sexta-feira, 12 de março de 2010

Blogueiro convidado: Wesley Vieira

Dono do excelente "E eu não sei?"(www.eeunaosei.blogspot.com), que é definido pelo próprio como um grande liquidificador virtual, o amigo e parceiro Wesley Vieira, jornalista, aspirante a autor de novelas e telemaníaco de carteirinha, nos brinda com um texto sobre os 20 anos de uma das novelas que marcou sua infância: Gente Fina.
Aproveito para agradecer ao amigo Guilherme Stauch, pela presteza e generosidade em capturar imagens da novela, já que não há fotos disponíveis no Google.   Wesley, a palavra é sua!!!

Quem se lembra de "GENTE FINA"?
Por Wesley Vieira

A ideia desse post partiu do próprio Vítor, o dono deste delicioso melão, enquanto trocávamos mensagens com o amigo Rapha pelo twitter. Convite feito e aceito, eu decidi me aventurar nas minhas doces lembranças televisivas, que nem sempre obedecem ao senso comum (Graças a Deus, porque já disseram que toda unanimidade é burra). Digo isso porque resolvi falar de uma novela que poucos se lembram e muitos torcem o nariz. Talvez porque a história realmente não empolgava ou porque o bendito senso comum manda a gente gostar somente daquilo que todo o mundo fala que é bom. Sei lá...

Pois bem. Lá se vão 20 anos da estreia de “Gente Fina”, exibida às 18 horas pela Rede Globo, uma novela a qual me recordo com sua simpática história que, definitivamente, marcou a minha infância e deixou um gostinho de saudade.

 A história era bem crível naqueles fatídicos primeiros meses de 1990. O Brasil vivia um clima de tensão com as medidas sócio-econômicas tomadas pelo então presidente Fernando Collor de Melo e “Gente Fina” nasceu para dissertar sobre essa classe média brasileira que ia ao purgatório com toda essa transição que o país passava. Daí podemos imaginar que o famoso “jeitinho brasileiro” estava presente nessa história.
Para os que não se lembram (e devem ser muitos) “Gente Fina contava a história de um casal comum da classe média carioca, Guilherme de Azevedo Paiva (Hugo Carvana) e Joana (Nivea Maria). Eles tinham três filhos: a jovem e bela Kika (Lizandra Souto), namorada do rico Mauricio (Guilherme Fontes), o inventivo Beto (Nicolai Nunes) e Tatá (Natália Lage), a caçula espevitada. Eles moravam com Olavo (José Lewgoy), o pai de Guilherme, um professor de geografia aposentado e com mania de escavar terras pelas ruas da Zona Sul com o intuito de fazer pesquisas geológicas.


Guilherme era o típico brasileiro que adorava dar um jeitinho nas coisas e por isso mantinha o seu cargo de funcionário-fantasma na prefeitura com todas as artimanhas que lhe eram peculiares. Mas chegou o governo do Collor e Guilherme estava fadado a perder a mamata, afinal as coisas estavam pretas para todo mundo. Ainda, para ajudar nas despesas da família, ele gerenciava a “Mola de Ouro”, uma oficina mecânica em parceria com seu amigo, o português Joaquim (Paulo Goulart).


Mas a vida não andava fácil e não é que a crise toma conta da família Paiva? Eles se enrolam nas mais variadas dívidas e são despejados do prédio em que moram por conta dos atrasos do condomínio. A situação piora quando Beto, com loucura por invenções, provoca um curto-circuito no prédio. Apesar de receberem a ajuda de Janete (Sandra Bréa), a amiga rica de Joana e eternamente apaixonada por Guilherme, eles vão parar num velho casarão em São Cristovão. É nesse local, cheio de “Gente Fina” e sincera que as tramas começam a deslanchar.

No mesmo bairro, especificamente nos fundos do casarão, fica a oficina de Guilherme. É ali que os empregados, como Michael Jackson (Mauricio Gonçalves) e Dagmar (Tony Tornado) exercitam a veia artística com o grupo de dança “Mola de Ouro”. E Joana acha um absurdo aquela lambada horrorosa rolar nos fundos de sua casa e é ela quem mais sofre com o péssimo padrão de vida que terá dali pra frente. O que mais preocupa essa mãe é o namoro de Kika com o jovem e rico Mauricio. Ambiciosa na medida certa, Joana deseja o melhor para a filha e faz de tudo para esconder essa real situação.

No outro lado da história está Alessandra (Narjara Turetta), uma jovem órfã que procura por um pai de aluguel, pois se sente extremamente sozinha. Cheia de boas intenções, ela coloca um anúncio no jornal com a esperança de preencher o seu grande vazio e lá vai Guilherme, todo esperto, se candidatar a vaga sob a alcunha de Marciano.

E os ricos “Gente Fina” também estavam presentes na novela com a família de Mauricio, o namorado mimado de Kika, filho dos ricos Tufik (Othon Bastos) e Indhira (Sandra Barsotti), o elegante casal de descendência indiana, donos de muitas terras que são invadidas pelo advogado inescrupuloso, Arthur (Gracindo Junior), marido de Janete.

Daí em diante muita coisa acontecia: o nosso casal “Gente Fina” se separava, um concurso de lambada acontecia, um assassinato inesperadamente ocorria, revelações eram bombardeadas e casais velhos e jovens se formavam... No final, a vida, afinal era feliz...

A atriz Isis Koschdoski e as crianças Luã Ubacker e Alexandre Santini também fizeram parte do elenco
(foto: arquivo Mofo Tv- cortesia de José Marques Neto)

Nesse emaranhado de histórias e personagens, “Gente Fina” mostrava a dureza do dia-a-dia ao mesmo tempo em que provava que dava para ser feliz, mesmo com todas as decepções, angustias e desesperos daqueles que lutavam (e ainda lutam) para sobreviver nesse Brasil. A belíssima abertura feita por Hans Donner já revelava essa ideia ao mostrar um casal rico que não deixava de ser feliz mesmo quando ficavam pobres. E tudo isso ao som do maravilhoso samba “Sonhando eu sou feliz”, na voz de Beth Carvalho.



Tudo bem, a novela pode não ter sido boa, ok! Mas a trilha internacional era maravilhosa: “Another Day in paradise” com Phil Collins, “Midnight” da ex-garota prodígio Nikka Costa, a dance “Running” do Infomation Society, “Advice For the Young at Heart” do Tears for Fears, “Oh L’Amour” do Erasure, as meninas da banda Heart com a linda “All I Wanna Do is Make Love to You”, “Angel” com a voz doce de Anne Lennox ainda na banda Eurythimics, entre outras...


Sem esquecer que a trilha nacional (ruim à beça) era recheada de clássicos da temida lambada que hoje nos divertem com aquela suposta sensualidade cafona. E afirmo que não é para qualquer novela ter Sarajane em sua trilha, contando inclusive com sua participação especial durante um concurso de lambada. “Abre a roda morena, não deixa a roda fechar...”. E tinha a baladinha hiper mega brega da dupla Luan e Vanessa cantando "Quatro Semana de Amor". Tanto sucesso e todo domingo lá estavam eles no Faustão.
Então é isso. “Gente Fina”, uma novela de pouca repercussão (que eu jurava ter feito sucesso, pelo menos em Minas, fez!) completando anos de estreia nesse dia 12 de março de 2010. E já que o Vídeo Show não vai homenagear a novela com uma reunião da família Paiva, eu mesmo falo: há 20 anos, direto do túnel do tempo...

14 comentários:

O Vitor viu... disse...

Ótimo texto, amigo! Abrilhantou meu humilde melão e, com certeza, impressionou a todos pela bela memória! Uau... parabéns...rs!
Ah, eu gostava da trilha nacional...rs! Tinha Rosana, Luan e Vanessa, Oswaldo montenegro, Beth Carvalho....rs! Mas a internacional era excelente mesmo e ainda trazia "Sealed with a Kiss", a canção que deu origem a "Quatro semanas de amor" de Luan e Vanessa". Lembrando que tinha argumento de José Louzeiro e era escrita por Marilu Saldanha e Luiz Carlos Fusco. Mais uma vez, obrigado, amigo!

Anônimo disse...

Muito legal o texto. Lembro pouca coisa da novela, mas lembro muito da época e das músicas. Parabéns!

TH disse...

Excelente texto. Não esperava menos coisa do meu amigo mineirin, bateu uma VONTADE de ver a novela, agora...não passaria despercebida, sem dúvidas! ;)

Leonardo Távora Dias disse...

Bacana o texto. E bacana tb como uma novela é capaz de ficar marcada em nossos corações, msm com todo este tempo passado, e com histórias interessantes apresentadas na TV. Foi bom pq conheci mais sobre esta novela que certamente não acompanhei, já que à época eu tinha apenas 6 anos.

Até me animei a escrever sobre "Pé na Jaca", qdo esta completar seus dez anos. Quem não morria de rir com Murilo Benício e seu incrivel Arthur Fortuna.

Wesley disse...

Foi uma delícia escrever para o Melão. Me senti honrado. E mais prazeroso ainda foi falar sobre uma novela que poucos se lembram como Gente Fina. Isso, porque a memória da Televisão deve ser preservada e mantida tanto pelos sucessos, como também pelos fracassos.

Duh Secco disse...

O que faz de uma novela um fracasso? A pouca audiência? O elenco fraco? O texto pífio? Pra quem gosta mesmo de novela, nada disso interessa. Sempre vai ter uma trama rotulada como fracasso que vai nos marcar. E vai trazer uma lembrança boa, ainda que todos os outros falem mal da trama.

Adorei o texto, Wesley! Parabéns!

Gui disse...

Ótimo texto do amigo Wes!
Parabéns Wes e Vitinho!

RÔ_drigo disse...

Wesssss escreveu com paixão e imparcialidade de forma maravilhosa seu texto, deu até vontade ver^^

Eduardo disse...

Excelente texto mesmo! Aliás, lendo essa sinopse, dá vontade de ver mesmo...mas sinceramente eu não curtia rsssss mas paixão é paixão e repetindo, adorei o texto!

Anônimo disse...

Texto excelente! Taí uma novela que não teve repercussão mas era gostosa. O texto dos autores esteve perdido em algum ponto, mas isso não lhe tira o mérito.
Parabéns ao melão e ao autor do texto.

Agnaldo disse...

Eu também faço parte da minoria que gosta daquilo que ninguém gosta. Lembro muito dessa novela, lembro da música da Nika Costa e lembro de atores coadjuvantes, que é o que mais gosto em novelas: Benjamim Catan e Claudia Borioni dando show de comédia e a estreante Dominique Afonso que estava super bem, até hoje não entendo porque não vingou.

Anônimo disse...

Realmente Gente Fina não foi um sucesso. Mas nem de longe foi ruim. Mas como disse o autor do texto excelente, o senso comum manda tudo.
Bruno P.

Eduardo José disse...

"Gente Fina" foi um grande tapa-buracos da TV. Mas talvez se a novela tivesse sido feita hoje, seria "imputada" deste triste histórico.

Denis . disse...

Excelente matéria! Não conhecia essa novela, e o texto deu aquela curiosidade! Parabéns,Wesley e Vítor!

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