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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Melão Express: rapidinhas, mas saborosas – Ed. 18



Ø  “QUE REI SOU EU?” E A TRILOGIA DA CRÍTICA SOCIAL



Mesmo que tenha sido mera coincidência, o Canal Viva acabou promovendo uma trilogia com o mesmo tema em seu horário noturno  de novelas. Seja pelo viés realista como “Vale Tudo” ou pelo viés satírico como “Roque Santeiro”, o debate em torno de corrupção e ética em nosso país tem sido um tema recorrente que, agora com a estreia de “Que Rei Sou Eu?” permanece com força total.
Em “Vale Tudo”, o trio de autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres promoveu uma verdadeira comoção com o retorno da novela e, de maneira séria, trouxeram de volta a pergunta feita nos anos 80 e que continua mais atual do que nunca: vale a pena ser honesto no Brasil?
Já em “Roque Santeiro”, Dias Gomes e Aguinaldo Silva fizeram da célebre Asa Branca um microcosmo de nosso país com todos os seus tipos, crenças e costumes ali representados e discutiram temas como coronelismo e religiosidade através do mito de um falso santo.
Agora em “Que Rei Sou Eu?”, obra-prima de Cassiano Gabus Mendes, podemos revisitar o maravilhoso reino de Avilan, verdadeiro retrato político e social de nosso país e também assustadoramente atual.
Além da inspiradíssima trama e do texto impecável, também estamos podendo matar saudades de grandes atores em excelentes atuações, com destaque para a operística Rainha Valentine (Teresa Rachel em seu melhor momento na tv) e para o diabólico bruxo Ravengar (Antonio Abujamra em estado de graça). Os conselheiros do reino, interpretados por Jorge Doria, Daniel Filho, Oswaldo Loureiro e os saudosos Laerte Morrone, Carlos Augusto Strazzer e John Herbert também são um show á parte. E os destaques do elenco não param por aí: temos Natalia do Vale, Mila Moreira e Isis de Oliveira no auge da beleza; Claudia Abreu e Giulia Gam, em início de carreira, mas com atuações de veteranas e outros tantos atores maravilhosos como Zilka Salaberry, Ítala Nandi, Marieta Severo, Edney Giovenazzi, Vera Holtz estreando em novelas e Aracy Balabanian, entre outros. Edson Celulari vivendo o herói e Tato Gabus seu antagonista também brilharam.
Algumas referências à política da época podem soar um pouco datadas, mas no geral, poderemos comprovar que, infelizmente sob muitos aspectos, continuamos a viver no Reino de Avilan.

  
Ø  GLOBO DE OURO”: OS 80’S VOLTARAM!

A cantora Rosana: uma das presenças mais constantes
Hoje em dia, se você não for um frequentador inveterado de micaretas ou adepto do “gênero” sertanejo universitário, vai ter grandes dificuldades em encontrar algum programa musical que não privilegie apenas esses estilos. Mas nem sempre foi assim. Em meados dos anos 70 até o início da década de 90, havia o “Globo de Ouro”, um programa que abarcava todos os gêneros e estilos. Em uma mesma edição, podíamos assistir de tudo: de Gal Costa a Kátia, de Cazuza a Luiz Caldas, de Titãs a Trem da Alegria. E para a felicidade dos saudosistas de plantão, o Canal Viva (sempre ele!) está reprisando edições do programa, mais precisamente exibidas entre 1988 e 1990. E não deu outra. Em pouquíssimo tempo, o “Globo de Ouro” virou a nova febre do Twitter, colocando a hashtag “#CamaroteDollyGlobodeOuro” e os nomes dos artistas que participam do programa entre os mais comentados da rede social. Fora a diversão com os cabelos, figurinos e estilos da época, hoje praticamente carnavalescos, tem sido uma delícia recordar tantos sucessos nesse verdadeiro caldeirão de estilos. E também é uma ótima oportunidade para os noveleiros recordarem os temas de novelas mais executados na época: Patricia (pré-Marx e pós-Trem da Alegria) cantando “Festa do Amor” da novela “Bambolê”, por exemplo. Outros temas de novelas também podem ser relembrados. De “Fera Radical”, Jane Duboc (“Sonhos”) e Lulu Santos (“A cura”); de “Vale Tudo”, Gonzaguinha (“É”), Jane Duboc (“Besame”) e Barão Vermelho (“Pense e dance”); de “Bebê a Bordo”, Gal Costa (“Viver e reviver”), Joanna (“Amor Bandido”), Paralamas do Sucesso (“O beco”), Wanderleia (“Me ame ou me deixe”) e José Augusto (“De igual pra igual”). Mas a recordista de hits era a novela “Mandala”, com Wando (“Eu já tirei a tua roupa”), Djavan (“Dou não dou”), Egotrip (“Viagem ao fundo do Ego”), Zizi Possi (“A paz”), Guilherme Arantes (“Um dia, um adeus” e a recordista absoluta e grande hitmaker da época, Rosana e seu clássico “O amor e o poder”. Portanto, não marque nada para as noites de segunda a sexta, às 23:15. Assistir ao “Globo de Ouro” acompanhando os comentários pelo Twitter é diversão garantida.

Ø  TELEDRAMATURGIA INVADE A GAZETA

Ótima notícia para os noveleiros. Nosso querido Nilson Xavier, especialista em teledramaturgia,  autor do “Almanaque da Telenovela Brasileira” e criador do site “Teledramaturgia”, de longe o melhor e mais completo site de consultas sobre novelas brasileiras, é o mais novo contratado da TV Gazeta, onde terá um quadro sobre teledramaturgia: "estarei toda quinta-feira no programa Mulheres da TV Gazeta, entre as 14h30 e 15h, conversando com a Cátia Fonseca sobre novelas, as atuais e as antigas. A ideia é, toda semana, relembrarmos alguma novela de sucesso do passado”, complementa o especialista.
Ao Nilson, que gentilmente escreveu o texto da orelha do livro do melão, desejamos sucesso em mais essa empreitada. O moço vai longe! 



Ø  LINKS LEGAIS

Pra quem ainda não leu, recomendo uma entrevista super legal e completa que meu querido Alcides Nogueira concedeu ao blog “Super TV e Mais”, de Leandro Brasil. A entrevista foi tão completa que foi publicada em duas parte. Seguem os links:



Também concedi uma entrevista para o roteirista André Luis Cia, que foi publicada no blog de Tati di Mello. Ficou bem bacana. Espero que gostem!


Ø  OLHA O MELÃO! VAI LEVAR, FREGUESA? TÁ FRESQUINHO!


Vivem me perguntando como se faz pra obter o livro do blog. Por enquanto só está sendo vendido em livrarias virtuais, como a Singular e a Livraria da Travessa. Há um link permanente para comprar aqui mesmo no blog, no canto superior esquerdo da página. Mas para os distraídos que ainda não perceberam, disponibilizo o link abaixo. Vamos lá! Quero todos consumindo melão! É mais nutritivo!

Link direto da editora "Navilouca Livros" pra comprar o livro com 10% de descontohttp://navilouca.loja2.com.br/666595-Eu-prefiro-melao-Vitor-de 


Leia Também:

Reprises, remakes e relançamentos: o passado reinventado.




domingo, 18 de março de 2012

Melão de papel vem aí...


Queridos leitores,
Finalmente vou lançar meu livro esse mês e ficarei honradíssimo com a presença de todos vocês! 


"Eu prefiro melão - Melhores Momentos de um blog televisivo" é uma coletânea de textos publicados em meu blog www.euprefiromelao.blogspot.com nesses quase três anos de existência. O título do blog é inspirado na célebre frase de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte) em "Meu bem meu mal", novela de Cassiano Gabus Mendes, de 1990.

O livro conta com o prefácio de nosso querido Alcides Nogueira, de quem fui colaborador em "O astro". O texto da orelha é do amigo Nilson Xavier, autor do Almanaque da Telenovela Brasileira e criador do site www.teledramaturgia.com.br. O depoimento da contracapa é da super Betty Faria, amiga querida e musa absoluta do blog. Nunca é demais agradecer também ao talentosíssimo Felipe Ribeiro, responsável pela identidade visual do blog e que também criou uma linda capa para o livro!

Nesses quase três anos de existência, o melão só me deu alegrias. Quando criei o blog pensei em abrir um canal de comunicação com o público noveleiro assim como eu, mas jamais pensei que fosse fazer tanto sucesso e ser visitado de todas as partes do mundo. No entanto, a proposta inicial do blog se manteve, que são textos mais informais, evocando nossa memória afetiva e discutindo temas relevantes, mas sempre mais do ponto de vista do espectador do que do crítico ou do profissional de roteiro. E principalmente: a liberdade para falar do que quiser, entrevistar apenas pessoas que admiro e convidar meus amigos a compartilharem seus textos com os leitores, ou seja, um cantinho de amigos que compartilham das mesmas afinidades. Acredito que isso é que faz do melão um espaço único e de personalidade própria.

Quando fui convidado pela Navilouca Livros para escrever a versão impressa do blog, vi a oportunidade de eternizar alguns textos que acabariam por se perder no vasto ciberespaço virtual. Mergulhar nos arquivos do melão para selecionar os textos que iriam compor o livro foi uma viagem afetiva e divertida. O resultado ficou bem bacana e coerente. Espero que todos gostem e possam levar um pouquinho do melão pra casa.

A noite de autógrafos será no próximo dia 21/03, às 21:30 no Galeria Café, em Ipanema. 

Após o coquetel, festa X-Tudo às 23 horas no mesmo local, ou seja, pra quem for baladeiro, programa completo! Quem for ou estiver no Rio não pode perder.

Espero todo mundo lá para uma noite que promete, além de celebrar o sucesso do blog, ser um grande e feliz encontro de amigos que preferem melão.

Segue abaixo release do livro! Cariocas, venham!!!!


_________

RELEASE DE DIVULGAÇÃO DO LIVRO EU PREFIRO MELÃO – MELHORES MOMENTOS DE UM BLOG TELEVISIVO, DE VITOR DE OLIVEIRA
Após o reconhecimento como um dos mais acessados e respeitados blogs que abordam a história e a atualidade das novelas brasileiras, o Eu Prefiro Melão agora virou livro! Em Eu prefiro melão – Melhores momentos de um blog televisivo, Vitor de Oliveira apresenta um coletânea de textos marcantes e informativos, que despertam as lembranças mais agradáveis de grandes clássicos como “Roque Santeiro”, “Vale Tudo” e “Tieta”.
As personagens inesquecíveis não ficaram de fora. Vilãs como Maria de Fátima, Odete Roitman, Laurinha Figueiroa, Nazaré Tedesco e muitas outras arrepiaram milhões de telespectadores e povoam até hoje o imaginário popular. E o que dizer das helenas de Manoel Carlos? Vitor brincou com seus leitores e, em conjunto, elegeram a mais marcante de todas.
Eu prefiro melão – Melhores momentos de um blog televisivo reúne críticas e opiniões de quem vive no mundo das novelas: Vitor é roteirista e colaborou no recente remake de “O Astro”. O respeito conquistado por seus comentários no mundo virtual agora ficará registrado para sempre em nossa literatura em mais um lançamento da Navilouca Livros.
“Vitor tem uma memória incrível, faz questão de pesquisar e ‘desenterrar’ pérolas... É um puro deleite acessar o Eu prefiro melão e conhecer muito da história da nossa sessentona (e cada vez mais jovem) teledramaturgia.” – Alcides Nogueira
EU PREFIRO MELÃO – MELHORES MOMENTOS DE UM BLOG TELEVISIVO, de Vitor de Oliveira
138 páginas
Gênero: Crônicas
Formato: 14x21cm
Preço: R$ 28,00
ISBN: 978-85-65114-06-6
Disponível para compra nas melhores livrarias virtuais a partir de 21 de março de 2012
“Que bom ver um jovem com tanto conhecimento de teledramaturgia brasileira.” – Betty Faria


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Entrevista: Nilson Xavier – enciclopédia televisiva.

                                                                                                                                                                   
            


"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina". A frase de Cora Coralina me parece adequada para apresentar o novo entrevistado do melão: Nilson Xavier, criador do site “Teledramaturgia” e autor do “Almanaque da Telenovela Brasileira”, dois veículos que são verdadeiras fontes de conhecimento pra todo mundo que ama novelas e afins.
Noveleiro desde pequeno, Nilson anotava em um caderno todas as informações referentes a cada novela no ar. Anos mais tarde, tornou-se analista de sistemas e uniu o agradável ao útil e criou o site “Teledramaturgia”, que contém informações sobre todas, eu disse TODAS as produções teledramatúrgicas de nossa tevê desde os primórdios. Quer saber quem fez parte do elenco de “O sheik de Agadir”? Ou quer conhecer curiosidades sobre a minissérie “Quem ama não mata”? Seja o que for o que você deseja saber, está tudo no site, que atualmente passa por um processo de modernização em seu layout. Realmente um luxo!  Aos poucos, o trabalho hercúleo e importante de Nilson começou a ser reconhecido em várias instâncias e hoje em dia é muito mais do que um mero guia de consulta para telemaníacos. Além de ser procurado por vários estudantes e pesquisadores do gênero, o site também serviu de base para várias publicações importantes, dentre as quais, o projeto Memória Globo. Não satisfeito, Nilson também publicou o “Almanaque da telenovela”, que além de informativo, traz várias curiosidades sobre inúmeras novelas e séries. Feliz de nossa teledramaturgia que pode contar com pessoas como Nilson, que preservam com tanto capricho e carinho a sua memória, trabalho que deveria ser feito pelas instâncias institucionais, pois já está mais do que na hora de reconhecerem que a telenovela está para o Brasil assim como o cinema está para os States.

“Eu prefiro melão” orgulhosamente apresenta: Nilson Xavier!


            Eu prefiro melão - Quais são suas primeiras lembranças televisivas?
Nilson Xavier - Lembro, muito remotamente, de cenas da novela O Semideus (1974): de Tarcísio Meira de cabelos crespos e um casacão escuro, da personagem de Mirian Pires, uma mulher meio enlouquecida. Depois lembro de Fogo Sobre Terra, principalmente do último capítulo, pois me marcou muito a cena em que Nara, personagem de Neuza Amaral, é tragada pelas águas da represa pois se negava a deixar a sua casa. Na seqüência veio Escalada, e já lembro de mais coisas.

Eu prefiro melão - Você tinha a real noção do enorme sucesso e repercussão quando decidiu criar o site Teledramaturgia? Imaginou que ele se tornaria referência, fonte de consulta para estudiosos, acadêmicos e amantes do gênero? Sei que você já respondeu isso milhões de vezes, mas como tudo começou?
Nilson Xavier - Nunca imaginei, juro! E devo tudo isso ao meu amigo Hugo Pitada, que na época mantinha o site “Gilberto Braga On-Line” que me serviu de referência e foi a base para meu site. Na verdade, minha primeira intenção foi migrar para a rede as minhas anotações de mais de 20 anos. Somado a isso, fiz um bom trabalho de pesquisa com a bibliografia que tinha em mãos na época (1999/2000). Claro que o livro de Ismael Fernandes (“Memória da Telenovela Brasileira”) foi minha principal fonte. Mas o site foi crescendo, crescendo, num trabalho incansável.  “De formiguinha” mesmo! E, aos poucos, tornou-se o que é hoje: uma base de dados, com mais de 900 títulos catalogados, de produções teledramatúrgicas nacionais.

Eu prefiro melão - Do site você partiu para o Almanaque da Telenovela. Como surgiu a ideia do livro?


Nilson Xavier - Em 2004 a Ediouro lançou o “Almanaque dos Anos 80”, livro que gostei muito, pela identificação com a época retratada. Então imaginei que seria bastante interessante um livro nos mesmos moldes (tópicos de curiosidades e fartamente ilustrado), mas apenas com informações sobre o universo novelístico. A maioria das curiosidades sobre novelas eu já tinha, através do site. Bastava compilar de uma forma diferente (por temas), colher mais pesquisa, juntar material ilustrativo e pronto! O livro não poderia ser igual ao site, pois não faria sentido publicar algo que já se encontra na Internet. Então eu diria que o livro complementa o site: tem informações que existem no livro mas não existem no site, e vice-versa.

Eu prefiro melão - Você acha que a novela ainda é considerada pela elite cultural como gênero descartável e de segunda linha? Ou o preconceito já diminuiu?
Nilson Xavier - Acho que o preconceito tenha diminuído um pouco de vinte anos para cá, por tanto que se “bateu nesta tecla”! Mas convenhamos que as produções atuais não têm ajudado para melhorar este cenário. Como bem disse o novelista Lauro César Muniz numa entrevista, hoje em dia se nivela por baixo, e a qualidade fica aquém do esperado.

Eu prefiro melão - A que você atribui o sucesso permanente da telenovela em nosso país? Qual a relação do brasileiro com o gênero?
Nilson Xavier - A telenovela é quase uma “instituição nacional”. Muitos a comparam com o futebol e o Carnaval na preferência popular. E eu concordo. E isso se deve ao fato de as emissoras terem criado no brasileiro médio o hábito de ficar ligado na TV diariamente, em horário nobre, através de uma boa história seriada. Somado a isso, ótimos profissionais em excelentes produções.


Eu prefiro melão - Que novelas e autores você considera emblemáticos e primordiais para a história da nossa TV?
Nilson Xavier - Ah, são tantos! Tantos exemplos de novelas marcantes, que ficaram no subconsciente coletivo. Todos – inclusive quem não é fã do gênero - já ouviram falar de O Bem Amado, Roque Santeiro, Vale Tudo, Dancin´Days, Pecado Capital, Selva de Pedra, Irmãos Coragem (foto), Mulheres de Areia, Beto Rockfeller. E neste histórico, os nomes de Janete Clair, Dias Gomes, Ivani Ribeiro, Gilberto Braga, Benedito Ruy Barbosa, Lauro César Muniz, Manoel Carlos e tantos outros serão sempre lembrados!


Eu prefiro melão - De que forma você analisa o atual panorama da produção teledramatúrgica?  Você ainda assiste a novelas com o mesmo entusiasmo do passado? Falta a criatividade e ousadia de outros tempos?
Nilson Xavier  - Acho que o que falta é o público aceitar o novo, o moderno... ou até o revolucionário. Muita coisa mudou de 30 anos para cá. A sociedade, como um todo, por conta dos avanços tecnológicos. Mas - e conseqüentemente - o público de televisão aberta também mudou. Está menos exigente, menos aberto às novidades e menos tolerante às mudanças. Enquanto isso, a classe formadora de opinião está cada vez mais deixando de lado a TV aberta. E isso se reflete nas ótimas produções de teledramaturgia vistas hoje na TV a cabo, e até mesmo na Internet, onde, me parece, é menos nocivo arriscar-se e criar mais.

Eu prefiro melão - Classificação indicativa é uma forma de censura?
Nilson Xavier - Acho que enquanto funcionar como um “alerta” aos pais, não é censura e não atrapalha. Mas a partir do momento que extrapola, faz-se necessário revisar as regras do que “pode ou não pode”. Na minha opinião, a classificação indicativa não deveria podar horários, por exemplo. Acho que cabe aos pais, baseados na classificação indicativa, permitirem ou não o programa a seus filhos. Acho que classificação indicativa é censura quando limita a criatividade por causa de uma grade de programação.

Eu prefiro melão - Em tempos de novas mídias como internet e TV digital, para onde caminha a teledramaturgia?
Nilson Xavier - Acho que a teledramaturgia não deve ignorar as novas mídias. Pelo contrário, deve fazer uso delas, senão, vai ficar para trás, com certeza. Como a Internet é um “mundo sem fim, sem fronteiras”, aumenta-se a possibilidade de novos dramaturgos, novas cabeças pensantes, novas tendências e possibilidades que a TV aberta não consegue abraçar. E isso já está acontecendo. E , apesar destes tempos modernos, continua valendo uma das máximas do showbiz: se estabelece quem tem competência!

Nilson prefere...

Novela favorita: Elas por Elas (memória afetiva) / Roque    Santeiro (melhor novela que já acompanhei)
Minissérie: Os Maias (digno de filme hollywoodiano)
Autor: Ivani Ribeiro e Cassiano Gabus Mendes
Ator: Lima Duarte e Tony Ramos
Atriz: Eva Wilma (foto) e Dina Sfat
Cena marcante: a morte de Juliana (Marília Pêra) na minissérie O Primo Basílio
Tema de novela inesquecível:  Melo do Piripipi” (Gretchen), tema de Mário Fofoca (Luiz Gustavo) em Elas por Elas.

Eu prefiro melão - Obrigadíssimo pela gentileza, querido! E não canso de repetir. Você realizou um trabalho que o Ministério da Cultura deveria desenvolver, afinal preserva a memória cultural de nosso país. Vida longa para o Teledramaturgia!
Nilson Xavier - Obrigado! ;)

                                                                                                      

terça-feira, 13 de abril de 2010

Melão Express - Rapidinhas, mas saborosas – Ed 6:


MÊS DE ESTREIAS:

  • Sim, o ano “global” começa em abril. Dentre as inúmeras estréias e reestréias da TV Globo, destaco as séries “Separação” e “A vida alheia”. Esta última trouxe um autor Miguel Falabella diferente de suas demais obras televisivas. Longe da estética kitsch e do humor escrachado, a série aborda o cotidiano de uma revista de celebridades e tudo é abordado de maneira irônica, crítica, sarcástica. Há humor, mas não aquele humor fácil tão presente na programação atual. Claudia Jimenez chegou prometendo um grande papel, mas todo o elenco esteve muito bem. Ótima atração, que preza pelo espectador com mais de dois neurônios.

Thiago Prado Neri / TV Globo / Divulgação



  • “Separação” apresenta um tipo de humor bem parecido com "Os normais" (comparação inevitável com o mega-sucesso da dupla Young/Machado), mas os personagens parecem ter mais consistência. Enquanto "Os normais", embora fosse ótimo, ficava só no terreno do humor e na busca por piadas (inteligentes ou físicas), "Separação" parece que vai mais fundo. Enquanto em “Os normais”, os protagonistas funcionavam como uma metonímia de vários casais e, por isso mesmo, com características muito comuns a todos, “Separação” parece lançar um olhar mais apurado e particular àquele universo do casal em crise. Tem um pezinho no drama e as piadas fazem mais sentido dentro da história. Debora Bloch está super à vontade, Brichta, muito bem, tem a chance de mostrar o ótimo ator qeue é, sem aquele ar abestalhado de trabalhos anteriores. Além de ótimos coadjuvantes. Sucesso!


TV Globo / Divulgação



  • Também estreou “Escrito nas estrelas”, de Elisabeth Jhin, nova novela das seis. Produção muitíssimo bem cuidada, com ótimas sequências de ação, equilibrando as cenas e apresentando muito bem os personagens, fugindo ao máximo do inevitável didatismo. A novela parece vir com força e com tudo pra conquistar o espectador médio e frustrar os mais exigentes. Texto simples, personagens idem. Trama folhetinesca, mas totalmente adequada a atualidade, mesclando o romance tradicional com temas modernos e atuais. Já de cara destaco o trabalho de Natália Dill (foto), ótima em cena, super diferente de seus dois papéis anteriores e se consolidando com uma das melhores promessas da nova geração. Sua heroína Viviane dominou a cena e a atriz soube equilibrar vigor e graça na medida certa. Jayme Matarazzo também deu verdade ao personagem, sobretudo com o olhar. De cara, já deu vontade de torcer pelo casal. Os coadjuvantes que apareceram também estiveram muito bem. Enfim, uma receita de bolo que parece que vai funcionar.


  • Ainda no quesito “estreias”, parabenizo a Leda Nagle e toda a equipe do "Sem Censura", da TV Brasil, pela estréia da nova temporada. Na verdade, a atração parece ter dado um “up” em sua qualidade técnica e tem um novo e bonito cenário. O formato do programa continua o mesmo. Graças a Deus! Se “interatividade” parece ser a ordem permanente do dia, o “Sem Censura” já faz isso há quase duas décadas com a mesma competência. Só é uma pena que o programa tenha perdido meia hora de sua duração diária, mas o importante é que ele permanece com fôlego para muitos e muitos anos.

 ENQUANTO ISSO, NA TV DA MINHA CASA

Faz o maior sucesso a reprise de “Ti Ti Ti”, que ganhei de meu grande amigo Ronaly. Estou revendo a novela que me conquistou em 1985 quando tinha apenas 8 anos, e comprovando a impressão que tive na época. Excelente. Há uma teoria de que elegemos como favoritas as novelas vistas na infância por ainda não possuirmos muito senso crítico, o que torna tudo mais romântico e idealizado. Mas, sinceramente, “Ti Ti Ti”, a exemplo de “Tieta”, está me provando o contrário. O embate entre os eternos inimigos Ari/Victor Valentin e André/ Jacques Leclair continua delicioso. Atmosfera chique, texto primoroso de Cassiano Gabus Mendes (quantas tiradas ótimas sem o menor resquício de apelação), ótimos atores em cena e personagens que vão além do arquétipo. Saudades do tempo em que os personagens cômicos de novela não pareciam imbecis. E que elenco: Reginaldo Faria, Luiz Gustavo (em estado de graça), Marieta Severo, Malu Mader, Cassio Gabus Mendes, Aracy Balabanian, enfim... fantáticos. Saudades de Paulo Castelli e Miriam Rios, sempre com uma ótima química. Tania Alves, maravilhosa e, sobretudo, muitas saudades de Sandra Brea. Belíssima e talentosa! Assisto a um capítulo e não consigo me conter. Quero logo assistir ao seguinte. Como faz falta um bom gancho em novelas.. 

Enfim, estou esquentando os tamborins para o aguardadíssimo remake de Maria Adelaide Amaral sem nenhuma ilusão de que será uma cópia fiel do original. E seria um erro se assim o fosse. Maria Adelaide já provou em “Anjo mau” que entende como poucos o universo de Cassiano e sabe atualizar uma trama sem que ela perca sua essência. Promete!

Também ganhei de meu amigo Ivan Gomes ótimos compactos de “O sexo dos anjos” e “Final feliz”, da maravilhosa Ivani Ribeiro. Também me deliciando, mas deixo pra falar sobre elas em outra edição.
  

 DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS 


  • Que a programação da TV aberta aos domingos é um horror, isso todo mundo já sabe. Uma enxurrada de programas de auditório apelativos, com atrações de baixíssimo nível e qualidade mais do que duvidosa. Tudo é nivelado por baixo. Tenho pena de quem não tem TV por assinatura ou algo melhor para se fazer na rua. Enfim, mas o que me surpreendeu foi que, dia desses, durante uma infeliz zapeada, me surpreendi com mulheres sensualíssimas ensinando e praticando “pole dance” no inicio da tarde no programa de Ana Hickmann. Até aí, nada demais. Mas há dois anos atrás, não foi exatamente a tal dança que causou a maior polêmica com a personagem de Flávia Alessandra em “Duas Caras” chegando, inclusive, a ser proibida na novela? Sou radicalmente contra a qualquer tipo de proibição, mas gostaria de entender essa lógica. Em plena tarde de domingo com programas de classificação livre pode e numa novela das nove não pode? Como assim? Se não for perseguição às novelas, não sei o que pode ser...

NOVO GUIA DE NOVELAS:


Por fim, fica uma dica para quem gosta do gênero. O livro Guia Ilustrado TV Globo – Novelas e minisséries”, lançado pela Zahar, que faz parte do projeto Memória Globo em comemoração pelos 45 anos da emissora. Para noveleiros inveterados, nenhuma novidade. A bíblia da teledramaturgia e guia de consulta obrigatório continua sendo o site do Nilson Xavier (http://www.teledramaturgia.com.br/). Mas o livro não deixa de ser uma boa pedida para se ter em casa e sempre à mão, pois traz o resumo de TODAS as novelas e minisséries produzidas pela emissora até hoje, bem como mais de 600 fotos. Precisamos de mais e mais livros sobre o gênero que mais faz sucesso no país há quase 50 anos e faz parte da nossa cultura assim como Hollywood faz parte da cultura do povo norte-americano. Enfim, a novela parece começar a ser valorizada. Que venham outras publicações.

Abração a todos e até mais!!!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

“Fábrica de ilusões”: o marco inicial de uma promissora carreira.





Pode ser que a intenção de Paulo Ricardo Diniz ao conceber seu filme/ TCC “Fábrica de Ilusões – décadas de telenovela: do realismo ao fantástico” fosse apenas fechar com chave de ouro sua graduação em Comunicação Social. Sinto informar que estou prevendo uma vida bem mais longa para seu caprichado trabalho!




O documentário é um luxo! Paulinho convidou um time de craques que sabem tudo de telenovela... e eu! (rs..). Mesmo sentindo um enorme desconforto em ver minha feiúra ressaltada na tela, confesso que fiquei honradíssimo com o convite para me juntar a essas feras e dar meu depoimento sobre a trajetória da Rede Globo de Televisão e suas décadas de novelas. O time é de primeira MESMO: os autores Ricardo Linhares e Euclydes Marinho; o dono e criador do site Teledramaturgia e do Almanaque da Telenovela (e dublê de modelo nas horas vagas), Nilson Xavier; o criador do canal Mofo TV, José Marques Neto; o roteirista do Video Show e do Video Game e noveleiro apaixonado, Raphael Machado; Daniel Pepe, que vai além do gosto pelas novelas se mostrando um grande estudioso; e Vitor de Oliveira (até então Vitor Santos), roteirista e mestrando com projeto sobre telenovela e dono deste melão, ou seja, este que vos fala.


O timaço: Daniel, Euclydes, Neto, Nilson, Rapha, Ricardo e eu.


Mas de nada adianta juntar um time desse quilate sem que se possua a sensibilidade necessária para selecionar o essencial de cada depoimento (já que foram horas de um maravilhoso bla, bla, bla...) para fazer um caprichado painel década a década com os maiores e inesquecíveis sucessos da Vênus Platinada. Fiquei bastante impressionado com o capricho, com a edição, com a seleção das cenas, enfim... todas as grandes estão lá: Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Pecado Capital, O bem amado, Guerra dos Sexos, Roque Santeiro, Vale Tudo, Tieta, Que rei sou eu, Barriga de aluguel, A próxima vítima, Mulheres de areia, Renascer, A favorita, entre muitas outras novelas inesquecíveis!

Paulinho teve muita sabedoria na edição ao fazer com que o comentário de um complementasse a fala do outro. O resultado é um delicioso bate-papo, imperdível para os fãs de telenovela, que vai além de um mero desfile de sucessos. O filme promove uma discussão sobre a importância de cada novela e o papel do gênero na vida do brasileiro.

Paulinho querido, mais uma vez, parabéns pelo resultado. Fica a torcida e a esperança de que “Fábrica de ilusões” alce maiores vôos. Quem sabe eventos especiais com exibição do filme seguida de debate? Você e nós, apaixonados por novela, merecemos esse presente. Pode ter certeza de que, mais do que um fecho de ouro de seu curso, o documentário marca o início de uma promissora carreira de sucesso! Conte comigo no que precisar!

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