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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Série Memória Afetiva – 10 (ou mais) vilãs memoráveis - anos 80


O primeiro post afetivo do ano do melão só poderia mesmo ser dedicado a elas. Caricatas ou realistas, cômicas ou dramáticas, elas fazem a graça de qualquer novela e muitas vezes são a razão de ser das mesmas. Sempre interpretadas por atrizes superlativas, elas exercem fascínio incomum no público e quase sempre ficam em nossa memória afetiva. São tantas e tão marcantes que o post teve que ser dividido por décadas. Como a memória afetiva deste melão que vos fala se inicia na década de 80, vamos começar nosso desfile com as malévolas oitentistas. Vamos a elas:

PARTE 1 – ANOS 80

10) FEDORA ABDALLA (Cristina Pereira), de “Sassaricando” (1987)


Impossível ouvir “Fata Morgana” sem se lembrar da pérfida e sensual Fedora Abdalla, genial composição da ótima Cristina Pereira, que bem que merece voltar aos grandes papéis dos anos 80. Fedora era engraçadíssima: uma perua apaixonada pelo bandido trapalhão Leozinho (Diogo Vilela) e que infernizou o quanto pode a vida do pai, interpretado por Paulo Autran. Fedora fazia e desfazia e não hesitava em expulsar as pessoas de sua casa com o famoso bordão carregado nos “erres”: rá, ré, ri, ró, rua. Mesmo com tanta vilania, Fefê mereceu um final feliz nas areias do deserto ao lado de seu amado Leozinho. Sem dúvida, uma personagem deliciosa.

9) FERNANDA (Christiane Torloni), de “Selva de Pedra” (1986)


La Torloni não tinha uma missão fácil pela frente: dar vida a uma vilã que fora eternizada pela excelente Dina Sfat nos anos 70. Mas a atriz não só deu conta do recado como é considerada por muitos como o principal destaque do remake da célebre novela de Janete Clair. Dois momentos marcantes foram quando ela se casou vestida de preto, chocando a todos e nas sequências em que sequestrou a mocinha Simone (Fernanda Torres) e fez misérias com ela no cativeiro. Fernanda é daquelas vilãs bem malvadas, com aquele quê de loucura, mas extremamente charmosas, bem ao estilo de Torloni. Um momento off-villania, mas também bastante lembrado é o seu sensual banho de piscina com a personagem de Beth Goulart ao som de “Perigo”, de Zizi Possi: uma leve insinuação gay que não foi pra frente na novela, mas que ficou na memória geral.

8) RENATA DUMONT (Tereza Rachel), de “Louco Amor” (1983)


Em minhas remotas lembranças dessa novela, confesso que morria de medo de Renata. Sempre ouvia comentários na sala de casa sobre o quanto ela era má e naquela época ainda não distinguia atriz de personagem. Resultado: cresci com medinho da Tereza Rachel. Recentemente, pude conferir alguns capítulos e comprovar que a impressão que tinha era inteiramente verdadeira. Já no primeiro capítulo, a chique embaixatriz fez de tudo para separar a enteada Patricia (Bruna Lombardi) do filho da empregada Luis Carlos (Fabio Jr). A sequência em que ela é desmascarada por Isolda (Nicete Bruno) em plena festa é memorável: Renata, na verdade, chamava-se Agetilde e fora a responsável pela morte do patriarca da família Dumont. E ironicamente era a verdadeira mãe de Luis Carlos, a quem tanto humilhou durante a novela. Um trabalho magistral de Tereza Rachel, uma das atrizes que mais brilhantemente interpreta vilãs.


 7) ANDRÉA (Natália do Vale), de “Cambalacho” (1986)


Perigosa! Até hoje o refrão da música do grupo “Syndicatto” remete a essa bela assassina. Muitos consideram o melhor papel de Natalia do Vale. De fato, a atriz esbanjou beleza, charme, talento e maldade pura, na pele da alpinista social que dá o golpe no milionário Antero (Mario Lago), tramando sua morte e se tornando rica. Apaixonada pelo cunhado Rogério (Claudio Marzo), marido de sua irmã Amanda (Susana Vieira), Andréa fez de tudo para separar o casal, além de infernizar a vida da protagonista Naná (Fernanda Montenegro), adorável cambalacheira, filha do empresário assassinado. Andréa não escapou de pagar pelo seus crimes na prisão, mas garantiu lugar no rol das preferidas do melão.

6) JULIANA (Marília Pêra), de “O primo Basílio” (1988)

 A personagem criada por Eça de Queiros já era meio caminho andado. A adaptação brilhante de Gilberto Braga completava o percurso de sucesso. Mas de nada adiantaria se não fosse interpretada por uma atriz menos do que genial. Marilia Pera agarrou a oportunidade e fez misérias na pele de ressentida e ambiciosa empregada de Luisa (Giulia Gam), que descobria a traição da patroa e fazia de sua vida um inferno. As cenas em que Juliana obriga Luisa a realizar os serviços domésticos em seu lugar foram o ponto alto da minissérie, assim como o momento da revelação de que ela era detentora das cartas que provavam a romance de Luisa, com o primo Basilio (Marcos Paulo). Juliana era detestável, mas também patética, digna de pena. Impossível não ler o romance e imaginar outro rosto, que não o de Marília, para a desafortunada personagem. Um deleite para ler, ver e rever sempre.

5) JOANA FLORES (Yara Amaral) de “Fera Radical” (1988)

Dois anos antes, Yara Amaral já tinha brilhado intensamente como a hipócrita Dona Celeste, da minissérie “Anos Dourados”, cabendo aqui uma menção honrosa à personagem. Apesar de ter feito da vida da filha Lurdinha (Malu Mader) um inferno, ao final, Dona Celeste se revelou mais uma vítima dos acontecimentos e dos códigos de conduta da sociedade da época do que uma vilã propriamente dita.
Em “Fera Radical”, ela também fez da vida de Malu Mader um inferno, sendo a grande responsável pelo assassinato dos pais da heroína Claudia, que voltava anos depois jurando vingança. Pouco tempo depois, Yara morreria em pleno réveillon na tragédia do Bateau Mouche, portanto, Joana Flores ficou como a lembrança mais forte que tive dela: uma atriz fantástica, cuja interpretação era cheia de nuances, perfeita nos pequenos gestos e nas pequenas expressões, mas também fantástica e explosiva nos momentos de fúria. O acerto de contas da “fera radical” com a megera é memorável e Yara nunca esteve menos que perfeita nessa novela. Saudades imensas!

4) CAROLINA (Lucélia Santos), de “Guerra dos Sexos” (1983)


Carolina era a candura em pessoa: uma flor de criatura. Doce, gentil, humilde, bonitinha, mas muito, muito ordinária. Uma verdadeira loba em pele de cordeiro, a vilã enganou os personagens da novela durante muito tempo e seduziu grande parte do elenco masculino, inclusive o adorável cafajeste Filipe, em ótima interpretação cômica de Tarcísio Meira. O mote da novela era a batalha entre os sexos, mas Carolina só era a favor dela mesma e aprontou poucas e boas com Charlô (Fernanda Montenegro), Roberta (Gloria Menezes) e grande parte do elenco feminino. Um desafio à altura de uma atriz cheia de recursos como Lucélia Santos.

3) RAINHA VALENTINE (Tereza Rachel), de “Que rei sou eu?” (1989)

 Antes de mais nada, uma das gargalhadas mais gostosas de toda a história da teledramaturgia. Mais um tipo terrível interpretado por Tereza Rachel. Valentine era superlativa, operística, insanamente cruel e engraçada. Com ares de Maria Antonieta, mas muito esperta, sempre levava vantagem em tudo. Seu ponto fraco era a paixonite pelo bobo da corte Corcoran (Stenio Garcia) e as cenas de romance entre os dois eram hilárias. Tereza Rachel, nessa memorável novela de Cassiano Gabus Mendes, foi da comédia ao drama, da leveza à intensidade com a mesma maestria. Seu melencólico e solitário final ao som de “How can I go on”, nas vozes de Freddie Mercury e Montserrah Caballé, é de arrepiar. A melancolia e a derrota da rainha destronada era latente apenas no olhar da atriz que aqui não foi menos que genial.


2) PERPÉTUA (Joana Fomm), de “Tieta” (1989)

Adorável urubu. Bem no íntimo, a eterna viúva do Major Cupertino é minha favorita. O que dizer dessa divertidíssima criação de Aguinaldo Silva em que sua intérprete Joana Fomm fez o que quis? Outra especialista em vilãs (aqui vai uma menção honrosa para Yolanda Pratini, de “Dancing Days”, que mesmo sendo dos 70’s vale a lembrança), Joana Fomm começou carregando mais para o lado do drama, do rancor, do ressentimento que sentia pela sua irmã Tieta (Betty Faria). Mas aos poucos, Perpétua foi ganhando ares mais divertidos, até virar uma vilã das mais caricatas e adoráveis de todos os tempos. A avarenta e maldosa Perpétua dava um show a cada aparição, seja se fingindo de boazinha para a irmã, seja humilhando as fiéis escudeiras Cinira e Amorzinho (Rosane Goffman e Lilia Cabral). Poucas vilãs foram tão longe quanto Perpétua, chegando ao ponto de empurrar o filho para os braços da própria irmã por dinheiro. Além disso, ela se fingia de santa e virtuosa, mas na verdade, a tribufú era libidinosa e bizarra ao guardar o órgão sexual do próprio marido em uma misteriosa caixa branca. Perto disso, o segredo do Gerson (Marcelo Antony) de “Passione” é brincadeira de criança, né? Por essas e outras, Perpétua até hoje é lembrada como uma das maiores vilãs de todos os tempos e com muita justiça. Inesquecível!

1) MARIA DE FÁTIMA (Glória Pires) e ODETE ROITMAN (Beatriz Segall), de “Vale Tudo” (1988)

 Empate técnico. Não deu pra decidir entre as duas que, afinal se revelaram durante a trama mais parecidas do que nunca. Odete (Beatriz Segall) até hoje é o símbolo de uma burguesia corrupta e inescrupulosa, que demonstra desprezo pelo Brasil, mas que construiu sua riqueza às custas da exploração do país. As verdades ditas por Odete são inquietantes e é impossível não se identificar com elas, pelo menos um pouquinho. Odete foi uma criação genial de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres, sobretudo, porque foi uma personagem extremamente humana. Todas as suas vilanias estavam longe de serem gratuitas e eram justificadas pela preocupação que tinha com os filhos. O calcanhar de Aquiles era o fraco que ela tinha por garotões. O resultado é uma personagem poderosa, implacável, mas extremamente deliciosa de se assistir. Seu assassinato, até hoje, foi o que mais mobilizou o país e, mais de 20 anos depois, volta a fazer sucesso na reprise do Viva. Mesmo que Beatriz Segall tenha feito outros ótimos personagens, Odete sempre será seu carro-chefe. Definitiva!

Enquanto isso, Maria de Fátima é o símbolo da determinação. Disposta a vencer na vida e se tornar rica, a moça não media consequências para realizar seus objetivos, como por exemplo, colocar a própria mãe na rua, destruir o romance dela, trair a amiga Solange e até vender o próprio filho. Tudo isso parece terrível, mas mesmo assim Fátima era extremamente humana. Suas vilanias nunca foram motivadas por vingança ou questões pessoais, mas puramente para alcançar seus objetivos. Em sua moral (ou falta dela), Fátima se preocupava com a mãe, sofria cada vez que cometia uma maldade contra ela e achava que poderia consertar depois. E o trabalho de Glória Pires foi magistral. Sem qualquer ranço de caricatura ou exagero, ela sabia compôr duas Fátimas diferentes: a boazinha diante de todos e a pragmática e ambiciosa em suas cenas com o amante César (Carlos Alberto Ricceli). Vai ser difícil surgir uma alpinista social mais interessante e tão perfeitamente construída como esta. Antológica.


MENÇÕES HONROSAS:

ü  Santinha Rivoredo (Eva Todor), de “Sétimo Sentido” (1982)
ü  Tia Fausta (Joana Fomm), de Bambolê (1987)
ü  Donana (Geórgia Gomide), de Hipertensão (1986)
ü  Gláucia (Bia Seidl), de “A gata comeu” (1985)
ü  Lúcia Gouveia (Joana Fomm), de “Corpo a Corpo” (1985)
ü  Chica Newman (Fernanda Montenegro), de “Brilhante” (1981)
ü  Paula (Cissa Guimarães) de “Direito de amar” (1987)
ü  Frau Herta (Norma Blum), de “Ciranda de Pedra” (1981)
ü  Catarina (Marieta Severo), de “Vereda Tropical” (1984)

Esqueci de alguma? Quem foi terrivelmente injustiçada pelo melão? E das citadas, quais suas favoritas? Agora é com vocês!


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Blogueiro convidado: Raphael Scire e a metalinguagem em “Ti Ti Ti”.

                                                                                                                                                                                                           
                                                                                                                                                                                
Inaugurando o novo banner, o melão recebe mais um blogueiro convidado.



 Jornalista de São Paulo, de 22 anos, Raphael Scire é mais um noveleiro a colaborar com o melão. Fã de Sílvio de Abreu, Gilberto Braga e Maria Adelaide Amaral, Raphael elegeu a atual novela da autora citada como assunto de seu texto: a metalinguagem em “Ti Ti Ti”, que vem divertindo o público, sobretudo, os apaixonados por telenovelas como nós. Além de escrever muito bem, Raphael também é um ótimo papo pelo Twitter (@Raphael_Scire ). Quem seguir o rapaz não vai se arrepender. O melão agradece mais uma excelente colaboração. Como é bom ter amigos inteligentes...



A metalinguagem de Ti ti ti

Por Raphael Scire


A aposta da Rede Globo para recuperar a audiência na faixa das 19h não poderia ter sido mais certeira. O remake de Tititi e Plumas e Paetês, dois clássicos de Cassiano Gabus Mendes dos anos 1980, trouxe uma trama leve, romântica e bem humorada, tudo muito bem dosado por Maria Adelaide Amaral e equipe, que sabem a hora certa de carregar a tinta tanto na comédia como no drama.

É uma delícia ver Malu Mader (Suzana) segurar o riso nas cenas em que Jacques Leclair (Alexandre Borges) e Ari – o melhor papel de Murilo Benício na televisão até agora – disputam sua atenção. A Jacqueline de Claudia Raia é outro ponto de destaque. Surtada e adorável, é dona de frases cortantes, divertidas e alucinadas. Rodrigo Lopez (Chico) começou a novela algo que caricato, com forte sotaque paulistano, a acentuar sua profissão de motoboy. Aos poucos, foi ganhando a simpatia do público e suas cenas com Nicole (Elizângela) são hilárias.

Mas o que torna o remake de “Tititi” ainda mais emblemático do que o próprio original é a liberdade que a autora vem tendo para divertir o público, em especial os aficionados por telenovelas. Há, pelo menos, uma citação a outras novelas de sucesso por dia. Metalinguagem televisiva nunca vista antes.

Logo nos primeiros capítulos, quando Jorge Fernando fez uma participação como ele mesmo, Ari explicou a Chico quem era o diretor: “Jorge Fernando, Chico, aquele que dirigiu A próxima vítima”. A novela em questão, escrita por Silvio de Abreu, contou com a colaboração da própria Maria Adelaide.

Malu Mader em "Fera Radical": uma das mais frequentes citações da novela.

Jacqueline, por exemplo, é uma das que mais solta tais pérolas. Ela alfineta a “rival” Suzana chamando-a de Fera Radical, referência explícita à trama protagonizada por Malu Mader nos anos 1980. Em uma cena, ao comemorar o sucesso de Jacques Leclair, Jacqueline propõe um brinde entre ela e o amado. A empregada Rosário (Rosanna Viegas), animada, pede para participar e ouve da patroa: “Ih, olha a empregada querendo ter fala. Isso aqui não é novela do Manoel Carlos, não!”


Ari, ao explicar a Mabi (Clara Tiezzi) sua relação com Victor Valentim, comparou-a com a de Murilo Benício na novela “O Clone” (foto), em que o ator tinha dois papéis. Isso tudo, é claro, com enorme esforço de Benício para segurar o riso.


E não é só a novelas que são feitas referências. Thaysa (Fernanda Souza), na tentativa de conquistar Adriano (Rafael Zulu), disse ao rapaz que dançaria para ele, a fim de fazer com que ele deixasse de ser gay. Prontamente, ele respondeu que ela só dançaria na “Dança dos Famosos” do programa do Faustão. Explica-se: a atriz Fernanda Souza foi a campeã da última etapa do quadro. A dupla rendeu ainda mais risada aos nostálgicos telemaníacos. Adriano, ao ver que Thaysa chegava ao mesmo local onde ele estava soltou essa: “lá vem essa Chiquitita taradita”. Uma amostra de que a metalinguagem  de Ti ti ti não fica apenas nas produções da emissora.

Fernanda Souza nos tempos de "Chiquitita", novela do SBT.

Ti ti ti é um claro exemplo de que um verdadeiro clássico se faz com base em verdadeiros clássicos. A continuar assim, a trama de Maria Adelaide Amaral reserva inúmeras boas surpresas para nós, loucos por telenovelas.
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Leia também: "Ti Ti Ti: uma novela sem vergonha de ser novela
http://euprefiromelao.blogspot.com/2010/08/ti-ti-ti-uma-novela-sem-vergonha-de-ser.html
                                                                                                                                                                                                                                      

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Série “Memória Afetiva”

5 novelas das seis que amo!

Antes de tudo, é preciso que se deixe claro que não se trata de um TOP 5, muito menos de ser uma lista das cinco melhores novelas das seis de todos os tempos. Este blog não tem e nunca terá a pretensão de ser generalizante ou ditar regras e opiniões definitivas. Trata-se apenas de comentar um pouco sobre cinco novelas que me deram muito prazer em assistir e que, de uma forma ou de outra, marcaram minha memória e minha emoção. São elas:

ANJO MAU (1997)

Não assisti à primeira versão de Cassiano Gabus Mendes, por isso nem posso comparar. Mas concordo com a autora do remake, Maria Adelaide Amaral, que não fazia mais sentido vinte anos depois repetir a mesma situação. Nem por isso a trama da babá Nice (Glória Pires) e sua saga em busca do amor do patrão Rodrigo (Kadu Moliterno) perdeu o charme. De vilã dos anos 70, Nice passou a heroína. Mais um belo trabalho de Glória Pires. Mas os destaques foram para Leonardo Brício, perfeito como o bon vivant Ricardo e Paula (Alessandra Negrini), o verdadeiro anjo mau dessa versão.

FERA RADICAL (1988)


Não sei ao certo se pode ser chamada de um remake de “Cavalo de aço”, escrita pelo mesmo autor Walther Negrão. Certamente, a novela de 73 serviu mais como inspiração para essa trama rural moderna e envolvente, na qual a bela e intrépida Cláudia (a sempre linda Malu Mader) retorna à cidade onde viveu na infância para vingar-se da morte dos pais. No entanto, o tiro sai pela culatra e ela acaba se envolvendo com o filho de seus inimigos (o sempre garanhão José Mayer). Mesmo sendo um folhetim clássico, o charme da trama estava nessa mistura do moderno com o tradicional: Malu Mader com roupa de couro em cima de uma moto e com habilidade em trabalhar com computadores versus José Mayer como o cowboy bronco e viril. A dupla deu certo, mas o show absoluto foi da maravilhosa Yara Amaral, que infernizou a mocinha até o fim na pele da vilã Joana Flores. Inesquecível!


FORÇA DE UM DESEJO (1999)


Junte uma sinopse maravilhosa de Alcides Nogueira e a habilidade para o “bas-fond” e o charme do texto de Gilberto Braga e teremos, talvez, a mais requintada novela das seis da história da teledramaturgia. Tudo na novela era um deslumbre: desde o primoroso texto dos autores, passando pelo capricho e beleza da produção até o afiado e talentoso elenco. “Força de um desejo” é daquelas novelas raras, bem realizadas e envolventes, com um quê de qualidade de cinema. Gilberto Braga transpôs para uma trama de época elementos de suas novelas contemporâneas: alpinismo social, conflitos familiares e o tradicional “quem matou”. Malu Mader, bela e radiante como a cortesã Esther, disputada por pai e filho, polarizou as atenções. Muitos foram os destaques do elenco: Reginaldo Faria, Selton Mello, Lavínia Vlasak, Denise Del Vecchio e, principalmente, Nathália Thimberg (com uma vilã à altura de seu talento) e Claudia Abreu, como uma espécie de Isaura com neurônios, entre outros. Uma pérola de delicadeza!

A GATA COMEU (1985)


Ivani Ribeiro é a rainha absoluta até hoje de histórias simples e envolventes. Ela sempre consegue uma simplicidade rara em suas tramas, que são inocentes sem jamais menosprezar o telespectador. “A gata comeu” é um belo exemplo de trama que caiu no gosto absoluto do público e se sagrou como um dos maiores sucessos do horário. Remake de “A barba azul”, que a autora escreveu na Tupi, as desventuras da megera indomada Jô Penteado (Christiane Torloni) e do certinho Professor Fábio Nuno Leal Maia na contramão de seus tipos habituais) divertiram o público pra valer. Mas naquela romântica Urca dos anos 80 uma galeria de personagens inesquecíveis ainda povoam a memória de muita gente como o falso conde Vitório (Laerte Morrone); o falso cego Braguinha (Élcio Romar) apaixonado pelo pitelzinho Babi (Mayara Magri), filha dos hilários Tetê e Gugu (Marilu Bueno e Claudio Correa e castro), que divertiram o público com sua gravidez tardia; o malandro Oscar (Luiz carlos Arutin) que usava e abusava da bondosa Ceição (Dirce Migliaccio); a doce Zazá (Aracy Cardoso) e sua singela solteirice; a mimada Paula (Fátima Freire) e sua mãe, a megera Ofélia (Diana Morel); as irmãs de Jô: a invejosa Gláucia (Bia Seidl) e a gente boa Lenita (Deborah Evelyn), enfim... a lista de ótimos personagens é interminável. Mas o que marcou mesmo minha infância foi o Clube dos Curumins, formado pelas crianças da novela, entre elas Danton Mello e Juliana Martins. Cheguei até a fundar um clube com o mesmo nome no bairro onde morava...rs! Doces lembranças de uma época e de uma novela inesquecível.


BAMBOLÊ (1987)

Mesmo esquecidinha do público, é minha novela-xodó! De autoria do saudoso Daniel Más. Lírica, romântica, bonitinha. Como apaixonado pelos 50’s que sou, essa é a novela que gostaria de ter escrito. Tudo na novela me encantava: as três irmãs vividas por Miriam Rios, Thaís de Campos e Carla Marins; Maurício Mattar, como o rebelde Murilo, no melhor estilo James Dean; o charme das veteranas Sandra Bréa e Mila Moreira; Joana Fomm, arrasando com mais uma vilã; e uma irresistível trilha sonora, com destaque para “An affair to remember” de Nat King Cole, “Moon River”, “You are my destiny” e “Festa do amor” da Patrícia, sensação nas festinhas da época. No entanto, minha favorita é “Eu sei que vou te amar” em interpretação sensível e surpreendente de Carla Daniel, que na novela, fazia uma espécie de Nara Leão. Ainda tinha a deliciosa trama da divorciada Marta (Suzana Vieira) às voltas com o conquistador barato vivido por Claudio Marzo. O tema de abertura cantado por Léo Jaime é delicioso. Enfim, foi uma novela simpática, romântica, e pra mim, muito inspiradora. Pode-se dizer que, graças a “Bambolê”, tomei gosto pela escrita teledramatúrgica. Guardo a novela com carinho em um lugar muito especial no rol de minhas recordações mais preciosas.


E vocês? O que acham dessas novelas? Quais suas novelas das seis favoritas? Participem!

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