quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Blogueiro convidado: Aladim Miguel fala sobre encontro de divas no CCBB

                                                                                                           
Queridos, o melão está tão chique que já ganhou até um repórter! Como não pude comparecer ao maravilhoso evento no CCBB sobre a história das telenovelas, convoquei o querido amigo Aladim Miguel, criador do incrível Arquivo Lucélia Santos , site caprichadíssimo em fotos e informações, totalmente dedicado à carreira da atriz. Além de “luceólogo”, Aladim é noveleiro de carteirinha, fã e entendedor profundo de teledramaturgia. Portanto, não poderia estar melhor representado. Aladim foi de uma gentileza imensa em relatar tudo o que presenciou no encontro. É com você, amigo!
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“A História das Telenovelas” no CCBB

por Aladim Miguel



A noite do dia 31 de Agosto de 2010 foi especial para os amantes da boa telenovela brasileira, o encontro de duas divas da nossa teledramaturgia – Nathália Timberg e Sonia Braga - foi um prato cheio para quem gosta de conhecer mais da história de uma época de ouro da nossa televisão brasileira. O evento “A História da Telenovela”, idealizado pelo Profº Hermes Frederico, lotou o Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), com um bate papo leve e divertido e com direito a várias imagens clássicas das participações das convidadas em momentos antológicos da telenovela brasileira no telão.


Nathália Timberg, O Direito de Nascer e a Força das Telenovelas:



O evento começou ás 18: 30 com a entrada da atriz Nathália Timberg - uma de nossas maiores Damas do Teatro – que se surpreendeu ao se deparar com a platéia lotada e comentou “Vocês gostam mesmo de novelas hein!”. A atriz começou a contar suas curiosidades sobre as novelas a partir de sua estréia no gênero em “O Desconhecido” (1964) - novela produzida pela TV Rio e exibida em São Paulo pela TV Record - nesta novela ela criou um grande vinculo de amizade com Nelson Rodrigues que era responsável pela autoria da novela. Depois ela comentou o seu maior sucesso na TV: a irmã Maria Helena do clássico “O Direito de Nascer”, da TV Tupi em 1964, que segundo palavras dela “quase me canonizou” disse rindo e levando a platéia às gargalhadas, lembrou que parava multidões só com um simples aceno e do fenômeno que compareceu à festa de encerramento aqui no Ginásio do Maracanãzinho em 1965. Depois da apresentação de um vídeo histórico sobre este evento, Nathália lembrou sua estreia na TV Globo em 1967 com “A Rainha Louca”, em que fez a protagonista, ao lado de Rubens de Falco, de quem lembrou vários bons momentos de parceria nesta trama. Em um momento bastante delicado do bate papo Nathália criticou os jovens atores e a linguagem das telenovelas atuais: “Precisam cuidar um pouco mais da linguagem das telenovelas brasileiras atuais. A nossa língua é muito maltratada. Cada vez mais o povo fala muito mal o português e os autores, com essa história de retratar a realidade da vida, estão esquecendo-se de fazer bons textos também”. Sobre seu contato com a grande Ivani Ribeiro, relembrou dois trabalhos marcantes na TV Excelsior: “O Terceiro Pecado” (1968) e “Dez Vidas” (1969/70), essa última com direito a exibição de uma cena pequena da novela. Também lembrou de uma época em que os atores de teatro tinham grande preconceito em atuar em telenovelas e relutavam muito em aceitar os convites, lembrou com carinho de duas produções que foram encabeçadas por ídolos do teatro: as primeiras versões de “A Muralha” ( TV Excelsior - 1968/69), de Ivani Ribeiro – com quem havia feito grande sucesso em “O Terceiro Pecado” (TV Excelsior -1968), trama mais conhecida por nós através do seu remake na TV Globo com o nome de “O Sexo dos Anjos” (1989/90) – e “Sangue do meu Sangue” de Vicente Sesso (TV Excelsior em 1969/70). Marcada por grandes vilãs, Nathália teve sua porção romântica exibida no telão com uma cena de “Escalada” (de Lauro César Muniz – TV Globo - 1975), onde representou uma professora que se apaixona por um rapaz mais jovem interpretado por Ney Latorraca. Para finalizar o bate papo foi debatida a parceira da atriz com o autor Gilberto Braga em “O Dono do Mundo” (TV Globo – 1990/92), onde ela arrasou na pele da soberba Constância Eugênia, e em “Força de Um Desejo” (1999/2000 - esta em co-autoria de Gilberto com Alcides Nogueira), onde voltou a dar um show de interpretação como a pérfida Idalina e comentou sobre sua volta ás obras do autor em “Insensato Coração”, título provisório de sua próxima novela das 8 para a TV Globo em parceria com Ricardo Linhares, em que ela fará uma personagem rica e do bem como a Celina de “Vale Tudo” (1988/89). Sob aplausos, agradeceu ao público e deu passagem a outra diva: Sonia Braga, que foi sua filha na novela “Força de um Desejo”.


Sonia Braga relembra 35 anos de “Gabriela’



A entrada esfuziante da não menos esfuziante Sonia Braga foi marcada por sua já famosa dança do véu que faz a alegria dos fotógrafos. Sonia, linda e em forma, no alto de seus 60 anos, já conquistou a plateia na entrada com muitos aplausos. Ela começou seu bate-papo lembrando sua sofrida trajetória de vida, desde a morte de seu pai quando ela tinha 9 anos, quando sua família perdeu tudo até sua primeira oportunidade na TV no programa infantil “Jardim Encantado” a convite do novelista Vicente Sesso. Depois de ser recepcionista e de ter sido secretária em um Buffet, ela ainda tentou ser modelo, muito influenciada por seu irmão Hélio, presente na plateia. Sonia não passou nos testes, mas ganhou uma forcinha do cantor Ronnie Von, que a contratou para seu programa de TV. Sobre teatro ela comentou que não gosta de fazer e que a única experiência que teve foi no clássico musical “Hair”, em que aparecia nua. A atriz parabenizou os atores que gostam e que conseguem fazer TV, cinema e teatro ao mesmo tempo, pois ela não tem esta disposição toda. Foi exibida no telão uma cena da estreia de Sonia na TV Globo em “Irmãos Coragem” (1970/71), de Janete Clair, onde ela comentou que já fez sua estreia usando uma peruca e sendo a rival da índia Potira, da grande Lúcia Alves. Sonia lembrou sua parceira com Janete em mais duas novelas: “Selva de Pedra” (1972/73) e “Fogo Sobre Terra” (1974/75), onde ressaltou a alegria do elenco nas gravações e de sua grande satisfação ao contracenar com a falecida atriz Dina Sfat. Um dos momentos mais curiosos foi a de sua contratação para ser a Gabriela (TV Globo – 1975), novela que a tornaria musa nacional e internacional, principalmente em Portugal, onde era recebida em carro aberto com o comércio fechado, ela comentou que se sentia uma rainha e que isso jamais se repetiu ao longo de sua carreira. Sonia conta que o diretor Daniel Filho tinha visto seu desempenho no Caso Especial “Caminhos do Coração”, de Domingos de Oliveira (TV Globo – 1974), em que ela aparecia super bronzeada - segundo ela, fruto de um tórrido romance que viveu na vida real em Paraty - no episódio “Sonia, a hippie” e a indicou para o temido diretor Walter Avancini que, segundo ela, era um doce de pessoa e só exigia o mínimo dos atores: pontualidade e seu texto decorado na ponta da língua. Foi uma surpresa quando o diretor a chamou para uma conversa e a revelou que ela seria “A” Gabriela na novela homônima de Walter George Durst (TV Globo – 1975), mas que tudo deveria ficar em segredo até uma coletiva com a imprensa onde ela seria apresentada ao escritor responsável pela obra, o baiano Jorge Amado, que arrancou risos dos jornalistas ao responder a pergunta: Porque o senhor escolheu a Sonia Braga para ser a Gabriela? E ele respondeu “Ora, porque somos amantes!”. Depois de narrar este episódio engraçado o telão exibiu outro clássico da teledramaturgia “Dancin’ Days” (TV Globo – 1978/79), onde ela lançou moda e arrasou nas pistas de dança ao lado de Paulete, que foi seu coreógrafo. Sonia contou que não se sentia preparada para viver uma personagem com uma carga dramática tão grande e com uma idade acima da sua na época. Ela conta que fez o teste com as atrizes Lídia Brondi e Glória Pires, que acabou ficando com o papel de sua filha Marisa. Sobre a sua saída das telenovelas em “Chega Mais” (TV Globo – 1980), Sonia comenta, rindo, que a mídia colocou a culpa pelo fracasso da novela no seu corte de cabelo. Falou que é muito desagradável quando um trabalho é rejeitado pelo público e que os atores ficam em uma situação muito constrangedora, mas que também lembra com carinho da forte ligação dela com os atores Renata Sorrah e Tony Ramos durante a exibição. No final do bate papo, Sonia falou: “Eu estou muito emocionada em rever tudo o que fiz na televisão e olhar várias pessoas queridas que já se foram e eu ainda aqui, viva, contando essa história”. A diva ainda deu um selinho no professor Hermes Frederico e saiu bastante aplaudida por todos os presentes, que ainda tiveram a chance de tirar muitas fotos e pegar autógrafos com a simpaticíssima atriz. Detalhe: para os que estão com saudades de Sonia Braga, ela estará de volta à TV Globo na série “As Cariocas”, ao lado de Antônio Fagundes e Regina Duarte, com direção de Daniel Filho, prevista para estrear em outubro deste ano. Na série, seus personagens terão os nomes de Júlia, Cacá e Malu em uma homenagem a seus clássicos personagens em “Dancin’ Days” e “Malu Mulher” no caso de Regina.

Fotos: Agência News.
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Obrigadíssimo, Aladim querido. Aposto que os leitores do melão estão se sentindo presentes no evento como eu estou sentindo. O melão agradece a luxuosa colaboração!


A diva Sonia Braga e o querido Aladim: amigos de infância...rs!
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8 comentários:

José Marques Neto disse...

Puxa, na hora agá não deu pr'eu ir à palestra.
Agora até fiquei satisfeito só por ler o relato pormenorizado do Aladim.

Nathália Timberg sempre foi uma das minhas atrizes favoritas, mas elegeria como cena marcante em sua carreira televisiva a última de Juliana em 'A Sucessora', chorando na escadaria da mansão Stein e esmagando uma rosa nas mãos enquanto o sangue jorrava no video.
Sonia Braga era mocinha e encantava o público com a Brisa em Fogo Sobre Terra, qdo criou a mania da língua do P na garotada. Ipinespequepecipivelpê, tanto qto a Gabriela e a Julia Mattos que ora revejo.

E, claro, a melhor maneira do público homenagear seus ídolos é fazê-la em ocasiões como esta, tenho certeza que tb ficaram muito felizes em contar essas histórias...

Tide disse...

O texto é tão primoroso que me senti na platéia, me emocionando com o encontro das duas grandes divas. Parabéns, querido Aladim!
O Melão está cada vez mais luxuoso! É isso aí!

RÔ_drigo disse...

Assim como o Netão e o Tidoco me senti no evento tbm...
Parabéns ao Aladim!!
E essas duas grandes divas!!!

Walter disse...

Fecho com o Rodrigo. Escrever é uma arte e o Aladim foi um artista de primeira grandeza nesse texto. Digno realmente de atrizes do porte da Nathália e da Sônia.
Abraços,
Cerqueira W.

Duh disse...

Concordo com o que já foi dito. Aladim soube formatar um texto como poucos. Perfeito! Também me senti lá, na platéia, admirando duas atrizes perfeitas como Sônia e Nathália, enquanto as mesmas falavam de suas trajetórias.

Parabéns ao Melão! E ao Aladim! Luxo puro!

TH disse...

Parabens ao Aladim pelos excelentes relatos, sobretudo o de Nathalia Thimberg, de quem sou fã. Muito bom ouvir histórias e curiosidades de seu inicio de carreira.
Mais um ponto pro Melão :)

aladimiguel disse...

Obrigado á todos que gostaram desta minha missão de "Repórter Por Um" especial para o Melão. Adorei poder contar pra vcs o que aconteceu neste evento tão bacana. Poder escutar as memórias de Sonia e Nathália foi maravilhoso... Obrigado amigo Vitor por postar este meu relado no seu delicioso blog. Abração

Eddy disse...

Parabéns ao Aladim, muito bom o texto. E, nossa, como eu amo a Nathalia Thimberg. De uns anos pra cá, sinto que ela tem sido desvalorizada na TV, ganhando personagens aquém de sua capacidade interpretativa. Torço muito para que na próxima do Gilberto, ela ganhe um personagem á sua altura. Vamos esperar.

E como eu acho a Sônia Braga canastra. Nossa senhora! Mas ainda assim, uma delícia saber notícias dela, ''bastidores'' das tramas dos 70s, enfim. Super válida a postagem.

Melão chiquérrimo, como sempre. Abração, Eddy

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