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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Em 2012, o melão preferiu...



2012: O ANO DAS EMPREGUETES!





Empregadas domésticas protagonistas de novelas não são propriamente uma novidade em nossa teledramaturgia, afinal ainda nos anos 60, nossa querida Rosamaria Murtinho já protagonizava uma novela, “A moça que veio de longe”, na pele de uma empregada. Nos anos 70, além da clássica babá Nice (Susana Vieira) em “Anjo Mau”, o autor Mário Prata dedicou uma novela inteiramente a elas chamada “Sem lenço, sem documento”.

Porém, nunca elas brilharam tanto e em todos os horários como em 2012. Em um determinado momento, as quatro novelas globais apresentavam, simultaneamente, empregadas domésticas como heroínas: Camila Pitanga em “Lado a Lado”, na pele de Isabel, empregada de Madame Besançon (Beatriz Segall); as empreguetes propriamente ditas em “Cheias de Charme”; a sombria Nina (Debora Falabella), em “Avenida Brasil”, que se infiltrou como empregada na mansão de sua algoz, Carminha (Adriana Esteves); e “Gabriela”, que tinha a personagem-título, vivida por Juliana Paes, moça faceira que servia ao seu patrão Nacib (Humberto Martins) algo mais que iguarias e quitutes. Por isso, melão, ao apresentar sua retrospectiva do ano, não podia deixar passar esse curioso fato despercebido. Sem mais delongas, vamos às atrações que o melão preferiu em 2012?

Ø  CHEIAS DE CHARME: FRESCOR E DIVERSÃO NO HORÁRIO DAS SETE.


 Já escrevi tanto sobre essa novela durante todo o ano que qualquer coisa que diga ficaria redundante. De longe, foi minha novela favorita do ano. “Cheias de Charme” trouxe de volta ao horário das sete uma grande comédia digna dos grandes clássicos oitentistas de Silvio de Abreu e Cassiano Gabus Mendes, mas ao mesmo tempo trouxe frescor, novidade e originalidade ao contar a saga das três empregadas domésticas que viraram cantoras. Sobretudo, nos fez de novo torcer e admirar as heroínas em uma época em que as vilãs são a grande sensação das novelas. Não que Claudia Abreu não tenha brilhado intensamente: sua Chayene já se tornou um personagem épico. Mas as três mocinhas vividas por Leandra Leal, Taís Araújo e Isabelle Drummond não ficaram devendo nada. Além disso, revelou um novo e promissor talento: Titina Medeiros. Além delas, muitos foram os destaques do elenco e as qualidades da novela como um todo. Só me resta desejar vida longa à dupla Filipe Miguez e Izabel de Oliveira.


Ø  AVENIDA BRASIL: A NOVELA QUE FEZ O BRASIL PARAR



Se “Cheias de Charme” trouxe a diversão de volta para o horário das sete, o que dizer do furacão “Avenida Brasil”? A novela trouxe de volta a catarse coletiva promovida por grandes novelas que se podem contar nos dedos. Há muito tempo o Brasil não parava, vibrava, torcia, se emocionava e assistia tão atentamente a uma trama. Mais uma vez, João Emanuel Carneiro mexeu com as estruturas do folhetim e fez o público voltar a discutir novela na rua. Adriana Esteves, em atuação arrasadora, fez de sua Carminha uma personagem inesquecível e entrou definitivamente para o rol das grandes atrizes desse país. E além da “empreguete” Nina (Debora Falabella, defendendo com garra sua heroína), as outras duas empregadas da Mansão do Divino, Zezé (Cacau Protássio) e Janaína (Claudia Missura) também brilharam intensamente (não disse que 2012 foi o ano das empreguetes?). Direção genial, elenco em estado de graça e cenas sempre na mais alta tensão garantiram o sucesso estrondoso da novela. O #OiOiOi dificilmente será esquecido e “Avenida Brasil” já faz parte da galeria das grandes telenovelas.

Ø  JOSÉ WILKER E LAURA CARDOSO: EXCELENTES MOTIVOS PRA SE FICAR ACORDADO



O remake de “Gabriela”, escrito por Walcyr Carrasco, rendeu bons índices para o horário das onze e garantiu a diversão de muita gente que ficou acordada até tarde para assistir à novela. Mas dois nomes em especial brilharam intensamente: Laura Cardoso e José Wilker. Além de colocarem seus bordões na boca do povo em 2012, também brilharam intensamente nas cenas em que protagonizaram. Laura, como a hipócrita e moralista Dorotéia, conseguia transmitir toda a antipatia da personagem, causando asco, mas também divertindo muito o público. Já Wilker conseguiu dar dimensão humana a seu dificílimo personagem, Coronel Jesúino, sobretudo nas cenas do seu julgamento pela morte da esposa Sinhazinha (Maitê Proença), em que ele tinha que transmitir, ao mesmo tempo, a dureza e a rudeza do homem daquela época, mas também amor e saudade pela mulher que amava. A expressão de Wilker, contida, a cara fechada, mas os olhos marejados, cheios de amor e saudade: um trabalho de gênio, digno de grandes atores. Em um ano de grandes e brilhantes atuações, Wilker foi o ator do ano, na humilde opinião deste melão.


Ø  LADO A LADO: O BOM E VELHO FOLHETIM


“Lado a Lado”, da dupla João Ximenes Braga e Claudia Lage, pode não ter o ritmo alucinante de “Avenida Brasil”, nem o humor hilariante e o frescor de “Cheias de Charme”, mas também vale a muito a pena ser assistida: é um novelão, e dos bons! Reconstituição de época perfeita de um período pouquíssimo explorado em nossa teledramaturgia, direção de arte primorosa, texto saboroso e elenco afiado fazem da novela uma grande atração no horário das seis.

Ø  BRADO DE QUALIDADE


Em se tratando de séries, também foi produzido um verdadeiro biscoito fino em 2012: “Brado Retumbante”, de Euclydes Marinho, um thriller político de primeira que não deixou nada a dever aos similares americanos, mas com a cara e o jeito do Brasil. O dia-a-dia do presidente, com seus problemas pessoais e familiares no melhor estilo “The west Wing”. Texto primoroso e direção bem cuidada, com ótimas atuações de Mariana Lima e Maria Fernanda Cândido. Destaque, é claro, para Domingos Montaigner, que desponta como um dos grandes galãs da atualidade.


Ø  O SHOW DE FAFY


Depois de Maysa, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, mais uma grande artista ganhou uma caprichada biografia em uma microssérie na Rede Globo: a grande Dercy Gonçalves, que pela pena de Maria Adelaide Amaral, teve sua emocionante trajetória passada a limpo. Reconstituição de arte primorosa e personagem muito bem defendida por Heloísa Perissê na fase jovem da comediante e Fafy Siqueira, que deu um verdadeiro show na pele da Dercy que todos nós conhecemos. A fusão das imagens com a própria Dercy e as cenas de Fafy comprovaram o primoroso trabalho da atriz.


Ø  TERAPIA DAS BOAS


Em tempos de interatividade, alta movimentação e narrativas de videoclipe, Selton Melo e a equipe de roteiristas liderada por Jaqueline Vargas conseguiram uma verdadeira proeza: prender a atenção do público apenas pela palavra, já que as cenas de “Sessão de Terapia” eram focadas apenas nos diálogos de Théo (ZéCarlos Machado) com seus pacientes, quase sem nenhuma ação. Com um elenco excelente, quem assistiu à versão brasileira do seriado israelense “Be Tipul” não se arrependeu.

Ø  A VOLTA DOS (BONS) MUSICAIS

A "deusa" Rosana: uma das presenças mais frequentes no programa
ü  Como se não bastasse nos presentear durante todo o ano com novelas e minisséries que fizeram parte de nossa história, o Canal Viva marcou mais um golaço em 2012 ao reprisar alguns programas do “Globo de Ouro”. Numa época em que o cenário musical brasileiro não se resumia apenas aos poucos e popularescos estilos, o programa era uma deliciosa salada musical que ia desde grandes nomes da MPB como Gal Costa, Rita Lee e Gilberto Gil, passando por expoentes do nosso rock Brasil como Paralamas do Sucesso, Titãs e Legião Urbana, até os grandes vendedores de discos da época como Wando, Rosana e Fábio Junior. E a reprise do programa fez o maior sucesso, também em grande parte graças ao visual anos 80, hoje exóticos e inacreditáveis, causando riso e espanto na plateia mais jovem. Além de causar grande comoção no twitter, ainda influenciou a programação da tevê aberta, fazendo com que o TV Xuxa produzisse programas temáticos dos anos 80 e 90 e o Caldeirão do Huck fizesse sua própria edição do “Globo de Ouro”. Ainda há um grande acervo do programa ainda não exibido. Esperamos que o Canal Viva continue nos brindando com essas pérolas em 2013.

Ellen Oléria, vencedora da 1ª edição do "The Voice Brasil"
ü  Outra grata surpresa no cenário musical de nossa tevê em 2012 foi o “The Voice Brasil”, que a exemplo do “Globo de Ouro”, também causou rebuliço nas redes sociais. O grande diferencial do programa foi valorizar o talento e a voz ao invés de ficar perdendo tempo com tipos bizarros e pretensamente engraçados. Vida longa para o “The Voice”, que prova que o público está ávido por novidade e por boa música e não quer apenas canções sertanejas “universitárias” vazias de sentido e cheias de vogais e onomatopeias.

Ø  “DOCE DE MÃE”: IGUARIA SABOROSA PARA O PÚBLICO


E já às portas do novo ano, o público foi brindado com um presentão: o telefilme “Doce de mãe”, de Jorge Furtado, estrelado por Fernanda Montenegro e um ótimo elenco. Sensível, comovente e muito divertido, o filme agradou em cheio e  mostrou uma Fernanda Montenegro com a corda toda na pele da adorável Dona Picuxa, um papel em que ela pode, mais uma vez, dar um verdadeiro show, mostrando todas as suas potencialidades cômicas e dramáticas, mostrando por que é uma das atrizes mais respeitadas do mundo. Fica a torcida para que “Doce de mãe” se transforme em uma série em 2013 e que a emissora aposte cada vez mais nesse formato de telefilme.

Ø  PEDRA AMETISTA BRILHANDO COMO NUNCA!

E pra fechar a retrospectiva com chave de ouro, não posso deixar de mencionar a vitória de “O astro” no Emmy Internacional como melhor novela de 2011. Viva a pedra ametista que continua a brilhar mundo afora!


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Agora, o melão quer saber? O que vocês preferiram em 2012?

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

TEMAS E TRILHAS – MARIA BETHÂNIA





A aniversariante do dia dispensa qualquer apresentação. Há muitas décadas reina absoluta como nossa intérprete mais emocionante e emocionada. Coleciona adjetivos como rainha, diva, poderosa, soberana, deusa e muitos outros sempre superlativos. Desde sempre, minha cantora favorita. Graças à minha mãe, cresci ouvindo Maria Bethânia. Aos 4 anos, pra mim era muito comum ouvir discos como “Álibi”, “Mel” ou “Pássaro da Manhã”, ou seja, a presença de Bethânia em minha vida sempre foi constante, ainda mais pelo fato dela ser uma das recordistas de canções em trilhas sonoras de novelas. São tantas e tão boas que dobramos o eventual TOP 10 e muitas outras ainda ficaram de fora. Mas Bethânia merece e elegi abaixo meus 20 temas de novelas favoritos na voz da cantora:

20) PRECONCEITO (Por amor – 1997)
A sofrida gravação dos anos 60 caiu como uma luva para Márcia (Maria Ceiça), que sofria preconceito racial por parte do próprio marido Wilson (Paulo Cesar Grande), que era completamente apaixonado por ela, mas se recusava a ter um filho com medo que este nascesse negro como a mãe. Como muitos espectadores da novela de Manoel Carlos, morri de raiva de Wilson e fui solidário à dor de Márcia, que acabou perdoando-o no final e, por ironia, tiveram uma filha loira: Ritinha. A cada dramática de Márcia, surgia a voz e a interpretação intensa de Bethânia para embalar o sofrimento da personagem.

19) ALÉM DA ÚLTIMA ESTRELA (Renascer – 1993)
Depois de se decepcionar com Mariana (Adriana Esteves) por quem sentia uma paixão avassaladora, João Pedro (Marcos Palmeira) viveu um romance mais sereno e tranquilo com a delicada Sandra (Luciana Braga). E para embalar esse amor, nada como a voz de Bethânia, aqui doce e suave, combinando perfeitamente com o casal da novela de Benedito Rui Barbosa.

18) ONDE ESTARÁ O MEU AMOR? (A Indomada – 1997)
Uma das interpretações mais belas e emocionantes de Bethânia. A bonita canção de Chico César embalava o amor maduro e clandestino da cafetina Zenilda (Renata Sorrah) e do submisso Pedro Afonso (Claudio Marzo), personagens da trama de Aguinaldo Silva. Sinceramente, nunca achei que a canção, que exala pureza, combinasse muito com o casal, mas só pelo fato de ter Bethânia na trilha, vale a pena ouvir sempre.

17) CHEIRO DE AMOR (Pé na Jaca – 2006)
Foi uma grata surpresa ouvir essa música setentista do célebre álbum “Mel” de volta às paradas em pleno 2006, ainda mais pra embalar o romance da moderninha e temperamental Maria Bo e do descamisado Lance (Marcos Pasquim) da trama de Carlos Lombardi. A interpretação de Bethânia é sensualíssima descrevendo a sensação de “apaixonamento” e a canção mostrou que não envelheceu.

16) DEPOIS DE TER VOCÊ (Desejos de Mulher – 2002)
Nessa mesma linha apaixonada, Bethânia arrebata corações ao interpretar a bela canção de Adriana Calcanhotto, que serviu de trilha para o romance de Andrea Vargas (Regina Duarte) e Diogo (Herson Capri). Confesso que a novela de Euclydes Marinho não me empolgava muito, mas torcia para chegar as cenas de amor do casal só pra ouvir a canção.

15) PRIMAVERA (As Filhas da Mãe – 2001)
Acho essa canção uma das mais lindas de toda a MPB. A composição de Vinícius de Moraes e Carlinhos Lyra é poesia pura. E na voz de Bethânia, a canção atinge um patamar ainda mais poético e triste e embalou o amor maduro de Lulu de Luxemburgo e Artur Brandão (Fernanda Montenegro e Raul Cortez) na divertida trama de Sílvio de Abreu. A novela era anarquia pura e cada vez que o casal aparecia na voz de Bethânia era um respiro poético.

14) A MAIS BONITA (Rainha da Sucata – 1990)

Uma canção pouco conhecida de Chico Buarque e que não teve muita repercussão na época por conta da contagiante trilha sonora da novela, cheia de lambadas, músicas pop e até um revival da jovem guarda na voz de Wanderléia. Mas com o passar do tempo, aprendi a valorizar a canção, sensível, delicada e teatral que combinava muitíssimo bem com a vilã cheia de classe Laurinha Figueiroa, vivida magistralmente por Gloria Menezes na trama de Sílvio de Abreu. Prestem atenção na letra: é uma delícia!



13) FALA BAIXINHO (Mulher – 1998/1999)
Essa canção não era tema de nenhum personagem específico e fez parte, principalmente da primeira temporada da série, e sempre era o tema dramático de algum personagem a cada episódio. Não conhecia a bela canção de Pixinguinha e simplesmente adorei e como não faz parte da discografia da cantora, comprei o CD da trilha só por causa dela. Mais uma interpretação arrebatadora e marcante de Bethânia.

12) LUA BRANCA (Sangue do meu sangue – 1995)
Outra pérola de nosso cancioneiro que foi uma grata surpresa na voz de Bethânia, que gravou ao vivo a canção de Chiquinha Gonzaga em seu álbum de 1995. Infelizmente o SBT não lançou a trilha sonora da novela, que utilizou a canção como tema da bela Pola Renon, interpretada por Bia Seidl. A interpretação emocionante e intensa de Bethânia nessa música é de arrepiar e casava perfeitamente com o clima da novela.

11) CORAÇÃO ATEU (Gabriela – 1975)


Outra canção que não faz parte da discografia da cantora, pois foi gravada especialmente para a novela. Era tema de Sinhazinha e Dr. Osmundo (Maria Fernanda e João Paulo Adour). Confesso que, apesar de adorar a canção, não tenho lembranças dela na novela, já que nem era nascido, mas só de ouví-la nas chamadas do remake que estreia hoje, já a incluo na lista por antecedência, pois amei o fato de voltarem a utilizar a música na trilha.

10) O LADO QUENTE DO SER (Baila Comigo -1981)
Também foi tema da série “Retrato de Mulher” (1993), mas ficou marcada mesmo por fazer parte da trilha da novela de Manoel Carlos. Era o tema da batalhadora Lucia (Natalia do Vale) e seu romance com Quinzinho (Tony Ramos), mas pela letra que sugere que a personagem quis ser bailarina e pelo estilo mais sensual sempre achei que combinava mais com outra personagem, Joana (Betty Faria), a professora da academia da novela.

9) VOCÊ (Pátria Minha – 1994)
A belíssima composição de Roberto e Erasmo Carlos ganhou em emoção e intensidade na interpretação de Bethânia. A canção narra as saudades e a tristeza com o fim de um grande amor e embalou as desventuras amorosas de Alice e Rodrigo (Claudia Abreu e Fabio Assunção) na novela de Gilberto Braga. “Você” dava a dimensão exata do amor e da saudade que os casal sentia um pelo outro e também fez parte da trilha sonora do romance de muita gente.

8) PRECISO APRENDER A SER SÓ (Mulheres Apaixonadas – 2003)
Integrante do songbook de Marcos Valle, essa gravação na voz de Bethânia tem um dos arranjos mais bonitos que conheço e era o tema da protagonista da novela de Manoel Carlos, Helena, vivida por Christiane Torloni, que vivia uma crise em seu casamento com Téo (Tony Ramos), enquanto se envolvia com um amor do passado vivido por José Mayer. Helena refletia sobre a vida ao som dessa canção. Confesso que torcia para que Helena pensasse na vida caminhando pela sala, pois era quase certeza que a música tocaria.

7) VERDADES E MENTIRAS (Fera Radical – 1988)
Um belo arranjo e uma interpretação amorosa e apaixonada de Bethânia, que serviu para embalar o romance da fera radical Claudia (Malu Mader) com o peão Fernando, filho dos inimigos da moça. De nada adiantou os personagens da novela de Walther Negrão lutarem contra esse amor. Eles terminaram juntos e nós ouvimos essa canção muitas vezes durante a trama.

6) EXPLODE CORAÇÃO (Pai Heroi – 1979 e Explode Coração – 1995)
Na novela de Gloria Perez que leva o mesmo nome da música, ela quase não tocou, mesmo sendo o tema da protagonista Dara (Tereza Seiblitz). Apesar de eu lembrar muito mais da canção através da vitrola de casa, vale destacar que era o tema de um dos casais mais marcantes da história da teledramaturgia, André (Tony Ramos) e Carina (Elizabeth Savalla) da novela de Janete Clair. Essa é uma das novelas que tenho mais curiosidade e com esse tema romântico então...

5) TENHA CALMA (Tieta – 1989)


Essa toca fundo em minha memória afetiva: era o tema do amor proibido de Tieta (Betty Faria) e seu sobrinho seminarista Ricardo (Cassio Gabus Mendes). A canção de Djavan na voz de Bethânia carrega esse misto de paixão e angústia que permeava a relação da sensual cabrona com seu cabritinho. E só mesmo uma intérprete à altura de Bethânia para saber combinar sentimentos como paixão e desespero na medida certa. As cenas do casal eram pra lá de calientes e, mesmo a letra não tendo nada a ver com a trama, a canção combinava perfeitamente com o romance.

4) TÁ COMBINADO (Vale Tudo – 1988)
Essa pérola de Caetano que Bethânia interpreta de maneira doce e apaixonada, mas fingindo não estar nem aí, é uma das preferidas dos noveleiros de plantão, afinal embalou o romance de Raquel e Ivan (Regina Duarte e Antonio Fagundes) da aclamada novela, recentemente reprisada pelo Canal Viva. Tocava praticamente em todos os capítulos, fazendo a alegria dos twitteiros que assistiam à novela. Fez sucesso em 88 e voltou a agradar na reprise. Assim como a novela, um clássico!


3) FERA FERIDA (Fera Ferida – 1993)



Há canções que só passamos a sentir o vigor e a força quando ganha uma releitura e foi isso o que aconteceu com “Fera Ferida”, tamanha força, vigor e paixão que Bethânia emprestou à música, que caiu como uma luva para ser tema de abertura da novela do mesmo nome. Confesso que já me identifiquei várias vezes com a letra (quem nunca?) e não canso de cantá-la alto até hoje.

2) SÁBADO EM COPACABANA (Paraíso Tropical – 2007)


Um sobrevôo a uma bela paisagem verde por trás de uma montanha que aos poucos vai revelando a praia de Copacabana, cenário de “Paraíso Tropical”, novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Essa era a abertura: simples, sem efeitos especiais, já que a paisagem do Rio de Janeiro dispensa qualquer artifício e a majestosa voz de Bethânia, deslumbrada com Copacabana e todos os seus encantos. Uma de minhas aberturas favoritas que eu esperava ansiosamente todos os dias.  

1)           GRITO DE ALERTA (Água Viva – 1980)
O primeiro lugar não podia ser outro, já que esse tema uniu minhas duas estrelas favoritas: Maria Bethânia e Betty Faria, que vivia a protagonista Lígia, da novela de Gilberto Braga e tinha a canção como seu tema. Além disso, a própria Bethânia fez uma participação especial na novela como ela mesma cantando a música durante um show. Nesse momento, Lígia vê seu ex-marido Heitor (Carlos Eduardo Dolabella) nos braços da amiga Selma (Tamara Taxman), que vai culminar na famosa cena da surra no banheiro. Mas antes temos essa deliciosa cena em que Lígia curte sua fossa ao som de Bethânia, ao vivo e a cores. Uma pérola!


Melão deseja à rainha Maria Bethânia um feliz aniversário e pergunta aos seus leitores: quais são seus temas de novelas favoritos na voz da cantora?


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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Temas e Trilhas: Gal Costa

                                                                                                                                                                     


Foto: Thomas Baccaro

O melão inaugura uma nova seção: meus 10 temas favoritos em novelas e séries de algum cantor, cantora ou grupo. Na estreia, uma grande estrela e aniversariante da semana: Gal Costa, uma verdadeira recordista de sucessos em novelas. Confesso que sou muito fã dessa cantora. Gal é a favorita do meu pai e Bethânia, de minha mãe. Cresci ouvindo as duas. Passei minha infância em volta aos seus LP's. E como são os temas de Gal em novela são muitos, foi difícil chegar a apenas 10. O critério, claro, é sempre afetivo: canções de novelas que gosto ou que me marcaram de alguma forma. Vamos a elas.
                                                                                                                                                                 

 10) SOLIDÃO (Tom Jobim / Alcides Fernandes) – novela “O DONO DO MUNDO” (1991)

Impossível não se lembrar das desventuras de Márcia (Malu Mader), arrasada, caminhando pelas ruas após ter sua vida destruída pelo médico Felipe Barreto (Antonio Fagundes) e não ligar a cena à bela canção de Jobim. Marcia fora enganada pelo vilão e enquanto sofria ao som da canção planejava vingança e tentava esquecer seu algoz no folhetim de Gilberto Braga. Lembro de Malu Mader andando pela rua desolada, quase sendo atropelada por um carro ao som dessa canção. Gal nos oferece uma interpretação doce, triste na medida, sensível. Vale sempre a pena ouvir de novo.


                                                                              
                                                                                                                                                                   
9) FORÇA ESTRANHA (Caetano Veloso) – novela “OS GIGANTES” (1979)


Não vi nada além do último capítulo e algumas cenas avulsas dessa novela de Lauro Cesar Muniz. Mas de posse da informação que esse era o tema de Paloma (Dina Sfat), não fica difícil imaginar o poder da interpretação da atriz aliada à sensível interpretação da cantora. Aliás, nada mais adequado, já que tanto Gal quanto Dina são duas forças da natureza. Tomara que um dia consiga conferir alguma cena da novela em que isso aconteça. Um clássico!





                                                                                                                                                                     
8) NADA MAIS (Stevie Wonder – VS. Ronaldo Bastos) – novela “CORPO A CORPO” (1984/85)

O ano era de 84. Debora Duarte e Antonio Fagundes se divorciavam na novela de Gilberto Braga. Na vida real, meus pais também, portanto me identificava totalmente com o sentimento de Selton Mello, que vivia o filho do casal. O tema era de Tereza (Gloria Menezes), pomo da discórdia do casal e me recordo remotamente de algumas cenas com essa bela versão do disco “Profana”. Mas a lembrança mais forte mesmo é que foi o tema da separação na minha própria casa e de ouvir essa canção incontáveis vezes na sala de casa quando meu pai colocava o LP no moderno 3 em 1 (risos!). Detalhe: meu pai sempre foi COM-PLE-TA-MEN-TE apaixonado por Gal e ama essa música que, de fato, foi emblemática naquele momento e perdura até hoje em minha memória.

                                                                                                                                                                        


7) ALGUÉM ME DISSE (Evaldo Gouveia / Jair Amorim) – novela “TIETA” (1989/90)


No início, impliquei um pouco com essa música na novela de Aguinaldo Silva, pois amava o tema anterior do casal Elisa e Timóteo (Tássia Camargo e Paulo Betti), “Eu e você”, na voz de José Augusto. Mas, não sei se, pela canção tocar tanto na novela, ou se pela perfeita junção de arranjo, voz e adequação à trama, hoje é uma das minhas preferidas da maravilhosa trilha sonora de “Tieta”. Até hoje quando a música toca no rádio, me vem imediatamente à memória os encontros e desencontros desse casal, que fez o maior sucesso na época. Sem contar que, tudo de “Tieta” é inesquecível pra mim. Inevitável: “Alguém me disse”, na voz de Gal também me transporta imediatamente para as dunas do Agreste.


                                                                                                                                                                    
6) FUTUROS AMANTES (Chico Buarque) – novela “HISTÓRIA DE AMOR” (1995)

A canção é indiscutivelmente deslumbrante. Na voz de Gal e no arranjo inspiradíssimo de Jacques Morelembaum do disco “Mina d’água do meu canto” é de fazer chorar. E como harmonizou perfeitamente com o bonito romance de Carlos e Helena (José Mayer e Regina Duarte) em “História de Amor”, delícia de novela de Manoel Carlos. O texto sempre inspirado do autor aliado às belíssimas paisagens do Rio e Gal, aqui doce, serena, entregue à paixão, em estado de graça. Até hoje me arrepio. Como é bonita essa gravação...



                                                                                                                                                                    

5) E DAÍ (Miguel Gustavo) – novela “CIRANDA DE PEDRA” (2008)

Quando comprei o CD “Todas as coisas e eu”, confesso que outras faixas me chamaram mais a atenção. Mas logo que assisti ao clipe de apresentação da “Ciranda de Pedra”, me arrebatei. De fato, é uma canção perfeita para a trama de Laura (Ana Paula Arósio) que, reprimida pelo marido, ainda mantinha o pensamento e o coração livres. A sequência da personagem no carro passando por um túnel de São Paulo, feliz, com a sensação de liberdade, é bonita de mais e um dos grandes momentos da novela de Alcides Nogueira que, assim como a canção, conta a história de um amor que nenhuma repressão ou proibição pode matar.


                                                                                                                                                                    

4) BABY (Caetano Veloso) – minissérie “ANOS REBELDES” (1992)

A ficção se misturava com os acontecimentos históricos nessa antológica minissérie de Gilberto Braga. João Alfredo (Cássio Gabus Mendes) presenteia Maria Lúcia (Malu Mader) com o disco de uma nova cantora chamada Gal Costa. Juntos ouvem “Baby” e reafirmam seu amor. É verdade que Caetano compôs a música para a mana Bethânia cantar, mas essa versão de 68 de Gal é definitiva e muito representativa da época. Muitos anos e muitas interpretações de Gal depois, essa permanece como uma das minhas favoritas. Continuo me identificando.




                                                                                                                                                                          
3) SÓ LOUCO (Dorival Caymmi) – novela “O CASARÃO” (1976)

Sim, a canção também foi tema do amor de D. Pedro e Domitila (Marcos Pasquim e Luana Piovani) na minissérie “O quinto dos infernos”. Mas vai ser definitivamente lembrada como tema de abertura dessa novela cultuada por muitos que a assistiram e que suscita curiosidade de quem não a assistiu. Impressionante como Caymmi conseguia sintetizar tanto sentimento, colocar tanta intensidade com tão poucas palavras. “O casarão” falava de um amor que nem o tempo foi capaz de apagar e a canção traduz perfeitamente essa loucura, inerente apenas aos que amam demais, no caso, João Maciel e Carolina, interpretados pelos inesquecíveis Paulo Gracindo e Yara Cortes. E, lógico, um dos maiores clássicos da carreira da cantora.


                                                                                                                                                                      

2) MODINHA PARA GABRIELA - (Dorival Caymmi) – novela “GABRIELA” (1975)

Quando lembramos de Sonia Braga na pele da fogosa protagonista da novela, a voz de Gal nos vem imediatamente à memória. Aliás, a própria fora convidada para viver Gabriela antes de Sonia Braga. Uma das mais famosas gravações da cantora e mais uma pérola de Dorival Caymmi, que compôs especialmente para a trama das dez. Gal, através de sua interpretação, encarna a própria Gabriela: sensual e brejeira. Inevitável: Gabriela nos remete a Sonia, mas também nos remete a Gal. Caiu como uma luva para a abertura da novela de Walter George Durst, baseada na obra de Jorge Amado.




                                                                                                                                                                      
1) BRASIL (Cazuza / George Israel / Nilo Romero) – novela “VALE TUDO” (1988/89)

Emblemática é pouco! Mais do que o tema de abertura de uma das mais célebres novelas de todos os tempos, essa canção pode figurar em qualquer lista de grandes temas de novelas. O poderoso arranjo, aliado à poesia corrosiva de Cazuza e o vigor da interpretação de Gal, fizeram de “Brasil” o clássico dos clássicos dos temas de novela da cantora. Quem assistiu à novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres não tem como não se lembrar da canção e imediatamente remetê-la à famosa banana que Marco Aurélio (Reginaldo Faria) deu para o Brasil, a Odete Roitmann (Beatriz Segall) sendo morta por Leila (Cássia Kiss) e ao embate de Raquel (Regina Duarte) e Maria de Fátima (Glória Pires). Sei não, mas fica difícil imaginar um grande clássico como “Vale Tudo” sem essa canção como tema. E, lógico, na voz e no poder de Gal.
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E vocês, meus queridos? Quais são seus temas de novelas favoritos na voz de Gal? Compartilhem suas lembranças!

                                                                                                                                                                     

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