sábado, 31 de julho de 2010

UMA CENA-CHAVE DE "SÓ VOCÊ".


                                                                                                                                                                    
 Os mais chegados sabem que sou aficcionado pelos 50’s. Eles também sabem que tenho uma sinopse de uma novela chamada “Só Você”, uma novela jovem que narra o último ano de colégio de uma animada turma, com seis capítulos prontos e escritos durante o curso que fiz com Margareth Boury em 2007 e, portanto, sob sua supervisão. E que esse projeto de novela, que venho escrevendo, alterando e acrescentando elementos desde criança, é um apanhado de muitas referências dessa época que conviveram comigo durante minha vida toda, como as televisivas “Bambolê”, “Estúpido Cupido”, “Anos Dourados” e “Hilda Furacão” e filmes como “Juventude Transviada”, “Sabrina”, “West side story”, “A primeira transa de Johnatan”, até “Porky’s”, mas tendo “Grease” como inspiração maior. Enfim, já até postei aqui uma cena da novela que servia apenas para ambientar a época: um animado chá de senhoras da sociedade.

A cena que vou postar a seguir, mais do que retratar a época, serve para revelar ao espectador o estopim que vai gerar todo o conflito do casal protagonista. Sem medo de abusar do melodrama, afinal novela boa é novela que emociona e arrebata a torcida do público, por isso recorri mais uma vez ao bom e velho “Romeu e Julieta”, com direito a segredos e revelações de família. Veremos Sueli, camareira do famoso cabaré de Madame Antoinette, mãe de Gustavo, rapaz pobre e mocinho da trama, contando à patroa sobre o desastroso jantar da noite anterior em que, levada pelo filho, foi conhecer a família da namorada dele, Roberta, moça rica e grande heroína da trama, que vai sofrer uma grande virada mais tarde.

Aqui, Antoinette tem a função de orelha, ou seja, aquela que vai basicamente ouvir o relato de Sueli e auxiliar no andamento da cena de modo que as informações a serem contadas possam fluir naturalmente sem que a cena fique forçada ou excessivamente didática. Pelo menos foi o que tentei. Não sei se consegui. Confiram:

CAP 4. CENA 16. CABARÉ. CAMARIM. INTERIOR. DIA.


ANTOINETTE ACALMA SUELI.

ANTOINETTE — Já está melhor, minha amiga?

SUELI, AINDA CHORANDO, FAZ QUE SIM COM A CABEÇA.

ANTOINETTE — Seja lá o que for, você sabe que pode contar comigo, né? Fica à vontade. Pode desabafar se quiser.

SUELI — Madame, muito obrigada! A senhora é um anjo. Eu preciso mesmo desabafar com alguém.

ANTOINETTE — Sou toda ouvidos.

SUELI — O destino me pregou uma peça. E o meu filho é que tá pagando pelo meu passado.

ANTOINETTE — Não tô entendendo nada. Qual deles?

SUELI — O Gustavo. Ele arrumou uma namoradinha nova, a Roberta. E parece que dessa vez ele se apaixonou de verdade.

ANTOINETTE — C’est magnifique! Qual é o problema?

SUELI — O problema é que ela é a última garota por quem ele devia ter se apaixonado. Ela é da família dos meus antigos patrões.

ANTOINETTE — Sei, menina rica. Os pais estão proibindo.

SUELI — Não é isso. Ela é filha de Leonor Lucchesi, a mulher que o Nelson largou pra casar comigo.

ANTOINETTE — Mon dieu! Não acredito!

SUELI — Pode acreditar, amiga. A Leonor tava de casamento marcado com o Nelson e eu era empregada da casa. O Nelson era muito sedutor e eu era muito nova ainda. Me deixei levar. Acabei me apaixonando também.

ANTOINETTE — Já até sei onde essa história acabou. O rapaz largou a moça às portas do altar e fugiu com você.

SUELI — Eu acabei engravidando. O Nelson tava realmente apaixonado por mim. Imagina, ele largou tudo: luxo, riqueza e foi ter uma vida simples comigo.

ANTOINETTE — Nasceram os filhos /

SUELI — A paixão acabou e o cretino passou a me culpar por ter acabado com o casamento dele. Sumiu no mundo. Nunca mais ouvi falar dele.

ANTOINETTE — Que história!

SUELI — Que eu pensei que tivesse morta e enterrada. Até a noite de ontem. O Gustavo, todo feliz, levou a gente pra jantar na casa da menina. A senhora pode até imaginar a reação da Leonor quando me viu, né?

ANTOINETTE — Também não é pra menos. Coitada dessa mulher. Imagina, anos depois a mulher que roubou o marido dela aparece assim no meio da sala.

SUELI — Eu não tiro a razão da Leonor. Acho que se fosse comigo eu ia perder a cabeça também. Eu não tô triste por mim. Nem me lembrava mais dessa história. Eu tô arrasada por fazer o meu filho sofrer.

ANTOINETTE — Que ironia do destino. (RI) E o pior é que nenhuma das duas ficou com o safado.

SUELI — A vida tá cobrando o que eu fiz.

ANTOINETTE — Deixa de besteira, mulher! Não vou negar pra você que é realmente uma falta de sorte. Mas ninguém é punido por se apaixonar.

SUELI — E agora, o que é que eu faço?

ANTOINETTE — Levanta essa cabeça e ajuda o teu filho! Eu sempre te admirei porque você é uma mulher de fibra, nunca fugiu da luta. E não vai ser agora que vai fugir.

ANTOINETTE ABRAÇA SUELI COM CARINHO.
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Quem ainda não leu outras cenas minhas já postadas aqui, seguem os links:

"SÓ VOCÊ": Elegante chá de senhoras nos 50's -> http://euprefiromelao.blogspot.com/2010/01/elegante-cha-de-senhoras-nos-anos-50.html

FLOR DE LÓTUS: http://euprefiromelao.blogspot.com/2010/05/flor-de-lotus.html
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9 comentários:

TH disse...

Precisamos de tramas de época com diálogos tão bem trabalhados como esse!
Vc está em casa, Vitor. "Só Você" tem tudo pra ser um grande sucesso quando a oportunidade bater, pois talento e satisfação com o que faz vc já nos passa.
:)

cristian-monteiro disse...

Muito bom!!!

Duh Secco disse...

Conseguiu sim, Vitinho! Apresentou toda a história da Sueli, sem deixar esse quase monólogo cansativo, com as ótimas intervenções de Madama Antoinette. Adorei!

Espero ver Só Você em breve! Sucesso, querido! ;)

Leonardo Távora disse...

Que tudooo... Primeira vez q vi uma cena escrita por vc. Mto bom, adorei!! A construção é bem bacana, e os diálogos ágeis. Parabéns, Vitor!!

Denis . disse...

Ótimo, Vítor! Gostei muito de ler sua cena! E adorei o fato da história se passar nos anos 50, uma época com charme e características únicas. Abraço!

Josué Palácios disse...

Que cena bacana, os anos 50 é muito fascinante. Se pudesse escolher seria uma década que gostaria de ter vivido.

Muito bom, parabéns!

aladimiguel disse...

"Um grande segredo do passado está de volta, mas SÓ VOCÊ pode saber!"

Aguarde...

Muuuito bacana sua cena amigo!

Abraços e Boa Sorte.

Walter disse...

Adorei o capítulo Vitin,
Deu saudades de Doce Vida, pena que não foi pra frente...
Abçs
Cerqueira

ulisses sebrian disse...

Gostei. Vc tem talento! E porque não esta produzindo!
Adoro novela da epoca de 50, parece que eu vivi ali. PAra mim as epocas mais iteresantes são a decada de 20.50.70. Ja pensou fazer uma trama unindo essas epocas!
Abraços.

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