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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dossiê “Felicidade”: 3 textos sobre a novela de Manoel Carlos



Helena (Maitê Proença) entre dois amores: Mario (Herson Capri) e Álvaro (Tony Ramos)

Se tem uma novela que eu tenho assistido com assiduidade no momento, essa novela é “Felicidade” (1991), de Manoel Carlos, atualmente em reprise no Canal Viva de segunda à sexta, às 15:30 e à 01:00 da madrugada. O folhetim, livremente inspirado em contos de Aníbal Machado, ficou marcado pelo romantismo, pela simplicidade e por altas doses de lirismo e poesia em suas tramas cheias de personagens cativantes. A novela também marcou o retorno de uma personagem chamada Helena em uma trama do autor. A primeira tinha sido Lilian Lemmertz, dez anos antes em “Baila Comigo”. Para me ajudar a construir um verdadeiro Raio X da novela, convidei dois amigos que também gostam muito dela: o querido Wesley Vieira, pra falar um pouco da trilha sonora; e Raphael Ramos, que nos apresenta uma visão bem completa da novela sob vários aspectos, inclusive um relato bem emocionante de sua memória afetiva em relação a ela.
Melão apresenta três textos diferentes que falam do mesmo tema: felicidade!



Uma nova chance para “Felicidade”
Por Vitor de Oliveira


“Felicidade se acha em horinhas de descuido”, já dizia Guimarães Rosa. E foi justamente por um descuido que me vi acompanhando a reprise da novela no Canal Viva, de maneira muito descompromissada e, quando me dei conta, não conseguia perder um capítulo sequer. Confesso que a novela não me chamou a atenção em sua primeira exibição. Talvez por ser um adolescente na época e ter me ligado muito mais em “Vamp”, que passava no horário seguinte. Já era crescido demais para a trama infantil e ainda muito jovem para os complicados enlaces amorosos de Helena e cia.

Mas agora nessa nova reprise, decidi assistir a alguns capítulos para comprovar o desinteresse que tinha pela novela. Fui assistindo aos capítulos um a um e quando me dei conta já estava completamente envolvido pela história simples, poética e comovente, pelas incríveis atuações e pelo texto sempre realista do autor. “Felicidade” tem uma aura de novela mexicana: herói certinho, heroína sofredora e vilã louca. Há algumas frases ditas pela vilã Débora (Viviane Pasmanter) como “eu sou a mais infeliz das mulheres” que comprovam essa impressão. Mas a novela está longe de ser maniqueísta ou de conter personagens estereotipados. Os personagens bem que podiam ser nossos vizinhos. Os problemas e dilemas deles se parecem com os nossos. A trama não tem aquele ritmo ágil, tampouco cenas grandiloquentes, mas o texto é tão envolvente, os personagens são tão cativantes, os cenários e figurinos tão realistas que não há como não se identificar e criar um vínculo afetivo com a novela. E, assim, suavemente, sem alarde, “Felicidade” nos captura e nos conquista.

Ariclê Perez: magnífica como Ametista
São inúmeros os destaques do elenco, desde a exuberância de Sandra Bréa à maravilhosa contenção de Ariclê Perez, duas saudosas atrizes que fazem muita falta na tevê, mas gostaria de destacar o trabalho da protagonista, vivida magistralmente por Maitê Proença e defendida com garra pela atriz. O mais fascinante nessa Helena é que, ao contrário das outras, que mentiam e guardavam segredos sempre para proteger outra pessoa, essa Helena mente em benefício próprio, como quando forjou uma gravidez falsa para fazer com que o marido se mudasse com ela para o Rio. Ao ver que o plano não deu certo, Helena não hesitou em simular a perda da gravidez e realizar o funeral do bebê enterrando um tijolo no lugar dele. Mesmo assim, continuamos a torcer por Helena, uma das mais imperfeitas e humanas das Helenas do autor. E Maitê Proença não desperdiçou a oportunidade nos brindando com um brilhante trabalho. Já coloquei essa Helena no rol de minhas favoritas. Há que se destacar também o primoroso trabalho de Edney Giovenazzi e seu Chico Treva, um personagem complexo, construído sem palavras, apenas com delicadeza e minimalismo que só poderia mesmo ser interpretado por um ator de alto nível.

Edney Giovenazzi: memorável como Chico Treva
Enfim, “Felicidade” é uma autêntica novela de Manoel Carlos, o autor que mais consegue dar dimensão humana aos personagens, mas também tem um toque de Ivani Ribeiro, ao conter uma simplicidade comovente que está longe de ser simplória, que se aproveita de nosso “descuido” para nos conquistar. 22 anos depois, me rendo e coloco “Felicidade” no rol de minhas favoritas.
  
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As trilhas de FELICIDADE

Por Wesley Vieira

FELICIDADE. Aí está uma novela que me surpreendeu positivamente. Quando foi exibida, em 91, eu era criança. Assistia, claro, mas a imagem que ficou cristalizada em minha memória não foi a melhor. Quando anunciaram a reprise no Canal Viva, torci o nariz: “Mas que novela cafona, chata, blargh”. Hoje, um pouquinho (só um pouquinho) mais velho, assistindo a saga de Helena (Maitê Proença em seu melhor momento), constato que eu estava redondamente enganado. A novela é linda em todos os aspectos. Manoel Carlos, o nosso Maneco, estava inspirado.

No entanto, independente da novela, as trilhas sonoras sempre permearam as minhas lembranças, em especial o disco internacional, que, evidentemente, me marcou mais. Não deixo de citar o disco nacional, embora essa trilha não esteja entre as minhas favoritas, justamente por causa da inclusão de músicas como “Seja mais você”, do Grupo Raça, tema de Tuquinha, e “Você ainda vai voltar”, da dupla Leandro & Leonardo, tema de Helena e Mário. Estas casavam perfeitamente com os personagens em questão, mas como, particularmente, não gosto desses estilos musicais, definitivamente, FELICIDADE Nacional não me causa boa impressão. A pior, em minha opinião, é “O amigo do rei” do Pery Ribeiro - uma música enjoada para um personagem extremamente chato, neste caso, o Ataxerxes. “Casou” bem. O pior é que se trata de uma das músicas mais tocadas durante a novela. Claro, há músicas interessantes, como “Começo, meio e fim” do Roupa Nova, canção que, por sinal, apesar de ser tema do casal protagonista, se tornou o símbolo de toda a novela. Elis Regina com “Velho Arvoredo” é de uma beleza encantadora, assim como Beto Guedes com “Meu ninho”.


Já, FELICIDADE internacional contém uma seleção de músicas agradáveis. Praticamente todas as canções são boas e fizeram (e ainda fazem) muito sucesso. Algumas ficaram marcadas como temas dos personagens. Há quem diga que o jamaicano Jimmy Cliff tenha feito “Peace” especialmente para a novela. Procurei informações a respeito, mas nada foi comprovado. O certo é que a música é linda e de alguma forma, deixou a vilã Débora ainda mais interessante. "Set Adrift On Memory Bliss" do P.M. Dawn abre o disco trazendo um sample da clássica “True” do Spandau Ballet e ilustrava as paisagens cariocas. Alváro se encontrava com Helena ao som contundente de Michael Bolton com "When a Man Loves a Woman". E "Set The Night To Music" com Roberta Flack & Maxi Priest pontuava as cenas do bom moço, Mário, eternamente apaixonado por Helena. Curiosamente, a baladinha gospel da cantora Martika, “Love… Thy Will Be Done", serviu como tema do esquentado Zé Diogo.

Você, que está lendo esse texto, pode até não gostar, mas a música principal desse disco e da novela, é, sem dúvidas, "Theme From "Dying Young", do Kenny G., tema do filme homônimo lançado no mesmo ano, e aqui, na novela, tema de Helena. Há quem odeie, mas de alguma forma, o lamento saxofônico embala com exatidão os dramas da personagem.

Ainda há músicas interessantes que ainda não foram executadas na novela (até então), como a poderosa "Miles Away" da banda Winger e "Caminando Por La Calle" do Gipsy Kings, ainda que, essa última, em ritmo cigano, esteja descontextualizada da novela.

Enfim, as trilhas de FELICIDADE, como sempre, embalando os personagens e suas histórias na telinha e, também, a nossa vida e memória afetiva. 
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“ ENCONTRAMOS A FELICIDADE QUANDO TEMOS CORAGEM PARA RECOMEÇAR”
Por Raphael Ramos

Maitê Proença dando vida a uma das mais interessantes Helenas
Poucas tramas conseguem ser fiéis ao nome que elas carregam ao longo de mais de 100 ou 200 capítulos. ”Felicidade” conseguiu, não apenas ser fiel nisso como também conseguiu prender o telespectador pela qualidade de sua trama, pelos personagens bens construídos e pelo capricho do autor e colaboradores em ter a percepção que todos os personagens mereciam ter uma história do início ao fim, sem falar no desafio que é manter um ibope no horário das 18 horas sendo uma novela exibida numa época onde a internet não era uma febre.

Eu tenho tantos e inúmeros motivos para agigantar essa obra porque a vejo como excelente em vários ângulos. A cada ângulo chamarei por FELICIDADE não só pelo motivo do título da obra, mas pelos êxitos atingidos sob vários aspectos. São eles: FELICIDADE AUTORAL, FELICIDADE ARTÍSTICA, FELICIDADE CULTURAL E FELICIDADE PESSOAL (o momento crítico e pessoal que eu vivia na época com apenas 10 anos de idade).

Na minha modesta opinião, a década de 90 foi a mais inspiradora para Manoel Carlos. As melhores tramas do autor se concentram nestes anos e FELICIDADE foi a melhor no meu ponto de vista. O meu gosto geralmente não acompanha o gosto popular, quando se fala em Manoel Carlos muitos citam “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas”, etc. A trama em questão não se passa no Leblon e possui uma agilidade bem peculiar de cada capítulo. Ela se divide em duas fases bem definidas, personagens que começam, se desenvolvem e terminam sua história, locações diversificadas como o bairro Peixoto em Copacabana, a fictícia Vila Duília no Engenho Novo e a primeira fase que se passava na fictícia Vila Feliz no interior de Minas Gerais. Manoel Carlos, ao lado de Elizabeth Jhin, Marcus Toledo e Eliane Garcia, prendiam a atenção de adultos e crianças cada vez que a tela congelava na última cena e o arco-íris finalizava o capítulo. As cenas na praça Peixoto, a escola das crianças, a igreja de Chico Treva, a vila do subúrbio davam ar de realidade e de cotidiano ao telespectador. Isso é uma FELICIDADE AUTORAL. Poucos autores como Maneco sabem fazer.

FELICIDADE ARTÍSTICA era ver tantos atores maravilhosos defendendo bem seus personagens. Apesar da trama estar sempre em volta dos desencontros de Álvaro (Tony Ramos) e Helena (Maitê Proença) muitas vezes provocados pelos próprios e milhares de vezes bloqueados pela mimada Débora (Vivianne Pasmanter), as tramas paralelas nunca foram sufocadas pelos protagonistas. Eu destaco alguns aspectos que me fazem admirar a trama:

- A segunda Helena de Maneco após dez anos de jejum é construída de muitos defeitos que a fazem querida e forte para o público. Sustenta mentiras, egoísmos, egocentrismos, forte no que quer e na criação da filha, mas fraca ao enfrentar os obstáculos do amor. Helena ama Álvaro, mas se ama infinitamente primeiro e isso é louvável para a mocinha de uma teledramaturgia.

- O personagem da antagonista Debora que foi brilhantemente defendido pela novata Vivianne Pasmanter que se superou em talento. Debora é uma mulher insegura, vingativa, mimada, fraca e que despertava tanta raiva que chegava a dar pena das insanidades cometidas.

Laura Cardoso em cena com Ester Goes
 - Quero destacar o carisma de Cândida (Laura Cardoso), uma avó que dava vontade de encher de beijos, suas cenas são lindas e cheias de carinho. Cândida era uma mulher rica e simples como o ser humano deveria ser, comedida em fofocas, mas sabia dizer a verdade diretamente doa a quem doer.

- Destaque para Ametista (Ariclê Perez), o melhor personagem da atriz em novelas. Uma mulher seca, amarga e que nunca é emoção, pois tem motivos pra ser só razão, religião e tradição. As cenas são ricas e densas quando nos colocamos no lugar de uma mulher que lutou com simplicidade para ter seu canto junto a terra e teve que abrir mão de tudo, segurar as loucuras do marido, teve que ver todo seu sonho em dançar e tudo que construiu se desmoronar ao ponto de dividir um cômodo de favor com amigos.

Bia (Tatiane Goulart) e Alvinho (Eduardo Caldas): sucesso na época
 - Destaque para o núcleo infantil em cenas tão singelas, leves e contagiantes. Esse foi o sucesso para a trama também conquistar o público infantil. O amor incondicional de Bia (Tatyane Goulart) e Alvinho (Eduardo Caldas) estava acima de qualquer desavença de seus pais, sem falar da música-tema e da amizade da amiga Bel (Aline Menezes) que deu um toque ainda melhor para o núcleo. 

A exuberante Sandra Brea em cena com Viviane Pasmanter, Ary Coslov e Tony Ramos
- Vale ressaltar o meu amor pela impagável Rosita (último personagem de Sandra Bréa numa novela inteira). Apesar do personagem ser escada para vilã e não ter muita trama, as cenas de Rosita são marcantes e marcadas pelo exagero da fala, da gesticulação, do alto astral. Parece que você vê a novela toda pelo mesmo tom, mas quando Rosita aparece o som aumenta, a alegria contagia o capítulo.

  A novela tem um toque muito importante chamado ANÍBAL MACHADO. O escritor é usado como fonte de inspiração pelo autor pra construir tramas e personagens. É onde entra a FELICIDADE CULTURAL. É importante dizer que os contos foram livremente baseados e adaptados. A fonte de inspiração e o autor possuem algo em comum: falar de temas densos em diálogos leves e personagens conflitantes. Confesso que o primeiro chamariz a me fazer ver a novela lá em 1991 foi ter lido para escola o conto “O piano”. Pontuarei esse conto e alguns que norteiam a novela:

- O conflito de João do Piano (Sebastião Vasconcelos) em não conseguir vender seu piano por já ser peça em péssimo estado de conservação, mas estimado por ser relíquia de família. O instrumento se torna um fardo quando a filha Selma (Ana Beatriz Nogueira) resolve se casar com Luiz (Bruno Garcia) e não tem onde deixar o piano. O dilema perdura por muitos capítulos até que João se sente um estorvo ao lado do piano e resolve dar fim a sua vida se afogando com o piano no meio da praia de Copacabana. Essa é uma das cenas fortes da novela que eu jamais esquecerei.

- O próprio protagonista Álvaro é atormentado pela acusação de matar por engano em Vila Feliz um menino chamado Zeca Ventania que ele vê em seus pesadelos ou em momentos de perigo. (No conto original chamado “O iniciado ao vento” o menino se chamava Zeca da Curva e a novela livremente promoveu algumas alterações).

Tuquinha Batista (Maria Ceiça): personagem inspirada em conto de Aníbal

- Dois contos norteiam a trama de Tuquinha Batista, personagem defendido com muito êxito pela novata atriz na época Maria Ceiça. Dona de um caráter forte e muito prestativa, Maneco reservou para a personagem o conto de Aníbal, “Monólogo de Tuquinha Batista”, quando a moça fala do amor que tinha pela zona norte e a resistência em não ir para a zona sul, mas principalmente no conto “A morte da porta estandarte” é que a personagem é traçada. Sua irmã Bel anuncia a sua morte através de um sonho. Na novela, Tuquinha era porta bandeira da G.R.E.S Estácio de Sá e é morta a facadas pelo ex namorado ciumento Tide (Maurício Gonçalves).Ótimas as cenas gravadas na quadra da escola.

- Vários outros contos são fontes de inspiração que criaram personagens: “Acontecimentos em Vila Feliz” serviu de inspiração para os personagens Mario (Herson Capri), Zé Diogo (Marcos Winter) e Chico Treva (Edney Giovenazzi), o horripilante e mudo ogro que não fazia mal a uma formiga. O conto “Tati, a garota” foi a base para o relacionamento entre mãe e filha de Helena e Bia e o conto “O telegrama de Ataxerxes” foi pano de fundo para o sonhador, falido e inconsequente Ataxerxes (Umberto Magnani).

  Gostaria de terminar essa longa avaliação pessoal declarando que além de todos esses motivos que tenho para aplaudir de pé a novela, ainda existe um motivo mais forte: a FELICIDADE PESSOAL. Minha mãe foi a responsável por me fazer gostar de TV e junto com ela eu comecei a ver novela em “Livre para Voar” – 1984. “Felicidade” foi a última novela que nós vimos juntos antes da sua partida precoce. Se em 1984 ela me convenceu a ver a primeira, eu a convenci a ver essa última comigo.

  Em meio a preparativos da festa de 15 anos da minha irmã, eu puxava a senhora Maria Aparecida para sentar-se comigo na sala e ganhar seu tempo de seis às sete. Muitas vezes eu ouvia ela dizer que a festa da minha irmã era a última coisa que ela gostaria de fazer em vida pois já sabia que andava bastante doente, muitas vezes ela relutava em ver comigo para agitar os preparativos, mas eu percebia que ela pensava duas vezes e vinha ficar ao meu lado, vejo hoje que ela agia como se tivesse me fazendo companhia pela última vez!

  Nos últimos capítulos da novela ela já se encontrava debilitada, mas fomos juntos até o fim da trama. Lembro que não conseguia ver quando sua reprise foi ao ar por lembrar dela doente ao meu lado, mas sem perder a força, a alegria e seu amor. Ela me deu a base para eu entender hoje o que é ter Felicidade. Felicidade não é um estado de espírito que conseguimos manter o tempo todo, mas é a certeza de que problemas, decepções e tristezas virão e eu serei atingido, mas não me deixarei abalar. A gente levanta e não se faz de coitado! Sorrio pra curar a dor! Termino com o trecho da música da trilha da novela “Estrela Amiga” (grupo Ping Pong), trecho esse que ela cantava pra mim: “Eu tenho tanto que sonhar, cada vez eu sonho mais, quem tem a sua estrela amiga, sonha (dorme) em paz...”
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Wesley e o melão. Rapha e eu curtindo o carnaval: será o desfile de Tuquinha Batista?



E você, o que mais curte em "Felicidade"? Deixe seu comentário! 
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LEIA TAMBÉM: 

Dossiê “Dancin’Days”: a novela que fez o Brasil dançar!



Série Memória Afetiva: 12 trilhas internacionais – por Wesley Vieira






sábado, 2 de junho de 2012

Blogueiro convidado: Raphael Ramos “livre para voar” e contar uma bela história.




 Nunca o termo “memória afetiva” fez tanto sentido no melão. Meu querido Raphael Ramos, a quem chamo carinhosamente de Rapholho, é dos meus! Noveleiro de mão cheia e memória “elefantesca”, temos em comum o fato de sempre relacionarmos fatos e memórias de nossas vidas à lembranças televisivas. Rapholho nos brinda com um belo texto, cheio de emoção e pleno das mais doces lembranças ao lado de sua querida mãe, com quem assistia a “Livre para voar”, novela que bate fundo em sua memória afetiva. Confesso que me emocionei com as imagens e lembranças evocadas pelo texto e tenho certeza de que vocês também vão gostar. Muito obrigado, amigo, pelo belo texto e parabéns pela sensibilidade!




Memória Afetiva – Livre para Voar (1984/1985)

Por Raphael Ramos



  Acordar para vida é quando uma criança se dá conta que ela existe no mundo e precisa falar, comer, andar, pensar... . O meu despertar foi em frente à TV e, mais especificamente, numa teledramaturgia. Eu amo as novelas porque eu amava minha mãe e uma coisa sempre foi ligada a outra. Os poucos dez anos que eu tive ao lado da dona Aparecida foram tão intensos e marcantes que eu resgatei da minha “elefantesca” memória a novela “Livre para Voar” (1984/1985) de Walther Negrão e colaboração de Alcides Nogueira. A obra foi a primeira de muitas ao lado da matriarca da família. Ela me acompanhou até “Felicidade” (1991/1992) e de lá pra cá, eu tive que continuar mantendo esse meu vício sozinho. “Felicidade” de Manoel Carlos é outra felicidade à parte, que cabe em outra passagem afetiva.

  Eu tentei me enganar por não conseguir acreditar na minha memória, mas me recordo que o horário era vespertino, hora de lanchar com a mamãe. Apesar de ter apenas quatro anos, não pude esquecer isso:
- Mãe, que horas são?
- São 18h00min, hora de lanchar com a mamãe e ver o Pardal (personagem protagonista de Tony Ramos).

  Pardal era da minha família, foi meu primeiro herói e me iludiu com meu primeiro final feliz. Ele me mostrou que pode ser bom morar num vagão de trem. Eu queria ser o Gibi (Fernando Almeida) para estar ali naquela situação. Eu quis ser feliz pra sempre pela primeira vez e fiz a minha mãe me levar em Poços de Caldas (Minas Gerais) a fim de me sentir dentro da história.

   Walther Negrão e Alcides Nogueira foram os responsáveis pelo meu primeiro sonho que me faz admirá-los até os dias de hoje, eles me fizeram torcer até o final pela Vitória de Bebel/Cristina (Carla Camuratti) e Pardal contra as maldades ardilosas de Helena (Dora Pelegrino) e Danilo (Carlos Augusto Strazzer).

   A trama era despretensiosa e deu certo sem ter a ousadia de ser um sucesso retumbante, foi apenas um sucesso que me deixa lindas recordações e me faz ouvir até hoje a faixa “Chico” de Renato Teixeira na trilha nacional e “Drive” da banda The Cars na trilha internacional. É só ouvi-las que todo saudosismo volta ao coração.

   Discordo com alguns críticos que analisam a trama como boa, porém inconsistente. Construiu na minha vida e na vida de todos que viram e reviram a novela. Eu sempre digo que tenho várias novelas na minha vida, mas “Livre para Voar” foi o primeiro passo, foi “a mais bela flor que alguém já viu nascer e não esqueceu de trazer força e magia, o sonho, a fantasia e a alegria de viver...”


Obrigado, Rapha! Textos como o seu me fazem acreditar no poder e na importância da telenovela em nossas vidas! 
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LEIA TAMBÉM:

A Urca de “A gata comeu”.






sábado, 10 de dezembro de 2011

Série Memória Afetiva: AS EMPREGADAS FAVORITAS DA FICÇÃO.





Para marcar a estreia do novo banner do melão, decidimos homenagear essas lindas. Elas não podem faltar em qualquer novela. Podem tanto ser a razão de ser produções em “Sem lenço sem documento” (1977), de Mario Prata e em breve em “Marias do Lar”, próxima novela das sete, quanto entrarem mudas e saírem caladas. As mais falantes e participativas, sem dúvida, são as das novelas de Manoel Carlos. Podem ser cômicas, trágicas, bandidas, amigas, sérias, boazudas... o fato é que são indispensáveis. E como são muitas (lógico que muitas injustiças serão cometidas nesse post), resolvi dividir a autoria da lista com meu amigo Eddy Fernandes, parceiro antigo do melão, já que a ideia foi dele. Pedi para que ele escolhesse 5 de suas favoritas e depois complementei com as minhas 5. Vamos a elas?


AS PREFERIDAS DO EDDY



CONCEIÇÃO (MARIA ALVES) em Baila Comigo (1981): 



Impossível deixar de mencionar a primeira das adoráveis domésticas de Manoel Carlos. Como todas as suas sucessoras, Conceição estava sempre disposta a ajudar. Era confidente, conciliadora, amiga. O verdadeiro anjo da guarda da sofrida protagonista Helena (Lílian Lemmertz). A verdade é que muito do mérito da personagem se deve à sensível interpretação da saudosa Maria Alves, que impôs à Conceição um jeito meigo e divertido. Daquela pessoa que está na família há tantos anos que já se tornou parte de casa.


TELEVINA (KLEBER MACEDO) em A Gata Comeu (1985):


A musa de nós, noveleiros! Sem dúvida alguma, Televina formou o caráter da maioria! Lembro que quando assisti a reprise da novela em 2001, me senti absolutamente encantado com a presença de uma personagem viciada em novelas. Tinha pouco mais de nove anos de idade e aquilo era algo absolutamente novo para mim. Só pude ter a exata dimensão da personagem no início do ano, vendo a novela numa espécie de “Vale a Pena Ver de Novo” particular... rs! Televina não era mera ilustração. Tinha importância capital na vida dos patrões, os atores Rafael (Eduardo Tornaghi) e Tony (Roberto Pirillo). Era uma espécie de “mãe” para os dois rapazes. Além de, é claro, prestar uma homenagem ao folhetim eletrônico a cada capítulo com suas referências saborosas. Grande sacada da mestra Ivani Ribeiro, flertando com a metalinguagem.


GERMANA (ARACY BALABANIAN) em Da Cor do Pecado (2004): 


A fiel funcionária dos Lambertini era um “cão de guarda” sempre disposto a defender o patriarca Afonso (Lima Duarte) das armações da perigosa Bárbara (Giovana Antonelli). Apaixonada secretamente pelo patrão, Germana criou Paco (Reynaldo Gianechinni) como filho e foi cúmplice de Afonso na trama que separou o problemático herdeiro de seu irmão gêmeo, o irreverente Apolo, e de sua mãe biológica, a Mamuska Edilásia. Apesar das atitudes questionáveis do passado, Germana era uma figura doce e sensata. Sua afetividade é premiada antes do término da trama, quando finalmente realiza sua paixão por Afonso, casando-se com ele. A felicidade, no entanto, dura pouco, pois o empresário é assassinado pelo terrível vilão Tony (Guilherme Weber). A governanta, mesmo destroçada, não se abala, por ter a noção que é o grande estertor emocional daquela família. Grande personagem escrito por João Emanuel Carneiro, brilhantemente defendido pela nossa eterna dona Armênia.

SHEILA (PRISCILA MARINHO) em Caminho das Índias (2009): 

A espevitada personagem era a maior fã da patroa, a surtada socialite Melissa Cadore (Christiane Torloni) e sua maior cúmplice nos delírios e ataques de consumismo. Sheila esteve também muito presente durante o processo de avanço da esquizofrenia de Tarso (Bruno Gagliasso), o filho “perfeito” de Melissa. Apesar da tinta cômica, a autora Glória Perez soube manejar a doméstica inteligentemente, usando-a como “orelha” da fútil matriarca, que expunha finalmente um lado mais humano e menos plastificado. Ótima estréia de Priscila Marinho.




CLEONICE (VERA MANCINI) em Morde & Assopra (2011): 


A boquirrota serviçal passou grande parte dos capítulos sendo humilhada pela esnobe patroa Salomé (Jandira Martini) e sua filha, a vilãzinha Celeste (Vanessa Giácomo). Cleonice era uma verdadeira escrava. Lavava, cozinhava e ainda agüentava desaforos. É certo que, bastante linguaruda, sempre metia o nariz onde não era chamada. E mantinha uma relação de implicância velada com a avarenta Salomé. Mas uma jogada perspicaz do autor Walcyr Carrasco, levou Cleonice à forra. Ainda no meio da trama, Salomé, para não ter que decretar falência, se viu obrigada a transferir seus bens para a doméstica, acreditando que ela, ingênua, não lhe oferecia risco. Ledo engano. Influenciada por Élcio/Elaine (Otaviano Costa), Cleonice tomou um banho de loja e proporcionando a catarse dos espectadores, transformou sua algoz em empregada, fazendo-a sofrer as mesmas humilhações que lhe impunha. Não preciso nem dizer o quanto foi divertido acompanhar isso... rs! Vera e Jandira deitaram e rolaram em cenas hilárias.

AS PREFERIDAS DO VITOR



ZILDA (THALMA DE FREITAS) E LÍDIA (THALITA CARAUTA), de Laços de Família (2000) e Páginas da Vida (2006):

Empate técnico. Duas adoráveis representantes da nobre linhagem de empregadas de Manoel Carlos. Lídia e seu indefectível “Ô Donelena”, vivida pela talentosa Thalma de Freitas era adorável: companheira, conselheira e fidelíssima à patroa, segurava todas as ondas da casa, apagava os incêndios e mediava os conflitos entre Helena (Vera Fischer) e a filha Camila (Carolina Dieckmann) e desta última com a endiabrada Íris (Debora Secco). Tudo com muito dengo, doçura e um irresistível sotaque baiano.


Já Lídia (Thalita Carauta, muito anterior à babuína Janete do “Zorra Total”), conquistou o público pela desenvoltura e pelo carinho com o qual cuidava de Clarinha (Joana Mocarzel), filha da patroa Helena (Regina Duarte), portadora de Síndrome de Down. Em sua primeira novela, Thalita já demonstrava uma naturalidade impressionante e grande capacidade de improvisação, já que as cenas com Joana, muitas vezes, eram imprevisíveis. Atriz cômica de mão cheia, a personagem Lídia é uma prova da versatilidade de Thalita.



OLÍVIA (MARILU BUENO) em Guerra dos Sexos (1983)

Essa, literalmente, ficava no meio do fogo cruzado dos primos Charlô (Fernanda Montenegro) e Otávio (Paulo Autran). Claro que sobrou torta na cara pra coitada também. De personalidade reprimida, tinha momentos de lascívia ao pensar em Nando (Mario Gomes) e até chegou a trocar beijos com o galã. Muitos méritos para Marilu Bueno, que soube aproveitar a oportunidade e também se destacar em um núcleo repleto de grandes nomes. Impossível se lembrar da lendária novela sem incluir a atrapalhada Olívia.


LUCIMAR (MARIA GLADYS) em Vale Tudo (1988)

Outra que soube se destacar em meio a atuações titânicas. Como diarista, transitava em vários cenários e levava e trazia a fofoca entre eles. Seus comentários cheios de humor e ironia arrancavam gargalhadas do público. Sempre que cruzava com Fátima (Gloria Pires), a filha ingrata da patroa Raquel (Regina Duarte), lhe dizia poucas e boas. A coitada chegou a ficar entre a vida e a morte por causa de uma maionese envenenada, mas teve um final digno de estrela, ao se tornar milionária ganhando no jogo do bicho e se transformando numa espécie de Odete Roitman (Beatriz Segall) da classe C. Maria Gladys viveu outras empregadas e diversos tipos impagáveis, mas sua Lucimar se tornou emblemática na carreira da atriz.


MINA (ILVA NIÑO) em Roque Santeiro (1985)


Até hoje o grito tribal de Porcina (Regina Duarte), “Minaaaaaaaaa”, chamando pela serviçal, ecoa no imaginário do público. E como não amar essa criatura tão fiel, carinhosa e dedicada, apesar dos pontapés que levava da patroa? E se essa figura é vivida pela extraordinária Ilva Niño, o amor é elevado ao cubo. Mina talvez tenha sido a mais fiel e devotada das empregadas. Conhecia todos os segredos da patroa e a ajudava a se livrar das mais diversas enrascadas. E em determinados momentos, era a única a dizer verdades para Porcina de maneira hilária e sutil. Mina é um clássico que não pode faltar em qualquer lista.


NICE (GLORIA PIRES E SUSANA VIEIRA) em Anjo Mau (1976/1997)



A babá mais famosa do Brasil. Como vi pouquíssimas cenas da novela original de Cassiano Gabus Mendes de 1976, vou falar de mais uma atuação espetacular de Gloria Pires na nova versão da novela de 97. Insatisfeita com sua condição social e disposta a tudo para vencer na vida, Nice realizou várias armações para conquistar o coração do patrão Rodrigo (Kadu Moliterno), mas acaba se apaixonando de verdade por ele. Se na primeira versão, Nice não foi perdoada pelas suas artimanhas e foi punida pelo autor com a morte, na nova versão foi perdoada por Maria Adelaide Amaral, afinal não é crime algum uma pessoa querer um objetivo e lutar por ele. Na verdade, essa Nice começou a novela ambiciosa, mas foi se transformando, até se tornar boa e ética. Com isso, o posto de verdadeiro “anjo mau” da novela foi parar nas mãos da maquiavélica Paula (Alessandra Negrini em show de atuação). E a redenção de Nice vem acompanhada do amor de Rodrigo e do nascimento da filha do casal, Vitória. Susana Vieira fez uma participação afetiva no último capítulo como a babá substituta. Os tempos, de fato eram outros e a autora, sabiamente, soube acompanhar essa mudança.

MENÇÃO HONROSA: BÁRBARA (BETTY FARIA) em Duas Caras (2007/2008)

Mais do que uma empregada, Bárbara conhecia todos os segredos do patrão Marconi Ferraço (Dalton Vigh) e era a pessoa em que ele mais confiava na vida, sendo inclusive a responsável pela iniciação sexual do rapaz. Anos depois, permanecia cuidando de Ferraço como a mais fiel das gueixas e, quando foi ameaçada por Sílvia (Alinne Moraes), colocou a vilazinha em seu devido lugar, provando que antiguidade é posto. A cena em que Bárbara dá uma chave de braço em Sílvia, chamando-a de “diabinha” é uma das minhas favoritas da novela. Grande atuação de Betty em um papel aquém de seu talento. Vamos rever a cena?




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Sei que faltaram muitas e inesquecíveis representantes da classe. Por isso, o melão dá a palavra a vocês? Quais são suas domésticas favoritas da ficção?
  

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Série Memória Afetiva: grandes damas da televisão


Nunca escondi minha predileção por atrizes. Claro que aprecio o trabalho de um grande ator e muitos deles já habitam no panteão de minha memória afetiva. Mas o fascínio que elas exercem em meu imaginário é inexplicável. Nada é mais poderoso e impactante do que uma atuação feminina. Para dar continuidade a essa homenagem a elas, já que eu já criei um post especial sobre as grandes estrelas da tevê (leia aqui), agora resolvi reverenciar as grandes damas, as essenciais, que carregam toda a bagagem teatral e, embora nem sempre ganhem o posto de protagonistas, são imprescindíveis em qualquer novela. Claro que toda lista é subjetiva, sobretudo as deste blog, assumidamente afetivo. Sei que devo estar cometendo alguma terrível injustiça ao ser traído por minha própria memória, mas mesmo as grandes atrizes que não constam nessa lista, toda minha reverência, respeito e admiração.
Mas as favoritas do melão são elas:

ROSAMARIA MURTINHO



Na verdade, é a grande inspiração desse texto. Tudo o que disser será pouco diante do encantamento que tive com sua arrebatadora atuação como Tia Magda em “O astro” (2011). Em contraponto perfeito com o furacão Clô Hayalla (magistralmente vivida por Regina Duarte), a Tia Magda de Rosamaria Murtinho teve sua personalidade introvertida construída nos detalhes, nas sutilezas, de maneira artesanal, que só mesmo uma atriz com grandes recursos seria capaz. Rosamaria conseguia transmitir toda a amargura e a melancolia de Magda apenas pelo olhar. Ela brilhou intensamente durante toda a novela, mas foi no último capítulo que conseguiu arrancar lágrimas do público ao explodir e deixar transparecer todo o seu rancor, seu ressentimento e sua inveja pela sobrinha Clô. E a cena em que Magda se suicida entrou simplesmente para a antologia das grandes cenas. De cara limpa, com uma coragem absurda, Rosamaria mostrou porque é realmente uma das maiores atrizes desse país. Até então, sua esfuziante Romana Ferreto de “A próxima vítima” era minha personagem favorita da atriz. Mas Magda me arrebatou completamente e recolocou Rosamaria no centro das atenções. Minhas primeiras lembranças da atriz datam das comédias oitentistas de Sílvio de Abreu como “Cambalacho” (1986) e “Jogo da Vida” (1981), mas essa moça veio de longe. Desde os tempos da Excelsior, já brilhava na constelação televisiva de nosso país e forma com Mauro Mendonça um dos casais mais simpáticos e admirados de nossa tevê. Foi uma honra trabalhar com você e já estou ansioso pelo próximo encontro.

FERNANDA MONTENEGRO



Talvez seja a grande unanimidade de nosso país. Sua indicação ao Oscar foi um grande reconhecimento mundial, mas o que Hollywood só descobriu há alguns anos atrás, nós, brasileiros já conhecíamos e desfrutávamos de longa data: seu avassalador talento. São muitas Fernandas em uma só: a adorável cambalacheira Naná, de Cambalacho (1986); a terrível Bia Falcão de “Belíssima”(2005); a tresloucada Charlô, de “Guerra dos Sexos” (1993); a mística Vó Manuela de “Riacho Doce” (1990); a aventureira Zazá (1997); a cosmopolita Lulu de Luxemburgo de “As Filhas da Mãe” (2001); a dominadora Chica Newman, de “Brilhante” (1981); a deliciosa Olga Portela de “O dono do mundo” (1991), só pra citar algumas de suas grandes personagens. A cafetina Jacutinga de “Renascer” (1993) é absolutamente inesquecível. Fica até difícil destacar um personagem dentre tantas interpretações perfeitas. Mais difícil ainda é dizer algo de Fernanda que ainda não tenha sido dito. Dona de todos os recursos, referência total de qualidade e competência. Vida longa para La Montenegro.


NICETE BRUNO

 A primeira imagem que temos de Nicete é de seus personagens doces e simpáticos, mas quem a assistiu como a perversa Úrsula de “O amor está no ar” (1997) ou como a amargurada Isolda de “Louco Amor”, conhece o imenso potencial da atriz que atualmente vem dando show como a amorosa Iná, avó das personagens de Fernanda Vasconcelos e Marjorie Estiano em “A vida da gente” (2011). Também podemos comprovar atualmente outra faceta de Nicete como a divertida perua Juju, que não suporta ser chamada de Julieta pelo marido em “Mulheres de Areia” (1993). Provocou risadas na plateia muitas outras vezes, como em “Alma Gêmea”, em que infernizava a vida do genro vivido por Fúlvio Stefanini. Não tem quem admire essa atriz de sorriso cativante. Casada com Paulo Goulart, também forma um dos casais mais queridos do meio artístico.



EVA TODOR

Estamos acostumados a vê-la sempre no papel de senhorinha irreverente e atrapalhada, mas sua Santinha Rivoredo de “Sétimo Sentido” (1982) revelava uma faceta extremamente dramática da atriz e grande capacidade de criar megeras. Verdadeiro ícone do teatro, teve estreia tardia da Rede Globo em Locomotivas (1977) como a matriarca Kiki Blanche, dona do salão onde se passava a maioria dos conflitos da novela. Outro momento de destaque foi na minissérie “Hilda Furacão” (1998) em que deu vida a Loló, uma conservadora senhora da tradicional família mineira dos anos 50, que fazia de tudo para destruir Hilda e toda a zona do baixo meretrício de Belo Horizonte. Mas os papéis irreverentes são realmente sua especialidade, que sempre dão um sabor especial às produções das quais faz parte.



CLEYDE YÁCONIS


Irmã da lendária Cacilda Becker, Cleyde também é daquelas atrizes superlativas, que defendem com dignidade qualquer papel. Ela convence tanto quanto a perua falida Isabelle em “Rainha da Sucata”, quanto as avós amorosas que viveu em “Vamp” (1991) e “Eterna Magia” (2007). A matriarca Guilhermina Taques Penteado, de “Ninho da Serpente” (1982) é um de seus grandes papéis na tevê. Mas a doce Melica, de “Os ossos do Barão”, remake do SBT, também tem um grande número de admiradores. Recentemente, pudemos rever Cleyde como um dos grandes destaques de “Passione” (2010), como Dona Brígida, a assanhada velhinha que mantinha um caso com o motorista Diógenes, vivido por Elias Gleiser. Ela é a razão de ser de produções pouco memoráveis como “Sex Appeal” (1993), mas também pode ter apenas um delicioso momento como em grandes produções como a minissérie “Um só coração” (2005), em que viveu ela mesma. O fato é que Cleyde Yáconis é indispensável e marcante em qualquer produção.


RUTH DE SOUZA



Essa foi uma grande desbravadora. Não chegou a ser a primeira negra a protagonizar uma novela (Yolanda Braga protagonizou “A cor da sua pele”, na Excelsior em 1964), mas certamente foi a mais marcante ao protagonizar “A cabana do Pai Tomás”, em 1969. Ganhou notoriedade no cinema com o filme “Sinhá Moça”, de 1953, inspirado no romance que mais tarde também viraria novela em 1986, na qual fez sucesso como Balbina, ao lado de Grande Otelo, formando um dos mais adoráveis casais da novela. É sempre uma presença agradável em cena, como em “O clone” (2001) em que vivia Dona Mocinha, a avó do clone Léo (Murilo Benício). Também teve um papel marcante em “O bem amado” (1973) ao lado de Milton Gonçalves. Atualmente, tem uma presença bissexta nas telas, mas sempre com muito brilho e interpretando todo tipo de papel, desde juízas a mães de santo. Se hoje temos Taís Araújo, Camila Pitanga e Sheron Menezes em papéis de destaque nas novelas, é porque no passado tivemos Ruth de Souza abrindo caminho para o artista negro no Brasil.


BEATRIZ SEGALL


Talvez as grandes vilãs, sobretudo Odete Roitman, a tenham marcado de maneira indelével em nossa teledramaturgia, mas Beatriz Segall já provou que é capaz de dar vida a diferentes tipos de personagens. Recentemente, a vi no teatro ao lado de Herson Capri no espetáculo “Conversando com mamãe”, em uma atuação comovente e convincente como uma simplória dona de casa. Na tevê, foi desde a alpinista social Lourdes Mesquita em “Água Viva” (1980) à idealista cientista Miss Brown em “Barriga de Aluguel” (1990), passando pela fogosa Stela, frequentadora do Clube das Mulheres em “De Corpo e Alma” (1992). Apesar das grã-finas serem sua especialidade, já foi uma mulher pobre moradora de vila em “Champagne” (1984). Uma personagem que gostava bastante era a quatrocentona falida Clô, da segunda versão de “Anjo Mau” (1997), em ótima dobradinha com a saudosa Ariclê Perez e fazendo um par comovente com José Lewgoy. Embora as madames sejam sua especialidade, La Segall é bem mais do que isso.


NATHALIA TIMBERG



Mais uma representante do que temos de mais nobre em nossa teledramaturgia. Recentemente, voltou a cativar o público na reprise de “ValeTudo” com a doce e submissa Tia Celina, em excelente contraponto com a diabólica Odete Roitman de Beatriz Segall. Mas diabólica é algo que Nathalia também sabe ser, como provou em “Força de um desejo” (1999) como a maquiavélica Idalina. Outra vilã gilbertiana vivida muito marcante foi a mesquinha Constância Eugênia, de “O dono do mundo”. Na primeira versão de “Ti Ti Ti” (1985), pôde flertar com o nonsense ao interpretar a desmemoriada Cecília. A atriz já emociona o país há muito tempo, como no megassucesso “O direito de Nascer” (1965). Em “A Rainha Louca” interpretou tanto a mocinha, quanto a vilã. Como queria ter assistido... O fato é que, mesmo com papéis sem grandes possibilidades como a recente Vitória Drummond em “Insensato Coração” (2011), é sempre uma presença digna e brilhante em cena.


LAURA CARDOSO



Uma das atrizes mais constantes em nossa tevê, que também transita por diferentes tipos desde os tempos da Tupi. Minha primeira lembrança dela foi na novela “Pão pão beijo beijo”, na pele da nordestina Donana. A partir daí, uma infinidade de tipos me vem à mente, como a autoritária matriarca indiana Laksmi de “Caminho das Índias” (2009) ou a simpática Glória, da atual temporada de “A grande Família”. Meus personagens favoritos são a Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, que tinha uma clara preferência pela última em “Mulheres de Areia” (1993) e Dona Guiomar, a amável sogra de Raul (Miguel Falabella), que passa a repudiá-lo após ser possuída pelo espírito de Alexandre em “A viagem” (1994). Uma verdadeira operária da tevê que já viveu praticamente todo tipo de personagem.


ARACY BALABANIAN



Dá pra acreditar que a tresloucada Dona Armênia de “Rainha da Sucata” (1990) e a austera matriarca Filomena Ferreto de “A próxima vítima” (1995) foram vividas pela mesma pessoa? Versatilidade é pouco pra definir essa atriz, que brilha desde os tempos da Tupi. Suas atuações são tão marcantes que até hoje minha tia Marilza comenta sobre uma ou outra cena das mocinhas que interpretadas por Aracy em “Antonio Maria” e “Nino, o italianinho” nos longínquos anos sessenta. Minhas primeiras lembranças são oitentistas, claro, como a amarga Marta de “Ti Ti Ti” (1985) ou a dominadora Helena de “Elas por elas” (1982). Capaz de ir ao mais intenso dos dramas às comédias mais histriônicas como a Cassandra do humorístico “Sai de Baixo”, é uma das atrizes mais completas que temos.


EVA WILMA


Talvez a primeira grande estrela da tevê. Já fazia sucesso nos anos 50 ao lado de John Herbert em “Alô Doçura”, uma das primeiras sitcons brasileiras. Foi estrelíssima na Tupi, principalmente nas novelas de Ivani Ribeiro como “A barba Azul”, “A viagem” e “Mulheres de Areia”. A partir dos anos 80, viveu papéis de destaque na Rede Globo em novelas como “Ciranda de Pedra” (1981), “Elas por elas” (1982) e “Roda de Fogo” (1986). A endiabrada Altiva de “A indomada” (1996) é um de seus papéis mais marcantes, diametralmente oposto à equilibrada médica Marta no seriado “Mulher” (1998). Um de meus personagens favoritos é a submissa Hilda de “Pedra sobre Pedra” (1992). A cena em que ela toca piano para “acalmar” a lua para tentar impedir que Sérgio Cabeleira (Osmar Prado) seja levado por ela é das mais bonitas, emocionantes e delicadas que já vi. Mais uma atriz de múltiplos recursos, que vai dos tipos mais introvertidos às mulheres mais loucas e exageradas. Uma grande estrela que se transformou em grande dama.

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Quais são suas favoritas?

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