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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Blogueiro convidado: Aladim Miguel celebra a reprise de “O profeta”



 Um dos parceiros mais constantes aqui no melão, o querido amigo Aladim Miguel está de volta como blogueiro convidado, desta vez para falar de “O profeta”, novela de Ivani Ribeiro que ganhou um remake pelas mãos da incrível dupla Duca Rachid e Thelma Guedes, sob a supervisão de Walcyr Carrasco. O bem-sucedido remake marcou a estreia da dupla como autoras-titulares e agora ´pode ser visto no “Vale a pena ver de novo”. Munido de sua prodigiosa memória, Aladim nos brinda com um delicioso texto que passeia por toda as tramas de forma tão detalhada que torna essa reprise imperdível. Confira:


O MELÃO ACREDITA QUE “O PROFETA” ESTÁ ACIMA DO BEM E DO MAL



 Por Aladim Miguel
                                         
                                               
    Atual cartaz da sessão “Vale a Pena Ver de Novo”, da TV Globo, a nova versão da novela “O Profeta”, assinada por Duca Rachid, Thelma Guedes, escrita com Júlio Fischer, com a colaboração de André Ryoki, Thereza Falcão e Alessandro Marson e a supervisão de texto de Walcyr Carrasco, é um verdadeiro presente que ganhamos nas nossas tardes. Exibida pela primeira vez entre 16 de Outubro de 2006 e 11 de Maio de 2007, com 178 capítulos às 18 horas, e dirigida por Roberto Talma, Mario Márcio Bandarra, Vinícius Coimbra e Alexandre Boury, a novela foi um sucesso de público e crítica e comprovou, mais uma vez, o eterno fascínio que as obras da grande mestra Ivani Ribeiro têm sobre os admiradores da boa e clássica teledramaturgia, vale lembrar aqui que três remakes de suas obras, A Gata Comeu (1985), Mulheres de Areia (1993) e A Viagem (1994), grudaram na memória e no coração do público pra sempre.
           
Personagens centrais do remake

Mas vamos à trama de “O Profeta”, que começa em Minas Gerais nos anos 40 e depois avança 15 anos e vai parar em 1955. Marcos (um trabalho brilhante de Thiago Fragoso, perfeito em seu primeiro protagonista), um rapaz que tem o dom da premonição e fica bastante perturbado depois que não consegue salvar a vida de Lucas (Henrique Ramiro), seu irmão mais novo, que acaba morrendo afogado em um rio, sem que ele possa fazer nada, uma vez que já havia previsto esse acidente em sua infância. Frustrado com suas intuições, ele se muda para São Paulo, para tentar uma nova vida, e vai morar com Ester (Vera Zimmermann), sua irmã mais velha, lá ele conhece Sônia (Paola Oliveira, linda e totalmente inspirada na princesa Grace Kelly), o grande amor de sua vida. Mas o casal tem que enfrentar alguns obstáculos para selar seu amor, no meio do caminho, como a invejosa, interesseira e malvada Ruth (Carol Castro, que inclusive se baseou em Bette Davis para a construção da personagem), que se apaixona pelo profeta e o faz usar seus poderes para o mal. Se de um lado Ruth faz de tudo para separar o casal, do outro temos o grande vilão Clóvis (mais um trabalho inspirado de Dalton Vigh), que de tantas armadilhas e chantagens consegue se casar com Sônia, e transformar a vida dela em um inferno, usando de todas as crueldades para domar a esposa. No meio dessa confusão toda ainda está o vingativo Camilo (o ótimo Malvino Salvador), eterno apaixonado por Sônia e primo de Marcos. Mas como no final sempre o amor vence tudo, o casal acabou tendo um final feliz.

O lado cômico da trama ficou por conta das várias situações criadas por três personagens bem divertidos: Tainha (Rodrigo Faro, que soube aproveitar muito bem sua veia cômica e foi responsável pelos momentos mais engraçados da novela, um show!), um jovem feirante apaixonado por Gisele (Fernanda Rodrigues), por quem é capaz das maiores loucuras.                           

Fernanda Rodrigues e Rodrigo Faro: sucesso como o casal Gisele e Tainha

A gordinha Carola (Fernanda Souza, em um papel difícil e delicado) - filha da ambiciosa Lia (Nívea Maria) e irmã de Ruth e Tony (Daniel Ávila) – que é platonicamente apaixonada por Marcos e usa o ingênuo e atrapalhado Arnaldo (Rodrigo Phavanello) em suas armações. Ele por sua vez, também a usa para fazer ciúmes em Teresa (Paula Bulamarque, uma loura platinada a la Marilyn Monroe), namorada do mulherengo Henrique (Maurício Mattar). Mas o tiro sai pela culatra e o destino faz com que nasça uma grande paixão entre os dois.
       
Carol Castro, Nívea Maria e Fernanda Souza: destaques do elenco

O terceiro personagem marcante do núcleo de humor foi a falsa cartomante Madame Rúbia (Rosi Campos), que se aproveitava da ingenuidade das pessoas para aplicar golpes como “A Profetisa”, uma das suas vitimas foi a fútil Miriam (bom momento de Juliana Baroni, com seu visual homenageando a Diva Rita Hayworth), que traia Alceu (Nuno Leal Maia), seu marido, com Ernesto (Mário Gomes), o marido da vidente.      

Mario Gomes, Juliana Baroni, Nuno Leal Maia e Rosi Campos: responsáveis por cenas divertidas da novela
             
Os conflitos dos jovens rebeldes dos anos 50 eram representados pelo triângulo amoroso formado por Baby (Juliana Didone), Tony e Wandinha (Samara Filippo).
   
Núcleo jovem da novela

A questão do preconceito racial era discutido através da pequena Natália (Vitória Pina), que tinha muita vergonha de sua mãe negra, a humilde Dedé (Zezeh Barbosa), e a escondia de todos, fazendo inclusive que seus colegas de colégio pensasse que ela era sua empregada.    
Zezeh Barbosa excelente em cena
                                          
O núcleo espiritual, um dos mais fortes da trama era formado por, Francisco (Mauro Mendonça) - o dono do centro Kardecista e do restaurante da cidade dirigido por sua esposa Abigail (Laura Cardoso) - e a rígida Hilda (Ana Lucia Torre), a inspetora da escola onde Ester é diretora.                                

“O Profeta” só teve um CD que misturava os seus temas nacionais e internacionais. Destaque para as canções interpretadas pelos participantes do extinto Programa Fama. “Além do Olhar”, o tema de abertura com Ivo Pessoa e (They Long To Be) “Close To You”, belo tema de Marcos e Sônia, interpretado com emoção pela dupla Cídia e Dan.

Três grandes clássicos sucessos internacionais dos anos 50, “Only You”, “You Are My Destiny”, ambos interpretados pelo cantor Oséas, e “Molambo”, com The Originals, foram rebobinados para a trilha da novela.

Elis Regina com “Fascinação”, Zeca Pagodinho com “ Beija-me”, Gal Costa com “Caminhos Cruzados” e Erasmo Carlos - em dueto com Adriana Calcanhoto - com “Do Fundo do Meu Coração” também tiveram destaques na trama.

Mauricio Mattar, Paula Burlamaqui, Rodrigo Phavanello e Vera Zimmermann: quadrilátero amoroso. 
  
“O Profeta” marcou época, tanto na TV Tupi, em 1977, quanto na TV Globo, e deixou sua marca registrada em nossa teledramaturgia, um clássico que, com certeza, é uma ótima pedida para os seguidores do “Vale a Pena Ver de Novo”.

Aladim Miguel e eu
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Melão quer saber: qual novela que você gostaria de rever no "Vale a pena ver de novo? Deixe seu comentário: 

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Blogueiro convidado: Aladim Miguel e a trilha sonora de “Cambalacho”





terça-feira, 25 de setembro de 2012

Blogueiro convidado: Aladim Miguel e a trilha sonora de “Cambalacho”



Desde semana passada, o “Novelão”, quadro do “Video Show” que vem fazendo muito sucesso entre os noveleiros de carteirinha, está exibindo a célebre “Cambalacho”, megassucesso de Sílvio de Abreu nos anos 80. A novela permanece como uma de minhas favoritas e o melão já publicou um texto sobre ela, que inclusive também faz parte da seleção  de textos para o livro, lançado em março desse ano.
Uma curiosidade é que a trilha sonora foi composta especialmente para a novela. Com isso, ajudou a contar a história a a revelar o perfil de alguns dos principais personagens da trama. Para comentar as canções, uma a uma, melão convocou novamente Aladim Miguel, o fã nº 0 de Lucélia Santos, noveleiro inveterado e especialista em tudo o que diz respeito aos anos 80. Portanto, preparem suas vitrolas e vamos relembrar todas as canções da trilha nacional de “Cambalacho”.


SEGUINDO A TRILHA: CAMBALACHO NACIONAL


 Palavra muito popular em 1986, quando a novela “Cambalacho” - um dos maiores sucessos audiência do grande Sílvio de Abreu para o horário das 7 – foi ao ar. Cambalacho significa: armação ou trambique, mas quase ninguém sabia da existência deste termo na época, porém depois de uma semana da novela no ar não saiu mais da boca do povão.
Vamos analisar a trilha sonora nacional – produção musical de Zé Rodrix - mais que original dessa novela que marcou demais a minha adolescência, quase furei o vinil, é isso ai mesmo, só existia em discos ou fita cassete Som Livre he he he... de tanto escutar, sabia todas as canções do inicio ao fim, essa semana com a volta de “Cambalacho” no novelão do “Vídeo Show”, editado pelo nosso amigo Raphael Machado, achei essa maravilhosa trilha sonora disponível para baixar na internet e pude me reencontrar com essas músicas inspiradíssimas. Agora siga a trilha de “Cambalacho” comigo e com o “Eu Prefiro Melão” – do querido amigo Vitor de Oliveira, que gentilmente cedeu esse espaço para esse post sobre uma de suas novelas preferidas.

PERIGOSA (Syndicatto) – O tema da perigosíssima Andréa Souza e Silva (um inesquecível desempenho de Natália do Valle), a música foi feita sob medida para as armações e vilanias dessa linda mulher, que como um trecho da música falava era a própria “elegância e ação, secreta ambição”. Matou o marido, seduziu cunhado, traiu a irmã e por ai foi...

Natália do Vale: diabólica como a vilã Andréa

Armando Eu Vou (Cida Moreira)  – Era o tema de ambientação para São Paulo, onde se desenvolvia toda a trama.  Os outdoors que mostravam as passagens do tempo eram o máximo, com um toque de placar de jogos de futebol diziam: “enquanto isso...” ou “amanheceu...” entre as cenas com essa música ao fundo. Foi também a trilha sonora do musical que encerrou a novela, com vários bailarinos vestidos com os figurinos de personagens da novela nas ruas de São Paulo. Ainda por cima música citava o nome da novela em sua letra: “Tô com ciúme de você. Cambalacho“. Um show!

Jerônimo (Germano Mathias) – A letra dessa malandra música é a própria narração da vida do armador Jerônimo Machado (o saudoso Gianfrancesco Guarnieri), o Gegê, o grande parceiro de Leonarda Furtado, a Naná - uma criação estupenda de Fernanda Montenegro - nos cambalachos.

Ótima dobradinha de Fernanda Montenegro e Giafrancesco Guarnieri
  
Parece Mais Não É (Carbono 14) – Essa música serviu de fundo para uma das maiores criações da telenovela brasileira, a inacreditável Albertina Pimenta ou Tina Pepper, como ela gostava de ser chamada (Regina Casé, que deitou e rolou com o grande personagem à altura de sua pegada de humor), uma espécie de clone paulista da cantora Tina Turner. A personagem odiava pobreza e detestava a vila em que morava, e os vizinhos, sabendo disso, viviam perturbando sua vida. Muito engraçada, a popular Tina roubou a cena geral e se tornou uma figura emblemática da trama, tanto que foi parar até no “Cassino do Chacrinha”!

Regina Casé e sua inesquecível Tina Pepper.
Estrela de Bastidor (Ângela Maria) – Responsável por momentos antológicos de humor na trama, a aspirante a cantora Lili Bolero (a saudosa Consuelo Leandro), matinha uma inveja eterna da “sapoti” Ângela Maria (responsável por seu tema na novela, aí está a grande sacada!), a quem acusava ser a culpada por sua carreira nunca ter “decolado”. Uma das cenas mais bacanas foi a reconciliação das duas cantando juntas essa música. Um show! Lili Bolero precisava brilhar, nem que seja para ela, como dizia a canção.

Consuelo Leandro: impagável como Lili Bolero

Vila Curiosa (Passoca) - Um dos núcleos mais populares foi o da Vila, onde os personagens pobres e mais divertidos da novela moravam. Toda semana tinha baixarias clássicas como vizinhos se pegando aos tapas na rua, discussões nas sacadas das janelas e outras situações inusitadas que o subúrbio produz.

Cambalacho (Walter Queiroz) – O que dizer dessa música? Simplesmente demais! Tinha uma sincronia perfeita com a abertura, que mostrava Fernanda Montenegro se passando por uma vidente com uma grande bola de cristal, afinal toda a concepção da abertura era produzida através de objetos redondos. O trecho da música “é tudo banana, olha eu acho que é tudo do mesmo cacho, é tudo farinha, olha eu acho que é tudo mesmo saco”, é sensacional e super atual!

Flavio Galvão era o ambicioso Athos
Filho da Cidade (Sergio Dias) – Athos (Flávio Galvão), o sobrinho mais canalha do Tio Biju (Emiliano Queiroz), foi o grande parceiro de Andréa Souza e Silva em suas trapaças. A canção falava que o personagem tinha esse comportamento por causa da sociedade injusta, o filho da cidade, era o que a cidade tinha feito dele, uma pessoa sem caráter e oportunista, um boneco nas mãos da vilã.

Só Eu Sei (Gillard) – Essa linda canção romântica serviu de pano de fundo para as incertezas da personagem Ana Machadão (Débora Bloch, uma gracinha de macacão sujo de graxa), uma menina que sofria preconceito pela sua profissão de mecânica, dai seu apelido. Era a grande inversão de profissões discutida pela novela, uma vez que ela se apaixona justamente por Tiago (Edson Celulari), que fazia balé e também sofria com esse tipo de preconceito.

A mecânica Ana Machadão e o baiularino Tiago (Edson Celulari): improvável romance
O Ganso Que Dança (Zona Sul) – Acompanhava as cenas de balé de Tiago (o excelente Edson Celulari). Nossa, como esse personagem aguentava barras duras, como ser rejeitado e deserdado pelo próprio pai, o milionário Antero Souza Filho (Mário Lago), por ser bailarino e não ser empresário como era o sonho do pai. A música também seguia o tom do preconceito “vai jogar bola amigo!” rs. rs. rs...

Jardins (A Voz do Brasil) – Outro cenário importantíssimo da novela era a academia e clinica de estética “Physical”, de propriedade da empresária e advogada Amanda (Susana Vieira, em um dos seus personagens mais simpáticos de sua carreira). Muito movimentado e frequentado por boa parte dos personagens da novela. Ganhou esse tema com um arranjo de solo de sax e um coral belíssimo. Super chique e estiloso como a academia, que tinha todas as cores vibrantes dos anos 80, só para se ter uma noção dos exageros, o uniforme dos funcionários era coral, uma cor super em alta nessa década.

Deus Nos Acuda (Fundo de Quintal) – Interpretado pelo Fundo de Quintal, um dos grupos mais tradicionais do samba carioca, o pagode de Naná e Gegê era uma delícia, e a sua letra mostrava a complicada relação entre um casal que brigava muito e mesmo assim não deixavam de ser parceiros, como em um grande jogo de futebol, assim também era a relação de companheirismo dos protagonistas da novela.

Rogério (Claudio Marzo) e Amanda (Susana Vieira): par romântico
Alguém Que Olhe Por Mim (Emílio Santiago) – Essa belíssima canção (uma versão de “Someone to watch over me”, clássico de George e Ira Gershwin) que teve a interpretação perfeita do grande Emílio, foi muito tocada na novela quando o advogado Rogério (Claudio Marzo), deu uma grande mancada em sua vida e se deixou envolver emocionalmente pela ardilosa cunhada Andréa e com isso jogou fora seu casamento estável de anos com Amanda. Arrependido e tentando a todo custo reconquistar a ex-mulher, depois de conhecer a verdadeira face de Andréa, ele sofreu muito ao som dessa canção, assim como Amanda. No final eles conseguiram se perdoar e reconstruir a relação de amor. Claudio, Susana e Natália formaram um triângulo amoroso familiar muito complicado, mas sensacional, graças ao talento do trio em cenas de tirar o fôlego.


“Cambalacho” esteve no ar de 10 de Março a 04 de Outubro de 1986, com 174 capítulos, na TV Globo. A direção ficou a cargo de Jorge Fernando.

Aladim Miguel
Setembro/ 2012.

Melão, eu e Aladim em dia de festa! 
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ARMANDO EU VOU, ARMANDO COM VOCÊ...





sábado, 1 de outubro de 2011

Blogueiro convidado: Aladim Miguel e os 35 anos de "Escrava Isaura"


DOSSIÊ “ESCRAVA ISAURA” 35 ANOS

Por Aladim Miguel



Fada? Anjo? Deusa? O que essa escrava tem que hipnotizou os telespectadores do Brasil e de mais de uma centena de países mundo á fora em uma novela tão simples? Neste dossiê produzido para um pool entre os blogs especializados em teledramaturgia: “Eu Prefiro Melão” de Vitor de Oliveira, “No Mundo dos Famosos” de Jéfferson Balbino, “Posso Contar Contigo?” de Isaac Abda e “Zappiando” de Paulo Ricardo Diniz, vamos desvendar os mistérios e segredos dessa fórmula que resultou em um verdadeiro fenômeno da teledramaturgia mundial. A seguir “Escrava Isaura” Especial 35 Anos.

Links dos blogs para o pool – em ordem alfabética:
EU PREFIRO MELÃO

NO MUNDO DOS FAMOSOS

POSSO CONTAR CONTIGO?

ZAPPIANDO

A Adaptação Para a TV:



O romance “A Escrava Isaura”, de 1875, do mineiro Bernardo Guimarães (1825-1884) é um romance romântico com pretensões a abolicionistas. Seu enredo conta a saga de Isaura, uma escrava branca, que após a morte da mãe passa a ser criada e protegida pela senhora da fazenda onde nasceu. Quando essa senhora morre, Leôncio, o filho dela, insiste em tentar seduzir a escrava a todo custo, como ela resiste, ele parte para castigos e ameaças de violência física e psicológica. O romance apresenta uma seqüência de peripécias ao estilo dos folhetins de época, recheados de personagens unidimensionais (O bom é sempre bom, e o mau é sempre mau). O novelista Gilberto Braga seguiu os conselhos de uma antiga professora do colégio e fez uma adaptação primorosa e muito fiel ao romance original, ele soube captar toda a essência do drama da escrava para criar novas tramas e personagens que pudesse sustentar os 100 capítulos da novela. A novela estreou em 11 de Outubro de 1976 e ficou no ar até 05 de fevereiro de 1977.
  
A Direção:



A novela foi toda armada e dirigida por Herval Rossano (1935-2007), grande responsável pelas adaptações literárias do horário das seis da TV Globo nos anos 70 e 80, até o capitulo 24, em parceria com o ator Milton Gonçalves, depois Herval viajou e Milton tocou a novela até o final. No processo de escalação da protagonista, Herval chegou a pensar nas atrizes Nívea Maria, sua esposa na época, e Elizangela para o papel de Isaura, enquanto Gilberto Braga pensava em Louise Cardoso. O nome de Lucélia Santos surgiu depois de ela ter tido o reconhecimento dos críticos de teatro do “Jornal do Brasil” como uma grande promessa de atriz que estava surgindo no cenário nacional.

As Gravações:
As externas da novela eram feitas, no Rio de Janeiro, na antiga Embaixada da Argentina e em fazendas de Conservatória, Vassouras e Santa Cruz. Algumas cenas de estúdio foram realizadas na extinta TV Educativa do Rio, em decorrência de um incêndio que a TV Globo sofreu na época das gravações da novela.



A Abertura e sua Trilha Sonora Original:

Produzida por Hans Donner, utilizando figuras clássicas do pintor francês Debret, a abertura de “Escrava Isaura” mostra um total entrosamento entre imagens e a forte canção “Retirantes”, um poema de Jorge Amado e Dorival Caymmi. O famoso “Lerê, Lerê”, abria a novela e nunca mais desgrudou do inconsciente coletivo, quem nunca se pegou cantarolando essa canção que virou o hino dos explorados? Uma curiosidade da abertura era uma vela posta por trás de um dos quadros de Debret para que desse o efeito de um poste de rua acesso. Pura criatividade!

Trilha sonora em Portugal
Guerra Peixe foi o responsável pela trilha sonora incidental com várias canções da trilha sonora original em versões instrumentais, ele utilizou somente instrumentos de percussão, uma vez que nem se pensava em acrobacias musicais tecnológicas, tudo era feito artesanalmente.  Por motivos inexplicáveis o compacto da novela não trazia a versão de “Retirantes” que era apresentada na abertura da novela com a Orquestra e Coral Som Livre. Uma pena...
  
Os Protagonistas:



Rosto completamente desconhecido da TV, a jovem atriz paulista Lucélia Santos, então com 19 anos, foi resgatada pelo diretor Herval Rossano do teatro, muito influenciando pela grande propaganda feita pelo saudoso ator Milton Moraes. Lucélia já havia feito testes para outras produções da TV Globo como: “Gabriela” e “Estúpido Cupido”, quando foi convidada pelo diretor Borjalo para assumir a protagonista da novela. Seu carisma e talento foram fundamentais para o grande êxito da trama. Se de um lado Lucélia transbordava pureza na pela da submissa escrava branca, o imbatível Rubens de Falco (1931-2008) tocava o maior terror em todos os personagens, seu Leôncio entrou para a galeria eterna de grandes vilões. A química entre os dois atores foi instantânea e fulminante. Uma dobradinha de sucesso absoluto.



Os mocinhos e galãs Roberto Pirillo, o Tobias, e Edwin Luisi, o Álvaro, tinham torcida por seus personagens. Como o Tobias não existia no romance original e foi um personagem querido do público, foi muito difícil ter que retirar o personagem de Pirillo de cena, isso aconteceu em um incêndio, muito realista para os padrões da época, os telespectadores não acreditavam que ela fosse morrer, é bom lembrar que naquela época não existia o “boom” de informações que temos hoje em dia com internet e centenas de revistas sobre novelas. Já Álvaro, o segundo amor de Isaura marcou a estreia de Edwin na TV Globo em um papel bem ao estilo príncipe encantado, tanto que foi recebido sem ressalvas pelo público que estava “órfão” de Tobias.


Outra que dominou sua personagem de uma forma incrível foi a veterana atriz Norma Blum. Sua linda e delicada Malvina chegou a fazer sombra a Isaura. Era uma sinhazinha que não se conformava com a condição da escrava e fazia de tudo para tentar conseguir a sua carta de alforria. Infelizmente não conseguiu e ainda acabou queimada no mesmo incêndio, provocado por Leôncio, que matou Tobias.

Os Anjos de Isaura:


Duas personagens bastante carismáticas também foram grandes destaques na trama: D. Ester, a madrinha de Isaura, interpretada pela atriz Beatriz Lyra, foi responsável por momentos de grande emoção como na cena da sua morte antes de poder contar à escrava que havia conseguido sua carta como último desejo de sua vida. Já Januária, a mãe preta de Isaura, um show de interpretação de Zeny Pereira (1924-2002), tinha um que de Mamãe Dolores do clássico “O Direito de Nascer” e foi, sem dúvida, o personagem mais popular da novela com suas tiradas pra lá de inspiradas.

O Mal é Mau Mesmo:

Os ótimos desempenhos dos atores Léa Garcia e Isaac Bardavid também deixaram marcas. Os vilões Rosa e Francisco, os dois braços de Leôncio, seguiam o mesmo caminho da maldade do vilão titular. Rosa era uma escrava pra lá de invejosa que não se conformava de jeito nenhum com as mordomias de Isaura e fez de tudo para acabar com ela, chegando até a tentar envenena – lá, mas por um golpe do destino, acabou provando do próprio veneno e morreu no final. Francisco, o terrível feitor da fazenda, também não deu trégua para escrava e chegou à manda - lá para os canaviais em uma cena inesquecível.



Os Subprodutos da Novela:
O sucesso de “Escrava Isaura” foi tão grande no exterior que vários subprodutos foram lançados no rastro da novela. O romance homônimo de Bernardo Guimarães ganhou tradução para todos os idiomas por onde a trama foi exibida e ganhou uma versão em quadrinhos no Brasil. Em Cuba, foi lançado um álbum de figurinhas que fazia parte de uma campanha de reciclagem do país, as figurinhas eram trocadas por lixo reciclável. A trilha sonora, com pequenas alterações, chegou a ser lançada em Portugal e na Venezuela.

Álbum de figurinhas lançado em Cuba

Uma Escrava Made in Brazil:





Vários países tiveram suas rotinas alteradas pela passagem de “Escrava Isaura” em suas terras. Cuba mudou o horário de voos e do racionamento de energia para não atrapalhar a transmissão da novela. Na Rússia a palavra “fazenda” foi incorporada ao seu vocabulário. Na Bósnia, aconteceu um cessar fogo nos horários da novela. Em Portugal, o comércio fechava portas. Na China havia sessões tipo cineminha nas ruas para que a população pudesse ver em alguns aparelhos de TV a novela e a população elegeu Lucélia Santos a atriz do ano e lhe deu o troféu “Águia de Ouro”, primeiro prêmio concedido á uma atriz estrangeira. Na Polônia chegaram a fazer “vaquinhas” para libertar a escrava e também fizeram concursos de sósias de Isaura. Na Itália os muros eram pichados com dizeres de libertação a escrava. Na Alemanha a novela foi exibida 5 vezes e 7 vezes na França tamanho o sucesso. Talvez por identificação ao tema da liberdade, os telespectadores dos países comunistas – China, Rússia e Cuba - tenham sido atraídos pelo drama da escrava. Até hoje “Escrava Isaura” continua sendo uma das campeãs de exportação da TV Globo e conseguiu abrir as portas de todas as emissoras do mundo para os produtos da TV Brasileira.



A Campeã de Reprises:

“Escrava Isaura” mantém o recorde de novela mais exibida no Brasil, foram 5 exibições em horários diferentes. Em 1976, 1977, 1979 – de novo no horário das 18 horas –, 1982 – dentro do programa TV Mulher – e em 1990, como encerramento do Festival 25 anos da TV Globo, com vários astros da novela na apresentação dos capítulos. A versão mais conhecida da novela contém 30 capítulos e foi essa a versão mais exportada.


Outros Personagens Inesquecíveis:

Maria das Graças e Haroldo de Oliveira
Não poderíamos deixar de citar as participações de outros atores que mandaram muito bem na novela como: Átila Iório (Miguel, o pai de Isaura), Haroldo de Oliveira e Maria das Graças (os escravos André e Santa), Mário Cardoso (O gentil Henrique), Carlos Duval (O jardineiro Beltrão) e Gilberto Matinho (O severo Comendador Almeida). Duas participações especiais marcaram a novela: Lady Francisco como Juliana, a mãe de Isaura e Henriette Morineau como a atriz francesa Madame Bensançon, que conseguiu comprar Isaura, mas na hora H, a escrava recuou em nome do amor, tem coisa mais romântica que essa atitude dela?
  
A Volta da Escrava Isaura:
A Globo Marcas, em parceria com a Som Livre, já anunciou na mídia o lançamento do DVD “Escrava Isaura” para este ano ainda, agora novas gerações vão poder comprovar a força e o carisma desse grande sucesso da teledramaturgia brasileira que se ouve falar há 35 anos. Feliz Niver Escrava Isaura!

Repercussão internacional

Visite também o Arquivo Lucélia Santos:

Leia também: 

Sinhá Moça comemora 25 anos!




quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sinhá Moça comemora 25 anos!


"O Arquivo Lucélia Santos  (Por Aladim Miguel) promove um "pool" inédito entre os blogs especializados em teledramaturgia para a comemoração do Jubileu de Prata da clássica versão de "Sinhá Moça". O melão, claro, não poderia ficar de fora dessa e abre espaço para nosso querido Aladim relembrar esse, que foi um dos grandes sucesso da carreira de sua querida Lucélia Santos. Parabéns a essa inesquecível novela!


O IMPACTO DE “SINHÁ MOÇA
(Por Aladim Miguel)



O romance “Sinhá Moça”, de Maria Dezonne Pacheco Fernandes (1910-1998), foi primeiramente adaptado para o cinema, com sucesso, em 1953 pelos estúdios da Vera Cruz e tendo Eliane Lage e Anselmo Duarte nos papéis centrais com direção de Tom Payne. Mas foi em 1986 que o romance tornou-se muito popular com a ótima superprodução adaptada por Benedito Ruy Barbosa (com colaboração de sua filha Edmara Barbosa) para o clássico horário das seis da TV Globo, que retornava ás novelas de época - que havia produzido tantos sucessos nos anos 70 sob a batuta do diretor Herval Rossano – estilo que havia sido abandonado em 1981, com a adaptação de Walter George Durst para o romance de Jorge Amado, “Terras do Sem Fim”.  O diretor Nilton Travesso assumia o comando do núcleo e convidou os diretores Jayme Monjardim e Reynaldo Boury para comandar a trama. Antes da estreia no Brasil, “Sinhá Moça” já tinha sua venda reservada para mais de 50 países, todos atraídos pela presença da dupla exportação formada pela atriz Lucélia Santos e pelo saudoso ator Rubens de Falco (1931-2008), hoje em dia ela já foi vista em mais de 90 países 
do mundo inteiro.


A trama, situada em Araruna (SP) em 1886 contava a história da meiga e doce Sinhá Moça (Lucélia Santos, em mais um momento iluminado de sua carreira), ou Maria das Graças, que enfrentava com toda coragem seu pai, o temido escravocrata Coronel Ferreira (Rubens de Falco, ótimo em sua atuação segura), o Barão de Araruna, em defesa dos escravos e a favor da abolição. Em seu regresso, de trem, á sua cidade natal ela conhece e se interessa pelo advogado Rodolfo (Marcos Paulo), que se passa por escravocrata para tentar impressiona - lá, mas na verdade esconde o seu envolvimento com os movimentos em defesa da libertação dos escravos, este segredo foi revelado mais adiante e os dois começaram a agir mascarados na abertura de várias senzalas da cidade.

Também era mostrada a luta do escravo alforriado Dimas (Raymundo de Souza), ou Rafael, sua verdadeira identidade. Ele retorna á Araruna para se vingar de seu pai, o Barão de Araruna, que o rejeitou quando ele era criança (vivido nesta fase por Selton Mello) e o vendeu junto com sua mãe, a escrava Maria das Dores (Dudu Morais).



Uma das tramas paralelas que chamou atenção foi a de Ana do Véu (Patrícia Pillar), que mantinha seu rosto coberto por um véu por causa de uma promessa feita por Nina (Norma Blum), sua mãe, á Santa Rita. A promessa consistia em que a jovem só poderia revelar seu rosto a seu futuro marido, mas por pressão de Manoel (José Augusto Branco), o pai da moça, isso aconteceu antes do previsto em um baile de gala organizado pela família dela para toda a cidade de Araruna.



“Sinhá Moça” esteve no ar entre 28 de Abril e 14 de Novembro de 1986, somando 172 capítulos.

No seu elenco destaque para as atuações de Elaine Cristina, Mauro Mendonça, Chica Xavier, Daniel Dantas, Tony Tornado, Ruth de Souza (que havia participado da versão cinematográfica do romance), Grande Otelo, Neuza Amaral, Sérgio Viotti, Solange Couto, Gésio Amadeu, Milton Gonçalves, Tato Gabus, Tarcisio Filho, Zeny Pereira e da pequena, na época, Lizandra Souto que deu vida a Sinhaninha criança.



Algumas curiosidades deste grande sucesso:
  • ·         A novela obteve picos de 72 pontos de audiência em sua exibição original.
  • ·         Lucélia Santos e Rubens de Falco voltavam a se encontrar, desta vez como pai e filha, 10 anos depois do mega sucesso “Escrava Isaura”.
  • ·         Fábio Júnior era a primeira opção para o papel de Rodolfo, ele não pode aceitar por compromissos musicais.
  • ·         O hoje ator Pedro Neschling, filho de Lucélia Santos, fez figuração nas cenas do baile de Ana do Véu
  • ·         A atriz Jacyra Sampaio, a eterna Tia Nastácia do “Sitio do Picapau Amarelo”, chegou a ser escalada para viver a Virgínia, a ama de leite de Sinhá Moça, que acabou ficando com Chica Xavier e ela ficou sendo Ruth, a Bá de Rodolfo.
  • ·         Foi exibida no “Vale a Pena Ver de Novo” em 1993 e voltou a alcançar altos níveis de audiência.
  • ·         Primeira novela da atriz Luciana Braga.


  • ·         Recebeu vários nomes em alguns países onde foi exibida, entre eles: ”Little Missy” (EUA), “Mademoiselle” (França), “El Camino De La Libertad” (Espanha) e “La Padroncina” (Itália).

  • ·         Em 1988, na Alemanha o romance ganhou o subtítulo “Die Tochter des Sklavenhalters” – “A Filha dos Escravos”.
  • ·         Durante a exibição da novela o programa “Fantástico” promoveu o encontro entre a atriz Lucélia Santos e a saudosa escritora Maria Dezonne.

  • ·         Em sua trilha sonora nomes do primeiro time da MPB como: Fafá de Belém, Gilberto Gil, Clara Nunes, Claudio Nucci, Dori Caymmi, Roberto Ribeiro e Ronnie Von em canções feitas especialmente para a novela.
  • ·         A cantora Denise Emmer, filha de Janete Clair e Dias Gomes, marcou presença na trilha sonora da novela com a canção “Companheiros”.
  • ·         As externas das Fazendas foram feitas em Conservatória (RJ), Itatiaia (RJ) e São João Del Rei (MG).
  • ·         A moça que estampava a capa da trilha sonora original da novela, muito parecida com Lucélia Santos, era na verdade a modelo Juana Garibaldi Carvalho.

Video de Lucélia relembrando a novela para o projeto "Memória Globo":



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