Evana Ribeiro, mais conhecida como Evinha para os íntimos, é uma talentosíssima jovem recifense que, além de
noveleira inveterada, também é roteirista de mão cheia. Já eleita em seu texto
anterior para o melão “Editora-Chefe da sucursal Recife”, Evinha, apesar da
pouca idade, demonstra grande maturidade artística com uma cena muitíssimo bem
escrita de sua instigante história chamada “Desgoverno”. É daqueles fragmentos de texto que nos
desperta o desejo de ler a obra inteira e torcer para que a autora alcance
grandes vôos para que possa nos brindar com sua criatividade.
Evinha, obrigadíssimo pela confiança e mil desculpas pela demora em
publicar. Volte sempre. “Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim!”.
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Desgoverno é uma sinopse na qual estou trabalhando há algum tempo, coisa de
dois anos, e gira em torno dos entreveros políticos e amorosos que abalam a
presidência de Drava, um país fictício. No momento, o chefe de Estado é Roland
Gehrard, cuja popularidade só faz cair a cada dia. Ele só é amado por três
pessoas naquele lugar: sua esposa, Marie; sua única filha, Reny (que vem sendo
preparada para suceder o pai na Presidência) e sua amante, a garçonete
Isabelle.
No primeiro capítulo, enquanto o grupo de extrema oposição planeja um
grande golpe para destituí-lo do poder, Roland fica viúvo e Isabelle sente que
chegou o momento de ela se tornar a primeira dama, depois de anos sendo a
outra. Nestas cenas, ela conversa com sua melhor amiga, a também garçonete
Laura; que é mãe de Pedro, o jovem líder do grupo que quer acabar com o
Presidente.
Enfim, sem mais delongas, vamos às cenas!
11. CASA DE ISABELLE. SALA. INT. DIA
Isabelle está sozinha, vendo TV. O aparelho está sintonizado no canal de
notícias que exibe o velório de Marie. Roland aparece em primeiro plano na
imagem mostrada pela TV, falando com os jornalistas. Enquanto assiste, Isabelle
chora copiosamente e enxuga as lágrimas com um lencinho. A campainha toca; ela cruza
a sala sem muita pressa, vai até a porta e respira fundo, contendo o
choro. Abre a porta, encontrando Laura. Ao ver a amiga, começa a chorar
outra vez e a abraça.
LAURA - O que foi, criatura?
Isabelle não responde, está soluçando. Laura entra com ela e a faz
sentar no sofá. Então se vira e vê a TV ligada no velório.
LAURA - Nem sabia que você era chegada a ver esses negócios na TV.
ISABELLE - É ela, Laura. Ela. A Marie morreu...
LAURA - Sim, eu sinto muito pelo presidente, mas...
ISABELLE - Queria tanto ver o Roland nessa hora!
LAURA - Pode parar por aí que eu já sei onde é que a conversa
acaba!
ISABELLE - Você não acredita, mas eu amo aquele homem mais que a
minha própria vida. Aliás, a minha vida se resume a ele, a quando eu estou com
ele, quando a gente se ama... E até hoje eu me espelhei na Marie porque sabia
que um dia eu ia chegar a ocupar aquele posto.
LAURA - Isa, por favor/
ISABELLE - E graças a Deus, eu não precisei mover um dedo pra isso,
eu só esperei! Quando tudo isso passar, quando o país sair do luto, você vai
ver o que vai acontecer.
Laura se ajoelha diante de Isabelle e segura suas mãos.
LAURA - Minha amiga, tudo o que eu não quero é te visitar num
manicômio.
Em Laura,
CORTE PARA
12. CASA DE ISABELLE. COZINHA. INT. DIA
Laura e Isabelle terminam de tomar sopa. Conversa a meio.
ISABELLE - Muito obrigada por cozinhar pra mim dessa vez!
LAURA - Que é isso, não foi nada. Agora que você está mais
tranquila e devidamente alimentada, era bom ir pra cama e descansar um pouco.
ISABELLE - É, eu vou tomar um banho e deitar.
LAURA - E assim que puder, procura um psicólogo. Essa sua paixão
pelo presidente não pode ser normal.
ISABELLE - Eu tava quieta e você vem puxar o assunto?
LAURA - Tá bom, esquece. Mas mesmo assim, faz isso que eu disse.
Vai ser bom pra você. Agora vou pra minha casinha que a uma hora dessas o
Pedrinho já deve ’tar se contorcendo de fome!
ISABELLE - Teu filho tá sozinho em casa?
LAURA - Sozinho, um homem que mal sabe ferver água; mas fala de
política perto dele!
Laura suspira, resignada, e levanta da mesa.
ISABELLE - Qual o partido dele?
LAURA - Depois a gente conversa sobre isso.
Ela dá um beijo na cabeça de Isabelle
e sai apressada. A outra ainda fica sentada, pensativa.
| Evana, diva, sendo reverenciada por um fã enlouquecido |
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