domingo, 27 de maio de 2012

Top 10 - LIMA DUARTE




São tantos e tão maravilhosos os personagens de Ariclenes Venâncio Martins, nosso querido Lima Duarte, que mais merecia um TOP 100, afinal sua história se confunde com a própria história da televisão e seu talento gigante e seus múltiplos recursos foram capazes de dezenas de criações geniais e inesquecíveis.. Por isso o desafio de escolher apenas 10 se tornou tão difícil. Lembrando que os critérios são sempre baseados em minha MEMÓRIA AFETIVA, portanto SUBJETIVOS. Claro que muitos grandes personagens ficarão de fora, mas a brincadeira é essa mesmo. Uma lista pessoal e intransferível. Com vocês, os meus Limas Duartes favoritos:


10) Nikos Karabastos, de “Uga Uga” (2000)


Um personagem tanto engraçado quanto surpreendente e diferente dos personagens habituais do ator. Aqui, ele se mostrou super à vontade com o texto anárquico e irônico de Carlos Lombardi, na pele do milionário grego cercado de parentes serpentes por todos os lados e que vivia infeliz à procura do neto desaparecido até encontra-lo em uma tribo indígena. A improvável dupla com Claudio Henrich, no papel do neto, rendeu momentos hilariantes, bem como as cenas com a cunhada ambiciosa vivida por Vera Holtz.

9) Major Bentes, de “Fera Ferida” (1993)

Mais um de seus impagáveis “coronéis”. Este com uma particularidade: “suava na calva” toda vez que ficava nervoso. Criação genial de Aguinaldo Silva, esse major mandava e desmandava em Tubiacanga e tinha um fiel capataz a quem chamava “carinhosamente” de Animal (Augusto Júnior), que não conseguia dizer uma palavra. Abaixo segue uma cena em que ele contracena com José Wilker, que vivia o prefeito Demóstenes, e surpreende o austero major em uma situação, digamos, vulnerável. Fica a dica para o Canal Viva: uma reprise de “Fera Ferida” seria bem vinda, não acham?

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8) Afonso Lambertini, de “Da Cor do Pecado” (2003)


Quem diria que o sisudo, austero e preconceituoso Afonso, que se opôs fortemente ao romance do filho Paco (Reynaldo Gianecchini) com Preta (Taís Araújo) fosse conquistar o Brasil? Só mesmo um ator do quilate de Lima Duarte para dar dimensão humana ao velho amargo e solitário que, após perder o filho, cai de amores pelo neto vivido por Sergio Malheiros. Um personagem cheio de nuances e contradições criado por João Emanuel Carneiro, que teve de enfrentar protestos do público quando foi decretada a morte de Afonso. Além de brilhar intensamente nas cenas com o neto e com a nora, o romance tardio de Afonso com a fiel governanta Germana, vivida por Aracy Balabanian, encantou e emocionou o público, que torceu para que Afonso não morresse e tivesse um final feliz. O autor foi irredutível e Afonso acabou morrendo na trama, mas entrou para o rol de personagens inesquecíveis de Lima Duarte.


7) Shankar, de “Caminho das Índias” (2009)


Diferente dos personagens de temperamento forte que costuma interpretar, aqui Lima era um sábio, um grande mentor espiritual. Mestre em emocionar, Lima protagonizou uma das cenas mais emocionantes das novelas nos últimos tempos quando seu antigo amor Laksmi (Laura Cardoso) revelou que seu arqui-inimigo Opash (Tony Ramos) eram na verdade, seu verdadeiro filho. O melodrama criado por Gloria Perez atingiu o seu ápice no último capítulo de “Caminho das Índias” quando pai e filho, finalmente, se abraçavam e se perdoavam sob o olhar emocionado da mãe. Os três atores deram um verdadeiro show e especialmente Lima Duarte mostrou, mais uma vez, que é capaz de interpretar qualquer personagem.


6) Murilo Pontes, de “Pedra sobre Pedra” (1992)


Murilo Pontes era um típico machão: tratava a mulher Hilda (Eva Wilma) como uma santa e despejava toda sua virilidade na amante, a prostituta Lola (Tania Alves). E tinha essas duas mulheres em suas mãos. O poderoso político de Resplendor só se rendia mesmo à sua grande inimiga política Pillar Batista (Renata Sorrah), que fora seu grande amor do passado. Eis mais um personagem de sentimentos e atitudes contraditórias que só um grande ator poderia interpretar. E Lima brilhou mais uma vez com um grande personagem de Aguinaldo Silva.


5) Salviano Lisboa, de “Pecado Capital” (1975)


Poderoso industrial temido pelos funcionários. Viúvo triste e solitário que sofre com a ausência dos filhos. Homem de meia idade que se encanta por uma jovem, tornando-a uma grande modelo. Não se trata de três personagens diferentes, mas do riquíssimo Salviano Lisboa, criado pela poderosa imaginagrande mestra Janete Clair. Lima, mais uma vez, ganhou a simpatia do público e foi recompensado pelo amor de Lucinha (Betty Faria) com quem se casou no final da novela. E nós vivemos felizes para sempre.


4) Zeca Diabo, de “O bem amado” (1973)


Outro personagem célebre da riquíssima galeria de personagens de Lima Duarte. Aqui em um embate inesquecível com o grande Paulo Gracindo e seu antológico Odorico Paraguaçu. Um verdadeiro duelo de gigantes. Coube ao matador Zeca Diabo selar o destino do verborrágico prefeito de Sucupira. Fiel devoto de Padre Cícero, Zeca Diabo representa esse quase paradoxo do matador profissional cheio de ética e religiosidade. Mais um personagem complexo e humano da riquíssima galeria do grande Dias Gomes que só um ator do porte de Lima seria capaz de interpretar e deixar sua marca sempre indelével.

3) Sassá Mutema, de “O salvador da pátria” (1989)


Não só um dos personagens mais populares de Lima Duarte, mas um dos mais populares da história da teledramaturgia brasileira. Não há quem não se comova com a história do simplório boia-fria, que é usado como massa de manobra pelos políticos de Tangará, trilhando uma trajetória de suposto assassino a prefeito da cidade. E não faltou sensibilidade, tanto por parte do texto de Lauro Cesar Muniz, quanto pela brilhante interpretação de Lima na abordagem do amor quase platônico de Sassá por sua bela professora Clotilde, vivida por Maitê Proença. De matuto analfabeto a astuto prefeito, o ator foi genial em todas as fases do personagem. Impossível ouvir “Lua e Flor” de Oswaldo Montenegro e não se lembrar imediatamente do amor puro de Sassá por sua querida professorinha.


2) Dom Lázaro Venturini, de “Meu bem meu mal” (1990)


Se tem alguém que tem o direito de amar esse personagem e considerá-lo uma das criações mais geniais de Lima Duarte, esse alguém sou eu, por motivos óbvios (risos). Dom Lázaro é um trabalho digno de um verdadeiro gênio. De poderoso patriarca que comandava a família com pulso firme a um frágil e vulnerável senhor que não podia mais falar, tampouco se locomover. Lima fez um trabalho primoroso, sobretudo após Dom Lázaro sofrer o derrame, pois até ele proferir seu célebre “eu prefiro melão”, precisou passar todos os sentimentos possíveis apenas com o olhar, sobretudo o olhar de ódio pela nora Isadora (Silvia Pfeiffer), que garantiram momentos de puro deleite para o espectador.


1) Sinhozinho Malta, de “Roque Santeiro” (1985)


Sinhozinho Malta era um autoritário coronel (aliás, quem o chamasse de coronel assinava sua sentença de morte) que mandava e desmandava em Asa Branca, mandou assassinar três pessoas e tentou matar outras tantas, inclusive supeitíssimo da morte da própria esposa. Além disso, era racista, machista, corrupto, ou seja, características dignas dos vilões mais odiados. Mas definitivamente, não foi isso o que aconteceu, pois Sinhozinho era um adorável cafajeste, com tiradas ótimas, bordões inesquecíveis, uma gargalhada indefectível e capaz de atitudes, muitas vezes, magnânimas. Dias Gomes construiu um dos personagens mais ricos e fascinantes de nossa teledramaturgia que só poderia ser feito por um ator de talento tão fascinante quanto. Mesmo quem não acompanhou à primeira exibição de "Roque Santeiro” conhece Sinhozinho Malta que, ao lado de Regina Duarte, também em estado de graça na pele da viúva Porcina, protagonizou algumas das cenas mais marcantes de nossa teledramaturgia. Como não amar Sinhozinho escolhendo uma peruca de sua vasta coleção? Como não amar sua risada deliciosa? Como não amar sua devoção à Porcina, lambendo sua mão e imitando cachorrinho? Sem dúvida, de toda a galeria de tipos inesquecíveis de Lima Duarte, Sinhozinho Malta é o mais marcante. Tô certo ou tô errado?


Agora o melão quer saber: quais são seus personagens favoritos de Lima Duarte? A palavra é de vocês!
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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Blogueiro convidado: Pedro Silva reverencia Lauro Cesar Muniz


Louros pra Lauro    

  

Por Pedro Silva

Todo mundo tem seu novelista preferido, aquele que admira mais e que numa discussão ferrenha com amigos noveleiros é objeto de discussão apaixonada.
Sou assim com o Lauro. Chamo-o assim, só pelo primeiro nome. É uma proximidade que sua obra foi me trazendo. A leitura deliciosa de Lauro Cesar Muniz solta o verbo, publicado pela Imprensa Oficial aumentou mais minha admiração e essa sensação de proximidade.
Falar que Lauro Cesar Muniz está entre nossos maiores autores é falar o óbvio. Mas como dizia aquele outro, “o óbvio também é filho de Deus”. Lauro é dos nossos autores mais ousados. Se um dia houvesse uma história da ousadia na nossa telenovela, suas obras estariam entre as principais a serem analisadas.
Lauro sempre foi o contraponto de muitos outros autores. Na década de 1970 revezou no horário das oito com a “nossa senhora” Janete Clair. Tentou de todos os modos renovar elementos da telenovela, por vezes subvertendo alguns dos pilares do gênero. Alguns dos aspectos que me chamam mais a atenção: a reflexão sobre tecnologia (em Transas e Caretas e Zazá, por exemplo), a relação entre a política e a trajetória do herói (como no clássico O Salvador da Pátria), a ordenação do tempo, a noção de moral do protagonista...
Sobre esses últimos, na questão da ordenação do tempo, surgem não só as sagas como Escalada, mas também modernidades como o tempo da ficção dentro da ficção em Espelho Mágico e o tempo do sentimento em O Casarão. Muito antes da simultaneidade à la Woolf  de As Horas, por exemplo, Lauro experimentou em horário nobre contar uma história em três épocas, simultaneamente. A história do amor que se realiza na maturidade deu origem a uma das cenas mais bonitas da história da nossa televisão:



Quanto à moralidade dos heróis, me encanta a forma como nas obras de Lauro existe um questionamento da moral como algo que não é dado, mas construído. Seus heróis não seguem uma moral formatada. Antes, se deparam com as definições dadas, questionando-as. Nessa trajetória, quem ganha é o público. Em Os Gigantes, por exemplo, havia uma Paloma perdida entre conceitos como amor e morte, necessitando se reinventar.


Eu ia escrever que jamais tivemos outro protagonista tão enredado em coisas como o poder do destino, do curso da história, quando me lembrei do Renato Villar de Roda de Fogo, trabalho de Marcílio Moraes que Lauro também escreveu.
Fico cultivando no imaginário flashes e cenas clássicas dessas novelas. Muitas delas, só conheci pelo quadro “Túnel do Tempo” do Vídeo Show.  
Como noveleiro, sofro às vezes pensando que é uma pena que não possamos ter acesso ainda a produções tão importantes como Escalada, Espelho Mágico, Os Gigantes, Transas e Caretas. Como noveleiro, e dramático que sou, elaboro meu sofrimento, mas intercalo a esperança de que com o Viva e os lançamentos da Globo Marcas, alguma coisa seja ressuscitada. Vou sonhando com a possibilidade de um dia poder ver essas novelas que povoaram o imaginário de uma época.
Desde que foi pra Record, Lauro tem tentado ser fiel á linha que lançou, fugindo da obviedade e apostando nos bons diálogos, nas tramas que mexem com o espectador, levando-o a repensar a trajetória que se vai desenhando em sua frente. Na nova emissora, Lauro contornou problemas e propôs caminhos. Sua crença é que forçou a Record a investir mais e mais na dramaturgia.



Com Máscaras, atualmente em exibição, Lauro toca de novo em polêmica. Numa estrutura diferente, vai mostrando pedaços de seus personagens, fragmentos de emoções que só farão sentido mais adiante. Nela, os universos de outras novelas suas vão surgindo aos poucos – aqui e ali é possível lembrar da angústia de Os Gigantes, dos cenários de O Casarão, das trajetórias que se cruzam de Roda de Fogo. O telespectador acostumado com o didatismo que impera atualmente na TV se sente incomodado. E como incomoda um intertexto e referências políticas numa novela, especialmente numa época marcada pela falta de opinião nos produtos culturais.
Há críticas e mais críticas a respeito (afinal, de telenovela e futebol, todo brasileiro entende), mas a verdade é que, a despeito de toda essas referências ao passado, com Máscaras, Lauro dá prova mais uma vez de seu fôlego e faculdade de criar.


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Pedro Silva, com milhões de homônimos neste Brasil, é só mais um dos 786 mil a falar por aí sobre telenovela e tv. Estudou letras e história, já foi babá, operário por um mês, entregador de panfleto, professor de português e hoje trabalha como editor de livros. Gosta de melão(!), café, literatura, vinil, novelas da Manchete, cinema nacional da década de 70. Dizem que cozinha bem. É pai da Velma e da Frida, duas gatas loucas e amorosas. Costuma se levar a sério só algumas vezes ao mês, que é quando se põe a escrever no blog Óperas de Sabão. Mas nunca se leva a sério no tumblr Coisas de Pepa. No tuírer é so chamar pelo @pedrrrinho.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Melão Express: rapidinhas, mas saborosas – Ed. 18



Ø  “QUE REI SOU EU?” E A TRILOGIA DA CRÍTICA SOCIAL



Mesmo que tenha sido mera coincidência, o Canal Viva acabou promovendo uma trilogia com o mesmo tema em seu horário noturno  de novelas. Seja pelo viés realista como “Vale Tudo” ou pelo viés satírico como “Roque Santeiro”, o debate em torno de corrupção e ética em nosso país tem sido um tema recorrente que, agora com a estreia de “Que Rei Sou Eu?” permanece com força total.
Em “Vale Tudo”, o trio de autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres promoveu uma verdadeira comoção com o retorno da novela e, de maneira séria, trouxeram de volta a pergunta feita nos anos 80 e que continua mais atual do que nunca: vale a pena ser honesto no Brasil?
Já em “Roque Santeiro”, Dias Gomes e Aguinaldo Silva fizeram da célebre Asa Branca um microcosmo de nosso país com todos os seus tipos, crenças e costumes ali representados e discutiram temas como coronelismo e religiosidade através do mito de um falso santo.
Agora em “Que Rei Sou Eu?”, obra-prima de Cassiano Gabus Mendes, podemos revisitar o maravilhoso reino de Avilan, verdadeiro retrato político e social de nosso país e também assustadoramente atual.
Além da inspiradíssima trama e do texto impecável, também estamos podendo matar saudades de grandes atores em excelentes atuações, com destaque para a operística Rainha Valentine (Teresa Rachel em seu melhor momento na tv) e para o diabólico bruxo Ravengar (Antonio Abujamra em estado de graça). Os conselheiros do reino, interpretados por Jorge Doria, Daniel Filho, Oswaldo Loureiro e os saudosos Laerte Morrone, Carlos Augusto Strazzer e John Herbert também são um show á parte. E os destaques do elenco não param por aí: temos Natalia do Vale, Mila Moreira e Isis de Oliveira no auge da beleza; Claudia Abreu e Giulia Gam, em início de carreira, mas com atuações de veteranas e outros tantos atores maravilhosos como Zilka Salaberry, Ítala Nandi, Marieta Severo, Edney Giovenazzi, Vera Holtz estreando em novelas e Aracy Balabanian, entre outros. Edson Celulari vivendo o herói e Tato Gabus seu antagonista também brilharam.
Algumas referências à política da época podem soar um pouco datadas, mas no geral, poderemos comprovar que, infelizmente sob muitos aspectos, continuamos a viver no Reino de Avilan.

  
Ø  GLOBO DE OURO”: OS 80’S VOLTARAM!

A cantora Rosana: uma das presenças mais constantes
Hoje em dia, se você não for um frequentador inveterado de micaretas ou adepto do “gênero” sertanejo universitário, vai ter grandes dificuldades em encontrar algum programa musical que não privilegie apenas esses estilos. Mas nem sempre foi assim. Em meados dos anos 70 até o início da década de 90, havia o “Globo de Ouro”, um programa que abarcava todos os gêneros e estilos. Em uma mesma edição, podíamos assistir de tudo: de Gal Costa a Kátia, de Cazuza a Luiz Caldas, de Titãs a Trem da Alegria. E para a felicidade dos saudosistas de plantão, o Canal Viva (sempre ele!) está reprisando edições do programa, mais precisamente exibidas entre 1988 e 1990. E não deu outra. Em pouquíssimo tempo, o “Globo de Ouro” virou a nova febre do Twitter, colocando a hashtag “#CamaroteDollyGlobodeOuro” e os nomes dos artistas que participam do programa entre os mais comentados da rede social. Fora a diversão com os cabelos, figurinos e estilos da época, hoje praticamente carnavalescos, tem sido uma delícia recordar tantos sucessos nesse verdadeiro caldeirão de estilos. E também é uma ótima oportunidade para os noveleiros recordarem os temas de novelas mais executados na época: Patricia (pré-Marx e pós-Trem da Alegria) cantando “Festa do Amor” da novela “Bambolê”, por exemplo. Outros temas de novelas também podem ser relembrados. De “Fera Radical”, Jane Duboc (“Sonhos”) e Lulu Santos (“A cura”); de “Vale Tudo”, Gonzaguinha (“É”), Jane Duboc (“Besame”) e Barão Vermelho (“Pense e dance”); de “Bebê a Bordo”, Gal Costa (“Viver e reviver”), Joanna (“Amor Bandido”), Paralamas do Sucesso (“O beco”), Wanderleia (“Me ame ou me deixe”) e José Augusto (“De igual pra igual”). Mas a recordista de hits era a novela “Mandala”, com Wando (“Eu já tirei a tua roupa”), Djavan (“Dou não dou”), Egotrip (“Viagem ao fundo do Ego”), Zizi Possi (“A paz”), Guilherme Arantes (“Um dia, um adeus” e a recordista absoluta e grande hitmaker da época, Rosana e seu clássico “O amor e o poder”. Portanto, não marque nada para as noites de segunda a sexta, às 23:15. Assistir ao “Globo de Ouro” acompanhando os comentários pelo Twitter é diversão garantida.

Ø  TELEDRAMATURGIA INVADE A GAZETA

Ótima notícia para os noveleiros. Nosso querido Nilson Xavier, especialista em teledramaturgia,  autor do “Almanaque da Telenovela Brasileira” e criador do site “Teledramaturgia”, de longe o melhor e mais completo site de consultas sobre novelas brasileiras, é o mais novo contratado da TV Gazeta, onde terá um quadro sobre teledramaturgia: "estarei toda quinta-feira no programa Mulheres da TV Gazeta, entre as 14h30 e 15h, conversando com a Cátia Fonseca sobre novelas, as atuais e as antigas. A ideia é, toda semana, relembrarmos alguma novela de sucesso do passado”, complementa o especialista.
Ao Nilson, que gentilmente escreveu o texto da orelha do livro do melão, desejamos sucesso em mais essa empreitada. O moço vai longe! 



Ø  LINKS LEGAIS

Pra quem ainda não leu, recomendo uma entrevista super legal e completa que meu querido Alcides Nogueira concedeu ao blog “Super TV e Mais”, de Leandro Brasil. A entrevista foi tão completa que foi publicada em duas parte. Seguem os links:



Também concedi uma entrevista para o roteirista André Luis Cia, que foi publicada no blog de Tati di Mello. Ficou bem bacana. Espero que gostem!


Ø  OLHA O MELÃO! VAI LEVAR, FREGUESA? TÁ FRESQUINHO!


Vivem me perguntando como se faz pra obter o livro do blog. Por enquanto só está sendo vendido em livrarias virtuais, como a Singular e a Livraria da Travessa. Há um link permanente para comprar aqui mesmo no blog, no canto superior esquerdo da página. Mas para os distraídos que ainda não perceberam, disponibilizo o link abaixo. Vamos lá! Quero todos consumindo melão! É mais nutritivo!

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Reprises, remakes e relançamentos: o passado reinventado.




sábado, 12 de maio de 2012

Roteirista convidada: Evana Ribeiro e o “desgoverno” nos bastidores do poder.





 Evana Ribeiro, mais conhecida como Evinha para os íntimos, é uma talentosíssima jovem recifense que, além de noveleira inveterada, também é roteirista de mão cheia. Já eleita em seu texto anterior para o melão “Editora-Chefe da sucursal Recife”, Evinha, apesar da pouca idade, demonstra grande maturidade artística com uma cena muitíssimo bem escrita de sua instigante história chamada “Desgoverno”. É daqueles fragmentos de texto que nos desperta o desejo de ler a obra inteira e torcer para que a autora alcance grandes vôos para que possa nos brindar com sua criatividade.
Evinha, obrigadíssimo pela confiança e mil desculpas pela demora em publicar. Volte sempre. “Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim!”.
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Desgoverno é uma sinopse na qual estou trabalhando há algum tempo, coisa de dois anos, e gira em torno dos entreveros políticos e amorosos que abalam a presidência de Drava, um país fictício. No momento, o chefe de Estado é Roland Gehrard, cuja popularidade só faz cair a cada dia. Ele só é amado por três pessoas naquele lugar: sua esposa, Marie; sua única filha, Reny (que vem sendo preparada para suceder o pai na Presidência) e sua amante, a garçonete Isabelle.
No primeiro capítulo, enquanto o grupo de extrema oposição planeja um grande golpe para destituí-lo do poder, Roland fica viúvo e Isabelle sente que chegou o momento de ela se tornar a primeira dama, depois de anos sendo a outra. Nestas cenas, ela conversa com sua melhor amiga, a também garçonete Laura; que é mãe de Pedro, o jovem líder do grupo que quer acabar com o Presidente.

Enfim, sem mais delongas, vamos às cenas!

11. CASA DE ISABELLE. SALA. INT. DIA
Isabelle está sozinha, vendo TV. O aparelho está sintonizado no canal de notícias que exibe o velório de Marie. Roland aparece em primeiro plano na imagem mostrada pela TV, falando com os jornalistas. Enquanto assiste, Isabelle chora copiosamente e enxuga as lágrimas com um lencinho. A campainha toca; ela cruza a sala sem muita pressa, vai até a porta e respira fundo, contendo o choro. Abre a porta, encontrando Laura. Ao ver a amiga, começa a chorar outra vez e a abraça.

LAURA - O que foi, criatura?

Isabelle não responde, está soluçando. Laura entra com ela e a faz sentar no sofá. Então se vira e vê a TV ligada no velório.

LAURA - Nem sabia que você era chegada a ver esses negócios na TV.

ISABELLE - É ela, Laura. Ela. A Marie morreu...

LAURA - Sim, eu sinto muito pelo presidente, mas...

ISABELLE - Queria tanto ver o Roland nessa hora!

LAURA - Pode parar por aí que eu já sei onde é que a conversa acaba!

ISABELLE - Você não acredita, mas eu amo aquele homem mais que a minha própria vida. Aliás, a minha vida se resume a ele, a quando eu estou com ele, quando a gente se ama... E até hoje eu me espelhei na Marie porque sabia que um dia eu ia chegar a ocupar aquele posto.

LAURA - Isa, por favor/

ISABELLE - E graças a Deus, eu não precisei mover um dedo pra isso, eu só esperei! Quando tudo isso passar, quando o país sair do luto, você vai ver o que vai acontecer.

Laura se ajoelha diante de Isabelle e segura suas mãos.

LAURA - Minha amiga, tudo o que eu não quero é te visitar num manicômio.

Em Laura,

CORTE PARA

12. CASA DE ISABELLE. COZINHA. INT. DIA

Laura e Isabelle terminam de tomar sopa. Conversa a meio.

ISABELLE - Muito obrigada por cozinhar pra mim dessa vez!

LAURA - Que é isso, não foi nada. Agora que você está mais tranquila e devidamente alimentada, era bom ir pra cama e descansar um pouco.

ISABELLE - É, eu vou tomar um banho e deitar.

LAURA - E assim que puder, procura um psicólogo. Essa sua paixão pelo presidente não pode ser normal.

ISABELLE - Eu tava quieta e você vem puxar o assunto?

LAURA - Tá bom, esquece. Mas mesmo assim, faz isso que eu disse. Vai ser bom pra você. Agora vou pra minha casinha que a uma hora dessas o Pedrinho já deve ’tar se contorcendo de fome!

ISABELLE - Teu filho tá sozinho em casa?

LAURA - Sozinho, um homem que mal sabe ferver água; mas fala de política perto dele!

Laura suspira, resignada, e levanta da mesa.

ISABELLE - Qual o partido dele?

LAURA - Depois a gente conversa sobre isso.

Ela dá um beijo na cabeça de Isabelle e sai apressada. A outra ainda fica sentada, pensativa.

Evana, diva, sendo reverenciada por um fã enlouquecido


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terça-feira, 8 de maio de 2012

TOP 10 – BETTY FARIA





Aproveitando o aniversário de sua musa-mor nessa terça, dia 8, melão estreia nova sessão, “Top 10”, que vai eleger sempre seus 10 personagens favoritos de um grande ator ou atriz de nossa tevê. Claro que a estreia tinha que ser com ela. Sua carreira no cinema é um caso à parte. Bailarina de formação, Betty é uma das poucas atrizes brasileiras que canta, dança e representa, ou seja, uma estrela completa. Mas como esse espaço é um blog televisivo, vamos nos ater aos personagens da telinha. Intérprete de grandes mulheres de personalidade forte, nossa super BETTY FARIA tem uma verdadeira coleção de personagens antológicos. Como grande fã que sou, foi muito difícil chegar a apenas 10 notáveis mulheres. Em breve vamos matar as saudades de Betty em um dos episódios de "As Brasileiras", mas enquanto ele não vem, vamos relembrar alguns de seus grandes personagens: 

10) ANTÔNIA, de “De Corpo e Alma” (1992)



Logo de cara, uma personagem diferente dos habituais tipos expansivos e extrovertidos que Betty costuma interpretar. Logo depois do furacão Tieta, veio esse grande desafio de viver Antonia, uma mulher introspectiva, tradicional e devotada ao marido Diogo, vivido por Tarcísio Meira na trama de Gloria Perez. Inconformada com o término do casamento, Antonia faz de tudo para impedir que o marido a abandone para iniciar uma nova vida ao lado de Paloma. E dá-lhe cenas de choro, sofrimento e de Antonia escorregando pela parede ao som de “Atrás da Porta”, que exigiu de Betty todo seu talento dramático, que ela desempenhou muitíssimo bem.


9) CARLOTA VALDEZ, de “Suave Veneno” (1999)


Aparentemente, uma pacata dona de casa de meia idade que leva uma vida sem grandes sobressaltos. Mas quando a noite cai, ela sai misteriosamente exalando seu perfume por todo o bairro das Laranjeiras, despertando a curiosidade da vizinhança. O que ninguém sabia é que, na verdade, Carlota era uma dominatriz que deixava os homens loucos com seus acessórios e uma prática sexual chamada “o inominável”, que até hoje ficamos sem saber do que se trata. Na segunda metade da novela, para tentar alavancar a audiência, a personagem entrou na disputa com Lavínia (Gloria Pires) pelo amor de Waldomiro e assim Carlota pôde mostrar sua faceta mais humana. Betty também recebeu uma homenagem do autor Aguinaldo Silva através de uma participação especial da filha Alexandra Marzo, que viveu a bandida Lili Fusilli, em alusão á célebre Lili Carabina, interpretada por Betty nos anos 80.


8) VALKIRIA, de “A idade da Loba” (1995)

Outro trabalho de extrema sensibilidade da atriz. Afastada das novelas globais, Betty brilhou na pele da mulher batalhadora do interior que, após perder o marido, se muda para o Rio em busca de uma vida melhor. Betty protagonizou grandes cenas com Ângela Vieira. A sequência final da novela, com as duas amigas fazendo as pazes diante do Cristo Redentor, é uma das cenas finais de novela mais bonitas que já assisti. É uma pena que este trabalho não seja tão lembrado. Sem dúvida, merecia um destaque maior.



7) JUÍZA MIRANDINHA, de “A indomada”, (1997)



Implacável com os inimigos, severa com o cumprimento do dever, ela não se fazia de rogada e “enquadrava nos rigores da lei” quem quer que fosse, inclusive o prefeito Ipiranga, seu principal adversário. A paladina da justiça de Greenville, mais uma louca cidade criada por Aguinaldo Silva, escondia sua sensualidade por trás de uma figura séria e austera, até cair nos braços do fiel secretário Egídio (Licurgo Spinola), com quem teve um belo romance que causou polêmica na conservadora cidade. Mais uma personagem da galeria de  mulheres fortes interpretadas por Betty.


6) LÍGIA, de “Água Viva” (1980)



“É luta, meu amor, é luta!”. Essa frase dita por Lígia logo no início da novela define bem a personagem: uma típica alpinista social gilbertiana, lutadora, determinada, que não hesita em alcançar seus objetivos. Disposta a tudo por um lugar na sociedade, Lígia acaba se envolvendo com os irmãos Fragonard, vividos por Reginaldo Faria e Raul Cortez. Antes disso, porém, enfrenta uma crise em seu casamento com Heitor (Carlos Eduardo Dolabella), que acaba se envolvendo com Selma (Tamara Taxman), amiga da onça que se hospeda em sua casa. As duas atrizes protagonizaram uma das cenas de briga mais famosas da história das novelas, em que Lígia flagra o ex-marido a e amiga em um show de Maria Bethânia no Canecão e ali mesmo, acerta as contas com Selma, dando-lhe uma tremenda surra jo banheiro da casa de shows. Gilberto Braga repetiu a mesma cena anos depois em “Celebridade”, quando Laura (Claudia Abreu) apanha de Maria Clara (Malu Mader). Além do brilho da personagem, Betty estava lindíssima, no auge da maturidade.




5) LEONOR, de “Labirinto” (1998)



Betty acha que não foi um de seus melhores trabalhos. Ela acha que Leonor deveria ter sido vivida por uma atriz mais jovem. Definitivamente, essa não é a opinião de seus fãs, incluindo este que vos fala que, simplesmente, a-do-ram essa adorável bandida. Leonor, a suspeitíssima viúva, que estava no centro dos mistérios que rondavam o assassinado de seu marido, o milionário Otacílio Martins Fraga (Paulo José), era o charme em pessoa. Inteligente, sarcástica,Betty, na pele de Leonor, teve ótimas e sensuais cenas com Ricardo (Antonio Fagundes) por quem era apaixonada e posteriormente com o investigador vivido por Daniel Dantas, que a via como uma verdadeira femme fatale, com direito a sensual cruzada de pernas a la Sharon Stone em “Instinto Selvagem”. Seus embates cheios de subtextos com Paula (Malu Mader) também eram deliciosos, bem como as engraçadíssimas cenas com Nietinha (Alice Borges) e Yoyô (Isabela Garcia). Pode acreditar, Betty, você brilhou como Leonor!


4) GLORIA, de “Anos Dourados” (1986)



Uma das personagens mais apaixonantes da carreira de Betty, que brilhou na pele da batalhadora mãe do protagonista Marcos (Felipe Camargo), que sofria com preconceito da conservadora sociedade tijucana dos anos 50 pelo fato de ser desquitada. Gloria era avessa a qualquer tipo de preconceito e pouco se importava com convenções sociais. Ganhava a vida como caixa de uma boate de Copacabana, mas acabou se envolvendo com um homem casado, vivido por José de Abreu. A cena em que Gloria acerta as contas com Dona Celeste (Yara Amaral) foi memorável. Betty e Yara deram um verdadeiro show. A relação de Gloria com o filho era muito bonita, o texto de Gilberto Braga era simplesmente genial e o papel foi defendido com muita dignidade por Betty.


3) MARINA SINTRA, de “O salvador da Pátria” (1989)



Outro grande momento de Betty na tevê. O curioso é que, logo após essa novela, Betty emendou a novela seguinte onde faria a mais célebre personagem de sua carreira, Tieta, de personalidade diametralmente oposta à Marina Sintra, que não lembra em nada a esfuziante personagem de Jorge Amado. Líder política da cidade de Tangará e principal oponente do poderoso Severo Blanco (Francisco Cuoco), Marina era séria, centrada e ética. Mal tinha tempo para vida pessoal, mas despertou novamente para o amor nos braços de João (José Wilker). Como todo personagem de Lauro César Muniz, era riquíssima, e contraditória. Marina discutia sobre sexo abertamente com as filhas, mas mal conseguia lidar com sua própria vida sexual. Um prato cheio pra uma atriz de mão cheia.


2) LUCINHA, de “Pecado Capital” (1975)



A Cinderela do subúrbio criada pela mestra Janete Clair é inesquecível até pra quem nunca assistiu à novela. A humilde operária que se transforma em modelo pelas mãos de um homem rico tendo que dominar os ciúmes do namorado machista caiu como uma luva para a brasilidade de Betty. A atriz formou com Francisco Cuoco e Lima Duarte um dos mais célebres triângulos amorosos de todos os tempos.


1) TIETA, de “Tieta” (1989)


O que falta dizer sobre “Tieta” que ainda não foi dito? Uma ode à liberdade, uma força da natureza, um protótipo de feminilidade? Sim, Tieta era poderosa, intensa, fazia as dunas de Mangue Seco se moverem e mexia com a cabeça de todos os homens. Poucas vezes uma personagem foi defendida com tanta gana, intensidade e paixão. Impossível pensar na personagem de Jorge Amado sem pensar em Betty Faria, que fez com que Tieta ficasse marcada em nossos corações e mentes de forma indelével. Viva Tieta! Viva Betty!




MENÇÕES HONROSAS:

Joana Lobato em "Baila Comigo" (1981)

Ø  JOANA LOBATO, de “Baila Comigo” (1981)
Ø  AMÁLIA PETRONI, de “Uma rosa com amor” (2010)
Ø  ROSINHA, de “Incidente em Antares” (1994)
Ø  DJANIRA PIMENTA, de “América” (2005)
Ø  LAURA, de “Pé na Jaca” (2006)
Ø  BÁRBARA, de “Duas Caras” (2007)
Ø  MARIA MARAVILHA, de “Brasil Pandeiro” (1978)

Maria Maravilha: super-heroína tipicamente brasileira

PERSONAGENS CÉLEBRES QUE GOSTARIA DE TER ACOMPANHADO:

Com Tarcísio Meira em "Cavalo de Aço"

Ø  JOANA, de “Cavalo de Aço” (1973)
Ø  LAZINHA CHAVE DE CADEIA, de “O espigão” (1974)
Ø  LILI CARABINA, de “A história de Lili Carabina – Plantão de polícia” (1979)
Ø  JUSSARA, de “Partido Alto” (1984)
Ø  MARLUCE, de “Bandidos da Falange” (1983)
Ø  LEDA MARIA, de “Duas Vidas” (1976)
Ø  IRENE, de “Véu de Noiva” (1969)
Ø  GUIOMAR, de “O bofe” (1972)



Betty, estrela maior de minha constelação pessoal, parabéns e espero que goste de mais essa homenagem. Feliz aniversário! Beijos e Boa Sorte Sempre!

Eu e Betty no niver dela do ano passado.
E vocês, quais são seus personagens favoritos de Betty Faria?


Agradecimento pela colaboração na escolha das imagens: Naira Freitas
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