São Paulo. Bianca diz ao pai que o odeia por ter provocado o acidente e o sumiço da mãe. Judith confessa para André que tem realmente uma filha desaparecida e fica possessa quando descobre que é Tatiana. Mendigos dão abrigo a Dafne que está irreconhecível. Judith arma um plano para acabar com a vida de Tatiana e diz que André é seu cúmplice. Fabiano decide largar o bar e diz que vai morar no campo feito um lunático. Um carro preto segue Tatiana, mas ela se joga num monte de sacos de lixo e se safa, mas André tem certeza de que ela morreu. Socorro segue acreditando fielmente que o filho Gabriel é inocente e não teve nada a ver com o sumiço de Dafne. Pelópidas Vê Dafne vagando pelas ruas toda esfarrapada e a leva para um galpão abandonado. Judith atende a porta e dá de cara com Tatiana que lhe diz que a hora da verdade chegou para as duas. Pelópidas diz a Dafne que vai ajudá-la a mudar de identidade, recuperar a memória e pegar a todos de surpresa na reunião decisiva da Conti. 
 
 
VIVER A VIDA Escrita por Walcyr Carrasco



Na hora de cantar os parabéns para Luciana, Izabel desliga a luz e todos se assustam. Maradona dá em cima de Dora e ela o joga numa poça de lama. A luz volta na festa e descobrem que o bolo sumiu. Tereza liga para uma confeitaria e providencia outro rápido. Izabel distribui rosas para os convidados, mas todos começam a se coçar por causa do pó-de-mico. Miguel teme descobrirem que quem faz as as cirurgias não é ele e sim o irmão Jorge. Mia sai um pouco da festa e desabafa no quarto com Emengarda, sua gatinha de estimação. Renata dirige bêbada e provoca confusão nas ruas da cidade. Outro bolo chega e Izabel não se conforma. Helena diz à mãe que no sonho sentiu que seu bebê tinha o rosto de uma prima que faleceu aos 18 anos. Elas resolvem ir a uma sessão espírita. Renata chega atrasada para a festa e diz que Izabel está tentando avacalhar a festa de Luciana. Izabel joga bolo nela que revida. Começa uma guerra de comida.

Show de bola, amigos!!! Valeu!
Texto: Júnior de Souza
logotipos: Fernando Shimada

domingo, 25 de outubro de 2009

Melão Express: rapidinhas, mas saborosas – Ed. 3

  • O assunto do momento no meio televisivo é o alto investimento que o SBT parece estar disposto a fazer em seu núcleo de dramaturgia. As supostas contratações de Betty Faria (foto) e Carla Marins surpreenderam todo mundo e há muitos boatos, como por exemplo, que Betty teria assinado um contrato de 100 mil reais por mês e que Eduardo Moscovis e Wagner Moura teriam sido sondados para os papel de protagonista. O que é fato e o que é boato só o tempo irá dizer. Só nos resta aguardar e torcer. Desejo à minha amiga Renatinha Dias Gomes (que está felicíssima em escrever para Betty) e Tiago Santiago muito sucesso nessa nova empreitada. E vibro pelo fato de Betty (ao que parece) estar recebendo o tratamento de estrela de primeira grandeza que realmente merece no SBT, já que vinha sendo meio desprezada pela Globo.
 Toda essa movimentação só favorece os profissionais da área. Gera mais empregos e valoriza o trabalho de todo mundo. A própria Rede Globo já mostra sinais de que foi afetada, uma vez que grande parte do elenco de “Cama de Gato” esteve muito recentemente no ar em outras novelas como “Três Irmãs” e ”A favorita”. Quase uma Record e sua costumeira repetição de elenco. Por que não resgatam ótimos atores que há tempos não fazem novelas (basta dar uma olhada na comunidade “Por onde anda” do Orkut) ou investem em gente nova? “Viver a vida” é um exemplo de investimento em estreantes. Espero que essa onda também chegue ao time de roteiristas. Conheço vários talentosíssimos, em busca de um lugar ao sol!


  •  Falando um pouco de “Viver a Vida”, não tenho conseguido acompanhar com assiduidade porque estou trabalhando à noite, mas quando vejo me sinto incomodado com algumas coisas, a começar pela protagonista, Helena (Taís Araújo). A moça está sempre com cara de enjoada e é irritantemente perfeita. A graça das Helenas é o fato delas serem terrivelmente humanas e cometerem erros como todo mundo. Essa está perfeitinha demais e Taís me parece pouco espontânea.
  •  Ainda na linha “pouco espontânea”, a atuação da sempre ótima Camila Morgado também me incomoda um pouco. Aquelas cenas de gato e rato com o marido de sua prima soam um pouco artificiais, os movimentos teatrais e os gestos muito ensaiadinhos. Pouca naturalidade (o que é um crime em se tratando de uma trama do Maneco) e pouca química do casal. Já ss cenas entre Gustavo (Marcelo Airoldi) e Alice (Maria Luísa Mendonça) são bem mais divertidas e a química do casal é muito mais flagrante. Mesmo a la Samantha Jones tupiniquim, Maria Luísa Mendonça está ótima e mostra que estava fazendo falta na TV.
  •  Tudo bem que o trio de personagens interpretado por Natália do Vale, Lília Cabral e Letícia Spiller  (foto) abusa de cenas fúteis e banais. Mas as três estão muitíssimo à vontade no papel. Letícia Spiller precisava de uma personagem mais naturalista. Já Lilia e Natália emprestam uma naturalidade impressionante às suas falas. A gente acredita mesmo que aquelas mulheres existem de fato, o que é um sinal de um excelente trabalho das atrizes.


  • Das duas uma: ou o SBT conseguiu uma mega-liquidação de séries americanas ou tem dinheiro pra gastar á toa, já que exibe (ótimas) séries inéditas na TV aberta como “The closer”, “Nip e Tuck”, “Medium”, “Cold Case”, entre outras, altas horas da madrugada, onde a audiência é quase insignificante. Não que esteja reclamando, pois como bom notívago até agradeço. Só fico pensando que essas ótimas atrações poderiam fazer frente às outras emissoras se passassem em horários mais competitivos.

  •  Por fim, um reclamação: como se não bastasse o horário absurdo do excelente “Som Brasil”, ele já chega praticamente ao seu terceiro ano e só homenageou até agora compositores masculinos. Não entendo a razão para o Clube do Bolinha, já que contamos com excelentes compositoras de ontem, hoje e sempre como Rita Lee (foto), Dolores Duran, Angela RoRo, Adriana Calcanhotto, Maysa, Marisa Monte, Marina Lima, Dona Ivone Lara, só pra citar algumas...
Por hoje é só. Inté a próxima!

sábado, 10 de outubro de 2009

Melão Express: Rapidinhas, mas saborosas – Ed. 2

> PÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!

O Ministério Público ataca novamente. Notificou Manoel Carlos, que anunciou a idade de uma das vilãs de sua nova novela, “Viver a vida”, a atriz Klara Castanho, de 8 anos.
"Nem todas as manifestações artísticas são passíveis de serem exercidas por crianças e adolescentes. Uma criança de oito anos não tem discernimento e formação biopsicossocial para separar o que é realidade daquilo que é ficção. Isso sem contar com as eventuais manifestações de hostilidade que ela pode vir a sofrer por parte do público e não compreendê-las", explicam as procuradoras Maria Vitória Sussekind e Danielle Cramer.
Caso ignore as recomendações, Manoel Carlos pode sofrer uma baixa em sua trama. O descumprimento obriga o autor à adequação do personagem ou, até mesmo, ao afastamento deste.



> Só fico com pena da Klara Castanho. Tão jovem e com um talento nato, já comprovado em "Mothern" e agora teria a chance de mostrar seu talento para o grande público, vai ter sua participação na novela prejudicada por causa da esquizofrenia desse MP, que tinha mais era que se preocupar com as milhares de crianças carentes cheirando cola, fumando crack e se prostituindo pelas ruas. Reflexos de um mundo assolado pelo politicamente correto que extrapola sempre os limites do bom senso. O que mais irrita nesse caso é menosprezar a criança.

> Por essas e outras é que ando mais voltado para as grandes produções do passado. Estou inebriado de “Tieta”. Desde que recebi de presente a novela completa de meu grande amigo Ronaly, simplesmente não consigo parar de assistir. Que novela deliciosa, irreverente, debochada e extremamente moderna. Inclusive para os tempos de hoje. Muito mais vanguarda do que as produções atuais, tão patrulhadas pelos hipócritas e moralistas de plantão.

> Um exemplo de vanguarda foi uma cena a qual assisti ontem. Ricardo (Cássio Gabus Mendes), o jovem seminarista, desfilando pela cidade de shortinho curto e sendo cobiçado por todas as mulheres que ao vê-lo passar gritam “cabrito”! Cena aparentemente inocente, mas extremamente transgressiva, pois inverte os papéis de gênero que até hoje perduram na sociedade.

> Uma coisa não se pode negar. Aguinaldo Silva é extremamente generoso com seu elenco. Ele escreve sempre novelas de atores, em que as interpretações estão acima até da própria trama. Todo mundo tem chance de brilhar. A cada capítulo de “Tieta”, um show de alguém do elenco, de Armando Bogus a Cristina Galvão (tinha me esquecido de como ela é boa atriz). A impressão que dá é que “Tieta” diverte não só o espectador. O alto astral da novela é tão evidente que o elenco parece também ter se divertido bastante.



> Outra constatação ao assistir “Tieta”. Na maioria das vezes, uma novela é lembrada muito mais por suas cenas iniciais ou finais. Mas há tantas cenas antológicas no decorrer da novela e elas acabam fatalmente caindo no esquecimento. Um exemplo foi um delicioso embate entre Tieta (Betty Faria) e Perpétua (Joana Fomm). Além do texto maravilhoso, as duas atrizes em estado de graça, cada uma ao seu estilo. E o melhor não é o que era dito. Era o que ficava nas entrelinhas, sugerido pelos gestos e olhares das duas. Genial.

> Voltando ao presente, a pedido do leitor e amigo Edu, que assina os comentários como “Aldeia” (!), comento a nova edição do “Brazil’s next top model”. Confesso que gosto muito mais da versão americana, sobretudo pela apresentadora e pela maior diversidade de tipos entre as candidatas. Mas o programa não deixa de ser divertido. Confesso que gosto muito mais das provas propriamente ditas do que a parte “BBB” do programa. Um monte de modelo gritando e brigando numa casa é um pouco duro de agüentar....rs!

> Por fim, algumas palavras sobre a estréia de “Cama de Gato”. Não vi os dois capítulos iniciais. Mas quando comecei a ver consegui me inteirar de toda a história. Mérito total das autoras, Duca Rachid e Thelma Guedes, que conseguem dar agilidade à trama, mas ao mesmo tempo não perder de vista o espectador que chega depois. Além disso, direção super caprichada. Ação na dose certa. Tudo para ser um gol de placa!

> Passo o feriado em Petrópolis e volto na semana que vem. Não reparem se eu voltar a falar de “Tieta”. Bom feriado a todos e até a volta!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Melão express: rapidinhas, mas saborosas!




- Que horror! Mataram Aracy Cardoso ao “homenagearem” Dirce Migliaccio. Algum gênio do portal da Globo postou um vídeo da novela “A gata comeu” com cenas de Zazá, personagem de Aracy Cardoso, como sendo de Dirce Migliaccio, que fazia a personagem Ceição. O pior é que as atrizes nem são parecidas. Como disse meu amigo Fernando Russowsky, acho que qualquer um de meus amigos participantas das listas de discussão de Tv das quais faço parte faria bem melhor do que esses jornalistas desinformados que pouco sabem ou se interessam por televisão. Pra onde mandamos nosso currículo? Por essas e outras que o Brasil não é levado a sério, já que trata seu principal produto de exportação com desprezo e menosprezo. Imagina se nos EUA alguém iria publicar uma foto de Patrick Swayze dizendo que ele participou de "Top Gun", por exemplo...rs! Sei que o exemplo é tosco, mas é bem por aí... Desculpem o desabafo. Segue o link para a atrocidade:
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1128542-7822-DIRCE+E+DESTAQUE+EM+A+GATA+COMEU,00.html


- Em tempo: sugiro a esses "especialistas em TV" que dêem uma olhada no trabalho desenvolvido por Guilherme Stauch (Memória da TV), José Marques Neto (Mofo TV) ou Nilson Xavier (site e almanaque da Teledramaturgia), que dão um banho em todos esses sites institucionais e colunistas de TV. Tal resgate deveria ser feito pelo Ministério da Cultura, que pouco se importa em preservar nossa memória televisiva. Parabéns a esses bravos e abnegados rapazes e muitíssimo obrigado! Sempre!

- Gente, que edição de “No limite” mais xôxa foi essa? E o pior ainda foi o tal “juízo final” com aqueles participantes eliminados bombardeando as finalistas com seu despeito e inveja. E a emoção da ganhadora? Nossa, acho que até aquelas mocinhas que vendem tapete pela Tv são mais empolgadas...rs! Foi um “No limite” muito BBB. E como anti-BBB que sou, rejeitei...rs! Ao menos o programa nos deixa uma valiosa lição: que, para sobrevivência na selva, de pedra ou não, é mais necessário ser sonso do que ser forte.

- Como não estou assistindo a “Viver a vida” diariamente, pode ser que tenha perdido alguma coisa, mas meu amigo Fellipe me chamou a atenção para algo curioso: se Helena (Taís Araújo) é uma top famosíssima, de renome internacional, por que precisa dividir um modesto apartamento com suas amigas médicas?

- É isso mesmo o que acabei de ver na chamada de “Cama de Gato”? Heloísa Perissê filha de Rosi Campos? Como assim? Estão chamando Rosi de velha ou Perissê vai fazer a Taty?

- E com muuuuuuito atraso gostaria de deixar registrada minha opinião sobre a cena de “Caminho das Índias” em que Sílvia (Debora Bloch) descobre que Raul (Alexandre Borges) está vivo. Um tremendo show de interpretação dos atores, sobretudo de Debora, cuja personagem ficou apática a novela inteira, mas que só essa cena já valeu por tudo. E o mais importante: texto! Glória Perez realmente arrasou nos diálogos. O acerto de contas não deixou nada por ser dito e realmente tudo o que estava engasgado na garganta do público veio à tona. Parabéns pela (minha opinião) melhor cena do ano até agora!

- Por fim, gostaria de recomendar um divertido post do blog do Carlos, “Registros do Cotidiano”, que relembra aquelas antigas manchetes das revistas. Muito legal!
http://registrosdocotidiano.blogspot.com/2009/09/betty-faria-transa-com-tarcisio-meira.html

Prefira também: