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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dossiê “Dancin’Days”: a novela que fez o Brasil dançar!




Confesso que estava um pouco receoso quando comecei a assistir ao box da novela “Dancin’Days”. Embora soubesse que a novela tinha sido um estrondoso sucesso, um dos maiores até hoje, temia que ela não resistisse a uma exibição nos “frenéticos”, cibernéticos e imediatistas dias de hoje, já que vivemos em outro ritmo de vida e praticamente tudo mudou desde os longínquos anos 1978, que já eram pra lá de “frenéticos” (com trocadilho - risos). Mas já no primeiro DVD, esse receio já foi se desfazendo e me deparei com uma história deliciosa, um texto moderno, inclusive para os dias de hoje. Claro que o ritmo das telenovelas atuais é outro, mas um bom texto e boas atuações resistem ao tempo e foi uma delícia embarcar na rotina daqueles personagens moradores de uma Copacabana que não existe mais, dividida entre a tradição e a modernidade. Me diverti muito com as diferenças linguísticas e do modo de vida comparados com a época atual. Imaginem que, naquela época, era um problema uma mulher ir ao cinema sozinha ou na companhia de outras amigas. Assim como a maioria do elenco, também deu vontade de cair na dança nas cenas de discoteca. Falando em elenco, atuações irrepreensíveis de todos. Lidia Brondi novinha, mas já com um talento descomunal, com uma naturalidade que poucos conseguem emprestar ao personagens. Lauro Corona, uma imensa e eterna saudade sempre! Gloria Pires, também um talento ascendente, que viveu uma das personagens mais mala-sem-alça da história das telenovelas (junte todas as chatinhas “manequianas” que elas não serão páreo para a chatice de Marisa), já dando provas da grande estrela que se tornaria futuramente. E um elenco de veteranos dando um show à parte (destaco uma cena emocionante entre Mario Lago e Lourdes Mayer, cujas lágrimas falavam mais que qualquer palavra). 


Mas tudo isso será dito com mais detalhes pelos nossos dois blogueiros convidados, que aceitaram gentilmente o convite do melão para falarem sobre a novela. Quis que fossem de gerações diferentes para mostrar que uma boa trama conquista qualquer tipo de público: o jovem Diogo Cavalcante e o queridão Ivan Gomes, cujos textos vocês lerão em seguida.

Enfim, terminei de assistir ao DVD de "Dancin' Days" e cheguei à conclusão de que ele é a prova cabal de que uma novela, ao contrário do que dita o senso comum, nem sempre é imediatista e descartável e pode sim ser uma obra memorável. Arte pura! Gilberto Braga, aqui estreando no horário nobre pelas mãos do diretor geral Daniel Filho e com base em uma sinopse da mestre Janete Clair, sempre foi mestre em dar para os personagens a dimensão humana que faz com que nos identifiquemos com eles. A mocinha Julia não era tão santa e a vilã Yolanda nem tão megera. Confesso que tenho saudades de personagens tão bem construídos como esses. Dá até vontade de ter vivido aquela época. Já entra para a série "novelas que gostaria de ter escrito". Pra ver e rever sempre!




Passo agora a palavra para o queridíssimo Ivan Gomes, meu amigo-irmão, que já colaborou (formal e informalmente) inúmeras vezes para o melão, entendedor e apreciador de teledramaturgia como poucos. Ivan, de forma muito pessoal e afetiva, nos dá suas impressões sobre a novela após ter assistido ao DVD. Confiram:


Dançando com as feras

Por Ivan Gomes


 Não tinha idade em 78 para acompanhar a novela Dancin’ Days, de Gilberto Braga, e graças a maravilhosa ideia da Globo Marcas de lançar em DVD novelas antigas, pude acompanhar de fato essa obra e agora que terminei de assisti-la, posso concordar com tudo o que falavam sobre ela! É uma novela maravilhosa, com um texto absolutamente primoroso e com personagens críveis e coerentes. A atmosfera disco da trama é absolutamente arrebatadora. Em DVD foi impossível parar de assistir às cenas de inauguração do Club 17 e principalmente do Dancin’ Days na volta de Júlia, deu vontade de estar la! Assim como se lê sobre a época que as pessoas iam na verdadeira Dancin’ Days, no morro da Urca, em 78, na esperança de encontrar os personagens da novela e viver um pouco desse universo tão charmoso. Uma coisa interessante é que uma novela com um tema tão aparentemente jovem tenha em seu elenco tantos atores maduros, como Mario Lago, Lourdes Mayer, Ary Fontoura, Gracinda Freire, Cleyde Blotta, José Lewgoy (todos ótimos), mas que na verdade tinha muito a ver com a temática moderna da época, principalmente no personagem de Mário (Alberico) um grande saudosista ante as novidades que surgiam.

Joana Fomm: irrepreensível como a vilã Yolanda Pratini

Muitos personagens são deliciosos: a cara de pau de Yolanda (Joana Fomm, maravilhosa) a super amiga de Júlia, Solange (Jaqueline Lawrence) que tem momentos ótimos, com sua metralhadora verbal da verdade, a complicada Áurea (Yara Amaral) e a cabeça-boa jovem e ‘’transada’’ Verinha (Lídia Brondi), desde iniciante, arrasadora! Alias as gírias da época são um divertimento à parte. Eu particularmente adoro, justamente porque perderam o sentido que tinham, como, por exemplo, ‘’transar’’ que na época significava tudo que se fazia: transar uma conversa, transar um carro, transar uma roupa...

Lídia Brondi e Gloria Pires: talentos em ebulição

E Sonia Braga , a protagonista, estava soberba. A fase em que a personagem volta da Europa, super estrela, bancada pelo personagem Ubirajara (Ary Fontoura) para mim foi deliciosa, tanto que acabei nem torcendo pelo casal Julia / Cacá (Antonio Fagundes) por mim ela continuaria daquele jeito!

Foi bom ver uma dramaturgia correta, coerente em que o sucesso só a fez melhorar, cenas longas de introspecção de personagens, hoje impossíveis de serem feitas novamente, devida a impaciência de parte do publico de hoje, mas que ajudam a o telespectador a entender melhor a ação dos personagens, coisas de um autor que sabia o que estava fazendo. Dancin’ Days é sem dúvida uma novela que mostra que a nossa dramaturgia é a melhor do mundo e que já teve dias melhores.
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 Muitíssimo jovem, Diogo Cavalcante, de apenas 17 anos, foi outro que foi fisgado pelo irresistível folhetim de Gilberto Braga. Sempre com observações inteligentes e espirituosas através do seu twitter (@diogo_cc), este jovem estudante de Recife e noveleiro inveterado, além de nos brindar com ótimas montagens que estão ilustrando esse post, também compartilha conosco suas impressões sobre a novela. Obrigado, querido Diogo, e volte sempre. Melão está às ordens!  


Novelão Macabro! - Essa expressão define Dancin’ Days

Por Diogo Cavalcante


 Por muito tempo a novela, com exceção de quem acompanhou na época, foi injustamente lembrada pelo grande púbico apenas pela discoteca.  Recentemente terminei de assistir ao Box lançado pela Globo todinho. Sinceramente? Apaixonei-me pela obra.

Gilberto Braga – mesmo que diga que não entende como pode ter feito sucesso- estreou com o pé direito no horário das 20h naquele ano de 1978.



O que falar de Júlia Matos? A heroína que luta por sua reintegração na sociedade e pelo amor da filha Marisa. Sofre ao procurar emprego, sofre com a raiva da irmã Yolanda, sofre com o preconceito enfrentado em razão de seu passado... Uma mocinha clássica... Porém, depois de sofrer tanto, viaja para o exterior com o auxílio de Ubirajara (Ary Fontoura), seu admirador e Solange (Jaqueline Laurence). Quando retorna... UAU! Agora segura de si e remodelada, volta com tudo, dando um show na inauguração da boate “Dancin’ Days”, deixando Yolanda e Marisa com a “cara na poeira” (perdoem-me a frase rs). Ótima atuação da Sônia Braga.

Sonia Braga: a protagonista Julia Mattos em dois momentos da novela.

E o Cacá (Antônio Fagundes)? Mocinho que de herói não tem nada. Frágil, inconstante, inseguro, se apaixona por Júlia no primeiro encontro dos dois - o atropelamento de um cachorro. Uma cena nada romântica rs - romance esse que teve várias idas e vindas, mas, no final dá tudo certo.

Antonio Fagundes deu vida ao mocinho Cacá

Yolanda Pratini (Joana Fomm), uma interesseira. Começa rica e casada, porém se separa do marido e dia após dia amarga a decadência, chegando a fazer empréstimo para organizar um jantarcom o objetivo de “manter as aparências” perante a sociedade. Com o tempo, a ficha vai caindo pra Yolanda, e ela vira “pessoa de bem”, se é que me entendem.

Marisa (Gloria Pires): egoísta e mimada 

Marisa (Glória Pires) nos dias de hoje seria uma nova Eduarda de Por Amor. Há momentos que ela conseguia me deixar com uma raiva tão grande... Marisa chega até a sentir recalque da amiga Verinha, quando esta vira modelo fotográfica. Após “quebrar a cara” ao procurar o pai biológico, cai em si e faz as pazes com Júlia. Cena bem emocionante!
Bem, esses quatro personagens sempre têm destaque quando se fala da novela... Mas tem vários outros que merecem ser lembrados. Vou citar alguns deles.

Seu Alberico, interpretado pelo grande Mário Lago, um senhor que já teve muito prestígio no passado, mas que hoje não tem a mesma condição financeira. Vive sonhando alto, fazendo a família sofrer, principalmente a filha Carminha (vivida pela lindíssima Pepita Rodrigues) que vive tendo que se desdobrar pra pagar as dívidas que o pai faz. Finalmente, na conclusão da novela, ele abre uma casa de shows do jeito que ele gosta – com muito glamour e requinte.

Áurea (Yara Amaral) é outra personagem que merece ser destacada. Dizem que ela foi inspirada na mãe do Gilberto Braga. Uma mulher fútil, insegura, preconceituosa... Ao perder o marido, entra em estado depressivo, e quando descobre que o homem com quem ela estava saindo é casado, tem um surto. Ao final da trama ela recupera a saúde mental e muda seus conceitos.

Trio de peso: os soberbos e saudosos Mario Lago, Yara Amaral e Claudio Correa e Castro

E o Franklin (Cláudio Correa e Castro). Casado coma ciumenta Celina (Beatriz, ou melhor, Beatrix Segall como foi creditada na abertura), ele vai apaixonando-se com o tempo por Carminha. Num acidente de carro, Celina morre e, assim, fica livre para namorar a moça. Porém, uma carta - denúncia deixada por Celina cai nas mãos de Neide, empregada obcecada pela patroa, vivida por Regina Vianna. Tempos depois, a carta para nas mãos de Carminha, que, horrorizada com o que leu, rompe em definitivo com Franklin.

Quanto à trilha sonora, pode-se dividir em músicas “normais” e músicas da discoteca. Das “normais” cito “João e Maria” de Chico Buarque, música que mais me chamou a atenção e da qual gostei muito. Caiu como uma luva para o romance jovem entre Marisa e Beto.

Algumas coisas me chamaram a atenção... Como a “modernidade” de Julia em plena época de censura – ainda que tenha sido no período da concessão da Anistia - e o consumo excessivo de cigarros... Cheguei a contar uns 10 na mesma cena...

Desculpem se o texto ficou falho, trash, didático, chato... Mas é apenas a humilde opinião de um jovem apaixonado por novelas... E que faz coro com quem aplaude essa magnífica obra. Dancin’ Days é um novelão macabro. Obrigado ao queridíssimo Vitor pela oportunidade \o/

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Obrigado, queridos! Sei que depois desses textos maravilhosos, todo mundo ficou com vontade de assistir a "Dancin' Days", não ficaram? 

LEIA TAMBÉM: 

Blogueiro convidado: Ivan Gomes reverencia Ivani Ribeiro





sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Em 2011, o melão preferiu...


Ø  HORÁRIO ENCANTADO




ü  O horário das seis trouxe duas excelentes novelas. A primeira delas, “Cordel Encantado”, foi um sopro de criatividade ao unir, de forma genial, dois universos aparentemente distintos: o cangaço do sertão e a corte europeia. As autoras Duca Rachid e Thelma Guedes construíram um conto de fadas romântico, mas ao mesmo tempo irreverente e sedutor, com a cara do Brasil. Com elenco afiadíssimo e direção primorosa, o resultado não podia ser outro: a novela caiu nas graças do público e deixou saudades.



ü  Depois do desbunde visual e criativo de “Cordel Encantado”, veio “A vida da gente”, da estreante Lícia Manzo com a difícil missão de manter o sucesso de sua antecessora e conseguiu. Ao contrário da despretensão de “Cordel Encantado”, o que temos visto é um novelão dos bons, sério, denso, incomum para o horário, digno de novela do horário nobre. A trama adulta e a ausência de núcleos cômicos e vilões caricatos, tão típicos do horário, não foram empecilhos para que a novela caísse no gosto popular. Com um texto primoroso, uma trama apaixonante e um trio de excelentes jovens protagonistas que vem dando um show a cada capítulo, a novela vem ganhando elogios desde sua estreia. Destaque também para as irrepreensíveis atuações de Ana Beatriz Nogueira, Gisele Froes e Nicete Bruno. Enfim, uma novela que não menospreza a inteligência do espectador e surpreende a casa capítulo, fugindo do maniqueísmo e de soluções fáceis ao contar a trama do jovem dividido entre duas irmãs. Dá gosto de ver.


Ø  AGORA É QUE SÃO ELES, OS VILÕES

Gabriel Braga Nunes, que deu vida ao maquiavélico Léo de "Insensato Coração"

Pedindo licença pra usar o título do blog amigo, mas em matéria de vilania, esse ano foi dos homens. Em “O astro”, tivemos atuações magistrais de Marco Ricca e Humberto Martins, que como Samir e Neco, fizeram de tudo para infernizar a vida de Herculano Quintanilha, mas que divertiu o público com altas doses de ironia e sarcasmo; em “Fina Estampa”, Alexandre Nero chega a dar raiva de tão asqueroso é seu Baltazar; e em “Insensato Coração”, Gabriel Braga Nunes simplesmente arrasou como o charmoso, cínico e dissimulado Léo, um personagem cheio de nuances que o ator soube defender de forma genial.

Ø  RAINHAS DO DRAMA



ü  Se por outro lado, os homens arrasaram na vilania, as mulheres arrasaram no quesito “drama”. Intensas, apaixonadas, loucas... elas ultrapassaram o limite do bem e do mal e se mostraram assustadoramente humanas e ricas dramaturgicamente. E nesse carrossel de emoções, ninguém superou Clô Hayalla. Passional ao extremo, Clô Hayalla mudava de temperamento de acordo com seu penteado e só mesmo uma atriz com o talento “monstro” de Regina Duarte seria capaz de interpretá-la. Inteligentíssima, La Duarte imprimiu uma marca tão forte que não conseguimos imaginar outra Clô se não a dela. Na contramão dessas emoções, Rosamaria Murtinho fez um contraponto perfeito com Regina e, dentro da contenção de gestos e sentimentos da sofrida Tia Magda, a atriz foi absolutamente soberba, emocionando o público com uma precisão milimétrica. As sequências finais de sua personagem conseguiram arrancar lágrimas de todos, não só pela bela maneira com a qual interpretou o texto, mas também pela coragem de se mostrar de cara limpa. Foi, sem dúvida, o melhor papel de Rosamaria em anos.



ü  Também não posso deixar de mencionar as incríveis atuações de Cássia Kis Magro, que fez de sua mãe coragem a razão de ser de “Morde &Assopra”, comédia das sete em que, ironicamente, o drama roubou todas as cenas.



ü  E o que dizer do “Insensato Coração” de Norma (Gloria Pires)? Para muitos, o grande motivo para se assistir à novela. Uma personagem que foi sendo construída no decorrer da novela com maestria pelos autores e que propiciou mais um show de interpretação de Gloria Pires. Mesmo com atitudes pra lá de questionáveis, o público se apaixonou por Norma e torceu por ela até o fim. Nem santa, nem megera, mas sim uma vítima das circunstâncias. Uma das cenas que mais definiu a enorme dimensão humana da personagem foi a da morte de Teodoro (Tarcisio Meira), quando Norma se arrepende do que fez e chora desesperada no leito de morte do marido. O desfecho trágico de Norma era inevitável, mas mesmo assim Norma conseguiu se vingar de Léo (Gabriel Braga Nunes), seu grande objetivo na trama. Mais um grande momento de Gloria Pires, colecionadora de inesquecíveis personagens em nossa tevê.

ü  E por fim, um duelo de peso em “A vida da gente”, entre duas mulheres fortes, dominadoras, determinadas e, por vezes, muito cruéis: Eva e Vitória, vividas respectivamente por Ana Beatriz Nogueira e Gisele Fróes. E aqui também há um contraponto interessante, pois enquanto a loucura e a obsessão de uma é totalmente motivada pelo amor, a outra age com uma frieza e aparente total ausência de sentimentos. Personagens complexos defendidos com garra por duas grandes atrizes.

Ø  LILIA, A CAMALEÔNICA


Já virou praxe por aqui destacar o talento de Lilia Cabral. Quem diria que a romântica e feminina Mercedes da série “Divã” e a masculinizada e lutadora Griselda de “Fina Estampa” podem ser vividas por uma mesma atriz? Pois Lília é dessas atrizes raras, que transitam em qualquer universo e desempenham lindamente papéis diametralmente opostos. E depois de quase três décadas de carreira televisiva e ótimos serviços prestados, Lilia finalmente chegou ao patamar que merece: o posto de protagonista absoluta do horário nobre. E isso é motivo o suficiente para comemorar. Que venham muitas outras heroínas. E viva o talento reconhecido!



Ø  HUMOR EM DOSE DUPLA



ü  No quesito humor, parece que esse foi o ano das duplas. Destaco, pelo menos, três, que me divertiram bastante no decorrer do ano. Janete e Valéria, vividas pelos impagáveis e talentosíssimos amigos Thalita Carauta e Rodrigo Sant’anna, donos absolutos da cena do “Zorra Total”, que conseguiram a proeza de despertar gargalhadas gerais, das classes A a E, não tem quem não tenha rido e admirado essa dupla em 2011. Sei que é só o começo, pois talento os dois têm de sobra.



ü  Outra dupla que me divertiu demais até antes de entrarem em cena (porque quando lia os capítulos, já os imaginava encenando e ria sozinho aqui em casa) foram os divertidíssimos Cleiton e Pablo, vividos pelos queridos Frank Menezes e Pablo Sanábio, que fizeram misérias no salão “Penha Fashion” e sempre quebravam o constante clima de tensão de “O astro”. A cada aparição da dupla, uma enxurrada de elogios no Twitter. Juntos ou separados, espero ainda rir e me emocionar com os dois por muitos e muitos anos.



ü  Por fim, Sueli (Andrea Beltrão) e Fátima (Fernanda Torres) abusaram do humor popular de “Tapas e Beijos” e conquistaram o público. O talento dessas duas não é novidade pra ninguém, mas vamos combinar que juntas foram sensacionais, sobretudo La Beltrão, que foi além da graça e soube humanizar Sueli na dose certa, fazendo com que todos torcessem por ela. Grande atriz de múltiplos recursos. E que venha a segunda temporada.

Ø  E O PRÊMIO “COMO NÃO AMAR?” VAI PARA...



A impagável Tia Neném, vivida por Ana Lúcia Torre? Escalada apenas para a primeira parte de “Insensato Coração”, a personagem caiu nas graças do público e seguiu até o fim. Fofoqueira, interesseira, maldosa, hipocondríaca e dissimulada, Tia Neném praticava pequenas maldades em proveito próprio. Uma intriguinha aqui, outra ali e pronto: o circo já pegava fogo e ela assistia a tudo de camarote. A mais completa tradução do ditado “parente é serpente”. Quem não tem ou não conhece uma tia Neném?

Ø  HOT, HOT, HOT...



Nesse quesito, sorry, não tem pra ninguém: só deu “O astro”, que trouxe de volta as cenas quentes que estavámos acostumados a ver nas novelas nos ótimos tempos pré-politicamente corretos. É fato que chocou alguns adolescentes caretas que não foram acostumados a isso (esses moços, pobres moços...), mas que agradou a maioria e matou a saudade dos tempos em que as novelas tinham mais liberdade. Vários casais protagonizaram ótimas cenas como as fantasias sexuais de Neco e Beatriz (Humberto Martins e Guilhermina Guinle); o tigrão Samir e sua coelhinha Valéria (Marco Ricca e o furacão Ellen Rocche) e o amor por muitas vezes voraz e desesperado de Márcio e Lili (Thiago Fragoso e Alinne Moraes). Mas nenhum casal mexeu tanto com nossos hormônios como Herculano e Amanda (Rodrigo Lombardi e Carolina Ferraz). Há tempos não tínhamos um casal protagonista com uma química tão forte, que já se manifestava no olhar. E foram tantas cenas fantásticas ao som de “Easy”, que vai ser impossível ouvir a canção sem se lembrar dos dois.

Ø  VALE A PENA VER E REVER DE NOVO

E no campo das reprises, o Canal Viva continua reinando absoluto. Um prazer ímpar rever minisséries de minha memória afetiva como “Anos Dourados” e “Anos Rebeldes” e também que ainda faziam parte de minha memória recente como “Labirinto”. O fenômeno “Vale Tudo” deu lugar a “Roque Santeiro” sem a mesma força, mas com grande entusiasmo. Foi bom também rever “Vamp” e, mesmo constatando que a novela ficou datada e que a trama não era tão boa assim, é sempre divertido revisitar o passado e relembrar uma novela que conquistou pelo inusitado. E pra melhorar, ainda reprisam “Top Model”, essa sim com uma trama maravilhosa e envolvente até hoje (o bom e velho melodrama é mesmo a base de tudo). E que maravilha ver Malu Mader no auge da beleza, Maria Zilda com seu habitual tipo femme fatale e Zezé Polessa como uma espécie de Zelda Scott balzaquiana. E o melhor elenco adolescente que uma novela já teve com destaque para Gabriela Duarte, Carol machado, Rodrigo Penna, Marcelo Faria e Adriana Esteves no auge da puberdade. Estou voltando no tempo, meus pelos pubianos até estão crescendo novamente... (risos).

Ø  ENQUANTO ISSO, NA TV FECHADA...



Não perco um episódio de “Oscar Freire 279”, o endereço mais bafônico de Sampa. A série do Multishow, escrita por Antonia Pellegrino e Julia Spadaccini, dirigida por Márcia Faria, consegue driblar o baixo orçamento e garantir ótimos momentos, fugindo de clichês ao contar a história de Dora (a ótima Livia de Bueno), jovem arquiteta que vai pra São Paulo se tornar florista e acaba virando garota de programa. Sem julgar e nem fazer apologia, a série se passa quase que inteiramente em um único cenário, onde se desenrolam os dramas dos personagens e cenas pra lá de calientes. Destaque para Maria Ribeiro, ótima como a garota de programa experiente, espécie de mentora de Dora e, nos episódios mais recentes, quem brilhou foi a excelente Carla Ribas, no papel de Cíntia, mãe de Dora, uma espécie de “desperate housewife” que se redescobre no endereço em questão. A série continua em 2012 e a julgar pelos ótimos ganchos que fecham cada episódio, ainda promete muitos acontecimentos surpreendentes.

Ø  MINHA PEDRA É AMETISTA!


    Por motivos óbvios, sei que sou totalmente parcial sempre que falo de “O astro”, mas como esse blog é subjetivo mesmo e também não estou sozinho nos elogios, me sinto mais que à vontade para destacar esse projeto, que é mais do que especial em minha vida. Além de colaborador, também fui, de certa forma, espectador, pois sempre que recebia a escaleta ou o capítulo pronto dos autores, vibrava com cada cena, com cada gancho e, como qualquer telespectador, ficava ansioso pelos próximos acontecimentos. A novela das onze trouxe de volta o bom e velho gancho, imprimiu um novo ritmo (que causou certa estranheza), mas manteve o texto no melhor estilo folhetinesco e melodramático. Os autores, Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, foram absolutamente fiéis ao estilo apaixonado e apaixonante da mestra Janete Clair e tenho certeza de que, mesmo se não estivesse envolvido no projeto, seria um espectador fervoroso. Seria deselegante destacar alguma atuação do elenco e também injusto, pois todos estiveram ótimos. Por isso, destaco três cenas que me levaram às lágrimas: imagens da maravilhosa Dina Sfat, a Amanda da versão original, quando Ferragus (Francisco Cuoco) se lembra de um grande amor do passado, o velório de Natal (Antonio Calloni) e a morte de Jôse (Fernanda Rodrigues). Pra mim, três momentos, dentre tantos inesquecíveis, que merecem entrar para a antologia das grandes cenas das telenovelas de todos os tempos. Já estou morrendo de saudades e, para sempre, minha pedra será ametista!

Jôse (Fernanda Rodrigues) no leito de morte: emoção à flor da pele.


O velório de Natal emocionou o público e o elenco

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Agora, o melão quer saber? O que vocês preferiram em 2011?

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Leia também:

Em 2009, eu preferi....






sábado, 10 de dezembro de 2011

Série Memória Afetiva: AS EMPREGADAS FAVORITAS DA FICÇÃO.





Para marcar a estreia do novo banner do melão, decidimos homenagear essas lindas. Elas não podem faltar em qualquer novela. Podem tanto ser a razão de ser produções em “Sem lenço sem documento” (1977), de Mario Prata e em breve em “Marias do Lar”, próxima novela das sete, quanto entrarem mudas e saírem caladas. As mais falantes e participativas, sem dúvida, são as das novelas de Manoel Carlos. Podem ser cômicas, trágicas, bandidas, amigas, sérias, boazudas... o fato é que são indispensáveis. E como são muitas (lógico que muitas injustiças serão cometidas nesse post), resolvi dividir a autoria da lista com meu amigo Eddy Fernandes, parceiro antigo do melão, já que a ideia foi dele. Pedi para que ele escolhesse 5 de suas favoritas e depois complementei com as minhas 5. Vamos a elas?


AS PREFERIDAS DO EDDY



CONCEIÇÃO (MARIA ALVES) em Baila Comigo (1981): 



Impossível deixar de mencionar a primeira das adoráveis domésticas de Manoel Carlos. Como todas as suas sucessoras, Conceição estava sempre disposta a ajudar. Era confidente, conciliadora, amiga. O verdadeiro anjo da guarda da sofrida protagonista Helena (Lílian Lemmertz). A verdade é que muito do mérito da personagem se deve à sensível interpretação da saudosa Maria Alves, que impôs à Conceição um jeito meigo e divertido. Daquela pessoa que está na família há tantos anos que já se tornou parte de casa.


TELEVINA (KLEBER MACEDO) em A Gata Comeu (1985):


A musa de nós, noveleiros! Sem dúvida alguma, Televina formou o caráter da maioria! Lembro que quando assisti a reprise da novela em 2001, me senti absolutamente encantado com a presença de uma personagem viciada em novelas. Tinha pouco mais de nove anos de idade e aquilo era algo absolutamente novo para mim. Só pude ter a exata dimensão da personagem no início do ano, vendo a novela numa espécie de “Vale a Pena Ver de Novo” particular... rs! Televina não era mera ilustração. Tinha importância capital na vida dos patrões, os atores Rafael (Eduardo Tornaghi) e Tony (Roberto Pirillo). Era uma espécie de “mãe” para os dois rapazes. Além de, é claro, prestar uma homenagem ao folhetim eletrônico a cada capítulo com suas referências saborosas. Grande sacada da mestra Ivani Ribeiro, flertando com a metalinguagem.


GERMANA (ARACY BALABANIAN) em Da Cor do Pecado (2004): 


A fiel funcionária dos Lambertini era um “cão de guarda” sempre disposto a defender o patriarca Afonso (Lima Duarte) das armações da perigosa Bárbara (Giovana Antonelli). Apaixonada secretamente pelo patrão, Germana criou Paco (Reynaldo Gianechinni) como filho e foi cúmplice de Afonso na trama que separou o problemático herdeiro de seu irmão gêmeo, o irreverente Apolo, e de sua mãe biológica, a Mamuska Edilásia. Apesar das atitudes questionáveis do passado, Germana era uma figura doce e sensata. Sua afetividade é premiada antes do término da trama, quando finalmente realiza sua paixão por Afonso, casando-se com ele. A felicidade, no entanto, dura pouco, pois o empresário é assassinado pelo terrível vilão Tony (Guilherme Weber). A governanta, mesmo destroçada, não se abala, por ter a noção que é o grande estertor emocional daquela família. Grande personagem escrito por João Emanuel Carneiro, brilhantemente defendido pela nossa eterna dona Armênia.

SHEILA (PRISCILA MARINHO) em Caminho das Índias (2009): 

A espevitada personagem era a maior fã da patroa, a surtada socialite Melissa Cadore (Christiane Torloni) e sua maior cúmplice nos delírios e ataques de consumismo. Sheila esteve também muito presente durante o processo de avanço da esquizofrenia de Tarso (Bruno Gagliasso), o filho “perfeito” de Melissa. Apesar da tinta cômica, a autora Glória Perez soube manejar a doméstica inteligentemente, usando-a como “orelha” da fútil matriarca, que expunha finalmente um lado mais humano e menos plastificado. Ótima estréia de Priscila Marinho.




CLEONICE (VERA MANCINI) em Morde & Assopra (2011): 


A boquirrota serviçal passou grande parte dos capítulos sendo humilhada pela esnobe patroa Salomé (Jandira Martini) e sua filha, a vilãzinha Celeste (Vanessa Giácomo). Cleonice era uma verdadeira escrava. Lavava, cozinhava e ainda agüentava desaforos. É certo que, bastante linguaruda, sempre metia o nariz onde não era chamada. E mantinha uma relação de implicância velada com a avarenta Salomé. Mas uma jogada perspicaz do autor Walcyr Carrasco, levou Cleonice à forra. Ainda no meio da trama, Salomé, para não ter que decretar falência, se viu obrigada a transferir seus bens para a doméstica, acreditando que ela, ingênua, não lhe oferecia risco. Ledo engano. Influenciada por Élcio/Elaine (Otaviano Costa), Cleonice tomou um banho de loja e proporcionando a catarse dos espectadores, transformou sua algoz em empregada, fazendo-a sofrer as mesmas humilhações que lhe impunha. Não preciso nem dizer o quanto foi divertido acompanhar isso... rs! Vera e Jandira deitaram e rolaram em cenas hilárias.

AS PREFERIDAS DO VITOR



ZILDA (THALMA DE FREITAS) E LÍDIA (THALITA CARAUTA), de Laços de Família (2000) e Páginas da Vida (2006):

Empate técnico. Duas adoráveis representantes da nobre linhagem de empregadas de Manoel Carlos. Lídia e seu indefectível “Ô Donelena”, vivida pela talentosa Thalma de Freitas era adorável: companheira, conselheira e fidelíssima à patroa, segurava todas as ondas da casa, apagava os incêndios e mediava os conflitos entre Helena (Vera Fischer) e a filha Camila (Carolina Dieckmann) e desta última com a endiabrada Íris (Debora Secco). Tudo com muito dengo, doçura e um irresistível sotaque baiano.


Já Lídia (Thalita Carauta, muito anterior à babuína Janete do “Zorra Total”), conquistou o público pela desenvoltura e pelo carinho com o qual cuidava de Clarinha (Joana Mocarzel), filha da patroa Helena (Regina Duarte), portadora de Síndrome de Down. Em sua primeira novela, Thalita já demonstrava uma naturalidade impressionante e grande capacidade de improvisação, já que as cenas com Joana, muitas vezes, eram imprevisíveis. Atriz cômica de mão cheia, a personagem Lídia é uma prova da versatilidade de Thalita.



OLÍVIA (MARILU BUENO) em Guerra dos Sexos (1983)

Essa, literalmente, ficava no meio do fogo cruzado dos primos Charlô (Fernanda Montenegro) e Otávio (Paulo Autran). Claro que sobrou torta na cara pra coitada também. De personalidade reprimida, tinha momentos de lascívia ao pensar em Nando (Mario Gomes) e até chegou a trocar beijos com o galã. Muitos méritos para Marilu Bueno, que soube aproveitar a oportunidade e também se destacar em um núcleo repleto de grandes nomes. Impossível se lembrar da lendária novela sem incluir a atrapalhada Olívia.


LUCIMAR (MARIA GLADYS) em Vale Tudo (1988)

Outra que soube se destacar em meio a atuações titânicas. Como diarista, transitava em vários cenários e levava e trazia a fofoca entre eles. Seus comentários cheios de humor e ironia arrancavam gargalhadas do público. Sempre que cruzava com Fátima (Gloria Pires), a filha ingrata da patroa Raquel (Regina Duarte), lhe dizia poucas e boas. A coitada chegou a ficar entre a vida e a morte por causa de uma maionese envenenada, mas teve um final digno de estrela, ao se tornar milionária ganhando no jogo do bicho e se transformando numa espécie de Odete Roitman (Beatriz Segall) da classe C. Maria Gladys viveu outras empregadas e diversos tipos impagáveis, mas sua Lucimar se tornou emblemática na carreira da atriz.


MINA (ILVA NIÑO) em Roque Santeiro (1985)


Até hoje o grito tribal de Porcina (Regina Duarte), “Minaaaaaaaaa”, chamando pela serviçal, ecoa no imaginário do público. E como não amar essa criatura tão fiel, carinhosa e dedicada, apesar dos pontapés que levava da patroa? E se essa figura é vivida pela extraordinária Ilva Niño, o amor é elevado ao cubo. Mina talvez tenha sido a mais fiel e devotada das empregadas. Conhecia todos os segredos da patroa e a ajudava a se livrar das mais diversas enrascadas. E em determinados momentos, era a única a dizer verdades para Porcina de maneira hilária e sutil. Mina é um clássico que não pode faltar em qualquer lista.


NICE (GLORIA PIRES E SUSANA VIEIRA) em Anjo Mau (1976/1997)



A babá mais famosa do Brasil. Como vi pouquíssimas cenas da novela original de Cassiano Gabus Mendes de 1976, vou falar de mais uma atuação espetacular de Gloria Pires na nova versão da novela de 97. Insatisfeita com sua condição social e disposta a tudo para vencer na vida, Nice realizou várias armações para conquistar o coração do patrão Rodrigo (Kadu Moliterno), mas acaba se apaixonando de verdade por ele. Se na primeira versão, Nice não foi perdoada pelas suas artimanhas e foi punida pelo autor com a morte, na nova versão foi perdoada por Maria Adelaide Amaral, afinal não é crime algum uma pessoa querer um objetivo e lutar por ele. Na verdade, essa Nice começou a novela ambiciosa, mas foi se transformando, até se tornar boa e ética. Com isso, o posto de verdadeiro “anjo mau” da novela foi parar nas mãos da maquiavélica Paula (Alessandra Negrini em show de atuação). E a redenção de Nice vem acompanhada do amor de Rodrigo e do nascimento da filha do casal, Vitória. Susana Vieira fez uma participação afetiva no último capítulo como a babá substituta. Os tempos, de fato eram outros e a autora, sabiamente, soube acompanhar essa mudança.

MENÇÃO HONROSA: BÁRBARA (BETTY FARIA) em Duas Caras (2007/2008)

Mais do que uma empregada, Bárbara conhecia todos os segredos do patrão Marconi Ferraço (Dalton Vigh) e era a pessoa em que ele mais confiava na vida, sendo inclusive a responsável pela iniciação sexual do rapaz. Anos depois, permanecia cuidando de Ferraço como a mais fiel das gueixas e, quando foi ameaçada por Sílvia (Alinne Moraes), colocou a vilazinha em seu devido lugar, provando que antiguidade é posto. A cena em que Bárbara dá uma chave de braço em Sílvia, chamando-a de “diabinha” é uma das minhas favoritas da novela. Grande atuação de Betty em um papel aquém de seu talento. Vamos rever a cena?




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Sei que faltaram muitas e inesquecíveis representantes da classe. Por isso, o melão dá a palavra a vocês? Quais são suas domésticas favoritas da ficção?
  

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