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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Blogueiro convidado: Marcelo Rissato relembra “Locomotivas”, marco da independência feminina nas telenovelas.



 Mais um convidado pra lá de especial, que nos brinda com um texto INCRÍVEL sobre uma novela, que representa um marco da emancipação feminina: “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes. Marcelo Rissato, jornalista, roteirista, fã nº 1 de Norma Blum e enciclopédia viva da teledramaturgia brasileira, não se limita a falar apenas da novela e nos brinda com todo um panorama da história das conquistas da mulher até culminar no ano de 1977, ano em que a novela estreou e não por coincidência, mesmo ano em que a Lei do Divórcio no Brasil foi aprovada. Vale lembrar que, no ano anterior, Janete Clair já tinha escrito uma novela chamada “Duas Vidas”, na qual a protagonista Leda (Betty Faria), já era separada e criava o filho sozinha. Mas a partir da trama de Cassiano Gabus Mendes é que a mulher deixou definitivamente a posição de mocinha que precisava ser salva e foi, definitivamente, à luta através da empreendedora Kiki Blanche, estreia de Eva Todor na tevê em grande estilo como a dona de um salão de beleza que era o principal cenário da novela. Marcelo, querido, obrigadíssimo pelo seu incrível texto, que não é apenas uma deliciosa viagem pelo universo da novela. É, praticamente, um tratado sobre o panorama da mulher em nossas telenovelas. Parabéns! Sem mais delongas, vamos ao texto:


MULHER, A LOCOMOTIVA MODERNA
Por Marcelo Rissato



Quando ainda estava no ar a novela “Estupido Cupido”, uma linda e divertida trama de Mário Prata em preto e branco, que teve apenas o penúltimo e último capitulo em cores, “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes, era anunciada como a nova novela das sete, “totalmente em cores”.

Assim era o primeiro anuncio da novela no dia 11 de fevereiro de 1977: Estúpido Cupido, últimos capítulos e vem ai: Loco-Motivas. Com: Aracy Balabanian, Walmor Chagas e a participação especial de Lucélia Santos. Loco-Motivas, a nova novela das sete da noite. A CORES.


 Uma trama envolvente e deliciosa que conquistava os telespectadores da época. A história girava em torno dos salões de beleza e os núcleos se encontravam nesse universo. Não era uma novela com grandes acontecimentos, porém colocava as mulheres, não só como as protagonistas da história, mas também na posição de independência e empreendedorismo, através do salão de beleza de Kiki Blanche (Eva Todor). Além disso, a novela apresentava um novo visual e uma nova forma de se expressar. Uma nova era estava começando para a televisão e para o país.

Talvez esse contexto envolvendo a mulher não tenha sido adotado em vão pelo autor Cassiano Gabus Mendes. Era uma época de mudança e a mulher estava em evidencia. Se destacava em vários segmentos da sociedade e o ano de 1977 era o protagonista para elas.

Mulher – A História

Sabe-se que o mundo sempre pertenceu aos homens e que a mulher de acordo com a história ficou limitada aos afazeres do lar, ficando habitualmente excluída de papéis relevantes para a sociedade. Também é conhecido o fato de homens estarem acostumados a justificar seu predomínio não somente ressaltando que a sua posição dominadora é a natural, como também que a sua dominação resulta da inferioridade da mulher. Contudo, sabe-se hoje que o rótulo de inferioridade teve como causa o contexto histórico, a falta de acesso à cultura e, como consequência, o confinamento no lar.
Acredita-se que desde os primórdios dos tempos, a discriminação feminina acabou exercendo sobre a sociedade uma conscientização e, a partir daí, surgiram reflexões sobre o que o assunto pode ajudar na luta em prol da igualdade social, política e liberdade de expressão das mulheres. No entanto, foi a partir do inicio do século passado que a situação começou a mudar.

Dia Internacional da Mulher

Talvez o episódio na Fábrica de Tecidos Cotton nos Estados Unidos em 8 de Março de 1857, tenha sido o ponto de partida para que em 8 de março de 1910, na Dinamarca, fosse finalmente instituída essa data como o “Dia Internacional da Mulher”, devido às mortes que ocorreram em virtude da greve que resultou no desaparecimento de aproximadamente 130 tecelãs que foram carbonizadas propositalmente pelo proprietário da fábrica e pela policia.


Com a eclosão do movimento feminista e os estudos de gênero, se constituíram nos fatos que forçosamente provocaram na sociedade uma mudança de atitude, diante das reivindicações que se fazia. A luta dos grupos de mulheres contra o preconceito parecia, assim, tomar forma. Apesar de importantes conquistas, a condição da mulher, ainda na sua maioria, era de submissão e explorada pelo próprio sistema. Há que se considerar, também, que na espécie feminina e dentro de cada mulher, ainda restam as sobras da teimosa crença de que todas as mulheres são inferiores a qualquer homem; e em cada homem, seja ele liberal ou libertino, uma antiga voz interior ainda concorda com essa inferioridade.

O Divórcio e a Locomotiva

Constatou-se que a época decisiva para que a mulher pudesse conquistar um lugar merecido na sociedade, se desse nos primórdios do século XX. Muitas foram as batalhas enfrentadas, contudo a conquista se deu com o que pode-se chamar de “Lei Áurea Feminina”, ou seja, uma metáfora de sua libertação que ocorreu em 1977. A mulher casava para se livrar do cativeiro do pai e se tornava cativa do marido. Com a Lei 6515 de 26 de dezembro de 1977, a Lei do Divórcio, ela adquiria finalmente sua independência, iniciando assim uma nova fase no seu comportamento, no qual transformou a figura feminina na “locomotiva moderna”, desempenhando o papel de comandante.  Apesar de tantas dificuldades, as mulheres conquistaram um espaço de respeito dentro da sociedade, mesmo que as relações entre o gênero feminino e o masculino ainda não sejam de total igualdade e harmonia. 

Entretanto, evoluindo o homem através dos múltiplos fatores que impulsionaram o gigantesco progresso da ciência, da arte, da filosofia e da moral, a subordinação feminina foi-se tornando quase inexistente. Assim, vê-se hoje a mulher, senão ao lado do homem no desempenho de todas as atividades que a este diz respeito, pelo menos desfrutando de uma liberdade maior, quer como companheira no lar ou no mercado de trabalho, com direitos e garantias que lhe foram negados no passado.

Assim, na luta pela legitimação dos seus direitos, muitas barreiras ainda precisam ser quebradas, muitos direitos precisam ser conquistados e muitas medidas preventivas e punitivas precisam ser levadas a cabo, mas enquanto ainda não acontece, a admiração e o respeito pelas mulheres devem prevalecer.
  
Anos “70” - A Mulher Locomotiva


 Para a mulher, os anos 70 representaram um marco na sua independência perante a posição masculina no âmbito social. Isso se refletiu na literatura e automaticamente na televisão. Em 1977 o saudoso Cassiano Gabus Mendes trazia para a TV uma novela que retratava exatamente esse universo feminino. Era o tempo das Locomotivas. Ao som da música “Maria Fumaça”, interpretada pelo grupo “Black Rio” na abertura, embalada ainda na trilha pela música de mesmo nome da novela, Locomotivas, por Rita Lee, a novela encantava homens e mulheres com a saga da ex-vedete Kiki Blanche (Eva Todor), que tinha apenas uma filha legitima e um filho e as outras eram adotadas. Com muito charme, uma novela deliciosa e sofisticada que trazia as cores para o horário das sete. Era o inicio de uma nova era para a televisão e para as mulheres.

A ex-vedete Kiki Blanche / Maria Josefina Cabral (Eva Todor) possuía no Rio de Janeiro um salão de beleza onde muitas das personagens se encontravam. Sua filha legitima Milena (Aracy Balabanian) e os adotivos Paulo (João Carlos Barroso), Renata (Thais de Andrade), Fernanda (Lucélia Santos) e a caçula Regininha (Gisela Rocha) conduziam os encontros e desencontros dessa deliciosa história. O grande conflito ficou em torno de Fernanda, que se apaixonou por Fábio (Walmor Chagas), que amava Milena. Essa por sua vez, abria mão do amor em prol da irmã adotiva, uma vez que sabia que Fernanda, na verdade, era sua filha legitima. A revelação só veio no último capitulo, quando Fernanda desistiu de vez de Fábio ao descobrir que sua irmã era a sua verdadeira mãe.

Triângulo amoroso central da novela

 Em outro núcleo, Netinho (Denis Carvalho) vivia cercado pelo amor possessivo de sua mãe (Miriam Pires), ao som da música “Filho Único”, interpretada por Erasmo Carlos, o jovem se apaixonou por Patrícia (Elisângela) e não teve seu amor abençoado pela mãe, sem perceber que o seu grande amor morava ao lado: era a sua vizinha Celeste (Ilka Soares). Quando Dona Margarida descobriu, o casal sofreu, lutou por esse amor e ficou junto no final.

Ainda tinha o português Machadinho (Tony Corrêa) que namorava com Gracinha (Maria Cristina Nunes) e sofria com as intrigas de sua falsa amiga Lurdinha (Teresa Sodré), porém o rapaz acabou se rendendo aos encantos da antagonista da trama, Fernanda (Lucélia Santos). 

Lucélia Santos e Tony Correa em cena
Cassiano Gabus Mendes foi um mestre na teledramaturgia brasileira e responsável por grandes sucessos da televisão com obras memoráveis, como “Anjo Mau, Elas por Elas, Tititi, Brega & Chique, Que Rei Sou Eu?” e muitas outras. “Locomotivas” não foi uma novela em vão, muito menos teve um texto banalizado. Ela marcou sua época trazendo a mulher como comandante de um trem que podemos chamar de “Trem da vida”, esse que até então tinha como maquinista os homens e com a novela, Kiki mostrava que as mulheres eram capazes de assumir esse comando com maestria. Na época, talvez muitas pessoas não entendessem a razão da novela levar o nome ligado a um trem e o logotipo ser uma mulher com a parte inferior de um biquíni a mostra, que soava ousado para aqueles tempos. Mas, Cassiano já tinha os olhos voltados ao futuro, pois com a Lei do Divórcio (6515/77) do mesmo ano da novela, a mulher adquiria sua liberdade podendo tomar as rédeas de sua vida, casando-se, separando-se, tendo filhos com pai ou sem e ainda trabalhando livremente, saindo de um cativeiro em que vivia e sendo a cabeça desse trem, ou seja, sendo a Locomotiva. 

Elenco feminino da novela
As Mulheres na Televisão 

Não só em Locomotivas que a mulher estava sendo representada naquela época. A TV Globo trazia a mulher em muitas de suas obras. Às 18 horas Dona Xepa, que era escrita por Gilberto Braga e adaptada da obra de Pedro Bloch, mostrava a mulher feirante e sem o marido que trabalhava para manter a casa e sendo a comandante do seu lar. Várias outras novelas da época principalmente do horário das 18 horas trazia a mulher como a protagonista, muitas eram adaptações de obras literárias como Nina, Sinhazinha Flô, Maria-Maria, Gina, A Sucessora, Cabocla e várias outras. Era o inicio de uma mudança que não só na dramaturgia estava presente, mas numa sociedade que durante muito tempo deixou a mulher numa camada neutra e que naqueles tempos, marcava uma nova era.

Nas séries a mulher também estava presente. Ciranda Cirandinha mostrava uma juventude em busca de sonhos e liberdade e em 1979 era a vez de Malu Mulher que representou muito bem a mulher separada, uma vez que já no episódio piloto era abordado o processo de separação de Malu (Regina Duarte) e Pedro Henrique (Dennis Carvalho), intitulado “Acabou-se o que Era Doce”.

Após os anos 80, a mulher vinha sendo representada com mais ênfase, podendo trabalhar, casar, separar e ir em busca de seus sonhos como qualquer ser humano na televisão e na sociedade. Mas isso já é outra história...

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ALGUMAS CURIOSIDADES:


  • “LocoMotivas” foi a primeira novela das sete totalmente em cores;
  • Nos créditos, Eva Todor assinava ainda como Eva Tudor, porém seu nome verdadeiro é EVA FODOR, que foi alterado logo que chegou ao Brasil devido à conotação errônea que poderia acontecer.
  • Nos créditos todas as escritas vinham em letra maiúsculas.
  • Era a segunda novela de Lucélia Santos
  • Eva Todor estreava.
  • A televisão exibia as cenas dos próximos capítulos e não do próximo capitulo como nas novelas dos anos 80.
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MARCELO RISSATO é escritor, jornalista, fotógrafo e colunista da Revista “Super Novelas”.

Marcelo Rissato, o melão e eu.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Blogueiro Convidado: Carlos Fernando Barros e suas séries favoritas


Minha relação com as séries de TV
por Carlos Fernando Barros 



Trabalhei praticamente toda a minha vida profissional em Análise de Sistemas, área da Tecnologia da Informação, mas nunca abandonei a ideia de um dia vir a ser escritor e roteirista. Hoje em dia, já trabalho nessa nova área e, quem me conhece, ou mesmo já me ouviu comentar sobre assuntos televisivos, sabe que eu gosto muito das séries. Não tenho preferência pelas de humor, é verdade, embora algumas sejam bem engraçadas e interessantes. O meu forte são as dramáticas, as que envolvem os personagens e seus conflitos e que parecem retratar alguma situação familiar ou situações totalmente distantes.  Claro que gosto muito de novelas também, mas as novelas tem uma levada diferente, mais cadenciada e mais dia-a-dia. As séries não. Elas têm um toque mais rápido, exatamente nada é mostrado por acaso e não se perde tempo. É exatamente isso que me faz gostar tanto delas. Posso até dizer que muitas das séries que assisti, eu gostaria de tê-las escrito.  A seguir algumas das séries que mais me marcaram.


 A Sete Palmos” (Six Feet Under) Foi uma das séries que mais me marcou. Um pouco sombria, com uma música marcante, mostrava a família Fisher, dona de uma funerária, no seu o seu dia-a-dia, em um negócio fúnebre que era tocado diferente de como é tocado por aqui.  Aquela família, nesse mundo diferente do nosso criou em mim uma curiosidade que me fez acompanhá-la pelos seis temporadas e ao final eu assistia à conta gotas. Eu levei muito mais de um mês para assistir os três últimos episódios da última temporada. E o último episódio então! Eu não queria que acabasse e quando aconteceu me senti órfão.



Dexter” também foi uma série que me chamou atenção de primeira. (Será que tenho alguma coisa mórbida em mim?) A história de um assassino em série que trabalha na policia como analista forense e cuida para desvendar crimes dessa natureza, era por si só, muito interessante. Assisti a vários episódios da primeira temporada, mas aos poucos fui perdendo o interesse em ver o restante da temporada. Acho que a questão era que eu não estava ainda preparado para assistir. Enfim, pretendo retornar assim que foi possível ao mundo do Dexter Morgan.  


 Já com “Sex and the City”, a conquista foi diferente. O Vitor, dono deste blog, adora essa série e me fez ver como ela é gostosa. Episódios pequenos e situações interessantes fizeram com que as aventuras daquelas quatro mulheres em Nova York caíssem como uma luva e se tornassem um entretenimento bem agradável. Não vi todos os episódios de toda a série, mas alguns episódios eu vi mais de uma vez. Agradeço isso ao Vitor. Como era normalmente à tarde em que assistíamos aos episódios, hoje as tardes têm, às vezes, o gosto dos animados encontros no café das quatro meninas de Nova York.



As séries musicais também chamam muito minha atenção. Adoro música e juntar os dois gostos, dramaturgia e musica, é para mim o suficiente para cair de cabeça. Assisti a “Glee” me deliciando com a trama e com as músicas. Claro que recordei vários momentos da minha vida, escutando as músicas e como é bom isso, não?  Já “Smash” é um musical também, mas com personagens já adultos e com outra pegada, mas também muito bom. Estou nessa atualmente, embora seja uma pena que só tenha sido produzidas duas temporadas.


Assisti também a algumas séries brasileiras. “Mothern” foi para mim um marco e gostei muito.  Casos e Acasos” foi outra série que adorei. O fato das histórias se fundirem ao final era para mim muito bem interessante. Essa foi uma das séries que, mais especificamente, eu gostaria de ter escrito. Gostei muito também da série “Sessão de Terapia”. Essa, um pouco mais devagar, me pegou pela riqueza dos personagens e por poder ver um pouco de um mundo que nós só conhecemos de fora.


Downton Abbey” foi a última série a que acabei de assistir. Bonita, bem produzida, atores excelentes, personagens de uma época que eu tinha pouca informação, enfim, maravilhosa. Dois mundos vivendo entrelaçados e interagindo um com o outro: a aristocracia e os empregados. Tudo na dose certa e rápido, direto e, às vezes, bem duro, como eu gosto. Essa série eu também gostaria de ter escrito. Assisti às duas temporadas disponíveis aqui no Brasil e me senti um pouco órfão ao final. Eu estou ansioso para a terceira que já está chegando por aqui.


Atualmente, das séries nacionais, eu me amarro mesmo é com “Pé na Cova”.  Um Miguel Falabella excelente, elenco entrosado, Marilia Pera pra lá de inspirada, tudo de bom. No final do ano passado fiz um curso em que alguns colegas da produção de “Pé na Cova” também fizeram. Eles me falaram que o seriado iria revolucionar como linguagem. Realmente no início estranhei um pouco, mas quando entendi a proposta, embarquei de cara.


Enfim, nessa nossa vida atribulada, procuro ter tempo para continuar assistindo as minhas séries preferidas. Hoje me divido entre “Roma”, “Damages” e “Smash”. Mas no momento existe uma pequena fila me esperando: “Revenge”, “Mad Men” e “Breaking Bad”.  
A minha relação com as séries talvez seja comum a muitos que agora leem esse texto, mas é feita de toda a emoção e entrega. E quem sabe se, em um dia próximo, vocês não assistirão um série com a minha participação ou assinatura? Saibam que quando esse dia chegar eu estarei realizando um dos meus maiores objetivos de vida.

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 Carlos Fernando Barros nasceu em Recife e traz na sua formação pessoal o gosto e o tempero nordestino acrescido com punhados generosos do carioquês. Analista de sistemas por profissão e escritor e roteirista por amor.  A arte de escrever está no sangue e coloca suas observações das situações de vida na forma de contos e futuros romances. Seus projetos também incluem roteirizar obras audiovisuais para TV e cinema tendo inclusive apresentados projetos que estão em avaliação. Segundo ele mesmo diz, o livro ‘Todas as janelas é apenas o primeiro trabalho.

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De “Glee” a “Pé na Cova”, o melão também prefere séries




segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dossiê “Felicidade”: 3 textos sobre a novela de Manoel Carlos



Helena (Maitê Proença) entre dois amores: Mario (Herson Capri) e Álvaro (Tony Ramos)

Se tem uma novela que eu tenho assistido com assiduidade no momento, essa novela é “Felicidade” (1991), de Manoel Carlos, atualmente em reprise no Canal Viva de segunda à sexta, às 15:30 e à 01:00 da madrugada. O folhetim, livremente inspirado em contos de Aníbal Machado, ficou marcado pelo romantismo, pela simplicidade e por altas doses de lirismo e poesia em suas tramas cheias de personagens cativantes. A novela também marcou o retorno de uma personagem chamada Helena em uma trama do autor. A primeira tinha sido Lilian Lemmertz, dez anos antes em “Baila Comigo”. Para me ajudar a construir um verdadeiro Raio X da novela, convidei dois amigos que também gostam muito dela: o querido Wesley Vieira, pra falar um pouco da trilha sonora; e Raphael Ramos, que nos apresenta uma visão bem completa da novela sob vários aspectos, inclusive um relato bem emocionante de sua memória afetiva em relação a ela.
Melão apresenta três textos diferentes que falam do mesmo tema: felicidade!



Uma nova chance para “Felicidade”
Por Vitor de Oliveira


“Felicidade se acha em horinhas de descuido”, já dizia Guimarães Rosa. E foi justamente por um descuido que me vi acompanhando a reprise da novela no Canal Viva, de maneira muito descompromissada e, quando me dei conta, não conseguia perder um capítulo sequer. Confesso que a novela não me chamou a atenção em sua primeira exibição. Talvez por ser um adolescente na época e ter me ligado muito mais em “Vamp”, que passava no horário seguinte. Já era crescido demais para a trama infantil e ainda muito jovem para os complicados enlaces amorosos de Helena e cia.

Mas agora nessa nova reprise, decidi assistir a alguns capítulos para comprovar o desinteresse que tinha pela novela. Fui assistindo aos capítulos um a um e quando me dei conta já estava completamente envolvido pela história simples, poética e comovente, pelas incríveis atuações e pelo texto sempre realista do autor. “Felicidade” tem uma aura de novela mexicana: herói certinho, heroína sofredora e vilã louca. Há algumas frases ditas pela vilã Débora (Viviane Pasmanter) como “eu sou a mais infeliz das mulheres” que comprovam essa impressão. Mas a novela está longe de ser maniqueísta ou de conter personagens estereotipados. Os personagens bem que podiam ser nossos vizinhos. Os problemas e dilemas deles se parecem com os nossos. A trama não tem aquele ritmo ágil, tampouco cenas grandiloquentes, mas o texto é tão envolvente, os personagens são tão cativantes, os cenários e figurinos tão realistas que não há como não se identificar e criar um vínculo afetivo com a novela. E, assim, suavemente, sem alarde, “Felicidade” nos captura e nos conquista.

Ariclê Perez: magnífica como Ametista
São inúmeros os destaques do elenco, desde a exuberância de Sandra Bréa à maravilhosa contenção de Ariclê Perez, duas saudosas atrizes que fazem muita falta na tevê, mas gostaria de destacar o trabalho da protagonista, vivida magistralmente por Maitê Proença e defendida com garra pela atriz. O mais fascinante nessa Helena é que, ao contrário das outras, que mentiam e guardavam segredos sempre para proteger outra pessoa, essa Helena mente em benefício próprio, como quando forjou uma gravidez falsa para fazer com que o marido se mudasse com ela para o Rio. Ao ver que o plano não deu certo, Helena não hesitou em simular a perda da gravidez e realizar o funeral do bebê enterrando um tijolo no lugar dele. Mesmo assim, continuamos a torcer por Helena, uma das mais imperfeitas e humanas das Helenas do autor. E Maitê Proença não desperdiçou a oportunidade nos brindando com um brilhante trabalho. Já coloquei essa Helena no rol de minhas favoritas. Há que se destacar também o primoroso trabalho de Edney Giovenazzi e seu Chico Treva, um personagem complexo, construído sem palavras, apenas com delicadeza e minimalismo que só poderia mesmo ser interpretado por um ator de alto nível.

Edney Giovenazzi: memorável como Chico Treva
Enfim, “Felicidade” é uma autêntica novela de Manoel Carlos, o autor que mais consegue dar dimensão humana aos personagens, mas também tem um toque de Ivani Ribeiro, ao conter uma simplicidade comovente que está longe de ser simplória, que se aproveita de nosso “descuido” para nos conquistar. 22 anos depois, me rendo e coloco “Felicidade” no rol de minhas favoritas.
  
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As trilhas de FELICIDADE

Por Wesley Vieira

FELICIDADE. Aí está uma novela que me surpreendeu positivamente. Quando foi exibida, em 91, eu era criança. Assistia, claro, mas a imagem que ficou cristalizada em minha memória não foi a melhor. Quando anunciaram a reprise no Canal Viva, torci o nariz: “Mas que novela cafona, chata, blargh”. Hoje, um pouquinho (só um pouquinho) mais velho, assistindo a saga de Helena (Maitê Proença em seu melhor momento), constato que eu estava redondamente enganado. A novela é linda em todos os aspectos. Manoel Carlos, o nosso Maneco, estava inspirado.

No entanto, independente da novela, as trilhas sonoras sempre permearam as minhas lembranças, em especial o disco internacional, que, evidentemente, me marcou mais. Não deixo de citar o disco nacional, embora essa trilha não esteja entre as minhas favoritas, justamente por causa da inclusão de músicas como “Seja mais você”, do Grupo Raça, tema de Tuquinha, e “Você ainda vai voltar”, da dupla Leandro & Leonardo, tema de Helena e Mário. Estas casavam perfeitamente com os personagens em questão, mas como, particularmente, não gosto desses estilos musicais, definitivamente, FELICIDADE Nacional não me causa boa impressão. A pior, em minha opinião, é “O amigo do rei” do Pery Ribeiro - uma música enjoada para um personagem extremamente chato, neste caso, o Ataxerxes. “Casou” bem. O pior é que se trata de uma das músicas mais tocadas durante a novela. Claro, há músicas interessantes, como “Começo, meio e fim” do Roupa Nova, canção que, por sinal, apesar de ser tema do casal protagonista, se tornou o símbolo de toda a novela. Elis Regina com “Velho Arvoredo” é de uma beleza encantadora, assim como Beto Guedes com “Meu ninho”.


Já, FELICIDADE internacional contém uma seleção de músicas agradáveis. Praticamente todas as canções são boas e fizeram (e ainda fazem) muito sucesso. Algumas ficaram marcadas como temas dos personagens. Há quem diga que o jamaicano Jimmy Cliff tenha feito “Peace” especialmente para a novela. Procurei informações a respeito, mas nada foi comprovado. O certo é que a música é linda e de alguma forma, deixou a vilã Débora ainda mais interessante. "Set Adrift On Memory Bliss" do P.M. Dawn abre o disco trazendo um sample da clássica “True” do Spandau Ballet e ilustrava as paisagens cariocas. Alváro se encontrava com Helena ao som contundente de Michael Bolton com "When a Man Loves a Woman". E "Set The Night To Music" com Roberta Flack & Maxi Priest pontuava as cenas do bom moço, Mário, eternamente apaixonado por Helena. Curiosamente, a baladinha gospel da cantora Martika, “Love… Thy Will Be Done", serviu como tema do esquentado Zé Diogo.

Você, que está lendo esse texto, pode até não gostar, mas a música principal desse disco e da novela, é, sem dúvidas, "Theme From "Dying Young", do Kenny G., tema do filme homônimo lançado no mesmo ano, e aqui, na novela, tema de Helena. Há quem odeie, mas de alguma forma, o lamento saxofônico embala com exatidão os dramas da personagem.

Ainda há músicas interessantes que ainda não foram executadas na novela (até então), como a poderosa "Miles Away" da banda Winger e "Caminando Por La Calle" do Gipsy Kings, ainda que, essa última, em ritmo cigano, esteja descontextualizada da novela.

Enfim, as trilhas de FELICIDADE, como sempre, embalando os personagens e suas histórias na telinha e, também, a nossa vida e memória afetiva. 
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“ ENCONTRAMOS A FELICIDADE QUANDO TEMOS CORAGEM PARA RECOMEÇAR”
Por Raphael Ramos

Maitê Proença dando vida a uma das mais interessantes Helenas
Poucas tramas conseguem ser fiéis ao nome que elas carregam ao longo de mais de 100 ou 200 capítulos. ”Felicidade” conseguiu, não apenas ser fiel nisso como também conseguiu prender o telespectador pela qualidade de sua trama, pelos personagens bens construídos e pelo capricho do autor e colaboradores em ter a percepção que todos os personagens mereciam ter uma história do início ao fim, sem falar no desafio que é manter um ibope no horário das 18 horas sendo uma novela exibida numa época onde a internet não era uma febre.

Eu tenho tantos e inúmeros motivos para agigantar essa obra porque a vejo como excelente em vários ângulos. A cada ângulo chamarei por FELICIDADE não só pelo motivo do título da obra, mas pelos êxitos atingidos sob vários aspectos. São eles: FELICIDADE AUTORAL, FELICIDADE ARTÍSTICA, FELICIDADE CULTURAL E FELICIDADE PESSOAL (o momento crítico e pessoal que eu vivia na época com apenas 10 anos de idade).

Na minha modesta opinião, a década de 90 foi a mais inspiradora para Manoel Carlos. As melhores tramas do autor se concentram nestes anos e FELICIDADE foi a melhor no meu ponto de vista. O meu gosto geralmente não acompanha o gosto popular, quando se fala em Manoel Carlos muitos citam “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas”, etc. A trama em questão não se passa no Leblon e possui uma agilidade bem peculiar de cada capítulo. Ela se divide em duas fases bem definidas, personagens que começam, se desenvolvem e terminam sua história, locações diversificadas como o bairro Peixoto em Copacabana, a fictícia Vila Duília no Engenho Novo e a primeira fase que se passava na fictícia Vila Feliz no interior de Minas Gerais. Manoel Carlos, ao lado de Elizabeth Jhin, Marcus Toledo e Eliane Garcia, prendiam a atenção de adultos e crianças cada vez que a tela congelava na última cena e o arco-íris finalizava o capítulo. As cenas na praça Peixoto, a escola das crianças, a igreja de Chico Treva, a vila do subúrbio davam ar de realidade e de cotidiano ao telespectador. Isso é uma FELICIDADE AUTORAL. Poucos autores como Maneco sabem fazer.

FELICIDADE ARTÍSTICA era ver tantos atores maravilhosos defendendo bem seus personagens. Apesar da trama estar sempre em volta dos desencontros de Álvaro (Tony Ramos) e Helena (Maitê Proença) muitas vezes provocados pelos próprios e milhares de vezes bloqueados pela mimada Débora (Vivianne Pasmanter), as tramas paralelas nunca foram sufocadas pelos protagonistas. Eu destaco alguns aspectos que me fazem admirar a trama:

- A segunda Helena de Maneco após dez anos de jejum é construída de muitos defeitos que a fazem querida e forte para o público. Sustenta mentiras, egoísmos, egocentrismos, forte no que quer e na criação da filha, mas fraca ao enfrentar os obstáculos do amor. Helena ama Álvaro, mas se ama infinitamente primeiro e isso é louvável para a mocinha de uma teledramaturgia.

- O personagem da antagonista Debora que foi brilhantemente defendido pela novata Vivianne Pasmanter que se superou em talento. Debora é uma mulher insegura, vingativa, mimada, fraca e que despertava tanta raiva que chegava a dar pena das insanidades cometidas.

Laura Cardoso em cena com Ester Goes
 - Quero destacar o carisma de Cândida (Laura Cardoso), uma avó que dava vontade de encher de beijos, suas cenas são lindas e cheias de carinho. Cândida era uma mulher rica e simples como o ser humano deveria ser, comedida em fofocas, mas sabia dizer a verdade diretamente doa a quem doer.

- Destaque para Ametista (Ariclê Perez), o melhor personagem da atriz em novelas. Uma mulher seca, amarga e que nunca é emoção, pois tem motivos pra ser só razão, religião e tradição. As cenas são ricas e densas quando nos colocamos no lugar de uma mulher que lutou com simplicidade para ter seu canto junto a terra e teve que abrir mão de tudo, segurar as loucuras do marido, teve que ver todo seu sonho em dançar e tudo que construiu se desmoronar ao ponto de dividir um cômodo de favor com amigos.

Bia (Tatiane Goulart) e Alvinho (Eduardo Caldas): sucesso na época
 - Destaque para o núcleo infantil em cenas tão singelas, leves e contagiantes. Esse foi o sucesso para a trama também conquistar o público infantil. O amor incondicional de Bia (Tatyane Goulart) e Alvinho (Eduardo Caldas) estava acima de qualquer desavença de seus pais, sem falar da música-tema e da amizade da amiga Bel (Aline Menezes) que deu um toque ainda melhor para o núcleo. 

A exuberante Sandra Brea em cena com Viviane Pasmanter, Ary Coslov e Tony Ramos
- Vale ressaltar o meu amor pela impagável Rosita (último personagem de Sandra Bréa numa novela inteira). Apesar do personagem ser escada para vilã e não ter muita trama, as cenas de Rosita são marcantes e marcadas pelo exagero da fala, da gesticulação, do alto astral. Parece que você vê a novela toda pelo mesmo tom, mas quando Rosita aparece o som aumenta, a alegria contagia o capítulo.

  A novela tem um toque muito importante chamado ANÍBAL MACHADO. O escritor é usado como fonte de inspiração pelo autor pra construir tramas e personagens. É onde entra a FELICIDADE CULTURAL. É importante dizer que os contos foram livremente baseados e adaptados. A fonte de inspiração e o autor possuem algo em comum: falar de temas densos em diálogos leves e personagens conflitantes. Confesso que o primeiro chamariz a me fazer ver a novela lá em 1991 foi ter lido para escola o conto “O piano”. Pontuarei esse conto e alguns que norteiam a novela:

- O conflito de João do Piano (Sebastião Vasconcelos) em não conseguir vender seu piano por já ser peça em péssimo estado de conservação, mas estimado por ser relíquia de família. O instrumento se torna um fardo quando a filha Selma (Ana Beatriz Nogueira) resolve se casar com Luiz (Bruno Garcia) e não tem onde deixar o piano. O dilema perdura por muitos capítulos até que João se sente um estorvo ao lado do piano e resolve dar fim a sua vida se afogando com o piano no meio da praia de Copacabana. Essa é uma das cenas fortes da novela que eu jamais esquecerei.

- O próprio protagonista Álvaro é atormentado pela acusação de matar por engano em Vila Feliz um menino chamado Zeca Ventania que ele vê em seus pesadelos ou em momentos de perigo. (No conto original chamado “O iniciado ao vento” o menino se chamava Zeca da Curva e a novela livremente promoveu algumas alterações).

Tuquinha Batista (Maria Ceiça): personagem inspirada em conto de Aníbal

- Dois contos norteiam a trama de Tuquinha Batista, personagem defendido com muito êxito pela novata atriz na época Maria Ceiça. Dona de um caráter forte e muito prestativa, Maneco reservou para a personagem o conto de Aníbal, “Monólogo de Tuquinha Batista”, quando a moça fala do amor que tinha pela zona norte e a resistência em não ir para a zona sul, mas principalmente no conto “A morte da porta estandarte” é que a personagem é traçada. Sua irmã Bel anuncia a sua morte através de um sonho. Na novela, Tuquinha era porta bandeira da G.R.E.S Estácio de Sá e é morta a facadas pelo ex namorado ciumento Tide (Maurício Gonçalves).Ótimas as cenas gravadas na quadra da escola.

- Vários outros contos são fontes de inspiração que criaram personagens: “Acontecimentos em Vila Feliz” serviu de inspiração para os personagens Mario (Herson Capri), Zé Diogo (Marcos Winter) e Chico Treva (Edney Giovenazzi), o horripilante e mudo ogro que não fazia mal a uma formiga. O conto “Tati, a garota” foi a base para o relacionamento entre mãe e filha de Helena e Bia e o conto “O telegrama de Ataxerxes” foi pano de fundo para o sonhador, falido e inconsequente Ataxerxes (Umberto Magnani).

  Gostaria de terminar essa longa avaliação pessoal declarando que além de todos esses motivos que tenho para aplaudir de pé a novela, ainda existe um motivo mais forte: a FELICIDADE PESSOAL. Minha mãe foi a responsável por me fazer gostar de TV e junto com ela eu comecei a ver novela em “Livre para Voar” – 1984. “Felicidade” foi a última novela que nós vimos juntos antes da sua partida precoce. Se em 1984 ela me convenceu a ver a primeira, eu a convenci a ver essa última comigo.

  Em meio a preparativos da festa de 15 anos da minha irmã, eu puxava a senhora Maria Aparecida para sentar-se comigo na sala e ganhar seu tempo de seis às sete. Muitas vezes eu ouvia ela dizer que a festa da minha irmã era a última coisa que ela gostaria de fazer em vida pois já sabia que andava bastante doente, muitas vezes ela relutava em ver comigo para agitar os preparativos, mas eu percebia que ela pensava duas vezes e vinha ficar ao meu lado, vejo hoje que ela agia como se tivesse me fazendo companhia pela última vez!

  Nos últimos capítulos da novela ela já se encontrava debilitada, mas fomos juntos até o fim da trama. Lembro que não conseguia ver quando sua reprise foi ao ar por lembrar dela doente ao meu lado, mas sem perder a força, a alegria e seu amor. Ela me deu a base para eu entender hoje o que é ter Felicidade. Felicidade não é um estado de espírito que conseguimos manter o tempo todo, mas é a certeza de que problemas, decepções e tristezas virão e eu serei atingido, mas não me deixarei abalar. A gente levanta e não se faz de coitado! Sorrio pra curar a dor! Termino com o trecho da música da trilha da novela “Estrela Amiga” (grupo Ping Pong), trecho esse que ela cantava pra mim: “Eu tenho tanto que sonhar, cada vez eu sonho mais, quem tem a sua estrela amiga, sonha (dorme) em paz...”
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Wesley e o melão. Rapha e eu curtindo o carnaval: será o desfile de Tuquinha Batista?



E você, o que mais curte em "Felicidade"? Deixe seu comentário! 
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