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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Melão Express – ed. 20: POESIA, SÉRIES E UM TALENTO QUE DESPONTA.


Ø  POESIA DE TARCISIO LARA PUIATI AGITA IPANEMA



Meus queridos, é com muito prazer que convido a todos vocês a prestigiar na sexta, dia 12/07, na Livraria da Travessa, em Ipanema, o lançamento de RABIOLA, nova aventura poética de meu querido amigo e companheiro de escrita em “O astro”, Tarcísio Lara Puiati. O lançamento vai ser o máximo, com muita poesia, cultura, agitos, gente fina, elegante e sincera. Tatá arrasa, tanto em prosa, quanto em poesia.
Curta a fan page do livro e confira as orelhas virtuais de nomes como Antonio Calmon e Alcides Nogueira e também alguns poemas interpretados por Raphael Vianna, Thiago Mendonça, Pablo Sanábio, entre outros.



Esperamos todos vocês!


Ø  ÓTIMA SAFRA DE SÉRIES NO GNT

Depois da excelente “Sessão de Terapia”, o canal GNT, que vem surpreendendo com ótimas séries desde “Mothern”, vem como uma ótima e nova safra para todos os gostos, como “Copa Hotel” e “Surtadas na Yoga”. Mas minhas favoritas dessa leva são “3 Teresas” e “As canalhas”.



3 Teresas”, produzida pela Bossa Nova Films, acompanha paralelamente os acontecimentos da vida de avó, mãe e filha, as 3 Teresas do título, vividas pelas ótimas Claudia Mello, Denise Fraga e Manoela Aliperti. A série é uma criação de Luiz Villaça, Rafael Gomes, Sérgio Roveri, Leonardo Moreira e Carô Ziskind e conta sempre com um roteiro esperto, com diálogos espirituosos e trama que foge dos velhos clichês dos dramas femininos de sempre. Os assuntos recorrentes, como amor, sexo e conflitos familiares estão presentes, mas há sempre uma quebra de expectativa nos episódios que surpreende no final. As atrizes estão ótimas em cena e os personagens são muito bem construídos. Drama e humor na medida certa.


Já “As canalhas”, produzida pela Migdal Filmes, com roteiro de Anna Muylaert (que também assina a direção geral) e Carolina Castro e segue a fórmula de “As cariocas” e “As brasileiras” ao contar, a cada episódio, as peripécias de uma personagem feminina diferente, mas de uma maneira deliciosa e politicamente incorreta. São mulheres de idades e classes sociais diferentes, mas com uma característica em comum: são canalhas. Elas passam pelo salão de beleza de Marilyn (Zezeh Barbosa) e lá narram sua história para o público. Tem todo tipo de canalhice: mãe que rouba namorado da filha, cuidadora que explora idoso, mulher que troca o marido pelo cunhado e por aí vai... O elenco é ótimo: Monica Martelli, Carla Marins e Mel Lisboa são os nomes mais conhecidos, mas todas são excelentes. Todos os episódios são ótimos, repletos de um humor deliciosamente cruel. Impossível não amar e não torcer por essas adoráveis canalhas.

Ø  MELÃO APOSTA EM CLARICE ALVES: UM TALENTO QUE DESPONTA NO CINEMA.



Ela é uma atriz brasileira, mora em Madri há algum tempo e em menos de 1 ano, já desponta, com muito futuro, no cenário cinematográfico nacional. Neste período já fez o média "Entre Amores"- com roteiro e direção de Bruno Saglia; o curta "Estatísticas"- roteiro de Marcela Macedo e direção de Giuliano Nandi; será protagonista do longa "Diminuta", de Bruno Saglia- com Deborah Evelyn, Carlos Vereza e Reynaldo Giannechini e filmará ainda mais um curta-metragem ainda este ano. Claro que não vai demorar para a tevê descobrir o talento dessa linda atriz. Melão se antecipa e apresenta CLARICE ALVES! Vamos conhece-la melhor?

Melão - Quando surgiu seu desejo de ser atriz e como foi sua trajetória até a realização dos primeiros filmes? 
Clarice - Desde pequena eu queria ser atriz. Sempre adorei ver novelas, ir ao cinema e ao teatro. Sempre me interessei pelo trabalho dos atores e por tudo o que envolvia a produção dos espetáculos que assistia. Alugava filmes e depois assistia os making- offs e as entrevistas que podia. Um dia falei para a minha mãe que queria ser atriz e estudar para isso. Ela procurou cursos e me matriculou na Companhia de Artes Avancini. Lá, com 12 anos tive o meu primeiro contato com o palco e com a câmera. Desde então me apaixonei por essa profissão e tive certeza que era o que queria fazer. Mesmo estando a 7 anos fora do Brasil não parei de fazer cursos de interpretação e  de estudar. Me formei em assessoria de imagem e comecei a fazer faculdade de artes cênicas. Ano passado, enquanto estava de férias no Rio, conheci a Jackeline Barroso da agência Barroso Pires. Ela é agente de um amigo e hoje é a minha agente também. Ela conseguiu mostrar meu material para o diretor Bruno Saglia que me convidou para fazer um teste para o filme "Entre Amores". Passei! Para minha surpresa, após este teste, ele também me convidou para ser a protagonista (junto com Deborah Evelyn e Reinaldo Gianecchini) do seu próximo longa "Diminuta". Através da minha agente também consegui que o produtor Márcio Rosário visse meu material e me chamasse para participar do filme "Estatísticas".

Melão - Você participou de dois médias-metragens e ainda este ano filmará um curta, além do longa-metragem "Diminuta", no qual será protagonista. Como você explica este sucesso? 
Clarice - Gosto muito do que eu faço e por isso sempre procurei estudar e não deixar de fazer cursos, independente de onde estivesse. Ano passado participei do meu primeiro media com o diretor Bruno Saglia e foi uma experiência fantástica. Tive a oportunidade de estar com profissionais muito experientes, a quem sempre admirei como a Daniela Escobar e a Thaís de Campos. Procuro aproveitar o máximo meu tempo com todos eles porque cada trabalho é um grande aprendizado. Aprendo não só gravando como observando todos os profissionais que estão a minha volta. Enxergo cada trabalho como uma nova oportunidade de crescer como atriz e tento dar o meu melhor sempre.

Melão - O que te fez morar em Madri e o que te encanta na cidade? Tem vontade de voltar a morar no Brasil? 
Clarice - Fui para Madri com o meu marido pela sua profissão. Ele é jogador de futebol e foi vendido para o Real Madrid muito novo, quando tínhamos 17 e 18 anos. Nós mudamos para lá e já levamos quase 7 anos na cidade. Hoje em dia nos sentimos em casa em Madrid e temos um carinho enorme pela cidade. É um lugar maravilhoso, cheio de vida, com muitas coisas diferentes para fazer. Lá encontramos de tudo, parques lindos, restaurantes maravilhosos, espetáculos ótimos de teatro, lugares tranquilos, bairros alternativos com todo tipo de lojas, bares e pessoas. É uma cidade muito movimentada com muita energia e diversidade. Mesmo assim, tenho bastante vontade de voltar a morar no Brasil. Nosso povo e nossa cultura são únicos e é impossível não sentir saudades. Sempre que podemos vamos ao nosso país, seja de ferias ou a trabalho e aproveitamos o máximo possível.

Melão - Fale de sua expectativa para filmar "Diminuta", longa que você irá atuar com nomes conhecidos como Reynaldo Gianecchini, Daniela Escobar a Carlos Vereza. 
Clarice - Esse projeto é muito especial, um filme único. O roteiro do Bruno é maravilhoso, completamente inspirador e poético e ao mesmo tempo muito real. É uma historia sobre o mundo do jazz que vai conseguir reunir diferentes tipos de artistas. Poder estar dentro desta produção é um sonho. Tenho certeza que todos os profissionais estão muito empolgados de poder fazer parte deste filme. Eu ainda mais, por ter a chance de estar do lado de atores que são grandes referências no nosso país, a quem acompanho desde pequena em novelas e filmes. Sem dúvidas será uma experiência totalmente rica e inesquecível. 


Melão - Como está sendo sua preparação para compor as personagens de todos estes filmes? 
Clarice - Estou vendo filmes indicados pelos diretores para me aproximar ao máximo da ideia deles e da atmosfera de cada história. Leio o máximo de livros que posso que me ajudam na construção dos personagens. E estou aproveitando este mês de férias no Brasil para ter aulas de corpo e aulas mais específicas com a minha coach, Thais de Campos.

Melão - Você tem planos em trabalhar na televisão? Tem algum ator ou atriz que lhe sirva de inspiração?
Clarice - Tenho muita vontade de trabalhar na televisão. Adoro as novelas brasileiras e assisto desde criança.  Será um momento muito especial quando tiver a oportunidade de participar de alguma. Adoro os trabalhos da Meryl Streep, Angelina Jolie e Johnny Depp. No Brasil adoro ver a Adriana Esteves e a Claudia Abreu. Todos eles me inspiram muito.

Melão - Você costuma assistir às nossas novelas? Que sim, quais suas favoritas?  
Clarice - Sim. Tenho Globo internacional e sempre que posso assisto. Amei “Avenida Brasil”. Comecei a assistir do meio para o final, mas não conseguia perder nenhum capítulo. Os personagens e a trama eram ótimos e a Carminha uma vilã pela qual era impossível não ter empatia. Também adoro minisséries. Entre as minhas preferidas estão "A casa das sete mulheres" e "Hilda Furacão".

Obrigado pela entrevista, Clarice. O blog deseja todo sucesso a você e, em breve, venha nos contar sobre seus primeiros trabalhos televisivos!


Ø  ANOS REBELDES: ONTEM, HOJE E SEMPRE!

Claro que é uma grande coincidência, mas não deixa de ser simbólico o fato do Canal Viva estar exibindo uma reprise de “Anos Rebeldes” na mesma época em que acontecem diversas manifestações populares em todo o país. A mítica minissérie de Gilberto Braga sobre os anos de chumbo termina essa semana e não deixa de ser uma grande inspiração para todos que desejam e lutam por um país melhor. Melão apoia totalmente o movimento #VemPraRua, sem vandalismo e violência! “Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento... eu vou, por que não?”.



Beijos e até a próxima!  

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quinta-feira, 14 de março de 2013

Melão entrevista NICA BOMFIM: artesã das emoções



Ela é um rosto conhecidíssimo em nossa tevê, pois além dos personagens que interpretou em diversas novelas, também fez inúmeras participações em muitos outros programas, incluindo os da linha de shows e humor. Atriz e artesã de mão cheia, mas também apaixonada por Matemática, NICA BOMFIM é o tipo de atriz que enriquece qualquer obra, pois consegue transitar com muita desenvoltura pelos mais diversos personagens, cômicos ou dramáticos.

Nessa entrevista, que é mais um bate-papo entre amigos, além de rememorar seus personagens mais marcantes, Nica também fala um pouco de Irene, personagem da peça “Mãe”, deste autor que vos fala, em que ela irá fazer uma leitura dramática ao lado dos talentosos Bel Kutner, Kika Kalache e André de Angelis, com direção brilhante de meu querido parceiro “astral” Tarcísio Lara Puiati. A leitura será nessa segunda, dia 18/03, às 21 horas na Casa da Gávea. Esperamos todos vocês lá.



Por hora fiquemos com o talento, alegria e simpatia de nossa querida NICA BOMFIM:

Quando você se descobriu atriz? Conte-nos como tudo começou.
Nica - Sempre gostei de “brincar de teatrinho”, desde criança. Mas me encaminhei a infância e adolescência inteiras na direção da Matemática – uma grande paixão, até hoje! Justamente no ano do vestibular, comecei a ir ao Tablado e acompanhar ensaios de amigos, e o bichinho do teatro começou a me morder. Entrei para Escola de Teatro Martins Pena ao mesmo tempo em que para a Faculdade de Matemática... e a Arte falou mais alto! Deixei a Matemática de lado (mas o amor, não!) e mergulhei de cabeça na carreira de atriz. Tinha 18 anos.

Antes de ganhar personagens fixos, você já era um rosto familiar na tevê pelas diversas participações em inúmeras produções, seja em novelas, séries e humorísticos. Você destacaria alguma dessas participações?
Nica - Foram tantos, nesses 35 anos! Sabe aquele joguinho do “Onde está Wally”? Dá pra brincar de “Onde está a Nica” nas produções da Tv Globo! E adorei cada minuto! Mas tenho muito orgulho de ter contracenado com Fernanda Montenegro e Paulo Autran na primeira versão de “Guerra dos Sexos”.

Em “História de amor” (1995), você deu vida à prestimosa Rosely, braço-direito de Helena (Regina Duarte). Como foi essa experiência de trabalhar com um autor que escreve tão bem para o universo feminino como Manoel Carlos?
Nica - Muito legal a experiência! A personagem servia de contraponto à Helena, suas histórias tinham pontos em comum, embora em realidades sociais bem diferentes. O Maneco é muito bom nisso!

Nica Bomfim e Eduardo Mancini em cena de "Eterna Magia" 
Você está sempre presente nas novelas de Elizabeth Jhin desde a estreia dela como autora titular em “Eterna Magia” (2007), sempre com ótimos personagens. A que você atribui o sucesso dessa parceria?
Nica - Não quero nem parar pra pensar nas razões, apenas agradecer ao Universo por ter-me permitido cruzar com essa pessoa maravilhosa que é a Beth! Tenho um carinho todo especial por ela, sempre tão afetuosa comigo. E suas histórias me comovem tanto! Ela escreve lindamente, com muita sensibilidade. Quero que essa parceria, como você diz, dure para sempre!

Nica com José Rubens Chachá em "Escrito nas estrelas"

Você é uma atriz que transita com facilidade entre o drama e o humor e mostrou isso muito bem com a Magaly de “Escrito nas estrelas” (2010), personagem adorável, mãe do vilão Gilmar (Alexandre Nero). Acredita que essa novela foi um divisor de águas em sua carreira?
Nica - Acho que o divisor de águas foi mesmo a primeira novela da Beth Jhin, “Eterna Magia”, quando tive a oportunidade de fazer a Sofia, justamente quando eu estava me aposentando e tendo mais tempo para me dedicar à carreira de atriz. A Magali, assim como a Deolinda de “Amor Eterno Amor” sedimentaram ainda mais essa caminhada.

Em seu trabalho mais recente na tevê, “Amor Eterno amor” (2012), você também transitava pelos dois polos da novela: o dramático da trama central e o cômico do edifício São Jorge. O que destacaria desse trabalho?
Nica - É uma grande oportunidade de mostrar a versatilidade do nosso trabalho, e isso é muito gratificante. Destaco sobretudo o contato com esse elenco maravilhoso, tanto as feras consagradas quanto a juventude cheia de energia – aprendo muito com todos eles!

Já no primeiro ensaio da leitura de meu texto “Mãe”, na qual você vai interpretar a personagem-título, já pude perceber a delicadeza e a sutileza com as quais você constrói a personagem. Diria que o trabalho de artesã ajuda nessa composição e nessa capacidade de perceber os detalhes?
Nica - Sou filha, sou mãe, sou irmã... a peça fala de um universo de emoções com o qual tenho muita intimidade. Não sei se é o artesanato que me ajuda a atentar para os detalhes ou se minha já natural atenção aos detalhes é que me levou ao artesanato e ao teatro. De qualquer forma, fico lisonjeada com seus elogios!

Ainda sobre “Mãe”, você está se inspirando em algum fato de sua vida para compor a Irene ou se detém apenas no texto?
Nica - Como disse, sou mãe, sou filha, sou irmã... Quase todas as emoções contidas na peça já fizeram parte da minha história um dia. E o temperamento da Irene, a maneira amorosa em que ela acredita, como forma de educar seus filhos, se parece bastante comigo.  Amor, acima de tudo!

Você é noveleira? Se sim, quais suas favoritas? 
Nica - Já fui mais noveleira, mas ainda assisto bastante, embora menos “viciada” que antigamente. As novelas que nunca esqueci são as bem mais antigas, que marcaram fortemente, como “Beto Rockefeller”, “O Rebu”, “O sheik de Agadir”... (risos) Eu sou “de época”, meu filho!!!

Nica com a filha também atriz Bebel Mesquita: mãe e filha vão atuar juntas no cinema
Já tem previsão de voltar à tevê? Quais são seus projetos futuros?
Nica - Previsão ainda não, a gente depende de convites. Espero que seja em breve, porque adoro aquela função de gravações! Em 2013 estou retomando algo de que gosto demais também, mas que estava afastada há muitos anos: o cinema! Já fiz uma participação em “Boa Sorte”, da Carolina Jabor e mês que vem estarei em Juazeiro (BA) filmando “Nêgo d’Água”, do Flávio Henrique Fonseca, dirigido pelo Roque Araujo. Eu e a minha filha Bebel estaremos no elenco. Espero, até o final do ano, fazer ainda mais!

Nica, querida, obrigadíssimo pela entrevista. Agradeço ainda mais pela generosidade de emprestar seu talento nessa minha primeira empreitada pelos palcos cariocas. Espero que possamos trabalhar muitas outras vezes e desejo a você cada vez mais sucesso em sua brilhante carreira. Beijos!
Nica - Obrigada, meu querido! O prazer e a honra são todos meus! Sucesso para nós! Beijos!

Eu e Nica na noite de lançamento do livro do melão
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Melão entrevista NORMA BLUM: “o ator deve se apaixonar perdidamente por seu personagem”





domingo, 13 de janeiro de 2013

Melão circula por aí...




Amigos, concedi uma entrevista ao querido Naian Lopes para o site “Almanaque da TV”.
Falei um pouco de tudo: do blog, de minha trajetória, de projetos futuros em teatro e TV, enfim, ficou bem bacana.

Espero que gostem! Segue o link:



domingo, 16 de dezembro de 2012

Melão entrevista Manoel Carlos: “Lilian Lemmertz foi, sem nenhuma dúvida, a criadora da Helena”






Mais um grandioso presente de final de ano para o melão e seus leitores. Particularmente, fiquei muito feliz e honrado com essa entrevista, já que se trata de um de meus autores favoritos, afinal Manoel Carlos povoa meu imaginário desde sempre. Mais precisamente, desde as remotas lembranças que tenho de “Sol de verão”, novela que foi ao ar quando eu tinha 5 anos de idade, mas já me impressionava com a atuação de Tony Ramos, passando pelo LP internacional da novela “Baila Comigo” que pertencia às minhas primas e que eu passei praticamente toda a infância ouvindo, observando a capa e tentando imaginar do que se tratava a trama (naquela época a internet não era nem projeto), até assistir de fato a uma primeira trama de sua autoria, “Felicidade”, em reprise atualmente no “Canal Viva”. A partir daí minha admiração por ele só aumentou com as novelas “História de amor” (1995), “Por amor” (clássico de 1997) e “Laços de Família” (2000). Nenhum autor consegue dar tanta dimensão humana a seus personagens como Maneco, que também é dono dos diálogos mais naturalistas de nossa teledramaturgia. Suas novelas são deliciosas crônicas do cotidiano, mas que nunca abrem mão dos melhores ingredientes do folhetim. Claro que, se como espectador já era fã de carteirinha, como autor ele é uma verdadeira inspiração.

Mesmo atribulado com os preparativos para sua próxima novela, o autor cedeu gentilmente um pouco de seu tempo para responder a algumas perguntas sobre sua vasta carreira. Ele relembra a primeira Helena, vivida pela saudosa e maravilhosa Lilian Lemmertz em “Baila Comigo” e comemora o fato da filha dela, Julia, ser a próxima. Maneco também fala de trabalhos anteriores, de processo de trabalho, das campanhas sociais em suas novelas, de suas preferências como telespectador, revela alguns nomes confirmados para a próxima novela e confessa o desejo de trabalhar com uma grande atriz com quem nunca trabalhou, além de muitos outros assuntos. Enfim, um prato cheio para todos os fãs do autor e pra todo mundo que ama e admira teledramaturgia. Mais uma vez, o melão estende o tapete vermelho para um grande nome de nossa tevê. Com vocês, Manoel Carlos!



Desde que você anunciou que Julia Lemmertz seria sua última Helena, suscitou uma enorme curiosidade por parte do público a respeito de sua próxima novela.  O que você já pode adiantar a respeito dela?

Manoel Carlos - A minha novela está prevista para estrear na segunda quinzena de janeiro de 2014. Daqui a um ano, portanto. A sinopse, já aprovada, tem dois nomes provisórios: FÊNIX e EM FAMÍLIA.  Ainda estou fazendo mudanças, corrigindo algumas trajetórias da trama, etc., etc. Portanto, qualquer coisa que eu adiante corre o risco de ser mudada. Só mesmo quando uma novela entra na linha de produção é que se pode garantir determinados fatos que ocorrerão no seu desenrolar.

A inesquecível Lilian Lemmertz, a primeira de todas as Helenas do autor; e Julia Lemmertz, filha dela, a próxima Helena.

Falando em Julia Lemmertz, inevitável não lembrar que a mãe dela, Lilian, foi a primeira Helena de suas novelas. Assistindo a “Baila Comigo” (1981) recentemente, pude comprovar a maestria do trabalho da atriz e a naturalidade assustadora que ela imprimia em todas as cenas, por mais simples que fossem. Você diria que a Helena de “Baila Comigo” é a gênese de todas as outras Helenas? Qual a contribuição da atriz na construção da identidade da personagem?  

Manoel Carlos - Lilian Lemmertz foi, sem nenhuma dúvida, a criadora da Helena e, por extensão, de todas as Helenas que vieram depois. Foi ela quem deu alma ao personagem, ao mesmo tempo em que esculpiu nele o seu próprio gestual, sua inflexão maternal, seu desvelo. Foi ela que deu à Helena esse comportamento dúbio, que mescla generosidade com egoísmo, e mais tudo que a grande atriz que foi Lilian sabia emprestar a todos os personagens que criava. Eu a “namorei” de longe, desde que a vi sobre o palco pela primeira vez, nos anos 60, ao lado de Cacilda Becker e Walmor Chagas, em “Quem tem medo de Virginia Woolf”, de Albee. Era uma jovem de menos de 30 anos, que já iluminava o caminho que viria a percorrer como estrela de primeira grandeza. Vinte anos depois desse encontro, pude dar a ela o personagem de “Baila Comigo”. A filha Julia foi pelo mesmo caminho. Humana e sensível como poucas, só agora terei a oportunidade de escrever para ela o papel criado por sua mãe. Essa oportunidade me deixa muito feliz.


Ainda sobre as Helenas, todas têm em comum o fato de carregarem um grande segredo e serem bastante abnegadas, mas ao assistir à reprise de “Felicidade” (1991), atualmente em exibição no Canal Viva, constatei que a Helena de Maitê Proença, a exemplo das outras, também escondeu um grande segredo, que foi uma falsa gravidez, promovendo, inclusive, o enterro de um tijolo, fingindo ser o bebê morto e enganando toda a cidade. Mas o que essa Helena tem de diferente é o fato de mentir em benefício próprio, ao contrário das outras, que mentiam pra beneficiar alguém. Isso foi de caso pensado? O que mais você pode destacar a respeito dessa novela?

Manoel Carlos - Muitas Helenas se parecem em algumas qualidades e defeitos, mas não em todas, já que ninguém é exatamente igual a outro alguém. Nem entre filhos da mesma mãe e do mesmo pai. As Helenas são uma imitação de pessoas humanas e verdadeiras, pois essa é minha maneira de ver as novelas.  Nem realista ou naturalista, como querem alguns. E nem delirantes. Apenas verossímeis. Possíveis.  No caso de “Felicidade” há que se notar que foi uma novela apresentada às 18 horas, numa época (1991-1992) em que não se podia avançar muito. Além disso, todas as seis ou sete histórias que se entrecruzavam eram inspiradas livremente em contos de Aníbal Machado. Portanto, muita coisa desses contos ficou agregada ao meu trabalho. O elenco era afinadíssimo, com Maitê e Tony formando um par que sempre tive vontade de repetir.

Maitê Proença e Tony Ramos em cena de "Felicidade"

Você também tem planos de escrever uma minissérie.  Ela virá antes ou depois da novela? Prefere esse formato por serem mais curtas?

Manoel Carlos - É verdade e não vou desistir. A minissérie MADAME, inspirada em “Madame Bovary”. Acertei com a direção da TV Globo a produção dessa minissérie para depois da novela. Quem sabe em 2015?
        
O que acha desse novo formato de novelas com menos capítulos às 23 horas? Aceitaria continuar a escrever novelas nesse horário, que proporciona uma liberdade maior para cenas mais ousadas como vimos em “O astro” e “Gabriela”? Que novela sua escolheria para um remake?

Manoel Carlos - Acho excelente. O “Astro” foi muito bem realizado e acredito totalmente no sucesso de “Saramandaia”, que vai ser reescrita pelo Ricardo Linhares, um autor de grande sensibilidade e talento, tanto na comédia como no drama. Eu escreveria com prazer uma novela para esse horário, mas jamais adaptaria uma obra minha. Isso não dá certo. O próprio autor não sabe fazer esse trabalho, é preciso que seja entregue a outra pessoa, que enxergue a tarefa como uma empreitada totalmente nova.

Você talvez seja o autor que retrata melhor o universo feminino.  De onde vem essa inspiração e, com exceção das Helenas, que personagens femininas destacaria em suas obras?

Manoel Carlos - Acho a mulher mais rica do que o homem, como fonte de inspiração. Isso certamente tem raízes na minha trajetória pessoal, pois fui criado mais pela minha mãe do que pelo meu pai, tendo nascido depois que eles tiveram duas meninas, que também participaram da minha criação. Não conheci nenhum dos meus dois avôs, mas minhas duas avós tiveram papéis fundamentais na minha vida, assim como três tias e algumas primas, sendo que foram essas, as primas, que despertaram minhas primeiras paixões de adolescente. Vai nisso também meu amor pelas atrizes, seres incomparáveis, donas de uma personalidade mutante, capazes de rir e chorar com a mesma “falsa verdade”. Para mim não existe nenhuma profissão no mundo melhor do que a de atriz. Sempre divinas e cruéis. Reconheço que todos os meus personagens femininos têm um acabamento melhor do que os masculinos.

Reunião de Helenas.
Pergunta do leitor Rodrigo Ferraz: apesar de paulista, você nunca criou uma Helena nascida aqui. Já pensou em ambientar uma novela em São Paulo, talvez com uma Helena paulistana, quem sabe de descendência judia ou italiana?

Manoel Carlos - Já pensei e ainda penso. Sempre quis, desde que escrevi a minha primeira novela, mas nunca consegui. E acho ótima a sugestão de que fosse descendente de italianos ou judeus. Quem sabe ainda faço?


Você sempre faz questão de incluir em suas tramas o que a emissora costuma chamar de merchandising social, como o caso da violência contra a mulher e o desrespeito contra os idosos em “Mulheres apaixonadas” (2003), a leucemia em “Laços de Família” (2000), a questão da tetraplegia em “Viver a Vida” (2009), Síndrome de Down em “Páginas da Vida” (2006) e o alcoolismo em quase todas as novelas. Ainda assim, você acredita que o objetivo principal de uma novela é o entretenimento ou a função social é algo imprescindível?

Manoel Carlos - Para mim, as duas finalidades se completam. Uma não impede a outra. O que sempre achei é que escrever uma novela, seja para que horário for, é uma grande oportunidade que o autor tem de oferecer alguma ajuda, sem esquecer o entretenimento. E essa disposição foi sempre muito gratificante. 

Trama dos maus tratos aos idosos na novela "Mulheres apaixonadas"

Que cuidados um autor deve ter ao retratar a vida de pessoas reais como a cantora Maysa, retratada em uma minissérie de sua autoria? Qual o limite entre o real e o ficcional?

Manoel Carlos - Escrevi “Maysa” com ampla liberdade. Sem esquecer o que era importante em sua biografia e sem deixar de salpicar a história com cenas e fatos criados por mim. Não sou um biógrafo, mas um ficcionista. O resultado foi muito feliz e teve a concordância do filho da Maysa, o Jayme Monjardim, que assinou a direção do projeto.  

Larissa Maciel dando vida à cantora Maysa

Como é a divisão de trabalho entre você e seus colaboradores? Você costuma dar a liberdade a eles para criar dentro da escaleta ou sugerir novos rumos para as tramas?

Manoel Carlos - Não tenho um regulamento para isso. Muitas vezes divido o trabalho, outras vezes entrego o capítulo para que eles o escrevam integralmente, Não sigo uma regra, como em quase tudo na minha vida. Minhas escaletas, quando existem, são precárias, incompletas, com mais sugestões do que determinações. Trabalho há muito tempo com as mesmas pessoas. Se possível serão sempre elas, ainda que eu queira que alcem vôos solos, assinando seus próprios projetos, já que são capazes de realizar esse trabalho.

Você, talvez, seja o autor que mais consegue dar dimensão humana aos personagens, mas ao mesmo tempo suas histórias são repletas dos elementos mais tradicionais do melodrama, como segredos de família, trocas de bebês e outras coincidências do destino. Como consegue driblar os clichês e as armadilhas do gênero para compor um painel de personagens sempre tão rico e diverso?

Manoel Carlos - Mas eu não acho que drible os clichês. Uso todos que me pareçam necessários. Afinal, a vida é feita de lugares-comuns. Não fazemos mais do que repeti-los. O Millôr Fernandes escreveu uma vez que a originalidade é a coisa mais velha do mundo. Conheço uma outra reflexão muito interessante de um autor que não me lembro agora: “O lugar comum é obra de gênio”.  O que distingue um autor do outro é a maneira de repetir e encarar esses estereótipos. Uma vez, numa conferência que eu assisti do genial Agripino Grieco, ele disse que muitas pessoas o criticavam por contar, nas palestras, sempre as mesmas histórias, repetir as mesmas piadas, etc. E ele então perguntava: “Não temos diariamente o mesmo pôr do sol e a mesma aurora?” E concluía: “E Deus, afinal de contas, tem mais recursos do que eu!”.

Qual sua posição pessoal a respeito da classificação indicativa? Até que ponto ela limita o trabalho do autor?

Manoel Carlos - Perto do que já existiu de limitação ao trabalho de um autor, a classificação é uma benção. Nem obrigatória ela é, mas apenas indicativa, como o nome diz.  E vale lembrar que em outros países, como nos Estados Unidos, é bem pior.

Na entrevista para o livro “Autores”, você conta que a reação do público acabou mudando os rumos da trama em “Sol de Verão” (1983) em que o personagem do Tony Ramos se envolveria com a personagem de Carla Camuratti e isso acabou não acontecendo. Até que ponto deve-se fazer concessões para que a autoria não se perca de vista? Citaria algum exemplo inverso, em que você não cedeu ao clamor popular?

Manoel Carlos - A novela de televisão sempre precisará da aprovação da audiência. E essa aprovação, muitas vezes, exige mudanças pontuais exigidas pelo público.


Você é noveleiro? Quais são as novelas preferidas do Manoel Carlos espectador?

Manoel Carlos - São muitas, mas cito apenas três: “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro, “Que Rei sou eu?”, de Cassiano Gabus Mendes e “Nina”, de Jorge Andrade.


Já pensou no elenco da nova novela?

Manoel Carlos - Reservei alguns nomes, além da Julia Lemmertz. Não me lembro de todos neste momento, mas entre eles estão: Tony Ramos, Vivianne Pasmanter, Natália do Vale e Helena Ranaldi. Gostaria de ter a Mel Lisboa, uma atriz que a Globo, a meu ver, não poderia ter perdido, mas quem sabe... não é?  


Há alguma atriz para quem você gostaria de escrever, mas que nunca escreveu?

Manoel Carlos - Glória Pires, sem nenhuma dúvida. E não perdi a esperança.

Para terminar, qual o papel da telenovela na vida do brasileiro?

Manoel Carlos - Muito presente no dia-a-dia e de ampla aceitação em todas as classes sociais, econômicas e culturais. Nada se compara a ela, pela diversão que proporciona e – muitas vezes – pela reflexão que provoca sobre temas comuns na esfera humana. Falar para milhões é – afinal de contas – o sonho dourado de qualquer escritor. E o novelista de televisão realiza esse sonho diariamente.

Foto: Cícero Rodrigues para o livro "Autores" 
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