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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Blogueiro convidado: Marcelo Rissato relembra “Locomotivas”, marco da independência feminina nas telenovelas.



 Mais um convidado pra lá de especial, que nos brinda com um texto INCRÍVEL sobre uma novela, que representa um marco da emancipação feminina: “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes. Marcelo Rissato, jornalista, roteirista, fã nº 1 de Norma Blum e enciclopédia viva da teledramaturgia brasileira, não se limita a falar apenas da novela e nos brinda com todo um panorama da história das conquistas da mulher até culminar no ano de 1977, ano em que a novela estreou e não por coincidência, mesmo ano em que a Lei do Divórcio no Brasil foi aprovada. Vale lembrar que, no ano anterior, Janete Clair já tinha escrito uma novela chamada “Duas Vidas”, na qual a protagonista Leda (Betty Faria), já era separada e criava o filho sozinha. Mas a partir da trama de Cassiano Gabus Mendes é que a mulher deixou definitivamente a posição de mocinha que precisava ser salva e foi, definitivamente, à luta através da empreendedora Kiki Blanche, estreia de Eva Todor na tevê em grande estilo como a dona de um salão de beleza que era o principal cenário da novela. Marcelo, querido, obrigadíssimo pelo seu incrível texto, que não é apenas uma deliciosa viagem pelo universo da novela. É, praticamente, um tratado sobre o panorama da mulher em nossas telenovelas. Parabéns! Sem mais delongas, vamos ao texto:


MULHER, A LOCOMOTIVA MODERNA
Por Marcelo Rissato



Quando ainda estava no ar a novela “Estupido Cupido”, uma linda e divertida trama de Mário Prata em preto e branco, que teve apenas o penúltimo e último capitulo em cores, “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes, era anunciada como a nova novela das sete, “totalmente em cores”.

Assim era o primeiro anuncio da novela no dia 11 de fevereiro de 1977: Estúpido Cupido, últimos capítulos e vem ai: Loco-Motivas. Com: Aracy Balabanian, Walmor Chagas e a participação especial de Lucélia Santos. Loco-Motivas, a nova novela das sete da noite. A CORES.


 Uma trama envolvente e deliciosa que conquistava os telespectadores da época. A história girava em torno dos salões de beleza e os núcleos se encontravam nesse universo. Não era uma novela com grandes acontecimentos, porém colocava as mulheres, não só como as protagonistas da história, mas também na posição de independência e empreendedorismo, através do salão de beleza de Kiki Blanche (Eva Todor). Além disso, a novela apresentava um novo visual e uma nova forma de se expressar. Uma nova era estava começando para a televisão e para o país.

Talvez esse contexto envolvendo a mulher não tenha sido adotado em vão pelo autor Cassiano Gabus Mendes. Era uma época de mudança e a mulher estava em evidencia. Se destacava em vários segmentos da sociedade e o ano de 1977 era o protagonista para elas.

Mulher – A História

Sabe-se que o mundo sempre pertenceu aos homens e que a mulher de acordo com a história ficou limitada aos afazeres do lar, ficando habitualmente excluída de papéis relevantes para a sociedade. Também é conhecido o fato de homens estarem acostumados a justificar seu predomínio não somente ressaltando que a sua posição dominadora é a natural, como também que a sua dominação resulta da inferioridade da mulher. Contudo, sabe-se hoje que o rótulo de inferioridade teve como causa o contexto histórico, a falta de acesso à cultura e, como consequência, o confinamento no lar.
Acredita-se que desde os primórdios dos tempos, a discriminação feminina acabou exercendo sobre a sociedade uma conscientização e, a partir daí, surgiram reflexões sobre o que o assunto pode ajudar na luta em prol da igualdade social, política e liberdade de expressão das mulheres. No entanto, foi a partir do inicio do século passado que a situação começou a mudar.

Dia Internacional da Mulher

Talvez o episódio na Fábrica de Tecidos Cotton nos Estados Unidos em 8 de Março de 1857, tenha sido o ponto de partida para que em 8 de março de 1910, na Dinamarca, fosse finalmente instituída essa data como o “Dia Internacional da Mulher”, devido às mortes que ocorreram em virtude da greve que resultou no desaparecimento de aproximadamente 130 tecelãs que foram carbonizadas propositalmente pelo proprietário da fábrica e pela policia.


Com a eclosão do movimento feminista e os estudos de gênero, se constituíram nos fatos que forçosamente provocaram na sociedade uma mudança de atitude, diante das reivindicações que se fazia. A luta dos grupos de mulheres contra o preconceito parecia, assim, tomar forma. Apesar de importantes conquistas, a condição da mulher, ainda na sua maioria, era de submissão e explorada pelo próprio sistema. Há que se considerar, também, que na espécie feminina e dentro de cada mulher, ainda restam as sobras da teimosa crença de que todas as mulheres são inferiores a qualquer homem; e em cada homem, seja ele liberal ou libertino, uma antiga voz interior ainda concorda com essa inferioridade.

O Divórcio e a Locomotiva

Constatou-se que a época decisiva para que a mulher pudesse conquistar um lugar merecido na sociedade, se desse nos primórdios do século XX. Muitas foram as batalhas enfrentadas, contudo a conquista se deu com o que pode-se chamar de “Lei Áurea Feminina”, ou seja, uma metáfora de sua libertação que ocorreu em 1977. A mulher casava para se livrar do cativeiro do pai e se tornava cativa do marido. Com a Lei 6515 de 26 de dezembro de 1977, a Lei do Divórcio, ela adquiria finalmente sua independência, iniciando assim uma nova fase no seu comportamento, no qual transformou a figura feminina na “locomotiva moderna”, desempenhando o papel de comandante.  Apesar de tantas dificuldades, as mulheres conquistaram um espaço de respeito dentro da sociedade, mesmo que as relações entre o gênero feminino e o masculino ainda não sejam de total igualdade e harmonia. 

Entretanto, evoluindo o homem através dos múltiplos fatores que impulsionaram o gigantesco progresso da ciência, da arte, da filosofia e da moral, a subordinação feminina foi-se tornando quase inexistente. Assim, vê-se hoje a mulher, senão ao lado do homem no desempenho de todas as atividades que a este diz respeito, pelo menos desfrutando de uma liberdade maior, quer como companheira no lar ou no mercado de trabalho, com direitos e garantias que lhe foram negados no passado.

Assim, na luta pela legitimação dos seus direitos, muitas barreiras ainda precisam ser quebradas, muitos direitos precisam ser conquistados e muitas medidas preventivas e punitivas precisam ser levadas a cabo, mas enquanto ainda não acontece, a admiração e o respeito pelas mulheres devem prevalecer.
  
Anos “70” - A Mulher Locomotiva


 Para a mulher, os anos 70 representaram um marco na sua independência perante a posição masculina no âmbito social. Isso se refletiu na literatura e automaticamente na televisão. Em 1977 o saudoso Cassiano Gabus Mendes trazia para a TV uma novela que retratava exatamente esse universo feminino. Era o tempo das Locomotivas. Ao som da música “Maria Fumaça”, interpretada pelo grupo “Black Rio” na abertura, embalada ainda na trilha pela música de mesmo nome da novela, Locomotivas, por Rita Lee, a novela encantava homens e mulheres com a saga da ex-vedete Kiki Blanche (Eva Todor), que tinha apenas uma filha legitima e um filho e as outras eram adotadas. Com muito charme, uma novela deliciosa e sofisticada que trazia as cores para o horário das sete. Era o inicio de uma nova era para a televisão e para as mulheres.

A ex-vedete Kiki Blanche / Maria Josefina Cabral (Eva Todor) possuía no Rio de Janeiro um salão de beleza onde muitas das personagens se encontravam. Sua filha legitima Milena (Aracy Balabanian) e os adotivos Paulo (João Carlos Barroso), Renata (Thais de Andrade), Fernanda (Lucélia Santos) e a caçula Regininha (Gisela Rocha) conduziam os encontros e desencontros dessa deliciosa história. O grande conflito ficou em torno de Fernanda, que se apaixonou por Fábio (Walmor Chagas), que amava Milena. Essa por sua vez, abria mão do amor em prol da irmã adotiva, uma vez que sabia que Fernanda, na verdade, era sua filha legitima. A revelação só veio no último capitulo, quando Fernanda desistiu de vez de Fábio ao descobrir que sua irmã era a sua verdadeira mãe.

Triângulo amoroso central da novela

 Em outro núcleo, Netinho (Denis Carvalho) vivia cercado pelo amor possessivo de sua mãe (Miriam Pires), ao som da música “Filho Único”, interpretada por Erasmo Carlos, o jovem se apaixonou por Patrícia (Elisângela) e não teve seu amor abençoado pela mãe, sem perceber que o seu grande amor morava ao lado: era a sua vizinha Celeste (Ilka Soares). Quando Dona Margarida descobriu, o casal sofreu, lutou por esse amor e ficou junto no final.

Ainda tinha o português Machadinho (Tony Corrêa) que namorava com Gracinha (Maria Cristina Nunes) e sofria com as intrigas de sua falsa amiga Lurdinha (Teresa Sodré), porém o rapaz acabou se rendendo aos encantos da antagonista da trama, Fernanda (Lucélia Santos). 

Lucélia Santos e Tony Correa em cena
Cassiano Gabus Mendes foi um mestre na teledramaturgia brasileira e responsável por grandes sucessos da televisão com obras memoráveis, como “Anjo Mau, Elas por Elas, Tititi, Brega & Chique, Que Rei Sou Eu?” e muitas outras. “Locomotivas” não foi uma novela em vão, muito menos teve um texto banalizado. Ela marcou sua época trazendo a mulher como comandante de um trem que podemos chamar de “Trem da vida”, esse que até então tinha como maquinista os homens e com a novela, Kiki mostrava que as mulheres eram capazes de assumir esse comando com maestria. Na época, talvez muitas pessoas não entendessem a razão da novela levar o nome ligado a um trem e o logotipo ser uma mulher com a parte inferior de um biquíni a mostra, que soava ousado para aqueles tempos. Mas, Cassiano já tinha os olhos voltados ao futuro, pois com a Lei do Divórcio (6515/77) do mesmo ano da novela, a mulher adquiria sua liberdade podendo tomar as rédeas de sua vida, casando-se, separando-se, tendo filhos com pai ou sem e ainda trabalhando livremente, saindo de um cativeiro em que vivia e sendo a cabeça desse trem, ou seja, sendo a Locomotiva. 

Elenco feminino da novela
As Mulheres na Televisão 

Não só em Locomotivas que a mulher estava sendo representada naquela época. A TV Globo trazia a mulher em muitas de suas obras. Às 18 horas Dona Xepa, que era escrita por Gilberto Braga e adaptada da obra de Pedro Bloch, mostrava a mulher feirante e sem o marido que trabalhava para manter a casa e sendo a comandante do seu lar. Várias outras novelas da época principalmente do horário das 18 horas trazia a mulher como a protagonista, muitas eram adaptações de obras literárias como Nina, Sinhazinha Flô, Maria-Maria, Gina, A Sucessora, Cabocla e várias outras. Era o inicio de uma mudança que não só na dramaturgia estava presente, mas numa sociedade que durante muito tempo deixou a mulher numa camada neutra e que naqueles tempos, marcava uma nova era.

Nas séries a mulher também estava presente. Ciranda Cirandinha mostrava uma juventude em busca de sonhos e liberdade e em 1979 era a vez de Malu Mulher que representou muito bem a mulher separada, uma vez que já no episódio piloto era abordado o processo de separação de Malu (Regina Duarte) e Pedro Henrique (Dennis Carvalho), intitulado “Acabou-se o que Era Doce”.

Após os anos 80, a mulher vinha sendo representada com mais ênfase, podendo trabalhar, casar, separar e ir em busca de seus sonhos como qualquer ser humano na televisão e na sociedade. Mas isso já é outra história...

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ALGUMAS CURIOSIDADES:


  • “LocoMotivas” foi a primeira novela das sete totalmente em cores;
  • Nos créditos, Eva Todor assinava ainda como Eva Tudor, porém seu nome verdadeiro é EVA FODOR, que foi alterado logo que chegou ao Brasil devido à conotação errônea que poderia acontecer.
  • Nos créditos todas as escritas vinham em letra maiúsculas.
  • Era a segunda novela de Lucélia Santos
  • Eva Todor estreava.
  • A televisão exibia as cenas dos próximos capítulos e não do próximo capitulo como nas novelas dos anos 80.
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MARCELO RISSATO é escritor, jornalista, fotógrafo e colunista da Revista “Super Novelas”.

Marcelo Rissato, o melão e eu.
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Blogueiro convidado: Raphael Scire e o "gran finale" de "Ti Ti Ti"




sábado, 1 de outubro de 2011

Blogueiro convidado: Aladim Miguel e os 35 anos de "Escrava Isaura"


DOSSIÊ “ESCRAVA ISAURA” 35 ANOS

Por Aladim Miguel



Fada? Anjo? Deusa? O que essa escrava tem que hipnotizou os telespectadores do Brasil e de mais de uma centena de países mundo á fora em uma novela tão simples? Neste dossiê produzido para um pool entre os blogs especializados em teledramaturgia: “Eu Prefiro Melão” de Vitor de Oliveira, “No Mundo dos Famosos” de Jéfferson Balbino, “Posso Contar Contigo?” de Isaac Abda e “Zappiando” de Paulo Ricardo Diniz, vamos desvendar os mistérios e segredos dessa fórmula que resultou em um verdadeiro fenômeno da teledramaturgia mundial. A seguir “Escrava Isaura” Especial 35 Anos.

Links dos blogs para o pool – em ordem alfabética:
EU PREFIRO MELÃO

NO MUNDO DOS FAMOSOS

POSSO CONTAR CONTIGO?

ZAPPIANDO

A Adaptação Para a TV:



O romance “A Escrava Isaura”, de 1875, do mineiro Bernardo Guimarães (1825-1884) é um romance romântico com pretensões a abolicionistas. Seu enredo conta a saga de Isaura, uma escrava branca, que após a morte da mãe passa a ser criada e protegida pela senhora da fazenda onde nasceu. Quando essa senhora morre, Leôncio, o filho dela, insiste em tentar seduzir a escrava a todo custo, como ela resiste, ele parte para castigos e ameaças de violência física e psicológica. O romance apresenta uma seqüência de peripécias ao estilo dos folhetins de época, recheados de personagens unidimensionais (O bom é sempre bom, e o mau é sempre mau). O novelista Gilberto Braga seguiu os conselhos de uma antiga professora do colégio e fez uma adaptação primorosa e muito fiel ao romance original, ele soube captar toda a essência do drama da escrava para criar novas tramas e personagens que pudesse sustentar os 100 capítulos da novela. A novela estreou em 11 de Outubro de 1976 e ficou no ar até 05 de fevereiro de 1977.
  
A Direção:



A novela foi toda armada e dirigida por Herval Rossano (1935-2007), grande responsável pelas adaptações literárias do horário das seis da TV Globo nos anos 70 e 80, até o capitulo 24, em parceria com o ator Milton Gonçalves, depois Herval viajou e Milton tocou a novela até o final. No processo de escalação da protagonista, Herval chegou a pensar nas atrizes Nívea Maria, sua esposa na época, e Elizangela para o papel de Isaura, enquanto Gilberto Braga pensava em Louise Cardoso. O nome de Lucélia Santos surgiu depois de ela ter tido o reconhecimento dos críticos de teatro do “Jornal do Brasil” como uma grande promessa de atriz que estava surgindo no cenário nacional.

As Gravações:
As externas da novela eram feitas, no Rio de Janeiro, na antiga Embaixada da Argentina e em fazendas de Conservatória, Vassouras e Santa Cruz. Algumas cenas de estúdio foram realizadas na extinta TV Educativa do Rio, em decorrência de um incêndio que a TV Globo sofreu na época das gravações da novela.



A Abertura e sua Trilha Sonora Original:

Produzida por Hans Donner, utilizando figuras clássicas do pintor francês Debret, a abertura de “Escrava Isaura” mostra um total entrosamento entre imagens e a forte canção “Retirantes”, um poema de Jorge Amado e Dorival Caymmi. O famoso “Lerê, Lerê”, abria a novela e nunca mais desgrudou do inconsciente coletivo, quem nunca se pegou cantarolando essa canção que virou o hino dos explorados? Uma curiosidade da abertura era uma vela posta por trás de um dos quadros de Debret para que desse o efeito de um poste de rua acesso. Pura criatividade!

Trilha sonora em Portugal
Guerra Peixe foi o responsável pela trilha sonora incidental com várias canções da trilha sonora original em versões instrumentais, ele utilizou somente instrumentos de percussão, uma vez que nem se pensava em acrobacias musicais tecnológicas, tudo era feito artesanalmente.  Por motivos inexplicáveis o compacto da novela não trazia a versão de “Retirantes” que era apresentada na abertura da novela com a Orquestra e Coral Som Livre. Uma pena...
  
Os Protagonistas:



Rosto completamente desconhecido da TV, a jovem atriz paulista Lucélia Santos, então com 19 anos, foi resgatada pelo diretor Herval Rossano do teatro, muito influenciando pela grande propaganda feita pelo saudoso ator Milton Moraes. Lucélia já havia feito testes para outras produções da TV Globo como: “Gabriela” e “Estúpido Cupido”, quando foi convidada pelo diretor Borjalo para assumir a protagonista da novela. Seu carisma e talento foram fundamentais para o grande êxito da trama. Se de um lado Lucélia transbordava pureza na pela da submissa escrava branca, o imbatível Rubens de Falco (1931-2008) tocava o maior terror em todos os personagens, seu Leôncio entrou para a galeria eterna de grandes vilões. A química entre os dois atores foi instantânea e fulminante. Uma dobradinha de sucesso absoluto.



Os mocinhos e galãs Roberto Pirillo, o Tobias, e Edwin Luisi, o Álvaro, tinham torcida por seus personagens. Como o Tobias não existia no romance original e foi um personagem querido do público, foi muito difícil ter que retirar o personagem de Pirillo de cena, isso aconteceu em um incêndio, muito realista para os padrões da época, os telespectadores não acreditavam que ela fosse morrer, é bom lembrar que naquela época não existia o “boom” de informações que temos hoje em dia com internet e centenas de revistas sobre novelas. Já Álvaro, o segundo amor de Isaura marcou a estreia de Edwin na TV Globo em um papel bem ao estilo príncipe encantado, tanto que foi recebido sem ressalvas pelo público que estava “órfão” de Tobias.


Outra que dominou sua personagem de uma forma incrível foi a veterana atriz Norma Blum. Sua linda e delicada Malvina chegou a fazer sombra a Isaura. Era uma sinhazinha que não se conformava com a condição da escrava e fazia de tudo para tentar conseguir a sua carta de alforria. Infelizmente não conseguiu e ainda acabou queimada no mesmo incêndio, provocado por Leôncio, que matou Tobias.

Os Anjos de Isaura:


Duas personagens bastante carismáticas também foram grandes destaques na trama: D. Ester, a madrinha de Isaura, interpretada pela atriz Beatriz Lyra, foi responsável por momentos de grande emoção como na cena da sua morte antes de poder contar à escrava que havia conseguido sua carta como último desejo de sua vida. Já Januária, a mãe preta de Isaura, um show de interpretação de Zeny Pereira (1924-2002), tinha um que de Mamãe Dolores do clássico “O Direito de Nascer” e foi, sem dúvida, o personagem mais popular da novela com suas tiradas pra lá de inspiradas.

O Mal é Mau Mesmo:

Os ótimos desempenhos dos atores Léa Garcia e Isaac Bardavid também deixaram marcas. Os vilões Rosa e Francisco, os dois braços de Leôncio, seguiam o mesmo caminho da maldade do vilão titular. Rosa era uma escrava pra lá de invejosa que não se conformava de jeito nenhum com as mordomias de Isaura e fez de tudo para acabar com ela, chegando até a tentar envenena – lá, mas por um golpe do destino, acabou provando do próprio veneno e morreu no final. Francisco, o terrível feitor da fazenda, também não deu trégua para escrava e chegou à manda - lá para os canaviais em uma cena inesquecível.



Os Subprodutos da Novela:
O sucesso de “Escrava Isaura” foi tão grande no exterior que vários subprodutos foram lançados no rastro da novela. O romance homônimo de Bernardo Guimarães ganhou tradução para todos os idiomas por onde a trama foi exibida e ganhou uma versão em quadrinhos no Brasil. Em Cuba, foi lançado um álbum de figurinhas que fazia parte de uma campanha de reciclagem do país, as figurinhas eram trocadas por lixo reciclável. A trilha sonora, com pequenas alterações, chegou a ser lançada em Portugal e na Venezuela.

Álbum de figurinhas lançado em Cuba

Uma Escrava Made in Brazil:





Vários países tiveram suas rotinas alteradas pela passagem de “Escrava Isaura” em suas terras. Cuba mudou o horário de voos e do racionamento de energia para não atrapalhar a transmissão da novela. Na Rússia a palavra “fazenda” foi incorporada ao seu vocabulário. Na Bósnia, aconteceu um cessar fogo nos horários da novela. Em Portugal, o comércio fechava portas. Na China havia sessões tipo cineminha nas ruas para que a população pudesse ver em alguns aparelhos de TV a novela e a população elegeu Lucélia Santos a atriz do ano e lhe deu o troféu “Águia de Ouro”, primeiro prêmio concedido á uma atriz estrangeira. Na Polônia chegaram a fazer “vaquinhas” para libertar a escrava e também fizeram concursos de sósias de Isaura. Na Itália os muros eram pichados com dizeres de libertação a escrava. Na Alemanha a novela foi exibida 5 vezes e 7 vezes na França tamanho o sucesso. Talvez por identificação ao tema da liberdade, os telespectadores dos países comunistas – China, Rússia e Cuba - tenham sido atraídos pelo drama da escrava. Até hoje “Escrava Isaura” continua sendo uma das campeãs de exportação da TV Globo e conseguiu abrir as portas de todas as emissoras do mundo para os produtos da TV Brasileira.



A Campeã de Reprises:

“Escrava Isaura” mantém o recorde de novela mais exibida no Brasil, foram 5 exibições em horários diferentes. Em 1976, 1977, 1979 – de novo no horário das 18 horas –, 1982 – dentro do programa TV Mulher – e em 1990, como encerramento do Festival 25 anos da TV Globo, com vários astros da novela na apresentação dos capítulos. A versão mais conhecida da novela contém 30 capítulos e foi essa a versão mais exportada.


Outros Personagens Inesquecíveis:

Maria das Graças e Haroldo de Oliveira
Não poderíamos deixar de citar as participações de outros atores que mandaram muito bem na novela como: Átila Iório (Miguel, o pai de Isaura), Haroldo de Oliveira e Maria das Graças (os escravos André e Santa), Mário Cardoso (O gentil Henrique), Carlos Duval (O jardineiro Beltrão) e Gilberto Matinho (O severo Comendador Almeida). Duas participações especiais marcaram a novela: Lady Francisco como Juliana, a mãe de Isaura e Henriette Morineau como a atriz francesa Madame Bensançon, que conseguiu comprar Isaura, mas na hora H, a escrava recuou em nome do amor, tem coisa mais romântica que essa atitude dela?
  
A Volta da Escrava Isaura:
A Globo Marcas, em parceria com a Som Livre, já anunciou na mídia o lançamento do DVD “Escrava Isaura” para este ano ainda, agora novas gerações vão poder comprovar a força e o carisma desse grande sucesso da teledramaturgia brasileira que se ouve falar há 35 anos. Feliz Niver Escrava Isaura!

Repercussão internacional

Visite também o Arquivo Lucélia Santos:

Leia também: 

Sinhá Moça comemora 25 anos!




quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sinhá Moça comemora 25 anos!


"O Arquivo Lucélia Santos  (Por Aladim Miguel) promove um "pool" inédito entre os blogs especializados em teledramaturgia para a comemoração do Jubileu de Prata da clássica versão de "Sinhá Moça". O melão, claro, não poderia ficar de fora dessa e abre espaço para nosso querido Aladim relembrar esse, que foi um dos grandes sucesso da carreira de sua querida Lucélia Santos. Parabéns a essa inesquecível novela!


O IMPACTO DE “SINHÁ MOÇA
(Por Aladim Miguel)



O romance “Sinhá Moça”, de Maria Dezonne Pacheco Fernandes (1910-1998), foi primeiramente adaptado para o cinema, com sucesso, em 1953 pelos estúdios da Vera Cruz e tendo Eliane Lage e Anselmo Duarte nos papéis centrais com direção de Tom Payne. Mas foi em 1986 que o romance tornou-se muito popular com a ótima superprodução adaptada por Benedito Ruy Barbosa (com colaboração de sua filha Edmara Barbosa) para o clássico horário das seis da TV Globo, que retornava ás novelas de época - que havia produzido tantos sucessos nos anos 70 sob a batuta do diretor Herval Rossano – estilo que havia sido abandonado em 1981, com a adaptação de Walter George Durst para o romance de Jorge Amado, “Terras do Sem Fim”.  O diretor Nilton Travesso assumia o comando do núcleo e convidou os diretores Jayme Monjardim e Reynaldo Boury para comandar a trama. Antes da estreia no Brasil, “Sinhá Moça” já tinha sua venda reservada para mais de 50 países, todos atraídos pela presença da dupla exportação formada pela atriz Lucélia Santos e pelo saudoso ator Rubens de Falco (1931-2008), hoje em dia ela já foi vista em mais de 90 países 
do mundo inteiro.


A trama, situada em Araruna (SP) em 1886 contava a história da meiga e doce Sinhá Moça (Lucélia Santos, em mais um momento iluminado de sua carreira), ou Maria das Graças, que enfrentava com toda coragem seu pai, o temido escravocrata Coronel Ferreira (Rubens de Falco, ótimo em sua atuação segura), o Barão de Araruna, em defesa dos escravos e a favor da abolição. Em seu regresso, de trem, á sua cidade natal ela conhece e se interessa pelo advogado Rodolfo (Marcos Paulo), que se passa por escravocrata para tentar impressiona - lá, mas na verdade esconde o seu envolvimento com os movimentos em defesa da libertação dos escravos, este segredo foi revelado mais adiante e os dois começaram a agir mascarados na abertura de várias senzalas da cidade.

Também era mostrada a luta do escravo alforriado Dimas (Raymundo de Souza), ou Rafael, sua verdadeira identidade. Ele retorna á Araruna para se vingar de seu pai, o Barão de Araruna, que o rejeitou quando ele era criança (vivido nesta fase por Selton Mello) e o vendeu junto com sua mãe, a escrava Maria das Dores (Dudu Morais).



Uma das tramas paralelas que chamou atenção foi a de Ana do Véu (Patrícia Pillar), que mantinha seu rosto coberto por um véu por causa de uma promessa feita por Nina (Norma Blum), sua mãe, á Santa Rita. A promessa consistia em que a jovem só poderia revelar seu rosto a seu futuro marido, mas por pressão de Manoel (José Augusto Branco), o pai da moça, isso aconteceu antes do previsto em um baile de gala organizado pela família dela para toda a cidade de Araruna.



“Sinhá Moça” esteve no ar entre 28 de Abril e 14 de Novembro de 1986, somando 172 capítulos.

No seu elenco destaque para as atuações de Elaine Cristina, Mauro Mendonça, Chica Xavier, Daniel Dantas, Tony Tornado, Ruth de Souza (que havia participado da versão cinematográfica do romance), Grande Otelo, Neuza Amaral, Sérgio Viotti, Solange Couto, Gésio Amadeu, Milton Gonçalves, Tato Gabus, Tarcisio Filho, Zeny Pereira e da pequena, na época, Lizandra Souto que deu vida a Sinhaninha criança.



Algumas curiosidades deste grande sucesso:
  • ·         A novela obteve picos de 72 pontos de audiência em sua exibição original.
  • ·         Lucélia Santos e Rubens de Falco voltavam a se encontrar, desta vez como pai e filha, 10 anos depois do mega sucesso “Escrava Isaura”.
  • ·         Fábio Júnior era a primeira opção para o papel de Rodolfo, ele não pode aceitar por compromissos musicais.
  • ·         O hoje ator Pedro Neschling, filho de Lucélia Santos, fez figuração nas cenas do baile de Ana do Véu
  • ·         A atriz Jacyra Sampaio, a eterna Tia Nastácia do “Sitio do Picapau Amarelo”, chegou a ser escalada para viver a Virgínia, a ama de leite de Sinhá Moça, que acabou ficando com Chica Xavier e ela ficou sendo Ruth, a Bá de Rodolfo.
  • ·         Foi exibida no “Vale a Pena Ver de Novo” em 1993 e voltou a alcançar altos níveis de audiência.
  • ·         Primeira novela da atriz Luciana Braga.


  • ·         Recebeu vários nomes em alguns países onde foi exibida, entre eles: ”Little Missy” (EUA), “Mademoiselle” (França), “El Camino De La Libertad” (Espanha) e “La Padroncina” (Itália).

  • ·         Em 1988, na Alemanha o romance ganhou o subtítulo “Die Tochter des Sklavenhalters” – “A Filha dos Escravos”.
  • ·         Durante a exibição da novela o programa “Fantástico” promoveu o encontro entre a atriz Lucélia Santos e a saudosa escritora Maria Dezonne.

  • ·         Em sua trilha sonora nomes do primeiro time da MPB como: Fafá de Belém, Gilberto Gil, Clara Nunes, Claudio Nucci, Dori Caymmi, Roberto Ribeiro e Ronnie Von em canções feitas especialmente para a novela.
  • ·         A cantora Denise Emmer, filha de Janete Clair e Dias Gomes, marcou presença na trilha sonora da novela com a canção “Companheiros”.
  • ·         As externas das Fazendas foram feitas em Conservatória (RJ), Itatiaia (RJ) e São João Del Rei (MG).
  • ·         A moça que estampava a capa da trilha sonora original da novela, muito parecida com Lucélia Santos, era na verdade a modelo Juana Garibaldi Carvalho.

Video de Lucélia relembrando a novela para o projeto "Memória Globo":



Mais vídeos:

CENA DA NOVELA 

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LINKS DOS BLOGS PARTICIPANTES


Zappiando (Por Paulo Ricardo Diniz)
http://zappiando.wordpress.com


No Mundo dos Famosos (Por Jéfferson Balbino)
http://jeffersonbalbino.post.zip.net/


Eu Prefiro Melão (Por Vitor Santos)
http://www.euprefiromelao.blogspot.com/
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Prefira também: