quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Blogueiro convidado: Thiago Henrick relembra "Baila Comigo"


                                                                                                                                                                   

 E o melão acaba de ganhar mais um correspondente especialíssimo. Diretamente da sucursal de Alagoas, Thiago Henrick que, além de um queridão, é um talento de rara sensibilidade, sobretudo musical. O rapaz mantém um ótimo blog chamado “EnTHulho” (www.enthulho.blogspot.com ) onde podemos encontrar os textos mais sensíveis e inspirados sobre música. Recomendo.

Além disso, Thiago também é telemaníaco de carteirinha e admirador das novelas de Maneco, dentre as quais, ele elegeu “Baila Comigo” (1981), novela de enorme sucesso que, mesmo depois de quase 30 anos, ainda permanece no imaginário popular. Mesmo quem não era nascido na época já assistiu pelos “Videos Shows” da vida a emocionante cena em que os gêmeo Quinzinho e João Victor (Tony Ramos em mais um magistral trabalho) se encontram. Estreia o autor no horário nobre como autor titular, foi nessa novela que surgiu a primeira Helena (a saudosíssima Lilian Lemmertz), liderando um elenco estelar que contava com nomes como Fernanda Montenegro, Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Fernando Torres, Tereza Rachel, Christiane Torloni, Lidia Brondi, Beth Goulart, Natália do Vale, Arlete Salles, Fernanda Torres, Lauro Corona, Milton Gonçalves, Suzana Vieira, enfim, um timaço!

Sem mais delongas, curtam o maravilhoso texto de Thiago e deixem suas impressões!


A NOVELA DO MANECO É UMA VERDADEIRA TERAPIA

Por Thiago Henrick


Como grande fã do novelista Manoel Carlos, sempre tive curiosidade de saber mais sobre a novela Baila Comigo. Graças a um grande amigo, consegui terminar de assistir e, encantado, gostaria de compartilhar minhas impressões sobre a trama com os leitores do Melão.

 Na época, Manoel Carlos já havia realizado trabalhos que chamaram atenção em outras faixas de horários. Baila não foi seu maior sucesso, mas chamou muita atenção naquele ano de 1981, além de ter conseguido alguns grandes méritos: era a estreia do autor no horário nobre (antes, apenas uma colaboração um ano antes em “Agua Viva”, de Gilberto Braga); trazia Tony Ramos num papel duplo – grande feito, pois Tony era um dos mais talentosos de sua geração e desenvolveu uma perfeita composição em suas interpretações; e, por fim, iniciava então a primeira de uma série de heroínas humanas, cheias de virtudes, defeitos e conflitos, de nome Helena.

A trama era bem simples e folhetinesca: a história de gêmeos que não sabiam da existência um do outro, causando inúmeras confusões devido a essa semelhança. O diferencial, contudo, estava justamente na característica que mais marcou a grande carreira do escritor: a presença de um rico texto, com diálogos poderosos intercalados com cenas bem banais, envolvendo-nos numa maneira bem peculiar de contar sua história. Além, claro, da capacidade de criar personagens bem críveis, tão próximos e identificáveis com a nossa realidade. O estilo perdurou em trabalhos posteriores do autor

 Helena (Lilian Lemmertz) era uma personagem de classe média de vida difícil que, ao descobrir que teria gêmeos, não pôde criá-los, deixando um deles com o pai verdadeiro, Quim (Raul Cortez), e criando o outro com seu marido, Plínio (Fernando Torres). Sente-se culpada e angustiada por mentir e omitir bastante sobre o fato para todos, sobretudo pro gêmeo que ficou com ela, Quinzinho (Tony Ramos), jovem extrovertido e que adorava curtir a vida. Já o outro filho, João Vitor (Tony Ramos), foi criado com o pai em Portugal e se tornou um garoto sério e dedicado a advocacia. O destino faz com que a Quim e sua esposa Marta (Tereza Rachel, já naquela época demonstrando ser perfeita para interpretar mulheres rudes e poderosas) voltem com seus filhos João Vitor e Débora (Beth Goulart) para o Brasil, cenário onde acontecerão as peripécias causadas pela semelhança dos irmãos. O esqueleto da novela era esse. O recheio, contudo, foi o talento de Maneco de nos emocionar junto com os personagens. As brigas oriundas da crise de consciência de Helena com o bastante humano Plínio fizeram do casal um dos grandes destaques da novela: sensibilidade e riqueza para as magistrais interpretações dos atores, sobretudo a de Lilian, que criou um olhar melancólico único, sem deixar a rigidez da personagem creditá-la como mera coitadinha. Saudosa atriz...

 Nas tramas periféricas, tivemos Lúcia (Natália do Valle, no auge da beleza), jovem e competente médica, que tinha uma maravilhosa relação com a mãe (Sílvia, uma atriz, interpretada por Fernanda Montenegro), mas também vivia com o pai, o semi-inescrupuloso Caio (Carlos Zara), separado de Silvia e interessadíssimo na bela professora de dança Joana (Betty Faria). Joana, aliás, foi uma personagem que muito prometeu assim que apareceu, mas se limitou, no desenrolar da trama, a servir de alvo da disputa entre Caio, Quim e João Vitor. Pouco pra grande atriz que é Betty, mas sua beleza enfeitou a novela e estampou a capa do disco nacional. Curiosidade adicional é trazer Susana Vieira, atriz que hoje só se dedica a chamar atenção dentro e fora das tramas, num papel de coadjuvante, Paula, que tem que aturar as bebedeiras do marido Mauro (Otávio Mesquita). Mauro foi protagonista, contudo, de uma das cenas mais impactantes: enfurecido, ele joga seu avião em cima de Caio, colidindo e fazendo ambos morrerem.

No núcleo jovem, Lauro Corona interpretou Caê, amigo de Quinzinho e típico malandrinho carioca, que negociava pegar o carro da irmã para poder curtir as gatas e adorava uma baladinha. Lauro encontrou o tom certo e fez de seu namoro com a rica e sensível Débora um dos grandes trunfos da trama, sempre pontuados com “Corações a mil”, música da novata Marina estourando nas cenas de paixão dos dois. Além deles, tivemos a chatice de Mira (Lídia Brondi), obcecada por Quinzinho, mas que depois “troca de gêmeo”, passando a se interessar por João Vitor. Não foi a Lídia quem causou ojeriza na interpretação: a personagem era mimada mesmo e isso era comentado por todo o seu núcleo.

A cena mais comentada e lembrada, que foi o reencontro dos gêmeos, alcançou todos os níveis positivos possíveis graças ao talento de Tony Ramos. O ator é detentor de vários personagens de destaque em toda sua carreira, e acredito que nesse rol estejam João Vitor e Quinzinho, pois ele soube como poucos diferenciar os nuances, sobretudo nessa cena, em que o contexto pedia. Imagino que, na época, tenha mesmo parado o Brasil diante da telinha. Mateus Solano, que interpretou os gêmeos de Viver a Vida (última novela do autor) não comprometeu, mas deveria ter assistido Baila Comigo pra se aperfeiçoar mais em suas composições.


 Assistir essa novela tão rica e cheia de discursos de pessoas de tantas classes e níveis me fez perceber que, desde cedo, as novelas de Manoel Carlos são uma verdadeira terapia. Há quem não goste, que prefira uma trama repleta de cenas de ação, ou com guinadas fantásticas, sem ter oportunidade de respirar um pouco diante da telinha, mas eu admiro muito o estilo do autor de nos fazer parar e refletir sobre nossas próprias naturezas, medos, fragilidades, alegrias e aleluias. Eu vejo que Maneco escreve muito de acordo com o seu humor o dia – assim como na vida da gente, há capítulos mais alegrinhos e mais entediantes ou mal humorados. Isso faz com que conquiste mais ainda seu público, que se identifica com o cotidiano descrito em suas tramas. Por mais que suas últimas novelas não tenham agradado como deveriam, o autor tem uma grande bagagem televisiva e, acredito sim, ainda tem muito a nos oferecer. E nos emocionar.

                                                                                                                                                                                                                                            

21 comentários:

O Vitor viu... disse...

Queridão, obrigado pelo post. Colaboração mais do que luxuosa. "Baila Comigo" foi um novela que sempre esteve em meu imaginário. Minhas primas tinham o LP internacional com Reginaldo Faria e Natália do Vale na capa e eu cresci ouvindo o disco e imaginando como seria a novela. Felizmente, também consegui assistí-la recentemente e não me decepcionei. Muito pelo contrário. A novela apresenta o melhor da crônica cotidiana de Maneco e vista agora apresenta um atrativo a mais: o Rio dos anos 80. Uma delícia. A trama, além de ótima e envolvente, nos faz matar as saudades de atores falecidos e sumidos da mídia, nos faz relembrar músicas inesquecíveis. O tema interncional de Caê e Débora, "Living inside myself" também tocou unsessantemente na novela e o casal, ao meu ver, me parece uma matriz de Nando e Milena de "Por amor". A trama é super parecida, assim como a Helena de Lilian Lemmertz é a fundamental, a grande mãe que deu origem a todas as outras. Betty lindíssima charmosa e sensualíssima nas cenas de dança. Enfim, uma novela deliciosa de se assistir e seu texto faz juz totalmente a ela. O melão agradece a preferência. Volte sempre! rs...

Vicente disse...

Ao lado de "A Sucessora", "Baila Comigo" me fez descobrir o prazer de assistir a um bom texto televisivo. Até então, o que me encantava mesmo eram as histórias e o imaginário mundo dos personagens das telenovelas. Posso dizer sem pestanejar que foram um verdadeiro divisor de águas na minha vida. Se bem que não posso esquecer da participação do Maneco como co-autor do Gilberto Braga à certa altura de "Água Viva" como parte desse processo... Será que algum dia teremos a oportunidade de rever na telinha esses dois grandes textos do Maneco? Dizem que próprio autor não admite remake de "Baila Comigo"...

Em tempo: parabéns ao Thiago Henrick pelo bom gosto ao eleger "Baila Comigo" para o seu artigo e por ser também um admirador do maravilhoso Manoel Carlos cujo estilo parece meio fora de moda para o gosto frenético do público dos novos tempos mas que pra mim será sempre "the best"!

Eu, Wesley disse...

O delicioso texto do TH (o nosso queridão!) me fez ficar com mais água na boca pra ver esse grande sucesso que foi Baila Comigo. Sempre ouvi falar muito (bem) dessa novela.
Parabéns, amigo TH! Seu texto está ótimo!

Marcelo disse...

Imprimi tudo e vou subir lá no escritório para ler o texto ouvindo as trilhas da novela.

Em 1981 eu tinha apenas 6 anos e não curtia novelas mas me lembro do nascimento do filho da Mira no último capítulo. Toda a família estava na frente da TV, toda a Vila Militar.
Naquele tempo as pessoas assistiam as novelas...

Denis . disse...

Manoel Carlos sempre foi meu autor favorito, e de todas as suas novelas, tenho um desejo enorme de assistir Baila Comigo e Felicidade, novela qual eu não tenho muitas recordações. O texto sem dúvida aguçou ainda mais a minha curiosidade, e o desejo de conhecer a primeira das Helenas. Ótimo texto, Thiago!

Fábio Leonardo disse...

Ótimo post! TH sempre com um texto muito bom. "Baila Comigo" era algo do melhor que Manoel Carlos poderia apresentar ao público. Condução da emoção do público através de suas situações bem construídas.

Parabéns, Thiago. E parabéns, Vitor!

Marcelo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo disse...

Eu conheço pessoalmente o ator Mateus Solano há cerca de dez anos e ele assistiu muitas novelas antigas comigo, apesar de essa não ser a área de interesse dele. Mateus não se interessa por novelas antigas e acredito que ele nem saiba da existência dos gêmeos João Vítor e Quinzinho.

É claro que qdo "Viver a Vida" começou eu logo remeti os gêmeos dele aos do Tony Ramos mas os atores da TV Globo não têm acesso ao arquivo de vídeos do CEDOC. Aliado ao pouco interesse do Mateus por novelas (ele á ator de teatro, fundamentalmente) e mais o fato de ter nascido justamente em 1981, ano de "Baila Comigo", resultou no que vimos e na crítica do Thiago.

MCI disse...

Grande texto!
Dá até saudade dos tempos em que as telenovelas tinham outro gostinho.
Os elogios serão poucos e repetitivos.
Aplausos com o coração, então.

Marcelo disse...

Esse "outro gostinho" tinha dois nomes: Boni e Daniel Filho.

DAVI VALLERIO disse...

AMAVA ESSA NOVELA,PRINCIPALMENTE A MIRA E A TORLONI E O DISCO INTERNACIONAL FOI O PRIMEIRO QUE EU COMPREI,NAO TENDO NADA A VER O CASAL DO VALE E REGINALDO NA CAPA,JA QUE ELES NAO TINHAM RELAÇAO NENHUMA NA NOVELA...AGORA MANOEL CARLOS MORREU E ESQUECEU DE ENTERRAR...ELE FEZ UMA MERDA TAO GRANDE NESSA ULTIMA NOVELA QUE TA RESPINGANDO ATE HJ NA AUDIENCIA...

Ivan Marcio disse...

Thiago, parabéns pelo texto. Sensível como um texto de Manoel Carlos.
Baila Comigo é realmente deliciosa, pra mim, o melhor elenco ja reunido, apesar de alguns desperdícios, como a personagem JOANA LOBATO q poderia render muito mais se o autor investisse. o gostoso de Baila sem duvida é o texto, muitas frases q a gente para p pensar. outra coisa p mim, essa é a melhor Helena de todas. Lilian Lemmertz é irrepreensível, verdadeira, uma personagem muito bem pensada e coerente. Parabéns pro Melão, mais um texto de alto nivel. Thiago queria saber quem é o grande amigo q passou a novela p vc....
E Q CAPA DA AMIGA É ESSA??? EU QUEROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO....

Duh Secco disse...

Lindo texto, TH! Assim com o Vitor, cresci ouvindo a trilha sonora internacional (e acreditando que Natália do Vale e Reginaldo Faria constituíam um importante casal da trama. rs). Também tive a oportunidade de ver a novela recentemente (abençoado Zé Filho!) e adorei! Destaco minha cena preferida, que me comoveu mais até que o encontro dos gêmeos: João Victor, ao descobrir onde Helena reside, vai até a casa de sua verdadeira mãe (sem saber disto) e a questiona sobre sua origem. Helena então o leva até uma igreja e diz a ele que seus pais morrerem num acidente. Assim, ela preservava o seu segredo e afastava o retraído João Victor de seu irmão gêmeo, alegando que ele desconhecia tal fato e que não suportaria caso descobrisse essa história. Ao fundo, a ótima Viajante, em sua versão instrumental. Simplesmente emocionante!

TH disse...

Obrigado pelo carinho, Vitor.
Agradeço os comentários, amigos!
Baila Comigo foi uma espécie de paixão platônica. Como sempre fui fã do estilo de Manoel Carlos e vi todas dele desde "Felicidade" apenas, eu queria muito ver sobre essa novela que sempre busquei em minhas pesquisas teledramaturgicas e, assim como o Vitor, não me decepcionei. Graças ao grande Ivan (obrigado, queridão) consegui ver essa marcante trama.
Há muita coisa mais que eu poderia enfocar no texto, de tão rica que a novela foi. Adorei, por exemplo, a Dolores (Arlette SALLES)que, no começo, era o principal problema entre Lia (Torloni) e o médico Saulo (Reginaldo Faria), mas que foi se humanizando depois que ficou grávida, se tornando bem carismática. Também o casal Otto (Milton Gonçalves) e Letícia (Beatriz Lyra) que, segundo li em alguns lugares, causou polêmica por ser um par interracial. O núcleo da academia representava bem como o ambiente era clássico para os jovens da década, e a trama toda em sim é uma perfeita retratação do cotidiano carioca oitentista. Também exalto a romântica e sensível trilha internacional...
Enfim...muitas coisas que ainda poderiam ser escritas sobre esse sucesso de Maneco.
Mais uma vez, obrigado pelo espaço, Vitor! :)
P.s.: O comparativo de Mateus Solano com Tony Ramos foi apenas exemplificativo. Não tive intenção de menosprezar a atuação do primeiro.

Walter de Azevedo disse...

Tenho algumas coisas de Baila Comigo na minha memória. A abertura, as cenas de dança, Betty Faria, Helena e Dr. Plinio e, claro, Tony Ramos. Naquela época não assistia muito, mas sabia que era um sucesso. Apesar de já ter a novela, confesso que ainda não assisti, mas está na minha lista. Tenho certeza de que não vou me decepcionar. Depois do texto do Thiago, fiquei ainda mais animado!
Belo texto, queridão.

Monique Andrade disse...

Nossa, que texto maravilhoso de "Baila Comigo"! Eu não era nascida na época, mas achei a trama de Maneco tão legal. A primeira novela de Manoel Carlos que vi foi "Felicidade". Parabéns!

Anja da Lua disse...

Nossa, lembro de alguns detalhes dessa novela, eu achava(e acho) o Tony Ramos muito fofo e lindo. Sem duvida é dificil não ter o Maneco como referência de excelentes novelas, é raro não acompanhar alguma dele, ele sempre mistura vida real, dramas, amor (seja de qual jeito for) e um pouco de comédia tambem. Adorei o relato do TH, parabéns pela escolha e mais ainda pelo blog. Sucesso para todos!

Tom disse...

Bem, como eu simplesmente DETESTO as novelas do Manoel Carlos, demorei pra pensar em comentar este post... mas enfim, se trata de TH...
Olha só... eu me pergunto demais... como TH pode se lembrar duma novela que passou quando ele... NASCEU? Milagres da tecnologia... enfim...
A trilha da novela é um arraso, realmente.
No mais... er, melhor eu ficar quieto. rs
Abração a todos do Melão!

O Vitor viu... disse...

Tom, bem no início do texto, o TH conta como conseguiu assistir à novela. Abraços!

Marisa disse...

O Manoel Carlos deveria ter feito o remake da novela para Julia Lemmertz, seria uma linda homenagem, ela é uma grande atriz, mas, aquela Helena - criada para ela - não tinha o perfil dela. Ela e a mãe estavam na mesma idade, seria lindo! Já pensou o Tony Ramos no papel que foi do Fernando Torres!

Maria Silvestre disse...

Profundo, impactante e inesquecível, segundo minha tia, foi a cena de Mauro (Otávio Augusto) pilotando embalado pela música loucuras de Cauby Peixoto. Onde ele travava uma batalha interior consigo mesmo e a traição de sua esposa. Dizem que foiu a cena mais ousada e inesquecível da novela.

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