terça-feira, 2 de março de 2010

"Uma rosa com amor": uma estreia esperançosa.


É muito difícil tecer comentários acerca de uma novela apenas tendo como base o primeiro capítulo. Mas as impressões que se tem após assistir ao início de “Uma rosa com amor” é um clima de um admirável esforço e vontade geral para que tudo dê certo. A história original de Vicente Sesso, atualizada por Tiago Santiago, com colaboração de Renata Dias Gomes (ótima dialoguista) e Miguel Paiva, tem tudo para cair no gosto popular. O que vimos no primeiro capítulo foi um texto que não conseguiu escapar do didatismo presente nas estreias, mas que dá chance para atores com talento se destacarem. E foi exatamente o que aconteceu. As cenas do cortiço, sobretudo, as que se passam na cozinha de Amália (Betty Faria) foram as melhores, apesar de muito longas e carecerem de uma edição melhor e de cenas de outros ambientes que as intercalassem.

Quanto aos aspectos técnicos, destaque para a cenografia. A vila ficou muito simpática e bem feita, sem aquele aspecto “clean” e artificial que predomina nos cenários projaquianos. Ainda nota-se aquele antigo problema de som das produções anteriores do SBT. Um eco que não combina com a qualidade das imagens apresentadas.

Já o elenco, destaque para os veteranos. Dos “jovens”, Toni Garrido e Mônica Carvalho são os mais problemáticos. Lúcia Alves e Jussara Freire estão bem à vontade em sua zona de conforto e contribuem para dar à trama um ar agradável e simpático. Edney Giovenazzi está muito bem na pele do patriarca amoroso e Carla Marins soube dar uma dignidade incrível à heroína. Estávamos com saudades de vê-la em um papel realmente bom. Por fim, não posso deixar de falar sobre Betty Faria e sua Amália Petroni. Acostumada a papeis mais desafiadores em cinema e teatro como “Romance da Empregada” e “Shirley Valentine”, respectivamente, a atriz, no entanto, raramente tem na TV, a chance de sair do estigma de mulher sensual e expansiva. No primeiro capítulo, ela esteve adorável e emprestou à personagem a naturalidade necessária a uma abnegada dona de casa. É também louvável sua coragem em aparecer de cara limpa, sem artifícios da cosmética, desprovida de qualquer vaidade para dar mais veracidade ao papel. Ponto para ela. Tem tudo para emocionar.
Enfim, uma boa estréia que já nos deu o recado de que será uma novela leve, romântica e despretensiosa. Sucesso ao SBT nessa nova empreitada. O mercado agradece.

7 comentários:

andrezinho__4 disse...

Ótima análise e crítica do primeiro capítulo. Parabéns!

ALADIM MIGUEL disse...

Amigo Vitor

Você saca tudo mesmo! É isso ai mesmo que vc falou, só faltou a Isadora que está no mesmo time do Toni e da Mônica FRAQUÍSSIMOS. Assino em baixo de tudo que você escreveu ! Abração

Leonardo Távora Dias disse...

É sempre muito bom poder ler criticas sóbrias, e raro quando falamos de TV. Parabéns, Vitor! De coração... Nota 10 mesmo.

Tomara q a novela consiga bons índices, e possa alcançar o sucesso!

Eddy disse...

Agora sou universitário, rapá! (rs) Cada vez mais ansioso para assistir a novela. Não vi nada ainda, no horário, estou em aulas. Mas boto fé por esse elenco e por termos Miguel Paiva e Renata Dias Gomes na equipe. Tiago Santiago, é... bem... aquilo lá... Mas o texto original é brilhante e devemos saludar os esforços do SBT em produzir a novela. Adorei a crítica, amigo. Abração!

esdras b disse...

Minhas impressões: Concordo que o núcleo do cortiço é o melhor em termos de talento e competência, além de Betty, Lúcia e Jussara cito ainda a veteraníssima Etty Fraser, engraçada e adorável no papel de fuxiqueira da vila. Dos novatos, a atriz q faz Terezinha, a irmã de Rosa, parece bem à vontade no momento, em compesação os filhos de Nara, socorro! Socorro tbm para Toni Garrido, coitado o carinha é ruim demais, mas sabe que até vejo potêncial nele, acho q com um pouco de lapidação melhora. Tô gostando mais de Monica Carvalho do que em seus papeis anteriores, tbm acho q pode melhorar com o decorrer da trama. Isadora Ribeiro num papel de grande destaque, peca pela vozinha melosa e enjoada, ainda assim gosto dela e torço para que abocanhe a personagem com unhas e dentes e nos surpreenda. A abertura é uma graça, apesar de um pouco longa. E os diálogos escritos por TS às vezes são de matar.
Só uma dúvida: esse Miguel Paiva é o mesmo cartunista de Radical Chic, marido de Ângela Vieira?

Walter disse...

Essa foto da Betty com o Edney tá linda!! Quem disse que não se pode envelhecer bem? Bete tá uma gata para a idade que tem!!

O Vitor viu... disse...

E os dois têm protagonizado lindas cenas, Walter!

Amigos, obrigado pelas palavras sempre carinhosas. Meu abraço a todos!

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