sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Love is in the air...



BLOGUEIRO CONVIDADO: Duh Secco relembra “O amor está no ar”

Mais um jovem e promissor talento dando o ar da graça no melão! E esse, além de tantos predicados, é um amigo mais que querido e uma das pessoas mais doces e gentis que conheço. Roteirista de mão cheia, Duh Secco, do alto dos seus 23 anos, já estreou profissionalmente com a minissérie “A estreia”, escrita para o Canal Casablanca, disponível em http://www.canalcasablanca.com.br/  . Nesse momento, Duh prepara um novo trabalho para o mesmo canal. Desejamos a ele ainda mais sucesso.
E junto com o inegável talento pra escrita, Duh possui uma outra qualidade, infelizmente rara entre os roteiristas: paixão por telenovela. Além de escrever, Duh é um telespectador apaixonado, com uma memória prodigiosa. Em seu currículo também consta a vitória no “Video Game”, apresentado por Angélica para o “Video Show”. Claro que um talento desse não ia passar incólume pelo melão, que o convocou a escrever um texto relembrando a simpática novela “O amor está no ar”, de 1997, do Mestre Alcides Nogueira, muso absoluto deste blog. Duh divide conosco suas lembranças e sua análise perspicaz dessa novela que é lembrada com carinho por muita gente. Com a palavra, o queridão Duh Secco!

O amor está no ar – por Duh Secco



Março de 1997. A TV Globo anunciava em suas chamadas, “a próxima estreia das seis”. Curioso. Nunca havia visto uma novela ser anunciada desta forma. A chamada da novela ainda incluía cenas de jet-sky, helicópteros, ultra-leves, acidentes de automóvel. Nada familiar ao horário. No domingo, 30, li o resumo da nova novela no jornal. Adorei e, por isso, resolvi assistir. Na segunda, 31, lá estava eu, de frente a televisão, com relógio marcando 18h, assistindo, completamente envolvido, a tal “estreia das seis”: O Amor Está no Ar.



Novela de Alcides Nogueira, dirigida por Ignácio Coqueiro sob o núcleo de Wolf Maya, O Amor Está no Ar contava a história de Sofia Schnaider (Betty Lago), mulher que vive em conflito com a filha Luiza (em ótima estreia como protagonista de Natália Lage). Tal conflito já era vendido no primeiro capítulo. Incomodada com o excesso de trabalho da mãe e com uma possível traição da mesma ao seu pai, Victor (Wolf Maya), Luiza posiciona sua moto no heliporto destinado ao pouso do helicóptero pilotado por Sofia, fazendo com que esta colida contra o prédio da empresa de turismo da família, a Estrela Dourada. O acidente sem maiores conseqüências já vendia a ideia central da novela logo no primeiro momento. Eu comprei tal ideia! E acompanhei o desenrolar do conflito entre mãe e filha, acentuado após um desastre automobilístico que vitima Victor. Viúva, a empresária se vê envolvida por Léo (Rodrigo Santoro), piloto de sua empresa e namorado de sua filha, a quem conheceu logo após acudi-la, quando Luiza sofre um desmaio ao ver uma estranha luz, que ela acredita ser emanada por seres de outros planetas.



Pronto! Estava justificado o título. O amor estava no ar porque extraterrestres rondavam o céu da fictícia Ouro Velho. Nada mais atual, numa época em que só se falava no ET de Varginha e outras criaturas estranhas. Eu estava na quarta série. 10 anos de idade. E no colégio, o comentário não era outro senão o ET da novela das seis. Já nas ruas, ouvia muita gente falando mal da trama. Quem era capaz de acreditar naquela história, sobre seres de outros planetas? A imprensa ajudava: “Novela das seis traz ET para levantar a audiência”. E eu pensando: “O que é audiência? O que isto vai mudar na novela?”.

Não mudou nada. Absolutamente nada. Eu continuei apaixonado por O Amor Está no Ar. Comprei a trilha nacional em fita K7. Confesso que a contragosto, porque eu queria mesmo era a trilha de Zazá (por conta da música do Skank). Mas minha mãe insistiu: “Leva a da novela do ET”. Depois adquiri a internacional, com as ótimas Due Ennamorati Come Noi (Laura Pausini) e The Same Moon (Phil Collins). Mas a nacional é melhor, sem dúvida. Destaque pra Não Identificado (Fênix), Amor Meu Grande Amor (Barão Vermelho), Abre Coração (Cheiro de Amor), Todo Amor Que Houver Nessa Vida (Cássia Eller), Sempre Junto de Você (Wander Taffo), Vai e Vem (Par ou Ímpar, que embalava as vinhetas de intervalo) e Exagerado, em versão remixada, com o brilhante Cazuza, tema da hilária Cuca Chicotada (Georgiana Góes).

Vibrava com cada barraco da ótima Cuca, minha personagem preferida, a princípio apaixonada por Léo e depois envolvida por Vicente (Tuca Andrada). Se minha memória não falha, Cuca e Vicente acreditavam ser irmãos, já que a mãe dele, Úrsula (Nicette Bruno), grande vilã da história, havia se envolvido com Guima (Nuno Leal Maia), pai dela, no passado. Era estranho ver Nuno Leal Maia ser disputado por duas atrizes mais velhas, como Nicette e Lady Francisco, como a ótima Candê, sua esposa oficial. Um deslize de escalação que não chegou a comprometer.



Se no triângulo amoroso, Nicette destoava, o mesmo não se pode dizer de seus momentos de vilania, quando mancomunava ao lado do genro Alberto (Luís Melo) os mais diversos planos para retirar Sofia do comando dos negócios de seu filho, Victor. Úrsula e Alberto contavam com uma poderosa aliada, Júlia (Natália do Vale), irmã de Sofia e grande paixão de Alberto, também obstinada em retirar a viúva do posto de presidente da empresa. Júlia e Alberto confabulavam ao mesmo tempo em que se deixavam levar por uma paixão avassaladora, que o levava a trair sua esposa, a abnegada Milica (Suzana Gonçalves), que, mesmo com o apoio dos filhos, Rodrigo (Thierry Figueira) e Camila (Ana Paula Tabalipa, recém saída de Malhação), não encontrava forças para pedir a separação.

Rodrigo e Camila eram dois integrantes do núcleo jovem da trama, que incluía ainda a invejosa Beatriz (Micaela Góes), irmã de Luiza, e Ivan (Marcelo Faria), trapezista do circo mantido com inúmeras dificuldades por Guima, em uma das paralelas mais interessantes da trama. Outra trama alheia a central totalmente envolvente era a do rabino David (Caco Ciocler), apaixonado por Flora (Isabela Garcia), mas fugindo da menina por já estar prometido a outra mulher. O que David sequer imaginava era que sua prometida era Flora. Bacana também era a relação do casal Filipe (Tato Gabus), irmão de Sofia e Júlia, e Matilde (Cláudia Lyra), que inauguram um restaurante em Ouro Velho.

A festa de inauguração do tal restaurante foi palco de uma das muitas rebeldias de Luiza, que a certa altura da trama, acaba abduzida por um extraterrestre. As cenas em que ela era mantida em outra dimensão me causavam arrepios. Enquanto Luiza era mantida em sono profundo, o ET em questão, vivido por Eriberto Leão, a admirava. Nesse meio tempo, aqui na Terra, Sofia e Léo se entregam a paixão, e seguem com uma busca desesperada pelo paradeiro de Luiza, que retorna a Ouro Velho e passa a ser tratada como louca, ao revelar ter mantido contato com seres de outro planeta. O dilema da mocinha aumenta quando ela se vê diante do tal ET, na fazenda de sua avó, agora atendendo pelo nome de João e sendo responsável pelo cuidado dos animais de Úrsula. Luiza realmente esteve em outro planeta? Tudo não passou de ilusão? João é um ET ou ela está confundindo o rapaz? Tantas dúvidas que assolam a cabeça da menina e a aproximam mais uma vez de Léo, enquanto Sofia se envolve com o novo morador da cidade, Pedro Olímpio (Oscar Magrini).

Ao final, a grande revelação: João era mesmo um ser de outro planeta, responsável por estranhos acontecimentos ocorridos em Ouro Velho. O ET se despede de Luiza e parte. A moça, por sua vez, fica com Léo. Não sei bem se foi no último capítulo, mas os dois se beijam num cruzeiro lindo onde Luiza mantinha contato com seres de outros planetas, enquanto uma intensa luz brilha no céu. E tudo se acerta na vida de Sofia e Pedro Olímpio. O amor estava mais no ar do que nunca! E eu, mais certo de que, não importa a audiência, os fatores externos, os comentários na imprensa... Novela boa a gente sempre guarda no coração.
                                                                                                                                    

15 comentários:

Evana R. disse...

Não lembro muuito bem de "O Amor Está No Ar", mas as lembranças que eu trazia eram boas... Seria bom ver de novo. :)

Fábio Leonardo disse...

As poucas lembranças que tenho de "O Amor Está no Ar" são de algumas cenas de Natalia Lage, e de uma discussão na mesa-redonda de Leda Nagle, no Sem Censura (eu, com meus 9 anos de idade, tinha mania de ver o programa).

Hoje, vendo de longe, vejo o quanto uma trama agradável e despretensiosa - ao melhor estilo Alcides Nogueira - foi bacana e deixa saudades.

Pessoa, ótimo texto!

Vitor, nem preciso comentar. rs

Leonardo Távora disse...

Concordo "Ipsis Litteris" com as palavras do Vitor na apresentação do Duh. É um jovem de muito talento, e que eu considero que tem um futuro sobremaneira vitorioso.

E a novela? Ahh, uma das mais encantadoras produções da Tv Globo. É o que eu falo das novelas das 18h. Talvez pela "obrigação" da classificação livre, nesse horário se produzem joias da dramaturgia que, por não serem o carro-chefe da casa, e pelo horário mesmo, sofrem com a audiência em alguns momentos. Essa novela tem uma história impecável, mto bem apresentada aqui pelo Duh.

Mais uma vez, parabéns pela postagem, Duh e Vitor! Um por ter escrito brilhantemente, o outro pela percepção e pelo ótimo espaço que dá aqui no Melão. Mto bom!!!

Bianca Bermúdez disse...

Palmas ao Duh! Lembro dessa novela como se tivesse passado ontem: foi leve, despretenciosa, bonita eobjetiva, sem "barrigas". Lembro de ter acompanhado mesmo, apesar de sempre chegar do colégio, no auge dos meus 13 anos, na metade de cada capítulo. Perdi apenas um no sábado.
E mesma situação: juntei dinheiro da mesada para comprar a fita da trilha nacional (superior) e o cd da internacional. Ali, conheci pérolas da canção nacional, como Não Identificado e Amor Meu Grande Amor, e curtia muito Sempre Junto de Você e Vai e Vem no finado walk man.
PS: poupei mais e comprei o cd da internacional porque queria ouvir no máximo volume do som de casa Number One, da Alexia. É...

Thiago disse...

O Duh é um dos queridões que mais admiro. Conhecido fã de "fracassos", ele sempre tem um otimo argumento em defesa das novelas que não tiveram o merecido reconhecimento apenas por pontos de audiencia.
"O Amor está no ar" é, junto a "Quem é você", duas das novelas pouco lembradas que eu adoro. Alcides estava mais uma vez encantando com seu texto simples e especial ao mesmo tempo - e seus ganchos bem trabalhados. Nicette Bruno encarou com perfeição fazer uma grande vilã - quebrando um pouco a imagem de personagem do bem e perua que vinha interpretando. Lamento que a Ursula não esteja inserida no rol das grandes vilãs da teledramaturgia.

Um belo texto do querido convidado. Aplausos!

Ivan Marcio disse...

bacana suas lembranças de O Amor esta no ar, Duh. tb acompanhei inteirinha essa novela.

Daniel Pepe disse...

Não acompanhava as novelas das seis e das sete nessa época. Lembro pouco de "O Amor Está no Ar", portanto nada posso falar sobre a trama. Mas certamente o Duh vendeu muito bem a ideia para quem não conhece a história, pois me deixou com mais curiosidade do que eu já tinha. Já pensei que o Canal Viva pudesse abrir uma sessão onde fossem reapresentadas essas obras mais esquecidas, quem sabe!

Eddy Fernandes disse...

Sabe aquelas novelas que a gente nunca viu, mas que ama de graça? Então, "O Amor Está no Ar" é a primeira da minha lista!

Sou fã do texto do Alcides Nogueira e acho a trama muito boa. Em especial, a parte que trata de ufologia e da cultura judaica.

Pessoa, você mandou superbem! Se eu já tinha vontade de ver a novela, agora então, depois do seu texto, essa vontade triplicou!

Resta torcer por uma reprise no Viva.

Nilson Xavier disse...

Novela simpática.
Só não a consideraria "despretensiosa" pq tratar de ET´s numa novela é uma baita pretensão!
rs

Mas valeu o trabalho de toda a equipe.

Parabéns Duh, texto óthemo! ;)

Walter de Azevedo disse...

Gostava bastante dessa novela e confesso ter ficado surpreso quando soube que teve problemas com a audiência. Achava a trama bem amarrada e não perdia nenhum capítulo.
Na época eu morava no interior, e a história do chupa cabras estava no auge. Alcides usou isso muito bem na novela.
Ótima novela, ótimo convidado e ótimo texto!

Thiago Pessoa disse...

Parabens pelo texto Duh, tenho vagas memorias dessa trama, que realmente foi muito boa...
Espero q possa ser reprisada no Viva!!! Torço por isso!!!


Um abraço.

Duh Secco disse...

Queridos! Obrigado pelos comentários. Feliz por vocês terem gostado do texto. E mais feliz por ter tido este espaço no Melão do meu querido Vitor. O Amor Está no Ar é uma novela que merece ser lembrada sempre! Ótima!

Portal Cascudeando disse...

Tão bom ler um pouco mais sobre essa novela que tem poucas informações na web. Adorava a trilha internacional... Só musicão dos anos 1990!
Lucas - www.portalcascudeando.blog.com

RÔ_drigo disse...

Já disse isso pro Alcides,novela importantissima pra formação do meu carater!
Pq??
Simples fui criado pra achar normal ter preconceito contra judeus e ela me fez perder todos^^
Sem contar q Ouro Velho era em Avare, lugar onde passei boa parte da minha infancia!!
Bela analise Duhzim!!

Hbt Speedy Swimmer and Future Dr. disse...

Essa novela ai é de 1997...apesar de ter uma lembrança muito vaga sobre a mesma, nessa novela tem uma atriz que interpreta uma personagem que apresenta uma índole não das melhores assim como um comportamento extremamente duvidoso e antipático....trata-se da personagem Beatriz(interpretada pela bela atriz Micaela Góes, á qual sou fã). Alguém sabe por que que no último capítulo ela aparenta uma mudança repentina?(ela diz que vai viajar pra Jerusalém, pra tentar uma nova vida e aperfeiçoar descobertas, especialemnte as interiores - esse trecho está registrado la no youtube).
Quanto a essas questões de "ET", isso eu lembro que era muito comum, principlamente depois do memorável episódio de 1996 sobre o famoso "ET" de Varginha, na qual a partir daí as repercussões na mídia foram estrondosas!!!

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