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domingo, 16 de dezembro de 2012

Melão entrevista Manoel Carlos: “Lilian Lemmertz foi, sem nenhuma dúvida, a criadora da Helena”






Mais um grandioso presente de final de ano para o melão e seus leitores. Particularmente, fiquei muito feliz e honrado com essa entrevista, já que se trata de um de meus autores favoritos, afinal Manoel Carlos povoa meu imaginário desde sempre. Mais precisamente, desde as remotas lembranças que tenho de “Sol de verão”, novela que foi ao ar quando eu tinha 5 anos de idade, mas já me impressionava com a atuação de Tony Ramos, passando pelo LP internacional da novela “Baila Comigo” que pertencia às minhas primas e que eu passei praticamente toda a infância ouvindo, observando a capa e tentando imaginar do que se tratava a trama (naquela época a internet não era nem projeto), até assistir de fato a uma primeira trama de sua autoria, “Felicidade”, em reprise atualmente no “Canal Viva”. A partir daí minha admiração por ele só aumentou com as novelas “História de amor” (1995), “Por amor” (clássico de 1997) e “Laços de Família” (2000). Nenhum autor consegue dar tanta dimensão humana a seus personagens como Maneco, que também é dono dos diálogos mais naturalistas de nossa teledramaturgia. Suas novelas são deliciosas crônicas do cotidiano, mas que nunca abrem mão dos melhores ingredientes do folhetim. Claro que, se como espectador já era fã de carteirinha, como autor ele é uma verdadeira inspiração.

Mesmo atribulado com os preparativos para sua próxima novela, o autor cedeu gentilmente um pouco de seu tempo para responder a algumas perguntas sobre sua vasta carreira. Ele relembra a primeira Helena, vivida pela saudosa e maravilhosa Lilian Lemmertz em “Baila Comigo” e comemora o fato da filha dela, Julia, ser a próxima. Maneco também fala de trabalhos anteriores, de processo de trabalho, das campanhas sociais em suas novelas, de suas preferências como telespectador, revela alguns nomes confirmados para a próxima novela e confessa o desejo de trabalhar com uma grande atriz com quem nunca trabalhou, além de muitos outros assuntos. Enfim, um prato cheio para todos os fãs do autor e pra todo mundo que ama e admira teledramaturgia. Mais uma vez, o melão estende o tapete vermelho para um grande nome de nossa tevê. Com vocês, Manoel Carlos!



Desde que você anunciou que Julia Lemmertz seria sua última Helena, suscitou uma enorme curiosidade por parte do público a respeito de sua próxima novela.  O que você já pode adiantar a respeito dela?

Manoel Carlos - A minha novela está prevista para estrear na segunda quinzena de janeiro de 2014. Daqui a um ano, portanto. A sinopse, já aprovada, tem dois nomes provisórios: FÊNIX e EM FAMÍLIA.  Ainda estou fazendo mudanças, corrigindo algumas trajetórias da trama, etc., etc. Portanto, qualquer coisa que eu adiante corre o risco de ser mudada. Só mesmo quando uma novela entra na linha de produção é que se pode garantir determinados fatos que ocorrerão no seu desenrolar.

A inesquecível Lilian Lemmertz, a primeira de todas as Helenas do autor; e Julia Lemmertz, filha dela, a próxima Helena.

Falando em Julia Lemmertz, inevitável não lembrar que a mãe dela, Lilian, foi a primeira Helena de suas novelas. Assistindo a “Baila Comigo” (1981) recentemente, pude comprovar a maestria do trabalho da atriz e a naturalidade assustadora que ela imprimia em todas as cenas, por mais simples que fossem. Você diria que a Helena de “Baila Comigo” é a gênese de todas as outras Helenas? Qual a contribuição da atriz na construção da identidade da personagem?  

Manoel Carlos - Lilian Lemmertz foi, sem nenhuma dúvida, a criadora da Helena e, por extensão, de todas as Helenas que vieram depois. Foi ela quem deu alma ao personagem, ao mesmo tempo em que esculpiu nele o seu próprio gestual, sua inflexão maternal, seu desvelo. Foi ela que deu à Helena esse comportamento dúbio, que mescla generosidade com egoísmo, e mais tudo que a grande atriz que foi Lilian sabia emprestar a todos os personagens que criava. Eu a “namorei” de longe, desde que a vi sobre o palco pela primeira vez, nos anos 60, ao lado de Cacilda Becker e Walmor Chagas, em “Quem tem medo de Virginia Woolf”, de Albee. Era uma jovem de menos de 30 anos, que já iluminava o caminho que viria a percorrer como estrela de primeira grandeza. Vinte anos depois desse encontro, pude dar a ela o personagem de “Baila Comigo”. A filha Julia foi pelo mesmo caminho. Humana e sensível como poucas, só agora terei a oportunidade de escrever para ela o papel criado por sua mãe. Essa oportunidade me deixa muito feliz.


Ainda sobre as Helenas, todas têm em comum o fato de carregarem um grande segredo e serem bastante abnegadas, mas ao assistir à reprise de “Felicidade” (1991), atualmente em exibição no Canal Viva, constatei que a Helena de Maitê Proença, a exemplo das outras, também escondeu um grande segredo, que foi uma falsa gravidez, promovendo, inclusive, o enterro de um tijolo, fingindo ser o bebê morto e enganando toda a cidade. Mas o que essa Helena tem de diferente é o fato de mentir em benefício próprio, ao contrário das outras, que mentiam pra beneficiar alguém. Isso foi de caso pensado? O que mais você pode destacar a respeito dessa novela?

Manoel Carlos - Muitas Helenas se parecem em algumas qualidades e defeitos, mas não em todas, já que ninguém é exatamente igual a outro alguém. Nem entre filhos da mesma mãe e do mesmo pai. As Helenas são uma imitação de pessoas humanas e verdadeiras, pois essa é minha maneira de ver as novelas.  Nem realista ou naturalista, como querem alguns. E nem delirantes. Apenas verossímeis. Possíveis.  No caso de “Felicidade” há que se notar que foi uma novela apresentada às 18 horas, numa época (1991-1992) em que não se podia avançar muito. Além disso, todas as seis ou sete histórias que se entrecruzavam eram inspiradas livremente em contos de Aníbal Machado. Portanto, muita coisa desses contos ficou agregada ao meu trabalho. O elenco era afinadíssimo, com Maitê e Tony formando um par que sempre tive vontade de repetir.

Maitê Proença e Tony Ramos em cena de "Felicidade"

Você também tem planos de escrever uma minissérie.  Ela virá antes ou depois da novela? Prefere esse formato por serem mais curtas?

Manoel Carlos - É verdade e não vou desistir. A minissérie MADAME, inspirada em “Madame Bovary”. Acertei com a direção da TV Globo a produção dessa minissérie para depois da novela. Quem sabe em 2015?
        
O que acha desse novo formato de novelas com menos capítulos às 23 horas? Aceitaria continuar a escrever novelas nesse horário, que proporciona uma liberdade maior para cenas mais ousadas como vimos em “O astro” e “Gabriela”? Que novela sua escolheria para um remake?

Manoel Carlos - Acho excelente. O “Astro” foi muito bem realizado e acredito totalmente no sucesso de “Saramandaia”, que vai ser reescrita pelo Ricardo Linhares, um autor de grande sensibilidade e talento, tanto na comédia como no drama. Eu escreveria com prazer uma novela para esse horário, mas jamais adaptaria uma obra minha. Isso não dá certo. O próprio autor não sabe fazer esse trabalho, é preciso que seja entregue a outra pessoa, que enxergue a tarefa como uma empreitada totalmente nova.

Você talvez seja o autor que retrata melhor o universo feminino.  De onde vem essa inspiração e, com exceção das Helenas, que personagens femininas destacaria em suas obras?

Manoel Carlos - Acho a mulher mais rica do que o homem, como fonte de inspiração. Isso certamente tem raízes na minha trajetória pessoal, pois fui criado mais pela minha mãe do que pelo meu pai, tendo nascido depois que eles tiveram duas meninas, que também participaram da minha criação. Não conheci nenhum dos meus dois avôs, mas minhas duas avós tiveram papéis fundamentais na minha vida, assim como três tias e algumas primas, sendo que foram essas, as primas, que despertaram minhas primeiras paixões de adolescente. Vai nisso também meu amor pelas atrizes, seres incomparáveis, donas de uma personalidade mutante, capazes de rir e chorar com a mesma “falsa verdade”. Para mim não existe nenhuma profissão no mundo melhor do que a de atriz. Sempre divinas e cruéis. Reconheço que todos os meus personagens femininos têm um acabamento melhor do que os masculinos.

Reunião de Helenas.
Pergunta do leitor Rodrigo Ferraz: apesar de paulista, você nunca criou uma Helena nascida aqui. Já pensou em ambientar uma novela em São Paulo, talvez com uma Helena paulistana, quem sabe de descendência judia ou italiana?

Manoel Carlos - Já pensei e ainda penso. Sempre quis, desde que escrevi a minha primeira novela, mas nunca consegui. E acho ótima a sugestão de que fosse descendente de italianos ou judeus. Quem sabe ainda faço?


Você sempre faz questão de incluir em suas tramas o que a emissora costuma chamar de merchandising social, como o caso da violência contra a mulher e o desrespeito contra os idosos em “Mulheres apaixonadas” (2003), a leucemia em “Laços de Família” (2000), a questão da tetraplegia em “Viver a Vida” (2009), Síndrome de Down em “Páginas da Vida” (2006) e o alcoolismo em quase todas as novelas. Ainda assim, você acredita que o objetivo principal de uma novela é o entretenimento ou a função social é algo imprescindível?

Manoel Carlos - Para mim, as duas finalidades se completam. Uma não impede a outra. O que sempre achei é que escrever uma novela, seja para que horário for, é uma grande oportunidade que o autor tem de oferecer alguma ajuda, sem esquecer o entretenimento. E essa disposição foi sempre muito gratificante. 

Trama dos maus tratos aos idosos na novela "Mulheres apaixonadas"

Que cuidados um autor deve ter ao retratar a vida de pessoas reais como a cantora Maysa, retratada em uma minissérie de sua autoria? Qual o limite entre o real e o ficcional?

Manoel Carlos - Escrevi “Maysa” com ampla liberdade. Sem esquecer o que era importante em sua biografia e sem deixar de salpicar a história com cenas e fatos criados por mim. Não sou um biógrafo, mas um ficcionista. O resultado foi muito feliz e teve a concordância do filho da Maysa, o Jayme Monjardim, que assinou a direção do projeto.  

Larissa Maciel dando vida à cantora Maysa

Como é a divisão de trabalho entre você e seus colaboradores? Você costuma dar a liberdade a eles para criar dentro da escaleta ou sugerir novos rumos para as tramas?

Manoel Carlos - Não tenho um regulamento para isso. Muitas vezes divido o trabalho, outras vezes entrego o capítulo para que eles o escrevam integralmente, Não sigo uma regra, como em quase tudo na minha vida. Minhas escaletas, quando existem, são precárias, incompletas, com mais sugestões do que determinações. Trabalho há muito tempo com as mesmas pessoas. Se possível serão sempre elas, ainda que eu queira que alcem vôos solos, assinando seus próprios projetos, já que são capazes de realizar esse trabalho.

Você, talvez, seja o autor que mais consegue dar dimensão humana aos personagens, mas ao mesmo tempo suas histórias são repletas dos elementos mais tradicionais do melodrama, como segredos de família, trocas de bebês e outras coincidências do destino. Como consegue driblar os clichês e as armadilhas do gênero para compor um painel de personagens sempre tão rico e diverso?

Manoel Carlos - Mas eu não acho que drible os clichês. Uso todos que me pareçam necessários. Afinal, a vida é feita de lugares-comuns. Não fazemos mais do que repeti-los. O Millôr Fernandes escreveu uma vez que a originalidade é a coisa mais velha do mundo. Conheço uma outra reflexão muito interessante de um autor que não me lembro agora: “O lugar comum é obra de gênio”.  O que distingue um autor do outro é a maneira de repetir e encarar esses estereótipos. Uma vez, numa conferência que eu assisti do genial Agripino Grieco, ele disse que muitas pessoas o criticavam por contar, nas palestras, sempre as mesmas histórias, repetir as mesmas piadas, etc. E ele então perguntava: “Não temos diariamente o mesmo pôr do sol e a mesma aurora?” E concluía: “E Deus, afinal de contas, tem mais recursos do que eu!”.

Qual sua posição pessoal a respeito da classificação indicativa? Até que ponto ela limita o trabalho do autor?

Manoel Carlos - Perto do que já existiu de limitação ao trabalho de um autor, a classificação é uma benção. Nem obrigatória ela é, mas apenas indicativa, como o nome diz.  E vale lembrar que em outros países, como nos Estados Unidos, é bem pior.

Na entrevista para o livro “Autores”, você conta que a reação do público acabou mudando os rumos da trama em “Sol de Verão” (1983) em que o personagem do Tony Ramos se envolveria com a personagem de Carla Camuratti e isso acabou não acontecendo. Até que ponto deve-se fazer concessões para que a autoria não se perca de vista? Citaria algum exemplo inverso, em que você não cedeu ao clamor popular?

Manoel Carlos - A novela de televisão sempre precisará da aprovação da audiência. E essa aprovação, muitas vezes, exige mudanças pontuais exigidas pelo público.


Você é noveleiro? Quais são as novelas preferidas do Manoel Carlos espectador?

Manoel Carlos - São muitas, mas cito apenas três: “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro, “Que Rei sou eu?”, de Cassiano Gabus Mendes e “Nina”, de Jorge Andrade.


Já pensou no elenco da nova novela?

Manoel Carlos - Reservei alguns nomes, além da Julia Lemmertz. Não me lembro de todos neste momento, mas entre eles estão: Tony Ramos, Vivianne Pasmanter, Natália do Vale e Helena Ranaldi. Gostaria de ter a Mel Lisboa, uma atriz que a Globo, a meu ver, não poderia ter perdido, mas quem sabe... não é?  


Há alguma atriz para quem você gostaria de escrever, mas que nunca escreveu?

Manoel Carlos - Glória Pires, sem nenhuma dúvida. E não perdi a esperança.

Para terminar, qual o papel da telenovela na vida do brasileiro?

Manoel Carlos - Muito presente no dia-a-dia e de ampla aceitação em todas as classes sociais, econômicas e culturais. Nada se compara a ela, pela diversão que proporciona e – muitas vezes – pela reflexão que provoca sobre temas comuns na esfera humana. Falar para milhões é – afinal de contas – o sonho dourado de qualquer escritor. E o novelista de televisão realiza esse sonho diariamente.

Foto: Cícero Rodrigues para o livro "Autores" 
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Melão entrevista Ricardo Linhares: "o escritor recria a realidade a partir do seu olhar"



Lilian Lemmertz: a “mãe” de todas as Helenas e favorita do blog!





sábado, 2 de junho de 2012

Blogueiro convidado: Raphael Ramos “livre para voar” e contar uma bela história.




 Nunca o termo “memória afetiva” fez tanto sentido no melão. Meu querido Raphael Ramos, a quem chamo carinhosamente de Rapholho, é dos meus! Noveleiro de mão cheia e memória “elefantesca”, temos em comum o fato de sempre relacionarmos fatos e memórias de nossas vidas à lembranças televisivas. Rapholho nos brinda com um belo texto, cheio de emoção e pleno das mais doces lembranças ao lado de sua querida mãe, com quem assistia a “Livre para voar”, novela que bate fundo em sua memória afetiva. Confesso que me emocionei com as imagens e lembranças evocadas pelo texto e tenho certeza de que vocês também vão gostar. Muito obrigado, amigo, pelo belo texto e parabéns pela sensibilidade!




Memória Afetiva – Livre para Voar (1984/1985)

Por Raphael Ramos



  Acordar para vida é quando uma criança se dá conta que ela existe no mundo e precisa falar, comer, andar, pensar... . O meu despertar foi em frente à TV e, mais especificamente, numa teledramaturgia. Eu amo as novelas porque eu amava minha mãe e uma coisa sempre foi ligada a outra. Os poucos dez anos que eu tive ao lado da dona Aparecida foram tão intensos e marcantes que eu resgatei da minha “elefantesca” memória a novela “Livre para Voar” (1984/1985) de Walther Negrão e colaboração de Alcides Nogueira. A obra foi a primeira de muitas ao lado da matriarca da família. Ela me acompanhou até “Felicidade” (1991/1992) e de lá pra cá, eu tive que continuar mantendo esse meu vício sozinho. “Felicidade” de Manoel Carlos é outra felicidade à parte, que cabe em outra passagem afetiva.

  Eu tentei me enganar por não conseguir acreditar na minha memória, mas me recordo que o horário era vespertino, hora de lanchar com a mamãe. Apesar de ter apenas quatro anos, não pude esquecer isso:
- Mãe, que horas são?
- São 18h00min, hora de lanchar com a mamãe e ver o Pardal (personagem protagonista de Tony Ramos).

  Pardal era da minha família, foi meu primeiro herói e me iludiu com meu primeiro final feliz. Ele me mostrou que pode ser bom morar num vagão de trem. Eu queria ser o Gibi (Fernando Almeida) para estar ali naquela situação. Eu quis ser feliz pra sempre pela primeira vez e fiz a minha mãe me levar em Poços de Caldas (Minas Gerais) a fim de me sentir dentro da história.

   Walther Negrão e Alcides Nogueira foram os responsáveis pelo meu primeiro sonho que me faz admirá-los até os dias de hoje, eles me fizeram torcer até o final pela Vitória de Bebel/Cristina (Carla Camuratti) e Pardal contra as maldades ardilosas de Helena (Dora Pelegrino) e Danilo (Carlos Augusto Strazzer).

   A trama era despretensiosa e deu certo sem ter a ousadia de ser um sucesso retumbante, foi apenas um sucesso que me deixa lindas recordações e me faz ouvir até hoje a faixa “Chico” de Renato Teixeira na trilha nacional e “Drive” da banda The Cars na trilha internacional. É só ouvi-las que todo saudosismo volta ao coração.

   Discordo com alguns críticos que analisam a trama como boa, porém inconsistente. Construiu na minha vida e na vida de todos que viram e reviram a novela. Eu sempre digo que tenho várias novelas na minha vida, mas “Livre para Voar” foi o primeiro passo, foi “a mais bela flor que alguém já viu nascer e não esqueceu de trazer força e magia, o sonho, a fantasia e a alegria de viver...”


Obrigado, Rapha! Textos como o seu me fazem acreditar no poder e na importância da telenovela em nossas vidas! 
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A Urca de “A gata comeu”.






quinta-feira, 29 de março de 2012

Avenida Brasil: um conto de fadas pós-moderno.



Foi-se o tempo em que a Branca de Neve precisava de um príncipe para salvá-la das maldades de sua madrasta má. A Branca de Neve do século XXI levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. Vai à luta para recuperar o que perdeu e se vingar daqueles que fizeram mal a ela. Nesse início da nova novela das nove, “Avenida Brasil”, e a julgar pelas informações que temos do que virá pela frente, é impossível não fazer alusão ao famoso conto de fadas dos Irmãos Grimm. Só que, ao invés do Reino Encantado, o universo da trama é a movimentada e pulsante Avenida Brasil, que corta os principais bairros do subúrbio carioca.

Rita (Mel Maia) e Carminha (Adriana Esteves) em excelentes atuações

Assim como no conto de fadas, a menina Rita (Mel Maia, um escândalo de talento) é vítima da maldade de sua madrasta, a terrível Carminha (Adriana Esteves com o diabo no corpo), que dá o golpe no pai da menina (Tony Ramos, genial como sempre) e, após se apropriar do dinheiro dele, pede ao “fiel caçador”, digo, ao comparsa Max (Marcello Novaes), que abandone a menina em um lixão. Assim como a floresta do conto de fadas, o lixão da novela é um lugar cheio de perigos, com direito a velho do saco e tudo (outra lenda que aterrorizava as criancinhas). No lugar dos sete anões, Rita será amparada pela personagem de Vera Holtz. A menina cresce disposta a acertar as contas com sua rival. A partir daí, só mesmo o autor João Emanuel Carneiro e sua inspirada equipe poderão nos surpreender com situações pra lá de eletrizantes, assim como foram os primeiros capítulos da trama, que não deixaram ninguém desgrudar os olhos da telinha da tevê e da tela do computador, já que todos os Trending Topics do Twitter eram sobre a novela.

João Emanuel Carneiro não tem o estilo operístico de um Aguinaldo Silva, tampouco o naturalismo de um Manoel Carlos. Seus personagens também não possuem a dimensão humana dos personagens dos folhetins de Gilberto Braga, em que as vilãs, muitas vezes, ganham a simpatia do público, que enxerga nas atitudes delas muitas de suas próprias atitudes. No entanto, João Emanuel Carneiro tem se mostrado mestre em conduzir tramas emocionantes cheias de reviravoltas e vilões capazes de tudo para atingirem seus objetivos sem demonstrarem remorso algum, como foi o caso da psicopata Flora, célebre personagem de Patricia Pillar em “A Favorita”. Ao que tudo indica, a Carminha de Adriana Esteves vai pelo mesmo caminho, sempre com diálogos inspirados e um jeitão debochado e irônico que faz com que o público vá ao delírio. Já estamos com medo da maçã envenenada que esta madrasta má está a preparar para sua enteada, que na segunda fase vai ser vivida por Debora Falabella.

Debora Falabella, que viverá a heroína na segunda fase da trama

Enfim, as tramas de João Emanuel Carneiro nunca me remetem à realidade, mas sim a uma deliciosa fábula reinventada em que príncipes encantados dão lugar a tipos bem populares como jogadores de futebol, que são os heróis da atualidade, como são os personagens dos protagonistas masculinos vividos por Murilo Benício e Cauã Reymond. A doçura e a inocência dos contos de fadas tradicionais dão lugar a um clima sombrio, assustador, de permanente tensão, em que os heróis são capazes de atitudes tão condenáveis quanto às atitudes dos vilões. Por isso, prevejo muita emoção e tensão pelos próximos meses, principalmente quando a Branca de Neve em questão decidir tomar as rédeas de sua vida e partir para sua terrível vingança. A madrasta má que se cuide... 

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Blogueiro convidado: Thiago Henrick relembra "Baila Comigo"


                                                                                                                                                                   

 E o melão acaba de ganhar mais um correspondente especialíssimo. Diretamente da sucursal de Alagoas, Thiago Henrick que, além de um queridão, é um talento de rara sensibilidade, sobretudo musical. O rapaz mantém um ótimo blog chamado “EnTHulho” (www.enthulho.blogspot.com ) onde podemos encontrar os textos mais sensíveis e inspirados sobre música. Recomendo.

Além disso, Thiago também é telemaníaco de carteirinha e admirador das novelas de Maneco, dentre as quais, ele elegeu “Baila Comigo” (1981), novela de enorme sucesso que, mesmo depois de quase 30 anos, ainda permanece no imaginário popular. Mesmo quem não era nascido na época já assistiu pelos “Videos Shows” da vida a emocionante cena em que os gêmeo Quinzinho e João Victor (Tony Ramos em mais um magistral trabalho) se encontram. Estreia o autor no horário nobre como autor titular, foi nessa novela que surgiu a primeira Helena (a saudosíssima Lilian Lemmertz), liderando um elenco estelar que contava com nomes como Fernanda Montenegro, Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Fernando Torres, Tereza Rachel, Christiane Torloni, Lidia Brondi, Beth Goulart, Natália do Vale, Arlete Salles, Fernanda Torres, Lauro Corona, Milton Gonçalves, Suzana Vieira, enfim, um timaço!

Sem mais delongas, curtam o maravilhoso texto de Thiago e deixem suas impressões!


A NOVELA DO MANECO É UMA VERDADEIRA TERAPIA

Por Thiago Henrick


Como grande fã do novelista Manoel Carlos, sempre tive curiosidade de saber mais sobre a novela Baila Comigo. Graças a um grande amigo, consegui terminar de assistir e, encantado, gostaria de compartilhar minhas impressões sobre a trama com os leitores do Melão.

 Na época, Manoel Carlos já havia realizado trabalhos que chamaram atenção em outras faixas de horários. Baila não foi seu maior sucesso, mas chamou muita atenção naquele ano de 1981, além de ter conseguido alguns grandes méritos: era a estreia do autor no horário nobre (antes, apenas uma colaboração um ano antes em “Agua Viva”, de Gilberto Braga); trazia Tony Ramos num papel duplo – grande feito, pois Tony era um dos mais talentosos de sua geração e desenvolveu uma perfeita composição em suas interpretações; e, por fim, iniciava então a primeira de uma série de heroínas humanas, cheias de virtudes, defeitos e conflitos, de nome Helena.

A trama era bem simples e folhetinesca: a história de gêmeos que não sabiam da existência um do outro, causando inúmeras confusões devido a essa semelhança. O diferencial, contudo, estava justamente na característica que mais marcou a grande carreira do escritor: a presença de um rico texto, com diálogos poderosos intercalados com cenas bem banais, envolvendo-nos numa maneira bem peculiar de contar sua história. Além, claro, da capacidade de criar personagens bem críveis, tão próximos e identificáveis com a nossa realidade. O estilo perdurou em trabalhos posteriores do autor

 Helena (Lilian Lemmertz) era uma personagem de classe média de vida difícil que, ao descobrir que teria gêmeos, não pôde criá-los, deixando um deles com o pai verdadeiro, Quim (Raul Cortez), e criando o outro com seu marido, Plínio (Fernando Torres). Sente-se culpada e angustiada por mentir e omitir bastante sobre o fato para todos, sobretudo pro gêmeo que ficou com ela, Quinzinho (Tony Ramos), jovem extrovertido e que adorava curtir a vida. Já o outro filho, João Vitor (Tony Ramos), foi criado com o pai em Portugal e se tornou um garoto sério e dedicado a advocacia. O destino faz com que a Quim e sua esposa Marta (Tereza Rachel, já naquela época demonstrando ser perfeita para interpretar mulheres rudes e poderosas) voltem com seus filhos João Vitor e Débora (Beth Goulart) para o Brasil, cenário onde acontecerão as peripécias causadas pela semelhança dos irmãos. O esqueleto da novela era esse. O recheio, contudo, foi o talento de Maneco de nos emocionar junto com os personagens. As brigas oriundas da crise de consciência de Helena com o bastante humano Plínio fizeram do casal um dos grandes destaques da novela: sensibilidade e riqueza para as magistrais interpretações dos atores, sobretudo a de Lilian, que criou um olhar melancólico único, sem deixar a rigidez da personagem creditá-la como mera coitadinha. Saudosa atriz...

 Nas tramas periféricas, tivemos Lúcia (Natália do Valle, no auge da beleza), jovem e competente médica, que tinha uma maravilhosa relação com a mãe (Sílvia, uma atriz, interpretada por Fernanda Montenegro), mas também vivia com o pai, o semi-inescrupuloso Caio (Carlos Zara), separado de Silvia e interessadíssimo na bela professora de dança Joana (Betty Faria). Joana, aliás, foi uma personagem que muito prometeu assim que apareceu, mas se limitou, no desenrolar da trama, a servir de alvo da disputa entre Caio, Quim e João Vitor. Pouco pra grande atriz que é Betty, mas sua beleza enfeitou a novela e estampou a capa do disco nacional. Curiosidade adicional é trazer Susana Vieira, atriz que hoje só se dedica a chamar atenção dentro e fora das tramas, num papel de coadjuvante, Paula, que tem que aturar as bebedeiras do marido Mauro (Otávio Mesquita). Mauro foi protagonista, contudo, de uma das cenas mais impactantes: enfurecido, ele joga seu avião em cima de Caio, colidindo e fazendo ambos morrerem.

No núcleo jovem, Lauro Corona interpretou Caê, amigo de Quinzinho e típico malandrinho carioca, que negociava pegar o carro da irmã para poder curtir as gatas e adorava uma baladinha. Lauro encontrou o tom certo e fez de seu namoro com a rica e sensível Débora um dos grandes trunfos da trama, sempre pontuados com “Corações a mil”, música da novata Marina estourando nas cenas de paixão dos dois. Além deles, tivemos a chatice de Mira (Lídia Brondi), obcecada por Quinzinho, mas que depois “troca de gêmeo”, passando a se interessar por João Vitor. Não foi a Lídia quem causou ojeriza na interpretação: a personagem era mimada mesmo e isso era comentado por todo o seu núcleo.

A cena mais comentada e lembrada, que foi o reencontro dos gêmeos, alcançou todos os níveis positivos possíveis graças ao talento de Tony Ramos. O ator é detentor de vários personagens de destaque em toda sua carreira, e acredito que nesse rol estejam João Vitor e Quinzinho, pois ele soube como poucos diferenciar os nuances, sobretudo nessa cena, em que o contexto pedia. Imagino que, na época, tenha mesmo parado o Brasil diante da telinha. Mateus Solano, que interpretou os gêmeos de Viver a Vida (última novela do autor) não comprometeu, mas deveria ter assistido Baila Comigo pra se aperfeiçoar mais em suas composições.


 Assistir essa novela tão rica e cheia de discursos de pessoas de tantas classes e níveis me fez perceber que, desde cedo, as novelas de Manoel Carlos são uma verdadeira terapia. Há quem não goste, que prefira uma trama repleta de cenas de ação, ou com guinadas fantásticas, sem ter oportunidade de respirar um pouco diante da telinha, mas eu admiro muito o estilo do autor de nos fazer parar e refletir sobre nossas próprias naturezas, medos, fragilidades, alegrias e aleluias. Eu vejo que Maneco escreve muito de acordo com o seu humor o dia – assim como na vida da gente, há capítulos mais alegrinhos e mais entediantes ou mal humorados. Isso faz com que conquiste mais ainda seu público, que se identifica com o cotidiano descrito em suas tramas. Por mais que suas últimas novelas não tenham agradado como deveriam, o autor tem uma grande bagagem televisiva e, acredito sim, ainda tem muito a nos oferecer. E nos emocionar.

                                                                                                                                                                                                                                            

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Em 2009, eu preferi....




FELIPE CAMARGO E ANDRÉA BELTRÃO: Sem dúvida, as melhores interpretações do ano. Aliás, todo o elenco de “Som e Fúria” esteve sensacional. Enfim, algo na TV aberta que não menospreza a inteligência do espectador e que ainda consegue surpreender o espectador calejado e habituado a tantos clichês. A minissérie como um todo foi primorosa. Mas há que se destacar o retorno triunfal de Felipe Camargo aos grandes papéis e o alívio, depois de tanto tempo, em ver a excelente Andréa Beltrão longe do salão de beleza da Marilda de “A grande família”. Vigorosos, intensos e furiosos!!!

DIRA PAES: Não é de hoje que admiro essa fantástica atriz, sobretudo por seu trabalho em cinema. Já caí de encantos desde seu primeiro papel em TV na novela “Araponga” (1990). Mas, convenhamos... foi em 2009 que sua estrela brilhou intensamente na pele da fogosa e divertida adúltera Norminha em “Caminho das Índias. Ao lado do ótimo Anderson Müller e seu impagável Abel, La Paes deu um show de talento, graça, charme e carisma. Faço votos para que ganhe muito mais destaque em 2010. Merece!

MATEUS SOLANO: Quando apareceu no início do ano em “Maysa”, tivemos aquela sensação de já conhecê-lo de algum lugar. Esbanjou charme e talento interpretando o sedutor Ronaldo Bôscoli. Agora no papel dos gêmeos Jorge e Miguel de “Viver a vida”, confirmou seu talento e já entrou para o rol dos galãs tão em falta em nossas novelas. Vai longe...

LÍLIA CABRAL: Elogiar Lília Cabral já está se tornando lugar comum. Mas não há como não fazê-lo diante da perfeição apresentada em cada trabalho da atriz. Depois de décadas como coadjuvante (roubando a cena sempre) já está mais do que provado que se trata de uma estrela de primeira grandeza e de uma atriz com “A” maiúsculo. E olha que sua personagem Tereza de “Viver a vida” não é lá das mais simpáticas. Também não é das experiências mais agradáveis assistir diariamente ao sofrimento de uma mãe às voltas com uma filha tetraplégica em pleno horário nobre. Mas tanto Lília quanto Aline Moraes emprestam tanta verdade e vigor aos seus personagens e sabem aproveitar tão bem as potencialidades do texto de Manoel Carlos que fica impossível não destacar o trabalho das duas.


A LEI E O CRIME: Mais do que o cotidiano da violência carioca, uma história muito bem contada por Marcílio Moraes e equipe. Sequências de arrepiar, texto caprichado e um novelão dentro do seriado com direito a uma cena final simplesmente antológica. A torcida para o filme e para uma segunda temporada é grande.

CQC: Particularmente, acho que o programa encontrou o equilíbrio perfeito entre humor e jornalismo. Repleto de sacadas inteligentes, os repórteres sabem fazer graça com os entrevistados sem depreciá-los ou desrespeitá-los. E o pessoal da bancada é simplesmente fantástico apresentando o programa ao vivo. Vida longa para o CQC.

TONY RAMOS: Como foi muito bem dito aqui mesmo no blog pelo meu amigo Fellipe Carauta, “Tony pertence à rara “casta” daqueles que conseguem ter os olhos de Deus”. Seu Opash emocionou intensamente os espectadores de “Caminho das Índias”, sobretudo nas cenas com Lima Duarte e Laura Cardoso. De fato são momentos que compensam e enchem de prazer qualquer um que ame teledramaturgia.

KLARA CASTANHO: Já na série “Mothern”, do canal GNT, achei que o trabalho dessa menina merecia mais visibilidade. Agora em “Viver a Vida” o grande público pode comprovar o talento e a incrível naturalidade dessa criança que foge de qualquer ranço de criança prodígio. Ao contrário, sua simpática presença enche de graça e ilumina nossas telinhas. Sua dobradinha com Giovanna Antonelli está deliciosa. Sem dúvida, a star is born!

ÂNGELA VIEIRA: Já no final do ano, confesso que não esperava mais nada de bom na TV e que os inúmeros burburinhos que rondaram os bastidores de “Cinquentinha”, de Aguinaldo Silva e Maria Elisa Berredo, acabariam por ofuscar a série. Mas quão não foi minha surpresa ver Ângela Vieira explodir em beleza, charme e talento cômico com um pequeno papel e suplantar as distintas senhoras do título. Há também que se destacar a atuação de BETTY LAGO que, escalada aos 45 do segundo tempo, se saiu muito bem e foi a cinquentinha preferida do público.

ASSISTIR AOS MEUS REALITIES FAVORITOS NA TV FECHADA: Que BBB, que fazenda, que nada! O que faz mesmo a minha cabeça são os realities que valorizam mais o desempenho e o mérito por um trabalho dos participantes do que aquele blá-blá-blá monótono de sempre. Por isso, não perco nenhuma temporada dos ótimos “Project Runway”, “Top Chef”, “Descabelados” e “American’s e Brazil’s next Top Model”. Confesso que me chamaram mais a atenção do que as séries, as quais prefiro acompanhar em DVD no tempo e no momento em que escolher.

AS REPRISES DE “TIETA” E “O PRIMO BASÍLIO” QUE PROMOVI EM MINHA CASA: O melhor “Vale a pena ver de novo” é sempre o que a gente escolhe. Ano passado me deleitei com “Vale Tudo” e esse ano, apesar do pouco tempo livre, não consegui controlar o vício de devorar um por um os DVDs de Tieta. Ainda estou devendo mais um post sobre o melhor dessa novela. E já me sentindo órfão, comecei, como quem não quer nada, a dar uma olhadela em “O primo Basílio”, que andava meio desprezado em minha estante. Que beleza de trabalho! A versão televisiva faz jus completamente a um de meus livros favoritos. Prazer intenso a qualquer hora!

FELIZ 2010 A TODOS E ESPERO PODER FALAR DE MUITA COISA BOA DE NOVO DAQUI A UM ANO!!!

domingo, 13 de setembro de 2009

Blogueiro convidado: Fellipe Carauta

"Queridos, desta vez este blog tem a honra de publicar um texto do talentosíssimo e grande amigo Fellipe Carauta, que registrou suas impressões sobre Tony Ramos ao conferir seu desempenho como Opash em "Caminho das Índias". Obrigado, Fellipe, por enriquecer esse espaço".

Quando Tony me tirou o Sono



Não é novidade para ninguém que Tony Ramos figura entre os maiores da dramaturgia brasileira. Mas, para mim, depois de começar a assistir Caminho das Índias, ele passou a figurar entre os maiores de todos os tempos. E tudo ia “muito bem, obrigado” até eu resolver, num arroubo aquariano, entender racionalmente essa aceitação tácita do meu coração. A partir desse momento, Tony passou a me tirar o sono! Com o intuito de me “livrar” dele e recuperar a paz, eu aventava possibilidades:

Seria o profissionalismo religioso e responsável? Também, mas não só.
Seria o estudo meticuloso de cada papel? Também, mas não só.
Seria a perfeita composição do personagem? Também, mas não só.
Nada era conclusivo para aplacar minha inquietação até assistir à cena em que Opash descobre que é filho de Shankar. Tudo ficou claro como num legítimo “Fiat lux” e eu me senti um imbecil! Como não fui capaz de perceber que Tony carrega em seus olhos todas as emoções da sua alma e por isso consegue tocar tão fundo nossos corações e nos fazer rir e chorar como um Deus? Lamentável! Mas ao menos desvendei o mistério: Tony pertence à rara “casta” daqueles que conseguem ter os olhos de Deus.


Obrigado, Tony, por toda a beleza do seu trabalho!

Fellipe Carauta

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