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domingo, 23 de dezembro de 2012

TOP 10 – REGINA DUARTE




Impossível pensar em teledramaturgia brasileira sem que seu nome não venha imediatamente à cabeça. Regina, rainha absoluta da televisão. São tantas Reginas em uma só que, assim como outros dois homenageados recentemente, Betty Faria e Lima Duarte, foi uma tarefa hercúlea eleger apenas 10 personagens de sua riquíssima galeria de mulheres inesquecíveis. Românticas, loucas, passionais, idealistas, exuberantes, guerreiras... Em 50 anos de carreira, Regina Duarte deu vida a todos os tipos e todas as emoções, com sua interpretação corajosa, visceral e sempre genial. Pra fechar o ano com chave de ouro, confira esse TOP 10 Especial de Fim de ano! Vamos relembrar algumas dessas grandes mulheres vivida por essa grande mulher:


10) HELENA DE “HISTÓRIA DE AMOR” (1995)


A Helena mais “gente como a gente” de todas. Ela ia à feira, reclamava do preço do chuchu (e do melão), saía com os amigos, se divertia, não levava desaforo pra casa... enfim, uma mulher como outra qualquer do planeta, mas não seria Helena se não tivesse um grande segredo, uma falha trágica. Na verdade, ela não era a verdadeira mãe da mimadíssima Joyce (Carla Marins) e sim, sua tia, segredo que foi revelado no último capítulo. A lembrança mais forte que tenho da personagem é de seu romance com o médico Carlos (José Mayer) embalado pela voz de Gal em “Futuros Amantes” sob um Rio ensolarado e feliz.


9) CHIQUINHA GONZAGA DE “CHIQUINHA GONZAGA” (1998)


De que a vida da célebre compositora foi inspiradora e apaixonante ninguém duvida. Mas a interpretação sensível de Regina fez com que se tornasse mais fascinante ainda aos olhos do espectador. A atriz sempre interpreta muito bem esse tipo de papel: mulher guerreira, sofrida, lutadora, que dá a cara a tapa, rompe barreiras e preconceitos. Apaixonante também foi o romance da compositora com seu “mancebo imberbe” Joãozinho, vivido brilhantemente por Caio Blat. Chiquinha Gonzaga ficou conhecida pela nova geração graças à minissérie de Lauro Cesar Muniz e Marcilio Moraes e La Duarte soube defender a personagem com a maior dignidade.


8) LUANA CAMARÁ / PRISCILA CAPRICE DE “SÉTIMO SENTIDO” (1982)

Uma de minhas primeiras lembranças televisivas. Na verdade, não me lembro de quase nada da novela, a não ser de Luana Camará incorporando Priscila Caprice. Até então com 5 anos de idade, os gritos de Regina Duarte me causavam medo e fascínio. Ao meu ver, a personagem fez uma espécie de transição para o que viria depois na carreira da atriz, a inesquecível Porcina.



7) HELENA DE “POR AMOR” (1997)

Regina e a filha Gabriela em cena de "Por amor"
Praticamente uma personagem de tragédia grega, a mais polêmica das Helenas talvez tenha carregado a mentira mais grave de todas. Helena, no início, parecia uma mulher comum, alegre, que via no romance com Atílio (Antonio Fagundes) uma nova oportunidade para o amor. Amor que não foi mais forte do que o amor cego e irracional que ela sentia pela filha Eduarda (Gabriela Duarte) chegando ao ponto de trocar o bebê morto da filha pelo seu filho saudável que acabara de nascer para que a filha não sofresse. Uma verdadeira leoa, capaz de tudo para preservar a cria. Quando Atílio descobriu toda a verdade, disse a Helena uma das frases mais emblemáticas da história da teledramaturgia: “você não sabe amar, mas pode aprender”. Obra prima de Manoel Carlos e mais um show de interpretação de Regina Duarte.


6) MALU DE “MALU MULHER” (1979)



Temas que, às vezes, nos parecem tão distantes, mas ainda tão presentes na sociedade como a violência contra a mulher, a questão do divórcio, independência feminina, mulher no mercado de trabalho... assuntos que parecem banais hoje em dia na época eram tabus que foram quebrados por Malu, emblemática personagem que Regina Duarte, mais uma vez, defendeu com garra e vigor e que representa um divisor de águas em sua carreira, dando um adeus definitivo ao eterno título de namoradinha do Brasil e adquirindo um respeito cada vez maior como uma de nossas mais importantes atrizes. Viva Malu!


5) CLÔ HAYALLA DE “O ASTRO” (2011)

Não resisti e beijei Clô na exposição da carreira da atriz
Como não incluir essa linda na lista? Claro, que, por motivos óbvios, Clô Hayalla sempre vai fazer parte da minha lista de personagens favoritas da atriz, mas independente disso, a matriarca dos Hayalla é o melhor personagem de Regina em anos. Louca, passional, impulsiva, vingativa, Clô já seria um prato cheio para qualquer atriz. Em se tratando de uma atriz superlativa como Regina Duarte, o prato cheio se transforma em um verdadeiro banquete, que ela oferecia diariamente a um público fiel e apaixonado na forma de uma atuação que dava o tom arrebatado e melodramático da novela de Janete Clair adaptada por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro. Verdadeiro show em cena e um talento monstro, que pude comprovar de perto. Uma atriz genial que consegue dar cores e texturas ao texto que surpreende até mesmo os autores.


4) MARIA DO CARMO DE “RAINHA DA SUCATA” (1990)


Prima da Viúva Porcina, Maria do Carmo também era uma força da natureza. A filha de sucateiro que transformou o negócio do pai em um verdadeiro império arrebatou o Brasil e chamava a atenção para o início da ascensão da classe média tão valorizada nos dias de hoje. Os novos ricos estavam tomando conta do Brasil e Maria do Carmo era a representante dessa classe emergente versus a decadência da aristocracia, representada por Laurinha Figueiroa, brilhantemente interpretada por Gloria Menezes. O choque entre esses dois mundos e o duelo dessas duas grandes atrizes renderam momentos antológicos de nossa teledramaturgia. Maria do Carmo era deliciosamente cafona, adorava ostentar sua riqueza e Regina estava muito à vontade em cena. A atriz parecia estar se divertindo tanto quanto o público. Já estou contando os dias para rever a sucateira em 2013 no Canal Viva.


3) RAQUEL DE “VALE TUDO” (1988)


Tudo bem que Odete Roitman e Maria de Fátima se eternizaram como duas das maiores vilãs de todos os tempos, mas se a novela tem uma alma, essa alma é a de Raquel Accioly, que ganhou através de Regina Duarte uma das interpretações mais viscerais da história da teledramaturgia. O Brasil chorou, sofreu, se emocionou com Raquel e também foi à forra na catártica cena em que a personagem, aos gritos, rasga o vestido de noiva da filha na véspera do casamento. Raquel simboliza a mulher brasileira e o espírito guerreiro do nosso povo, mostrando que vale a pena, sim, ser honesto no Brasil. Um papel perigoso, que tinha tudo pra cair no estereótipo, mas a personagem, cheia de nuances, foi muito bem construída pelos autores e muitíssimo bem defendida por La Duarte. Impossível ver alguém vendendo sanduíche na praia e não se lembrar da batalhadora Raquel.


2) SIMONE DE “SELVA DE PEDRA” (1972)

Regina Duarte e Francisco Cuoco em cena da novela
Mesmo não fazendo parte de minha memória afetiva, essa importante personagem não poderia ficar de fora, pois até hoje Simone Marques representa o protótipo de heroína em nossas novelas. E já há 40 anos atrás, Janete Clair construía uma mocinha nada boba, que tinha uma profissão, ia à luta por seus objetivos e dava a volta por cima, jurando vingança a seus inimigos. E Regina, ainda muito jovem, soube dosar doçura e força na medida certa e conquistou definitivamente o coração dos brasileiros. Impossível não se comover nas cenas românticas de Simone e Cristiano (Francisco Cuoco) ao som de “Rock and roll lullaby”, tema romântico mais emblemático da história de nossa teledramaturgia.


1) VIÚVA PORCINA DE “ROQUE SANTEIRO” (1985)


Pense em todos os adjetivos superlativos. Talvez ainda seja pouco para definir Porcina. Escandalosa, exuberante, fogosa, irreverente, sensual, lasciva e politicamente incorretíssima, a personagem significou um giro de 180 graus na carreira da atriz, acostumadas a tipos mais delicados e sofredores. Na pele da operística viúva que foi sem nunca ter sido, Regina já não precisava provar nada pra ninguém há muito tempo, mas mesmo assim provou que é capaz de absolutamente TUDO em se tratando da arte de representar. Na célebre trama criada por Dias Gomes, Porcina era um verdadeiro carrossel de emoções, indo das cenas mais dramáticas às mais irreverentes: um verdadeiro manancial para as impagáveis caras e bocas da atriz. Graças à Regina Duarte, Porcina virou dona, não só do coração de Roque (José Wilker) e Sinhozinho Malta (Lima Duarte), mas de todos os brasileiros.


MENÇÕES HONROSAS:

Ø  ANDRÉA, DE “VÉU DE NOIVA” (1969)
Ø  RITINHA, DE “IRMÃOS CORAGEM” (1970)
Ø  PATRICIA, DE “MINHA DOCE NAMORADA” (1971)
Ø  CECÍLIA, DE “CARINHOSO” (1972)
Ø  NINA, DE “NINA” (1977)
Ø  SHIRLEY, DE “INCIDENTE EM ANTARES” (1994)
Ø  HELENA, DE “PÁGINAS DA VIDA” (2006)


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MELÃO APROVEITA PARA DESEJAR BOAS FESTAS A TODOS OS SEUS LEITORES E PERGUNTA: QUAIS SÃO SEUS PERSONAGENS FAVORITOS DE REGINA DUARTE?
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LEIA TAMBÉM: 

Top 10 - LIMA DUARTE





sábado, 25 de agosto de 2012

Reginas essenciais invadem o Centro do Rio



Matando as saudades de minha querida Clô Hayalla


Pra quem mora no Rio ou está de passagem pela cidade, dois programas simplesmente imperdíveis! E o melhor: um bem ladinho do outro.  No Centro Cultural dos Correios, a exposição “Espelho da Arte – A Atriz e seu Tempo”, que reúne todos os trabalhos em cinema, teatro e televisão da maravilhosa REGINA DUARTE. A exposição vai até 28 de outubro e nos proporciona uma incrível viagem, não só pela carreira da atriz, como também pela própria história da televisão, e por que não dizer, da história recente de nosso país.

Organizada de uma forma bastante criativa, a exposição divide os trabalhos de Regina em décadas, com objetos de decoração de cada época misturados com seus trabalhos e personagens, que invadem nossos lares há 50 anos, o que cria uma atmosfera toda intimista e especial, afinal, quem de nós não é íntimo das lendárias personagens de Regina? Estão todas ali: Porcina, Simone, Maria do Carmo, Malu, Raquel, Clô e todas as Helenas do Maneco. São tantas imagens, objetos, lembranças que tocam fundo em nossa memória afetiva que nem dá vontade de ir embora. Seguem algumas imagens da exposição pra dar um gostinho:

O camarim da estrela, repleto de objetos e lembranças


"Selva de Pedra": inesquecível sucesso que consagrou o par romântico mais famoso do país

Invadindo o quarto de Porcina
Cacá no cantinho de "Chiquinha Gonzaga"
Ensaiando pra abertura de "Rainha da Sucata"
Um pouquinho mais do inesquecível furacão Clô Hayalla
Fascinado com o universo de Regina Duarte

A pouquíssimos metros dali no Centro Cultural Banco do Brasil, podemos conferir até o dia 30 de setembro a exposição “Viva Elis”, que conta a trajetória de uma de nossas maiores e mais emocionantes cantoras, ELIS REGINA. A exposição é vasta em informações, vídeos, imagens e histórias da cantora, desde seus primeiros discos dos anos 60, passando pelos Festivais de Música, pelo Fino da Bossa até se tornar a cantora mais emblemática e importante de nosso país. Elis e seus discos, Elis e seus filhos, Elis e seus amigos e, sobretudo, Elis cantando. Uma viagem emocionante no tempo para quem teve o prazer de acompanhar sua carreira e uma descoberta para os mais jovens da verdadeira força da natureza que era Elis. Haja emoção!

Vídeo de Elis: imbatível na emoção

 Registrando presença ao lado da diva

Crooners

Não deixem de conferir e prestigiar duas das Reginas mais importantes de nosso país!

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LEIA TAMBÉM:

Temas e Trilhas: Elis Regina





sábado, 2 de julho de 2011

Blogueiro convidado: Ronaly Júnior relembra “Chiquinha Gonzaga"



 Uma das maiores alegrias desta seção que convida pessoas a publicarem seus textos é o fato de poder contar com grandes amigos. E o nosso atual convidado é um deles (no sentido literal e, principalmente, no figurado). Da pessoa Ronaly, posso dizer que é uma das mais generosas, nobres e sensíveis que conheço. Do colunista convidado, suas credenciais também são as melhores: é daquelas pessoas que conhecem e falam de televisão com a propriedade de quem vivenciou e aprendeu assistindo à televisão, ou seja, na prática. Ronaly também é admirador e conhecedor de novelas mexicanas (o espaço também está aberto pra elas, viu?) e um dos maiores fãs de “Os normais” que conheço. Mas ele faz sua estreia aqui no melão (sim, pois espero que seja o primeiro de muitos textos) sobre “Chiquinha Gonzaga”, uma minissérie que encantou a todos, não só pela riqueza da história da compositora, mas também pela competente produção, pelo texto inspirado e pelo elenco de primeira, que contou com Regina e Gabriela Duarte, excelentes, vivendo o papel-título em fases diferentes. O melão abre alas para o queridíssimo Ronaly e brinda seus leitores com essa oportuna lembrança.


“Ô abre alas, que eu quero passar...”

Por Ronaly Reginaldi Júnior



Foi em 1999!
Engraçado falar de coisas que aconteceram no século passado, uma vez que parece que ainda nem o deixamos para trás. Imagine, então, estar próximo ao novo século e contar uma história que aconteceu no século anterior. Sim, muita loucura, mas esta foi a proposta de Lauro César Muniz e Marcílio Moraes quando apresentaram a sinopse de “Chiquinha Gonzaga” à direção da Rede Globo.

Com direção de Jayme Monjardim e com uma trilha incidental especialmente composta por Marcus Vianna, “Chiquinha Gonzaga” fazia com que o mês de janeiro de 1999 fosse bem especial. A minissérie é uma das melhores e mais bem produzidas pela Rede Globo em termos de detalhes de roupas e cenários, escalação de elenco, tramas, qualidade e fidelidade. Era o ‘padrão globo’ sendo cada vez mais aprimorado em suas minisséries. Esse ‘padrão’ já tinha sido excelente com ‘Hilda Furacão’ no ano anterior, mas em ‘Chiquinha’ houve um esmero maior!
Além desse capricho todo, sempre é interessante ver uma obra que retrata algo de nossa própria história, tendo em vista que muitos não se esforçam para conhecer ou tem memória curta para isso!
Interessante comentar sobre “Chiquinha” justo numa época (2011) em que a discussão sobre preconceitos está tão em alta, como bullying e afins. Afinal, Francisca Edwiges Neves Gonzaga foi uma mulher muito a frente de seu tempo e que sofreu toda sorte de preconceitos (ou seria azar?).


Chiquinha Gonzaga era filha de José Basileu e de Rosa Maria. O pai era coronel do exército; a mãe, uma mulata humilde. Seu nascimento acabaria por atrapalhar esse romance escondido do Coronel, que resolve entregar o fruto desse relacionamento a um convento para adoção (uma das cenas mais belas da minissérie, mostrada no primeiro capítulo, tendo a ótima atuação de Odilon Wagner e Solange Couto, nos papéis dos pais de Chiquinha). Após arrepender-se de tal ato, Coronel Basileu resolve oficializar a sua situação junto a Rosa Maria, casando com ela e criando a filha.
Os anos passam e a jovem Francisca, apesar da educação rígida de seu pai, torna-se uma adolescente com ideais muito a frente de seu tempo. Fez seus estudos normais com o Cônego Trindade e aulas de músicas com Maestro Lobo. Mas, sempre que podia, freqüentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos africanos, procurando sua identificação musical. Aos 16 anos, por imposição do pai, casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha brasileira, que apesar de amá-la, privava Chiquinha de sua grande paixão: a música. Com Jacinto, Chiquinha teve três filhos: João Gualberto, Hilário e Maria do Patrocínio.
Devido aos seus ideais, Chiquinha acaba não suportando o autoritarismo e as humilhações do marido e se separa dele, o que foi um escândalo na época. Leva consigo apenas o filho mais velho, pois o marido e a família não permitem que Chiquinha cuidasse dos filhos mais novos (Hilário é criado pela tia de Jacinto – grande momento de Ângela Leal na minissérie, interpretando a tia-amante de Jacinto. Maria é criada como filha do Coronel Basileu, e só descobre toda a verdade já adolescente).
Ela lutou muito para ter os 3 filhos juntos, mas foi em vão. Sofreu muito com a separação obrigatória dos 2 filhos imposta pelo marido e pela sociedade preconceituosa daquela época, que impunha duras punições à mulher que se separava do marido.
Anos mais tarde, reencontra um antigo amor do passado, o engenheiro João Batista de Carvalho. Chiquinha e João Batista viveram juntos por muitos anos e tiveram uma filha, Alice Maria. Porém, devido as traições do companheiro, Chiquinha separa-se dele, e mais uma vez perde uma filha, pois João Batista não permite que Chiquinha criasse Alice. Apesar disso tudo, Chiquinha foi muito presente na vida de todos os seus quatro filhos, mesmo só criando um deles. Ela sempre estava acompanhando a vida deles e tendo contato.
Passa a viver em função da música, tocando em lojas de instrumentos musicais, dando aulas particulares de piano e apresentando-se em festas (junto com seu amigo Joaquim Antonio Callado, interpretado magnificamente pelo saudoso Norton Nascimento) para sustentar seu filho, João Gualberto. Dedicando-se inteiramente a música, obteve grande sucesso, mesmo sofrendo todo preconceito da sociedade. Foi a primeira chorona (pianista de choro), foi autora da primeira marcha carnavalesca e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
Mas sua vida, tão marcada por paixões ainda lhe reservaria uma surpresa: Chiquinha tem um intenso caso de amor com Joãozinho, um jovem com idade para ser seu filho (ela já estava com 52 anos nessa época e ele com 16). Foi com Joãozinho que ela viveu até o último dia de sua vida.

Dentro deste universo mágico que foi a vida de Chiquinha Gonzaga, os autores resolvem utilizar de um recurso extraordinário: a homenageada assiste a uma peça no Teatro Municipal, onde é contada a sua vida. O artifício dos autores serviu para passagens de tempo dentro da minissérie, porém fez com que, no último capítulo, Chiquinha Gonzaga pudesse fazer um balanço de toda a sua vida e trajetória antes de morrer. O recurso se faz interessante, pois fez com que a minissérie não fosse apenas uma biografia teledramatúrgica.

Mesmo tendo um elenco magnífico, é impossível não destacar algumas atuações: Danielle Winitts deu um show interpretando Suzette na primeira fase da trama. Infernizou o romance de Chiquinha e JB o quanto pôde! Na segunda fase, a personagem foi interpretada por Suzana Vieira e lembro-me de uma entrevista onde ela dizia que era “uma honra dar continuidade a uma personagem que fora tão bem conduzida pela Danielle Winitts, pois ela é uma bonequinha!”. Era a segunda vez que Danielle Winitts interpretava uma personagem jovem que seria vivida por Suzana Vieira. Tal fato já tinha acontecido em ‘A Próxima Vítima’.
Carlos Alberto Riccelli também defendeu bem seu personagem! Aliás, na minha opinião, é o seu último grande trabalho em tv. É impossível falar em Chiquinha Gonzaga e não lembrar da cara de cafajeste que ele fazia ao interpretar o João Batista.
Marcelo Novaes é o grande destaque dentro da trama, na minha opinião. Afinal, ele conseguiu dar vida ao oficial da Marinha Brasileira extraordinariamente! Após tantos anos atuando em comédias, participar de uma trama como um militar rígido foi um grande desafio em sua carreira e, com certeza, um divisor de águas. O interessante foi a escolha de Serafim Gonzales para interpretar Jacinto na velhice, pois o ator tem uma semelhança incrível com Marcelo Novaes.



Impossível não destacar também as atuações de Caio Blat, Christine Fernandes, Daniela Escobar e Murilo Rosa (Joãozinho, Alzira, Amália e Amadeu, respectivamente). Caio Blat e Murilo Rosa já vinham de trabalhos espetaculares: Caio Blat passou pela Globo no começo da carreira, mas se firmou em tramas do SBT, como ‘Éramos Seis’ e ‘As Pupilas do Senhor Reitor’; Murilo Rosa vinha da Manchete. Ambos brilharam com força: o primeiro, interpretando o jovem amante de Chiquinha (quando esta já tinha 52 anos), o segundo como o marginal Amadeu, capaz inclusive de cafetinar a sua namorada.
Christine Fernandes vinha de papéis pequenos. Conseguiu cativar, dando vida a Alzira, namorada de Amadeu. Sua atuação garantiu lugar em ‘Esplendor’, no ano seguinte. Daniela Escobar vinha de papéis secundários, mas teve sua carreira alavancada após interpretar Amália, uma mulher que tentava seguir o exemplo de Chiquinha Gonzaga e também ser uma mulher independente no começo do século XX.



Mas o grande momento mesmo foi de Gabriela e Regina Duarte: impecáveis como Chiquinha Gonzaga nas três fases da trama! As duas já haviam atuado juntas algumas vezes, como mãe e filha. No ano anterior, ambas protagonizaram ‘Por Amor’, mas apesar do sucesso da trama, muitos criticaram a atuação de Gabriela Duarte. Porém, a atriz provou que tem talento (e muito) ao dar vida a jovem Chiquinha. Uma das cenas mais emocionantes da minissérie é quando Chiquinha desobedece as ordens de seu marido, Jacinto, para tocar o piano... Ela senta, abre o teclado e começa a tocar. Jacinto então revolta-se com a esposa e fecha com violência o teclado do piano, machucando as mãos da pianista.
Regina Duarte... Bem... Ela dispensa comentários em sua atuação. Recebeu da filha a missão de continuar com a belíssima história de Chiquinha até os últimos dias de vida da musicista. A maquiagem e a máscara de silicone utilizada para envelhecer fizeram com que a atriz ficasse bem semelhante a Chiquinha Gonzaga.
Sendo esta a história de uma musicista, como não falar em música? Pois a música de Chiquinha Gonzaga esteve muito presente durante toda a trama. Além da trilha composta por Marcus Vianna especialmente para a minissérie, astros da MPB (como Joanna, Emílio Santiago, Daniela Mercury, Beth Carvalho, entre outros) regravaram grandes sucessos da compositora. “Lua Branca”, “Ô Abre Alas”, “Forrobodó”, “Romance da Princesa” e outros sucessos estavam na trilha sonora. Clipes musicais também foram gravados e passavam durante a exibição dos créditos finais de cada capítulo da minissérie.

Chiquinha Gonzaga foi uma mulher forte. Ensinou que devemos sempre lutar pelos nossos ideais. Ter garra, força de vontade e nunca desistir na conquista daquilo que desejamos! Mas, acima de tudo, ter respeito! Respeito por tudo e por todos! Apesar de sempre ter sido atacada pelos preconceitos da sociedade, ela sempre foi uma batalhadora pela conquista de seus ideais particulares e pelos ideais coletivos. Lutou pela liberdade dos escravos, pela república, mas lutou também para que a mulher fosse reconhecida na sociedade.
Morreu aos 87 anos, em casa, ao lado de seu querido Joãozinho, no dia 28 de fevereiro de 1935, as vésperas do carnaval. Morreu... Mas sua música e sua história será eterna!

“... E ela partiu, me abandonou assim. Ó lua branca, por quem és, tem dó de mim!”



Obrigado, Ronaly querido! O melão é todo seu. Volte sempre!!!


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