terça-feira, 14 de setembro de 2010

Séries de Tribunal que vão além do veredito do júri.

                                                                                                                                                                    
Não curto muito assistir a séries pela TV e ficar esperando semanas, meses pelo final da temporada. Prefiro assistir em DVD no meu próprio ritmo. Foi assim com “Sex and The City”, por exemplo, minha favorita de todos os tempos. Minhas últimas aventuras nesse universo foram, coincidentemente, duas séries de tribunal. Tirando o fato dos protagonistas serem advogados, as duas não tem mais nada em comum: uma é bem água com açúcar, leve, divertida, engraçada; a outra mistura drama, thriller e deixa o espectador atônito a cada acontecimento. São “Ally Mc Beal” e “Damages”, respectivamente.


Ok. “Ally Mc Beal” não é novidade pra ninguém, já que se trata de uma série exibida no século passado. Sempre me falavam dela, flertávamos de vez em quando, mas nunca engatamos, de fato, um namoro. Só agora, depois de assistir a três temporadas de uma tacada só, foi que, finalmente, me deixei seduzir. A princípio, parece mais uma daquelas séries “mulherzinha”, cuja mocinha, desafortunada no amor, busca por um príncipe encantado. Na verdade, é isso mesmo! Mas não é apenas isso. A série tem aquele “mel” que nos atrai e nos faz querer assistir mais e mais a cada próximo episódio. E isso se deve em grande parte ao excelente elenco e personagens muito bem delineados. Ninguém ali é exemplo de perfeição. São todos excêntricos, as situações são totalmente suigeneris e o que parece soar como politicamente correto, na verdade, é o total oposto: o machista que orgulha de ser machista, a vagaba que adora ser vagaba, a megera que rosna e processa meio mundo, o tarado por papadas e por aí vai... Todos ali convivendo em perfeita harmonia. Possui um tipo de humor bastante peculiar, em que algumas metáforas são representadas literalmente, lembrando de leve “Armação Ilimitada” e, embora seja uma comédia, a história não se esquiva do drama. No fim das contas, é uma grande ode à amizade. Além da protagonista, a gracinha Calista Flockhart, de “Brothers and Sisters”, o elenco conta com a lindinha Courtney Thorne-Smith, (a Allison de “Melrose”, lembram?), Lucy Liu, muitíssimo à vontade em comédia e Peter Mc Nicholl, como John Cage, o melhor personagem da série: o adorável esquisito chefe do escritírio, que tem como algumas excentricidades o fato do nariz apitar quando fica nervoso, praticar ginástica olímpica no banheiro e possuir uma rã de estimação. As causas defendidas por esses advogados são as mais bizarras possíveis, mas tudo não passa de pretexto para discutirem suas questões pessoais. Quem ainda não conferiu, vale muito a pena um flerte. Mas um aviso: você tem grandes chances de ser conquistado.




Já “Damages” é uma das séries mais aclamadas e premiadas da atualidade. Inicialmente só teria três temporadas, mas o Canal DirecTv já anunciou que vai produzir mais duas. Ótima notícia! Na série, nada é o que parece e a ordem é não confiar em ninguém. Quando a jovem advogada Helen (Rose Byrne) adentrou o escritório de advocacia da temível Patty Hewes (Glenn Close) não poderia imaginar que sua vida iria sofrer uma reviravolta tão radical. O que, no início, nos parece um “O diabo veste Prada” dramático, vai se transformando num thriller eletrizante, cheio de suspenses, viradas, novos elementos a cada cena. Esse último fator acaba sendo um limitador para novos espectadores, pois se não assistirmos desde o início, vamos ficar sem entender muita coisa. O texto é absolutamente perfeito. Quando o espectador pensa que já está descobrindo tudo, algo inesperado acontece e complica ainda mais a trama, muitíssimo bem urdida. Poucas vezes vi algo tão bem feito e bem pensado. O mote central parece ser sempre a luta de Patty e Helen contra milionários poderosos, mas na verdade, trata-se de um novelão dos bons, com direito a vinganças, conflitos, mortes, paixões e grandes cenas. O elenco todo é excelente, mas confesso que não teria a menor graça se a terrível Patty Hewes não fosse interpretada por Glenn Close. Aliás, o que dizer de Glenn Close? Premiadíssima por seu papel na série (alguém consegue explicar por que Gwyneth Paltrow e Reese Whiterspoon já ganharam um Oscar e Glenn Close, não?), a atriz faz misérias apenas com o olhar, com a expressão. Há atores bons, há atores excepcionais e há gênios. Glenn Close, sem dúvida, se encaixa na terceira categoria. Patty Hewes vai da contenção à fúria, da ternura ao ódio, do poder à fragilidade com uma facilidade impressionante. Só mesmo uma atriz com tantos e tão maravilhosos recursos para segurar o papel e hipnotizar o público. Enfim, mesmo se “Damages” não tivesse as inegáveis qualidades que possui, já valeria a pena simplesmente pelo fato do privilégio de vermos Glenn Close interpretando. Já devorei duas temporadas e aguardo ansiosamente pela terceira.
                                                                                                                                                                                   
Enquanto isso, estou órfão de séries. Alguém me sugere alguma?
                                                                                                                                                                     

4 comentários:

TH disse...

Dependendo da série, eu gosto de ver semanalmente mesmo. Acho que a periodicidade semanal gera uma expectativa maior pro próximo episódio, o que é uma faca de dois gumes: ou ratifica ou frustra.
Também prefiro ver series em DVD, mas a falta de tempo me deixa sem possibilidade de acompanhar muitas no momento. Estou desatualizado em várias...ano passado consegui finalmente dar cabo em Dawson's Creek, uma que namorava há tempos, mas só consegui ver efetivamente há pouco.
São produções com menos horas que novelas, mas que justamente por isso cada episódio não visto com atenção se torna determinante pro contexto...e a ironia é que eu já vi bem mais novelas completas do que seriados (risos).
Não tinha boas referências sobre Ally mC Beal, te confesso que essa é a primeira (rs), o que é uma ótima referência ;). Já Damages´, ouvi dizer que é super bem conduzida - verdadeiras aulas de roteiro a cada episódio.
Dicas anotadas :)

Leonardo Villa-Forte disse...

"Damages" é talvez a melhor série que já vi na televisão. Como você, Vitor, peguei no DVD, porque o ritmo é tão alucinante que é impossível ficar esperando o próximo episódio na TV, como você bem disse. São verdadeiras aulas de roteiros e de edição, um cuidado visual extremo, e o espectador é posto no mesmo lugar em que estão os personagens da série: deve desconfiar de tudo. Acho que essa é uma das chaves para a levada perfeita da série, os roteiristas e produtores não subestimam o espectador, eles o tiram do lugar. É uma série cruel, onde todos os sentimentos humanos são explorados, e esbanja qualidade em todas as áreas. Parabéns pelo post.

Leonardo Távora disse...

Eu também não costumo ser muito afeito a séries. Mas quando há uma produção bem feita - e aqui cito uma brasileira, A cura, e uma estrangeira, Roma - eu paro para ver. É sempre muito bom ver coisas bem produzidas, em quaisquer generos. Acho que o Brasil está começando a acordar para este produto, que tem tudo para fazer sucesso, pois não precisa ser fechado. pode ter "temporadas" e ter seus temas abordados com mais eficiência e leveza que uma novela.

Eddy Fernandes disse...

Eu ando cada vez mais fã das séries. Os roteiristas americanos são realmente muito talentosos. Eles produzem textos geniais, com uma coerência incrível, e um nível de acontecimentos bem alto. Essa minha última observação, evidente, vai para "Damages" que eu comecei a assistir por culpa sua! (rs). A série estava sendo transmitida pela Globo num horário super ingrato - a alta madrugada - e como bom notívago, e acompanhando os teus tweets indicando a série, decidi assistir.

Não me arrependi nem um pouco. Gostei bastante - embora o thriller não seja o meu gênero preferido - e me vi preso à narrativa, que é tão brilhante, tão incrivelmente bem escrita, que é impossível ficar indiferente. Em "Damages" as reviravoltas rocambolescas são até muito verossímeis. Nesse aspecto, os roteiristas foram muito mais felizes que J. J Abrams, e sua esquizofrênica "Lost", que eu não entendi até hoje.

Agora, "Ally McBeal" eu não acho lá essas coisas, não. OK, nunca assisti nem meio episódio. Mas não vou muito com a cara da Calista Flockhart. Implicância pura e simples. O santo não bateu. Mas como é dica do Melão, daremos uma chance. Agora, pra finalizar, deixa eu falar um pouquinho das minhas séries prediletas:

Friends - Essa é hors concours. Acho que todo mundo gosta. A história dos seis amigos, naquela base "jovens, solteiros, procuram" deu muito pano pra manga. Não é à toa, que a série durou 10 anos. É divertida, leve, romântica. Programão.

Alf, o Eteimoso - Tá, me atirem pedras. Mas acho essa obscura série oitentista engraçadíssima, talvez até pelo fator trash. E, incrivelmente, gosto de assistir dublada. Acho que aumenta o nível de bizarrice. E isso me diverte.

Melrose Place - Outra série dos anos 90, naquela base "jovens, solteiros, procuram" mas num outro tom. Curto bastante e saúdo vivamente as reprises da Sony!

Enfim, vou me ater à essas aí, senão fico desfiando um rosário ad nauseam. Mas, não posso esquecer de dar menções honrosas às nossas séries tupiniquins (que estão cada vez mais bem produzidas): Confissões de Adolescente, Armação Ilimitada, Os Normais, Os Aspones, A Grande Família (apesar de achar que aquilo já deu o que tinha que dar ó...) e destaco A Cura e Separação como as minhas prediletas de agora. Nos EUA, a lista também é enorme. Mas fico com Drop Dead Diva e Grey's Anatomy.

Prefira também: