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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dossiê “Dancin’Days”: a novela que fez o Brasil dançar!




Confesso que estava um pouco receoso quando comecei a assistir ao box da novela “Dancin’Days”. Embora soubesse que a novela tinha sido um estrondoso sucesso, um dos maiores até hoje, temia que ela não resistisse a uma exibição nos “frenéticos”, cibernéticos e imediatistas dias de hoje, já que vivemos em outro ritmo de vida e praticamente tudo mudou desde os longínquos anos 1978, que já eram pra lá de “frenéticos” (com trocadilho - risos). Mas já no primeiro DVD, esse receio já foi se desfazendo e me deparei com uma história deliciosa, um texto moderno, inclusive para os dias de hoje. Claro que o ritmo das telenovelas atuais é outro, mas um bom texto e boas atuações resistem ao tempo e foi uma delícia embarcar na rotina daqueles personagens moradores de uma Copacabana que não existe mais, dividida entre a tradição e a modernidade. Me diverti muito com as diferenças linguísticas e do modo de vida comparados com a época atual. Imaginem que, naquela época, era um problema uma mulher ir ao cinema sozinha ou na companhia de outras amigas. Assim como a maioria do elenco, também deu vontade de cair na dança nas cenas de discoteca. Falando em elenco, atuações irrepreensíveis de todos. Lidia Brondi novinha, mas já com um talento descomunal, com uma naturalidade que poucos conseguem emprestar ao personagens. Lauro Corona, uma imensa e eterna saudade sempre! Gloria Pires, também um talento ascendente, que viveu uma das personagens mais mala-sem-alça da história das telenovelas (junte todas as chatinhas “manequianas” que elas não serão páreo para a chatice de Marisa), já dando provas da grande estrela que se tornaria futuramente. E um elenco de veteranos dando um show à parte (destaco uma cena emocionante entre Mario Lago e Lourdes Mayer, cujas lágrimas falavam mais que qualquer palavra). 


Mas tudo isso será dito com mais detalhes pelos nossos dois blogueiros convidados, que aceitaram gentilmente o convite do melão para falarem sobre a novela. Quis que fossem de gerações diferentes para mostrar que uma boa trama conquista qualquer tipo de público: o jovem Diogo Cavalcante e o queridão Ivan Gomes, cujos textos vocês lerão em seguida.

Enfim, terminei de assistir ao DVD de "Dancin' Days" e cheguei à conclusão de que ele é a prova cabal de que uma novela, ao contrário do que dita o senso comum, nem sempre é imediatista e descartável e pode sim ser uma obra memorável. Arte pura! Gilberto Braga, aqui estreando no horário nobre pelas mãos do diretor geral Daniel Filho e com base em uma sinopse da mestre Janete Clair, sempre foi mestre em dar para os personagens a dimensão humana que faz com que nos identifiquemos com eles. A mocinha Julia não era tão santa e a vilã Yolanda nem tão megera. Confesso que tenho saudades de personagens tão bem construídos como esses. Dá até vontade de ter vivido aquela época. Já entra para a série "novelas que gostaria de ter escrito". Pra ver e rever sempre!




Passo agora a palavra para o queridíssimo Ivan Gomes, meu amigo-irmão, que já colaborou (formal e informalmente) inúmeras vezes para o melão, entendedor e apreciador de teledramaturgia como poucos. Ivan, de forma muito pessoal e afetiva, nos dá suas impressões sobre a novela após ter assistido ao DVD. Confiram:


Dançando com as feras

Por Ivan Gomes


 Não tinha idade em 78 para acompanhar a novela Dancin’ Days, de Gilberto Braga, e graças a maravilhosa ideia da Globo Marcas de lançar em DVD novelas antigas, pude acompanhar de fato essa obra e agora que terminei de assisti-la, posso concordar com tudo o que falavam sobre ela! É uma novela maravilhosa, com um texto absolutamente primoroso e com personagens críveis e coerentes. A atmosfera disco da trama é absolutamente arrebatadora. Em DVD foi impossível parar de assistir às cenas de inauguração do Club 17 e principalmente do Dancin’ Days na volta de Júlia, deu vontade de estar la! Assim como se lê sobre a época que as pessoas iam na verdadeira Dancin’ Days, no morro da Urca, em 78, na esperança de encontrar os personagens da novela e viver um pouco desse universo tão charmoso. Uma coisa interessante é que uma novela com um tema tão aparentemente jovem tenha em seu elenco tantos atores maduros, como Mario Lago, Lourdes Mayer, Ary Fontoura, Gracinda Freire, Cleyde Blotta, José Lewgoy (todos ótimos), mas que na verdade tinha muito a ver com a temática moderna da época, principalmente no personagem de Mário (Alberico) um grande saudosista ante as novidades que surgiam.

Joana Fomm: irrepreensível como a vilã Yolanda Pratini

Muitos personagens são deliciosos: a cara de pau de Yolanda (Joana Fomm, maravilhosa) a super amiga de Júlia, Solange (Jaqueline Lawrence) que tem momentos ótimos, com sua metralhadora verbal da verdade, a complicada Áurea (Yara Amaral) e a cabeça-boa jovem e ‘’transada’’ Verinha (Lídia Brondi), desde iniciante, arrasadora! Alias as gírias da época são um divertimento à parte. Eu particularmente adoro, justamente porque perderam o sentido que tinham, como, por exemplo, ‘’transar’’ que na época significava tudo que se fazia: transar uma conversa, transar um carro, transar uma roupa...

Lídia Brondi e Gloria Pires: talentos em ebulição

E Sonia Braga , a protagonista, estava soberba. A fase em que a personagem volta da Europa, super estrela, bancada pelo personagem Ubirajara (Ary Fontoura) para mim foi deliciosa, tanto que acabei nem torcendo pelo casal Julia / Cacá (Antonio Fagundes) por mim ela continuaria daquele jeito!

Foi bom ver uma dramaturgia correta, coerente em que o sucesso só a fez melhorar, cenas longas de introspecção de personagens, hoje impossíveis de serem feitas novamente, devida a impaciência de parte do publico de hoje, mas que ajudam a o telespectador a entender melhor a ação dos personagens, coisas de um autor que sabia o que estava fazendo. Dancin’ Days é sem dúvida uma novela que mostra que a nossa dramaturgia é a melhor do mundo e que já teve dias melhores.
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 Muitíssimo jovem, Diogo Cavalcante, de apenas 17 anos, foi outro que foi fisgado pelo irresistível folhetim de Gilberto Braga. Sempre com observações inteligentes e espirituosas através do seu twitter (@diogo_cc), este jovem estudante de Recife e noveleiro inveterado, além de nos brindar com ótimas montagens que estão ilustrando esse post, também compartilha conosco suas impressões sobre a novela. Obrigado, querido Diogo, e volte sempre. Melão está às ordens!  


Novelão Macabro! - Essa expressão define Dancin’ Days

Por Diogo Cavalcante


 Por muito tempo a novela, com exceção de quem acompanhou na época, foi injustamente lembrada pelo grande púbico apenas pela discoteca.  Recentemente terminei de assistir ao Box lançado pela Globo todinho. Sinceramente? Apaixonei-me pela obra.

Gilberto Braga – mesmo que diga que não entende como pode ter feito sucesso- estreou com o pé direito no horário das 20h naquele ano de 1978.



O que falar de Júlia Matos? A heroína que luta por sua reintegração na sociedade e pelo amor da filha Marisa. Sofre ao procurar emprego, sofre com a raiva da irmã Yolanda, sofre com o preconceito enfrentado em razão de seu passado... Uma mocinha clássica... Porém, depois de sofrer tanto, viaja para o exterior com o auxílio de Ubirajara (Ary Fontoura), seu admirador e Solange (Jaqueline Laurence). Quando retorna... UAU! Agora segura de si e remodelada, volta com tudo, dando um show na inauguração da boate “Dancin’ Days”, deixando Yolanda e Marisa com a “cara na poeira” (perdoem-me a frase rs). Ótima atuação da Sônia Braga.

Sonia Braga: a protagonista Julia Mattos em dois momentos da novela.

E o Cacá (Antônio Fagundes)? Mocinho que de herói não tem nada. Frágil, inconstante, inseguro, se apaixona por Júlia no primeiro encontro dos dois - o atropelamento de um cachorro. Uma cena nada romântica rs - romance esse que teve várias idas e vindas, mas, no final dá tudo certo.

Antonio Fagundes deu vida ao mocinho Cacá

Yolanda Pratini (Joana Fomm), uma interesseira. Começa rica e casada, porém se separa do marido e dia após dia amarga a decadência, chegando a fazer empréstimo para organizar um jantarcom o objetivo de “manter as aparências” perante a sociedade. Com o tempo, a ficha vai caindo pra Yolanda, e ela vira “pessoa de bem”, se é que me entendem.

Marisa (Gloria Pires): egoísta e mimada 

Marisa (Glória Pires) nos dias de hoje seria uma nova Eduarda de Por Amor. Há momentos que ela conseguia me deixar com uma raiva tão grande... Marisa chega até a sentir recalque da amiga Verinha, quando esta vira modelo fotográfica. Após “quebrar a cara” ao procurar o pai biológico, cai em si e faz as pazes com Júlia. Cena bem emocionante!
Bem, esses quatro personagens sempre têm destaque quando se fala da novela... Mas tem vários outros que merecem ser lembrados. Vou citar alguns deles.

Seu Alberico, interpretado pelo grande Mário Lago, um senhor que já teve muito prestígio no passado, mas que hoje não tem a mesma condição financeira. Vive sonhando alto, fazendo a família sofrer, principalmente a filha Carminha (vivida pela lindíssima Pepita Rodrigues) que vive tendo que se desdobrar pra pagar as dívidas que o pai faz. Finalmente, na conclusão da novela, ele abre uma casa de shows do jeito que ele gosta – com muito glamour e requinte.

Áurea (Yara Amaral) é outra personagem que merece ser destacada. Dizem que ela foi inspirada na mãe do Gilberto Braga. Uma mulher fútil, insegura, preconceituosa... Ao perder o marido, entra em estado depressivo, e quando descobre que o homem com quem ela estava saindo é casado, tem um surto. Ao final da trama ela recupera a saúde mental e muda seus conceitos.

Trio de peso: os soberbos e saudosos Mario Lago, Yara Amaral e Claudio Correa e Castro

E o Franklin (Cláudio Correa e Castro). Casado coma ciumenta Celina (Beatriz, ou melhor, Beatrix Segall como foi creditada na abertura), ele vai apaixonando-se com o tempo por Carminha. Num acidente de carro, Celina morre e, assim, fica livre para namorar a moça. Porém, uma carta - denúncia deixada por Celina cai nas mãos de Neide, empregada obcecada pela patroa, vivida por Regina Vianna. Tempos depois, a carta para nas mãos de Carminha, que, horrorizada com o que leu, rompe em definitivo com Franklin.

Quanto à trilha sonora, pode-se dividir em músicas “normais” e músicas da discoteca. Das “normais” cito “João e Maria” de Chico Buarque, música que mais me chamou a atenção e da qual gostei muito. Caiu como uma luva para o romance jovem entre Marisa e Beto.

Algumas coisas me chamaram a atenção... Como a “modernidade” de Julia em plena época de censura – ainda que tenha sido no período da concessão da Anistia - e o consumo excessivo de cigarros... Cheguei a contar uns 10 na mesma cena...

Desculpem se o texto ficou falho, trash, didático, chato... Mas é apenas a humilde opinião de um jovem apaixonado por novelas... E que faz coro com quem aplaude essa magnífica obra. Dancin’ Days é um novelão macabro. Obrigado ao queridíssimo Vitor pela oportunidade \o/

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Obrigado, queridos! Sei que depois desses textos maravilhosos, todo mundo ficou com vontade de assistir a "Dancin' Days", não ficaram? 

LEIA TAMBÉM: 

Blogueiro convidado: Ivan Gomes reverencia Ivani Ribeiro





segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Blogueiro convidado: Ivan Gomes reverencia Ivani Ribeiro


Hoje está de volta às telinhas um avassalador sucesso: “Mulheres de Areia”, remake da lendária Ivani Ribeiro, que a Rede Globo exibiu originalmente em 1993. Para relembrar os principais momentos da carreira da autora, o melão convocou um de seus maiores fãs. Ivan Gomes abre seu baú de lembranças e divide conosco os momentos favoritos da obra da autora. Além de nos proporcionar um texto ricamente informativo sobre a trajetória televisiva de Ivani, ele também nos brinda com sua emoção em falar de novelas que lhe são tão preciosas. O melão orgulhosamente estende o tapete vermelho para uma de nossas mais criativas e cativantes novelistas: Ivani Ribeiro.


Ivani Ribeiro: Artesã de emoções
por Ivan Gomes


É com muita alegria e emoção que escrevo sobre minha autora favorita de todos os tempos: Ivani Ribeiro. Sempre me identifiquei com suas histórias leves , simples mas envolventes.

Meu primeiro contato com o trabalho de Ivani foi em sua estreia na TV Globo com FINAL FELIZ (1982). Nesta novela, eu conheci os tipos e perfis de personagens que a autora sabia tão bem criar e manipular como, por exemplo, o casal que se antipatiza no início da história, mas se descobre perdidamente apaixonado, recorrente em várias tramas suas.


Ivani foi a autora que mais escreveu novelas para televisão. Estudando sua obra e lendo suas sinopses, me deparei com várias histórias que gostaria de ter visto e que minha idade não permitiu, como por exemplo OS FANTOCHES (TV Excelsior, 1967) e AS BRUXAS (TV Tupi, 1970). Ivani também foi pioneira, ao abrasileirar as primeiras telenovelas diárias da televisão brasileira, alterando finais de originais importados. Nota-se também, analisando seu trabalho, a imensa variedade de temas. Ivani sabia como ninguém manipular seus típicos personagens e arquétipos em tramas diferentes entre si, o que não deixava no telespectador a sensação de estar sempre vendo a mesma novela.


Na TV Globo, apenas FINAL FELIZ, foi uma novela inédita. Graças ao resgate, com nova roupagem de tramas antigas suas, pude conhecer histórias como CAMOMILA E BEM ME QUER (Tv Tupi, 1972) que virou AMOR COM AMOR SE PAGA (1984) e deixou pro memorial de grandes personagens da dramaturgia brasileira o avarento NONÔ CORREIA vivido por Ary Fontoura e até hoje sinônimo de pão-durismo.

Em 1985, estreia A GATA COMEU (remake de A BARBA AZUL da TV Tupi de 1974), a minha novela do coração! Me apaixonei e sofri junto com a Jô Penteado (magnificamente interpretada por Christiane Torloni) na sua luta, desesperada e maluca para conquistar o Professor Fábio (Nuno Leal Maia); odiei  a vilã Glaucia (muito bem interpretada por Bia Seidl), ria com Tetê e Gugu (Marilu Bueno e Cláudio Correa e Castro) torcia pelos casais Baby e Zé Mário (Mayara Magri e Elcio Romar) e Lenita e Edson (Deborah Evelyn e José Mayer) e ansiava por ver descobertas as mentiras do Seu Oscar (Luiz Carlos Arutim). Foram muitos os personagens marcantes dessa novela, que se tornou cultuada por toda uma geração.



Mais simples e ingênuas foram as novelas seguintes: HIPERTENSÃO, de 1986 e O SEXO DOS ANJOS (1989), também baseadas em antigos sucessos seus: NOSSA FILHA GABRIELA (TV Tupi, 1971) e O TERCEIRO PECADO (TV Excelsior, 1968), respectivamente.

A decada de 90 mostra que a ingenuidade das tramas de Ivani era só aparente: MULHERES DE AREIA em 1993 , remake da novela homônima  da Tupi de 1973 mixada com a trama de O ESPANTALHO de 1977, da TV Record, trouxe personagens fortes e cenas mais ousadas também, e que hoje nem podem não ao ar devido à Classificação Indicativa, como a cena em que o mau caráter, Vírgilio (Raul Cortez), assombrado pelos ataques do Espantalho, pede a Clarita (Susana Vieira) o mate para que ele possa se livrar desse tormento. Vamos conferir nessa reprise.



A VIAGEM (1994, remake da trama da Tupi de 1975) também tocou fundo no coração dos espectadores, é sem dúvida a melhor e mas bem feita novela com temática espírita.
Com mais uma grande e inesquecível atuação de Christiane Torloni, ao lado de Antonio Fagundes, Guilherme Fontes, Laura Cardoso, Claudio Cavalcanti e Lucinha Lins, está ultima responsável por uma das mais tocantes cenas de nossa dramaturgia, quando Estela ‘’sente’’ a morte de Dinah e Dr. Alberto recebe um telefonema confirmando o fato. Impossível não se emocionar.



Falecida no ano de 1995, Ivani ainda deixou o argumento de uma novela, que foi ao ar em 1996 com o nome de QUEM É VOCÊ, porém mal desenvolvida em seu início, conseguindo algum interesse, apenas quando o autor Lauro Cesar Muniz, assumiu o texto até então escrita por Solange Castro Neves.

Fica até hoje a saudade de tramas que emocionavam, divertiam,  nos faziam torcer,  sabiamente criadas pelo coração, pela criatividade e pelas mãos da artesã das emoções, histórias que até hoje povoam a minha imaginação e com certeza a de muita gente que como eu, teve o privilegio de poder acompanhar algumas, de seu vasto arsenal de histórias. À Ivani Ribeiro, todo meu respeito e meus aplausos!
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 Ivan Gomes é DJ, pesquisador musical, blogueiro e um dos noveleiros mais apaixonados e com o maior nível de conhecimento que conheço.

Leia também outro texto de Ivan publicado aqui no melão: 

Blogueiro convidado: Ivan Gomes fala de "Guerra dos Sexos"


E mais Ivan no melão:

A Urca de “A gata comeu”.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Melão Express – Rapidinhas, mas saborosas – Ed. 13


Ø  VETERANOS COM VIDA PRÓPRIA


Justiça seja feita. Um dos pontos altos de “Passione” é o ótimo desempenho do elenco veterano. Talento dos atores à parte, Sílvio de Abreu está de parabéns, não apenas pela escalação, mas por dar a eles papéis dignos e à altura de seus talentos. Não fazem apenas papéis de pais, tios e avós preocupados com os problemas dos personagens mais jovens como na maioria das novelas. Eles têm seus próprios dilemas, seus próprios dramas e suas tramas são as mais interessantes da novela. Que prazer ver o pentágono amoroso formado por Cleide Yáconis (destaque absoluto como a safadinha Dona Brígida), Leonardo Villar, Elias Gleiser, Aracy Balabanian e Emiliano Queiroz. Genial a ideia de um casal à beira dos 90 se divorciar e começar vida nova. E nem preciso dizer o quão fantásticos são esses atores, né? Que roteirista não sonha em escrever pra eles? Quando “Passione” terminar, eles, com certeza, serão lembrados entre os aspectos positivos da novela.

Ø  ZAPEANDO PELA TV FECHADA

ü  Sempre fui fã do “Saia Justa” e acompanhei suas diferentes formações e gostava muito da formação anterior que, pra mim, era a mais plural e a que mais fazia jus ao título do programa. As divergências entre Maitê Proença e Marcia Tiburi, por exemplo, era, pra mim, um aspecto positivo e ajudava a apimentar a atração. Tenho acompanhado a atual temporada e sinto que ainda não decolou. Não que Christine Fernandes e Teté Ribeiro não sejam boas, mas ainda estão sérias demais, muito travadas. Falta alguém descontraído como Betty Lago para dar mais leveza ao debate. A ideia das participações masculinas também é ótima, mas os homens, que poderiam dar essa graça que falta às novas saias, também estão levando a sério demais os debates. Talvez seja questão de entrosamento. Vamos aguardar.

ü  Tudo bem que era uma reprise de uma temporada exibida há algum tempo, mas nada justifica o Canal Liv interromper na metade a exibição da quarta temporada de “Project Runway” subitamente e sem justificativa alguma. Tremenda falta de respeito com os assinantes, pra não dizer, bagunça.

ü  Nunca fui aficcionado pelo programa de “Oprah Winfrey”. Sei lá, aquele fanatismo da plateia que aplaude o entrevistado e as tiradas da apresentadora a cada dez segundos sempre me irritaram um pouco. Mas qual não foi minha (agradável) surpresa, dia desses, zapeando de madrugada, quando parei na entrevista que J.K Rowling, criadora da série “Harry Potter” (confesso, também nunca li os livros ou assisti aos filmes) concedeu à apresentadora. Longe da histeria da plateia, na suíte de um hotel na Escócia, mais do que uma entrevista, foi um bate-papo franco, denso e, por que não dizer, emocionante. Oprah soube conduzir com a competência de sempre a entrevista e a entrevistada tinha uma bela história de vida pra contar. No final, o que se viu foi uma relação especular de duas mulheres muito parecidas, que vieram de baixo e que construíram fama e fortuna com seu talento incomum. E foi impossível não deixar que a emoção aflorasse por parte das duas. Era o último programa de Oprah e, em determinado momento, a entrevistada inverteu os papéis e perguntou a Oprah como ela se sentia em fechar um ciclo e Oprah respondeu com maior franqueza. A admiração mútua ficou evidente. Um bate-papo pra lá de memorável e inspirador.

Ø  AINDA SOBRE OS MELHORES, SEGUNDO O MELÃO



Meus queridos leitores citaram outros ótimos destaques que não fizeram parte de minha seleção e eu tenho que fazer justiça a eles. Como pude me esquecer dos excelentes “Dalva e Herivelto”, “Separação!?” e “A cura”? A minissérie foi pura emoção e nos brindou com uma das cenas mais emocionantes do ano: a morte de Dalva. Texto perfeito e interpretação magistral de Adriana Esteves. Já a série cômica trouxe de volta um humor semelhante ao de “Os Normais”, mas com uma linha dramática mais definida. Debora Bloch e Vladimir Brichta estiveram ótimos, mas os coadjuvantes não ficaram atrás, com destaque para Rita Elmor, Cristina Mutarelli e Kiko Mascarenhas. O texto de Fernanda Young e Alexandre Machado tem a capacidade de me fazer rir alto. Por fim, “A cura” que, apesar de não ser meu gênero preferido, nos apresentou um excelente e instigante thriller com identidade própria e gostinho de pão de queijo. Por isso, mesmo que tardiamente, incluo as três atrações no rol das preferidas do melão em 2010.

Ø  AINDA SOBRE “TI TI TI”

Sim, apesar da maioria esmagadora dos leitores concordarem com a eleição de “Ti Ti Ti” como a melhor novela do ano, a escolha não deixou de gerar alguma polêmica. Mas o mais curioso foi constatar que os detratores de “Ti Ti Ti” levam a novela mais a sério do que os admiradores, inclusive decretando a morte do gênero a partir da novela. Menos, meus queridos. Não acho que “Ti Ti Ti” tenha a pretensão de ser tão emblemática assim. Pelo contrário, o que a faz ser deliciosa é o fato de ser leve, descompromissada, uma grande farra e uma belíssima homenagem, não só à obra de Cassiano Gabus Mendes, como à teledramaturgia em geral, com suas inúmeras citações e intertextualidade a cada capítulo (e as referências não se limitam apenas aos 80’s como disseram alguns). O que mais me encanta na novela é que ela demonstra fôlego mesmo na reta final e está longe de ser uma novela escrita no automático. Os autores se preocupam em incrementar e surpreender a cada capítulo.  O que foi Stephanie (Sophie Charlotte) bancando a Esther Williams à beira da piscina e depois revivendo Marilyn Monroe em seu clássico número de “Os homens preferem as loiras” em que interpreta “Diamonds are a girl’s Best friend”? Tudo bem, grande parte do público pode não ter identificado as citações, mas e daí? Por isso vai se nivelar por baixo? Quem não conhece os filmes se divertiu do mesmo jeito, sem prejuízo para o entendimento da trama. É esse o caminho. Nunca subestimar o público. E o capítulo de sábado foi especial para telemaníacos... Que delícia a Elisângela interpretar no videokê seu antigo sucesso como cantora, “Pertinho de você”? Que homenagem bonita a ela...

E falando em homenagem, meu twitter e meu e-mail encheram de mensagens após a aparição de Divina Magda (Vera Zimmerman) em que Clotilde explica que Dom Lázaro (Lima Duarte em “Meu bem meu mal”), morreu entalado com um pedaço de melão? Mesmo muuuito que indiretamente, esse singelo melão que vos fala não pode deixar de sentir lisonjeado e homenageado, embora saiba que todas as honras e homenagens (como o próprio título desse blog) devem ser dadas inteiramente a Cassiano Gabus Mendes. De qualquer forma, adorei, Adelaide, obrigado! Confesso que esse melão ficou uma melancia, de tão enrubescido...hahaha!

Ø  PORTANTO, MEUS QUERIDOS... O MELÃO É POP!


Impossível não lembrar de Tancinha (Claudia Raia), em “Sassaricando” exibindo sensualmente a fruta na feira ao gritos de “Me olha os melão!!!”. Ainda que seja de Sílvio de Abreu, fica a dica para a equipe da novela para mais uma brincadeirinha metalinguística.


Por fim, agradeço ao meu queridíssimo amigo-irmão, Ivan Gomes, pela singela e belíssima homenagem logo no início do ano. Sim, querido, você prefere melão e o melão prefere você! Essa foto tem mais valor pra mim do que você pode imaginar. Um presentão!


Ø  ENQUETE NO AR
E aproveitem para votar na próxima enquete. Quais as novelas que você aguarda com mais ansiedade em 2011? Beijos, abraços e até a próxima!
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Blogueiro convidado: Ivan Gomes fala de "Guerra dos Sexos"


 Mais um queridão no melão. E esse é especialíssimo. Dono de um conhecimento raro sobre novelas que ele nem sempre faz questão de exibir, bem como sua capacidade crítica em falar delas com inteligência e estilo. Esse é Ivan Gomes, telemaníaco apaixonado que deixa transcender toda sua paixão naquilo que escreve. E o foco de sua escrita não poderia ser mais especial: a inesquecível “Guerra dos Sexos”, marco indiscutível da teledramaturgia brasileira, que conseguiu unir popularidade e ousadia. Uma das novelas mais cultuadas de todos os tempos e que, segundo seu autor, o genial Silvio de Abreu, promete voltar em 2012. Só nos resta ficar na torcida. Enquanto isso, vamos apreciar e telembrar, através do ótimo texto de Ivan, esse grande sucesso de 1983, coincidentemente publicado no dia do aniversário de uma das estrelas da novela, Lucélia Santos! Então, fica também como singelo presente do melão para a atriz. Vamos ao texto:

Série Memória Afetiva: Guerra dos Sexos

Por Ivan Gomes


Acabei de rever essa novela, uma versão editada de Portugal, que meu irmãozinho Vitor emprestou para mim.
Foram meses deliciosos , relembrando essa comédia que tive o privilégio de acompanhar na exibição original em 83 e na reprise de 89. Gostaria de dividir minhas impressões com vocês: Acredito que hoje a comédia de Guerra dos Sexos foi tão reutilizada, tanto pro bem qto pro mal, que para o pessoal mais novo a novela não teria nada demais. Mas em 83 foi um choque! Substituiu a convencional, mas deliciosa Final Feliz, da craque Ivani Ribeiro, e de repente a tela era invadida por um bando de malucos deliciosos.

Criança, eu não tinha noção da importância de uma Fernanda Montenegro e de um Paulo Autran, mas achava bacana na abertura o “e pela primeira vez juntos’’ que antecedia os nomes deles, me despertando a atenção para o trabalho desses maravilhosos artistas. Esses dois estavam muito bem acompanhados por um elencaço e é deles que eu queria comentar: Glória Menezes era minha heroína, talvez uma das personagens que mais gosto até hoje. Torcia muito pela sua Roberta Leone, sofria e ria junto com ela. Roberta tinha um amor, uma generosidade, uma alegria de viver que me encantavam, seu amor verdadeiro, honesto e sincero pelo Nando (Mario Gomes) me comovia e talvez o meu lado romantico tenha surgido da identificação com os sentimentos da Roberta, minha personagem favorita da trama. Tarcisão também esteve muito bem num tipo infantilóide que todos aqui na minha casa adoravam! Amava quando o chamavam de “pipinho”. Foi o primeiro trabalho desse ícone que acompanhei de fato!

 Lucélia Santos interpretava Carolina, uma vilã em que ela pode mostrar todo seu potencial, principalmente quando ela vai deixando a vilania por seu amor por Felipe (Tarcisio Meira). Muitas cenas dela me impressionaram muito. Não era uma vilã gratuita, mas que, de certa forma, debochava um pouco desse tipo de personagem, hoje tão idolatrado. Lucélia tem uma força, uma entrega ao personagem indiscutível, e mostrou muito mais de seu talento ainda na mudança de comportamento da personagem. Quando Carolina muda de atitude e se arrepende dos seus atos, ficou crível, não ficou forçado.

Fernanda e Paulo sem comentários, eu torcia mais pra Charlô, achava-a genial, amiga, inteligente e muito, muito engraçada! Na época acabei vendo o Otavio do Paulo, como uma espécie de vilão. Nas cenas finais quando Otavio revela toda sua solidão entendi o porquê de tantas malandragens contra a Charlô: era um amor encubado que ele não acreditava que fosse se realizar, ao ver a amada casando-se tantas vezes com outros homens.

O casal Tarcísio e Glória entre Maitê Proença

Cristina Pereira e sua Frô eram demais, talvez a personagem que mais me fez rir na novela, com sua auto-estima lá em cima e sua cara de pau! Maitê Proença e Maria Zilda lindas e divertidas também, destacando a Zilda com uma personagem ousada pra época, mais liberal, livre. Acredito que muitas mulheres tenham se sentido ‘’defendidas’’ por essa personagem (Vânia), tirando a mulher da condição de capacho sexual , presa a convenções matrimoniais e podendo viver a vida (eheheheheh) como bem entendessem. A Juliana de Maitê era o grande toque romântico da novela, única personagem que carregou consigo um tema musical marcante: "ANJO", do grupo Roupa Nova. Doce, medrosa num amor proibido no inicio, acabou revelando-se uma mulher que evita se envolver com seu amor por puro preconceito, sem conseguir aceitá-lo como é (daí meu favoritismo pro casal Nando e Roberta) tornando-se mais tarde uma mulher insegura e ciumenta, o q acaba custando seu grande amor.Um outro grande destaque pra mim e um ator bastante discutido foi Mario Gomes, com um Nando perfeito, acredito até que um ator bom, com mais recursos, não teria feito tão bem. Nando tinha uma humanidade que eu achei genial, integridade, valores, e uma característica que me chamou a atenção agora que revi a trama: ele não olhava no interlocutor quando precisava ‘’se abrir’’, falar dos seus sentimentos, apenas algumas vezes. Isso mostra uma interpretação pensada para o personagem, criando um tipo, estudando o papel. Parabéns para ele!



Não dá pra falar de todos porque senão esse texto não termina nunca! Mas deixei pro final a maravilhosa Yara Amaral, uma das maiores perdas das nossas artes. Que atriz é essa, meu Deus! Faz comédia e drama como ninguém, que dona Nieta real, humana, divertida, contraditória! Fez um casal maravilhoso com o grande Ari Fontoura (o tímido Dinorah). Saudades eternas!

Pra encerrar, falo um pouco do texto de Silvio de Abreu que escreveu uma historia onde assumiu a comédia rasgada sem deixar  de lado uma certa sofisticação, em meio a tortas voando, perseguições de diamante e calores sexuais muitas referências sutis a filmes e músicas. Silvio uniu o pastelão a um humor mais fino, principalmente em alguns momentos de Charlô e Otávio, agradando ao povão e a quem tem uma certa cultura geral! Valeu mesmo! Também é importante destacar que todos os personagens, mesmo estando em uma comédia, tinham alma, nada era gratuito. É só vê-los com mais atenção que a gente se reconhecia, percebia atitudes e sentimentos parecidos com os nossos, entendia as razões os motivos de seus atos e, ainda por cima, se divertia muito!!! Uma pena que os textos estão se empobrecendo e humor hoje em telenovela anda beirando a debilidade mental e, de certa forma, contribuindo pra manter o gosto popular (que deveria ser mais estimulado) no mesmo patamar pouco exigente!


Valeu, Silvio de Abreu, Jorge Fernando, Guel Arraes, TV Globo e toda turma que criou esse clássico da TV!



Mansão de Otávio e Charlô. A trama se passava em Sampa, mas a casa fica em Petrópolis - RJ

FIM

domingo, 19 de julho de 2009

A Urca de “A gata comeu”.


Já moro no Rio desde 2001 e, apesar de já ter rodado a cidade de cima a baixo, dá pra contar nos dedos as vezes em que estive na Urca. Precisou que um paulistano viesse pra cá para que pudesse dedicar à Urca todo o carinho e atenção que ela merece. E lá fomos, Cacá e eu, realizarmos o desejo de nosso amigo Ivan, que queria conhecer o cenário de sua novela favorita de todos os tempos. Realmente, o bairro destoa de todo o restante do Rio de Janeiro. Lá temos aquela sensação de tranqüilidade, de cidade do interior. Passeamos por ruas completamente silenciosas. Estacionamos com a maior facilidade e (pasmem!) nenhum flanelinha apareceu. Paramos o carro, tiramos fotos na maior tranqüilidade e pudemos desfrutar do visual deslumbrante de tirar o fôlego. Era uma agradável tarde de julho. A temperatura estava agradável e o céu, nesta época do ano, harmoniza com o cenário lindo, trazendo uma cor diferente que encheu nossos olhos. Foi a mais perfeita tradução da citação de Guimarães Rosa: “felicidade se acha em horinhas de descuido”.



Sim, este texto não teria nada a ver com a temática do blog se meu amigo paulistano, Ivan, não fosse fã aficcionado de “A gata comeu”, inesquecível novela de Ivani Ribeiro, que tinha como cenário a Urca. Já no caminho, coloquei a trilha internacional da novela no rádio e, assim, que adentramos o bairro, já estávamos inebriados do clima da novela. Parecia que, a qualquer momento, iríamos nos deparar com Seu Oscar (Luiz Carlos Arutin) azarando as gatinhas na praia, com as crianças do Clube dos Curumins brincando na pracinha ou com Jô Penteado e Professor Fábio, aos tapas e beijos, pelas ruas do bairro. Impressionante como tudo ainda é parecidíssimo com a época da novela.

Com isso, uma nova viagem invadiu minha mente: a viagem no tempo. Tomado pelo “cenário” da novela e com as músicas passeando em meu cérebro, parece que aquele longínquo 1985 estava de volta. Tenho muito carinho por “A gata comeu” porque foi a primeira novela que acompanhei de fato, aos 8 anos de idade. E, de certa forma, ajudou a despertar em mim a paixão por escrever. Ivani Ribeiro sabia como ninguém cativar o espectador com a simplicidade de suas tramas. Uma simplicidade sofisticada, que só os grandes mestres conseguem. Ela possuía uma inocência, talvez inadequada para
os dias de hoje. Ivani tinha o poder de fazer com que nos tornássemos íntimos de seus personagens. Sobretudo, em “A gata comeu”, ela me fisgou em cheio com a trama da mimada Jô Penteado (Cristiane Torloni) e sua relação de gato e rato com o professor Fábio (Nuno Leal Maia). Mas devo confessar que minha torcida era para a Paula (Fátima Freire), a então noiva de Fábio. Nem acredito que, muitos anos depois, Fátima, uma das musas da minha infância, foi minha colega num curso de roteiro de Maria Carmem Barbosa. Nossa, quantas vezes brinquei de estar perdido numa ilha deserta, como os personagens da novela e até fundei o meu próprio Clube dos Curumins com meus amiguinhos da rua. Tudo era novidade pra mim em 1985 e posso dizer com segurança que “A gata comeu” me fez ter a certeza de que era aquilo o que eu queria fazer da vida.

Em nome de minhas lembranças da infância que vieram com a novela, de todos os meus primeiros escritos e de todos os personagens apaixonantes e irresistíveis da trama de Ivani, agradeço ao meu amigo Ivan por esse presente involuntário que me deu. Na intenção de agradá-lo, acabei presenteado também. E em pleno aniversário de Cacá. Não reencontrei apenas o bucólico bairro da Urca, mas também reencontrei Jô, Fábio, Paula, Babi, Lenita, Edson, Seu Oscar, Dona Ceição, Tetê, Gugu e todos os outros personagens, mas sobretudo, reencontrei aquela inocência inicial que impulsionou o grande sonho que persiste até hoje dentro de mim: eu quero escrever novela!


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